domingo, 16 de agosto de 2009

Poder Magisterial: assistência infalível e assistência prudencial

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Beato Pio IX, que proclamou o Dogma da Infalibilidade Pontifícia

 

Apresentamos abaixo um subcapítulo do ótimo livro "Igreja e Anti-Igreja" de Paulo Rodrigues. O texto se refere a delimitar onde há infalibilidade nas declarações pontifícias e onde há assistência prudencial do Espírito Santo, em maior ou menor grau. Apesar de alguns exemplos dados pelo autor estarem desatualizados (como a excomunhão dos lefrebvristas), os princípios elencados continuam válidos. Para ler, clique aqui para baixar o arquivo.

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Dados do excerto:

Livro: Igreja e Anti-Igreja - teologia da libertação.
Autor: Paulo Rodrigues. Um amor e duas obediências (3).
Páginas: 163 a 181.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Passagens bíblicas para responder ao protestantismo - Pe. Matos Soares

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CITAÇÕES POR ORDEM ALFABÉTICA

DOS TEXTOS DA BÍBLIA QUE CONSTITUEM O DOGMA CATÓLICO CONTRA OS ERROS PROTESTANTES


Absolvição
· O poder de dar a absolvição prometido e concedido aos pastores da Igreja: Mt 16, 19; 18, 18; Jo 20, 22-23.


Anjos
· Somos confiados à sua guarda: Mt 18, 10; Hb 1, 14; Ex 23, 20-21; Sl 90, 11-12;.
· Oferecem as nossas orações: Ap 8.
· Rogam por nós: Zc 1,12.
· Estamos em comunhão com eles: Hb 12, 22.
· Foram venerados pelos servos de Deus: Js 5, 14-15.
· Também foram invocados: Gn 48, 15-16; Os 12, 4; Ap 1, 4.


Batismo
· É ordenado por Jesus Cristo: Mt 28, 19.
· Necessário para a salvação: Jo 3, 5.
· Administrado pelos Apóstolos com água: At 8, 36-38; 10, 47-48.
· Além disto: Ef 5, 26; Hb 10, 22; 1Pd 3, 20-2.
· Quanto ao batismo das crianças: Lc 18,16 comparado com Jo 3, 5.


Chefes ou governadores da Igreja e a sua autoridade
· Dt 18, 8-9; Mt 18, 17-18; 28, 18-20; Lc 10, 16; Jo 14, 16-17-26; 16, 13; 20, 21; Ef 4, 11-12; Hb 13, 7-17; 1Jo 4, 6.


Cristo (Jesus)
· É o Filho unigênito de Deus, o verdadeiro Filho de Deus por natureza, o único gerado de Deus: Mt 16, 16; Jo 1, 14; 3, 16-18; Rm 8, 32; 1Jo 4, 9.
· O mesmo Deus que seu Pai e igual a Ele: Jo 5, 18-19-23; 10,30; 14, 9s; 16, 14-15; 17, 10; Fl 2, 5-6;
· Verdadeiro Deus: Jo 1, 1; 20, 28-29; At 20, 25; Rm 9, 5; Tt 2, 13; 1Jo 3, 16; 5, 20; além disto: Is 9, 6; 35, 4-5; Mt 1, 23; Lc 1, 16-17; Hb 1, 8.
· É o criador de todas as coisas: Jo 1, 3-10-11; Cl 1, 5-16-17; Hb 1, 2-10-12; 3, 4.
· O Senhor da Glória: 1Cor 2, 8.
· O Rei dos reis e Senhor dos senhores: Ap 17, 4; 19, 16.
· O primeiro e o último, o alfa e o ômega, o princípio e o fim, o Onipotente: Ap 1, 8-17; 22, 12-13.
· Morreu por todos: Jo 3, 13-17; Rm 5, 18; 2Cor 5, 14-15; 1Tm 2, 3-6; 4, 10; Hb 2, 9; 1Jo 2, 1-2; também pelos condenados: Rm 14, 15; 1Cor 8, 11; 2Pd 2,1.


Comunhão
· Sob uma só espécie é suficiente para a salvação: Jo 6, 55-57-58.
· O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo são agora inseparáveis: Rm 6, 9.
· Menção de uma espécie unicamente: Lc 24, 30-31; At 20, 7; 1Cor 10, 17.


Concílios da Igreja
· São assistidos por Cristo: Mt 18, 20; e pelo Espírito Santo: At 15, 28.
· Seus decretos devem ser cuidadosamente observados pelos fiéis: At 15, 41; 16, 4.


Confissão dos pecados
· Confessar os pecados: Nm 5, 6-7; Mt 3, 6; At 19, 18; Tg 5, 16.
· A obrigação da confissão é uma conseqüência do poder judiciário de atar e desatar, de reter os pecados, dada aos pastores da Igreja de Cristo: Mt 18, 18; Jo 20, 22-23.


Confirmação
· Foi administrada pelos apóstolos: At 8, 15-17; 19, 6; 2Cor 1, 21-22; Hb 6, 2.


Continência
· É possível: Mt 19, 11-12.
· O voto que se faz obriga: Dt 23, 21.
· A transgressão do voto é condenável: 1Tm 5, 12.
· A prática é recomendada: 1Cor 8, 8-27-37-38-40.
· Quanto aos motivos que respeitam particularmente ao clero: 1Cor 7, 32-33-35.


Escritura Sagrada
· É difícil de compreender, e muitos lhe dão, hoje em diante, este sentido para sua própria perdição: 2Pd 3, 16.
· Não deve explicar-se por uma interpretação particular: 2Pd 1, 20.
· É alterada pelos hereges: Mt 19, 11.


Espírito Santo
· Sua divindade: At 5, 3-4; 28, 25-26; 1Cor 2, 10-11; 6, 11-19-20; vide também: Mt 12, 31-32.
· A fórmula do Batismo: Mt 28, 19-20.
· Procede do Pai e do Filho: Jo 15, 26.


Eucaristia
· A presença real do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, e a transubstanciação provadas por: Mt 26, 26; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19; Jo 6, 51-52s; 1Cor 10, 16; 11, 21-24-25-27-29.


Unção dos Enfermos
· Tg 5, 14-15.


Fé
· A verdadeira fé é necessária à salvação: Mc 16, 16; At 2, 47; 4, 12; Hb 11, 6.
· A fé sem as boas obras é uma fé morta: Tg 2, 14-17-20.
· A fé só não justifica: Tg 2, 24.
· Mas a fé obrando pela caridade: Gl 5, 6.
· A fé não implica a certeza absoluta do estado de graça, e muito menos ainda da salvação eterna: Rm 11, 20-22; 1Cor 9, 27; 10, 12; Fl 2, 2; Ap 3, 11.


Igreja (a) de Jesus Cristo
· Existirá para sempre: Mt 16, 18; 28, 20; Jo 16, 16-17; Sl 47, 9; 71, 5-7; 88, 3-4-20-36-37; 131, 13-14; Is 9, 7; 54, 9-10; 59, 20-21; 60, 15-18s; 62, 6; Jr 31, 21-26; 33, 17s; Ez 37, 21-26; Dn 2, 44.
· A Igreja é o Reino de Cristo: Lc 1, 33; Dn 2, 44.
· A cidade do grande Rei: Sl 47, 2.
· Seu descanso e sua habitação para sempre: Sl 131, 13-14.
· A casa de Deus vivo: 1Tm 3,15.
· O aprisco da qual Cristo é o pastor: Jo 10, 13.
· corpo da qual Cristo é a cabeça: Cl 1, 18; Ef 5, 23.
· A esposa da qual é o esposo: Ef 5, 31-32.
· Está sempre sujeita a Ele e sempre amada e fiel para com Ele: Ef 5, 24.
· Sempre amada e querida dEle: Ef 5, 25-29.
· E unida a Ele por uma união indissolúvel: Ef 5, 31-32.
· A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade: 1Tm 3, 15.
· O pacto de Deus com Ela é uma pacto de paz: Ez 37, 26.
· Pacto confirmado por um juramento solene, imutável como aquele que fez com o Patriarca Noé: Is 54, 9.
· Como o que fez com o dia e com a noite por todas as gerações: Jr 33, 20-21.
· Deus será sua eterna luz: Is 60, 18-19.
· Todos os que se juntarem contra Ela cairão, e a nação que a não queira servir perecerá: Is 60, 12-15-17.
· A Igreja é sempre uma: Ct 6, 9; Jo 10, 16; Ef 2, 23; Mq 4, 12; Mt 5, 14.
· Estende-se por toda a parte e ensina um grande número de nações: Sl 2, 8; 21, 28; Is 49, 6; 54, 1-3; Dn 2, 35-44; Ml 1, 11s.
· A Igreja é infalível em matéria de fé, é uma conseqüência das promessas divinas que lhe têm sido feitas; vide em particular: Mt 16, 18; 28, 19-20; Jo 14, 16-17-26; 16, 13; 1Tm 3, 14-15; Is 35, 8; 54, 9-10;


Imagens
· Recomendadas por Deus: Ex 25, 18s; Nm 21, 8-9.
· Colocada dos dois lados do propiciatório no Tabernáculo: Ex 37, 7.
· E no templo de Salomão: 2Cr 3, 10-11; 3Rs 6, 23.
· E isto por um mandamento divino: 1Cr 28, 18.
· Veneração relativa às imagens de Jesus Cristo e dos Santos autorizada: Hb 11, 21; vide também: 2Rs 6, 12-16; 2Cr 5, 2s; Sl 98, 5; Fl 2, 10.


Indulgências
· Poder de as conceder Mt 16, 18-19.
· Uso deste poder: 2Cor 2, 6-8-10.


Inferno
· Eternidade das penas: Mt 3, 12; 25, 41-46; Mc 9, 43-46-48; Lc 3, 17; 2Ts 1, 7-9; Jd 6-7; Ap 14, 10-11; 20, 10; vide igualmente: Is 33, 14.


Jejum
· É recomendado na Escritura: Jl 2, 12.
· Praticado pelos servos de Deus: Esd 8, 23; 2Esd 1, 4; Dn 10, 3-7-12s.
· Leva Deus a usar de misericórdia: Jn 3, 5s.
· É de grande eficácia contra demônio: Mc 9, 28.
· Deve ser observado por todos os filhos de Jesus Cristo: Mt 9, 15; Mc 2, 10; Lc 5, 35; vide também: At 13, 3; 14, 22; 2Cor 6, 5; 11, 27.
· Jejum de Jesus de quarenta dias: Mt 4, 2.


Livre arbítrio
· Gn 7; Dt 30, 19; Eclo 15, 14.
· Resiste freqüentemente à graça de Deus: Pr 1, 24s; Is 5, 4; Ez 18, 23-31-32; 33, 11; Mt 23, 37; Lc 13, 34; At 7, 51; Hb 12, 15; 2Pd 3, 9; Ap 20, 4.


Matrimônio
· Sacramento representando a união de Jesus Cristo e da Igreja: Ef 5, 32; vide igualmente: 1Ts 4, 3-5.
· O casamento não deve ser dissolvido senão por morte: Gn 2, 21; Mt 19, 6; Mc 10, 11-12; Lc 16, 18; Rm 7, 2-3; 1Cor 7, 10-11-39.


Missa
· O sacrifício da Missa figurado antecipadamente: Gn 19, 18.
· Predito: Ml 1, 10-11.
· Instituído e celebrado pelo próprio Jesus Cristo: Lc 22, 19-20.
· Atestado: 1Cor 10, 16-18-21; Hb 13, 10.


Mulheres
· Não devem pregar nem ensinar: 1Cor 14, 34-35-37; 1Tm 2, 11-12.


Obras (boas)
· As boas obras meritórias: Gn 4, 7; Sl 17, 21-23-24; 18, 8-11; Mt 5, 11-12; 10, 42; 16, 27; 1Cor 3, 8; 2Tm 4, 8.


Orações
· Pelos defuntos: 2Mc 12, 43s.


Ordens (Sacras)

· Foram instituídas por Jesus Cristo: Lc 22, 19; Jo 20, 22-23.
· Conferidas pela imposição de mãos: At 6, 6; 13, 3; 14, 22.
· Dão graças: 1Tm 4, 14; 2Tm 1, 6.


Papa ou Bispo
· Chefe dos outros bispos; São Pedro foi elevado a esta dignidade pelo próprio Jesus Cristo: Mt 16, 18-19; Lc 22, 31-32; Jo 21, 15-17s; vide igualmente: Mt 10, 2; At 5, 29; Gl 2, 7-8.


Pecado original
· Jó 14, 4; Sl 50, 7; Rm 5, 12-15-19; 1Cor 15, 21-22; Ef 2, 3.


Purgatório
· Purgatório ou estado médio das almas, sofrendo por certo tempo em expiação de seus pecados; é provado por numerosos textos da Escritura que afirmam que Deus pagará a cada um segundo as suas obras, de tal sorte que aqueles que morrem estando culpados mesmo das menores faltas, não escapam do castigo. Quanto a isso vide também: Mt 12, 32; Ap 21, 27; assim como: Mt 5, 25-26; 1Cor 3, 13-15; 1Pd 3, 18-20; 2Mc 12, 45.


Relíquias Milagrosas
· 4Rs 13, 4-20-21; Mt 9, 21-29; At 9, 11-12.


Santos
· Os Santos deixaram este mundo, socorrem-nos por suas orações: Lc 16, 9; 1Cor 12, 2; Ap 5, 8.
· Estamos em comunhão com eles: Hb 12, 22-23.
· Têm um poder sobre as nações: Ap 2, 26-27; 5, 10.
· Sabe o que se passa entre nós: Lc 15, 10; 1Cor 13, 12; 1Jo 3, 2.
· Estão, pois, com Cristo no céu antes da ressurreição geral: 2Cor 5, 1-6-8; Fl 1, 23-24; Ap 4, 4; 6, 9; 7, 9-15s; 14, 1-3-4; 19, 1-4-6; 20, 4.
· Quanto à sua invocação convém consultar os textos citados a respeito dos anjos, ou os que, mostrando o grande poder que têm para com Deus as orações dos seus servos, nos autorizam por isto mesmo a implorar suas orações; para isso vide: Ex 31, 11-14.


Tradições Apostólicas
· 1Cor 11, 2; 2Ts 2, 5-14; 3, 6; 2Tm 1, 13; 2, 2; 3, 14; vide também: Dt 32, 7; Sl 19, 5-7.


Virgem Maria (a Bem-Aventurada)
· Sua dignidade: Lc 1, 28-42-43.
· Todas as gerações dos verdadeiros cristãos a chamarão bem-aventurada: Lc 1, 48.
· Quanto aos direitos que tem de ser venerada e invocada vide o que está dito a respeito dos anjos e santos.

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Fonte: Bíblia Sagrada (Vulgata do Pe. Matos Soares,1960, p. 1499-1501)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Como ganhar paciência - Pe. Francisco Faus

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                         Jó e seus amigos - Gustave Doré

 

A caridade é paciente (1Cor 13,4)

O grande alicerce da vida cristã é o primeiro mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”. E o segundo mandamento é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Cf. Mc 12,29-30).

Amar a Deus e amar o próximo como a nós mesmos, melhor ainda, como Cristo nos amou – amai-vos uns aos outros como eu vos amei; ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos (Jo 15,12- 13) –, este é o pilar firmíssimo da vida do cristão, este é o ideal de vida que nos faz sintonizar com Deus, e andar pelas suas veredas.

Quando procuramos andar por essas veredas – unidos a Cristo, com o auxílio da graça do Espírito Santo –descobrimos que a única coisa que as pessoas nos estão pedindo a toda a hora (mesmo quando não nos pedem nada) é precisamente o nosso amor: um carinho que seja reflexo do amor misericordioso de Jesus, que seja capaz de compreendê-los, de desculpá-los, de perdoá-los, de dar-se sem cálculos nem mesquinharias.

Quando nos decidimos a ser generosos assim com os demais, ficamos pasmados ao perceber que cada vez há menos coisas que nos contrariam e nos fazem perder a paciência. E isto é assim porque cada vez se torna menor o egoísmo, esse vício demolidor do amor.

Façamos uma pequena experiência. Escrevamos em forma de lista todas as coisas que, na última semana, nos aborreceram e mexeram com a nossa paciência. A seguir, diante de cada item, anotemos uma pergunta: que tipo de amor (de amor generoso e sacrificado) Deus me pedia aí? E prossigamos a experiência, imaginando: se eu tivesse vivido naquele momento o tipo certo de amor, teria havido impaciência? A resposta seria, naturalmente, “não”. Não haveria impaciência se eu tivesse amado. Talvez possamos retrucar: “Mas é que eu não sou santo” – o que é verdade –, mas o que não poderemos dizer nunca honestamente é que ali havia uma contrariedade que o amor não podia superar.

Na realidade, todos os exercícios de paciência consistem em exercícios de amor. Conheço várias pessoas – graças a Deus conheço muita gente boa – que, ao voltarem a casa com toda a carga do cansaço do dia, vão rezando o terço no trânsito ou carregam consigo um livro de pensamentos espirituais, para lerem e meditarem uma ou outra frase ao pararem no semáforo demorado ou no engarrafamento incontornável. Ao mesmo tempo, vão espremendo os seus cansados miolos, tentando concretizar: “Que iniciativa, que detalhe, que palavra posso preparar para que a minha chegada a casa seja um motivo de alegria para a minha mulher, ou para o meu marido, e para os meus filhos?” E, assim, homens e mulheres cujo retorno ao lar era antes soturno e irritado, tornam-se – em virtude do amor a Deus e aos outros, que se esforçam por cultivar – corações pacientes, que espalham a paz e a alegria à sua volta.

Exercícios de paciência

É inútil pensar que existem “truques” ou “técnicas” que sirvam para viver a paciência, se o egoísmo ainda tem o ninho no nosso coração. Com esse hóspede indesejável, não adianta qualquer tentativa. Mas se há amor, então vão-nos ocorrendo mil maneiras de exercitar a paciência, bem práticas, simples, bonitas... e eficazes.

Quem tem experiência da luta por viver com Deus, sabe que o amor cristão se mexe movido por duas asas: a da oração e a da mortificação. Por isso, todo o exercício da virtude cristã da paciência comportará necessariamente o movimento de uma dessas asas ou, o que será mais freqüente, de ambas ao mesmo tempo.

Em primeiro lugar, a oração. O cristão paciente procura falar antes com Deus do que com os homens. Quando se sente à beira de uma crise de impaciência – pois ia retrucar, censurar, gritar, queixar-se... –, faz o esforço de se calar. Alguns recomendam contar até vinte, antes de abrir a boca. Melhor será fazer o sacrifício de guardar silêncio, de sair, se for preciso, de perto do foco do atrito (ir para outro cômodo, etc.), e de rezar bem devagar alguma oração, como por exemplo o Pai-Nosso (sublinhando mentalmente as palavras-chave que acordarão a fé e o amor e, portanto, trarão calma e lucidez à alma: Pai, ...seja feita a vossa vontade..., perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...).

Após essa oração, que pode ser também uma seqüência de jaculatórias, de invocações breves, pedindo paciência a Deus, e já com a alma mais tranqüila, poderemos discernir o que nos convém fazer: se é deixarmos passar, sem mais, aquele dissabor, aquela contrariedade; ou se é praticar o que lemos no n. 10 do livro Caminho: “Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranqüilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender”(Josemaría Escrivá, Caminho, 7ª ed., Quadrante, São Paulo, 1989); ou, ainda, se é tomar a iniciativa de ter um gesto simpático – um afago para a esposa ou a filha; uma palavra amável, que quebre o gelo com aquele que nos causou mal-estar. Não duvidemos de que o esforço de guardar silêncio, unido ao esforço de fazer oração, sempre conduzirá os que lutam com boa vontade para a paciência, para a paciência real e prática.

Ao lado da oração, mas sem largá-la da mão, o cristão exercita a paciência por meio da prática voluntária, consciente, amorosa, de um sem-fim de pequenos sacrifícios, que são uma gota de paz, de afabilidade, de bondade, sobre as incipientes ebulições da impaciência. Talvez não seja demais lembrar, a título de sugestão para o leitor, algumas dessas mortificações cristãs, que diariamente podemos oferecer a Deus:

1) fazer o esforço de escutar pacientemente a todos (ao menos durante um tempo prudencial), sem deixar que se apague o sorriso dos lábios, nem permitir que os olhos adquiram a inexpressiva fixidez, prelúdio de bocejo, de um peixe;

2) não andar comentando a toda a hora e com todos, sem razão plausível nem necessidade, as nossas gripes, as nossas dores de cabeça ou de fígado nem, em geral, qualquer outro tipo de mal-estar pessoal: propor-nos firmemente não nos queixarmos da saúde, do calor ou do frio, do abafamento no ônibus lotado, do tempo que levamos sem comer nada...

3) renunciar decididamente a utilizar os verbetes típicos do Dicionário da Impaciência: “Você sempre faz isso!”, “De novo, mulher, já é a terceira vez que você passa um cheque sem fundos!”, “Outra vez!”, “Já estou cansado”, etc., etc.;

4) evitar cobranças insistentes e antipáticas, e prontificar-nos a ajudar os outros, usando mais vezes do expediente afável de lembrar-lhes as coisas que omitiram ou atrasaram e de estimulá-los a fazê-las;

5) não implicar – não vale a pena! – com pequenos maus hábitos ou cacoetes dos outros, mas deixá-los passar como quem nem repara neles: mania de bater na cadeira ou de tamborilar com os dedos na mesa, tendência para ler por cima do ombro o jornal que nós estamos lendo, de fazer ruído com a boca, de cantarolar horrivelmente enquanto se lê ou se trabalha... Lembro-me bem da “guerra fria” que se travou entre uma filha cinqüentona e um pai quase oitentão, e na qual fui chamado a intervir como mediador. Ela sustentava que o pai vivia gemendo, ele retrucava dizendo que “não, senhora, estou é cantarolando”... E, se não tivesse havido a intervenção de uma “potência neutra”, o atrito poderia ter terminado muito mal;

6) saber repetir calmamente as nossas explicações a quem não as entende e se mostra porfiadamente obtuso; ter a calma de partir do bê-á-bá para esclarecer assuntos técnicos a pessoas que os desconhecem e não têm vocação para lidar com cálculos e máquinas;

7) não buzinar na rua quando alguém reduz a marcha do veículo e estaciona inopinadamente; por sinal, se o leitor deseja um bom conselho para praticar a paciência no trânsito, ofereço-lhe o seguinte, que já deu muito bons resultados: nunca olhe para a cara do “agressor”, do motorista “barbeiro”. Continue serenamente o seu percurso sem ficar sabendo se era homem ou mulher, jovem ou velho: vai ver que é difícil ficar com raiva de uma sombra indefinida; e se, além disso, passada a primeira reação, se lembra de rezar ao Anjo da Guarda por ele/ela, para que se torne mais prudente, mais hábil ou menos prepotente, melhor ainda;

8) por último, permito-me repisar a importância da oração para adquirir a paciência, evocando a simpática surpresa de uma mãe impaciente que se tornou “rezadora”. Aquela mulher de nervos frágeis tinha-se proposto rezar a Nossa Senhora a jaculatória: “Mãe de misericórdia, rogai por nós (por mim e por esse moleque danado)” a cada grito das crianças. Quando começava a ferver uma crise conjugal, tinha igualmente “preparada” uma oração própria que dizia: “Meu Deus, que eu veja aí a cruz e saiba oferecer-Vos essa contrariedade! Rainha da paz, rogai por nós!” E quando ia ficando enervada e ríspida, rezava: “Maria..., vida, doçura e esperança nossa, rogai por mim!” Depois comentava com certo espanto: – “Sabe que dá certo? Fico mais calma!” E ficava mesmo.

Como vemos, nem essa boa mãe, nem as outras pessoas acima evocadas como exemplo, conseguiam viver a paciência à base de truques de “pensamento positivo”, mas de esforços de fé e de amor cristão. De maneira que, sem terem a mínima noção disso, todas elas estavam dando a razão a São Tomás de Aquino que, com o seu habitual laconismo, sintetizou assim a questão: “É evidente que a paciência é causada pelo amor”, ou, por outras palavras que traduzem com igual precisão as do santo: “Só o amor é causa da paciência”(Suma Teológica, II-II, q. 136, a. 3, c.).

(Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: A paciência)

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Fonte: http://padrefaus.googlepages.com/paci%C3%AAncia

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Oração em línguas

 

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"Muitos grupos carismáticos têm ensinado os fiéis a falar em línguas! Isto é um claro absurdo, pois se o Dom vem do Espírito Santo não pode ser ensinado e nem fabricado."(Continue a ler aqui).

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"O modo como a RCC entende a oração em línguas é, sim, algo novo na teologia mística. Não há um só caso, que eu saiba, sobre tal fenômeno. Os maiores especialistas do assunto (Tanquerey, por exemplo) não o citam.
Isso não quer dizer que a oração em línguas não exista nem que a RCC esteja errada. Apenas que nos dá o direito de, como católicos, em um ponto controverso, ter uma posição distinta da RCC. A oração em línguas e mesmo a contemporaneidade dos dons extraordinários NÃO são verdades de fé. Pode-se acreditar ou não. Ninguém é menos ou mais católico por crer na oração em línguas tal qual praticada na RCC." (Continue a ler aqui).

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"Resumindo: as línguas são um dom mencionado na Bíblia, mas encontra-se pouco apoio bíblico para a assim chamada 'oração pessoal em línguas' ou 'oração extática'. Além disso, as maiorias dos carismáticos praticam a oração em línguas impropriamente, ao contrário das regras colocadas por S. Paulo. Em terceiro lugar, a Renovação Carismática Católica tem certas influências pentecostais protestantes. Quarto, línguas, de acordo com S. Paulo, é o menor do todos os dons. Os carismáticos tendem a supervalorizar este dom, e freqüentemente o chamam de um 'portal para os outros dons'." (Continue a ler aqui).

 

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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Polifonia Sacra - "Anima Christi"

 

Magnífica composição, cuja letra é uma oração  frequentemente atribuída a Santo Inácio de Loyola.

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Anima Christi, sanctifica me.
Corpus Christi, salva me.
Sanguis Christi, inebria me.
Aqua lateris Christi, lava me.
Passio Christi, conforta me.
O bone Jesu, exaudi me.
Intra tua vulnera absconde me.
Ne permittas me separari a te.
Ab hoste maligno defende me.
In hora mortis meae voca me.
Et iube me venire ad te,
Ut cum Sanctis tuis laudem te.
In saecula saeculorum.
Amen
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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Alma gêmea, esse mito...

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Mito estúpido e venenoso, o da alma irmã criada especialmente para cada um de nós e que é suficiente encontrar para realizar na terra o paraíso do amor. Sem dúvida, um mínimo de harmonia pré-estabelecida é indispensável á eclosão de um grande amor, mas este mínimo de consonância entre as almas pode ser realizado a priori por centenas de mulheres em relação a um homem e por centenas de homens em relação a uma mulher. É precisa toda a candura da juventude e uma completa ignorância da vida para desconhecer esta verdade. É preciso também muito orgulho: julgar-se único e solitário como um deus a quem só um outro deus, igualmente único e solitário, pode compreender e amar.

Um só Tristão para uma só Isolda: divinização do amor humano que, como todas as idolatrias, conduz em linha recta à destruição do ídolo. D. João é filho de Tristão e parece-se tremendamente com o seu pai. Ambos se encontram cativos do mito do amante único e perfeito, preparado de antemão pelo destino: um imagina possuí-lo, outro procura-o. Ambos crêem no absoluto, no paraíso do amor, mas num paraíso gratuito e terreno, criado pelo mero encontro e pela simples presença.

Na realidade a harmonia única e insubstituível entre duas almas, não é mais, na hora do encontro, que um começo indeterminado no meio de uma ganga de ilusão. É da comunhão quotidiana, das alegrias, das dores, dos esforços e sacrifícios partilhados que ela tirará depois a sua forma precisa e imutável. “A alma irmã”, “a metade de nós mesmos”, não é dada a priori, mas posteriori: são o nosso amor e a nossa fidelidade que a criam. Ela poderia ter sido outra, mas, depois da prova do amor, ela só podia ter sido essa. A esposa única merece-se. A verdadeira monogamia, isto é, a fusão de dois destinos, encontra-se mais no termo do que na origem do amor.

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Livro:O QUE DEUS UNIU, p. 179-180

Autor: Gustave Thibon

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Reinado de Cristo

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Por Prof. Pedro M. da Cruz.
 
“De repente, os perseguidores da Igreja de Jesus Cristo e de todos os homens entregues ao pecado perecerão...” ( Nossa Senhora de La Salette – 1846)
“O que procurais?” Interpela-nos, novamente, o Cordeiro redivivo.[i]É essencial termos clareza de nossos objetivos, caso contrário, seremos como um mundo vago e às escuras. Se carecemos de meta e resolução, nos tornamos como destroços de um navio naufragado, arrastados pelo curso dos acontecimentos. Nesta perspectiva surgem as indagações: o que pretendemos com a pregação do Evangelho? Que fulano ou beltrano se convertam, e nada mais? Será que nosso escopo é, tão somente, uma sociedade mais justa, apesar das péssimas diferenças ideológicas? Buscar-se-ia, talvez, uma preparação para o Além, muitas vezes, firmada num desprezo gnóstico pelas coisas materiais, ou quiçá, um mal compreendido conforto metafísico? Qual o fim último de todos os nossos esforços? Por que trabalhamos? Qual o nosso objetivo?
Um alvo é necessário! Não podemos andar tateando, sem rumo, procurando certas melhorias aqui e acolá, como se o cristianismo fosse um mero “tapa buraco”. Sejamos claros, claríssimos: o que queremos é a transformação do mundo! Sim, de todo o mundo! Com todo o complexo de suas culturas e instituições; aniquilarmos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativar todo pensamento, reduzindo-o à obediência a Cristo[ii]; queremos uma ordem mundial que exista perfeitamente à luz do Evangelho, o Reino de Deus na terra, uma prefiguração da Sociedade Celeste.[iii]
Sabemos que o reinado temporal de Cristo, ainda que glorioso nesta terra, será uma mera sombra embaçada da futura realidade escatológica, onde todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra, reunir-se-ão no Verbo encarnado para celebração da glória de Deus;[iv] mesmo assim, é imperativo que este mundo preste tributo ao Rei vitorioso, existindo ao máximo, no que lhe é possível, segundo a verdade de seus sublimes ensinamentos. “Christus vincit! Christus regnat! Christus ímperat!”[v]
Como podemos perceber, a Igreja possui um alto ideal de sociedade humana; de um Estado perfeitamente cristão. Ali, as nações não terão senão um único Deus, assim como, uma única fé, um único Batismo, e uma única Religião. As duas autoridades - temporal e espiritual – devidamente unidas entre sí, e reconhecendo seus legítimos limites de atuação, marcharão à luz do Evangelho com o firme propósito de sempre atuarem em plena conformidade com os ensinamentos do Divino Mestre .[vi]
Obviamente, que a Igreja fundada pelo Filho de Deus, mãe e mestra sapientíssima da verdade, sabe o momento propício de exigir dos homens aquilo que eles podem conceder. Deste modo, mesmo entendendo que a ordem social cristã seja a mais perfeita para o mundo, não afirma, no entanto, que todas as outras tentativas de organização humana sejam completamente más, uma vez que nelas há muitas características boas, que, inclusive, por serem boas, pertencem, em sua realidade mais íntima, ao próprio Salvador.[vii] Sendo assim, muitas vezes, as tolera com destreza, tendo em vista um bem maior para o futuro.
Queremos uma Cristandade! E que esta se traduza num todo, harmoniosamente ordenado, para maior glória de Deus e salvação dos seres humanos! Por ela lutamos com entusiásmo, fiéis aos nossos pastores, a exemplo dos católicos medievais, que souberam encarnar do modo mais perfeito até então alcançado, apesar das contingências históricas, o ideal cristão de sociedade temporal. Descrevendo aquela época memorável, falava-nos Leão XIII nestes termos solenes: “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nesta época, a influência da sabedoria Cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre sí por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer.”[viii]
Mont Saint-Michel
Restauremos esta era gloriosa! E se, no passado, a cristandade brilhou com tal fulgor perante as trevas dum mundo agonizante, agora resplandecerá com ainda maior beleza e superioridade perante o neo-paganísmo hodierno que assola nosso tempo. É próprio de Deus vingar com uma grandeza superior o dom outrora rechaçado. A cristandade, uma vez restaurada, tomará contornos imponderáveis, crescendo de requinte em requinte numa sublime manifestação das perfeições infinitas de Deus. Afinal, é este o fim de todas as coisas visíveis;[ix] e o alcançará na medida em que formos cada vez mais ousados em nossa fidelidade a Cristo, Rei do universo.
Neste sentido, o cristianismo convoca cidadãos de todas as nações, não olhando a diferença dos costumes, das leis, das instituições, e não suprimindo nem destruindo nenhuma destas coisas, mas, pelo contrário, aceitando e conservando tudo aquilo que, embora diverso, tende para um só e mesmo fim glorioso.[x] Aqui, cada nacionalidade, mantendo suas legítimas peculiaridades, tranqüilamente submissas a seus governantes, esforçar-se-á por viver absorta no oceano do Evangelho, conduzida na senda da verdade pela única Igreja de Jesus Cristo. Deste modo, todos os homens e todas as coisas estariam dispostas segundo a doutrina da Igreja, formando a verdadeira e mais perfeita ordem que pode existir entre as criaturas humanas: a maravilhosa Civilização Cristã![xi] Esta é, como temos observado, a estruturação de todas as relações e instituições humanas, sem esquecermos, do próprio Estado, à luz da realeza absoluta do Filho de Deus. Então - diz-nos Nossa Senhora de La Salette - Jesus Cristo será servido, adorado e glorificado; a caridade florescerá por toda parte. Os novos reis serão o braço direito da Santa Igreja, a qual será forte, humilde, piedosa, pobre, zelosa e imitadora das virtudes de Nosso Senhor; o Evangelho será pregado por toda parte e os homens farão grandes progressos na fé.[xii]
Não corresponde este tempo magnífico à gloriosa era de Maria profetizada por São Luiz Maria Grignion de Montfort? De fato, se foi por intermédio da Santíssima Virgem que o Redentor veio ao mundo, é também por meio dela que Ele deve reinar neste mesmo mundo restaurado.[xiii] Este, caríssimos, é outro aspecto profundo do assunto por nós tratado que merece a atenção devida em outro artigo. Por hora, voltemos à nossa reflexão, sem tocarmos, por exemplo, no período tenebroso de tribulações, que após este interstício providencial, assolará os eleitos nos tempos do Anticristo, denso palco da Parusia.[xiv]
Por certo é à Igreja que pertencem os meios próprios para promover a salvação das almas; mas, a sociedade e o Estado têm os meios instrumentais para o mesmo fim, cabendo a eles, como um corpo que é conduzido por sua alma, agirem em harmoniosa conformidade com a autoridade espiritual. Por isso, escrevia-nos o grande São Pio X, que somente através da religião verdadeira poder-se-á gerar no mundo uma verdadeira civilização;[xv] o que torna, mais uma vez gritante, a certeza comprometedora de que, cabe à Igreja Católica, dada a ordem das coisas, um papel tão indubitável quanto necessário, na implantação de um sistema de coisas onde todas as ações particulares dos homens, assim como, todas as leis, costumes, instituições e manifestações artísticas da humanidade, sejam os meios ideais para alcançarmos a salvação eterna.[xvi] Com efeito, movidos por um agente mais alto e sublime, a sociedade e o Estado produzirão um efeito superior a si mesmos, para a maior glória de Deus.[xvii]
É ousada a pretensão do catolicismo! E como poderia deixar de sê-lo? Temos a convicção de que com Deus faremos proezas.[xviii]Mas, não é verdade que, ainda no fim dos tempos, encontrar-se-á o joio em meio ao trigo? Sim, foi exatamente o que nos profetizou o Mestre divino.[xix] Como pensar então numa Civilização Católica onde coexista a verdade e a mentira, o bem e o mal? Não seria um contra-senso, um disparate? Lembremo-nos, no entanto, que até mesmo a desgraça do ímpio contribui para manifestar a justiça do Pai celestial.[xx] Se, ao lado da futura cristandade, ainda encontraremos o espectro sombrio do mal, isso se dará para realçar com mais impacto a santidade dos bons. Porém, quando chegar o perfeito, o imperfeito desaparecerá,[xxi]e após a volta gloriosa do Salvador, reinará a luz absoluta e nela não haverá treva alguma.[xxii]
Finalmente, nos recordamos das sábias palavras de Leão XIII ao Cardeal Gibbons. Ele afirmava, acertadamente, que é por meio do homem que o homem deve conhecer o caminho da salvação. Não esperemos, portanto, a realização gloriosa do reinado temporal de Cristo independente de todo esforço humano. Nosso suor e nossas lágrimas regarão o solo donde nascerá a verdadeira civilização cristã. Ratifiquemos, com gravidade, que estamos diante de questões realmente cruciais! Usemos, pois, os meios humanos como se os divinos não existissem, e os divinos como se não existissem os humanos - já nos ensinava Santo Inácio de Loyola.
Se a alma cristificada participa dos sonhos do Redentor,[xxiii] então, uma conformidade de desejos se impõe; concomitantemente, querer-se-á, por exemplo, uma atmosfera cultural que favoreça, ao máximo, as melhores condições de desenvolvimento pessoal e coletivo rumo ao mais perfeito cumprimento da vontade de Deus. Ou, não seria esta a vontade de Cristo? De fato, tudo deve propiciar o culto devido ao Criador e a salvação das almas.
É óbvio – ressaltemos - que o Reino de Cristo, propriamente dito, não pertence a este mundo, Ele mesmo o afirmou categoricamente; [xxiv]sabe-se, entretanto, que há uma relação íntima entre as coisas espirituais e aquelas que se dão entre nós. A ordem temporal deve, neste sentido, prefigurar, majestosamente, as realidades sobrenaturais![xxv] Pela própria natureza das coisas, a sociedade e o Estado, assim como todas as manifestações da inteligência humana, possuem o dever gravíssimo de transformarem-se, progressivamente, numa imagem sempre mais tangível e perfeita, das inexprimíveis maravilhas celestiais. Somente assim cumprirão seu objetivo, oferecendo à criatura o auxílio necessário à consecução do fim glorioso ao qual fora chamada: a Bem-aventurança eterna!

[i] S João 1,38
[ii] II Coríntios 10, 5
[iii] Apocalipse 21, 22-23
[iv] Efésios 1,9-12
[v] Tradução: “Cristo vence! Cristo reina! Cristo impera!”
[vi] JOSE GUIMARÃES, Pe. Fernando. Conferências da assunção, Pe. Júlio Maria. I Série, 1897. São Paulo: Editora Santuário, 1988. Pg . 171. Sabemos que o sumo Pontífice possui um poder direto sobre as coisas espirituais e um poder indireto sobre as coisas temporais, enquanto dizem respeito à salvação das almas.
[vii] S. Tiago 1,17
[viii] Leão XIII, Encíclica Immortale Dei, de 1885
[ix] Romanos 1,19-21
[x] João Paulo II. Carta Apostólica sobre Santo Agostinho de Hipona. Documentos Pontifícios, Nº 210. Petrópolis: Vozes, 1986. Pg. 19. Ver também, Gaudium et Spes – 58: “A Igreja purifica e eleva incessantemente os costumes dos povos. Com as riquezas do alto ele fecunda, como que por dentro, as qualidades do espírito e os dotes de cada povo e de cada idade, fortifica-os, aperfeiçoa-os e restaura-os em Cristo.”
[xi] “Jamais se deve perder de vista que o objetivo da Igreja está na evangelização e não na civilização. Se ela civiliza, é para evangelizar.” (Pio XI ao Exmo. Sr. Roland-Gosselin / Gaudium et Spes – 58)
[xii] Conf. Revista Catolicismo, Nº 669 – Setembro 2006 – Ano LVI.
[xiii] DE MONTFORT, S. Luiz Maria Grignion. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Vírgem. 30º Edição. Petrópolis: Vozes, 2002. Fim do prefácio do Pe. F. W. Faber, e a introdução na pg. 17.
[xiv] S. Mateus 24. O texto faz referência não só às tribulações que precederão imediatamente a volta gloriosa de Cristo, como também às vicissitudes que acompanham a Igreja ao longo dos séculos. Mesmo no tempo em que se implantará uma era mais gloriosa para a Igreja, estará em efervescência no íntimo dos maus os complôs, aqui e acolá insinuados, contra a justiça implantada por Deus entre os homens, que por não ser absoluta, e sim profético- escatológica, se esfriará devido à apatia e cegueira dos bons. Mas, as coisas seriam mais diferentes se os homens fossem melhores e correspondessem à graça do bom Deus... no mais, a única ordem absoluta é o Reino de Deus na eternidade.
[xv] Carta ao Episcopado Francês, de 28 de Agosto de 1910, sobre “Le Sillon”
[xvi] Explica-nos o Vaticano II que a Comunidade política existe por causa de um bem comum, e que este compreende o conjunto daquelas condições de vida social, que permitam aos homens, às famílias e às sociedades poderem conseguir mais fácil e desembaraçadamente a própria perfeição. (Gaudium et Spes – 74)
[xvii] DE OLIVEIRA, Plinio Corrêa. Revolução e Contra-Revolução. 4º Edição em Português. São Paulo: Artpress, 1998. Pg. 60.
[xviii] Salmo 107, 14 (Heb.108)
[xix] S. Mateus 13,41
[xx] Provérbios 16,4; Romanos 9,21-24
[xxi] I Coríntios 13,10
[xxii] I S. João 1, 5
[xxiii] S. João 17, 21-23
[xxiv] S. João 18, 36
[xxv] Basta observar, por exemplo, a relação que se faz entre Jerusalém e a glória eterna. Conf. Apo. 21; e também: Sal.19,1: “ Narram os céus a glória de Deus ...”

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Bispo defende Comunhão na boca e de joelhos


Athanasius Schneider, O.R.C., Bispo Auxiliar de Karaganda no Cazaquistão, nasceu em 1961, no Quirguistão (Ásia Central), para onde seus pais haviam sido deportados e onde foram obrigados a trabalhos forçados. No presente vídeo, Sua Excelência narra fatos edificantes e nos dá uma atualização da sua obra "Dominus Est" (publicado em sua versão original em italiano pela Libreria Editrice Vaticana em janeiro de 2008).
Em Portugal, foi publicada em setembro de 2008 pela Ed. Caminhos Romanos-Unipessoal Ltda., Porto (para informações ac.azeredo@hotmail.com). E no Brasil foi lançada no mês de maio 2009 pela Editora Raboni (http://www.raboni.com.br).

Rezemos pelos sacerdotes - 02

 

Paulo Oliveira

Querem saber porque precisamos de um ano sacerdotal? Assistam ao vídeo acima. Nele, o padre jesuíta Saju George dança uma canção de culto à Shiva, uma das divindades do Induísmo. O fato se dá no presbitério de uma igreja de Viena (uma abominação do templo do Senhor), onde só se deveria prestar culto ao único Deus vivo e verdadeiro. Apesar de já ter sido divulgado em outros blogs católicos, quis aqui colocá-lo para trazer-lhes uma nova reflexão. É que o padre Saju não deve estar lendo a vida dos seus confrades jesuítas dos tempos antigos, pois vem-me à memória a vida de São João de Brito, também jesuíta e mártir. Enquanto Pe. Saju dança à deusa Shiva, S. João de Brito foi condenado à morte por... não prestar culto à deusa Shiva! Leiam o trecho que relata esta passagem na vida do glorioso mártir.

"Preso [João de Brito] juntamente com os catequistas, fê-los o comandante açoitar de modo muito cruel, querendo obrigá-los a invocar um deus dizendo Shiva, Shiva.

Por fim, carregando-os de grilhões, amarraram o P. Brito no meio da praça ao cepo dos parias, e assim ficou, toda aquela noite e o dia seguinte, até depois do meio-dia, exposto às vaias. Depois os levaram a uma fortaleza, usando os gentios de grandíssima crueldade durante o caminho. Chegados aí, quiseram outra vez obrigá-los a dizer Shiva, Shiva; em caso contrário, condená-los-iam à morte, o que de fato aconteceu."

Tirem as suas próprias conclusões. Rezemos.

 

Santos Sacerdotes, Senhor

Multiplicai, Senhor, Sacerdotes em Vossa Igreja.

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes verdadeiramente Santos.

Sacerdotes Santos, mensageiros das verdades eternas e que saibam apresentá-las aos homens do seu tempo e do seu país.

Sacerdotes Santos, que falem a linguagem de seus irmãos, mas se acautelem de não comprometer, com opiniões que variam e morrem a imperecível mensagem do Vosso Evangelho.

Sacerdotes Santos que, santificando-se, santifiquem e conduzam para o Céu as almas a eles confiadas.

Sacerdotes Santos, que atinjam e bebam copiosamente na Santa Missa de cada dia, as graças que esperamos.

Sacerdotes Santos, que busquem na oração e na união com Deus, as divinas energias tão necessárias para vencerem os ataques do mundo, da carne e do demônio.

Sacerdotes Santos, que vivam o Evangelho e nos dêem testemunhos de tudo aquilo que eles próprios nos ensinam em Vosso nome. Amém.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Como saber se tenho vocação?

The_Calling_of_Saint_Matthew_by_Carvaggio

Vocação de São Mateus - Caravaggio (1599-1600)

 

Tenho Vocação?
Por P. Luis Maria Barrielle
Diretor Espiritual do Seminário de Ecône


CAPÍTULO I
O QUE É A VOCAÇÃO?


"Que imenso tesouro é um sacerdote realmente bom onde quer que se encontre" (São Pio X)
Todo o mundo está chamado à Santidade, à Salvação: "O Deus de toda graça que nos chamou à sua glória eterna em Cristo Jesus", disse São Pedro (1 Pedro V, 10).
Não falamos aqui daquela vocação de todo homem à Salvação, senão da vocação particular pela qual Deus chama a um estado de vida superior no qual o homem, além dos mandamentos de Deus, renunciando ao mundo para entregar-se totalmente a Ele, se obriga a observar os conselhos evangélicos. É para esse estado de vida superior que se reserva geralmente o nome de "vocação" em sentido estrito. Por isso, a questão é saber se sou chamado por Deus a escolher um estado de vida de perfeição em lugar de permanecer na vida comum. Dito de outra maneira:
Tenho vocação?

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