terça-feira, 16 de julho de 2013

XVI de Julho - Festa de Nossa Senhora do Carmo




Gloria Libani data est ei, décor Carmeli et Saron – “A glória do Líbano lhe foi dada, a formosura do Carmelo e de Saron” (Isaías 35, 2).


Summario. São muitas as prerrogativas concedidas àqueles que se fizeram alistar na Confraria do Carmo, mas entre todas tem a primazia a promessa feita pela Santa Virgem ao Bem aventurado Simão Stock; a saber, que serão preservados da condenação eterna e que serão livrados do purgatório no primeiro sábado depois da sua morte. Para gozar destes privilégios não basta trazer o santo escapulário, mas é preciso cumprir também as condições prescritas e ter ao menos a vontade de deixar o pecado.


I. Assim como os homens se honram de ter alguns que trazem a sua farda, do mesmo modo Maria Santíssima estima que os seus devotos tragam seu escapulário, em sinal de serem dedicados ao seu serviço e de pertencerem á família da Mãe de Deus. A santa Igreja, mestra infalível da verdade, aprovou esta devoção com muitas bulas e enriqueceu-a de muitas indulgências.

Falando em particular do escapulário do Carmo, referem graves autores, e o Breviário Romano o confirma, que a Santíssima Virgem apareceu ao Bem aventurado Simão Stock, e, dando-lhe o seu escapulário, lhe disse que aqueles que o trouxessem seriam livres da  condenação eterna. – Mais: aparecendo Maria outra vez ao Papa João XXII, lhe ordenou que fizesse saber àqueles que trouxessem o sobredito bentinho, que seriam livres do purgatório no sábado depois da sua morte. O Papa declarou isso depois em uma bula confirmada sucessivamente por vários Pontífices, e especialmente por Paulo V, que também prescreve as condições que se devem observar para gozar do privilégio.

“O povo cristão”, diz ele, “pode crer piamente no que se refere acerca do auxílio que recebem as almas dos irmãos da Confraria de Nossa Senhora do Carmo; isto é, que a Bem Aventurada Virgem Maria ajudará com a sua contínua intercessão, com os seus rogos, com os seus merecimentos e com a sua especial proteção depois da morte (principalmente no sábado, consagrado pela Igreja à mesma Virgem) as almas dos irmãos que saíram deste mundo na graça de Deus, trouxeram o seu hábito, guardando castidade, segundo o seu estado, e rezaram o Ofício Parvo da Virgem; ou, se não o puderam recitar, observaram os jejuns da Igreja, e guardaram abstinência de carne na quarta-feira e no sábado, excetuando quando nele cair o dia de Natal.”

As indulgências ligadas a este escapulário do Carmo, como aos de Nossa Senhora das Dores, das Mercês e especialmente da Conceição, são inúmeras, parciais e plenárias, para o tempo da vida e para a hora da morte.


II. Meu irmão, se ainda não fostes inscrito na Irmandade do Escapulário, pelo qual Deus tem feito e ainda faz milagres tão estupendos, faze-te alistar quanto antes. Lembra-te, porém, que esta, bem como as demais práticas de devoção em honra da Virgem, para serem eficazes, devem ser acompanhadas das boas obras, da frequência dos sacramentos e sobretudo do horror do pecado; porquanto a divina Mãe nunca deseja patrocinar o pecado e é Mãe somente daqueles pecadores que têm vontade de se emendar. Ego sum quasi mater omnium peccatorum, volentium se emendare¹.


Ó beatíssima Virgem imaculada, beleza e glória do Carmelo, vós que olhais com bondade inteiramente especial para aqueles que se vestem com o vosso bendito hábito, volvei sobre mim também um olhar propício, e cobri-me com o manto da vossa maternal proteção. Pelo vosso poder fortificai a minha fraqueza, pela vossa sabedoria dissipai as trevas do meu espírito, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Ornai a minha alma com graças e virtudes que a façam cara ao vosso divino Filho e a vós. Assisti-me durante a vida, consolai-me na morte pela vossa amável presença, e apresentai-me à augusta Trindade como Filho vosso e servo dedicado, para vos louvar e bendizer eternamente no paraíso. ” ²

“ E Vós, ó meu Deus, que honrastes a Ordem da vossa beatíssima Mãe e sempre Virgem Maria, com o singular título do Carmelo: concedei propício que, celebrando hoje com solene ofício a sua comemoração, munido do seu amparo, mereça chegar aos gozos eternos.”

***


[1] Revelação de santa Brígida
[2] Indulgências de 200 dias

FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a undécima semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 357-359.


Observação e convite: 

Uma maneira se tornar membro da ordem terceira do carmelo é recebendo a imposição com rito próprio do escapulário.

Em Montes Claros - MG, haverá esta imposição (foto), novamente neste sábado, dia 20/07/2013 na Igreja da Matriz, Centro, após a Santa Missa Tridentina. 
Todos os católicos de Montes Claros e região estão convidados.

Mãe do Carmelo, rogai por nós!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ano da Fé e Grupos de Estudos – parte I


Por Pietro Mariano dos Santos

“Meu povo se perde por falta de conhecimento.” (Oséias 4,6)

A – Ano da Fé em tempos de crise

O “Ano da Fé”, proclamado por Bento XVI[1], é uma grande resposta às necessidades do tempo presente. As palavras do Papa em um seu documento[2] referentes à “Porta da Fé” [3] - que nos introduz na única e verdadeira Igreja de Cristo - são, para bom entendedor, uma conversão ao mais essencial da eclesiologia tradicional, infelizmente abandonada por tantos pseudo-teólogos da modernidade.

Não é segredo para ninguém a evidente manobra de certo ecumenismo modernista, que pretende a Igreja Católica como, tão somente, “mais uma” instituição ao lado de todas as outras que se dizem cristãs. Nessa falsa perspectiva teológica, “tanto faz” ser católico ou não, pois “o mais importante é o amor” – dizem. Como se fosse possível a caridade sem o concurso da verdadeira revelada pelo Pai através de Cristo à Sua Igreja. “A fé sem caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida”. (Porta Fidei, Bento XVI, n.14).

Estamos perante a mais completa rejeição de um dogma Católico: “Extra Ecclesiam nulla salus” (Fora da Igreja não há salvação); proclamado, não só por Inocêncio III (1208), como também no Concilio Lateranense IV (1215) e no Concilio Florentino (1442). Graças a Deus, tal verdade fora ultimamente retomada por J. Ratzinger em “Dominus Iesus”, para espanto dos “progressistas”. Sobre esse tema central afirmara o Cardeal Giacomo Biffi:
“À luz destes testemunhos, não se vê como se possa contestar o principio: ‘fora da Igreja não há salvação’, a menos que se relativize toda doutrina eclesial e se considere que não existe no âmago da concepção católica nenhum ensinamento certo e irrevogável.” [4]

Porém as loucuras não param por aqui...

Outros vão ainda mais adiante em sua revolta: além de afirmarem o “tanto faz” ser católico ou pertencer a qualquer outra suposta “igreja cristã”, chegam a defender que nem mesmo o cristianismo seria tão necessário assim, uma vez que poderíamos pertencer a qualquer outra religião (Judaísmo, Budismo, Islamismo, Hinduísmo etc.). Defendem-se afirmando que “Deus é o mesmo” (Sic) e que, portanto, qualquer religião seria válida. A centralidade do cristianismo para esses “moderninhos paz e amor” seria um ato orgulhoso de padres e bispos “quadrados”, “fechados” e fundamentalistas.



Ora, vá dizer a certo tipo de Maometano que Alá é “Pai e Filho e Espírito Santo”, e tente voltar vivo para nos comunicar sua resposta...
Sobre este ponto, assevera-nos Bento XVI que crer em Jesus é o caminho para se chegar definitivamente à salvação. Ele é, de acordo com o atual para emérito, o único salvador do mundo (Porta Fidei, Bento XVI, n.6).

É por vermos idéias tão distantes da verdade, que entendemos um pouco mais a decadência atual. Além disso, somente um número reduzido de cristãos têm tido a ousadia de pregar destemidamente a fé de sempre (Porta Fidei, Bento XVI n. 8).  Tal carência na evangelização acaba por impedir a muitos de cruzarem o limiar daquela Porta que nos conduz ao batismo na única Igreja realmente fundada por Nosso Senhor. Afirmamos assim – “realmente fundada” – porque a lábia modernista de alguns padres (é com tristeza que o dizemos) tem enganado aos incautos com a falsa doutrina de que a Igreja Católica estaria tão somente “fundamentada em Cristo”. Isso equivale a defender que o catolicismo não foi - segundo eles - de fato, histórico e objetivamente, fundado pelo Filho de Deus.
“Já não nos defrontamos com adversários ‘em pele de cordeiro’, mas com inimigos aberta e desavergonhadamente assumidos na nossa própria casa, os quais, tendo feito um pacto com os maiores inimigos da Igreja, estão decididos a arrasar a fé [...]” [5] (S. Pio X)

Eis o motivo de vermos tantas “velhinhas bondosas” ensinando aos seus netinhos por aí sandices como esta: “Não, meu filho, Jesus nunca fundou uma Igreja... isso é coisa dos homens. A gente só vai à missa porque é bom cada pessoa ter sua crença. Eu vou morrer católica porque nasci nessa ‘lei’.”

Alguns anos depois...
Olha lá a velhinha com seu netinho pulando e dançando - apesar da osteoporose e Cia - em cultos protestantes ou terreiros de macumba...

Acima, "missa sertaneja' em uma famosa rede de tv católica. Abaixo, o "pastor fazendeiro" ($$$), Waldomiro Santiago.
 Semelhanças não são mera coincidência. 
Deste modo, aumentam-se as convulsões que se seguiram após o Concilio... Um a um, como em fila bem organizada, vão saindo uns pobres fiéis da Igreja Católica e se perdendo em seitas dos mais variados tipos: não auscultaram a fé de sempre, e, se a ouviram, ela não lhes plasmou o coração pela graça...

S.S. Paulo VI vira no Ano da Fé por ele proposto em 1967 uma conseqüência e exigência do período pós conciliar. Ele estava ciente das graves dificuldades daquele tempo, sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira Fé e da sua reta interpretação (Porta Fidei, Bento XVI, n. 5). Com efeito, chegara ao ponto de afirmar que, por alguma brecha, a fumaça de satanás entrara na casa de Deus.

O atual papa emérito, reiteradas vezes, quis dar-nos a entender que os textos do Concílio Vaticano II devem ser conhecidos e assimilados no âmbito da Tradição da Igreja. “Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concilio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação [...]” [6]

Essa proposta nos faz recordar as sábias palavras de São Vicente de Lérins, citadas pelo antigo Arcebispo de Paris, o Cardeal Suhard, (que, infelizmente, auxiliava os padres Chenu e De Lubac, apesar de seu modernismo manifesto):
“Mas, dir-se-á talvez, não é a religião susceptível de qualquer progresso na Igreja de Cristo? Seguramente que sim, e muito grande. Quem seria bastante inimigo da humanidade, bastante hostil a Deus, para lhe tentar opor? Mas, com uma condição indispensável: que se trate verdadeiramente de um progresso da fé e não da sua alteração. Pois o próprio do progresso consiste em que um ser se desenvolva permanecendo ele próprio; enquanto a alteração consiste em que uma coisa se transforme em outra [...]” [7]

Cristo Rey
Caso um legítimo progresso na doutrina (claro, pela ação do Espírito Santo) - sem alteração - não seja realizado hoje em lugar do que tem ocorrido, o mundo continuará se afastando daquele ideal tão bem representado no auge da Idade Média (Século XIII). Está evidente na atualidade, para qualquer observador, o quanto a sociedade dista do projeto católico onde Cristo exercerá Seu Reinado Social. “Enquanto no passado era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.” (Porta Fidei, Bento XVI, n. 2)

Essa situação preocupante exige de nós uma atitude. É o que meditaremos na segunda e última parte deste nosso artigo. Peçamos a Nossa Senhora do Bom Conselho que nos proteja e ilumine por sua doce intercessão nos caminhos desta vida de lutas e dificuldades.

Virgem Santíssima, ora pro nobis!
Maria Sempre!




[1] O ano da fé teve inicio aos 11 de outubro de 2012 (cinqüentenário da abertura do Concílio Vaticano II) e se estenderá até 24 de novembro de 2013.
[2] Porta Fidei, sobre a o Ano da Fé, S.S. Bento XVI.
[3] Conf. At. 14,27
[4] BIFFI, Giacomo. Para amar a Igreja. Trad. Socorro Coelho. B. H., Ed. O Lutador, 2009, p. 79
[5] S.S. Papa São Pio X, Sacrorum Antistitum.
[6]  S.S. Bento XVI, Discurso à Cúria Romana (22 de dezembro de 2005)
[7] SUHARD, Cardeal. Triunfo ou declínio da Igreja. Lisboa, 1947, p. 66.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Feliz aquela que acreditou

D. Ghirlandaio: La visitación
(cf. Lc 1, 45)


58. Na parábola do semeador, São Lucas refere estas palavras com que o Senhor explica o significado da « terra boa »: « São aqueles que, tendo ouvido a palavra com um coração bom e virtuoso, conservam-na e dão fruto com a sua perseverança » (Lc 8, 15). No contexto do Evangelho de Lucas, a menção do coração bom e virtuoso, em referência à Palavra ouvida e conservada, pode constituir um retrato implícito da fé da Virgem Maria; o próprio evangelista nos fala da memória de Maria, dizendo que conservava no coração tudo aquilo que ouvia e via, de modo que a Palavra produzisse fruto na sua vida. A Mãe do Senhor é ícone perfeito da fé, como dirá Santa Isabel: « Feliz de ti que acreditaste » (Lc 1, 45).

Em Maria, Filha de Sião, tem cumprimento a longa história de fé do Antigo Testamento, com a narração de tantas mulheres fiéis a começar por Sara; mulheres que eram, juntamente com os Patriarcas, o lugar onde a promessa de Deus se cumpria e a vida nova desabrochava. Na plenitude dos tempos, a Palavra de Deus dirigiu-se a Maria, e Ela acolheu-a com todo o seu ser, no seu coração, para que n’Ela tomasse carne e nascesse como luz para os homens. O mártir São Justino, na obra Diálogo com Trifão, tem uma expressão significativa ao dizer que Maria, quando aceitou a mensagem do Anjo, concebeu « fé e alegria ».[49] De facto, na Mãe de Jesus, a fé mostrou-se cheia de fruto e, quando a nossa vida espiritual dá fruto, enchemo-nos de alegria, que é o sinal mais claro da grandeza da fé. Na sua vida, Maria realizou a peregrinação da fé seguindo o seu Filho.[50] Assim, em Maria, o caminho de fé do Antigo Testamento foi assumido no seguimento de Jesus e deixa-se transformar por Ele, entrando no olhar próprio do Filho de Deus encarnado. 

59. Podemos dizer que, na Bem-aventurada Virgem Maria, se cumpre aquilo em que insisti anteriormente, isto é, que o crente se envolve todo na sua confissão de fé. Pelo seu vínculo com Jesus, Maria está intimamente associada com aquilo que acreditamos. Na concepção virginal de Maria, temos um sinal claro da filiação divina de Cristo: a origem eterna de Cristo está no Pai — Ele é o Filho em sentido total e único — e por isso nasce, no tempo, sem intervenção do homem. Sendo Filho, Jesus pode trazer ao mundo um novo início e uma nova luz, a plenitude do amor fiel de Deus que Se entrega aos homens. Por outro lado, a verdadeira maternidade de Maria garantiu, ao Filho de Deus, uma verdadeira história humana, uma verdadeira carne na qual morrerá na cruz e ressuscitará dos mortos. Maria acompanhá-Lo-á até à cruz (cf. Jo 19, 25), donde a sua maternidade se estenderá a todo o discípulo de seu Filho (cf. Jo 19, 26-27). Estará presente também no Cenáculo, depois da ressurreição e ascensão de Jesus, para implorar com os Apóstolos o dom do Espírito (cf. Act 1, 14). O movimento de amor entre o Pai e o Filho no Espírito percorreu a nossa história; Cristo atrai-nos a Si para nos poder salvar (cf. Jo 12, 32). No centro da fé, encontra-se a confissão de Jesus, Filho de Deus, nascido de mulher, que nos introduz, pelo dom do Espírito Santo, na filiação adoptiva (cf. Gl 4, 4-6).

60. A Maria, Mãe da Igreja e Mãe da nossa fé, nos dirigimos, rezando-Lhe:


Ajudai, ó Mãe, a nossa fé.

Abri o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.

Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.

Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé.

Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer.

Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.

Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.

Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que esta luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor. 

[49] Cf. Dialogus cum Tryphone Iudaeo, 100, 5: PG 6, 710.
[50] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 58.
Trecho final da Encíclica Lumen Fidei, de Sua Santidade Papa Francisco, publicada em 05/07/2013. Site do Vaticano.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O Altar



A palavra altar vem de ardore, porque antigamente as vítimas e holocaustos dos animais que se sacrificavam eram queimados e ardiam no altar, como consta no Levítico. Diz-se araab ariditate, que é o mesmo que secura, porque se queimavam e se sacrificavam aromas no fogo que havia nele. A edificação de altares é anterior à edificação de templos, porque antes de Moisés edificar o tabernáculo na saída do cativeiro de Egito, e antes de Salomão edificar aquele suntuosíssimo templo a mandado de Deus e de seu pai David, já se haviam edificado altares. Altares foram edificados primeiramente por Noé, na saída da arca, depois do dilúvio. Noé ofereceu a Deus sacrifícios de animais e aves limpas. Também Abraão, Isaac e Jacó edificaram altares (Gênesis). Moisés edificou antes de fazer o tabernáculo (Êxodo). Gedeão, idem (livro dos Juízes). Samuel em Ramatha. Elias no monte Carmelo e Judas Macabeu (mesmo livro). Diz Durando que destes Padres antigos tiveram origem os altares e igrejas. Esses altares tinham quatro extremidades, como os nossos.

No começo de nossa Lei, fabricavam-se alguns altares de pedra. Estes — diz São Tomás de Aquino — simbolizavam Cristo, que é pedra: Petra autem erat Christus. O altar-mor significa Deus Uno e Trino; a glória celestial, a alma santa e o coração do homem onde se coloca o Senhor. Os altares inferiores significam a cúria celestial, os coros dos santos mártires e das virgens, etc.

Na Lei da Graça, o primeiro altar foi o da Cruz, e a mesa do altar foi a mesa em que Cristo ceou com os discípulos, quando instituiu a Eucaristia.

(Extraído da apostila composta pelo Pe. Marciano Gonçalves Siqueira, baseado no livro "El por qué de todas las ceremonias de la Iglesia y sus misterios" - Belo Horizonte, 29/6/1976).


Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

As artimanhas de Satanás - parte III



Por prof. P.M.C.

Sociedades Secretas

Olhando para a história da humanidade observamos que amantes de pensamentos exóticos – com o a gnose ou o panteísmo, que diviniza a matéria com otimismo exacerbado – organizaram-se em sociedades, muitas vezes, secretas. Afirmava São João Bosco, apóstolo da juventude que os maus se ajuntam com facilidade...

É bem compreensível (se bem que não aceitável) o surgimento dessas associações; indivíduos com a mesma mentalidade tendem a formar, ainda que de modo embrionário, uma espécie de corpo social. Daí a consubstanciarem-se numa estrutura, por sua vez, torna-se molde, uma fôrma para novos membros, incutindo-lhes hábitos e promovendo a crença. 

Os vínculos e a coesão entre os adeptos facultada pela estrutura – desde a relação da autoridade com os súditos, como dos membros entre si - estabelece tal grau de identificação grupal que todo corpo estranho pode ser tido como inimigo mortal a ser destruído.


Para destruir as fortificações de seus inimigos utilizam-se de recursos, os mais funestos, diametralmente opostos aos princípios do Evangelho. Lembremo-nos que sociedades esotéricas, ocultistas, gnósticas e anticristãs em geral, nos seus níveis mais secretos, usam da mentira, do suborno e do terror, pois, segundo creem, os fins justificam os meios, principio condenado pela moral.

“(...) hoje esses inimigos de toda verdade e de toda justiça adversários encarniçados de nossa santíssima religião, por meio de venenosos livros, libelos e periódicos, espalhados por todo o mundo, enganam os povos, mentem maliciosamente e propagam outras doutrinas ímpias das variadas espécies[1]

Para termos ideia de quanto tramam contra a fé ortodoxa basta lembrarmo-nos de livros como “Conjuração Anti- Cristã” e “Complô contra a Igreja”, para não citarmos a encíclica “Pascendi” de São Pio X, que atraindo nossos olhares rumo às veias da Igreja afirma o grau de infiltração que temos sofrido ao longo dos tempos.

clique para visualizar o livro

Consumidos por um espírito liberal, os opositores da verdade avançam contra todas as barreiras, submissos tão somente à autoridade de suas próprias consciências deturpadas e paixões desregradas. “O liberal é um fanático por independência, proclamado-a em tudo e para tudo, chegando aos raios do absurdo”[2]

As sociedades secretas são deste modo, o canteiro das mais diversos pensamentos heterodoxos, e por isso, sua clara e, muitas vezes velada, oposição aos dogmas católicos. Os princípios liberais desses grupos, promotores do espírito pseudo-humanista e personalista de nosso tempo, são, por si só, a prova de seu veneno e malícia. Que Maria Santíssima nos proteja em seu Imaculado Coração de toda maldade dos inimigos de Deus, Nosso Senhor.

Rainha dos Anjos, rogai por nós!


[1] Quanta Cura, Pio IX,1864. 
[2] Citado por: LEFEBVRE, Marcel. A ordem natural e o liberalismo. Revista Semper.FSSPX.N° 37. Lisboa,1998. Pg. 21.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre a nova moda de protestar

Por J. S. de O. Jr.


Vamos apenas indicar dois ótimos e esclarecedores artigos:

E o artigo do padre Cristóvão, publicado no Fratres in Unum, sobre a real intenções do 'Movimento passe livre' que começou os protestos em São Paulo e em outras capitais.

Nada a acrescentar aos dois excelentes textos, quem estiver surpreso, é a prova que precisa se atualizar e conhecer muito mais os inimigos da própria civilização cristã.

Só uma observação a se registrar:


Se a quantidade de católicos, (incluindo religiosos) que aderiram a moda da manifestação, aderissem o manifesto pela família, contra o aborto e seus derivados...
Ah... Deus está vendo tudo.

"A quem muito foi dado, muito será pedido." (Lucas 12,48).

"Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios." (Efésios 5,15).

Virgem Aparecida, rogai por nós.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Namoro - muito além das aparências...

Por João S. de O. Jr.

Poucos temas despertam tanto os anseios humanos quanto o amor entre o homem e a mulher. Neste mensal, refletiremos sobre o Namoro. Mas, o que de fato vem a ser este “estar enamorado” que tanto instiga, desperta ou preocupa, seja para a alegria de complementaridade ou mesmo para a decepção (quando vivido incorretamente) do coração humano? 
O namoro é fase de conhecimento recíproco entre a moça e o rapaz a fim de num futuro breve, decidirem ou não, a selar o compromisso definitivo do amor através do matrimônio. 

Mas atenção! Este conhecer ao outro é fundamentalmente interior, enxergar além das aparências.
Namorar é sobretudo conhecer a alma da outra pessoa, não ao corpo (íntimo) que é templo do Espírito Santo. Pois, a verdadeira entrega total (corpo e alma) só será plena (portanto lícita) no casamento. Daí, ser fundamental a virtude da Castidade, a qual falaremos em breve e que é vivida tanto na vida de solteiro como na de casado.

Namorar não é “ficar” 

 

Namorar será também um “edificar ao outro”, partilhar situações, alegrias, desafios. Um caminhar junto, doar-se a fim de ser sinal de Deus para aquela pessoa. Logo, o namoro não pode ser um “passa tempo”, muito menos um “usufruir” dele ou dela para satisfazer egoisticamente as vontades momentâneas. 

Por aí já vemos que o “ficar” é tão prejudicial, pois vamos acostumando apenas a usar do outro, nunca a nos doarmos reciprocamente. Já dizia um sábio que o “ficar” equivale a “prostituir”. Ainda que não seja de relação carnal (genital), será uma troca (venda) de “serviço” a fim de uma satisfação de momento. 

 “Mas ele(a) não quer nada sério comigo...”
R: Dizer “não” é um grande meio de se valorizar e caso uma pessoa queira apenas um “pedaço de ti”, não te merece como namorado(a). 

“Eu vou ter que casar só por estar namorando?”
R: Necessariamente, não. Mas, você deve ter em mente que namorar é prepararem-se interiormente para a vocação a que Deus os esteja chamando, ainda que não seja você quem casará com sua (seu) atual namorada(o).
 
“O que fazer então antes de começar um namoro?” 
R: O respeito é fundamental no namoro, seja no seu êxito ou no seu término. Portanto, ter uma amizade sincera será um caminho muito melhor do que um “ficar” e será um marco antes, durante ou mesmo depois, caso tenha fim o relacionamento de namoro.

Sobre relacionamentos, sentimentos e espera:


Certamente muitas pessoas devem estar suspirando e dizendo que namoros não são tão simples assim. De fato, não o são. Todo relacionamento envolve sentimentos e emoções, complexidades e diferenças, buscas e decepções, etc. Quem nunca gostou de alguém sem ser correspondido ou “bateu cabeça” em um relacionamento? Quem não anseia achar a pessoa certa para um casamento feliz? Dificuldades são quase inevitáveis, mas serão melhor encaradas quando coloca-se o amor a Deus acima de tudo. 

Primeiro, devo lembrar que minha vocação, seja matrimonial, religiosa ou mesmo solteira celibatária, deve me levar a estar mais próximo de Deus, Uno e Trino. Glorificar a Ele e edificar ao próximo, a meta deverá ser a glória celeste. 

Segundo, muita gente deseja ter um “namoro santo”, cristão... Ótimo! Mas até que ponto estão dispostos a serem um(a) namorado(a) santo(a)? A serem uma pessoa melhor à sua família, aos seus amigos e aos outros caridosamente? 

Talvez, você esteja num momento de espera. Sim, espere, pode ser um ótimo momento a se aprimorar como pessoa, amadurecer, dedicar tempo aos amigos e familiares antes de entrar num namoro, o afeto não vai existir apenas em interesses amorosos. E por mais difícil que lhe seja a vida, espere sempre em Cristo e com Cristo, tangível e real, presente no Santíssimo Sacramento. Confie tudo a Deus.

                "(...) Como namorados, vos encontrais a viver uma época única, que abre à maravilha do encontro e faz descobrir a beleza de existir e de ser preciosos para alguém, de poder-vos dizer reciprocamente: tu és importante para mim. Vivais com intensidade, gradualidade e verdade esse caminho. Não renuncieis a perseguir um ideal alto de amor, reflexo e testemunho do amor de Deus!” (...)

Bento XVI a jovens namorados no XXV Congresso Eucarístico em set./2011; Ancona, Itália. Mensagem completa pode ser vista em http://www.opusdei.org.br/art.php?p=45446.

 Este artigo foi extraído do Pugna Namoro, já publicado em 2011.

Virgem Santíssima, rogai por nós!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Santa Missa e Escapulário


No dia 25 de maio aconteceu na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e São José de Montes Claros - MG, a imposição com rito próprio do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo após a Santa Missa Tridentina. Esta, celebrada pelo reverendo Pe. Gledson Eduardo, contou com cerca de 90 fiéis assistindo ao Santo Sacrifício .

O sacerdote lembrou aos presentes da responsabilidade de se usar o escapulário, não como um amuleto mas, com afinco de buscar fidelidade ao propósito de quem se revesti de Jesus Cristo, expresso no rito próprio rezado na imposição. 

Boletim Pugna e escapulários (próprios de lã) preparados pela Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM
Recordamos que o Escapulário do Carmo é sobretudo um distintivo de quem se torna membro da ordem terceira do Carmelo, uma vez imposto, o fiel passa a fazer parte, por toda a vida, dos benefícios e deveres espirituais concedidos à ordem. Como também, por ser um sacramental, auxilia as almas na obtenção das graças espirituais, além de acompanhar consigo a promessa de Nossa Senhora àqueles que o carregarem até a hora derradeira da morte.
Sem dúvidas, foi um pequeno triunfo do Imaculado Coração de Maria no último sábado de maio, mês que é dedicado a ela por toda a Igreja e pelos fiéis de Montes Claros - MG. Estes, também por graça da Virgem Santíssima, têm a oportunidade de assistir a todo sábado, às 10:30 horas da manhã, na referida Matriz, a Santa Missa no riquíssimo rito romano em sua forma antiga.


Obs: As fotos desta postagem foram tiradas por um confrade via câmera de celular, o que verifica-se na qualidade não ideal daquelas. Contudo, servem-nos para o registro do acontecimento.

Salve Maria Santíssima!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

As artimanhas de Satanás - parte II




Por Prof. P.M.C


Veio único e subterrâneo



Fixemos que há um “processo permanente”. Porém, qual sua origem? Sendo Deus sumo bem, torna-se claro que a gênese desse processo só pode ter se dado no uso incorreto da liberdade por parte de alguma de suas criaturas. Sabemos que o primeiro homem foi induzido ao erro, em última instância, por Satanás; portanto, o princípio da corrupção geral só pode ter ocorrido na “Queda dos Anjos”.

A partir do pecado original, Lúcifer tem recrutado homens das mais variadas classes para organizar seu exército particular. De Caim, passando por Judas, até o último dos ímpios possuímos a imagem perfeita da astúcia em sua arte de perder as almas.

Utilizando-se da tendência ao mal presente em todo indivíduo ferido pela queda adâmica, o adversário do gênero humano, promove não somente a revolta contra Deus, mas também contra toda sua criação. O cosmos como um todo é desprezado por ele como mau, e o Deus que o criou como “o malvado”. Segundo esta cosmovisão a matéria seria uma pérfida limitação e todos deveriam aspirar por um suposto “Pan” primordial onde tudo seria “um” com ausência total de hierarquias e desigualdades. Os comunistas se alegrariam com essa realidade, cara também aos anarquistas.

Encontramo-nos aqui perante a Gnose, igualitária e antimetafísica, desprezadora do cosmos e de toda cosmovisão católica escolástica. Joseph Ratzinger nos falara deste tema algumas vezes em seus escritos:

“Colocando-se do lado da serpente, de Caim, de Judas, dos grandes proscritos da humanidade, a gnose deu expressão à sua intenção verdadeira: nega o cosmos como um todo, junto com seu deus que desmascara como tenebroso tirano e guardião de prisão; vê em Deus e nas religiões apenas o selar e o fechar definitivo da prisão que é o cosmos”.[1]

Ora, vejamos: se o Deus do Antigo Testamento (gêneses) é mau por haver criado a matéria, e Lúcifer é aquele que ensina o desprezo a este Deus malvado, logo, é Lúcifer o verdadeiro “bom” que nos instrui no caminho da liberdade. Tudo se inverte nesta lógica satânica: ao que era bom chamamos mau, e ao que era mau, bom. Levando às últimas conseqüências este raciocínio falacioso, o catolicismo, a Bíblia, toda a cultura ocidental ou qualquer instituição que se diga Cristã, enfim, tudo que se liga de algum modo a JHWH (Javé), o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, tudo isso deveria ser destruído; pois, somente assim, os indivíduos poderiam libertar a “partícula divina” que constitui seu ser mais íntimo e reintegrar-se à divindade primordial. Quem não ouve aqui o eco da serpente no Éden? Com efeito prometera: “Sereis igual a Deus”.(gênesis).

Percebe-se aqui duas formas opostas de entender a realidade criada: Uma otimista, como afirmara G.K. Chesterton sobre o catolicismo[2] e outra extremamente pessimista, a gnose, igualitária, anti-hierárquica e desprezadora da matéria.

Queda dos Anjos
Bem, se vê também a íntima relação que há entre a gnose e o maniqueísmo dualista; com efeito, ambas as formas de pensamento são contrárias à criação material. Não nos percamos, porém, nos labirínticos e escuros corredores secretos do gnosticismo herético. É próprio de Satanás, pai da mentira, temperar suas doutrinas com os mais variados sabores para, deste modo, envenenar “gregos e troianos”.

Afirmamos isso porque há ramos gnósticos que, por exemplo, manifestam certa semelhança com o Panteísmo, divinizador da matéria, o que pode parecer contraditório à primeira vista. Não esqueçamos porem que a “contradição”, opondo-se ao “princípio de identidade”, é como pano de fundo no teatro das heresias e erros em geral.

“(...) Há Gnoses que aceitam o cosmos, no sentido de que admitem a futura transformação da matéria cósmica em substância puramente espiritual e divina. Há gnoses que ao mesmo tempo amam e odeiam o Cosmos”[3]

“(…) a distinção entre Gnose e Panteísmo é muito tênue e (...) é muito fácil passa5r de um movimento para o outro. O Panteísmo tem, muitas vezes uma doutrina oculta que é de fato, gnóstica.”[4]


O que mais importa aqui, no entanto, é a idéia segundo a qual, como vimos, há um “processo permanente” que avança desde a queda angélica. Ele está fundamentado no ódio contra Deus e a sua criação. Guardemos o seguinte princípio: toda e qualquer contradição presente nos vários pensamentos opostos à Cristo e sua Igreja é mera artimanha demoníaca em seu intento de agradar às varias classes de homens que se objetiva perverter.


Com efeito, afirmava o doutor Orlando Fedeli: “(...) há um veio único e subterrâneo que liga todas as heresias do ocidente.” [5]E no mesmo sentido, se assim podemos dizer, guardadas as devidas distinções, escrevia o Marquês de Valdegamos ao Cardeal Fornari:

“Entre os erros contemporâneos não há nenhum que não se reduza a uma heresia; e entre as heresias contemporâneas não há nenhuma que não se reduza há outra (...). Idênticos entre si quando considerados sob o prisma de sua natureza e de sua origem, os erros oferecem, todavia, o espetáculo de uma variedade portentosa quando vistos através de suas aplicações.”[6]

Suplicamos à mãe de Deus que nos proteja nas lutas contra todo erro. E a Santo Irineu de Leon, terror dos gnósticos, que alcance de Nosso Senhor as luzes necessárias para combatermos os inimigos da esposa de Cristo.

Virgem de Fátima, rogai por nós! 


[1] RATZINGER, Joseph. A união das nações. São Paulo, Loyola,1975. Pg. 21. 
[2] CHESTERTON, G. K. Santo Tomás de Aquino. Trad. Carlos A. Nougué. Rio de Janeiro, Edit. Co-redentora, 2002. Pg. 101. 
[3] FEDELI, Orlando. Antropoteísmo. A religião do homem. 1ª edição. Editora Celta, 2011. Pg.38. 
[4] FEDELI, Orlando. Antropoteísmo. A religião do homem. 1ª edição. Editora Celta, 2011. Pg.38. 
[5] FEDELI, Orlando. Antropoteísmo. A religião do homem. 1ª edição. Editora Celta, 2011. Pg.37. 
[6] CORTÉS, Donoso. Carta ao Cardeal Fornari, 1852.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

A santa Missa é um meio seguro para obter as misericórdias divinas


Ipse (Iesus) est propitiatio pro peccatis nostris – “Ele (Jesus) é a propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 2,2).


Summario. A santa missa é por excelência a oração propiciatória e reparadora; é ela que continuamente atrai sobre nós as divinas misericórdias e impede a divina justiça de tomas as vinganças merecidas pelos nossos pecados. Eis porque, depois da vinda de Jesus Cristo, não se veem mais aqueles castigos tão frequentes e tão formidáveis que se observam na antiga Lei. Tomai, pois, a resolução de assistir cada dia e com a devida atenção ao santo sacrifício, mesmo à custa de algum incômodo ou de algum interesse temporal.

I. Considera que a santa missa é um sacrifício propiciatório, isto é, que torna Deus propício para nos perdoar não só as penas temporais, que ficam a pagar depois do perdão da culpa, mas também a própria culpa. Quanto à pena, a missa perdoa-a diretamente, pelo menos em parte, não só aos vivos, mas também às almas dos defuntos. Pelo que São Jerônimo afirma: “Cada missa celebrada com devoção faz sair diversas almas do purgatório.”

Quanto às culpas, perdoa-as, posto que só indiretamente, e perdoa-as todas, por mais graves que sejam, conforme a declaração do Concílio de Trento: Peccata etiam ingentia dimitti. O que quer dizer que, por meio do sacrifício do altar, concede a graça, pela qual o homem é levado a arrepender-se e a purificar-se no sacramento da penitência. – Santa Mechtilodis viu um dia que a Santíssima Virgem amolecia um diamante mergulhando-o no sangue do Coração de Jesus. Com tal visão, o Senhor lhe quis dar a entender que não há coração tão duro, que não fique amolecido só com ser tingido no sangue do Cordeiro divino, que se imola sobre o altar.

Pobres de nós, se não houvesse este grande sacrifício, que é por excelência a oração expiatória e reparadora; que continuamente atrai sobre nós as divinas misericórdias e impede a justiça divina de exercer a vingança merecida pelas nossas culpas! – Eis porque, depois da cinda de Jesus Cristo, não se veem mais os castigos tão frequentes e formidáveis que se observam na antiga Lei. Pela mesma razão tem o demônio procurado tantas vezes, e procura ainda sempre, por meio dos hereges, fazer desaparecer do mundo a missa. Faz dos hereges os precursores do anticristo, que, conforme a profecia de Daniel, antes de mais nada, abolirá o santo sacrifício do altar.¹


II. Oh, quem me dera poder assistir a mais uma missa! É o que exclamava uma pobre pecadora no leito da morte, e perguntada pelo porque, respondeu: Quer-me pareces que então se havia de acalmar todas as minhas inquietações. Vendo o sacerdote que eleva aio céu o cálice com o sangue preciosíssimo, diria eu ao Pai Eterno: Senhor, é grande a minha dívida, mas eis aí a minha satisfação. O sangue inocente do Redentor, oh, quanto melhor implora para mim a vossa misericórdia, do que o sangue de Abel bradava por vingança contra Caim!

Meu irmão, há de chegar talvez o dia em que tu também, prestes a morrer, ou (pior ainda) atormentado nas chamas devoradoras do purgatório, exclamarás: Oh, quem me dera assistir a mais uma missa! Mas então não haverá mais tempo para o fazer. Aproveita, pois, o tempo que Deus te dá agora, e toma a resolução de assistir cada dia ao divino sacrifício, e de assistir com devoção, oferecendo-o pelos fins para que foi instituído.


“Senhor, Deus todo-poderoso, eis-me aqui, prostrado diante de Vós, para aplacar e honrar a vossa Majestade divina em nome de todas as criaturas. Mas como poderei fazê-lo sendo tão miserável e pecador como sou! Mas posso e quero fazê-lo, sabendo que Vos gloriais de ser chamado Pai das misericórdias, e por nosso amor deste vosso Filho unigênito que se sacrificou por nós sobre a cruz, e sobre os nossos altares renova continuamente por nós o sacrifício de si mesmo. Eis porque eu, posto que pecador, mas pecador arrependido, pobre mas rico em Jesus Cristo, me apresento diante de Vós, e com o fervor de todos os anjos e santos, com os afetos do Coração imaculado de Maria, Vos ofereço em nome de todas as criaturas as missas que são celebradas hoje, com todas as que já foram celebradas e serão celebradas até ao fim do mundo.

Tenciono renovar a presente oferta todos os instantes deste dia e de toda a minha vida, para tributar à vossa infinita Majestade uma homenagem e uma glória dignas de Vós, para aplacar a vossa indignação e satisfazer à vossa justiça pelos nossos muitos pecados, para Vos render graças proporcionadas aos vossos benefícios e implorar a vossa misericórdia para mim, para todos os pecadores, para todos os fiéis vivos e defuntos, para a Igreja universal, e principalmente para seu chefe visível, o Sumo Pontífice romano, e finalmente também para os pobres cismáticos, hereges e infiéis, afim de que eles também se convertam e se salvem.”² † Ó doce Coração de Maria, sede a minha salvação.

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[1] Daniel 12, 11.

[2] Indulgência de três anos.

FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a undécima semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 83-85.