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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Santa Catarina e a reforma na Igreja

Santa Catarina de Sena (1347-1380)

"Caríssimo Pai, revesti-vos de fortaleza na doce esposa de Cristo. Quanto mais ela sofre dificuldades e amarguras, tanto mais a verdade divina promete enchê-la de felicidade e conforto. Sua felicidade será esta: a reforma mediante pastores santos e bons, autênticas flores a dar perfume e glória a Deus pelas virtudes. Essa é a reforma necessária, ou seja, a dos sacerdotes e pastores. A essência dessa esposa [a Igreja] não carece de reforma, pois não decresce nem é prejudicada pelos defeitos dos ministros. Alegrai-vos, portanto, na amargura! Deus prometeu dar-nos a paz depois da angústia. "


(Carta 172 – De Santa Catarina de Sena a Fr. Raimundo de Cúpua, ano de 1377. Carta que deu origem ao livro O DIÁLOGO).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pe. Henrique Munaiz - 50 Anos de sacerdócio!

Entrevista especial da Sociedade da Santíssima Virgem Maria – SSVM com o Pe. Henrique Munaiz, SJ, [foto 1]. Capelão do mosteiro do Carmelo em Montes Claros – MG, completando um cinqüentenário de sua ordenação em 07/12/2012.

[Em breve a ser disponibilizada para visualizarem-na no original do formato boletim Pugna.]


SSVM: Pe. Henrique, 50 anos como sacerdote, que graça! O senhor poderia falar pra nós da satisfação destes 50 anos de sacerdócio de Cristo, de servir a Igreja?

Pe. Henrique: Sim, de um lado a satisfação... do outro lado também o susto (risos), de ter passado este 50 anos e também de não ter feito tudo aquilo que se pode fazer, então esta vertente também acontece, a gente vê que a misericórdia de Deus foram e são muitas e grande mas a correspondência nem tanto. Mas claro, a misericórdia de Deus cobre tudo isso e traz alegria sim. De ter sido chamado a trabalhar no reino, e trabalhar no reino é uma coisa que comove profundamente, porque o Reino é Deus dando-se aos homens. Ajudar os homens a achegarem-se a Deus, e da outra parte aumenta o conhecimento da gente. A Igreja, boa Mãe, nos forma dentro, conforma a correspondência de cada um, mas a Igreja nos forma bem para poder estar atentos a necessidade dos outros e poder os levar a grandeza do Reino, à Vida que aparece neste Reino e com isso a esperança da Vida Eterna, é claro. Então o sacerdócio está em função da Vida Eterna. Este sacerdócio em função de Melquisedeque, um sacerdócio eterno. E este sacerdócio que teve seu ponto sacerdotal na Cruz de Cristo, precisa estar sempre atuado, proclamado e realizado na Santa Missa. Então, o sacerdote tem na Santa Missa o ponto central de sua Vida, isto é o que me comove e me traz alegrias de ter celebrado tantas Missas, um numero bom, e esperar que até o último dia eu possa celebrar ainda este Mistério da Misericórdia do bom Deus, com Cristo na Cruz.

SSVM: Amém, que o Senhor lhe dê muitos mais anos de Vida! Como falou da celebração do santo sacrifício de Cristo, o papa Bento XVI, pelo Motu Proprio Summorum Pontificum, autorizou a celebração do Rito antigo da Missa . Eu posso dizer, é uma tamanha benção depois de muito tempo o senhor estar celebrando pra nossa cidade! Qual a satisfação de celebrar o rito Tridentino [fotos 2 e 3] depois de tanto tempo?

Pe. Henrique: A satisfação vem de vários lados, a primeira satisfação é de poder entrar na dinâmica em que o Papa (Benção querido Papa!) coloca a Igreja, de poder celebrar neste rito, Tridentino. E ter sido chamado para isto, pelo bispo que disse que deveria ser celebrado por um padre que conhecesse bem o latim e que tinha sido ordenado neste rito, eu celebrei neste rito durante 08 anos (62 a 70). E por meu provincial também, pela licença que ele deu, então a satisfação de estar na dinâmica da Igreja, em primeiro lugar isto. Depois, este rito antigo comove, traz em si este aspecto do Mistério, assim como no rito atual, se sente talvez mais perto do povo, neste rito Antigo, o Mistério parece que fica mais dentro de tuas mãos. Então, há alguma coisa aí que comove profundamente e poder voltar àquelas primícias em que a gente foi ordenado. Sim, tudo isto faz parte. Mas, como também celebro sempre no outro Rito, não me sinto duplicado, senão que, é o mesmo mistério. Deus, todo poderoso e sua Igreja é sábia, o Papa foi muito sábio também porque havia este desejo, um desejo justo, nobre... Me sinto muito bem!

 
 
SSVM: Que maravilha! Padre, muitos jovens, não só da SSVM, mas tantos outros de Montes Claros te admiram muito, frequentam suas celebrações, te conhecem ha tanto tempo como capelão do Carmelo. Que Mensagem o senhor quer deixar para eles? Ou, o que é necessário para manter por muito tempo este fervor e amor a Cristo e sua Igreja?

Pe. Henrique: Bom, o mistério Cristão é de aproximação continua com nosso Senhor Jesus Cristo, então, Cristo é aquele ponto que puxa a Igreja para chegar, é o Esposo. Mas, Maria Santíssima (isto eu aprendi desde pequeno, ainda no colégio interno antes de entrar na Companhia, entrei com 16 anos), pois a devoção a Maria Santíssima é um grande e eficaz caminho para chegar ao conhecimento e amor de Cristo, nosso Senhor. Pois, ninguém conhece a Cristo melhor do que Maria Santíssima e, ninguém o amou mais, serviu melhor e foi fiel a Ele até a Cruz, onde, o Cristo nos a entrega também para que sejamos mais fiéis a Ele. De maneira que, a Devoção a Maria Santíssima é a arma poderosa para os jovens nutrir dentro de seu coração. De um lado, o amor a Cristo, do outro, aquelas virtudes que são próprias da juventude: a castidade, a pureza de alma, a humildade também... o jovem humilde será um bom cristão e um bom pai de família, àquele que se torna arrogante é difícil de conservar as virtudes próprias de um varão cristão. Então o jovem, com Maria Santíssima, a humilde serva do Senhor, chega a pontos, a parâmetros altos do Mistério de Cristo, isto que eu entendo.

SSVM: Mais uma pergunta, o senhor está a 46 anos na região do Norte de Minas. És muito querido na cidade não só pela ardente devoção com que celebra a Santa Missa e mesmo pela disposição com que se coloca para celebrar os outros sacramentos... (De longe as pessoas identificam: “Vejam, é o Pe. Henrique!”... Ele está de batina, sempre... ao mesmo tempo de uma simplicidade mas também com uma grandeza). O senhor quer falar pra nós sobre o trabalho social que o senhor faz, reconhecido aqui na cidade há muitos anos, com as crianças carentes?

Pe. Henrique: Isto é pouca coisa, isto não tem tanto pra falar... Mas acontece é que o povo aqui é muito bondoso, e qualquer coisa que o padre faz eles o magnífica (risos)... (SSVM: Você é um santo padre!) É o povo magnificando as coisas do padre. Então, aqui temos algumas coisas, temos um colégio lá em baixo, vários movimentos de acolhimento e tal... mas estas coisas não são tanto assim. Por isso digo, isto é o povo, o povo aqui é uma maravilha! E o povo aqui apóia e ouve o padre de uma maneira toda especial... (risos). Isto que acontece, não há muita coisa a ser dita.
 
SSVM: Padre, agradeço por toda disponibilidade de estar partilhando conosco um pouco de sua vida, de estar dando esta palavra de apoio e de incentivo a todos os jovens que amam a Cristo, amam a Igreja e certamente têm no senhor uma referência. Quero pedir a sua benção.

Pe. Henrique: Deus te abençoe filho, muito obrigado. Pedirei por todos que lutam com você, para encontrar mais o mistério da Igreja e vivê-lo mais intensamente... Este Ano da Fé há de ser um ano de grandezas... Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Convite: Missa solene no dia da Imaculada Conceição

Aos amigos de Montes Claros-MG, Santa Missa Tridentina, numa ocasião especialíssima, além de ser solenidade da Imaculada Conceição, será também Jubileu de Ouro de Ordenação Sacerdotal (50 anos) do jesuita, querido Pe. Henrique Munaiz, sacerdote muito piedoso que celebrou sua primeira Missa, no rito antigo, em 09/12/1962 e está voltando a celebrar novamente neste rito graças ao Motu Proprio Summorum Pontificum.


Fica o convite para presenciarmos esta tamanha Graça!
Cheguemos mais cedo porque deve começar pontualmente.
Virgem do Bom Conselho, rogai por nós.

domingo, 28 de outubro de 2012

O Servo de Deus

Deus favorece a muitos com a vocação sacerdotal

                                                                                                                            Por Dom Tihamer Toth



Seria difícil descrever como a idéia do sacerdócio vem a nascer na alma de um estudante. Neste, parece vir do próprio berço; naquele, ela só se apresenta pelos 14 ou 15 anos, e até mais tarde, com maior força, porém.

Noutros ainda, esse maravilhoso desejo de servir a Deus só desperta pouco a pouco talvez ao cabo de um ou dois anos de estudos diferentes. A vocação amadurece lentamente; primeiro, é incerta, como pequena e hesitante pancada à porta, a que o jovem nem sempre dá atenção. Ele próprio ignora o que se passa na alma; tomam-no dificuldades, inquietação e dúvidas.

Depois, a pouco e pouco, principia a ver distintamente a sua missão, ouve claramente o chamado de Deus. Para um, acende-se a graça da vocação como um súbito raio de luz; para outro, amadurece como um fruto; mas o remate é sempre o mesmo; o jovem sente na fronte o ósculo do Redentor, e o seu olhar fixo nele como um chamado, que o enche duma inquietação estranha: “Não sei o que me atrai, não sei o que me chama, mas sei... sinto... que devo ser padre”.

Que é que o atrai para o Sacerdócio? Quase não saberia dizê-lo. Um é todo inflamado de entusiasmo:

“Ah! Como os homens, meus irmãos, são egoístas, frios e pecadores! Quanto bem um padre zeloso pode fazer às almas imortais! Cada dia, almas que poderiam ser salvas, se estivesse junto delas um bom padre, caem presas da condenação. Devo fazer-me padre, sinto-o!”

Aí está um motivo bem nobre.

Outro diz consigo: “Sinto que, na vida profana, minha alma se revelaria fraquíssima. Que há de ser de mim se eu me parecer com esses homens de coração de gelo que não se preocupam com Deus? Eles são tantos! Não, isso não! Como sacerdote, terei talvez menos dificuldade em formar em mim mesmo a imagem de Cristo. Será mais fácil salvar minha alma para a eternidade!”

Essa, também, é uma intenção honesta.


O terceiro pensa _ “Que dignidade, que tarefa sublime fazer-se alguém colaborador de Deus! Quando eu disser missa, o Filho de Deus repousará nas minhas mãos consagradas. Quando eu confessar, almas abatidas ressuscitarão para uma vida nova! Onde quer que eu vá, o que quer que faça, a felicidade e a consolação, a força e a doçura se derramarão sobre os meus passos. Na escuridão moral que sufoca as almas de hoje, quero ser uma alma cheia de sol, quero inundar de calor, luz e vida todos os que me cercam!” “Glória in excelsis Deo, ET in terra pax hominibus!”

Que vocação a do padre! Aumentar a glória de Deus e aumentar a paz entre os homens! Semear o grão da verdade no mundo enganador, regar com orvalho divino da graça os corações ressequidos, tornar-se um salvador de almas imortais!... A carreira de padre não é fácil, bem o sei. O Senhor sofreu muito no horto de Getsêmani e no Calvário, - sofrerei com Ele! E, nessa profissão, escolherei esta máxima: “Aqui estou para me dar em sacrifício e não para servir a minha própria comodidade! Quero ser padre, alter Christus!”

Esse é um motivo sublime!

Mal o jovem se apresenta com seu projeto perante o pai, irrompe a tempestade.

“Que loucura é essa? O filho de um engenheiro, dum proprietário cheio de haveres, um moço tão bonito, tão ágil, tão cheio de vida, não há de ser padre! Ah! Meu filhos,transtornaram-te a cabeça! Alguém te deu maus conselhos. Olha meu filho, todas as carreiras estão abertas diante de ti. Vê que futuro brilhante te espera na vida! E queres abandonar tudo? Ainda não conheces o mundo e já He queres dar adeus? Não e não! Escolhe a carreira que quiseres, de antemão te dou consentimento. Mas não essa!... Não a de padre!... Isso, não!”

Os pais verdadeiramente piedosos dão graças a Deus, de joelhos, se Ele se digna chamar um de seus filhos a seu serviço; mas não é raro ouvir palavras como essas na boca dum pai inteligente, quando o filho lhe pede os consentimentos. Toma nota, meu filhos, sou o primeiro a dizer-te: por todo o outro do mundo, não te faças padre sem vocação. Vai quebrar pedras ou varrer a rua antes de ser padre sem vocação.

Mas digo-te também: desde que sintas em ti a vocação, o chamado de Cristo, esto fortis ET viriliter age, sê forte e age virilmente. É profundamente triste, realmente que sejas censurado por aqueles de quem terias o direito de esperar auxílio; é preciso, contudo, obedecer antes a Deus que aos homens (At 5,29). É preciso obedecer àquele que disse: “Quem ama seu pai e sua mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mat 18,10).

Entretanto, nesses dias de provação, nunca te esqueças do respeito que deves a teus pais. Pode-se muito bem ter firmeza sem faltar ao respeito. E a tua firmeza alcançará certamente a vitória, se a tua resposta persistir sempre a mesma: “Meu pai, minha mãe, perdoem-me, mas não posso fazer outra coisa. Devo atender ao chamado do Senhor. Faça-se a vontade de Deus, permanecerei em paz”.

Livro: O môço educado

Autor: Dom Tihamer Toth

Parte III – No limiar duma carreira

O Servo de Deus

Páginas: 197-199

Editora Vozes LTDA.- Petrópolis RJ

IV Edição - 1960

IMPRIMATUR por Comissão Especial do Exmo. e Revmo. Sr. Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Bispo de Petrópolis. Frei Desidério Kalverkamp, O.F.M. Petrópolis, 21- XII-1959