quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Marina Silva: novidade política ou requinte do PT?

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Marina e seu boné revelador

 

Por R. G. Santos

 

Talvez um dos muitos “fatos novos” da confusa política brasileira atual seja a “deserção” de Marina Silva (senadora, e ex-ministra do Meio Ambiente no lastimável governo vigente), das fileiras do PT. Militante petista de longa data, Marina rompeu com o PT e “aterrisou meteoricamente” no Partido Verde (PV), em que pretende lançar sua candidatura ao pleito presidencial do próximo ano. Percebe-se, em decorrência desse acontecimento, um esforço midiático espetacular no sentido de tentar vender uma imagem da ex-petista enquanto “caminho alternativo e imaculado” à disputa eleitoral, que apontará o sucessor do “orgulhoso analfabeto” Lula.

De acordo com o acima pontuado, surgiu-nos alguns questionamentos, que aliás são motivação para a reflexão que iremos propor: Será se Marina realmente seria novidade ideológica na política brasileira, ou apenas um auspicioso requinte do progressismo que rege especialmente a ala esquerdistóide, atualmente governante do país? Nesse sentido, pode Marina Silva ser considerada caminho alternativo para os católicos nessas eleições?Tentar-se-á lançar um pouco de luz acerca dessas problemáticas analisando pontos relevantes de sua entrevista, descrita nas páginas amarelas da revista VEJA de 2 de setembro de 2009.

No intuito de dar respostas aos questionamentos levantados acima, começamos por fazer análise da formação da ex-ministra. Nascida em 1958, disse à VEJA que aos dezesseis anos (portanto, por volta de 1974), vai tentar realizar o sonho de ser freira. Disse ainda ter sido “católica fervorosa” até 1997, quando ingressou na “Assembléia de Deus”, e que o “catolicismo” influiu muito na construção de seu senso ético [1]. Ao raciocinar acerca dos dados fornecidos por Marina, e pelo conhecimento mínimo de suas convicções ideológicas, expressas em sua vivência pública, é possível se chegar a algumas conclusões.

Primeiro, Marina cresce num período em que o catolicismo, no Brasil, em decorrência da má interpretação que muitos por aqui fizeram dos rumos traçados pelo CVII, é fortemente influenciado pela teologia da libertação (TL). Logo, depreende-se que tenha sido “formada” na TL. Daí é possível compreendermos a fundamentação de suas opções políticas relativistas, próprias dos progressistas, e até mesmo das demais pessoais, como ter abandonado a Igreja Católica.

A TL pretende, como dissemos em outras oportunidades, dar uma interpretação do Cristianismo à luz do marxismo. Em outras palavras, tenta a TL oferecer uma nova e contraditória cosmovisão para a realidade, que aglutinaria os princípios do Cristianismo e do marxismo, “inaglutináveis” por essência. Mesmo que não seja mais católica (aliás, não há necessidade de ser católico para pertencer à TL) continua Marina vivenciando de certa forma os princípios da TL ao assumir-se como esquerdista, como “pertencente ao petismo” (=ideologia do PT) e “cristã”.

Ainda segundo se pode depreender do que disse à VEJA, apesar de seu rompimento formal com o partido, conserva ainda vinculação ao “espírito” petista, a saber, às suas mais profundas motivações ideológicas. Chega a dizer, para ilustrar a colocação anterior, que mudou de casa (o PT), mas continua na mesma rua, na mesma vizinhança (motivações ideológicas)[2]. A colocação feita por Marina é de gravidade lapidar. Ao dar a entender que abandonou o PT, mas não o petismo, estaria dizendo em tom camuflado, que sua ideologia não mudou, apesar de ter mudado de legenda. Em concreto, votar em Marina, seria votar no mesmo PT. Num PT “disfarçado de verde” e erguendo uma “despistante” bandeira de “ambientalismo”. Muda-se, portanto, somente a cor da bandeira com que se cobrem as imoralidades pregadas e feitas pelo esquerdismo: leis liberais que promovem imoralidade e agravos aos princípios imutáveis, como a legalização do aborto, da eutanásia, da utilização de células-tronco embrionárias; difusão da camisinha e de outros métodos contraceptivos com incentivo ao permissivismo sexual, “casamento gay”, etc.

Dando mostras de como ser progressista é ser contraditório, Marina, que diz ser “cristã”, defende a promoção da mentira ao lado da verdade. Diz a ex-ministra crer no criacionismo (Deus como origem do cosmos), mas também apóia, incentiva que se ensine livremente as teses do evolucionismo nas escolas, deixando livre escolha aos alunos entre o princípio e a falácia, que se faz passar por “científica”. Pessoas que defendem tais idéias, não devem receber o voto de quem tem o mínimo de bom senso. Muito menos de quem se diz católico.

Marina faz, em sua entrevista à VEJA, uma lista de pessoas as quais ela assume buscar inspiração. Tal lista, a meu simples e limitado ver, é expressão profunda das suas convicções e a desqualificaria como alvo dos votos dos católicos. Diz, entre outros nomes, assumir como modelo ou referências, nomes como Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e, pasmem, Barack Obama! O lastimável presidente Lula estamos conhecendo-o melhor e tristemente em seu mandato. Além de convicções ideológicas em profundo desacordo com os princípios cristãos, Lula se revela um verdadeiro desastre em matéria de administração pública. Sem falar na queda do mito do PT honesto, ficha limpa (bem que Jesus dizia que tudo o que se fizesse por debaixo dos panos, viria um dia à tona!!!), com o pulular de escândalos de corrupção como nunca se viu na história do país. FHC é figura velha no cenário político nacional. Remonta aos primórdios do esquerdismo no país ao integrar a UNE nas década de 1960. É notável pelo seu progressismo, embora em menor intensidade hoje do que o PT e o Lula. Seria cansar o leitor discorrer mais do que três linhas sobre Obama. Para defini-lo, basta aludirmos à maciça estrutura pró aborto que vem criando nos EUA e querendo estendê-la ao-mundo. Seguindo de fato esses exemplos, Marina deveria inspirar no mínimo desconfiança ao eleitor...

Partindo-se assim do que por ora pontuamos, podemos concluir que, votando em Marina Silva, não estaríamos trilhando um caminho alternativo ao lastimável PT e aos demais partidos progressistas deste país. Muito ao contrário, estaríamos (a julgar pelo que disse a ex-ministra do Meio Ambiente), apoiando um PT requintado, essencialmente o mesmo, que estaria, para enganar os inocentes úteis que abundam infelizmente neste país, erguendo a bandeira do desenvolvimento econômico com sustentabilidade (expressão da qual a ministra usa e abusa em sua entrevista). Enfim, devido às suas convicções ideológicas, que não se dissociam das políticas, Marina seria uma “canoa furada” para os católicos que, pensando ter nela uma alternativa de fuga e desagravo de consciência, afundariam de novo para o fundo do posso da dominação do país por parte do infame PT.

[1] Cf. p. 23

[2] Cf. p. 22

FONTE

SILVA, Marina. Entrevista. Revista VEJA. Edição 2128, Fonte, nº 35; 2 de setembro de 2009.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Serviço Social e aborto

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                          O mais novo "serviço social"

 

Por João S. de Oliveira Junior

 

Parecer favorável ao aborto do Conselho Federal de Serviço Social, denunciemos as “pérolas”:

Informativo CRESS SP

“Após amplo debate realizado no segundo dia sobre o trabalho do assistente social e a questão do aborto, a plenária de delegados e observadores do 38º Encontro Nacional do Conjunto CFESS/CRESS aprovou por unanimidade "posição favorável à descriminalização do aborto e a necessidade de difundir a norma técnica do Ministério da Saúde sobre o aborto legal e seguro como um direito reprodutivo, constitutivo dos direitos humanos, que se exerce no contexto da laicidade do Estado, garantindo justiça social e igualdade de direitos".”Aqui.

Vejamos:

1º- Unanimidade? Bom, não estaria o apoio ao aborto já pré-programado antes do encontro? Interessante que os próprios Conselhos em outras ocasiões consideram ser divergente esta posição por parte dos próprios profissionais. Como então pode um conselho “bater o martelo” e considerar um juízo de uma questão que nunca foi homogênea entre os próprios membros? Ainda mais que não envolve apenas uma área da sociedade.

2º- Não é difícil perceber o quanto o Ministério da Saúde se interessa e influi nesta questão de “legalizar” o aborto, isto será esclarecido em outro texto. Mas, vamos corrigir a interpretação de alguns termos, mais para clichês, do parecer dos Conselhos:

- Não existe “aborto legal”, simplesmente, no código penal, há ocasiões que o aborto não é punido, ao contrário de obrigar a condução ao trágico procedimento como muitos “técnicos” sociais do conselho estão pensando. Por outro lado, o mesmo código não prevê maior apoio às gestantes e acompanhamento psíquico-social a elas para, enfim, não optarem pelo aborto. E não é por isto que os “Conselheiros” deveriam estar lutando?

-Não existe “aborto seguro”, todo aborto culmina com a morte da criança, e ainda que feito em “clinicas de luxo” trás sérias conseqüências psicológicas às mães gestantes, pois é um procedimento que foge à natureza materna. Sem contar nas inúmeras chances de complicações em gravidez posteriores e até mesmo aumento do risco de infertilidade e esterilização. Como então ousam usar o termo “direitos reprodutivos”? Estão mesmo defendendo este direito reprodutivo? Contraditório.

3º- Direitos humanos? É repudiável o uso de tal termo para justificar o infanticídio e um verdadeiro holocausto silencioso. Sequer foram aos tratados de direitos humanos, constitucionais ou ramos da área jurídica nos direitos inerentes ao homem para falarem de “direitos humanos”. Sequer pensam em um trabalho de direito integral à mulher como informações sobre os males, procedimentos e conseqüências do aborto e proteção ao nascituro.

4º- Contexto de laicidade do Estado? Este termo revela uma preocupação dos Conselhos com a posição moral, ética e filosófica da grande maioria dos grupos religiosos que são contrários ao parecer. Mas esquecem que a consciência contra o aborto pode ser levantada independentemente de credo. O que impediria um ateu convicto de se manifestar contra o aborto? E, não estaria o Conselho demonstrando discriminação religiosa? O estado é laico, não têm religião oficial, porém não é “laicista”, ou seja, não é contrário às religiões e a manifestação de suas crenças e valores. Lembro também aos senhores conselheiros que a profissão de Assistente Social se iniciou na Igreja, no meio eclesial e não secular. Outro dado que podemos tirar disto é que os ditos “cientistas na área social” ignoram que aborto é uma questão tratada em outras áreas científicas, que há muito tempo já comprovou biologicamente sobre a presença de outro ser humano, envolvido no drama em questão.

5º- Justiça social e igualdade de direitos? Abortar não é direito nem de ricos e nem de pobres porque é um ato que despreza todos os direitos de quem vai nascer. Os “conselheiros” tiveram direito de nascer, não deveriam trabalhar para que outros tenham o mesmo direito também em condições mais dignas para suas mães? O procedimento abortivo, em qualquer ocasião de modo, hora e local, não seria uma violência contra a própria natureza da mulher? Daí, não restam mais direitos a reclamar, nem mesmo para os marxistas do Conselho Federal de Assistência Social que, de fato, não estão lutando pelo direito integral do ser humano e nada propõem para o crime do aborto ser evitado e ajudar às mães.

Pra terminar fica o questionamento: Não é de hoje que alguns ambientes universitários como nas áreas de Serviço Social, Psicologia, Direito e até Medicina estão impregnadas com a mentalidade fora de valores autenticamente cristãos, tendendo assim, a ver como bem o que é mau. Apenas enxergando soluções aparentemente fáceis para problemas difíceis, Mostram até uma limitação em termos de desenvolvimento em solução para os problemas tratados na sociedade, digo que isto também é conseqüência da marginalização dos valores evangélicos. E não é exclusividade do CFESS, infelizmente. Pergunto então, o que você leitor(a) pode fazer, na tua área de atuação, para mudar este quadro?

Fiquem atentos defensores da vida e da justiça, “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas.” (Mat. 10,16).

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Desfazendo um mito...

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Por R. G. Santos

Dizem os teólogos da libertação (e não sem grave orgulho) que sua pseudo teologia brota dos anseios do povo sofredor. Em outras palavras, dizem ser a busca por estruturas sócio-político-econômicas mais justas por parte dos contingentes de excluídos da história (e de modo especial dos latino-americanos) o motor para o surgimento de uma “teologia nova”, fundamentada numa fé “encarnada” que busca “redimir” os sofredores do mundo.

Tudo isso para postular que a TL surge do povo, de suas mais profundas aspirações. De modo especial do povo oprimido na América Latina. Defendem assim, a originalidade de sua herética elaboração teológica. Diante do exposto, podemos sem medo, afirmar: mentira, mentira, mentira!!! Os teólogos da libertação e de modo especial sua elaboração teológica não tem nada de original. Muito menos constitui a TL fenômeno originário na América Latina, como querem e pontuam seus corifeus. Afinal, erro tão perverso não poderia surgir da mente de um povo marcadamente ordeiro, que conta, no desenvolvimento de sua civilização e personalidade, com mais de cinco séculos de espetacular formação genuinamente católica, fruto de árdua e certamente meritória empreitada de missionários que deram suas vidas por Jesus, pela Igreja e pela salvação das almas.

Nosso objetivo nestas linhas já está mais do que evidenciado: fazer cair por terra a falsa noção de que a TL seria fenômeno de gênese originariamente latino-americana. Não o é, repetimos. Tem a TL sua origem, muito ao contrário do que se pensa, em círculos teológicos pervertidos pelo progressismo situados em países centrais, de “primeiro mundo”, para utilizar expressão ultrapassada (por referir-se à Guerra Fria, já extinta), porém pertinente. Por países centrais, de primeiro mundo, devemos entender aqui aqueles localizados na Europa Ocidental (de modo especial setentrionais, nórdicos, ibéricos e etc.), e países da América do Norte (marcadamente EUA e Canadá). Os teólogos progressistas de maior vulto na América Latina, próceres da TL, se formaram nesses países de centro, de primeiro mundo. Tal fato é reconhecido até pelos progressistas. Nesse sentido, pontua Comblin (1985, p. 11) que “(...) os livros, as instituições intelectuais dos países cêntricos (de primeiro mundo) exercem um efeito de prestígio enorme. Quase todos os professores de teologia da América Latina se formaram na Europa ou na América do Norte...(acréscimo entre parênteses nosso)”

Em outros termos podemos concluir que seria a TL, na prática, uma infeliz adaptação da teologia liberal que se formou na Europa e Na América do Norte. O que a Teologia Liberal européia é para os princípios morais (rompimento com as normas objetivas da moral Cristã autêntica), é a Teologia da libertação para os dogmas e para toda a Tradição bimilenar da Igreja. Tratam-se ambas de aplicação das concepções liberais que surgiram no tempo e no espaço. A diferença reside num recurso sobremaneira mais intenso da filosofia, ou “análise” marxista (também esta não é originariamente latino americana!!) na teologia da libertação para conseguir um pretexto e, com ele, inserir-se na realidade da América Latina. Ainda no sentido de elucidarmos a verdadeira origem da TL, diz Comblin (1985, p. 13-14), com muita clareza por sinal, que

“a teologia latino-americana da libertação formou-se e manifestou-se pelas suas primeiras publicações na época em que uma teologia de inspiração liberal, ou neoliberal, predominava nos países do centro no fim da década dos anos 60. Os principais teólogos da libertação formaram-se na Europa sob a influência das tendências mais liberais do tempo.”

Com o que acabamos de expor, só podemos chegar a seguinte conclusão: trata-se factualmente a TL de exportação, para a realidade latino americana, de ideologias geradas nos ambientes de reflexão teológica situados nos países desenvolvidos, de “primeiro mundo”. Nosso posicionamento vai fundamentar-se, assim, no então cardeal Ratzinger (1985, p. 145). Segundo ele,

“(...) a teologia da libertação, nas suas formas que se inspiram no marxismo, não é, de forma alguma, um produto autóctone, natural da América Latina ou de outras regiões subdesenvolvidas, onde teria nascido e crescido como que espontaneamente por obra do povo. Na realidade, pelo menos em suas origens, trata-se de criação de intelectuais, e de intelectuais nascidos ou formados no Ocidente opulento: europeus são os teólogos que a iniciaram, europeus ou educados em universidades européias são os teólogos que a fazem crescer na América do Sul. Por trás do espanhol e do português dessa pregação, pode-se perceber, na realidade, o alemão, o francês e o anglo-americano.(grifos nossos)”

Portanto, basta uma pesquisa desapaixonada, atenta e séria para descobrir-se o mitado da TL enquanto fenômeno genuinamente latino americano. Isso não corresponde à realidade. Trata-se de mais um ardil para tentar perverter um povo cheio de fé, mas infenso a erros ladinos e sorrateiros... Chega de abusar da boa vontade de nosso povo heroicamente moldado em sua formação cinco vezes secular, pelo sangue, pelo suor e pelas lágrimas de muitos e verdadeiros missionários que deram suas vidas pelo mandato de Cristo “ide por todo mundo, e a todos pregai o Evangelho”.

FONTE

COMBLIN, José. Teologia Orgânica: Teologia da libertação, Teologia Neoconsevadora e Teologia Liberal. Petrópolis, Vozes, 1985. (péssimo livro para quem quer ter sólida formação teológica)

RATZINGER, Joseph; MESSORI, V. A Fé em Crise – O cardeal Ratzinger se interroga. São Paulo: EPU, 1985.

domingo, 18 de outubro de 2009

Aborto e PT, tudo a ver!

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Aborto e PT, tudo a ver! Agora, com propaganda para abortar em você

Filme de apologia ao aborto promovido pelo governo “super abortista” do Pt (do Lulinha)

Por João S. de Oliveira Junior

 

Exagero este título? Não, realidade. Ele reflete bem um perfeito slogan para outra propaganda, das muitas financiadas pelo gasto público, que já é oficial no governo do “Luiz Ignorácio” (que de bobo não tem nada). Que o atual Governo Federal é “abortista nato”, creio não ser novidade para vocês, internautas bem informados. Num breve histórico é fácil percebermos os marcos abortistas do PT, recentemente, o fato ficou escandalosamente notável pela suspensão dada a dois de seus deputados, Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC), pela Comissão Nacional de “Ética” do Partido por aqueles simplesmente “militarem” contra o aborto. Curioso que não ouvi falar em uma punição partidária sequer aos escândalos de corrupção, mensalões, dólares na cueca, falsificação em currículo e outras mazelas do cenário político da esquerda, atualmente no poder. Mas não é desses casos que venho diretamente tratar.

Poucos sabem mas, neste ano, o Governo Petista financiou 80.000 (oitenta mil reais) de dinheiro público da saúde para a Fundação Fiocruz fazer um breve filme documentário, intitulado “Fim do silêncio”, com mulheres que praticaram o aborto para ser distribuído em escolas e associações feministas. Entre os já batidos e ilógicos argumentos, nenhuma novidade, a diferença é que pela primeira vez mostram o rosto de algumas mulheres que fizeram o crime clandestinamente (há mais de 5 anos, tempo que prescreve o crime no Brasil), o objetivo é para incentivar e tentar justificar o aborto, tentando sensibilizar para o lado favorável ao crime e conseqüentemente fazer uma apologia à sua “legalização”. Segue-se também outro vídeo distribuído na net como resposta ao documentário (destaque para a resposta da militante feminista à simples pergunta do repórter, imagine se perguntasse mais).
Deixo algumas observações: Embora, nem todas totalmente isentas de consciência e culpa do que fizeram, não culpemos as pobres mulheres que foram usadas e exploradas no filme para incitarem a prática de aborto. Por quê? Estudos comprovam que a grande maioria das mães que fizeram aborto, 95% conforme o parecer de um psiquiatra Português (Prof. Adriano Vaz Serra), não o fariam caso tivessem apoio do pai do bebê, da família ou alguém próximo a elas que a ajudassem (no próprio vídeo abortista percebeu-se isto) pois é quase sempre uma decisão de desespero. Digo também que não abortariam caso tivessem melhores instruções sobre o que de fato é o aborto.

Certamente, muitas delas mergulhadas na ignorância e privadas de informações, não tinham noção ou não viram algum bebê (ou os pedaços dele) abortado no local. Não foram informadas do que aconteceria no útero, nem sobre o desenvolvimento da criança já nas primeiras fases de gestação. Provavelmente o aborteiro não passou nenhuma operação num ultra-som antes, durante ou depois e não as contaram sobre os riscos e danos físicos que um aborto causa à mulher ainda que numa “clínica de Luxo”. Não conversaram com elas sobre os notáveis seqüelas e problemas psíquicos nas mulheres que já abortaram, sem considerar ainda na grande probabilidade de ficarem estéreis após o abortamento e um aumento nas chances de complicações em gestações posteriores. Elas não tiveram uma formação decente sobre biologia (princípio da vida humana após a concepção), não informaram a elas sobre o direito ao pré-natal e uma assistência digna devida às gestantes (ainda que sem apoio econômico e moral da família, afinal, se o Estado recebe uma fortuna em impostos têm que ser para atender melhor aos desamparados). Nem lhes foram ensinado ética, moral, filosofia ou ao menos houve quem lhes dissessem algo que as fariam pensar duas vezes antes de consentirem com o abominável crime. Muitas delas não foram evangelizadas ou nem receberam amor materno (o mais importante) em suas vidas. E outro fato triste de tudo isto, estavam (e infelizmente estão) cercadas por uma mentalidade feminista que tenta convencer a elas mesmas de que teriam o direito de tirar a criança do ventre mas esquece que o bebê no corpo delas tem o próprio corpo dele e, obviamente, direitos como todos nós queremos ter também, e o direito a vida é o início dos direitos para qualquer ser humano, se o negamos isto, não restará mais nada a reclamar. Não iluminaram a elas que poderia ser elas mesmas ou qualquer um de nós o bebê abortado indo para a lata de lixo após a agonia de sofrer, morrendo, sem direito a um nome, certidão, enterro, assistência social, enfim, sem memória. Silencioso, lamentável.

E “nunca antes na história deste país” se viu uma anuência escancarada dos abortistas que lotam a política nacional, que não apenas tentam tirar a consciência materna, própria de cada mulher, mas querem roubar a essência da sensibilidade feminina, vítima, diria eu, quase semelhantemente à criança abortada, morreu um pedaço delas também. Comandando o páreo, um presidente que tem a covardia em dizer que é “contra o aborto” (afinal, deve se manter as aparências) e não se preocupa em expor pobres mulheres que não tiveram nenhuma ajuda verdadeira num momento de drama. E, será que Lulinha e o “Sinistro da Saúde”, José Temporão, se importam com a saúde dos bebês?

Numa próxima oportunidade, averiguaremos e desmascaremos alguns ignóbeis argumentos abortistas, inclusive explorados no documentário pró-aborto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Igreja Católica é sempre infalível?

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Prof. Pedro M. da Cruz.
 
“Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo”(Mateus 28,20)
A Igreja Católica, além do poder de ensinar infalivelmente verdades de Fé e Moral - Poder de Jurisdição Magisterial DECLARATIVO, Ordinário (Universal) ou Extraordinário (Solene) – possui também, em conexão com este, o Poder de Jurisdição Magisterial CANÔNICO.
Neste modo não infalível de ensino, a Igreja goza de uma assistência prudencial do Espírito Santo que será mais ou menos prudente de acordo com a matéria e a intenção de ensinar dos detentores do poder canônico.
Explica-nos o Cardeal Journet: “Nas promessas de Jesus, ora a Pedro sozinho: ‘Apascenta minhas ovelhas.’(Jo., XXI,17), e ‘Tudo o que ligares na terra será ligado no céu.’ (Mat., XVI,19); ora a Pedro e aos outros apóstolos: ‘Tudo o que ligares na terra será ligado no céu.’ (Mat.,XVIII,18), designam-se – além dos poderes excepcionais e intransmissíveis do apostolado – dois poderes distintos por seu exercício: o poder de transmitir, de idade em idade, as revelações divinas (magistério declarativo) e o poder de promulgar decisões eclesiásticas (magistério canônico).”
Para aprofundarmos um pouco mais esta questão tão interessante transcrevemos abaixo textos do Pe. Penido, muito citado no que se refere a estes assuntos:
“Magistério não infalível. – Nem sempre a Igreja exerce o seu Magistério solene ou ordinário universal, e, por conseguinte, nem sempre assiste-lhe garantia absoluta de não errar. O Papa raramente fala ex cathedra; entretanto, ensina diariamente, já por exortação ou cartas a indivíduos, grupos, nações, já por documentos destinados à Igreja Universal: encíclicas, decisões doutrinais das Congregações romanas.
Quanto a estas últimas é de notar que são infalíveis, logo irreformáveis, quando o Papa – rara vez - as faz pessoalmente suas (Assim Pio X avalizou por motu próprio o Decreto Lamentabili do Santo Ofício – Denz. nn. 2065 a, 2114). Aprovadas, porém, na forma comum, não são absolutamente isentas de erro, logo podem vir a ser reformadas. (pelo que, combatem contra moinhos de vento os que opõem à infalibilidade papal a condenação de Galileu.)
Comporta assim o tesouro da doutrina católica enorme acervo de verdades que não são objeto de fé divina. Umas delas poderão vir a ser definidas – e por isso sói-se dizer de algumas que estão próximas da fé; por ex.: ‘Maria é medianeira de todas as graças.’ – outras jamais poderão sê-lo; por ex.: as aparições de Lourdes.
Como é sabido, a Igreja, além do Dogma, ensina também a moral. Cabe aqui igualmente a distinção entre magistério infalível (por ex.: a Igreja pregando o decálogo, definindo que o celibato religioso é mais perfeito do que o estado conjugal – Denz. 981 (Concílio de Trento) ; e o magistério não infalível, por ex.: nas grandes Encíclicas dos últimos papas, sobre a questão social ou contra os totalitarísmos, temos grande número de verdades morais ou sociais, ou de erros condenados, sem intenção de definir irrevogavelmente.
O fato de não ser este ensino absolutamente garantido contra o erro, não significa que esteja eivado de falsidade. Muita vez pode até ser considerado praticamente infalível, por ex.: a condenação do aborto médico, da esterilização, da inseminação artificial.
A diferença entre os dois tipos – infalível ou não - de Magistério provém da autoridade em virtude da qual ensina. No primeiro caso, é a autoridade imediata de Deus; a Igreja age apenas como porta-voz, transmite-nos fielmente a palavra revelada (2 Cor., 5,20). No segundo, é a autoridade imediata da Igreja, em virtude de seu poder pastoral sobre seus filhos. Sem dúvida, tal poder, a Igreja recebeu-o de Deus, porém a autoridade divina intervém apenas relativamente, como fonte e guia da autoridade da Igreja.
Figura que dê ênfase à frase: “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita.” (Luc. 10,16)
À primeira doutrinação deve corresponder, de nossa parte, a obediência da fé cristã (2 Cor., 10,5); ao segundo, o assentimento interno, fruto de uma submissão religiosamente filial.1
Com efeito, o ensinamento não infalível da Igreja é também assistido pelo Espírito Santo, embora não de maneira absoluta. Muito se enganaria, pois, quem cuidasse que ele nos deixa inteiramente livres de assentir ou de discordar. Não obrigar sob pena de heresia está longe de eqüivaler a não obrigar de todo, conforme ensina o Concílio Vaticano I: ‘Não bastaria evitar a perversão da Heresia, se não fugíssemos ainda diligentemente dos erros que dela se aproximam mais ou menos.’2. Pio X condenou os que pretendiam eximir de qualquer culpa moral quem não levasse em conta as censuras decretadas pelas congregações romanas 3. Cabe à Igreja não só propor a verdade revelada, como ainda mostrar o que – direta ou indiretamente – a ela leva ou dela afasta.
Nem basta acolher este ensinamento com um silêncio respeitoso; impõe-se uma adesão intelectual.4 Dando-a, nossa piedade filial se curva a Cristo, que conferiu autoridade sobre nós a sua Esposa.
Assim, embora esta modalidade de ensino não esteja garantida, de meneira absoluta, contra o erro, sempre acertamos, aceitando-a com docilidade, porque rendemos homenagem ao Senhor Jesus, nosso Mestre.”
O autor arremata na página 300:
“Quando aceitamos o ensinamento não infalível, poderia nossa obediência ser denominada de eclesiástica, pois então é a própria autoridade da Igreja que motiva assentimento. Não mais ouvimos a voz do Esposo, senão a da Esposa (porém da Esposa guiada pelo Esposo). E embora o Magistério possa errar neste ou naquele caso particular, podemos todavia atribuir-lhe uma infalibilidade global, porque em conjunto, tais decisões são verídicas e santificantes. Cristo Jesus está com a Igreja não apenas quando ela define o Dogma e a Moral, senão ‘Todos os dias’. (Mat., 28,20)
Muito melhor que obediência eclesiástica, diríamos docilidade filial.”
Cf. M. T. – L. Penido. O Mistério da Igreja. Petrópolis: Vozes, 1956, p. 293-294. (n.n) (Colocamos em nota de fim de texto algumas citações para que o mesmo não ficasse pesado ao leitor.)
Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genitrix!

1 O silêncio respeitoso liga somente a língua e a pena; rompê-lo implica malícia da vontade que se não submete; a adesão interna liga também a inteligência – conquanto não absolutamente; negá-la implica temeridade intelectual. (Também do Pe. Penido)
2 Denz. 1820; Código de Direito Canônico, c. 1324 [Novo Código, Cân. 754]; Pio XII, Humani Generis, n. 17
3 Denz. 2008; cf. 1684, 1698, 1722 – Pio IX.
4 Denz. 1350 – Clemente XI ; 2007 – São Pio X
Referência bibliográfica:
RODRIGUES, Paulo. Igreja e Anti-Igreja. Teologia da Libertação. São Paulo, T. A. Queiroz, Editor, 1985, 345 pg.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sobre a Teologia da Libertação

image R. G. Santos

 

Muito se tem dito atualmente acerca do que seja a Teologia da Libertação, seus pressupostos básicos e sua influência na vida da Igreja. Entretanto, poucas são as colocações abalizadas, fidedignas e esclarecedoras acerca das reais implicações de tal “elaboração teológica”. Assim sendo, por ser temática tão controversa, e por produzir conseqüências tão graves à vida da Igreja, buscaremos pontuar em linhas gerais aquilo que, de fato, caracteriza e fundamenta a teologia da libertação (TL), que a faz inaceitável do ponto de vista da doutrina católica, e depois indicar literaturas confiáveis acerca do assunto. Ao final do presente artigo, saber-se-á o quão grave é a TL, já que esta faz uma leitura do cristianismo à luz da análise marxista. Tal análise se encontra em radical desacordo com a doutrina pregada por Cristo, pelos apóstolos e seus sucessores ao longo dos tempos. (Para continuar a ler, clique aqui).

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

São Luiz Gonzaga e a mortificação dos olhos

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                         Luiz, o mártir da caridade

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Os dois servidores obedientes

Os antepassados Luís sempre governaram e sempre se fizeram obedecer. Um mandara em soldados; outro dominara súditos; outro ainda governara religiosos.

Em sua casa e nas Côrtes, o herdeiro dos Gonzagas tivera às suas ordens criados e dependentes. O pai esperava fazer dêle um capitão ou um governador, enfim, sempre um dominador.

Vendo-o entrar na Companhia de Jesus, afligia-se pensando que o filho não mandaria mais em ninguém.

Mas estava enganado. Luís, entre todos os Gonzagas, seria o mais poderoso dominador, o dono mais obedecido da família. Sòmente, no lugar de dominar os outros, êle dominaria a si mesmo.

Parece fácil ser donos de nós mesmos, no entanto, é a coisa mais difícil.

Também êle teria súditos e dependentes, mas escolhidos entre os servidores que Deus pôs à disposição de cada um de nós.

Os seus não seriam os criados de libré ou escravos fardados, mas servidores naturais, criados expressamente para o serviço do homem.

Há, por exemplo, cinco fidelíssimos servidores que nos acompanham desde o nascimento sem nunca nos deixar. São os cinco sentidos. Todos conhecem os seus nomes: vista, ouvido, olfato, gôsto e tacto. Cinco criados nos quais muitas vêzes nos deixamos dominar.

A vista, por exemplo, tem ao seu serviço dois criados muito irrequietos: os olhos.

Quem é capaz de refreá-los? Quem consegue torná-los completamente obedientes? Êles vão e vêm a seu capricho; correm sem freio; são curiosos e vadios. Querem ver tudo, mesmo as coisas inúteis, mesma as coisas feias, mesma as coisas nocivas. E nós vamos atrás dêles. No lugar de guiá-los, deixamo-nos guiar, deixamo-nos distrair e alguma vez também arrastar.

Luís não; Luís, como verdadeiro dono de si mesmo e dos sentidos, antes de tudo, pôs os olhos sob regime de disciplina. Mandou que olhassem só o que êle queria ver. Como um príncipe poderoso, êle levava sempre consigo os dois criados prontos às suas ordens e fiéis no seu serviço.

No quarto êles deviam olhar para o Crucifixo e acompanhar as linhas da escritura. Chagando ao fim da linha, se tentassem escapar atrás do vôo de uma môsca ou encantar-se ante um objeto estranho, Luís colocava-os no sulco das palavras.

Não que êle se impedisse de olhar. Só que não permitia aos olhos se distraírem. Queria ser êle o guia dos olhos e não ser guiado por êles. Olhava para prestar atenção, nunca por curiosidade.

No refeitório, a incumbência só podia ser uma: a de olhar para a comida e vigiar o trabalho dos talheres.

Mas, os dois criados indiscretos teriam gostado poder dar uma espiada no prato do visinho. E Luís nunca consentiu nisso. Êles não deviam sair do limite do seu prato. Custou-lhe convencer os dois irrequietos servidores a não ultrapassar as bordas!

Corriam ràpidamente em volta procurando de vez em quando dar um pulo no prato do vizinho. Mas Luís os bloqueava em tempo, reconduzindo-os logo para seu ofício que consistia em guiar a faca e particularmente o garfo, uma novidade então para as mesas italianas.

Os dois criados teimosos se deslocariam também com muito prazer para as mesas, detendo-se com particular curiosidade nos lugares dos superiores, ver a cara do Padre Reitor mastigando com importância o guisado e a careta do Padre Mestre bebendo no seu copo!

Os olhos de Luís teriam ficado satisfeitos com uma olhadela de soslaio, mas o jovem dono continuava irredutível e os dois servidores tinham de se conformarem à vontade do severíssimo amo.

Um dia, Luís foi enviado a buscar um livro que o Reitor esquecera no seu lugar no refeitório. O jovem noviço ficou indeciso, depois, quase humilhado, teve que se informar onde é que o Reitor sentava à mesa.

Depois de tanto tempo ainda não tinha permitido que os olhos fizessem uma visita importuna ao Reitor na hora das refeições!

E na Igreja? Que gôzo para os dois criados traquinas vaguear pelas naves, esvoaçar pelo teto, trepar nos pilares, remexer nos altares.

Luís, pelo contrário, mantinha-os fixos sôbre uma só imagem (a que escolhia) ou em direção a de um só objeto (o que pretendia contemplar). Nunca permitiu que seus olhos vagueassem pela igreja como dois vadios.

Uma quinta-feira santa, a igreja estava enfeitada de luto e aos pés de um altar, cheio de verde e de luzes, via-se aquela especial ornamentação que impròpriamente se chama Sepulcro. Trata-se, entretanto, de um enfeite em honra de Jesus Eucarístico, que lá se guarda para consumição da sexta-feira santa.

O povo apinhava-se nas visitas das sete igrejas, e o sacristão atarefado pediu a Luís que prestasse atenção ás luzes.

Luís, portanto, mandou aos dois servidores que olhassem para a chama dos lírios a fim de que não se apagassem ou não ateassem fogo nas cortinas.

Acabado o serviço, Luís reentrou em casa. Os companheiros lhe perguntaram se havia gostado de enfeite da igreja. Ficou confuso. Não soube responder. Teve que confessar que não vira nada. Ficara lá prestando atenção às luzes, e seus olhos estiveram ocupados com as chamazinhas sem se importar com o conjunto do enfeite.

Quando os nocivos saíam para o passeio, os olhos de Luís tinham um relance de impaciência. Que corridas loucas poderiam fazer pelas ruas da cidade, que fugas e pinotes pelos campos! Pareciam dois perdigueiros rabeando jubilosos ao ver o caçador abrir a porta da casa.

Mas como o caçador, logo no limiar da casa, coloca a trela aos cães e não os solta senão no lugar da caça, assim Luís acorrentava os dois olhos.

Êles apenas haviam de apontar a prêsa. Fixar um ponto do céu, um campanário no horizonte, mais freqüentemente as pedras do caminho, mas fugas e inúteis vaivéns, nunca!

Geralmente, a meta daqueles passeios era uma vinha estendida sôbre um morro. Luís a fêz visitar pelos seus dois criados a primeira vez que estêve lá. Depois basta. Tinha-os ocupados em outras visões.

Um dia, os superiores mudaram o itinerário do passeio e levaram os noviços para uma outra vinha. De volta perguntaram a Luís de que vinha gostou mais.

Pela terceira vez teve de confessar que não reparara mudança do caminho e a visita de outra vinha.

Mas então andava bem distraído aquêle noviço! Não, era exatamente o contrário. Dono absoluto dos seus olhos, nunca ia atrás dêles. Conseguiu que aquêles dois servidores quase indomáveis lhe obedecessem e nisso demonstrou ser o mais forte de todos os Gonzagas.

Os seus antepassados mandaram, sim, em exércitos, povos e mosteiros, mas depois não lograram obediência daqueles dois criados impertinentes.

Sòmente Luís conseguiu dominá-los e fazer dêles o que queria. E êles lhe obedeceram como nenhum súdito nunca obedecera aos príncipes de Mântua, como nenhum servo nunca obedecera aos marqueses de Castiglione, como soldado nenhum nunca obedecera aos Grandes almirantes da armada cristã.

***

Fonte:
Livro: O Lírio de Gonzaga
Autor: Piero Bargellini
Edições Paulinas
Páginas: 69 - 76

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Vaticano II, crise, deformações... esperança!

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Paulo L. F.

“É tempo de se reencontrar a coragem do anticonformismo, a capacidade de se opor...”(Cardeal Ratzinger)

Após havermos nos referido algumas vezes ao livro de Vittorio Messori, “A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga”, pareceu bem a nós, apresentarmos mais alguns trechos desta importante obra. Nela, como temos podido observar, o antigo Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, faz relevantes comentários sobre o tão discutido Concílio Vaticano II, apresentado pelo memorável João Paulo II, no livro - também organizado pelo mesmo escritor V. Messori - “Cruzando o Limiar da Esperança”, como “... um grande Dom para a Igreja ...”.1

Sendo direto em sua assertiva, o Cardeal Ratzinger nos assegura nesta entrevista:

“Não vejo futuro algum para uma posição que se obstina em uma recusa fundamental do Vaticano II. De fato, ela é ilógica em si mesma. Com efeito, o ponto de partida dessa tendência é a mais rígida fidelidade ao ensinamento, particularmente, de Pio IX e de Pio X e, ainda mais profundamente do Vaticano I com sua definição do primado do Papa. Mas por que os Papas até Pio XII e não além? A Obediência à Santa Sé será talvez passível de divisão segundo as datas ou segundo a consonância de um ensinamento com as próprias convicções já estabelecidas?’2

Duas páginas depois, fazendo um diagnóstico da situação da Igreja naquele momento histórico, parece referir-se ao estado do catolicismo no tempo presente:

“ ... o meu diagnóstico é que se trata de uma autêntica crise, que, como tal, deve ser tratada e curada. Assim, para essa cura, reafirmo que o Vaticano II é uma realidade a ser aceita plenamente. Com a condição, porém, de não ser considerado apenas como um ponto de partida, do qual se deve afastar correndo, mas sim como uma base sobre a qual construir constantemente em profundidade. Estamos descobrindo hoje, portanto, a sua função profética: alguns textos do Vaticano II, no momento de sua proclamação, pareciam realmente adiantar-se aos tempos então vividos. Vieram a seguir revoluções culturais e terremotos sociais que os Padres conciliares nem podiam prever, mas que demonstravam como aquelas respostas – então antecipadas – eram as que, a seguir, se fariam necessárias. Portanto, retornar aos documentos é de particular atualidade: eles nos proporcionam instrumentos exatos para enfrentar os problemas de hoje. Somos chamados a reconstruir a Igreja, não apesar do, mas graças ao Concílio verdadeiro.’

A esse Concílio ‘verdadeiro’, para permanecer ainda em seu diagnóstico, ‘já durante as sessões e, a seguir, cada vez sempre mais, no período sucessivo, opôs-se um auto-intitulado ‘espírito do Concílio’ que , na verdade, é seu verdadeiro ‘antiespírito’. Segundo esse pernicioso antiespírito – Konzils-Ungeist, para dizê-lo em alemão -, tudo que é ‘novo’ (ou como tal presumido: quantas antigas heresias reaparecem nestes anos apresentadas como novidade!) seria sempre, e de qualquer forma, melhor do que o que sempre existiu ou existe. É o antiespírito, segundo o qual se deveria começar a história da Igreja a partir do Vaticano II, visto como uma espécie de ponto zero.”

O Cardeal Ratzinger, continuando na lógica de suas colocações, refletirá agora, de modo particularmente interessante, sobre a necessidade da aceitação do Concílio numa perspectiva de “continuidade” e não de “ruptura” com a Tradição da Igreja Católica:

“É preciso opor-se decididamente a esse esquematismo de um antes e de um depois na história da Igreja, totalmente injustificado pelos próprios documentos do Vaticano II, que outra coisa não fazem senão reafirmar a continuidade do catolicismo. Não existe uma Igreja ‘pré’ ou ‘pós’ conciliar: existe uma só e única Igreja, que caminha rumo ao Senhor, aprofundando sempre mais e compreendendo sempre melhor a bagagem da fé que Ele mesmo lhe confiou. Nessa história não existem saltos, não existem rupturas (...) O Concílio de modo algum pretendia introduzir uma divisão no tempo da Igreja.”

“ ... a intenção do Papa que teve a iniciativa do Vaticano II, João XXIII, e daquele que fielmente lhe deu continuidade, Paulo VI, não era de forma alguma pôr em discussão o depositum fidei , que, pelo contrário, ambos tinham como indiscutível, como algo já em segurança.”

“O senhor (Pergunta a Ratzinger o jornalista V. Messori) pretende realçar mais, como fazem alguns, a intenção mais pastoral do que doutrinal do Vaticano II?

‘Quero dizer (responde o Cardeal) que o Vaticano II não pretendia certamente ‘mudar’ a fé, e sim apresenta-la de modo mais eficaz. Quero dizer, além disso, que o diálogo com o mundo só é possível quando baseado em uma identidade clara; que se pode e deve ‘abrir’, mas somente quando se assumiu a própria identidade e, portanto, se tem algo a dizer. A identidade firme é condição de abertura. Assim entendiam os Padres conciliares, alguns dos quais certamente levaram a um entusiasmo que nós, a partir de nossa perspectiva atual, podemos julgar pouco crítico e pouco realista. Mas, se pensaram poder abrir-se a tudo o que de positivo existe no mundo moderno, foi justamente porque estavam certos de sua própria identidade, estavam certos de sua fé. Enquanto por parte de muitos católicos houve nestes anos um escancarar-se ao mundo, isto é, à mentalidade moderna dominante, sem filtros nem freios, pondo em discussão, ao mesmo tempo, as bases mesmas do depositum fidei que, para muitos, não eram mais claras.’

Continua ele: ‘O Vaticano II tinha razão em almejar uma revisão nas relações entre Igreja e mundo. Com efeito, existem valores que, nascidos fora da Igreja, podem encontrar seu lugar – uma vez revistos e corrigidos – na visão dela. Nestes anos, procurou-se realizar tal tarefa. Mas demonstraria desconhecer tanto a Igreja como o mundo quem pensasse que estas duas realidades podem se encontrar sem conflitos, ou até mesmo possam identificar-se’

Está talvez propondo (Indaga Messori) voltar à velha espiritualidade da ‘oposição ao mundo’? ‘Não são os cristãos que se opõem ao mundo. É o mundo que se opõe a eles quando é proclamada a verdade sobre Deus, sobre o Cristo e sobre o homem. O mundo revolta-se quando o pecado e a graça são chamados por seus próprios nomes. Depois da fase das ‘aberturas’ indiscriminadas, é tempo de o cristão reencontrar a consciência de pertencer a uma minoria e de estar muitas vezes em oposição ao que é óbvio e natural para aquilo que o Novo Testamento chama – e certamente não em um sentido positivo – o ‘espirito mundano’. É tempo de se reencontrar a coragem do anticonformismo, a capacidade de se opor, de denunciar muitas das tendências da cultura que nos cerca, renunciando a certa eufórica solidariedade pós-conciliar.’”3

Finalmente, tratando sobre alguns efeitos inesperados do Concílio Vaticano II, o Cardeal relata ao entrevistador:

“ ... Creio, antes, que o tempo verdadeiro do Vaticano II ainda não chegou, que a sua acolhida autêntica ainda não teve início: os seus documentos foram imediatamente sepultados por uma avalancha de publicações muitas vezes superficiais ou francamente inexatas. A releitura da letra dos documentos poderá fazer-nos descobrir o seu verdadeiro espírito. Redescobertos dessa forma, na sua verdade, aqueles grandes textos poderão nos possibilitar a compreensão do que aconteceu e reagir com novo vigor. Repito: o católico que, com lucidez e, portanto, com sofrimento, vê os danos produzidos na sua Igreja pelas deformações do Vaticano II, nesse mesmo Vaticano II deve encontrar a possibilidade da recuperação. O Concílio é seu, e não daqueles que querem continuar um uma estrada cujos resultados foram catastróficos. Não é daqueles que, não por acaso, não sabem mais o que fazer com o Vaticano II, olhando-o como um ‘fóssil da era clerical’.4

E fazendo eco à percepção acurada de todo bom Católico, amante e respeitador da única Igreja de Cristo, termina por afirmar convicto:

“É preciso reconhecer, portanto, que o Vaticano II, desde o início, não tomou o rumo que João XXIII previa (...) deve-se reconhecer também que, pelo menos até agora, não foi atendida a prece do Papa João XXIII para que o Concílio significasse para a Igreja um novo salto à frente, uma vida e uma unidade renovadas.” 5

Temos aqui, uma abordagem crítica e segura do Concílio Vaticano II, feita por um dos maiores teólogos da atualidade, ele que se tornou o novo Sumo Pontífice da Igreja universal. Está claramente exposta em suas palavras a mesma preocupação de João Paulo II quanto aos documentos conciliares; dizia-nos: “Percebe-se a exigência de falar do Concílio, a fim de interpretá-lo de maneira adequada e defendê-lo das interpretações tendenciosas.”6

Que a Santíssima Vírgem Maria nos auxilie na luta em defesa da Verdade! Pois, de fato, como nos afirmou o mesmo Cardeal Ratzinger em outro livro: “Só a unidade da fé da Igreja e sua obrigatoriedade nos dão a garantia de não seguirmos opiniões humanas nem aderirmos a partidos formados por nós próprios, mas pertencermos e obedecermos ao Senhor.”7

Gloria tibi sit, haeresum et daemonum interemptrix! Gaude, Maria Virgo!


1 MESSORI, Vittorio. Cruzando o Limiar da Esperança. Trad. Antônio Angonese e Ephraim Ferreira Alves. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1994. Pg. 151

2 RATZINGER, Joseph; MESSORI, V. A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga. Trad. Pe. Fernando J. Guimarães, CSSR. Sâo Paulo, E.P.U, 1985. Pg. 18

3 Idem. RATZINGER, Joseph; MESSORI, V. A fé em crise?... pg. 21-22

4 Ibidem. Pag. 25

5 Ibidem. Pag. 26

6 Idem. MESSORI, Vittorio. Cruzando o Limiar da Esperança... pag. 152

7 RATZINGER, Cardeal Joseph. Compreender a Igreja Hoje. Vocação para a comunhão. Trad. D. Mateus Ramalho Rocha, OSB. 3ª Edição. Petrópolis, Editora Vozes, 2006. Pg. 92

P.S : As referências em parêntesis são um acréscimo nosso para uma maior compreensão do texto. No mais todo o negrito foi colocado por nós.

sábado, 26 de setembro de 2009

Luiz Gonzaga e o domínio dos sentidos

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O Dominador dos Sentidos

Se os olhos eram os servidores mais buliçosos, os restantes quatro sentidos não eram menos rebeldes.

O ouvido, por exemplo, com os seus dois pequenos pajens semelhantes a um funil levá-lo-iam de bom gôsto para as tagarelices.

As duas orelhas rosadas, com aparência de flôres delicadas eram duas curiosas incorrigíveis. Puxavam-no por todos os lados bisbilhotando:

- Luís, escuta aqui que boato atraente; escuta lá que litígio interessante!

A todo instante êles queriam parar, aguçando-se ávidos e atentos. Mas, Luís que era um jovem honrado e nobre de verdade, ordenava

- Continuai o vosso caminho; não deveis parar a cada porta como mendigos desprezíveis.

Os ouvidos gostavam de recolher tôdas as maledicências.

- Deixai aquela sujeira, - dizia Luís. - Vós sois os sevos da minha alma. Não permito que vos contamineis com palavras feias.

Pior ainda se lhe traziam palavras torpes. Luís nem tomava conhecimento. Era um surdo voluntário. Por isso os dois pajens logo compreenderam que com um dono assim só deviam escutar palavras boas e conversas elevadas.

Depois havia o olfato. Aqui a luta foi diuturna. Aquêle servo rebelava-se aos maus cheiros. Quando Luís entrava nos hospitais para assistir os doentes, seu narizinho delicado, logo entrando, recalcitrava. Dizia:

- Não prossigo. Não agüento mais. - Foi necessária tôda a autoridade do jovem descendente de capitães. Êle impôs ao nariz suportar os cheiros mais desagradáveis. Obrigou-o a cuidar de cancerosos, aproximou-se a roupa mais nojenta.

- Coragem, - dizia-lhe, exortando-o a ser forte. - Também os soldados frente ao perigo, sentem a tentação de fugir; e tu, diante de um cheiro repugnante queres recuar? Ânimo, meu servo. Lembra-te de que carregas as minhas insígnias. Não sejas covarde. Avança entre os maus cheiros, como o bom soldado avança entre as fileiras do inimigo!

E também o olfato acabou por obedecer ao dono e senhor.

Da mesma maneira Luís fêz com que o gôsto lhe obedecesse.

Quando na mesa aparecia alguma comida que não apreciava, o gôsto fechava a bôca, pegava a língua contra o paladar, gritando:

-Não gosto!

Luís sorria.

-Não gostas? Espera um pouco te vou satisfazer.

Fazia então horríveis misturas. O gôsto procurava pôr em revolução também o estômago. Chamava em socorro e enjôo.

Luís, calmo, seguro de si, obrigava os dentes a se abrirem, despregava a língua do paladar, obrigava o servo teimoso a saborear devagarinho aquela comida repelente.

Assim também o gôsto se tornou submisso à vontade do dono. Vencer qualquer nojo e aceitou tôdas as comidas.

Mas o domínio maior de Luís se deu com o último e mais perigoso dos sentidos: o tacto.

Êste sentido está sempre presente e sempre à espreita. Mesmo quando estamos dormindo, o tacto está acordado. É possível fazer calar os outros sentidos, fechando os olhos, tapando os ouvidos, obstruindo o nariz, cerrando a bôca, mas o tacto é o mais difícil a ser dominado.

Êle se estende por tôda a superfície do corpo, e não é fácil se defender dêle, da ponta do mindinho ao tôpo dos cabelos. Não é fácil frustar tôdas as suas manhas.

E a manha, a traição do tacto, consiste em mudar em prazer ocioso o que é útil conhecimento. Tocando um objeto sabemos se é frio ou quente, duro ou macio, liso ou áspero.

Até aqui o tacto é um servidor correto e assaz útil, mas quando o toque se torna uma carícia demorada, quando a carícia transforma-se em prazer ocioso, quer dizer que o tacto atraiçoou, e o servidor operoso tornou-se servidor vicioso.

Luís conseguiu manter no ofício certo o mais perigoso dos sentidos. Nunca lhe permitiu se tornar vicioso. Guardou intacto o condor do seu corpo, nunca se entregando a uma ato impuro.

Vimos como desde a infância, êle prometera a Nossa Senhora ser igual a um lírio. O lírio é completamente branco, do fundo do cálice à ponta das pétalas. Luís alcançou ser cândido em todo o corpo, e essa foi uma das suas maiores vitórias.

Mas para explicar essa vitória é necessário ter presente que êle teve o cuidado de empregar todos os outros sentidos para a custódia do último e mais perigoso servidor.

Refreou os olhos para que o tato não fôsse excitado; deixou em paz os ouvidos para que o tacto não fôsse subornado; castigou o olfato para que o tato fôsse mortificado; castigou o gôsto para que o tacto fôsse humilhado.

E nisso mostrou-se estrategista mais esperto de que todos os seus antepassados comandantes.

O Marquês de Castiglione, seu pai, sabia que para vencer uma batalha era necessário vencer em todos os lados. Não adiantava vencer na extremidade esquerda, se havia derrota na direita. Era perigoso avançar no centro, quando se recuava aos lados.

De mesma forma, o jovem noviço da Companhia de Jesus compreendeu que não adiantava ser obedecido pela vista, se o ouvido dominasse; não adiantava subjugar o olfato, se o gôsto continuava rebelde. Era preciso vencer em tôda a linha, isto é, assenhorear em todos os sentidos, e a vitória final dessa batalha obtida sôbre todos os sentidos, chamava-se “pureza”!

Luís venceu, por isso foi puro. Mostrou-se mais valente do que os mais valentes capitães, mais arrojado de que os mais arrojados soldados, mais precavido do que os mais precavidos estrategistas.

Deus lhe deu a vitória na terra. E a vitória conseguida por Luís na terra foi a pureza.

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O Lírio dos Gonzaga
Autor: Piero Bargellini
Editora: Paulinas
Tradução: Pe. José Valsánia
Páginas: 77 - 84

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Por uma Honduras livre

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Se você quer se informar sobre o que verdadeiramente está acontecendo em Honduras, não procure nos grandes jornais escritos ou televisivos. Eles, há muito tempo, já não são meios idôneos de informação para vários assuntos. Recomendamos para acompanhamento os links abaixo:

Reinaldo Azevedo

Coturno Noturno

 

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