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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Coréia do Norte, Copa e totalitarismo

 

Por João S. de Oliveira Júnior

 

 

 

 

 

Há alguns meses antes da Copa, trouxemos informações sobre a expectativa da seleção norte-coreana, país que há décadas vive sob a ditadura comunista e que não poderá ver ao vivo os jogos da própria seleção de futebol por vaidade estatal, caprichos do seu ditador Kim Jong-Il.

Bom, já fizemos a comparação sobre a real situação do país asiático por causa do regime que o oprime com o filme A vida é bela.O jogo contra o Brasil acontecerá nesta terça-feira:

Acompanhando os programas esportivos, sempre ouviremos dos comentaristas sobre a seleção norte-coreana que _ este é o time mais misterioso da Copa_ não só porque um jogador apenas (é treinado) para dar as entrevistas, mas porque de fato quase nada se conhece dos mesmos. Bem, na verdade não se desconhece somente da seleção de futebol, mas sim de todo o país.

Todos sabemos do conflito político ideológico que a décadas divide as 2 Coréias.Na fase classificatória para a Copa de 2010, em março de 2008, sa duas Coréias empataram as duas partidas que disputaram, o intrínsico nisto é que um dos jogos, aquele ao qual seria em Pioyang (capital norte-coreana) foi suspenso porque antes da partida o governo Kim Jong-Il decretou que o hino do time adversário não seria tocado, e a bandeira nem sequer hasteada. Sentindo-se constrangidos, os sul-coreanos conseguiram após algumas reuniões com a FIFA transferir o jogo para Xangai, na China.

Outro fato que me chamou muito a atenção, notícia vinda de um locutor esportivo: em entrevista a um jornal europeu, um dos lideres da comissão técnica da Coréia do Norte dissera que_ com a ajuda de Kim Jong-Il o time de seu país poderá vencer_ claro, na mesma hora o locutor objetou que quem jogaria seriam os onze jogadores e não o ditador Kim. Vejam só! Pode? Sabemos que é comum no mundo todo, não só aqui no Brasil, políticos se auto-promoverem a custas do sucesso alheio, no caso o futebol. Mas ainda estava incomodado com o discurso. Recordei que é comum, ora mais ou ora menos, contarmos com a ajuda de Deus_ Com a ajuda de Deus, Nossa Senhora, conseguiremos!_ ,assim que frequentemente ouvimos e dizemos. É certo que tal frase é dita, muitas vezes, mais como uma força de expressão, mas reflete bem a nossa crença. Perguntei pra mim mesmo porque o membro da comissão técnica norte-coreana não dissera a mesma coisa mas substituindo o ‘Kim Jong-Il’ por ‘Deus’. Daí lembrei: no regime comunista não existe liberdade de Credo, há sim é o culto ao Estado e ao “Senhor do Estado”, o general é do tipo “onipresente e onisciente”. Pobres norte-coreanos...

 

 

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segunda-feira, 22 de março de 2010

A vida não tão bela dos norte-coreanos e a Copa do Mundo

João S. de Oliveira Júnior

 

image Dirigido e protagonizado por Roberto Benigni, o filme A Vida é bela é uma premiada produção lançada no ano de 1997. Seu enredo se passa em meados dos anos 40, na Segunda Guerra Mundial, quando Guido (Benigni) é levado com seu filho pequeno para um campo de concentração nazista. A fim de proteger o pequeno da violência e do terror que os cercam, Guido usa de sua criatividade para convencer a criança de que tudo era apenas um “jogo”. Mais informações sobre este bom e elogiado filme aqui. O recomendo.

Poucos meses para um dos maiores eventos esportivos do planeta, o mundo vive a expectativa de assistir ao espetáculo da Copa do Mundo de futebol na alegria de uma boa e sadia competição. Recordando que dia 15 de junho a seleção Brasileira enfrenta a da Coréia do Norte, país que também é apaixonado por esse esporte e retorna ao mundial depois de 44 anos quando disputou a copa na Inglaterra em 1966.

Pergunta-se, e daí? O que uma coisa tem a ver com a outra?

Bem, a Coréia do Norte vive a décadas uma ditadura comunista, considerado o país mais fechado do mundo, não verá os jogos da própria seleção ao vivo. Poderá apenas assistir as reprises das vitórias e triunfos, caso houver.coreiadonorte-kimjongil_narrowweb Essa condição é imposta por seu ditador Kim Jong-Il (de óculos escuro na foto ao lado). Uma vez que  ele, cumprindo as régias do totalitarismo comunista, acredita que deve ser transmitida a população norte-coreana apenas àquilo que poderá convergir para o patriotismo (iludido) da Coréia do Norte. O país não poderia, nem por TV, ver outros “mundos” (como torcedores de outros países) ou acompanhar a própria seleção competir porque uma possível derrota “abalaria” a nação (dominação). Isto na cabeça do kim Jong-Il.

Então, estaria eu comparando o ditador Kim ao personagem Guido (do filme apresentado)? Necessariamente, não. Na verdade, quando conferi a notícia, inevitavelmente me recordei do filme e vi o antagonismo das situações. Acompanhem:

 

No Filme – A Vida é Bela (ficção)

A Copa do Mundo norte-coreana (realidade)

O terror do Nazismo na 2ª guerra mundial no início dos anos 40. A euforia e expectativa da Copa da África do Sul em 2010 depois de 44 anos.
O protagonista é um pai dedicado, carismático e protetor. O responsável é um ditador, o “Senhor” do Estado, conhecido como um “fanfarrão”.
Uma criança de 6 anos que está começando a ver a vida num lugar extremamente desumano. 23 milhões de norte-coreanos, que mal podem conhecer a realidade e verdade do local e do mundo onde vivem.
O regime Nazista, totalitário, um antigo, mas extinto vilão. O regime Comunista, tão totalitário e vilão, contudo, existente até hoje.
Mesmo em meio a tristezas da guerra e do genocídio humano, o filme mostra que é possível sorrir.

Mesmo na alegria da confraternização que a Copa do Mundo pode proporcionar para uma nação, há motivos pra lamentar antes mesmo dela acontecer.

O fim estimado dos personagens é a tão sonhada liberdade a ser alcançada. Esta querida liberdade mal pode ser desejada e conhecida pelos norte-coreanos, vítimas do Regime.

 

Esta querida liberdade mal pode ser desejada e conhecida pelos norte-coreanos, vítimas do Regime.

norte-coreanos reverenciam a estátua de Kim Il-sung, pai do ditador Kim Jong-Il Lembro que é sempre típico dos sistemas Totalitários a doutrinação ideológica, a propaganda do governo, meios de manipulação da massa, a privação de Liberdades(1) e o emprego da violência para os fins a serem alcançados pelo Estado. Vendo um documentário jornalístico sobre a Coréia do Norte e notícias como esta, misturam-se sentimentos (pensamentos) de pena e solidariedade para com o povo norte-coreano e ao mesmo tempo “bate” um alívio por estar num país em que, embora com adversidades, podemos desfrutar da individualidade. Expressar, poder manifestar nossa fé e ter opções de escolha para o bem dos nossos entes.

Não assistir a Copa por capricho ou vaidade estatal é cômico, entretanto, é apenas um “pedaço do iceberg” de privações que o totalitarismo Comunista pode impor. Fica o aviso para o Brasil: Cuidado! Com a Coréia do Norte no jogo do dia 15/06? Não, que vença o melhor e confesso que poderei estar torcendo pro time coreano nesta partida. Porém, atenção para com o fantasma do totalitarismo que vez ou outra sonda nossa querida América Latina. Afinal, a vida é bela, mas haverá lugares em que ela é sempre mais sofrida, os norte-coreanos que o digam.

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(1) Vide Catecismo da Igreja Católica, parágrafos: 2211 (Liberdade da família), 2304 e 2498 (liberdade de informação e comunicação).