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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pe. Henrique Munaiz - 50 Anos de sacerdócio!

Entrevista especial da Sociedade da Santíssima Virgem Maria – SSVM com o Pe. Henrique Munaiz, SJ, [foto 1]. Capelão do mosteiro do Carmelo em Montes Claros – MG, completando um cinqüentenário de sua ordenação em 07/12/2012.

[Em breve a ser disponibilizada para visualizarem-na no original do formato boletim Pugna.]


SSVM: Pe. Henrique, 50 anos como sacerdote, que graça! O senhor poderia falar pra nós da satisfação destes 50 anos de sacerdócio de Cristo, de servir a Igreja?

Pe. Henrique: Sim, de um lado a satisfação... do outro lado também o susto (risos), de ter passado este 50 anos e também de não ter feito tudo aquilo que se pode fazer, então esta vertente também acontece, a gente vê que a misericórdia de Deus foram e são muitas e grande mas a correspondência nem tanto. Mas claro, a misericórdia de Deus cobre tudo isso e traz alegria sim. De ter sido chamado a trabalhar no reino, e trabalhar no reino é uma coisa que comove profundamente, porque o Reino é Deus dando-se aos homens. Ajudar os homens a achegarem-se a Deus, e da outra parte aumenta o conhecimento da gente. A Igreja, boa Mãe, nos forma dentro, conforma a correspondência de cada um, mas a Igreja nos forma bem para poder estar atentos a necessidade dos outros e poder os levar a grandeza do Reino, à Vida que aparece neste Reino e com isso a esperança da Vida Eterna, é claro. Então o sacerdócio está em função da Vida Eterna. Este sacerdócio em função de Melquisedeque, um sacerdócio eterno. E este sacerdócio que teve seu ponto sacerdotal na Cruz de Cristo, precisa estar sempre atuado, proclamado e realizado na Santa Missa. Então, o sacerdote tem na Santa Missa o ponto central de sua Vida, isto é o que me comove e me traz alegrias de ter celebrado tantas Missas, um numero bom, e esperar que até o último dia eu possa celebrar ainda este Mistério da Misericórdia do bom Deus, com Cristo na Cruz.

SSVM: Amém, que o Senhor lhe dê muitos mais anos de Vida! Como falou da celebração do santo sacrifício de Cristo, o papa Bento XVI, pelo Motu Proprio Summorum Pontificum, autorizou a celebração do Rito antigo da Missa . Eu posso dizer, é uma tamanha benção depois de muito tempo o senhor estar celebrando pra nossa cidade! Qual a satisfação de celebrar o rito Tridentino [fotos 2 e 3] depois de tanto tempo?

Pe. Henrique: A satisfação vem de vários lados, a primeira satisfação é de poder entrar na dinâmica em que o Papa (Benção querido Papa!) coloca a Igreja, de poder celebrar neste rito, Tridentino. E ter sido chamado para isto, pelo bispo que disse que deveria ser celebrado por um padre que conhecesse bem o latim e que tinha sido ordenado neste rito, eu celebrei neste rito durante 08 anos (62 a 70). E por meu provincial também, pela licença que ele deu, então a satisfação de estar na dinâmica da Igreja, em primeiro lugar isto. Depois, este rito antigo comove, traz em si este aspecto do Mistério, assim como no rito atual, se sente talvez mais perto do povo, neste rito Antigo, o Mistério parece que fica mais dentro de tuas mãos. Então, há alguma coisa aí que comove profundamente e poder voltar àquelas primícias em que a gente foi ordenado. Sim, tudo isto faz parte. Mas, como também celebro sempre no outro Rito, não me sinto duplicado, senão que, é o mesmo mistério. Deus, todo poderoso e sua Igreja é sábia, o Papa foi muito sábio também porque havia este desejo, um desejo justo, nobre... Me sinto muito bem!

 
 
SSVM: Que maravilha! Padre, muitos jovens, não só da SSVM, mas tantos outros de Montes Claros te admiram muito, frequentam suas celebrações, te conhecem ha tanto tempo como capelão do Carmelo. Que Mensagem o senhor quer deixar para eles? Ou, o que é necessário para manter por muito tempo este fervor e amor a Cristo e sua Igreja?

Pe. Henrique: Bom, o mistério Cristão é de aproximação continua com nosso Senhor Jesus Cristo, então, Cristo é aquele ponto que puxa a Igreja para chegar, é o Esposo. Mas, Maria Santíssima (isto eu aprendi desde pequeno, ainda no colégio interno antes de entrar na Companhia, entrei com 16 anos), pois a devoção a Maria Santíssima é um grande e eficaz caminho para chegar ao conhecimento e amor de Cristo, nosso Senhor. Pois, ninguém conhece a Cristo melhor do que Maria Santíssima e, ninguém o amou mais, serviu melhor e foi fiel a Ele até a Cruz, onde, o Cristo nos a entrega também para que sejamos mais fiéis a Ele. De maneira que, a Devoção a Maria Santíssima é a arma poderosa para os jovens nutrir dentro de seu coração. De um lado, o amor a Cristo, do outro, aquelas virtudes que são próprias da juventude: a castidade, a pureza de alma, a humildade também... o jovem humilde será um bom cristão e um bom pai de família, àquele que se torna arrogante é difícil de conservar as virtudes próprias de um varão cristão. Então o jovem, com Maria Santíssima, a humilde serva do Senhor, chega a pontos, a parâmetros altos do Mistério de Cristo, isto que eu entendo.

SSVM: Mais uma pergunta, o senhor está a 46 anos na região do Norte de Minas. És muito querido na cidade não só pela ardente devoção com que celebra a Santa Missa e mesmo pela disposição com que se coloca para celebrar os outros sacramentos... (De longe as pessoas identificam: “Vejam, é o Pe. Henrique!”... Ele está de batina, sempre... ao mesmo tempo de uma simplicidade mas também com uma grandeza). O senhor quer falar pra nós sobre o trabalho social que o senhor faz, reconhecido aqui na cidade há muitos anos, com as crianças carentes?

Pe. Henrique: Isto é pouca coisa, isto não tem tanto pra falar... Mas acontece é que o povo aqui é muito bondoso, e qualquer coisa que o padre faz eles o magnífica (risos)... (SSVM: Você é um santo padre!) É o povo magnificando as coisas do padre. Então, aqui temos algumas coisas, temos um colégio lá em baixo, vários movimentos de acolhimento e tal... mas estas coisas não são tanto assim. Por isso digo, isto é o povo, o povo aqui é uma maravilha! E o povo aqui apóia e ouve o padre de uma maneira toda especial... (risos). Isto que acontece, não há muita coisa a ser dita.
 
SSVM: Padre, agradeço por toda disponibilidade de estar partilhando conosco um pouco de sua vida, de estar dando esta palavra de apoio e de incentivo a todos os jovens que amam a Cristo, amam a Igreja e certamente têm no senhor uma referência. Quero pedir a sua benção.

Pe. Henrique: Deus te abençoe filho, muito obrigado. Pedirei por todos que lutam com você, para encontrar mais o mistério da Igreja e vivê-lo mais intensamente... Este Ano da Fé há de ser um ano de grandezas... Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


sexta-feira, 11 de maio de 2012

A mentira do “aquecimento global” - só uma ponta de iceberg

Por João S. de O. Junior

Vídeo do programa do Jô que recebeu o climatologista Ricardo Augusto Felício, graduado em Meteorologia e doutor em Geografia Física pela USP. Embora seja apenas uma entrevista e com certo tom de deboche, é muito boa! Desmente e contradiz a mitos como “aquecimento global”, elevação do nível do mar, buraco da camada de ozônio, efeito estufa... Enfim, desmonta a vários dogmas do Ecologismo alarmista da atualidade.



Não foi novidade o que ele contou, mas foi muito interessante a reação de espanto dos ouvintes. Como se estivessem vendo uma revelação do tipo: “fui enganado esse tempo todo?!”, alegria e confusão ao mesmo tempo.  Expressões faciais de quem só descobriram depois de adulto que Coelhinho da Páscoa não existe. Certamente, muitos foram dormir com “crise existencial”.
 
Bem, vendo a reação das pessoas ao depararem os falsos conceitos em confronto com os fatos, podemos citar paralelos, assemelha-se quando:

 - Um aluno mediano revoltado contra a Igreja após a lavagem cerebral feita por um professor que ensinou sobre a Inquisição a deturpando-a. O mesmo estudante começa a ler historiadores sérios no assunto que afirmam que, a Inquisição foi até a salvação de muitos que eram acusados de um crime impossível.

- Uma adolescente que recebeu a dita “educação sexual” exclusivamente na escola atual se deparando com especialistas em HIV. Estes dizendo que a Igreja sempre esteve certa quanto a política dos preservativos. Ou seja, que a mera distribuição do “preservativo” não acaba com a aids e sim os programas voltados para abstinência sexual.

- Um simpatizante do marxismo, estudando fora das salas de aula, descobre que o Comunismo foi o sistema totalitário que mais matou no mundo todo e em toda história. Superando e muito ao Nazismo.

 - Um protestante com pesquisa, estudo e honestidade em busca a verdade muito além do que lhe fora passado em sua igreja, percebe que milagres de fato só existem na Igreja Católica. Que esta é a Igreja apostólica desde o início do cristianismo.

- Um universitário que aprendeu de seus professores anticlericais que a Igreja foi e seria o maior atraso do ensino na civilização em épocas que aqueles docentes chamam de “idade das trevas”. Depois, o acadêmico se depara com estudiosos, como o Dr. Thomas Woods, que desmentem todas as balelas e mostra que a Igreja não só criou hospitais, orfanatos e asilos, mas também o sistema de ensino que temos hoje, assim como fundou as Universidades mais antigas que temos desde a Idade Média.

Situações assim, dentre diversas outras, deixam qualquer cidadão mediano com cara de espanto porque a mentira quando fora contada várias vezes, a exemplo do “aquecimento global”, dá a impressão que se trata de uma verdade incontestável. O “Ecologismo Aquecimentista” com sua propaganda de sustentabilidade, ao que tudo indica, é uma mentira que não vai se sustentar por muito tempo, mesmo que o estrago nas mentes já esteja feito. 

Podemos concluir: distorções de fatos (mentiras mesmo) são ensinadas nas nossas escolas e que, infelizmente, grande maioria das pessoas vai engolindo inquestionavelmente. O Ecologismo radical é só a ponta de um iceberg de um monte de bobagens que são transmitidos ou omitidos às gerações no ensino público. O falso conhecimento passa a ser o “senso comum” da população. Isso é uma consequência da subversão feita pelo marxismo cultural na sociedade, assunto muito importante e extenso que devemos tratar.
Mas as verdades estão aí para quem quiser saber com sinceridade. Cabe a nós, empenharmos neste apostolado da defesa da nossa civilização e da Igreja. Há muito trabalho a se fazer.

Genocídio Ucraniano (1932-1933), mais de 3 milhões de mortos só por fome forçada. Um dos vários genocídios promovidos por regimes Socialistas no séc. XX, mas intencionalmente omitidos pela história nas nossas salas de aula.

Virgem Santíssima, ora pro nobis.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

China comunista: implacável perseguição anticatólica

Padre Cervellera

“A estrangeiros parece que a China mudou, quando, de fato, sempre foi assim. Há perseguição contínua, cuja extensão pode ter variado, mas nunca cessou”

Bispos, sacerdotes e leigos católicos são presos, mandados para campos de trabalhos forçados, torturados e executados. Entretanto, apesar de tão atroz perseguição, cresce o número de católicos na China. “O martírio de um católico conduz à conversão de outros”, afirma o Pe. Bernardo Cervellera, do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras.
Atualmente fala-se muito sobre a China, mas pouco se sabe a respeito da verdadeira situação dos católicos chineses. A fim de proporcionar a nossos leitores uma ideia do que está ocorrendo naquele país, Valdis Grinsteins, colaborador de Catolicismo, entrevistou em Roma o Pe. Bernardo Cervellera, do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras, considerado o maior especialista romano sobre a Igreja na China. Professor na Universidade Beida, em Pequim (de 1995 a 1997) e diretor da Agência de imprensa vaticana “Fides” (de 1997 a 2002), ele é o atual diretor da prestigiosa Agência “AsiaNews” (www.asianews.it).
  
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Catolicismo — Circularam ultimamente muitas notícias sobre um esfriamento das relações entre a China e o Vaticano. O que há de certo nisso?
Pe. Cervellera — Sou convidado algumas vezes a participar de encontros com industriais italianos que me perguntam sobre a China. Quando me refiro às perseguições que sofrem lá os católicos, ficam surpresos. Porque hoje muitíssimas pessoas possuem uma imagem turística da China, aliada a uma noção confusa oriunda de notícias que informam sobre a quantidade de arranha-céus construídos nas grandes cidades, da existência de grande número de automóveis Ferrari, do aumento da renda média do trabalhador chinês, etc. Pensam tais pessoas que, pelo fato de a China estar apresentando aparentes mudanças do comunismo para o capitalismo, a situação dos direitos humanos também se alterou. Acompanho há 20 anos a situação chinesa e posso afirmar que, se do ponto de vista geográfico muita coisa mudou (novas autopistas, condomínios, trens, etc.), por outro lado, a perseguição religiosa manteve-se sempre constante.
Houve há poucos meses sagrações ilícitas de bispos, ou seja, sem mandato papal. Nos últimos quatro anos ocorreram cinco dessas sagrações. Alguns bispos débeis ou timoratos foram obrigados a participar das mesmas, tendo sido conduzidos à força pela polícia. Isto é algo que não se registrava desde a época da Revolução Cultural dos anos 50 e do início do maoísmo. Época na qual se tentava criar uma igreja nacional composta de padres e bispos sob a direção do Partido Comunista Chinês. Na teoria, uma igreja independente de Roma; na prática, dependente do governo comunista. Perguntei recentemente a um católico chinês sobre a mudança de rumo do governo. Ele simplesmente respondeu-me dizendo que para os estrangeiros parece que a China mudou, quando ela, de fato, sempre foi assim. Há uma perseguição contínua, cuja extensão pode ter variado um pouco, mas nunca cessou desde que os comunistas tomaram o poder em 1949.


Catolicismo — Os bispos chineses fiéis ao papado continuam sendo presos?
                          Stalin e Mao Tsé-Tung



Pe. Cervellera — Por uma sugestão de Stalin a Mao Tsé-Tung, o Partido Comunista Chinês quis inicialmente exterminar a Igreja, mas isto não funcionou. Criaram então, em 1957, a Associação Patriótica, a qual ficou encarregada pelo Partido Comunista de controlar a Igreja. Já o Papa Pio XII condenou essa associação em 1958 e declarou que os bispos que sagrassem outros bispos escolhidos por ela estavam excomungados. Todos os bispos que se opuseram, nos anos 50, a essa manobra comunista, terminaram na prisão, sendo obrigados a permanecer 20 ou 30 anos sob o regime de trabalhos forçados. Por exemplo, o bispo de Xangai, D. Ignatius Kung; o bispo de Booding, D. José Fan Xueyan; o bispo de Cantão, D. Dominic Tan Yee-Ming, e tantos outros. Há ainda vários bispos “clandestinos” — ou seja, que se negam a fazer parte dessa Associação Patriótica — os quais se encontram nas mãos da polícia. É o caso, por exemplo, de D. Jacobo Su Zhimin, há 15 anos nessa situação. Ele está desaparecido e sem sinais de vida. E isso só por não querer fazer parte da Associação Patriótica. Também o bispo de Yixian, D. Cosme Shi Enxiang, encontra-se nas mãos da polícia há 10 anos. De forma totalmente ilegal, apesar das poucas leis existentes na China. Estamos preocupados, porque muitos bispos que a polícia fez desaparecer, reapareceram depois... mortos.
Foi o caso, entre outros, de D. José Fan Xuyean, bispo de Booding. Após passar três meses nas mãos da polícia, em 1992, seu cadáver foi deixado diante da porta de sua casa, envolto em papel celofane. Seus familiares constataram que ele tinha sido torturado brutalmente, a ponto de ter uma de suas pernas quebrada. Era um ancião de 90 anos, que já havia passado 32 anos na prisão.
Há poucos anos ocorreram outras mortes. Em 2007, alguns meses antes das Olimpíadas (esta celebração da modernidade da China...), um dos prelados da província Hebei, D. Giovanni Han Dingxian, bispo de Yongnian, reapareceu num hospital após seis anos de detenção. Seus familiares encontraram-no moribundo. De fato, ele faleceu às 23 horas daquele mesmo dia. Seu corpo foi cremado e sepultado às 5 horas da manhã, sem a presença dos familiares. Os fiéis julgam que a cremação foi efetuada para evitar as provas que derivariam da autópsia.

*“O bispo de Booding, após passar três meses nas mãos da polícia, em 1992, teve seu cadáver deixado diante da porta de sua casa, envolto em papel celofane”

Catolicismo — Qual é a situação atual dos bispos “subterrâneos”, considerados “ilegais” pelo regime comunista?
   Missa clandestina de católicos chineses





Pe. Cervellera — Existem na China 37 bispos “subterrâneos”, ou seja, que não pertencem à igreja oficial, controlada pela Associação Patriótica. Esses bispos encontram-se em prisão domiciliar; estão isolados, não podem exercer seu ministério. O mais velho deles é o bispo de Zhengding, D. Julio Jia Zhiguo, muito estimado pela população. Ele mantém 200 meninos abandonados, sobretudo deficientes físicos, que não são aceitos por motivos culturais. O bispo lhes proporciona roupa e alimento, cuida dessas crianças com a ajuda de algumas freiras. Ele é vigiado dia e noite por quatro policiais, para que não possa sair de casa nem se encontrar com quaisquer pessoas. Sua “culpa”: não querer renunciar a seus vínculos com o Papa. Muitas vezes é preso e levado para “férias” forçadas, a fim de receber doutrinação política do Partido Comunista sobre a grandeza de seu programa e de como se deve dar adesão ao mesmo.
Atualmente até os bispos da igreja oficial — de obediência ao governo — estão na mira do Partido Comunista. Não é uma perseguição na qual eles são conduzidos a campos de trabalhos forçados ou fuzilados, mas são controlados. Desde 2006, quando das novas sagrações ilegais, eles são seguidos e controlados em suas viagens pastorais. Por que este medo do governo? É que, graças ao trabalho dos Papas, quase todos esses bispos da igreja oficial — sagrados mediante intervenção do partido e sem permissão papal — escreveram ao Vaticano pedindo perdão pela sua situação, tendo sido reintegrados na comunhão católica. Quando o Papa Bento XVI escreveu uma carta aos católicos da China, em 2007, ele a enviou indistintamente aos bispos da Igreja Católica, não fazendo distinção entre aqueles que eram fiéis e os que não eram.

* “Nos anos 50 os comunistas queriam destruir todas as religiões. Convencendo-se de que não o conseguiam, tentaram então criar religiões nacionais”

Catolicismo — Se há tantos bispos que tiveram de pedir perdão ao Papa por estarem ligados à Associação Patriótica, por que o governo tem tanto medo deles?
Pe. Cervellera — Porque a Igreja Católica chinesa é hoje muitíssimo mais unida que no tempo da Revolução Cultural ou nos anos 80. Este é o ponto importante e o que explica o aumento da perseguição. A unidade da Igreja na China é um dos grandes fracassos do Partido Comunista Chinês. Nos anos 50 eles queriam destruir todas as religiões. Convencendo-se de que não o conseguiam, tentaram então criar religiões nacionais — seja a budista, a islâmica, ou igrejas protestantes nacionais. E, transcorridos 60 anos, na prática, a Igreja Católica é hoje mais unida do que antes. É por isso que a Associação Patriótica — cujo novo presidente é paradoxalmente um bispo em comunhão pessoal com o Papa — deseja a sagração de bispos ilegítimos, a ponto de forçar um bispo excomungado a ser presidente de um organismo subordinado a ela, a conferência dos bispos da igreja patriótica. Este é um modo de misturar as coisas, criar divisão e confusão generalizada.
A situação é muito dura. Os bispos oficiais [subservientes ao regime] e os “subterrâneos” [obedientes a Roma] são muito controlados. Fiscalizam-se todos os seus encontros e discursos, são levados à força a reuniões onde os obrigam a ouvir dissertações sobre a política do partido, além de serem isolados, para não receberem o reconforto e o apoio da Igreja.
Em maio, por ocasião da festa da Padroeira da China — Nossa Senhora de Sheshan, próximo de Xangai — Bento XVI pediu orações pela Igreja naquele país e, sobretudo, pelos bispos, para que não defeccionem. E para que não sejam derrotados pela tentação de oportunismo, ou seja, de uma vida cômoda e de não perseguição. Uma vida tranquila é melhor do que uma vida isolada. E a Associação Patriótica exerce esse tipo de perseguição, vencendo o coração pelas suas debilidades. Infelizmente, há pessoas que por oportunismo desejam se tornar bispos, ou seja, ser promovidas a tais pelo partido, receber honrarias, uma residência cômoda e nova e, de vez em quando, lembrar-se do Papa na oração. É preciso rezar muito por elas.


Catolicismo — Poder-se-ia então afirmar que o Partido Comunista está preocupado porque não consegue controlar a Igreja?
Pe. Cervellera — O partido não está tão preocupado com o controle da Igreja Católica quanto com a difusão dela. O cristianismo difunde-se muitíssimo na China. E isso não obstante serem necessários três a seis meses de catecismo, assistência à missa, participação nas orações, etc. Há anualmente pelo menos 150.000 adultos – não nos referimos às crianças – que se fazem batizar. Enquanto o governo prega que a riqueza é o mais importante, as pessoas procuram a vida espiritual. Este é o motivo da perseguição. Enquanto os direitos humanos forem comer, beber, vestir, etc., o partido pode controlar. Ele pode permitir que se construa uma casa ou que se vista com roupas Armani; permite a satisfação das necessidades materiais. Mas quando surgem necessidades espirituais, o partido não sabe o que fazer e teme que as pessoas escapem de seu controle. Para os comunistas, as religiões devem ser controladas ou eliminadas. Isto cria problemas para o partido, porque na China está ocorrendo um grande renascimento religioso. Nós afirmávamos isto anos atrás e não nos davam crédito. Hoje se trata desse tema com frequência, existindo abundante documentação a respeito. Fala-se do regresso de Deus à China. As pessoas procuram algo mais do que o materialismo.
Catolicismo — Que tipo de pessoas se convertem ao catolicismo?
Pe. Cervellera — Todo tipo de pessoas. Mas existe uma categoria que chama especialmente a atenção. Convertem-se ao catolicismo antigos — e dos mais ardorosos — membros do Partido Comunista, que estão desiludidos pelo que ali se faz. Eles vêm que estão nas mãos de um grupo que os utiliza para ganhar dinheiro — com o qual, por sua vez, financiam o partido para que este controle o povo. Notam haver uma grande simbiose entre capitalismo e comunismo. Estão desiludidos com a insensibilidade do partido diante das necessidades das pessoas. O salário dos trabalhadores é dez vezes menor que no Ocidente, não existem auxílios de seguridade social, etc. Estes desiludidos aproximam-se da Igreja. Por exemplo, um ativista que criou um sindicato não oficial e que havia estado no massacre da Praça de Tiananmen tornou-se católico.


Catolicismo — Existe alguma possibilidade real de a Igreja mudar a situação na China?
Pe. Cervellera — O que teme o partido é que haja uma fusão entre a busca dos valores espirituais e a tensão dentro da sociedade. Existe nisso algum nexo. Esta tensão aparece em situações que são relativamente pouco conhecidas, mas na China há anualmente 180 mil rebeliões sociais. O governo as chama de “incidentes de massa”. São pessoas que se rebelam devido às injustiças, porque confiscaram suas casas, contaminaram os rios e não há água para beber, por problemas de transporte, saúde, etc.
Os ex-comunistas que se tornam religiosos procuram alguma dignidade para as pessoas, e o fundamento para isso é religioso. O homem possui direitos inalienáveis. Ao Estado incumbe reconhecê-los, e não se arvorar em deter poderes para concedê-los ou não. Se o homem não tivesse uma dimensão religiosa ele seria apenas um objeto nas mãos do poder. As pessoas procuram os fundamentos espirituais do direito do homem.
Um advogado cristão que defendia pessoas perseguidas por sua fé, foi sequestrado pela polícia, torturado, colocado em situação de isolamento, sem poder comer, etc. Ao ser liberado, em junho último, ele denunciou tudo quanto sofreu. Isso antes não acontecia. As pessoas começam a denunciar os maus tratos recebidos e perdem o medo que tinham. Para o governo, esta mistura de rebelião social aliada à busca de fundamentos religiosos e de coragem pode ser fatal.
Catolicismo — É conhecido o dito de Tertuliano de que “o sangue dos mártires é semente de cristãos”. O Sr. conhece algum caso na China que nos pudesse contar?
Martírios na China, durante a perseguição anticatólica de 1900

“Para os comunistas, as religiões devem ser eliminadas. Isto cria problemas para o partido, porque na China está ocorrendo grande renascimento religioso”
 

Pe. Cervellera — Recentemente entrevistei um chinês que acabava de se converter ao catolicismo. Eu queria saber o que o havia levado a abraçar a fé. Ele contou-me que tudo começou quando a polícia deteve um de seus vizinhos. Intrigado sobre o motivo da detenção de alguém tão tranquilo e normal como esse vizinho, foi perguntar aos familiares dele. Estes lhe disseram que havia sido preso por ser católico. Isto chamou sua atenção, pois o que podia uma fé ter de importante quando o mais valorizado na sociedade era possuir bem-estar material, comodidades e reconhecimento social? Como não entendia, começou a estudar os fundamentos de nossa Religião e constatou que a fé é o bem mais importante da vida. É por ela que arriscamos tudo o que temos. É a mais preciosa pérola. Como resultado, decidiu se converter e foi batizado. O martírio de um católico conduz à conversão de outros.

Virgem Santíssa, mãe dos Católicos, Rogai por nós!

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Fonte: Revista Catolicismo ( www.catolicismo.com.br )

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Giovanni Pierluigi da Palestrina

Palestrina


“O Príncipe da Música”

     Conhecido pelo nome de sua cidade de origem, Palestrina, Giovanni Pierluigi, Compositor Italiano, nasceu em 3 de Fevereiro de 1525. Precocemente, conseguiu ser o primeiro mestre da Capella Julia (do papa Julio III) e, em seguida, diretor da Capela Sistina.
O sucessor de Julio III foi o papa Marcelo II, que governou a Igreja por apenas vinte e dois dias. Em sua memória, Palestrina compôs a mais famosa de suas obras: a Missa do papa Marcelo, a seis vozes. Depois de escutá-la, o Cardeal Borromeu (São Carlos Borromeu, 1538-1584) disse: “Esses são os cânticos que o apóstolo João ouviu na alegre Jerusalém celestial e que outro João nos traz como fruto de sua inspiração.”
Devido às grandes epidemias que se seguiram às guerras, Palestrina perdeu sua mulher, Lucrezia Gori, dois de seus três filhos e seus três irmãos. Pediu então autorização para tornar-se padre, mas ao final de um ano abandonou esse caminho para casar-se com uma viúva rica, Virginia Dormoli, ocupando-se do comércio de peles. A situação econômica confortável lhe permitiu compor e publicar suas obras mais belas.
Se os papas anteriores haviam tolerado a presença de casados em suas capelas, o mesmo não ocorreu com Paulo IV. Por essa razão, Palestrina teve de afastar-se do Vaticano, mas seguiu vinculado às capelas de São João de Latrão e de Santa Maria Maior. Foi em São João de Latrão que compôs seus imortais Impropérios.
     A fama de Palestrina fez-se universal. Ele foi convidado para servir à corte imperial de Viena, mas suas pretensões financeiras foram excessivas ao imperador Maximiliano II. Em 1571, recuperou seu cargo na Igreja de São Pedro, no Vaticano, onde permaneceu até a morte, em 2 de fevereiro de 1594. Sua polifonia marcou todas as épocas posteriores. Para muitos suas obras alcançaram a perfeição absoluta do estilo eclesiástico.

Referência bibliográfica:
Enciclopédia do Estudante. Nº 13.Música.1º Ed. São Paulo : Moderna, 2008.