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segunda-feira, 3 de junho de 2013

As artimanhas de Satanás - parte II




Por Prof. P.M.C


Veio único e subterrâneo



Fixemos que há um “processo permanente”. Porém, qual sua origem? Sendo Deus sumo bem, torna-se claro que a gênese desse processo só pode ter se dado no uso incorreto da liberdade por parte de alguma de suas criaturas. Sabemos que o primeiro homem foi induzido ao erro, em última instância, por Satanás; portanto, o princípio da corrupção geral só pode ter ocorrido na “Queda dos Anjos”.

A partir do pecado original, Lúcifer tem recrutado homens das mais variadas classes para organizar seu exército particular. De Caim, passando por Judas, até o último dos ímpios possuímos a imagem perfeita da astúcia em sua arte de perder as almas.

Utilizando-se da tendência ao mal presente em todo indivíduo ferido pela queda adâmica, o adversário do gênero humano, promove não somente a revolta contra Deus, mas também contra toda sua criação. O cosmos como um todo é desprezado por ele como mau, e o Deus que o criou como “o malvado”. Segundo esta cosmovisão a matéria seria uma pérfida limitação e todos deveriam aspirar por um suposto “Pan” primordial onde tudo seria “um” com ausência total de hierarquias e desigualdades. Os comunistas se alegrariam com essa realidade, cara também aos anarquistas.

Encontramo-nos aqui perante a Gnose, igualitária e antimetafísica, desprezadora do cosmos e de toda cosmovisão católica escolástica. Joseph Ratzinger nos falara deste tema algumas vezes em seus escritos:

“Colocando-se do lado da serpente, de Caim, de Judas, dos grandes proscritos da humanidade, a gnose deu expressão à sua intenção verdadeira: nega o cosmos como um todo, junto com seu deus que desmascara como tenebroso tirano e guardião de prisão; vê em Deus e nas religiões apenas o selar e o fechar definitivo da prisão que é o cosmos”.[1]

Ora, vejamos: se o Deus do Antigo Testamento (gêneses) é mau por haver criado a matéria, e Lúcifer é aquele que ensina o desprezo a este Deus malvado, logo, é Lúcifer o verdadeiro “bom” que nos instrui no caminho da liberdade. Tudo se inverte nesta lógica satânica: ao que era bom chamamos mau, e ao que era mau, bom. Levando às últimas conseqüências este raciocínio falacioso, o catolicismo, a Bíblia, toda a cultura ocidental ou qualquer instituição que se diga Cristã, enfim, tudo que se liga de algum modo a JHWH (Javé), o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, tudo isso deveria ser destruído; pois, somente assim, os indivíduos poderiam libertar a “partícula divina” que constitui seu ser mais íntimo e reintegrar-se à divindade primordial. Quem não ouve aqui o eco da serpente no Éden? Com efeito prometera: “Sereis igual a Deus”.(gênesis).

Percebe-se aqui duas formas opostas de entender a realidade criada: Uma otimista, como afirmara G.K. Chesterton sobre o catolicismo[2] e outra extremamente pessimista, a gnose, igualitária, anti-hierárquica e desprezadora da matéria.

Queda dos Anjos
Bem, se vê também a íntima relação que há entre a gnose e o maniqueísmo dualista; com efeito, ambas as formas de pensamento são contrárias à criação material. Não nos percamos, porém, nos labirínticos e escuros corredores secretos do gnosticismo herético. É próprio de Satanás, pai da mentira, temperar suas doutrinas com os mais variados sabores para, deste modo, envenenar “gregos e troianos”.

Afirmamos isso porque há ramos gnósticos que, por exemplo, manifestam certa semelhança com o Panteísmo, divinizador da matéria, o que pode parecer contraditório à primeira vista. Não esqueçamos porem que a “contradição”, opondo-se ao “princípio de identidade”, é como pano de fundo no teatro das heresias e erros em geral.

“(...) Há Gnoses que aceitam o cosmos, no sentido de que admitem a futura transformação da matéria cósmica em substância puramente espiritual e divina. Há gnoses que ao mesmo tempo amam e odeiam o Cosmos”[3]

“(…) a distinção entre Gnose e Panteísmo é muito tênue e (...) é muito fácil passa5r de um movimento para o outro. O Panteísmo tem, muitas vezes uma doutrina oculta que é de fato, gnóstica.”[4]


O que mais importa aqui, no entanto, é a idéia segundo a qual, como vimos, há um “processo permanente” que avança desde a queda angélica. Ele está fundamentado no ódio contra Deus e a sua criação. Guardemos o seguinte princípio: toda e qualquer contradição presente nos vários pensamentos opostos à Cristo e sua Igreja é mera artimanha demoníaca em seu intento de agradar às varias classes de homens que se objetiva perverter.


Com efeito, afirmava o doutor Orlando Fedeli: “(...) há um veio único e subterrâneo que liga todas as heresias do ocidente.” [5]E no mesmo sentido, se assim podemos dizer, guardadas as devidas distinções, escrevia o Marquês de Valdegamos ao Cardeal Fornari:

“Entre os erros contemporâneos não há nenhum que não se reduza a uma heresia; e entre as heresias contemporâneas não há nenhuma que não se reduza há outra (...). Idênticos entre si quando considerados sob o prisma de sua natureza e de sua origem, os erros oferecem, todavia, o espetáculo de uma variedade portentosa quando vistos através de suas aplicações.”[6]

Suplicamos à mãe de Deus que nos proteja nas lutas contra todo erro. E a Santo Irineu de Leon, terror dos gnósticos, que alcance de Nosso Senhor as luzes necessárias para combatermos os inimigos da esposa de Cristo.

Virgem de Fátima, rogai por nós! 


[1] RATZINGER, Joseph. A união das nações. São Paulo, Loyola,1975. Pg. 21. 
[2] CHESTERTON, G. K. Santo Tomás de Aquino. Trad. Carlos A. Nougué. Rio de Janeiro, Edit. Co-redentora, 2002. Pg. 101. 
[3] FEDELI, Orlando. Antropoteísmo. A religião do homem. 1ª edição. Editora Celta, 2011. Pg.38. 
[4] FEDELI, Orlando. Antropoteísmo. A religião do homem. 1ª edição. Editora Celta, 2011. Pg.38. 
[5] FEDELI, Orlando. Antropoteísmo. A religião do homem. 1ª edição. Editora Celta, 2011. Pg.37. 
[6] CORTÉS, Donoso. Carta ao Cardeal Fornari, 1852.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Católicos São Idólatras! – Parte II


Papa sendo louvado pelo povo


“Judá, teus irmãos te louvarão; a tua mão estará sobre a cerviz de teus inimigos; os filhos de teu pai se inclinarão a ti.” (Gênesis 49,8)


Pelo Prof. Pedro M. da Cruz


Como havíamos prometido, trataremos nessa última parte de nosso artigo sobre a seguinte questão: “A Bíblia não proíbe o louvor devido a grandes seres humanos, como os santos por exemplo.” Veremos como é infundado o ataque dos “crentes” que nos acusam de idolatria por louvarmos Maria Santíssima e outros grandes homens da Igreja Católica.

Cremos que para um bom entendedor bastaria aquele primeiro texto bíblico apresentado acima onde se afirma que Jacó, um simples homem, seria louvado por seus irmãos. Ora, se louvaram a Jacó então existe um louvor devido a grandes homens, caso contrário a Bíblia jamais afirmaria o que está escrito ali.

O mesmo se diz, por exemplo, da “Amada” dos Cânticos de Salomão (Texto, creio,  pouco lido das Sagradas Escrituras) depois de intitulá-la “Imaculada” e “Predileta”, como fazemos nos referindo a Nossa Senhora:

“Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada; de sua mãe, a única, a predileta daquela que a deu à luz; viram-na as donzelas e lhe chamaram ditosa; viram-na as rainhas e as concubinas e a louvaram.” (Cânticos de Salomão 6, 9)

Perguntemo-nos: se o rei podia tratar assim sua “amada”, não poderemos tratar do mesmo modo “aquela que encontrou graça diante de Deus”, a Virgem Maria? Com toda certeza, Nossa senhora é muito mais digna de ser louvada pelos homens por ser a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo! Ademais, se Filipenses (4,8) ensina que as coisas louváveis e de boa fama devem ocupar nossos pensamentos, então estamos obrigados a jamais nos esquecermos dos grandes santos de nossa Igreja, principalmente da Mãe do Filho de Deus.

"Honra a quem deveis honra."
Está escrito: “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem deveis tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem deveis honra, honra.” (Romanos 13,7) Ora, se Cristo honrou sua mãe (segundo o mandamento: “Honra teu pai e tua Mãe”), e nós somos obrigados a ser imitadores de Cristo, então como não honraríamos a Mãe de Deus? Ao cumprirmos esse mandamento até nós seremos dignos de louvor, pois estaremos fazendo o grande bem que é obedecer a Sagrada Escritura.

Mereceríamos inclusive o louvor do Estado, uma vez que esse, subordinado ao poder espiritual e devendo prestar-lhe reconhecimento, deveria cumprir com as palavras de São Paulo: “Faze o bem e terás o louvor”. (Romanos 13,3) Com efeito, de acordo com a carta de São Pedro, as autoridades foram enviadas por Deus “(...) para castigo dos malfeitores e para louvor dos que praticam o bem.” (I Pedro 2,14)

Como podem os anti-católicos continuar a taxar-nos de “idólatras” por louvarmos os santos? Será que nunca viram esses textos bíblicos? Será que nunca leram em Coríntios que o próprio apóstolo das gentes louvou aos cristãos por sua fidelidade à tradição?

Eu vos louvo porque, em tudo, vos lembrais de mim e guardais as tradições assim como vo-las entreguei.” (ICoríntios 11,2)

Vejam que interessante! Além de louvar os cristãos (o que já deixaria os “protestantes” de cabelo em pé!) São Paulo ainda elogia a fidelidade às tradições... O que dirão agora os “evangélicos” que nos criticam por guardarmos tradições? Bom, mas esse já não é o assunto do nosso presente artigo; vamos deixá-lo para outro momento.

Para não nos alongarmos demais em dúvida tão simples, terminemos com uma última citação:

“Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas. Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada. Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras.” (Provérbios 31, 28-31)

Portanto, louvemos Maria Santíssima! Louvemos aos santos! Louvemos nossos irmãos e irmãs quando forem dignos do louvor, porém sem jamais esquecermos que mesmo o louvor pode ser causa de provação. (Provérbios 27,21)

Quanto a ti, caríssimo leitor, “Seja outro o que te louve, e não a tua boca”. (Provérbios 27,2)

Ó Maria, Virgem do Bom Conselho, alcançai-nos a graça da fidelidade para com as coisas de Deus, assim como, da sabedoria necessária para a defesa e propagação da fé. É tanta a ignorância religiosa que encontramos ao nosso redor (e isso, entre tantas outras coisas degradantes) que, muitas vezes, sentimo-nos fraquejar e o desânimo ameaça nos vencer; porém, não podemos debandar! Nunca! Jamais! Sede nosso auxílio, Virgem poderosa! Assim, como diz São Paulo, receberemos o louvor devido da parte de Deus. (I Coríntios 4,5)

Virgem de Guadalupe, rogai por nós!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A Igreja ensina a Verdade?


                               Foto do Vaticano


 
Prof. Pedro M. da Cruz


“Casa de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade.” (I Tm. 3,14)

 
Devemos cumprir cegamente todas as diretrizes de nossos pastores (os Papas, os Bispos e os padres) sem maiores distinções ou preocupações? Se Nosso Senhor outorgou tanta autoridade a seus apóstolos, por que levantarmos a voz contra certos pronunciamentos de seus sucessores? Não significariam certas palavras do divino Mestre que todo e qualquer ensino dado por parte de nossos superiores seja, sem sombra de dúvidas, infalível e irrevogável?


Jesus Cristo não prometeu a Infalibilidade à sua Igreja em todos os casos, como se todo e qualquer pronunciamento fosse irrevogável. E que isso fique bem claro! A infalibilidade consiste em que nos seus atos essenciais, quer anuncie, ordinária ou solenemente, a verdade revelada, quer decida as controvérsias doutrinais dentro de certas condições, a Igreja não pode jamais afastar-se do depósito da fé, bem como, ao mesmo tempo, não lhe pode acrescentar ou retirar verdade alguma.

 
Para que algo tão maravilhoso ocorra na Igreja Católica, ela conta com o auxílio sobrenatural do Divino Espírito Santo que lhe foi prometido pelo Cristo, seu fundador:

 
“Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber” “... o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” “Quando vier... Ele vos ensinará toda a verdade...”

 
Temos a certeza de que o Filho de Deus não mente. Se Ele afirmou essas maravilhas com referência ao Espírito Santo e à sua Igreja, é claro que tudo se realiza do modo como nos comunicou. Portanto, pobres daqueles que, infelizmente, apostataram da fé católica. Encontram-se, como que, suspensos no erro, distantes da plenitude Revelada pelo Salvador.


Sendo assim, o que indubitavelmente ocorre é uma ação toda particular da Providência que preserva a Igreja Católica no anuncio das verdades reveladas de todo erro no tocante à Fé e a Moral. Com efeito, não fora o próprio Jesus quem prometera a seus apóstolos que estaria com eles todos os dias, até o fim do mundo? Deste modo, é óbvio que Nosso Senhor jamais permitirá que sua Igreja como um todo incorra no erro em questões que põe em jogo a salvação eterna dos seres humanos.

 
No mais, se não fosse assim, por que haveria tanto rigor nas palavras de Cristo a seus apóstolos? De fato ele o dissera: “Quem crer e for batizado será salvo, e quem não crer será condenado.” Perceba, caro leitor, que Nosso Senhor coloca as pessoas sob pena de perderem a salvação eterna caso não venham a acreditar nas palavras dos seus apóstolos (atualmente, Papa e bispos a ele subordinados). Ora, para que pudéssemos confiar tão radicalmente nos ensinamentos de meras criaturas, era preciso que as mesmas estivessem revestidas – em certas circunstâncias - da autoridade do Verbo Encarnado ; era preciso que participassem, em certo sentido e sob certas condições, da infalibilidade do próprio Deus.

 
E, de fato, os apóstolos participavam desta infalibilidade no ensino e defesa da verdade; assim como se dá com todos os seus sucessores – os Bispos com o Papa, nos Concílios, por exemplo -- sob certas condições. Esse carisma jamais poderia acabar na Igreja Católica, sempre atacada por seus inimigos. Pensar o contrário seria incorrer em terríveis dificuldades insolúveis.

Essa certeza tão gloriosa levou São Paulo a proclamar aquelas palavras que, certamente, comoveram o coração de São Timóteo, assim como, hoje, comovem o coração submisso de todo fiel católico: “Quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade.” (São Paulo)

 
Finalmente, validando tudo o que temos afirmado, basta-nos recordar uma última verdade bíblica: a Igreja Católica não é uma mera instituição humana, ela é, isto sim, o Corpo Místico vivificado pelo Espírito Santo . “De Cristo é inseparável a Igreja” , ambos formam uma só pessoa mística, o Cristo total.

 
Quem ousaria defender a possibilidade de erro doutrinal numa Igreja cuja cabeça é o próprio Deus encarnado? Se é Jesus quem pensa e age através da Igreja Católica como seria possível heresias provindas da mesma no campo da Fé e da Moral? Não, isto é impossível! Sendo assim, por causa do próprio Senhor que rege e governa sua Esposa, podemos afirmar, e com alegria, a certeza na Infalibilidade da Igreja Católica!



Maria Santíssima, rogai por nós!


Referências:

S. João 14,16-17

S. João 14,26
S. João 16, 13
S. Mateus 28,20
S. Marcos 16,16. Tamb.: LANDUCCI, P.C. Cem problemas de fé. São Paulo: Paulinas, 1969. 342 p.

S. Mateus10, 40 : “Quem vos recebe á a mim que recebe”
I Tim. 3, 14
Efésios 1,23; 4,12-16; Col. 1,18.24
Conf. João Paulo II. Augustinum Hipponensem. Doc. Pontifícios, n. 210. Petrópoles: Vozes, 1986, p. 24 e 28. Ainda segundo este documento, Santo Agostinho chegou a afirmar: “Não acreditaria no Evangelho se não me induzisse a isto a autoridade da Igreja Católica.” p. 45


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O mundo deve ser católico!






Prof. Pedro Maria da Cruz


 "O mundo foi criado em vista da Igreja." (CIC - §760)

 "A Igreja é a finalidade de todas as coisas..." (CIC - §760)


Nosso Senhor Jesus Cristo é o fundamento de todas as coisas. Deste modo, a pertença à Sua única Igreja verdadeira, assim como, a austera fidelidade à Sua doutrina revelada, torna-se um imperativo para os seres humanos. Sim, todos devem ser católicos! Afirmemos desde logo esta verdade com extrema ousadia, sem meias palavras. As pessoas estão fartas de melindres apologéticos e insinuações escrupulosas; terrenos férteis para a confusão e a pérfida heresia.

Mesmo aqueles que ainda se encontram nas trevas da ignorância suspiram pela salvação. No mais íntimo de seus corações anseiam pelo conhecimento da verdade. Toda alma distante do Redentor está sedenta e insatisfeita; assemelha-se à terra árida e sequiosa. Não nos deixemos enganar: só há verdadeira felicidade ao lado do Cordeiro; quando nos tornamos, pela graça, partícipes de Sua vida sobrenatural.

O ensino constante da Tradição nos dá a certeza de tudo quanto temos afirmado. No entanto, muitos são os leigos, padres e bispos que, infelizmente, julgando-se superiores ao Magistério eclesiástico, ousam ocultar estas verdades, quando não terminam por negá-las abertamente. Juram, deste modo, fazer grande bem à humanidade por colocarem-se em pleno acordo com as “novas formas de ver o mundo”. Em nome de um ecumenismo modernista, todo ele, incompatível com o pensar da Igreja, jogam por terra séculos e séculos de suor e lágrimas, lutas e sangue oferecidos pela evangelização dos povos.

Quantos mártires se doaram pelo triunfo da verdade! Quantos esforços heróicos de missionários e mais missionários testemunharam estes ensinamentos! E agora, em razão de uma incompreendida liberdade religiosa, pretendem reduzir o cristianismo a uma simples religião em meio às outras.

Deturpação da Verdade

No pensamento desses pseudo-cristãos, a fé Católica seria tão natural como todo e qualquer engenho da criatividade humana; um mero fruto cultural de épocas remotas. Segundo eles, como a Igreja teria surgido a partir de necessidades históricas ultrapassadas, agora deveria largar as armas, render-se, desaparecer... e, ceder lugar aos novos projetos da modernidade. Se quisesse continuar a existir, deveria, isto sim, deixar-se modelar de acordo com os desejos da criatura e não relutar numa busca incansável pela glória dos tempos de antanho. Nessa perspectiva, percebe-se facilmente, o Dogma é mero entrave a ser criticado e destruído.

Portanto, para os inimigos da Tradição cristã, toda a realidade deve possuir o colorido que os homens julgarem mais conveniente. Afinal, ele, o indivíduo, é (de acordo com esse antropocentrismo) “a medida de todas as coisas”. Não é difícil aqui, caro leitor, ouvirmos o eco das idéias luciferinas, ele que também pretendeu-se no lugar do Criador: “Sereis como deuses.” (Gen. 3,5)

O próprio Jesus Cristo, na boca daqueles que têm coragem o bastante para ir ao extremo de suas reflexões, torna-se um mero líder religioso, tão sagrado ou tão “deus” quanto qualquer outro que se creia como tal. Se a Religião, para esses fautores de heresias, é apenas uma manifestação de um difuso sentimento religioso, e Nosso Senhor Jesus Cristo é um simples líder comparável a tantos que marcaram nossa história, então, o brilho do cristianismo se obscureceu. A própria idéia de Religião perdeu sua centralidade. Tanto faz que permaneçamos nesta ou naquela filosofia, que sigamos este ou aquele caminho.

Talvez – seguindo ainda mais esse raciocínio grogue - seja até melhor, abster-se da filiação a um grupo religioso específico. De fato, uma vez descoberta esta suposta dança histórica (de nascimentos e ocasos filosófico-religiosos) poderíamos assim nos privar de possíveis dogmatismos, ou surtos de poder que uma dessas instituições religiosas venham a adquirir com o passar dos tempos.

Portanto, tomar consciência de que não houve Encarnação, ou mesmo, de que não houve iniciativa por parte de Deus em criar uma religião específica, entre outras coisas, colocar-nos-ia acima de todas as religiões e nos daria o direito de exigir das mesmas que se submetam à nossa incrível capacidade racional e evolutiva. Temos aqui a vitória do naturalismo, circundado, claro, de todas as filosofias que participam (em graus variados) de seus princípios ou conclusões “lógicas”.

Entretanto, o Filho de Deus foi claro e objetivo ao ordenar a seus apóstolos a radicalidade de sua missão: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações. Batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi.”

Ora, se o Divino Mestre possui toda a autoridade, a quem mais irão os homens? Se todas as nações devem ser ensinadas a observar o Evangelho, que lugar haverá no mundo para doutrinas não-cristãs? E, finalmente, se todo indivíduo precisa ser batizado no cristianismo, isso não significa que todos devam ser, necessariamente, cristãos, e, portanto, pertencentes à única Igreja fundada por Jesus Cristo?

Como podemos perceber, a própria Sagrada Escritura (mesmo não sendo a única fonte da Revelação) é claríssima ao nos ensinar sobre esta questão de importância capital. Sendo assim, ou Cristo sempre esteve errado e poderemos abandonar nosso caminho tradicional; ou, pelo contrário, Nosso Senhor sempre esteve correto, e todos os que atacam a doutrina católica estão afogados na mais triste heresia.

Se o Divino Redentor ensinou a verdade, isso significa que possuímos o gravíssimo dever de promover a centralidade do cristianismo, e, portanto, de anunciar Sua Igreja como necessária a todos os seres humanos. Significa, por fim, o dever de nos submetermos totalmente aos ensinamentos da instituição fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo: Católica, Apostólica e Romana.

Virgem Maria, ora pro nobis!


Referência:

Livro: Igreja, Coluna e Sustentáculo da Verdade – Prof. Pedro M. da Cruz

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Obedecer a Deus ou ao Diabo?


                           Obedecer sempre?


Prof. Pedro Maria da Cruz

Após havermos tomado consciência da triste situação em que se encontram tantos membros da Igreja na atualidade, e, mesmo assim, continuarmos a afirmar, resolutos, a certeza da vitória final de Jesus Cristo sobre o mal, podemos caminhar um pouco mais em nossas reflexões. Perante uma realidade tão conturbada como a nossa, em que tantos padres (e mesmo bispos) ousam colocar-se contra os ensinamentos Tradicionais da Igreja Católica, ficamos, muitas vezes, desnorteados, confusos quanto ao grave dever de obediência a que Cristo nos submeteu. Com efeito, Ele mesmo dissera aos seus apóstolos: “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita.”

Ora, não seria o caso de cumprirmos cegamente todas as diretrizes de nossos pastores sem maiores distinções ou preocupações? Se Nosso Senhor outorgou tanta autoridade a seus apóstolos, por que levantarmos a voz contra certos pronunciamentos? Não significariam aquelas palavras do divino Mestre, que todo e qualquer ensino dado por parte de nossos superiores seja, sem sombra de dúvidas, infalível e irrevogável? Como podemos perceber, estamos perante uma questão de suma importância para os católicos que, verdadeiramente, amam a fé cristã.

É por não compreenderem certos aspectos do ensinamento católico sobre a obediência que muitos se perdem em caminhos tortuosos. “Obedecer tudo e a todos na Igreja”, sem critério ou discernimento, pode significar, algumas vezes, entrar em choque com o ensino infalível da Tradição. A Deus lhe agrada corações submissos, porém ladeados pelo crivo da inteligência.

Sabemos que toda criatura deve obedecer perfeitamente ao seu Criador. “Toda”, inclusive, o que é obvio, nossos superiores... E, aqui está a chave da questão. O dever de obediência ao Deus absoluto cabe a todos os seres humanos, desde o Santo Padre, o Papa, até ao menor dentre todos os fiéis leigos. E, digo mais, desde o maior potentado ou intelectual entre os homens, (mesmo que não conheça a revelação cristã ou não queira aceitá-la) até o mais ignorante silvícola, todos possuem o grave dever de sempre procurar conhecer, amar e servir ao seu Criador da forma mais perfeita que lhe seja possível. De fato, está escrito que todos os reis da terra hão de adorar ao Deus verdadeiro, assim como, que todas as nações hão de servi-lo, porque os deuses dos pagãos, sejam quais forem, não passam de ídolos. Nesse sentido, ordenava o salmista: “louvai-o todos os povos”.

Centralidade de Nosso Senhor Jesus Cristo

Afirma São Paulo, que o Pai Celestial deu ao Cristo sentar-se à sua direita nos céus, acima de todas as coisas; tudo foi sujeitado a seus pés. De fato, Ele foi constituído chefe supremo da Igreja, que é seu Corpo. Sendo assim, está claro: todos os seres humanos devem prestar uma obediência absoluta ao Verbo Encarnado! Por fim, o autor sagrado, quis ser ainda mais direto em sua assertiva; noutra oportunidade afirmou, categoricamente, que Deus exaltou sobremaneira Seu Filho outorgando-lhe o nome que está acima de todos os outros nomes, para que perante ele se dobrasse todo joelho no céu, na terra e nos infernos; e toda língua confessasse que “Jesus Cristo é o Senhor.” Ora, sendo assim, jamais poderíamos imaginar, por exemplo, um católico, padre ou bispo que seja pretendendo uma sociedade que não fosse cristã ou colocando-se contrário à “Restauração da Cristandade”. Porém, não é esse o assunto principal de nossa reflexão. Deixemo-lo para outra oportunidade.

Quanto ao ponto que se refere à soberania absoluta de Nosso Senhor, estamos plenamente de acordo! Todavia, recordemo-nos, mais uma vez, da afirmação apresentada um pouco acima. Escrevemos que toda criatura “deve obedecer perfeitamente ao seu Criador, inclusive, o que é obvio, nossos superiores”. Haveria alguma possibilidade de que membros da sagrada hierarquia venham a pecar rebelando-se contra a lei da obediência? Já vimos que sim, e nosso grande exemplo fora Judas, um dos apóstolos de Nosso Senhor.

Então, por que o Filho de Deus teria proferido revelações tão fortes como essas a nossos superiores na hierarquia eclesiástica: “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita”, “Tudo o que ligares na terra será ligado no céu, tudo o que desligares na terra será desligado no céu”, ou mesmo aquelas outras, “ Ide , pois, e ensinai a todas as nações ... ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi”, e “ Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”? Não parece estranho que palavras como essas fossem dirigidas a seres tão limitados como os apóstolos? Na crucificação, recordemo-nos, todos abandonaram o Salvador, com exceção de João Evangelista, que permanecera ao lado da Virgem Santíssima e, por isso, aos pés da santa cruz. Aliás, belo exemplo aos que almejam uma fidelidade mais perfeita ao Divino Mestre: estar constantemente à sombra de sua cruz, e sob o manto de sua Mãe castíssima!

 Algumas distinções

As palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo jamais poderão ser tomadas de modo superficial. Nos textos apresentados, elas não se referem - como é evidente - a todos os membros da Igreja cristã. Algumas vezes Cristo fala tão somente a São Pedro, enquanto que em outras, fala aos demais apóstolos em união com ele. Basta conferirmos, por exemplo, os versículos de São Mateus (16,19; 18; 18), onde, em primeiro lugar, Cristo se dirige unicamente a Cefas, deixando para outro momento a mesma promessa, que será feita, neste caso, ao restante dos apóstolos, porém, como sempre, unidos a Pedro e sob sua autoridade.

Ademais, existe uma clara distinção entre os membros que compõem a Igreja fundada por Jesus. Nela há uns que ensinam, dirigem ou mandam, e outros, por sua vez, que aprendem, são dirigidos e obedecem. A primeira parte é chamada “Igreja docente”, enquanto que a última, recebe o designativo de “Igreja discente”. Ambas as partes não formam, evidentemente, duas Igrejas distintas, mas por vontade de Cristo, Nosso Senhor, uma só e mesma Igreja, do mesmo modo que no corpo humano a cabeça é distinta dos outros membros, e, não obstante, forma com eles somente um corpo. A Igreja Docente compõe-se de todos os Bispos - quer se encontrem dispersos, quer se encontrem reunidos em Concílio – porém, e recordemos insistentemente, sempre unidos à sua cabeça, o Romano Pontífice, sucessor direto de São Pedro. A Igreja Discente, finalmente, composta de todos os padres, diáconos e fiéis leigos, possui o grave dever de prestar obediência aos seus superiores, sob pena de incorreram em condenação eterna, a menos que estes – os superiores - se desviem da fé verdadeira.

E, se tal estado de coisas criado pelo Filho de Deus surpreende aos espíritos orgulhosos, relativistas e anti-hierárquicos de nosso tempo, terminemos por lembrar, que além do poder de ensinar, a mesma Igreja possui também, e, especialmente, o poder de administrar as coisas santas. Pode, sim, dentro da lógica do próprio evangelho, fazer leis e de exigir a sua reta observância, impondo inclusive, se preciso for, as penas correspondentes aos erros cometidos.

Voltemos, entretanto, aos textos bíblicos em questão. Quando o Verbo Divino fez aquelas impressionantes afirmações (“Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita”, “Tudo o que ligares na terra será ligado no céu, tudo o que desligares na terra será desligado no céu”, entre outras...), não se referia propriamente aos fiéis leigos, e nem mesmo aos simples religiosos, diáconos, sacerdotes e párocos de forma direta e imediata, mas tão somente, aos apóstolos e seus legítimos continuadores no exercício do ministério: os Papas e os outros bispos a eles subordinados.

Isso é de importância fundamental para não cairmos no exagero de atribuir uma autoridade singular como esta a quem não a possua por direito. De fato, Nosso Senhor não conferiu aos leigos esta função de ensino; e, mesmo os padres, eles simplesmente participam dum poder que cabe por direito à Igreja docente na pessoa dos legítimos sucessores apostólicos, o Papa e os Bispos a ele submissos. Isso explica tantos erros serpenteando entre os católicos, pois aqueles que deveriam seguir com extrema fidelidade os ensinamentos constantes da Igreja, todos eles revelados por Cristo, desprezam a autoridade conferida aos nossos pastores fiéis à Tradição. Julgando-se “doutores da verdade” põe-se a ensinar terríveis heresias.

Lembremo-nos: é sobre o fundamento dos Apóstolos que estamos edificados, por isso mantemos ininterruptamente desde o primeiro século da era cristã a crença numa única fé, assim como a submissão a um só Senhor e a aceitação de um único Batismo. Aqueles que se afastam desse caminho traçado pelo Filho de Deus, vivem como crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Muitos, por pretenderem obedecer cegamente e sem discernimento, acabam por prestar vassalagem ao Demônio.

Maria Santíssima, mãe e rainha, rogai por nós!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Crise na Igreja: Dupla Gênese

                     Lutero inspirado pelo Demônio


Prof. Pedro M. da Cruz

Como entender a possibilidade de uma crise tão delicada no interior da Igreja fundada pelo próprio Cristo, Nosso Senhor? Recordemos, ainda outra vez, o caso arquetípico por nós já tantas vezes apresentado: “a traição de Judas Iscariotes.” Não era ele membro do seleto grupo apostólico?

De fato, ele fora escolhido diretamente pelo Salvador. Este apóstolo comia com o Cristo, andava ao seu lado, escutava de seus lábios divinos os mistérios do Reino dos céus... Entretanto, mesmo provando tão altas honrarias, traiu vergonhosamente ao Filho de Deus.

Ora, se algo tão desastroso se deu inclusive com um dos doze apóstolos, selecionados pessoalmente pelo Redentor, não é de se admirar que o mesmo continue a ocorrer atualmente entre alguns membros da hierarquia eclesiástica. Ao encontrarmos nas Sagradas Escrituras a lastimosa realidade da traição mesmo entre os mais íntimos do Cristo, sentimo-nos precavidos sobre bispos e padres que possam revoltar-se contra o Salvador. À imagem de Judas, trocam a fonte de toda felicidade por qualquer bem aparente.

Sim! A possibilidade de traidores dentro da Igreja de Deus, como já temos observado, sempre esteve presente na mente dos primeiros cristãos. São Paulo afirmara-o aos anciãos de Éfeso:

“Sei que depois de minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas com o intento de arrebatarem após si os discípulos. Vigiai!”

E noutra parte também escrevera: “Se o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, é bem normal que seus agentes se disfarcem em ministros da justiça.”

Portanto, não é de espantar o fato de encontrarmos falsários e operários desonestos, disfarçados em apóstolos de Nosso Senhor. Na verdade, os mesmos permanecerão juntos aos bons até o fim dos tempos; e, essa é uma assertiva do próprio Evangelho: “Assim como se recolhe o joio para jogá-lo ao fogo, também será no fim do mundo. O filho do homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal e os lançarão na fornalha ardente...” Vejam bem, caros leitores: isso se dará tão somente “... no fim do mundo...”. Sendo assim, que os filhos da luz não se iludam numa esperança infundada.

- A Dupla Gênese

Mas, o que levaria essas pessoas ao péssimo caminho do erro? Tendo podido alcançar os cumes da ortodoxia, por que chegaram à negação de verdades tão fundamentais da fé cristã? Dom Antônio de Castro Mayer, em interessante Carta Pastoral sobre os problemas do apostolado moderno, esclarece-nos sobre assunto tão pertinente.

Segundo o autor, a gênese destes erros está, por um lado, na própria fraqueza da natureza humana decaída. “A sensualidade e o orgulho suscitam e sempre suscitarão até o fim dos séculos a revolta de certos filhos da Igreja contra a doutrina e o espírito de N. S. Jesus Cristo.”

Por outro lado, no entanto, junto a essa “gênese natural” dos erros e das crises de que nos ocupamos, a explicação para tão delicado sistema de coisas, encontra-se, também, na incansável ação do demônio contra os planos de Deus. A ele foi dado, até o fim dos tempos, o poder de tentar os homens em todas as virtudes, inclusive na virtude da fé.

Assim, como nos explica o próprio D. Mayer, é obvio que até a consumação dos séculos a Igreja estará exposta a surtos internos do espírito de heresia, e não há progresso que, por assim dizer, a imunize de modo definitivo contra esse mal. “Quanto se empenha o demônio em produzir tais crises, é supérfluo mostrá-lo. Ora, o aliado que ele consegue implantar dentro das hostes fiéis é seu mais precioso instrumento de combate.”

Porém, não desanimemos, pois o Deus de toda graça conhece as limitações humanas, e, jamais nos há de abandonar nas agruras desta vida. No mais, já escrevera o autor sagrado: “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados para além das vossas capacidades, mas com a tentação Ele vos dará os meios de suportá-las e delas sairdes.” Pobres dos que não se agarrarem aos pés de Nossa Senhora, Rainha do céu e da terra.

Virgem Aparecida, Rogai por nós!





sábado, 2 de junho de 2012

Um tempo para calar, outro para falar...




Primeira coluna na vertical de cima para baixo: Pe. Pinto, Pe. Fabio de Melo e Dom Casaldaliga
Segunda coluna, mesmo esquema: S.Padre Pio, Pe. Paulo Ricardo e S. Antonio Maria Claret.


Prof. Pedro M. da Cruz

Como poderíamos ficar indiferentes a tudo isso?Ora, sendo, de fato, membros do Corpo Místico de Cristo, é natural que sintamos com a Igreja suas dores e alegrias.

Por amor de Sião, reza o texto sagrado, jamais poderemos esmorecer. “Sobre tuas muralhas Jerusalém, coloquei vigias; nem de dia nem de noite devem calar-se.” (Isaias 62,6) Não é verdade que a totalidade dos verdadeiros cristãos, de um modo ou de outro, precisam reconhecer-se nessas palavras da Escritura?

Afirma-nos a primeira carta aos coríntios, em seu capítulo doze, a  sublime comunhão espiritual existente entre os Filhos de Deus. Com efeito, se um único membro da Igreja sofre, todos os outros sofrem com ele de algum modo, mesmo que misterioso; e igualmente, se um único membro é tratado com carinho, todos com ele se congratulam. Esta é, verdadeiramente, uma descrição estupenda da ligação sobrenatural que há entre todos os batizados no Corpo Místico.

Portanto, nada há de estranho em que simples leigos venham a manifestar seu entusiasmo, ou mesmo, suas apreensões, por questões referentes à Igreja que ama. O próprio Código de Direito Canônico, pari passu a vários documentos da Igreja,  dão ao fiel essa possibilidade. É firmado nesta certeza, e alimentando sincero desejo de promoção do cristianismo, que apresentamos este pequeno trabalho em favor da Igreja.

Possuímos firme convicção de que a última palavra em questões de fé e moral cabe, tão somente, ao sagrado magistério do Santo Padre, o Papa, ou dos bispos em comunhão com ele. Nós aqui, simplesmente, intentamos apresentar, com humildade e amorosa submissão, aquilo que temos visto e ouvido; assim como, tudo o que, dentro e fora dos muros da Igreja, nos parece estranho e incompatível com a genuína instituição formada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não é verdade que, infelizmente, mesmo entre os legítimos sucessores dos apóstolos, encontramos exemplos de infidelidade à doutrina revelada pelo Divino Mestre? Quantos foram os bispos que, com orgulho, ousaram colocar-se acima da Tradição vindo a ensinar terríveis heresias? Podemos citar, e com imensa tristeza n’alma, um grande número desses exemplos. Vejamos alguns:

- Os bispos Acácio, de Cesaréia (†366), e Eunômio, de Cícico (†395), defensores do Arianismo, heresia fundada por Ário (256-336) bispo de Alexandria, que negava a divindade de Cristo.

- O patriarca de Constantinopla, Nestório (380-45), criador da heresia que leva seu nome.

- Fócio (820-895), patriarca de Constantinopla, excomungado pelo Papa João VIII, em 881, que deixou aberto o Cisma do Oriente.

- O bispo de Ávila, Prisciliano, fundador da heresia prisciliana, séc. IV.

- Donato, bispo de Casa Nigra, África, fundador do donatismo.

- 18 bispos italianos que aderiram ao pelagianismo, heresia que deve seu nome ao sacerdote Pelágio, do século V. Um bispo, Juliano, era o principal discípulo desse sacerdote.

- Apolinário, bispo de Laodicéia, fundador do apolinarismo.

- Os bispos egípcios, que recusando o dogma definido pela Igreja, consideraram o monofisismo (ou eutiquianismo), heresia difundida pelo Monge Êutiques, de Constantinopla (séc.V), a doutrina verdadeira, e partiram, deste modo, para o cisma declarado.

- Sérgio, patriarca de Constantinopla, inventor  do monotelismo, condenado pelo VI Concílio Ecumênico de Constantinopla (680-681).

- O bispo Paulo de Samasate, do século III, que professou o adocionismo e o sabelismo, condenado em 268 no Concílio de Antioquia.

- Jansenius, bispo de Yepres, pai do jansenismo; entre outros...




Pimeira coluna de cima para baixo: Missa do Pe.Marcelo, encontro de padres e freiras no Brasil.
Segunda coluna, mesmo esquema: Missa Tridentina, encontro de padres tradicionais.



E quantos não foram os padres que também rumaram na mesma estrada da mentira e do erro? Lutero (1483-1546), um dos pais do protestantismo, era sacerdote católico. O Quietismo, heresia condenada por Inocêncio XI, em 1687, foi oriunda do padre espanhol M. de Molinos. O Modernismo, afluxo de todas as heresias (condenado através do decreto Lamentabili, assim como, da Encíclica “Pascendi”) teve em vários padres (Pe. Alfredo Loisy, o ex-jesuíta Tyrrel, etc.) seus principais fomentadores.

E hoje, engrossando as fileiras dos agitadores e revoltosos, quantos bispos, e quantos padres, não aderiram a verdadeiras heresias? Basta que nos recordemos dos estragos que tem causado em nosso meio uma certa teologia malsã, chamada da libertação. Qualquer fiel, com um mínimo de formação, seria capaz de perceber a discordância entre o que se tem divulgado em muitíssimos ambientes católicos e aquilo que a Igreja sempre ensinou... o próprio J. Ratzinger julgou por bem reconhecer:

 “Eu fico cada vez mais admirado com a habilidade dos teólogos que conseguem defender justamente o oposto do que se encontra claramente escrito nos documentos do Magistério. E, no entanto, aquelas deturpações são apresentadas, através de hábeis artifícios dialéticos, como o ‘verdadeiro’ significado do documento...”

Virgem do Bom Conselho, ora pro nobis!



Referência Bibliográfica

 RATZINGER, Joseph; MESSORI, V. A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga. Trad. Pe. Fernando J. Guimarães, CSSR. São Paulo, E.P.U, 1985. Pg. 265-26

RODRIGUES, Paulo. Igreja e Anti-Igreja. Teologia da Libertação. São Paulo, T. A. Queiroz, Editor, 1985, pg. 265-267



terça-feira, 24 de abril de 2012

Fumaça de Satanás no Templo de Deus

                  Nossa Senhora chora pela situação da Igreja e do mundo.

Prof. Pedro M. da Cruz

Nosso blog estaria sozinho ao querer chamar a atenção dos leitores sobre o estado de provação por que passa a Igreja na atualidade? Ouçamos o que disse alguns de nossos pastores. Veremos assim, que o exposto anteriormente neste blog já foi alvo de excelentes comentários por parte de muitos autores abalizados. Este humilde trabalho vem apontar no momento as afirmações de grandes homens que souberam abordar a questão com responsabilidade e clareza.

 I – S.S. Paulo VI

 “O Papa Paulo VI em 30 de Junho de 1968, conforme o L`Osservatore Romano, foi abrigado a reconhecer a gravíssima situação em que se encontrava, já naquela época pós-conciliar, a instituição Católica:

“Na Igreja também está reinando uma situação de incerteza. Tem-se a sensação de que, de alguma abertura tenha entrado a Fumaça de Satanás no templo de Deus.”

Essa afirmação, vinda de um Sumo Pontífice, não confirma aquilo que expusemos desde o princípio de nosso trabalho? Anos depois, ele voltaria a usar de expressões fortíssimas na tentativa de descrever a tribulação que sofre o cristianismo:

“A Igreja está passando por uma hora inquieta de autocrítica que melhor se diria de autodestruição. É igual a um transtorno agudo e complexo, que ninguém teria esperado depois do Concílio. A Igreja parece se suicidar, matar a si mesma.” (07 de dezembro de 1972 – L`Osservatore Romano).

Como vemos, o próprio Papa Paulo VI reconhece que, após o Vaticano II, a Igreja entrou em um momento de confusão e perigo para a fé de muitos. Lembremo-nos de que foi ele quem encerrou esse Concílio iniciado pelo seu antecessor, o Beato João XXIII. O mesmo Pontífice chegará a afirmar em dezoito de Julho de 1975 que esperava-se, após as reuniões conciliares, um período resplandecente de sol para a história da Igreja, mas que, pelo contrário, veio um sopro de nuvens, de tempestade e de trevas. Inclusive, autores muito confiáveis chegaram a afirmar que o mesmo Concilio Vaticano II tenha sido fortemente perturbado por modernistas e liberais. Segundo eles, tal situação fez surgir, ainda nas reuniões conciliares, diversas contradições, desagregações e tumultos. Em entrevista ao filósofo francês Jean Guitton, seu amigo, o mesmo Papa Paulo VI, em oito de setembro de 1977, tornou a reconhecer o que se segue:

“Neste momento há na Igreja uma grande inquietação. E o que está em questão é a fé! O que me perturba quando considero o mundo católico, é que, dentro do catolicismo, algumas vezes, parece predominar um pensamento não católico; e pode acontecer que este pensamento não católico, dentro do catolicismo, amanhã seja uma força maior na Igreja.”

Como podemos averiguar, os temores do Papa não eram uma ilusão de sua mente. Hoje, vemos avançar, e com cada vez mais ímpeto, pensamentos anti-católicos dentro do seio da própria Igreja. Basta assistirmos algumas conferências que se fazem por aí e veremos os aplausos se levantarem com entusiasmo para todos aqueles que falam contra ensinamentos fundamentais da Tradição cristã. De fato, ‘... parece predominar um pensamento não católico...’.”

 II – S.S. Beato João Paulo II

“Após Paulo VI, o próprio Beato João Paulo II (que sucedera um curtíssimo pontificado encerrado por questões, ainda hoje, misteriosas) não deixou de chamar-nos a atenção para o momento delicado por que passa a única Igreja de Cristo. Em sete de fevereiro de 1981 ele reconheceu que era preciso admitir, com realismo e sensibilidade, dolorosa e profunda, que, já naquela época, não tão remota, uma grande maioria dos cristãos, sentia-se desnorteada, confusa, perplexa e desiludida. Haviam sido espalhadas idéias contrárias às verdades reveladas e ensinadas desde sempre pela Tradição, verdadeiras heresias contra o credo e a moral. Segundo o mesmo pontífice, ia-se solapando a liturgia; afundava-se no relativismo, assim como, na permissividade. Os homens, de fato, caiam na tentação do ateísmo, do agnosticismo, do iluminismo, de uma moral indeterminada, de um cristianismo sociológico sem dogmas definidos e sem moral objetiva. Ora, não é isso, e num maior paroxismo, o que se dá nos dias atuais? Não vemos se operando em nosso meio tudo o que já percebera nos anos oitenta o citado Papa polonês? Desde aquela época as coisas se tornaram ainda mais críticas. Porém, esta não é uma afirmação gratuita de nossa parte, muitos são os espíritos clarividentes que nos apresentam a mesma realidade. É o que continuaremos a constatar.”

III – S.S. Bento XVI

“O Papa Bento XVI, ainda quando Cardeal, foi destemido ao apontar a triste situação em que se encontra a Europa, outrora resplandecente em seu cristianismo:

“Essa Europa, cristã de nome, há mais de quatrocentos anos, é berço de um paganismo novo, que vai crescendo sem parar, no meio do coração da Igreja Católica e a ameaça de destruir por dentro. A imagem da Igreja da era moderna é essencialmente caracterizada pelo fato de ela se tornar cada vez mais, Igreja de pagãos, de um modo todo novo, no sentido de que continuam a chamar-se cristãos, mas na realidade continuam pagãos. Trata-se de um paganismo dentro da Igreja... de uma Igreja em cujo coração vive o paganismo. É uma tentação típica de nossos tempos.”

Ao lermos tantas afirmações contundentes, é provável que muitos de nós sintamos abalar nossa confiança em Deus e na Igreja Católica. Mas, isso seria uma vergonhosa falta de fé nas promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é Deus, e sua vitória é inevitável! Os inimigos de Cristo podem conspirar das formas mais perspicazes e diabólicas; seu aparente triunfo pode extasiar suas fileiras, enquanto sofrem, de espada em punho, os filhos da Igreja militante; porém - tenhamos a certeza - quando o ímpio se manifestar “... o Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o resplendor de sua vinda.”. Assim, chegará, finalmente, o novo céu e a nova terra para todos aqueles que perseveraram fielmente nas fileiras do Divino Salvador. O primeiro céu e a primeira terra terão desaparecido, “...então, Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos, e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque terá passado a primeira condição.”

O mesmo Cardeal Ratzinger em livro publicado por Messori, vêm confirmar, tempos depois, as afirmações de Paulo VI, por nós já citado:

“Os resultados que se seguiram ao Concílio parecem cruelmente opostos às expectativas de todos, inclusive às de João XXIII e, a seguir, de Paulo VI. Os cristãos são novamente minoria, mais do que jamais o foram desde o final da Antiguidade... Os Papas e os Padres conciliares esperavam uma nova unidade católica, e, pelo contrário, caminhou-se ao encontro de uma dissensão que, para usar as palavras de Paulo VI, pareceu passar da autocrítica à autodestruição. Esperava-se um novo entusiasmo, e, no entanto, muito freqüentemente chegou-se ao tédio e ao desencorajamento. Esperava-se um impulso à frente, e, no entanto, o que se viu foi um progressivo processo de decadência que veio se desenvolvendo em larga medida, sob o signo de um presumido ‘espírito do Concílio’ e que, dessa forma, acabou por desacreditá-lo.”

Por isso, completava em outra parte o mesmo Cardeal, hoje Sumo Pontífice da Igreja Católica: ‘É tempo de se reencontrar a coragem do anticonformismo, a capacidade de se opor, de denunciar muitas das tendências da cultura que nos cerca, renunciando a certa eufórica solidariedade pós-conciliar.’"

Maria Santíssima, rogai por nós!

 Referência Bibliográfica:

O texto completo encontra-se no livro: CRUZ, Prof. Pedro M. da. Perseguição à Igreja, Coluna e Sustentáculo da Verdade. Prod. SSVM. 2012.

Outras citações: Não agüentamos mais! Carta ao clero italiano. Ed. Segno, 1995. Trad. D. Manuel Pestana Filho. Anápolis, Goiás. 66 pgs. FEDELI, Orlando. Carta a um padre. São Paulo: Véritas. RATZINGER, Joseph; MESSORI, V. A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga. Trad. Pe. Fernando J. Guimarães, CSSR. Sâo Paulo, E.P.U, 1985. Pg. 16-17

sábado, 7 de abril de 2012

Cristo Perseguido - Igreja Perseguida




Prof. Pedro M. da Cruz


“Falando desse modo, muitos poderiam nos julgar levianos, exagerados, ou mesmo, inconseqüentes. Será que estaríamos sozinhos nestas averiguações? Já vimos que as Sagradas Escrituras não deixaram de chamar nossa atenção ao perigo dos inimigos que, ousadamente, chegaram ao extremo de se introduzirem disfarçadamente em nosso meio para mais eficazmente lutarem contra os planos de Deus. Com o correr dos séculos têm ficado cada vez mais patente aos filhos da Igreja esta invasão inimiga do recinto sagrado.
Muitíssimos foram os Papas, santos e os mais diversos escritores cristãos que, percebendo esta astúcia diabólica, não se esquivaram da grave missão de acordar-nos para o imenso perigo que assola a Igreja do Deus vivo. Por hora, entretanto, antes de olharmos mais diretamente nesse ponto, fixemo-nos noutra questão de extrema relevância para todos os que peregrinam neste vale de lágrimas.
Assim como no grupo dos doze apóstolos pairava, tenebrosa, a sombra de Judas Iscariotes, o traidor; de igual modo hoje, dentro dos próprios muros da Igreja, arrasta-se, venenosa, “a descendência da serpente”. Ela está sempre pronta para os mais ardilosos golpes contra “a descendência da mulher” de que nos fala profeticamente o livro do Gênesis. Todavia, se em tempos idos, a santa intransigência dos filhos da luz sabia posicionar-se com destemor e ousadia perante o erro para vencê-lo; agora, nesses dias de apostasia e indiferença, os filhos das trevas parecem triunfar sobre a verdade e humilhar a Igreja de Cristo.


Sentimo-nos, novamente, em plena noite de Quinta-feira Santa. A Igreja sangra; dormem aqueles que deveriam velar com o Redentor; e os inimigos, sorrindo aos quatro cantos do mundo, avançam com virulência. Fazendo nossas as palavras do Filho de Deus, poderíamos dizer respeitosamente a alguns de nossos superiores na hierarquia eclesiástica: “Por que dormis? Levantai-vos, orai...”. O mesmo Cristo reconhecera em S. Marcos: “Vós todos vos escandalizareis, pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas.”
É interessante observarmos como a vida de Nosso Senhor é, como que, recapitulada na vida da Igreja. Quantas vezes o Divino Salvador encontrou seus amigos a dormir, mesmo em momentos angustiosos como aquele do Getsêmani?! Quantas vezes teve de repreendê-los?! E nós, membros do Corpo Místico de Cristo, a Igreja Católica, quantas vezes nos vimos perante a letargia de nossos superiores? Diante da prostração espiritual daqueles que deveriam levantar a voz em defesa da verdade, quantas vezes bradamos e não fomos ouvidos?
Ao contrário, enquanto os maus se organizavam para ofender, maltratar e tramar a morte da Igreja, grande número de nossos pastores banqueteavam no reino dos apáticos. Seus olhos, pesados por preocupações desnecessárias e incoerentes, deixaram passar os ladrões e malfeitores que perderam muitas ovelhas. Sim, roubaram, mataram e destruíram, sem dó nem piedade, a muitas almas... Em contrapartida, reconheçamos mais uma vez, e com dor em nossas almas: dormiam os vigias de “Israel”...
Porém, após a Quinta-feira Santa, se é verdade que tudo continuou a se entenebrecer ainda mais na Sexta-feira da Paixão; e, se este dia cedeu lugar ao silêncio do Sábado Santo (silêncio de derrota para uns, mas silêncio de esperançosa alegria para outros); também é verdade, que no Domingo da ressurreição tudo se fez luz, glória e alegria indizíveis. O Senhor cumpriu sua palavra! Ele ressurgiu em toda sua majestade. Triunfou para sempre!
De igual maneira, se a Igreja sofre unida com o Cristo as dores de agonia, e seus membros completam na carne o que falta às tribulações do Mestre; também é verdade que tomará parte na alegria da ressurreição. Ali, tudo será festa, exultação e felicidade! Nesta “noite” em que se encontra a Igreja, vislumbramos Maria Santíssima aos pés da Cruz. Ao seu lado, São João, o discípulo amado. Ambos, exemplos luminosos para a alma de todo fiel católico! Revela-nos, de fato, o Santo Evangelho, que junto à Cruz de Jesus estava de pé sua Mãe! Não diz que chorasse tomada de desespero, ou mesmo, que se jogasse pelo chão aos prantos, vencida e acabada. Não!
Ela estava de pé! Não dormia. Sofria com o Redentor.
Participava em sua dor, e guardava n’alma a certeza de tudo quanto dissera seu divino Filho. Por isso, não fora visitá-lo no sepulcro como fizeram as outras Marias na madrugada da ressurreição. Com toda a certeza o esperava ressuscitado.
Nossa Senhora possuía a certeza duma vitória imponderável!
Assim também nós, imitadores de Maria, mantenhamo-nos de pé perante a Cruz do Cristo. Participemos de seus sofrimentos, completando em nossa carne o que falta às suas tribulações, por seu Corpo que é a Igreja.
Tal qual Simão de Cirene, de que nos falam as Escrituras, coloquemo-nos a carregar a cruz com Cristo sofredor. Tomemos lugar entre suas humilhações. Assim, crucificados com Ele, também participaremos de sua glorificação.
Seus inimigos avançarão com maior ousadia, ferirão seu Corpo já muito ensangüentado. Chicotearão, ofenderão ainda mais, humilharão com maior malvadeza... Nós, porém, solidários com o Senhor, peçamos a graça de permanecermos fiéis ao seu lado; afinal, tudo podemos naquele que nos fortalece.
Repitamos com Santo Inácio de Antioquia, este já bem próximo de seu glorioso martírio: “Fogo, cruz, feras, dilaceramentos, esquartejamentos, mutilações dos membros, trituração de todo o corpo, os mais perversos suplícios do demônio caiam sobre mim, contanto que eu alcance a posse de Jesus Cristo.” Estas são palavras dignas de um católico, convicto da vitória de seu Senhor! Mesmo perante a dor e a provação mais atroz, saber proclamar bem alto a certeza da sua fé, sem jamais esmorecer ou ceder aos inimigos da cruz bendita.”
Virgem de Guadalupe, ora pro nobis!



Bibliografia: CRUZ, Prof. Pedro M. da. Perseguição à Igreja, Coluna e Sustentáculo da Verdade. Prod. SSVM. 2012.