quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Honra teus pais e terás vida longa

 

 

Thales Silva

“O quarto mandamento nos ordena amar, respeitar e obedecer aos pais e a quem tenha autoridade sobre nós, isto é, aos nossos superiores. Também nos proíbe a faltar à honra para com os pais, os superiores, e nos proíbe desobedecer-lhes”. (1)

Os três primeiros mandamentos da Lei de Deus falam-nos de nossos deveres para com Deus; os outros sete se referem aos deveres para conosco e para com o próximo.

O homem nasceu para viver em sociedade. A primeira sociedade em que este se encontra é a doméstica, ou familiar. Em toda sociedade bem organizada, há uma belíssima hierarquia, ou seja, há quem mande e há quem obedeça; daí as relações de superioridade e sujeição determinadas no quarto mandamento.

O quarto mandamento refere-se sobre a honra devida aos pais (Ex 20, 12), aqueles a quem, depois de Deus, devemos a vida, e os quais com amor, penas e sacrifícios nos criaram e educaram. Em todo momento deve ser lembradas e retribuídas as tribulações e as vitórias de nossos pais (Eclo 7, 29s). Devemos-lhes então, amor, respeito, obediência e assistência.

Amor: A própria natureza nos inclina a amar aos pais, isto é, a querer-lhes com afeto, a desejar-lhes o bem e a nos compadecermos deles. Nosso amor precisa se expressar em obras, devendo ser sobrenatural, isto é, inspirado em motivos sobrenaturais, por amor de Deus. O amor aos pais é sempre devido, ainda mesmo que, por graves causas, eles se tornassem indignos.

Respeito: Os pais são os representantes de Deus. Por isto devemos-lhes o máximo respeito, mostrando-o com obras, palavras e em todas as ocasiões. Se houver nos pais defeitos naturais, convém suportá-los amorosa e pacientemente e se houver defeitos morais, não lhes aprovemos, mas com prudência e delicadeza tentemos ajudá-los. Porque “maldito aquele que despreza o pai e a mãe (Dt 27, 16).”

Obediência: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso (Lc 2, 51).” Lembremos-nos pois, o exemplo da sagrada obediência de Nosso Senhor Jesus Cristo para com o Fidelíssimo São José e a Santíssima Virgem Maria. A obediência aos pais é do agrado de Deus (Cl 3, 20), e traz acompanhada uma promessa divina (Ef 6, 2). Confiante obediência devemos aos nossos pais, lembrados de que eles são obras de Deus e representam-No (Eclo 3, 1-18).

Assistência: Cabe-nos a ajuda aos nossos pais e assisti-los nas necessidades materiais e sobretudo nas espirituais, manifestando-lhes humildes conselhos e socorros espirituais, rezando por eles em vida e depois da morte.

Com a graça de Nosso Senhor, reconheçamos o valor e a grandeza de nossos progenitores, uma vez que, na sociedade egocêntrica em que vivemos, querem tirar-lhes os méritos concedidos por Deus.

“Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor; porque isto é justo. O primeiro mandamento acompanhado de uma promessa é: Honra teu pai e tua mãe, para que sejas feliz e tenha longa vida sobre a terra” (Ef 6, 1ss).

Citação

(1) (Pascucci, Francisco Mons., “Doutrina Cristã”, Tradução do Pe. Armando Guerrazzi, Nova Edição,Pág. 107, Editora A.B.C, Rio de Janeiro, 1939.)

Referências Bibliográficas

JOÃO PAULO II, carta às famílias Gratissimam Sane, n.º 17, AAS 86, 1994, p. 906.

CONCÍLIO VATICANO II, const. past. Gaudium et Spes, n.º 48, AAS 58, 1966, p. 1067-1069.

CONCÍLIO VATICANO II, decr. Apostolicam Actuositatem, n.º 11, AAS 58, 1966, p. 848.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Concupiscência da carne e Regeneração pela Graça

Rembrandt - Christ In The Storm On The Sea Of Galilee

Por Prof. Pedro M. da Cruz


O católico encontra-se qual ilha no oceano, no mais tempestuoso dos oceanos, o das paixões humanas. Mesmo libertado, pela graça, da dominação satânica, ele é constantemente assediado sofrendo as consequências do pecado original. Assim pois, se por um lado em nosso espírito somos submissos à lei de Deus, por outro lado, dada nossa natureza decaída, somos escravos da lei do pecado [1]. Sendo deste modo é que podemos compreender, na medida do possível, a desconcertante situação dos filhos de Deus: deleitando-se interiormente na vontade do Senhor, sente em seus membros outra lei que luta contra a lei do espírito e atormenta-o com o horror do pecado. Então quantas quedas! Quantas fraquezas! Quantas decepções nas várias lutas! Há quem julgue que tão somente as lágrimas possam afogar tantos desmandos, erros e incoerências. Mas não! Urge a Voz do amado que flue terminante e eficaz da penumbra mística do confessionário. Ali, um tácito sacerdote, num ato misteriosamente divino, faz-nos puros, torna-nos mais brancos que a neve [2]. Ante um espírito profundamente contrito e um coração arrependido e humilhado, enquanto traça o sublime sinal da cruz, o sacerdote é canal da graça sobrenatural que renova o espírito de firmeza e restitui a alegria da salvação [3]. Pobres dos que se deixam levar pelas más inclinações da natureza e não refreiam os apetites descontrolados! Os que satisfazem a cobiça indômita da alma são a alegria dos demônios.[4] O próprio semblante do homem o condena; seu aspecto exterior faz parecer as disposições interiores; o corpo e a fala são os mexeriqueiros da alma. De fato, mesmo “... as vestes do corpo, o riso dos dentes e o modo de andar de um homem fazem-no revelar-se”.[5]

“Como é grande a fragilidade humana, inclinada sempre ao mal! Hoje confessas os teus pecados, a amanhã cometes outra vez os mesmos que confessastes. Resolves agora acautelar-te, e daqui à uma hora te portas como quem nada propôs. Com muita razão nos devemos humilhar e não nos ter em grande conta, já que tão frágeis somos e tão inconstantes. Assim, facilmente se pode perder pela negligência o que tanto nos custou a adquirir com a divina graça.” [6]

Não consintamos, pois, que reine o pecado em nosso corpo mortal, de modo que venhamos a obedecer aos apetites desconjuntados; se assim o fizermos seremos meros instrumentos do mal;[7] como crianças imaturas ao redor das ondas, agitados inclusive, por qualquer sopro de doutrinas heréticas, ao capricho dos homens e de seus artifícios enganadores.[8] Muito ao contrário, amemos a Deus sobre todas as coisas, cumprindo com toda nossa força sua santa vontade: a nossa santificação![9] Assim fazem os filhos da Igreja, todos os demais buscam os seus próprios interesses e não os de Nosso Senhor Jesus Cristo.[10] Porém não ignoremos uma Verdade fundamental da Fé Católica! É necessária a graça de Deus, seu auxílio sobrenatural, para vencermos a natureza decaída desde Adão. O ser humano está sempre propenso ao mal porque foi corrompido pelo pecado original.[11] O criador formou a natureza humana boa e reta no jardim primordial, agora entretanto, devemos considera-la como enferma e enfraquecida pela perversão inicial. Se observarmos bem, perceberemos que o ser humano quando abandonado à si mesmo, à mercê de seus movimentos e impulsos desnorteados, é arrastado à baixeza e indignidade. A pouca força que lhe restou após o pecado original é como uma centelha oculta debaixo das cinzas, incapaz de fazer tudo o que julga correto, já que não possui a plena luz da verdade, nem a pureza primitiva de seus afetos.[12] Percebe-se aqui a gritante necessidade da graça divina que auxilia a liberdade vulnerada pelo pecado.[13]

“O homem é ajudado por Deus com a graça santificante, mediante a qual conservando embora a própria personalidade, é modificado na sua natureza e na sua capacidade de agir.” [14]



Os Cristãos são justificados no Senhor Jesus, por quanto pelo batismo se tornam verdadeiramente filhos de Deus, partícipes da natureza divina[15], e portanto realmente santos.[16] No entanto, já Santo Agostinho seguindo a tradição apostólica, faz uma distinção entre a remissão dos pecados que é plena no batismo e o renovamento interior que é progressivo e será perfeito somente após a ressurreição, quando o homem se tornar participante da imutabilidade divina.[17]Entende-se deste modo que a graça não dispensa esforço humano por vencer suas limitações. Com efeito, Deus “... condicionou a luz da visão beatífica ao mérito que o homem deve conquistar desenvolvendo nesta vida a sua atividade...” [18] Finalmente, pelo batismo adquirimos de fato a vida divina da graça, a inabitação do Espírito Santo, a misteriosa deificação; recebemos no entanto como que em gérmen todo esse tesouro. Como uma semente que deve crescer e frutificar através da correspondência livre do ser humano à graça de Deus. “O livre arbítrio não é tirado porque vem ajudado, mas é ajudado porque não vem tirado.” [19] Sendo assim, aquele que nos criou sem nosso auxílio, jamais nos dará a salvação eterna sem nosso esforço por fazer sua vontade soberana. De fato, Deus não nos ordena o impossível, mas ao dar-nos uma ordem, admoesta-nos a fazer aquilo que aguentamos e a pedir o que não conseguimos por nós mesmos. Eis a imponderável coexistência da liberdade e da graça, tão magnificamente sintetizada na gloriosa e sempre Virgem Maria Imaculada.

 
Citações

[1] Romanos 7, 26.
[2] Salmo 50, 9.
[3] DE KEMPIS, Tomás. Imitação de Cristo. Trad. Frei Tomás Borgmeier, O.F.M. 13ª edição, editora Vozes, Petropolis, RJ, 1965, 283 pgs. (Livro II, cap. VI. Pg. 76).
[4] Eclesiástico 18, 30-31.
[5] Eclesiático 19, 26-27.
[6] Imitação de Cristo, Livro I. Capítulo 22, pg. 52. Edição citada.
[7] Romanos 6, 12.
[8] Efésios 4, 14.
[9] Tessalonicenses 4, 3.
[10] Filipenses 2, 21.
[11] Romanos 5,12-14. O pecado original de Adão transmitiu-se a todos os homens com sua sanção; a Virgem Maria entretanto foi preservada, por causa dos méritos de Cristo, do pecado original.
[12] Imitação de Cristo. Livro III, Capítulo 55. Pg.204-205.
[13] Gaudium Et Spes. (Constituição Pastoral do Vaticano II).
[14] DEL GRECO, Pe. Teodoro da Torre. Teologia Moral. Ed. Paulinas. São Paulo, 1959, pg. 35.
[15] II Pedro 1, 4.
[16] Lumen Gentium. Cap. V.
[17] João Paulo II. Carta Apostólica sobre Santo Agostinho de Hipona.
[18] Teologia Moral, pg. 35. Obra citada.
[19] Carta Apostólica sobre Santo Agostinho de Hipona, pg. 32.



quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Autêntico Feminismo


HOMEM E MULHER: COMPLEMENTARIDADE

Em síntese: O feminismo avançado tende a igualar entre se homem e mulher, esquecendo as diferenças específicas que fazem a riqueza da humanidade. G. Martinetti mostra que não se podem confundir entre si o masculino e o feminino, pois cada qual tem seus predicados peculiares, que devem ser respeitados e ativados para o bem da sociedade civil e da Igreja. Enquanto o homem procura a eficiência fria e, às vezes, cega, a mulher representa a afetividade, que dá graça e significado à racionalidade eficiente do homem.

* * *

Em nossos dias registra- se uma certa competição entre o masculino e o feminino; há quem julgue que a mulher deve abandonar seus afazeres específicos para se igualar em tudo ao homem – o que redunda em nova forma de subserviência do feminino ao masculino. Giovanni Martinetti, já citado no artigo anterior deste fascículo, analisa a questão, mostrando que a grandeza da mulher está precisamente em cultivar o que lhe é peculiar - a afetividade e a capacidade de amar - para temperar e complementar o senso de eficiência fria que muitas vezes move o homem. Sem a presença da mulher, com seus traços femininos peculiares, as façanhas do homem poderiam facilmente redundar em desgraça para o próprio homem. As considerações do autor vão, a seguir, transcritas a partir do livro “Razões para Crer” pp. 383-384, 390-2, 341s, 398-400.

A mulher é a ponte entre o homem e Deus

A feminilidade tem uma missão espiritual especial, que deriva de sua própria natureza. É verdade que hoje muitos sustentam que as diferenças psicológicas entre homem e mulher se devem apenas a fatores culturais e que tenderão a desaparecer quando houver perfeita igualdade social entre os dois sexos. Contudo, é difícil concordar com isso, quando se pensa que a maternidade, despertando na mulher o gosto e o desejo de cuidar do recém-nascido, também lhe dá qualidades que são úteis a semelhante tarefa, qualidades essas que formam a alma feminina.

Por isso devemos dizer que apenas algumas diferenças psicológicas podem ser creditadas ao papel que historicamente o homem dominante atribuiu à mulher, especialmente à sua presumida inferioridade quando se trata de dirigir e organizar, de fazer política, ciência, técnica e arte. Outras, ao contrário, provêm da natureza e de Deus, que, com a perspectiva da maternidade e da educação dos filhos, dirige a mulher para a doçura, a delicadeza, a beleza suave, a afetividade, a ternura e o amor, enquanto orienta o futuro pai para a coragem, a racionalidade, a organização, a luta contra os obstáculos e outras qualidades úteis ao trabalho fora de casa.

A civilização atual atravessa uma fase de rápido declínio, porque está dominada por fatores culturais de origem masculina (tecnologia, racionalismo, busca excessiva de bem-estar econômico, amor como sinônimo de sexo). Entrementes a mulher não-contaminada pela mentalidade dominante, com a sua intuição, sua preferência pelo amor profundo e estável, pela fraternidade e pela fé religiosa, exerce uma tarefa muito elevada, indispensável para ajudar o homem a alcançar os valores superiores.

Poder-se-ia dizer que hoje a mulher autêntica é uma espécie em vias de extinção, mas que, onde ela se conserva, é a ponte entre os homens que a rodeiam, e Deus.

A opinião pública atual, fruto da cultura machista do passado, pressiona psicologicamente a mulher para que ela realize, mais que a igualdade de direitos, um nivelamento espiritual com os homens. Para que busque o sexo mais que o amor, o trabalho e a ciência mais que a geração e a educação dos filhos, o racionalismo mais que a fé, o feminismo e o conflito mais que a influência do coração, a igualdade de pensamento e de obrigações sociais mais que a paridade de dignidade e complementaridade da missão humana, o sacerdócio exterior e institucionalizado mais do que o interior, do qual tem a capacidade exclusiva.

Uma presença cada vez maior da mulher na filosofia e na literatura, no jornalismo e no direito, na sociologia, na política e também na teologia será portanto bastante benéfica para o desenvolvimento equilibrado de nossa cultura, até agora monopólio masculino, se a mulher em vez de se limitar a copiar o homem, exercer o seu carisma próprio.

Porque Deus dotou a mulher de um sacerdócio que lhe é natural, mais interior que o dos padres. Sem mulheres capazes de amar e de fazer-se amar profundamente como esposas, mães, dirigentes ou amigas, e de orar sobretudo com o seu coração e sua vida, o sentido da vida e a fé desaparecem. E com eles desaparecem também as ministros sagrados.

A mulher é verdadeiramente, por vocação, a ponte sagrada com Deus não quando, abandonando a fonte divina, volta-se totalmente para a fonte do homem e procura imitá-lo, e não apenas quando gera o homem, mas sobretudo quando, com o Amor divino, o regenera interiormente[i]. (pp. 383s).

Complemento recíproco homem-mulher

O impulso fundamental da mulher é o dom de si, do mesmo modo que o do homem é a afirmação de si. A primeira quer o amor, o segundo a justiça. O sentimento feminino se aplica à pessoa individual, enquanto o do homem é mais universal (política) e objetivo (ciências).

O intelecto do homem é dominado mais pelo pensamento abstrato e científico, enquanto a mulher busca o ser das coisas com a intuição. O mundo da mulher é compreender, sentir, perdoar, simpatizar. Ela é biologicamente feita para ser mãe e psicologicamente para ser materna. O homem é feito para a organização, a técnica, para vencer as resistências e obstáculos, para proteger e garantir a existência da mulher e da criança.

Até no campo religioso homem e mulher foram feitos um para o outro: enquanto a mulher está mais preparada para atingir a perfeição sobrenatural, que é de ordem passiva e tem como elemento principal a Graça, o homem, ao contrário, está mais equipado para conquistar a perfeição ética natural, que é de ordem ativa e consiste no perfeito domínio da racionalidade sobre todas as ações e sentimentos.

A perfeição da natureza humana reside, portanto, na integração entre força racional e afetividade intuitiva. Sem o homem, a mulher cai no sentimentalismo; sem a mulher, o homem congela na aridez e no tecnicismo soberbo. Kierkegaard observava em seu diário:

“Uma eminente intelectualidade viril liga-se imediatamente a um enorme egoísmo [...] Em certo sentido, a mulher está mais capacitada para o serviço religioso, porque a sua natureza é toda feita de abandono de si [...] Uma eminente intelectualidade viril que se doa em sujeição feminina, eis a verdadeira religiosidade [ii]” (pp.388).

O sacerdócio aplica-se à mulher

Depois de explicar às crianças a obra da criação de Deus no relato bíblico da Criação, um catequista lhes perguntou: ‘Por que vocês acham que Deus criou a mulher depois do homem?’ Então uma menina levantou a mão e respondeu: ‘Eu acho que, depois de fazer o homem, o Senhor pensou: Se a primeira tentativa não deu certo, talvez eu me saia melhor agora. E assim criou a mulher!’

Embora não possamos afirmar que a mulher tenha saído melhor que o homem, sustentamos contudo que ela tem um papel fundamental para que a humanidade possa alcançar o Objetivo Primeiro da Vida.

Hoje há muitas discussões sobre o ministério sacerdotal e alguns dizem que ele também deveria ser exercido pelas mulheres. Talvez fosse melhor, por ora, descobrir e enfatizar o Sacerdócio próprio da mulher que foi ignorado até agora. Para abrir a Porta de Deus são necessárias duas chaves diferentes. A questão não é saber se ambas devem ser seguradas pelas filhas de Eva, mas qual das duas é a mais apropriada para elas: a “petrina” (a chave de S. Pedro) ou a “mariana” (as chaves da maternidade espiritual).

O que dissemos anteriormente, ou seja, que a condição feminina é mais inclinada ao Amor profundo do que a masculina, não é um lugar-comum desprovido de fundamento científico. Os maiores psicólogos, até os mais atuais, sustentam que existem diferenças reais de personalidade entre o homem e a mulher (maior agressividade no primeiro, afetividade mais intensa na segunda) e que elas dependem não apenas de causas culturais, mas também de fatores biológicos que têm reflexos na alma e no espírito. (pp. 390s).

O homem tende mais à eficiência, a mulher ao Amor

Os estudos psicológicos sobre as características femininas fazem referência àquela mulher que Hélène Deutsch e outros psicólogos chamam de tipo feminino e que representa a grande maioria das mulheres, do mesmo modo que o tipo masculino se expressa na maioria dos homens. A psicologia encontra confirmação desses dados fundamentais em dados de ordem fisiológica, dos quais resulta que em cada um dos dois sexos predominam hormônios sexuais próprios (os “estrógenos” na mulher e os “andrógenos” no homem).

Por isso, considera-se comprovado que em cada sexo predominam características psicológicas próprias. C. G. Jung chama de “anima” ao conjunto de características femininas e a elas faz corresponder o “animus” da parte do homem. As qualidades próprias de cada sexo são um dado da natureza, mesmo quando ulteriormente determinadas por fatores culturais.

Dentre as muitas tentativas de sistematizar as diferenças entre os dois sexos, a mais promissora parece ser a de referir as diferenças entre os estereótipos sexuais a duas escalas de valores diferentes a complementares: a da “eficiência” e a da “afetividade”, que costumam ser personificadas, no grupo familiar, pelo pai e pela mãe.

Seguindo de Roger Piret, da Universedade de Liêge, “Psychologie diffétentielle des sexes”. Vamos dar uma rápida olhada nas características dos dois sexos.

A mulher de tipo feminino põe no centro dos próprios pensamentos e da própria vida o amar e ser amada. Enquanto para o homem o amor vem junto com outros interesses e certamente não é o mais importante, para a mulher ele é o elemento essencial da sua existência, especialmente na juventude. A mulher aprecia principalmente o aspecto afetivo e sentimental do amor, enquanto no homem prevalece o desejo físico (pp. 123ss).

A mulher manifesta maior ‘benevolência social’. Enquanto as mulheres estão mais interessadas em relações humanas, os homens são mais atraídos pelo estudo e pelas atividades relativas às causalidades físicas (ciências, técnica, trabalho). As primeiras formam grupos baseados mais na simpatia, enquanto os segundos buscam interesses comuns. As mulheres são muito menos agressivas, e por isso há muito menos mulheres nas prisões por cometerem furtos, estelionatos e homicídios (pp. 149ss) (pp.341s).

“Não é a igualdade de direitos que está em jogo, mas a especificidade de tarefas”.

A discussão sobre o sacerdócio da mulher não envolve culturas machistas ou igualdade de direitos, como a publicidade dominante faria pensar, mas envolve o mistério de Deus e sua ação salvífica por meio da Igreja. Masculino e feminino são portadores de significados e valores complementares também na revelação e são compreendidos à luz do principio petrino e do princípio mariano, como ilustrou João Paulo II ao falar da missão específica da mulher (cf. Mulieris Dignitatem, n. 27). ‘O perfil mariano’, escreve o Papa, ‘é tão ou mais fundamental e marcante para a Igreja quanto o perfil apostólico e petrino, ao qual está profundamente unido [...] A dimensão mariana da Igreja antecede a petrina, embora esteja estreitamente unida a ela e a complemente’.

Citando Von Balthasar, o Papa afirma o primado de Maria e, nela, o da mulher e do feminino sobre o princípio petrino e, portanto sobre o homem e masculino: ‘Maria é rainha dos apóstolos, sem pretender para si os poderes apostólicos. Seus poderes são outros e maiores’ (MD 27, n. 55).

O grande teólogo suíço esclarece em que consistem esses poderes outros e maiores quando aborda o tema da mulher não do ponto de vista sociológico ou cultural, mas propriamente teológico: ‘A Igreja é em primeira instância feminina, antes de receber o seu lado masculino complementar no Ofício eclesiástico'...

Hoje assistimos a um progressivo ingresso da mulher de fé no ministério da Palavra, nas Associações, nos movimentos eclesiais, nos encontros, em escolas de todo tipo e também nas de Teologia. A substância do cristianismo é o amor que vem de Deus, e este é transmitido sobretudo pelo exemplo e pela palavra...

A Igreja é uma empresa de aparelhos para a telecomunicação com Deus. As mulheres estão mais inclinadas a projetá-los e produzi-los. Já os homens se saem melhor na administração, na publicidade e no marketing. É pouco provável que abolir as especializações fosse muito vantajoso para a Igreja” (pp. 398-400).

Autor: D. Estêvão Bettencourt, Revista Pergunte e Responderemos, nº 447, 1999.



[i] Cf. P. Evdpkimov, “ La femme ET salut du monde”, in VV.AA. La Donna nella Chiesa oggi, Leumann (Turim): Elle Di Ci, 1981, pp. 128ss.

[ii] S. Kierkegaard, Diário, Brescia: Morcelliana, 1951, p. 288, Cf. R. Piret, Psicologia kdifferenziale dei sessi, Roma, 1973.


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Novena de Natal - Santo Afonso Maria de Ligório


Para acessar o link, clique aqui.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Vídeo: Católicos, regressem ao lar - II



Segundo vídeo sobre a Igreja Católica que faz parte de uma campanha de evangelização que está sendo promovida nos EUA. Maiores informações, visitem www.catholicscomehome.com


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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

GUIA PRÁTICO DA REFORMA ORTOGRÁFICA

Jan Vermeer - Dama Escrevendo uma Carta com sua Camareira


A partir de 2009 começa a vigorar as novas regras de ortografia da língua portuguesa. Pensando nisso, indicamos o link abaixo para que os interessados baixem um pequeno guia de aprendizagem das mudanças que passarão a vigorar.

Para baixá-lo, clique aqui.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Belíssima oração de Santo Agostinho


Senhor Jesus, concedei-me a graça
De conhecer-me a mim mesmo e conhecer-vos a vós
Para desejar só a vós;
Odiar-me e amar-vos,
Tudo fazer por vós,
Humilhar-me e exaltar-vos;
Só pensar em vós.
Mortificar-me e viver em vós,
E todos os acontecimentos
Receber como de vós.
Perseguir-me e seguir-vos,
E só desejar seguir-vos.
Fugir-me e refugiar-me em vós
Para conseguir ser defendido por vós.
Temer por mim e respeitar-vos,
Para ser do número de vossos escolhidos.
Desconfiar de mim e confiar em vós;
Querer obedecer por vós;
Ser atraído só por vós;
E ser pobre por vós.
Um olhar vosso, Senhor, abrasar-me-á de amor;
Chamai-me, que vos veja
E goze por toda a eternidade. Amém.

Fonte: Livro "Manual do Cristão", 1934, p. 1.039

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vídeo: Católicos, regressem ao lar



Emocionante vídeo sobre a Igreja Católica que faz parte de uma campanha de evangelização que está sendo promovida nos EUA. Maiores informações, visitem www.catholicscomehome.com


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terça-feira, 4 de novembro de 2008

MOBILIZAÇÃO EM FAVOR DA VIDA


Participe das duas enquetes abaixo, dizendo NÃO ao aborto de fetos anencéfalos. Clique nos links abaixo:

domingo, 2 de novembro de 2008

HORÓSCOPO COMPROVADAMENTE FALSO

REVISTA PERGUNTE E RESPONDEDEREMOS

DEZEMBRO 2003 Nº 498.

Em síntese: O jornal O GLOBO, de 19/08/03, publicou a notícia de que cientistas de língua inglesa acompanharam duas mil pessoas que nasceram no mesmo dia e na mesma hora, e verificaram que muito diferiam entre si no tocante à personalidade e ao currículo de vida - o que contradiz frontalmente aos ensinamentos da astrologia.

* * *

Em sua edição de 19/08/03 o jornal O GLOBO informa ter sido cientificamente comprovada a falsidade do horóscopo ou da astrologia. Eis o teor da notícia:

CIÊNCIA MOSTRA QUE PREVISÃO ASTROLÓGICA NÃO FUNCIONA

Pesquisa acompanhou duas mil pessoas nascidas em mesmo dia e hora e revelou que são muito diferentes.

LONDRES. Boas notícias para os racionais e equilibrados virginianos: cientistas acabam de comprovar que a astrologia não tem fundamento. Sua principal alegação - de que as características humanas são moldadas pela influência dos astros no momento do nascimento - acaba de ser desmentida, de uma vez por todas e além de qualquer dúvida, pelo maior estudo científico já realizado sobre o tema.

Por quatro décadas, cientistas acompanharam mais de duas mil pessoas - nascidas no mesmo dia e na mesma hora, com apenas alguns minutos de diferença. De acordo com a astrologia, essas pessoas deveriam ter características bastante similares.

O estudo teve início em Londres, em 1958. As pessoas tiveram seu desenvolvimento monitorado em intervalos regulares. Os cientistas avaliaram mais de cem diferentes características, como profissão escolhida, níveis de ansiedade, estado civil, agressividade, sociabilidade, QI, além de habilidades em artes, esportes e matemática - todas que, segundo astrólogos, poderiam ser estimadas pela conformação dos astros no momento do nascimento.

Os cientistas, entretanto, não conseguiram encontrar nenhuma prova de similaridade entre as pessoas que nasceram no mesmo horário. De acordo com artigo publicado na "Journal of Consciousness Studies":

"As condições do teste não poderiam ser melhores (...) e os resultados foram uniformemente negativos".

A análise dos dados foi feita pelo cientista Geoffrey Dean, um ex-astrólogo baseado na Austrália, e pelo psicólogo Ivan Kelly, da Universidade de Saskatchewan, no Canadá.

O resultado do estudo caiu como uma bomba entre os astrólogos que, há séculos, asseguram ser capazes de revelar aspectos importantes da personalidade e do destino das pessoas com base apenas nas informações referentes à hora e ao local de nascimento.

Roy Gillett, presidente da Associação Astrológica da Grã-Bretanha, afirmou que as conclusões deveriam ser tratadas "com extrema cautela" e acusou Dean de tentar "desacreditar a astrologia".

- A astrologia não tem mecanismo aceitável e seus princípios são inválidos - afirmou Dean, garantindo estar pronto para as críticas. – Sou provavelmente a pessoa mais odiada na astrologia porque sou considerado um vira-casaca.

COMENTANDO...

1. Em que consiste a astrologia

A astrologia e o horóscopo são cultivados desde remotas épocas antes de Cristo, ou seja, desde a civilização dos caldeus da Mesopotâmia, por volta de 2500 a.C. Pode-se explicar o surto dessa "arte" se se leva em conta que a vida humana é cheia de insegurança (nas épocas remotas ainda mais do que em nossos tempos): um dia é feliz e próspero, outro é desgraçado ou sem êxito. Ora essa versatilidade outrora era atribuída a forças superiores que influenciariam a conduta do homem; tais forças eram os astros, que os homens facilmente identificavam com divindades. Destas premissas originou-se o desejo de conhecer de antemão as circunstâncias e ocasiões em que os astros seriam favoráveis ou desfavoráveis ao homem. Conhecendo-as, o homem poderia superar a sua insegurança ou o seu medo, pois se acautelaria contra as más influências dos seres superiores.

Na época em que a astrologia começou a ser cultivada; os estudiosos pouco sabiam a respeito do sistema solar e dos astros em geral; ignoravam as distâncias dos planetas ao Sol ou à Terra; mal conheciam a natureza do Sol, da Lua e dos outros astros. Imaginavam a existência do zodíaco, isto é, de uma faixa ou de um anel que cercaria a Terra; nessa faixa mover-se-iam o Sol, a Lua, os planetas maiores e grande parte dos menores; a circunferência desse anel imaginário (360º) estaria dividida em doze segmentos (cada qual de 30°); em cada um desses segmentos existiria um compartimento chamado “casa do horóscopo”; tais compartimentos teriam o símbolo ou sinal próprio; os doze símbolos assim concebidos seriam os sinais do zodíaco (do grego zódion, figura de animal ou de vivente), que assim eram (e são) denominados: Carneiro, Touro, Gêmeos (irmãos), Câncer (caranguejo), Leão, Virgem, Balança, Escorpião, Arqueiro (Sagitário), Capricórnio (cabra ou cauda de peixe), Aquário, Peixes. Os sinais do zodíaco, reunidos em grupos de três, correspondem às estações do ano de tal modo que a primavera abrange Carneiro, Touro e Gêmeos...

2. Porque anticientífica?

Três são os principais pontos que, no caso, ocorrem à reflexão do estudioso:

1)A astrologia supõe uma mentalidade mitológica e uma realidade cósmica já superada. A sua origem está na época em que os homens se julgavam totalmente dependentes das forças da natureza; personificavam essas forças e as concebiam como deuses e demônios; adoravam o Sol e a Lua. Os predicados legendários dos deuses do Panteon grego, eles os transferiam aos planetas. O planeta mais belo foi identificado como Vênus e considerado benfazejo. A cor de sangue de Marte levou os astrólogos a qualificá-lo como deus da guerra, da peste e da morte. O planeta majestoso que leva doze anos para percorrer a abóbada celeste, é Júpiter. O último dos planetas conhecidos na antiguidade tem aspecto pálido e sinistro; leva trinta anos para percorrer as constelações do zodíaco; por isto foi chamado Saturno; identificaram-no também com Chronos, o deus que devora seus filhos; por isto aquele bloco de rochas e de gases foi tido como maléfico. Ora todos estes elementos derivados de religiosidade primitiva ainda estão na base da astrologia moderna, que diz ser científica!

2)Na verdade, a astrologia é anticientífica. Com efeito:

- Os pressupostos da astrologia e do horóscopo estão todos ultrapassados. Sim; a astrologia baseia-se na cosmologia geocêntrica de Ptolomeu: conhece "sete planetas" apenas, entre os quais é enumerado o Sol! Hoje conhecemos mais planetas e nossa visão do grande cosmo se alterou profundamente, pois passamos do geocentrismo para o heliocentrismo.

- A existência das casas do horóscopo ou dos compartimentos do zodíaco é algo de totalmente arbitrário e irreal.

- Os sinais do zodíaco não são unidades cosmológicas, mas são estrelas separadas por vastos mundos ou sistemas.

De modo geral, as figuras, os sinais, as casas, os ângulos com que lida a astrologia, só existem como tais na imaginação do homem. O retângulo da "Grande Urso" só existe na retina do homem e não na realidade do espaço; as estrelas que popularmente parecem próximas e relacionadas entre si, muitas vezes não estão no mesmo plano nem à mesma distância de nós.

- Mais ainda: há cerca de dois mil anos a passagem do Sol pelo ponto vernal (início da primavera) coincidia com a entrada do Sol no compartimento correspondente à constelação do Carneiro (Áries). Mas verifica-se que o ponto vernal retrocede sobre a eclíptica[1] segundo o ritmo de 50",26 por ano, ou seja, de 30º (um sinal do zodíaco) em 2.150 anos. Nos tempos atuais, quando se inicia a primavera, o Sol já ultrapassou a metade da constelação dos Peixes, mas continua-se a dizer que ele então entra na casa do Carneiro. Existe, pois, uma defasagem entre os nomes das pretensas casas do zodíaco e os nomes das constelações correspondentes. Serão necessários 25.790 anos para se restabelecer a coincidência entre essas pretensas casas e as constelações de que tiram o nome.

Com outras palavras: o sinal do Carneiro corresponde hoje não à constelação do Carneiro, mas à constelação dos Peixes. Por conseguinte, a pessoa a quem os astrólogos dizem: "Você nasceu sob o signo do Carneiro!", na verdade foi, ao nascer, irradiada pela constelação dos Peixes. Não obstante, dar-se-Ihe-á o horóscopo do Carneiro! Esta verificação por si só evidencia quão pouco científica ou quão anticientífica vem a ser a horoscopia.

- Hoje se sabe que os astros existentes no cosmo são quase inumeráveis: conhecem-se interferências dos mesmos no espaço e nos planetas que outrora se ignoravam. É notório também o fato de que os astros modificam incessantemente a sua posição no espaço. Por que então a astrologia leva em conta a influência de uma constelação apenas?

- Por último, merece atenção a desigualdade de sortes de crianças nascidas no mesmo lugar e no mesmo instante, até mesmo dos gêmeos. Se os astros regem a vida dos homens, como não a regem uniformemente no caso citado?

É por ser anticientífica (dada à fantasia exuberante e primitiva) que a astrologia não encontra aceitação por parte dos astrônomos ou dos homens de ciência. Estes, ao descobrirem mais e mais a existência, a distância, a composição, as transformações e atividades dos planetas e das estrelas, verificam que as afirmações dos astrólogos são arbitrárias ou mesmo falsas.

[1] Eclíptica em astronomia é o círculo da esfera celeste que corta o Equador, formando com ele um ângulo de 23º28’, e que corresponde à órbita aparente do Sol em volta da Terra.

José Roldão


[1] Eclíptica em astronomia é o círculo da esfera celeste que corta o Equador, formando com ele um ângulo de 23º28’, e que corresponde à órbita aparente do Sol em volta da Terra.

Autor: D. Estêvão Bettencourt, OSB

Fonte: http://www.presbiteros.com.br/Apologetica/Horoscopo.htm#_ftn1