segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Católicos são Idólatras! - Parte I


"Evangélicos" prostrados perante imagens de anjos



“Não te prostrarás diante deles...” (Êxodo 20:5)


Por Felipe da Cruz

Vez ou outra temos escutado por parte dos “crentes” ou “evangélicos”¹ a seguinte acusação descabida: “Os católicos são idólatras, pecadores porque se ajoelham perante as imagens e louvam os santos!” Com efeito, de acordo com os “evangélicos’ o louvor e o ato de prostrar-se só deve ser feito para com Deus.

Porém, essa é uma grande mentira! Afinal, nem todo ato de “louvar” ou “prostrar-se” (ajoelhar-se) equivale a adoração.

Como veremos:

1 – A Bíblia não proíbe prostrar-se em sinal de reverência perante pessoas ou objetos dignos, em algum sentido, desse ato respeitoso.



2 - A Bíblia não proíbe o louvor devido a grandes seres humanos, como os santos por exemplo.

Para abordarmos com mais cuidado cada uma dessas questões, dividiremos esse artigo em duas partes. Agora trataremos do primeiro ponto (A Bíblia não proíbe prostrar-se em sinal de reverência perante pessoas ou objetos dignos, em algum sentido, desse ato) e, num segundo artigo, trataremos, finalmente, do último ponto.

I - PROSTRAR-SE PERANTE SERES HUMANOS

Confiramos esses textos da Bíblia:

Crianças ajoelhadas perante Bispo
“Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra.” (1Samuel 25:23)

“E o fizeram saber ao rei, dizendo: Eis aí está o profeta Natã. E entrou à presença do rei, e prostrou-se diante dele com o rosto em terra.” (1Reis 1:23)

"E mandou o rei Salomão, e o fizeram descer do altar; e veio, e prostrou-se perante o rei Salomão, e Salomão lhe disse: Vai para tua casa." (1Reis 1:53)

"Estando, pois, Obadias já em caminho, eis que Elias o encontrou; e Obadias, reconhecendo-o, prostrou-se sobre o seu rosto, e disse: És tu o meu senhor Elias?" (1Re 18:7)

"E veio Judá com os seus irmãos à casa de José, porque ele ainda estava ali; e prostraram-se diante dele em terra." (Gen 44:14 )

“E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.” (Mateus 18:25-26)

(favor conferir também os seguintes textos da Palavra de Deus: 2Crônicas 24:17; Êxodo 18:7; 1Samuel 24:8; 2Samuel 9:6; 2Reis 2:15; 2Samuel 14:4; 2Samuel 14:22; 2Samuel 19:18; 1Reis 1:16; 1Reis 1:31; 2Reis 4:37; 1Crônicas 21:2; Isaias 60:14; Isaias 45:14 )


JOSUÉ SE PROSTRA PERANTE UM OBJETO SANTO:

Ajoelhado perante o corpo de José M. Escrivá
“Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do SENHOR até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças. (Josué 7:6)



PROSTRARAM-SE AO SENHOR E AO REI:

“Então disse Davi a toda a congregação: Agora louvai ao SENHOR vosso Deus. Então toda a congregação louvou ao SENHOR Deus de seus pais, e inclinaram-se, e prostraram-se perante o SENHOR, e o rei.” (1Crônicas 29:20)

Perceba, caro leitor, que nesta passagem mostra justamente um ato parecido, porém com sentidos e razões diferentes: eles se prostram a Deus, para adorá-lo, mas também ao Rei, para reverenciá-lo. Deus em momento algum se enfureceu com aquilo.



II  - OBJEÇÕES FEITAS POR ALGUNS “EVANGÉLICOS”



1 – JOÃO SE PROSTROU AO ANJO E FOI REPREENDIDO:

Ajoelhado perante São Padre Pio
“E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar.” (Apo. 22:8)

Perceba aqui, estimado leitor, que João deixa muito claro qual foi o ato dele: adoração. Ele se prostrou justamente para adorá-lo, e foi repreendido pelo próprio anjo.

O mal aqui não estava em se prostrar, mas em se prostrar para adorá-lo. Compare o ato de João com os citados acima, como 1Crônicas 21, 16, em que Davi se prostra para o anjo e não é repreendido pelo mesmo, pois não se prostrava para adoração, mas simplesmente por respeito.


2 - CORNÉLIO REPREENDIDO:

“E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.” (At 10:25-26)

Ajoelhados perante o papa
Aqui acontece a mesma coisa: Cornélio se prostra para adorá-lo e não simplesmente para reverenciá-lo, por isso foi repreendido. Compare com esse texto:

E, acordando o carcereiro, e vendo abertas as portas da prisão, tirou a espada, e quis matar-se, cuidando que os presos já tinham fugido. Mas Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos. E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. (At 16:27-31)

A diferença entre esse texto e o de cima fica clara: em um houve adoração, já no outro não, mas apenas um ato de respeito. Paulo e Silas não repreendem o carcereiro, pois o que ele fez foi apenas um ato de respeito, uma suplica, um pedido em desespero, longe de ser uma adoração aos mesmos.



Nossa Senhora do Bom Conselho, rogai por nós!



1 – Identificamos (sem entrarmos em maiores detalhes) nossos irmãos separados como “crentes” ou “evangélicos”; todavia, poderíamos taxá-los tão simplesmente, de modo geral, “protestantes” ou “neo-protestantes” para englobá-los todos naquela corrente oriunda também das heresias do final da Idade Média e princípios da Idade Moderna. O fato é que o termo “evangélicos” se deveria aplicar mais acertadamente aos católicos uma vez que seguem, em sua integridade, os ensinamentos das sagradas escrituras. O termo “crente” por sua vez, pode ser aplicado inclusive ao Demônio, que crê, “mas treme”.

Referência: para a primeira parte desse artigo utilizamo-nos de uma já catalogada lista de textos apresentada no site Veritatis Splendor, além de fazermos pequena adaptação de seus comentários para facilitar ainda mais a leitura do conteúdo.


Segunda parte aqui.





terça-feira, 13 de novembro de 2012

A carreira de professor

São João Bosco
                                                                                  
                    
                                                                                                                            Por Dom Tihamer Toth

Serás professor? Terás, então, ensejo de semear o grão do bem em milhares de almas jovens.

A sociedade inteira deverá agradecer-te o trabalho, pois é com o desgaste de teus nervos que pagarás a atividade incessante consagrada a educar as crianças, e a inocular ciência e instrução nesses pequenos bárbaros que ameaçam destruir a cultura humana. Quase inteiramente do professor depende o fazer da escola uma instituição que, além do ensino, dê a educação que desenvolva não só o espírito dos meninos, como também o caráter.

Todos chegaram hoje à convicção de que a escola deveria ocupar-se muito mais da formação do caráter juvenil. Porquanto, do ponto de vista do futuro da pátria, importa pouco que os jovens saibam se Juno tinha o hábito de esbofetear Zeus, se esposo, com a sandália ou com a própria mão; o que importa antes de tudo são os costumes, a vida, o caráter da jovem geração que deve sair da escola.

O bom professor é o guardião dos belos santuários que existem: os corações infantis. Todo o ouro, todas as pedrarias, toda a pompa do templo de Salomão nada são ao lado duma alma pura. E a tarefa do professor é cuidar desse templo vivo. Os pais, a família, a Igreja confiam-lhe os seus tesouros mais preciosos, a fim de que lhes ensino o entusiasmo para com o belo e para com o bem, e o horror do mal.

Se esses rapazes ignorantes, inconstantes e sem força de vontade vierem a ser algum dia homens instruídos, de caráter firme, não em último lugar caberá mérito ao bom professor que cumpre com zelo o seu dever. O trabalho do mestre é extremamente fatigante e bem mal remunerado: mas, se ele o toma pelo lado ideal, pode sempre haurir forças novas na certeza de que, pela sua dedicação, adquire grandes merecimentos diante de Deus.

Salvo o sacerdote, ninguém pode ter tanta influência sobre a educação moral da juventude como um professor piedoso que ama paternalmente a seus discípulos.

Livro: O môço educado

Autor: Dom Tihamer Toth

Parte III – No limiar duma carreira

A carreira do professor

Páginas: 204-204

Editora Vozes LTDA.- Petrópolis RJ

IV Edição - 1960

IMPRIMATUR por Comissão Especial do Exmo. e Revmo. Sr. Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Bispo de Petrópolis. Frei Desidério Kalverkamp, O.F.M. Petrópolis, 21- XII-1959

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Mentira! A lenda da papisa Joana...


Lendária papisa Joana, citada por muitos inimigos da Igreja

Por Felipe da Cruz

Como prometemos segue abaixo mais um interessante texto do autor A. M. Lescure. Trata-se de mais uma boa argumentação para respondermos a certos professores que, ofensores da Igreja Católica, apresentam como fatos históricos algumas infundadas lendas do passado. Pedimos a Nossa Senhora Aparecida que interceda por tantos alunos de nossas escolas brasileiras enganados pela ignorância de alguns de seus professores anticlericais.

Houve mesmo a papisa Joana?

“Quem está em dia com a crítica histórica moderna não se ocupa com essa velha lenda, esquecida na imaginação popular.



Pedro Bayle (1647-1706)

O livre pensador Pedro Bayle, em seu dicionário histórico publicado no fim do século XVII, declara que, desde 1554, João Thurmayer colocava a história da papisa Joana no rol das fábulas ridículas.

Se forem consultados os documentos da época e os dois séculos seguintes, ver-se-á que não há referência a esse acontecimento, que teria causado sensação na época em que tivesse existido.

Os primeiros cronistas quem deles fazem menção, no fim do século XIII, não estão de acordo sobre o nome e a nacionalidade da curiosa e lendária personagem.


De mais, afirmam que reinou pouco mais de dois anos, não se sabe em que data, ao certo, se entre 855 e 915, segundo uns, se entre 1087 e 1100, como pretendem outros.

Ora, nestas datas, não há interrupção de dois anos na lista dos papas que governavam a Igreja.


Muitos professores mostram-se anticlericais

Não passa de uma lenda muito ridícula a história da papisa Joana. Um crítico moderno diz ironicamente que uma pessoa séria que apresentasse contra a Igreja a objeção da papisa Joana, para diminuir-lhe a força e o mérito de sua divina missão, merecia que se lhe impusesse na cabeça uma grande máscara com duas orelhas de burro, que significassem os seus minguados conhecimentos de história e o valor de sua dialética...”



Virgem Maria, Intercedei a Deus por nós!


Referência:
LESCURE, A. M. Pró e Contra. Cruzada da boa imprensa LTDA. Rio de Janeiro, 1940.

sábado, 3 de novembro de 2012

Boletins Pugna - O Apostolado Católico e o MMA


O lutador russo Fedor Emelianenko (foto), considerado o melhor de todos os tempos da famosa Artes Marciais Mistas – MMA – (de fato, manteve sua invencibilidade por mais de 10 anos), declarou, numa entrevista em 2011, que gostaria de ser lembrado por seus fãs como um lutador cristão ortodoxo. Ora, é inconteste que muitos, contaminados pelo maniqueísmo (1), fariam suas críticas, questionando uma carreira construída por atos “nada Cristãos” de lutas nos rings, e agora, com intuito de elevar o cristianismo da Igreja Católica Ortodoxa Russa através da fama.

Não só iremos ignorar tais críticas superficiais ao anúncio do esportista, como diremos mais: um lutador top de MMA e um cristão católico que busca ser fiel nos combates desta vida, têm mais coisas em comum do que se imagina ordinariamente.

Antes, lembremos alguns fatos:

* Para um cristão católico que vivencia seu chamado à santidade, esta vida é uma constante batalha: primeiro, contra si mesmo e suas más inclinações, a concupiscência; depois, contra o mundo, as perversões de valores, as contrariedades (2); e, por fim, contra o príncipe deste mundo, o Demônio, seu exército e suas influências. (...)

Continue lendo aqui.


Sempre lembrando que este como outros boletins Pugna podem ser visualizados e baixados clicando no link a direita, no início de nossa página.

Sociedade da Santíssima Virgem Maria
Apostolado por amor a Cristo e sua Igreja!

domingo, 28 de outubro de 2012

O Servo de Deus

Deus favorece a muitos com a vocação sacerdotal

                                                                                                                            Por Dom Tihamer Toth



Seria difícil descrever como a idéia do sacerdócio vem a nascer na alma de um estudante. Neste, parece vir do próprio berço; naquele, ela só se apresenta pelos 14 ou 15 anos, e até mais tarde, com maior força, porém.

Noutros ainda, esse maravilhoso desejo de servir a Deus só desperta pouco a pouco talvez ao cabo de um ou dois anos de estudos diferentes. A vocação amadurece lentamente; primeiro, é incerta, como pequena e hesitante pancada à porta, a que o jovem nem sempre dá atenção. Ele próprio ignora o que se passa na alma; tomam-no dificuldades, inquietação e dúvidas.

Depois, a pouco e pouco, principia a ver distintamente a sua missão, ouve claramente o chamado de Deus. Para um, acende-se a graça da vocação como um súbito raio de luz; para outro, amadurece como um fruto; mas o remate é sempre o mesmo; o jovem sente na fronte o ósculo do Redentor, e o seu olhar fixo nele como um chamado, que o enche duma inquietação estranha: “Não sei o que me atrai, não sei o que me chama, mas sei... sinto... que devo ser padre”.

Que é que o atrai para o Sacerdócio? Quase não saberia dizê-lo. Um é todo inflamado de entusiasmo:

“Ah! Como os homens, meus irmãos, são egoístas, frios e pecadores! Quanto bem um padre zeloso pode fazer às almas imortais! Cada dia, almas que poderiam ser salvas, se estivesse junto delas um bom padre, caem presas da condenação. Devo fazer-me padre, sinto-o!”

Aí está um motivo bem nobre.

Outro diz consigo: “Sinto que, na vida profana, minha alma se revelaria fraquíssima. Que há de ser de mim se eu me parecer com esses homens de coração de gelo que não se preocupam com Deus? Eles são tantos! Não, isso não! Como sacerdote, terei talvez menos dificuldade em formar em mim mesmo a imagem de Cristo. Será mais fácil salvar minha alma para a eternidade!”

Essa, também, é uma intenção honesta.


O terceiro pensa _ “Que dignidade, que tarefa sublime fazer-se alguém colaborador de Deus! Quando eu disser missa, o Filho de Deus repousará nas minhas mãos consagradas. Quando eu confessar, almas abatidas ressuscitarão para uma vida nova! Onde quer que eu vá, o que quer que faça, a felicidade e a consolação, a força e a doçura se derramarão sobre os meus passos. Na escuridão moral que sufoca as almas de hoje, quero ser uma alma cheia de sol, quero inundar de calor, luz e vida todos os que me cercam!” “Glória in excelsis Deo, ET in terra pax hominibus!”

Que vocação a do padre! Aumentar a glória de Deus e aumentar a paz entre os homens! Semear o grão da verdade no mundo enganador, regar com orvalho divino da graça os corações ressequidos, tornar-se um salvador de almas imortais!... A carreira de padre não é fácil, bem o sei. O Senhor sofreu muito no horto de Getsêmani e no Calvário, - sofrerei com Ele! E, nessa profissão, escolherei esta máxima: “Aqui estou para me dar em sacrifício e não para servir a minha própria comodidade! Quero ser padre, alter Christus!”

Esse é um motivo sublime!

Mal o jovem se apresenta com seu projeto perante o pai, irrompe a tempestade.

“Que loucura é essa? O filho de um engenheiro, dum proprietário cheio de haveres, um moço tão bonito, tão ágil, tão cheio de vida, não há de ser padre! Ah! Meu filhos,transtornaram-te a cabeça! Alguém te deu maus conselhos. Olha meu filho, todas as carreiras estão abertas diante de ti. Vê que futuro brilhante te espera na vida! E queres abandonar tudo? Ainda não conheces o mundo e já He queres dar adeus? Não e não! Escolhe a carreira que quiseres, de antemão te dou consentimento. Mas não essa!... Não a de padre!... Isso, não!”

Os pais verdadeiramente piedosos dão graças a Deus, de joelhos, se Ele se digna chamar um de seus filhos a seu serviço; mas não é raro ouvir palavras como essas na boca dum pai inteligente, quando o filho lhe pede os consentimentos. Toma nota, meu filhos, sou o primeiro a dizer-te: por todo o outro do mundo, não te faças padre sem vocação. Vai quebrar pedras ou varrer a rua antes de ser padre sem vocação.

Mas digo-te também: desde que sintas em ti a vocação, o chamado de Cristo, esto fortis ET viriliter age, sê forte e age virilmente. É profundamente triste, realmente que sejas censurado por aqueles de quem terias o direito de esperar auxílio; é preciso, contudo, obedecer antes a Deus que aos homens (At 5,29). É preciso obedecer àquele que disse: “Quem ama seu pai e sua mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mat 18,10).

Entretanto, nesses dias de provação, nunca te esqueças do respeito que deves a teus pais. Pode-se muito bem ter firmeza sem faltar ao respeito. E a tua firmeza alcançará certamente a vitória, se a tua resposta persistir sempre a mesma: “Meu pai, minha mãe, perdoem-me, mas não posso fazer outra coisa. Devo atender ao chamado do Senhor. Faça-se a vontade de Deus, permanecerei em paz”.

Livro: O môço educado

Autor: Dom Tihamer Toth

Parte III – No limiar duma carreira

O Servo de Deus

Páginas: 197-199

Editora Vozes LTDA.- Petrópolis RJ

IV Edição - 1960

IMPRIMATUR por Comissão Especial do Exmo. e Revmo. Sr. Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Bispo de Petrópolis. Frei Desidério Kalverkamp, O.F.M. Petrópolis, 21- XII-1959

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O escritor e o bandido


Fogo: símbolo de purificação

Por Dom Tihamer Toth

Este conto foi escrito pelo russo Krillof.

Chegaram ao mesmo tempo duas almas humanas perante o tribunal do além; a de um salteador que acabara num patíbulo, e, a de um escritor de renome mundial, cujos livros, de estilo maravilhoso, regurgitavam no entanto de impiedade e imoralidade. No além, não valem nem recomendação nem desculpa, e ambos foram julgados severamente. Lá se achavam duas caldeiras suspensas a correntes maciças; lançaram o salteador numa e o escritor na outra, e acenderam por baixo um fogo espantoso.

Sucediam-se de anos e as duas almas sofriam horrorosamente. Mas eis que, um belo dia, o fogo que ardia por baixo da caldeira do salteador começou a baixar... a apagar-se pouco a pouco... terminara a punição do bandido. Reparara pelo sofrimento os seus pecados. O outro fogo, pelo contrário, flamejava ainda mais forte, sempre mais forte...

“Senhor!”, exclamou então o escritor torturado, “Senhor, isto é crueldade! É injustiça! A ninguém assassinei, com este salteador, nem fui pendurado ao patíbulo. E justamente agora, festeja na terra, com grande pompa, o centenário do meu nascimento, e eu, aqui a me consumir!”

“Miserável verme!”, foi-lhe respondido. “Ousas ainda queixar-te? Ousas comparar-te a este outro? Ele matou a um só homem, em sua cólera súbita, e expiou o seu pecado. Mas tu? Olha tão somente para aquele jovem que ocultamente devora as tuas obras impudicas! Vê como sua alma pura se cobre de manchas sombrias à medida que lê! E ousas ainda falar de injustiça? Tu, cujos livros, cem anos depois do teu nascimento, ainda continuam a destruir a fé nas almas humanas! Este salteador matou um só homem, mas tu, quantos matastes? Lança apenas um olhar sobre as milhares de almas jovens que fascinaste pela magia do teu estilo, de tuas melífluas palavras, e tornaste, pelos teus livros, descrentes e perversas! Manchaste aquelas almas e continuarás ainda por muito tempo essa tarefa infernal! E ousas ainda elevar a voz? O teu fogo nunca se apagará, e os vermes não te deixarão jamais, pois ai do que escandaliza um só dos que crêem em Cristo!...”

Depois disso, não acharás estranho que a Igreja Católica, conhecendo o perigo extremo que para as almas ocultam os livros maus, tenha redigido uma lista especial dos livros cuja leitura, porque causaria grande dano espiritual, proíbe aos seu fiéis. O título dessa lista é: Index librorum prohibitorum, “Índice”. Do mesmo modo que o Estado age sabiamente retirando do livre comércio os tóxicos, e só permitindo vendê-los nas farmácias, de ordem médica e em caso de necessidade, assim também devemos agradecer à Igreja o assinalar os livros de conteúdo venenoso com este rótulo: “Atenção! Veneno mortal!”, e de só dar licença excepcionalmente de tocar neles aos que disso hão mister, por grave motivo.

Não é só a Igreja Católica que possui um “índice”. Os Estados proíbem igualmente a venda dos livros escritos que ameaçam a ordem social, induzem a luta de classes ou insultam o exército. Eles têm razão. E tal proibição política é muito mais severa do que a da Igreja; cito tão somente o caso da Alemanha, onde o governo proibiu mais livros em 12 anos do que a Igreja Católica colocou no Índice no decurso do século XIX no mundo inteiro. Pois bem! Se o Estado se alarma tanto com a segurança temporal dos seus súditos, não haveria a Igreja de inquietar-se com o bem eterno das almas?

Na realidade são relativamente pouquíssimos os nomes no catálogo do índice; mas a consciência de todo católico deve ter a própria regra de “Índice” e rejeitar, sem ler, todo o livro de conteúdo anti-religioso ou imoral, ainda que não figure na lista oficial.

A proibição estende-se aos livros que ensinam a superstição, a adivinhação, o espiritismo, aos livros que glorificam o duelo, o suicídio, a maçonaria, etc. e também aos que, tratando de matérias religiosas (Escritura Sagrada, livros de oração, de devoção), não trazem na primeira página as palavras “Nihil obstat” e o “Imprimatur”, termos pelos quais a Igreja concede a licença necessária para serem impressos. Se tiveres dúvidas a propósito de um livro, e não souberes se figura ou não no “Índice” interroga o teu professor de Instrução Religiosa. Mas a tua própria consciência é que deve ser para ti o melhor índice: se a leitura de um livro te inquieta, se a consciência te censura, se sentes que esse livro ofende a tua fé ou as tuas idéias morais, então, qualquer que seja, este livro está para ti no “índice”! Atira-o ao fogo antes que te envenene a alma! Sê severo neste ponto, meu filho, e não te arrependerás. Teme a Deus, e, depois d’Ele, teme aqueles que não O temem.



Livro: O môço educado

Autor: Dom Tihamer Toth

Parte II – O estudante

O escritor e o bandido

Páginas: 172-174

Editora Vozes LTDA.- Petrópolis RJ

IV Edição - 1960

IMPRIMATUR por Comissão Especial do Exmo. e Revmo. Sr. Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Bispo de Petrópolis. Frei Desidério Kalverkamp, O.F.M. Petrópolis, 21- XII-1959

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Boletins Pugna - O Caráter Missionário da Igreja VS o Relativismo contemporâneo


Disse-lhe Pilatos: ‘ O que é a verdade? ’” (Jo 18,38). Acima, obra de Antonio Ciseri (1821-1891), Ecce Homo

Em um mundo pluralista, de diferentes culturas e credos, a evangelização dos povos sempre teve seus desafios e dificuldades. Muito além de serem geográficas, culturais ou políticas, as principais barreiras ao êxito da Verdade são: o Mundo, o Demônio e a Concupiscência da Carne. Suas conseqüências variaram no decorrer dos tempos: heresias, cismas, divisões, ideologias, dentre outros contratestemunhos. Em síntese: frutos do Pecado Original.

Por outro lado, o apelo de nosso Senhor, "Ide por todo e mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15), sempre foi e continuará sendo válido junto ao cumprimento de Sua promessa: enviar aos Apóstolos (e a toda a Igreja) o Espírito Santo (Jo 14,16-17) (...).


Lembrando que o leitor pode visualizar, baixar e imprimir tanto este como os nossos boletins Pugna anteriores no link ao lado ou clicando aqui.

Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM
Apostolado por amor a Cristo e a sua Igreja!

Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Um Católico pode votar no PT? Resposta: Não.

Por J. S. de O. Jr.

Eis um breve vídeo, muito bom e esclarecedor produzido pela associação pró-vida de Anápolis - GO, recomendamos estes 6 minutos de sua atenção:


Alguns devem se perguntar: o fato dos cargos públicos disputados nestas eleições serem de âmbito municipal, envolveria ou não o tema defesa da Vida? Ora, claro que sim!

A câmara de vereadores é a casa legislativa de um município. Evidente que daquela saira projetos que podem favorecer uma cultura abostista ou, o contrário, outros projetos que elevem a dignidade dos ser humano em todos os estágios de vida, inclusive o estágio materno das gestantes e seus bebês. Assim também, recordemos que uma prefeitura cuida da saúde do seu município, logo, ela pode favorecer uma cultura da vida, dando proteção às gestantes e aos nascituros quando se tem competência e consciência da dignidade do ser humano na sua integridade. Ou o contrário quando as diretrizes do governo do município estão tomadas pela ideologia pró-aborto, como o caso do PT em seu estatuto. O que favorecerá as políticas e projetos abortistas.

De fato, com o nível político que se encontra a república federativa do Brasil, em muitas cidades os eleitores católicos e conscientes enfrentam o problema de pouquíssimas opções para votar, sendo que a decisão quase sempre é o critério do “mau menor”. Contudo, boicotar um partido declaradamente abostista no seu histórico é um passo importante para dizer um não ao “demônio” do aborto e dar um indicativo do tipo de política que não queremos, de maneira alguma.

Lembremos que lutar de todas as formas contra o aborto, inclusive nas urnas, é um dever de caridade para com o próximo, especificamente com os nascituros, que terão quem “grite” e quem defenda os interesses deles, no caso, o direito fundamental a Vida.


Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A Igreja ensina a Verdade?


                               Foto do Vaticano


 
Prof. Pedro M. da Cruz


“Casa de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade.” (I Tm. 3,14)

 
Devemos cumprir cegamente todas as diretrizes de nossos pastores (os Papas, os Bispos e os padres) sem maiores distinções ou preocupações? Se Nosso Senhor outorgou tanta autoridade a seus apóstolos, por que levantarmos a voz contra certos pronunciamentos de seus sucessores? Não significariam certas palavras do divino Mestre que todo e qualquer ensino dado por parte de nossos superiores seja, sem sombra de dúvidas, infalível e irrevogável?


Jesus Cristo não prometeu a Infalibilidade à sua Igreja em todos os casos, como se todo e qualquer pronunciamento fosse irrevogável. E que isso fique bem claro! A infalibilidade consiste em que nos seus atos essenciais, quer anuncie, ordinária ou solenemente, a verdade revelada, quer decida as controvérsias doutrinais dentro de certas condições, a Igreja não pode jamais afastar-se do depósito da fé, bem como, ao mesmo tempo, não lhe pode acrescentar ou retirar verdade alguma.

 
Para que algo tão maravilhoso ocorra na Igreja Católica, ela conta com o auxílio sobrenatural do Divino Espírito Santo que lhe foi prometido pelo Cristo, seu fundador:

 
“Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber” “... o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” “Quando vier... Ele vos ensinará toda a verdade...”

 
Temos a certeza de que o Filho de Deus não mente. Se Ele afirmou essas maravilhas com referência ao Espírito Santo e à sua Igreja, é claro que tudo se realiza do modo como nos comunicou. Portanto, pobres daqueles que, infelizmente, apostataram da fé católica. Encontram-se, como que, suspensos no erro, distantes da plenitude Revelada pelo Salvador.


Sendo assim, o que indubitavelmente ocorre é uma ação toda particular da Providência que preserva a Igreja Católica no anuncio das verdades reveladas de todo erro no tocante à Fé e a Moral. Com efeito, não fora o próprio Jesus quem prometera a seus apóstolos que estaria com eles todos os dias, até o fim do mundo? Deste modo, é óbvio que Nosso Senhor jamais permitirá que sua Igreja como um todo incorra no erro em questões que põe em jogo a salvação eterna dos seres humanos.

 
No mais, se não fosse assim, por que haveria tanto rigor nas palavras de Cristo a seus apóstolos? De fato ele o dissera: “Quem crer e for batizado será salvo, e quem não crer será condenado.” Perceba, caro leitor, que Nosso Senhor coloca as pessoas sob pena de perderem a salvação eterna caso não venham a acreditar nas palavras dos seus apóstolos (atualmente, Papa e bispos a ele subordinados). Ora, para que pudéssemos confiar tão radicalmente nos ensinamentos de meras criaturas, era preciso que as mesmas estivessem revestidas – em certas circunstâncias - da autoridade do Verbo Encarnado ; era preciso que participassem, em certo sentido e sob certas condições, da infalibilidade do próprio Deus.

 
E, de fato, os apóstolos participavam desta infalibilidade no ensino e defesa da verdade; assim como se dá com todos os seus sucessores – os Bispos com o Papa, nos Concílios, por exemplo -- sob certas condições. Esse carisma jamais poderia acabar na Igreja Católica, sempre atacada por seus inimigos. Pensar o contrário seria incorrer em terríveis dificuldades insolúveis.

Essa certeza tão gloriosa levou São Paulo a proclamar aquelas palavras que, certamente, comoveram o coração de São Timóteo, assim como, hoje, comovem o coração submisso de todo fiel católico: “Quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade.” (São Paulo)

 
Finalmente, validando tudo o que temos afirmado, basta-nos recordar uma última verdade bíblica: a Igreja Católica não é uma mera instituição humana, ela é, isto sim, o Corpo Místico vivificado pelo Espírito Santo . “De Cristo é inseparável a Igreja” , ambos formam uma só pessoa mística, o Cristo total.

 
Quem ousaria defender a possibilidade de erro doutrinal numa Igreja cuja cabeça é o próprio Deus encarnado? Se é Jesus quem pensa e age através da Igreja Católica como seria possível heresias provindas da mesma no campo da Fé e da Moral? Não, isto é impossível! Sendo assim, por causa do próprio Senhor que rege e governa sua Esposa, podemos afirmar, e com alegria, a certeza na Infalibilidade da Igreja Católica!



Maria Santíssima, rogai por nós!


Referências:

S. João 14,16-17

S. João 14,26
S. João 16, 13
S. Mateus 28,20
S. Marcos 16,16. Tamb.: LANDUCCI, P.C. Cem problemas de fé. São Paulo: Paulinas, 1969. 342 p.

S. Mateus10, 40 : “Quem vos recebe á a mim que recebe”
I Tim. 3, 14
Efésios 1,23; 4,12-16; Col. 1,18.24
Conf. João Paulo II. Augustinum Hipponensem. Doc. Pontifícios, n. 210. Petrópoles: Vozes, 1986, p. 24 e 28. Ainda segundo este documento, Santo Agostinho chegou a afirmar: “Não acreditaria no Evangelho se não me induzisse a isto a autoridade da Igreja Católica.” p. 45


domingo, 16 de setembro de 2012

Afinal, quem se diz ateu?

  
Por Felipe da Cruz

Diz o insensato em seu coração: Não há Deus. Corromperam-se os homens, seu proceder é abominável, não há um só que pratique o bem” (Sal. 52,2)

É incrível como nos dia atuais faltam bons livros. Providencialmente caiu em minhas mãos um antigo livro de A. M. Lescure datado do ano de 1940, portanto, anterior ao Concilio Vaticano II. Suas páginas transbordam de ardor apologético e amor à santa Igreja. Como seria bom se em nossos dias os jovens encontrassem ainda livros como esse para estudar e aprofundar seu conhecimento sobre a verdadeira religião.
Transcreverei abaixo uma reflexão que o autor fez a respeito do ateísmo. Prometo, em outras oportunidades, apresentar aos leitores deste blog que sempre tenho a alegria de frequentar outros trechos do mesmo livro. Acredito que ao propor essas reflexões estou entrando em comunhão com o apostolado que é feito por esse universo virtual. Desde já peço à Virgem Maria que abençoe nossos esforços.

2.  Não há Deus

“Quem disse que não há Deus? Os bons, os justos, as pessoas honestas, os homens sensatos?
Não. Os que afirmam que Deus não existe são os assassinos, os ladrões, os perjuros, os adúlteros, os desonestos. Estes não querem que haja Deus, porque Deus os embaraça. Têm medo de que haja Deus...
Quisera encontrar um homem sóbrio, escreveu La Bruyère, um homem casto, justo, moderado e honesto, e ouvi-lo exclamar: Não há Deus. Este homem poderia sem interesse negar a existência de Deus. Mas tal homem não existe.


Leiam os negadores da existência de Deus esta apóstrofe de Richepin:
Se Deus não existe, por que contra ele vos revoltais?
Se Ele é uma sombra, por que vibrais contra Ele os vossos golpes?

Dom Quixote a lutar contra moinhos de vento vá!
Mas lutar contra uma sombra, como vós, isso é ridículo!...
Divertem-se os homens insensatos e exclamam: Deus não existe!
Vem a doença, a morte se aproxima: foi um dia a negação!...
Na hora do perigo, o primeiro grito que sobe do coração aos lábios é a invocação da alma naturalmente cristã: “Meu Deus!”.

Razão tinha J. J. Rousseau de escrever:
“conservai a vossa alma em estado de dizer sempre que há Deus, e nunca duvidareis da sua existência.”
  
Referência Bibliográfica:
LESCURE, A. M. Pró e Contra, Respostas à as objeções contra a Religião. Trad: Cônego Xavier Pedroza. Rio de Janeiro: Cruzada da boa imprensa, 1940. Pg. 6-7