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| Lendária papisa Joana, citada por muitos inimigos da Igreja |
Por Felipe da Cruz
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| Pedro Bayle (1647-1706) |
Referência:
LESCURE, A. M. Pró e Contra. Cruzada da boa imprensa LTDA. Rio de Janeiro, 1940.
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| Lendária papisa Joana, citada por muitos inimigos da Igreja |
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| Pedro Bayle (1647-1706) |
T. S. Eliot
"(...) O ápice da civilização foi alcançado na Idade Média, quando a sociedade, a religião e as artes expressavam um conjunto comum de critérios e valores. Isso não quer dizer que as condições de vida eram melhores então - um item cuja importância deveria ser minimizada - mas que a síntese cultural da Idade Média simboliza um ideal de comunidade européia. Toda a história posterior representa uma degenerescência desse ideal. O cristianismo se decompõe em nações, a Igreja em heresias e seitas, o conhecimento em especializações, e o fim do processo é que o escritor está pesarosamente observando em seu próprio tempo “a desintegração da cristandade, a deterioração de uma crença comum e de uma cultura comum”." (FRYE apud ASCHER)
***
"À nossa herança cristã devemos muitas coisas além da fé religiosa. Por meio dela seguimos a evolução de nossas artes, por meio dela temos nossa concepção da Lei romana que tanto fez para moldar o Mundo ocidental, por meio dela temos nossos conceitos de moralidade pública e privada. E por meio dela temos nossos padrões comuns de literatura, nas literaturas da Grécia e de Roma. O mundo ocidental tem sua unidade nessa herança, no Cristianismo e nas antigas civilizações da Grécia, de Roma e de Israel, a partir das quais, devido a dois mil anos de Cristianismo, determinamos a nossa descendência. Não desejo elaborar esse ponto. O que eu quero dizer é que esta unidade nos elementos comuns da cultura, em muitas centúrias, é o verdadeiro vínculo entre nós. Nenhuma organização política e econômica, por mais boa vontade que ela exija, pode suprir o que essa unidade cultural dá. Se dissiparmos ou jogarmos fora nosso patrimônio comum de cultura, então toda a organização e planejamento das mentes mais engenhosas não nos ajudará, ou nos colocará mais juntos."
Dados da obra:
Livro: Notas para uma Definição de Cultura Autor: T. S. Eliot
Páginas: 13 e 152
O conservadorismo de Eliot - Páginas 9-16
Apêndice: A Unidade da Cultura Européia - Páginas 137-153
Direitos em língua portuguesa reservados à Editora PERSPECTIVA S.A
1° edição (de 1988) - 2° reimpressão - 2008
Monge copista
Na baixa Idade Média, por exemplo, existiram homens que liam melhor do que os melhores leitores de hoje. Por outro lado, é verdade que poucos homens sabiam ler, que havia poucos livros, e que êsses homens dependiam da leitura como fonte de aprendizado, mais do que nós. O fato, entretanto, é que dominavam os livros de valor, como nós não dominamos nada, hoje em dia. É provável que não respeitemos livro algum, como êles respeitavam a Bíblia, o Alcorão ou o Talmude: um texto de Aristóteles, um diálogo de Platão, ou as Institutas de Justiniano. De qualquer modo, desenvolveram a arte de ler a um ponto que não foi por ela atingido, nem antes, nem depois.
Devemos acabar com nossos tolos preconceitos sôbre a Idade Média, e considerar os homens que escreveram exegeses das Escrituras, explicações de Justiniano, e comentários de Aristóteles, como os mais perfeitos modelos da arte de ler. Essas explicações e comentários não eram nem condensações, nem resumos. Eram leituras analíticas e interpretativas de um texto de valor. Na verdade, poderia confessar que muito do que sei sôbre leituras, aprendi examinando os comentários medievais. As regras que vou aconselhar são simplesmente uma fórmula do método que segui, ao observar o professor medieval lendo um livro com seus alunos.
Comparada com o esplendor dos séculos XII e XIII, a era atual se parece muito mais com a idade das trevas dos séculos VI e VII. Então, as bibliotecas tinham sido queimadas ou fechadas. Havia poucos livros de valor e menos leitores ainda. Enquanto que hoje há mais livros e bibliotecas do que nunca, na História da humanidade. De um certo modo, também, há mais homens capazes de ler. Mas, na verdadeira acepção do têrmo, isto não é exato. Tratando-se de ler, para compreender, as bibliotecas poderiam ser fechadas e as tipografias destruídas.
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Livro: A Arte de Ler - Como adquirir uma educação liberal
Autor: Mortimer J. Adler
Tradução de Inês Fortes de Oliveira
Rio de Janeiro
Livraria AGIR Editora - 1954
Páginas: 82 e 83 - "A falência das escolas"
Torres inconclusas da Catedral de Notre Dame, construída na Idade Média. Seria este um dos exemplos de paralisia intelectual e atraso na arte ocorrida na Idade Média?
Paulo L. F.
“O papado é exatamente o que a profecia declarou que havia de ser, a apostasia dos últimos tempos.” (Ellen G. White. – Adventista)
“... o mais terrível de todos os estratagemas do papado – a Inquisição... A ‘grande Babilônia’ achava-se ‘embriagada com o sangue dos santos.” (Ellen G. W.)
Ellen G. White (1827-1915), ex-metodista[1] e reestruturadora da seita Adventista,[2] é conhecida por ser uma das mais ferozes inimigas do catolicismo. Ela não deixa de tratar a Igreja Romana injuriosamente, comparando-a, por exemplo, à própria “obra prima de Satanás”[3]. O papado, por sua vez, apresenta-se em suas palavras como sendo, nada mais nada menos, que uma grande e terrível conspiração diabólica.
Em “O grande conflito”, recheado de erros históricos e teológicos, a senhora Ellen G. W., além de defender as teses absurdas que apresentamos acima, tenta fazer todo um apanhado da história cristã, mas de modo subjetivista e tendencioso, como é comum entre todos aqueles que vivem carregados de preconceito e ódio pela Igreja Católica. Não aprofundaremos aqui este aspecto “Erístico” da autora que buscou per fas et per nefas[4] - como diria Arthur Schopenhauer[5] - impor seu ponto de vista a todo custo, mesmo faltando à verdade. Basta que citemos, a nível de exemplo, e poderiam ser tantos e tão piores, a seguinte afirmação da autora: “... ‘o meio dia do papado foi a meia-noite do mundo’... Durante séculos a Europa não fez progresso no saber, nas artes ou na civilização. Uma paralisia moral e intelectual se abatera sobre a cristandade.” (Pag. 38) Ora, qualquer um sabe da falsidade de tais afirmações. Tudo o que de positivo houve na Idade Moderna foi um fruto orgânico da era “Medieval”. Não negamos que houveram mazelas, mas qual período histórico ficou livre das mediocridades da natureza humana, tão corrompida pelo pecado original?
Não se recordara a Senhora White, que coube à Igreja Católica reconstruir uma Europa que claudicava sob os escombros do outrora opulente Império Romano? Sim, a Igreja atraíra a seu recato amoroso incontáveis bárbaros, perdidos entre mil superstições, ávidos pela guerra, tateando pelas vastidões... e lhes ensinara, lenta e gradativamente, a beleza do Evangelho, princípios morais que levaram tempo para serem mais fortemente assimilados por homens tão difíceis.
“Nos séculos IV, V e VI a Europa esteve apinhada de tribos bárbaras. Outros povos como os hérulos, os lombardos, os saxões e os alamanos, também conseguiram deitar raízes na Europa. Todos disputavam o espólio deixado pela ruína do Império Romano.”[6]
De fato, como é comum e fácil para compreendermos, foi custoso para homens quase sempre rudes, idólatras, ignorantes, ladrões, assassinos, polígamos e irascíveis como os bárbaros, internalizarem os princípios morais do cristianismo, tão superiores a tudo quanto haviam vivido até aquele momento histórico. Coube ao tempo e à paciência cristã, firmada na eficácia de seu apostolado, a incrível façanha de transformar “lobos” em “cordeiros”, fazendo-os adorar o que queimavam e queimar o que adoravam. Para medirmos um pouco a dificuldade de tal empresa, basta percebermos o quanto ainda há de “bárbaro” em nossa sociedade hodierna...
Quantas vezes a Igreja não teve que, ao invés de reprimir os ímpetos descontrolados das gentes, buscar, o que era compreensível, simplesmente canaliza-los na direção do bem, como se deu no caso das Cruzadas ou da Inquisição, uma instituição tão justa para aquela época, marcada pela precipitação popular? Alguns dirão que houveram exageros inescusáveis neste caso! Sim, houveram - e mesmo na Inquisição protestante, tão pouco comentada, onde morreram tantos católicos - mas mui compreensíveis para o espírito daquele período.
P. C. Landucci nos recorda um fato interessante quando escreve sobre a Inquisição e o caso dos hereges Cátaros[7]; eles, que aborrecendo tudo o que era material, pretendiam destruir inclusive a própria célula social e familiar.
“Se quisermos escrever história e não romance não devemos esquecer que a Igreja permitiu tudo isso – contra a sua orientação e praxe tradicional – coagida pela pressão dos poderes civis, pela opinião pública e pela agressividade do perigo, mais ou menos como quando durante a guerra se instituem, legalmente, tribunais excepcionais.”[8]
Casos particulares, merecem, de fato, uma reprimenda toda particular, mas, de modo geral, a Igreja só deve ser louvada por esse avanço na organização da sociedade. O próprio H. C. Lea, escritor de vivos preconceitos contra a Igreja Católica, reconhece, sem hesitar, no tocante ao caso dos Cátaros “que a causa da ortodoxia católica era a própria causa da civilização e do progresso.”(LANDUCCI, pag. 71)
Na época medieval, ainda não germinara como hoje certas possibilidades do trato humano. O que não significa que a atualidade tenha alcançado o máximo de desdobramento prático no desenvolver orgânico da convivência baseada no Evangelho. Basta que nos lembremos dos milhões de mortos causados pelo Comunismo e pelo Nazismo, para não citarmos outros casos entristecedores.
Confesso, caro leitor, que pretendendo falar de um assunto, acabei por aventurar-me em outro. Num próximo artigo tratarei do que havia planejado antes de começar a redigir este trabalho, mas creio que vale a pena citarmos mais algumas questões que validem o que apresentamos nos parágrafos anteriores.
As afirmações infundadas do livro “O Grande Conflito”, no que se refere à História da Igreja, também não levaram em conta outros dados que hoje saltam aos olhos de qualquer pesquisador desapaixonado: o apoio da Igreja ao avanço sério da ciência, sempre se opondo a tudo o que ofendesse a Deus, Nosso Senhor; a criação das universidades; o magnifico edifício da Filosofia medieval; a vastíssima rede de caridade composta de Mosteiros, Hospitais, Hospícios, Asilos e Orfanatos; os grandes exemplos de santidade que assombraram o mundo; o avanço da Arquitetura; as heróicas defesas da cristandade contra o terrível avanço maometano; a guarda e aprofundamento da cultura clássica; e todo progresso tecnológico, mesmo que incipiente, sem o qual o período posterior não teria conseguido avançar com passos tão firmes. “... a Idade Média lançou as bases para a formação dos Estados Nacionais e de uma sociedade alicerçada na fé, na família, na educação... características ainda presentes na vida dos povos contemporâneos.”[9]
“Era a Igreja que insistia em recomendar que os pobres não jejuassem tanto quanto os ricos e que proibia o trabalho servil aos domingos. Era a Igreja que prestava serviço social aos pobres (...) Durante muito tempo nunca houve outra fonte de educação, além da eclesiástica...” [10]
Como vemos, não há como concordar com a senhora Ellen G. White quando afirma que “Uma paralisia moral e intelectual se abatera sobre a cristandade.” A História está aí para jogar por terra essas palavras carregadas de ódio e preconceito.
Finalmente, poderíamos continuar citando, tanto outros exemplos para refutar essas palavras infundadas, como outras partes do mesmo livro recheadas de incoerências, erros e estratagemas. Porém, terminemos com uma afirmação da própria autora: “A Igreja de Roma está empregando todo expediente para readquirir o domínio do mundo e para restabelecer a perseguição, desfazendo tudo que o protestantismo fez.”( WHITE, H. G. p. 318) . Vejam como destila veneno a pena desta senhora! Confesso que caí no riso ao ler as páginas deste livreco... porém, reconheçamos, “É de chorar”! Peçamos a Deus a graça de lutarmos ardorosamente contra a heresia, não da forma que a autora por nós citada insinua, sem respeito à dignidade humana, usando de violência injusta e opressão - atos sempre condenados pela Igreja - mas sim, em fidelidade aos mandamentos de Cristo e sempre submissos à autoridade suprema de sua Igreja. Aí sim, desfaremos, e com muito gosto, todo o mal que o protestantismo fez! E que a Virgem Santíssima, seja nosso escudo e proteção. Amém.
[1] Seita fundada pelo clérigo João Wesley (1703-1791) ex-membro da denominação anglicana.
[2] Seita fundada por William Miller (1782-1849) que se afastara da chamada Igreja Batista. Ele previra a segunda vinda de Cristo para o dia 22 de outubro de 1844, nada tendo acontecido a não ser uma grande frustração para seus seguidores. Ellen G. White é quem reorganizará sua obra após esta grande decepção dos membros iludidos.
[3] WHITE, Ellen G. O grande conflito. Acontecimentos que mudarão o seu futuro. Trad. Hélio L. Grellmann. São Paulo, Casa, 2003, p. 32
[4] Trad.: “Por meios lícitos ou ilícitos”.
[5] SCHOPENHAUER, Artur. Como vencer um debate sem ter razão: em 38 estratagemas: (Dialética Erística) / Artur Schopenhauer; introdução, notas e comentários por Olavo de Carvalho; tradução de Daniela Caldas e Olavo de Carvalho. Rio de janeiro: Topbooks, 1997,258 p.
[6] MELLO, Leonel Itaussu A. COSTA, Luiz César Amad. História antiga e Medieval. Da comunidade primitiva ao estado moderno. Editora Scipione: São Paulo, 1993, p. 193.
[7] Um grupo herético que, inclusive, chegava algumas vezes a se organizar em formações armadas agressivas contra a sociedade, como aconteceu em Tanchelm, em Flandres de 1108 a 1125 e entregava-se às piores violências.
[8] LANDUCCI, P.C. Cem problemas de fé. Paulinas: São Paulo, 1969. 69-73 .
[9] MYRIAM, Becho Mota; PATRÍCIA, Ramos Braick. História das cavernas ao terceiro milênio. 1ª Edição. Editora Moderna: São Paulo, 1999, p. 68
[10] Ibidem. MYRIAM, Becho Mota; PATRÍCIA, Ramos Braick. História das... p. 69