domingo, 15 de abril de 2012

Antecâmara Demoníaca - Magia e Bruxaria


Por Edhuardo F. H.




“Eu não espero que vocês entendam a beleza de um caldeirão (...) o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas, e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos ...”(1)

Paulo, repleto do Espírito Santo disse para Elimas, o mago: homem cheio de toda falsidade e de toda malícia, filho do diabo, inimigo de toda justiça, não cessarás de perverter os caminhos do Senhor?(2)

 Não é na astúcia que age o filho das trevas? Não é pela pérfida audácia, usando da ingenuidade alheia, que Lúcifer expande seu reinado de ódio e terror? Meditemos um pouco...

“A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo...” (3)
Não precisamos ir muito longe para comprovar essa tese. Qual maior exemplo poderíamos utilizar senão aquele que está em intenso destaque na atualidade: Harry Potter, a burlesca montagem literária e cinematográfica de proporções jamais imaginadas por sua criadora.


Por esses dias mesmo acompanhamos pelos meios de comunicação, a abertura do estúdio onde fora gravada a série, para alegria dos “Pottermaníacos”. Enquanto isso, no planeta Terra, muitos preocupavam-se a cerca da legalização do aborto de fetos anencéfalos.

Quanta contradição, nâo é verdade?Com aparente inocência o livro inicia seus leitores em um mundo análogo ao real, porém repleto de signos que remontam à prática da magia e bruxaria. Para alguns, não haveria aqui nada de reprovável. Entretanto, perguntemo-nos: seria isso realidade?

Susan Moris, também conhecida como Chasomdai, em livro de Oberon Zell-Ravenheart, um dos pioneiros do paganismo dos EUA, feiticeiro respeitado nos campos da bruxaria, escreveu-nos o que fora afirmado por muitos autores classificados pela mesma de ignorantes e fanáticos:

“(...) desagradáveis artigos fundamentalistas (...) acusavam a serie Harry Potter de ser uma ameaça satânica, e alegava que ela fora escrita para (...) afastá-las (as crianças) das principais religiões. O objetivo seria o de ensinar as crianças de que os bruxos são bons para que elas também se tornassem bruxas.” (4)Todavia, pouco depois dessa crítica aos autores que apontavam o supra-exposto nas entranhas da série Harry Potter, a mesma autora reconhece que as histórias de fato “(...) apresentam alguns dos mitos à cerca de bruxos e feiticeiros de uma maneira positiva”. (5) E mais adiante completa, como quem não tem nada a temer: “é claro que valores reais abraçados por verdadeiros bruxos e feiticeiros estão presentes na obra Harry Potter.” (6) Bom, penso que a gravidade da situação foi devidamente apresentada pela própria Susan Moris...

Certa feita, em conversa com um amigo, estudante do curso de Filosofia, que no passado foi leitor assíduo da série Harry Potter pude ouvir de seus lábios o seguinte relato:
Quando eu era mais jovem, e lia assiduamente a série Harry Potter- aliais sei quase tudo sobre a série- sentia-me atraído por essas questões ligadas a magia e a feitiçaria. E mais, percebi que a maioria dos meus colegas, queriam pertencer à casa da Sonserina”. (7)
Para quem não sabe a maioria dos pertencentes à casa de Sonserina, tinham ligação com a arte das trevas, ou eram conhecidos como Malvados e Vilões. A principal característica dos membros dessa casa é a perseverança e a ambição: são capazes de usar quaisquer métodos para atingir seus objetivos, sendo estes bons ou ruins.
Em outra parte do livro “Grimório para o aprendiz de feiticeito”, por nós já indicado, um outro autor, Raymond Buckland, faz a seguinte afirmação, estranha e perspicaz:

Você ficara feliz em saber que não precisa esperar um convite especial entregue por uma coruja (indiscreta referência ao filme Harry Potter). É como descobrir, de repente, que existe uma filial da academia de Hogwarts que você pode levar para casa.” (8)

Observamos nessa fala a percepção clara por parte dos estudantes do esoterismo, do efeito hipnotizador que a obra de J. K. Rowling exerce sobre as mentes mais desprevenidas. E como se sabe, não foram poucos os que travaram contato com a obra, uma vez que, rendeu à autora o título de segunda personalidade feminina mais rica do mundo, segundo estimativas da Revista Forbes (9) , especializada em economia e finanças norte-americana. É comum encontrarmos casas de classe média com os sete livros da série e nenhum exemplar da Bíblia Sagrada. Estranho não? Entretanto, o que nos diz a Bíblia à cerca da magia?

Não praticareis adivinhações nem encantamentos.” (10)
Não procureis os que consultam os mortos nem os adivinhos.” (11)
Que em teu meio não se encontre alguém que faça pressagio, oráculo, adivinhações ou magia ou que pratique encantamentos...” (12)

Finalmente, cremos estar clara a nossa posição a respeito do assunto; posição esta, fundamentada em textos da Sagrada Escritura. Não custa lembrar o que afirmava certo escritor do século XVII, Baltasar Gracián (1601-1658), considerado um dos mais poderosos escritores do barroco espanhol: “O homem sensato não julga de imediato aquilo que ouve”, e também: “Não se pode dizer todas as verdades: umas porque nos afetam e outras porque afetam os demais”(13).

A primeira frase serve para os leitores deste prestigioso blog, pois é um convite para que continuem a pesquisar os malefícios que uma obra aparentemente inocente pode causar a leitores desprevenidos. A segunda, cremos, descreve a postura de filo-cripto-esotéricos que usam de meias palavras e historinhas para arrastar almas desarmadas ao lodo da bruxaria e, por fim, lançá-las na fossa da magia negra.
Maria Santíssima,rogai por nós!

Notas de rodapé:


1-ROWLING, J.K. Harry Potter and the Philosopher’s Stone. Blooms. UK, 1997.
2-Cf.: Atos 13,9-10
3-Conf. Gn. 3,1
4-ZELL-RAVENHEART,Oberon. Grimório para o aprendiz de feiticeito. Trad. Júlia Vidilli. São Paulo: Madras, 2008.pg. 52.
5-ZELL-RAVENHEART,Oberon. Grimório para o aprendiz de feiticeito...pg. 52.
6-ZELL-RAVENHEART,Oberon. Grimório...pg. 52.
7-Testemunho postado com a devida autorização.
8-Idem. Pg.15.
9-Cf. :http://www.forbes.com/maserati/billionaires2004/cx_jw_0226rowlingbill04.html
10-Cf.: Lev. 19,26
11-Cf.: Lec 1931
12-Cf.: Deut. 18,10-11.
13-GRACIÁN, Baltasar. A arte da prudência. Rio de janeiro: Sextante, 2006.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Perguntas e Respostas sobre os casos de anencefalia

Dado a relevância do tema e às várias dúvias e sofismas que vão surgindo (mesmo por parte de pessoas que se dizem católicas) por causa do julgamento do STF com relação ao aborto de crianças com anencefalia, divulgamos:
Adaptação
por Thiago Santos de Moraes
36. Tem sentido a mãe manter uma gravidez, se não há qualquer possibilidade de vida após o parto, como no caso de fetos anencefálicos? Nesse caso, não é melhor o “aborto eugênico”, que liquida logo os que não têm possibilidade de sobreviver e poupa a mãe de uma gestação inútil?

Admitir o princípio de que se deve “liquidar logo” os que não têm possibilidade de sobreviver é escancarar as portas não só ao aborto, mas à própria eutanásia.
A previsão de que a morte natural ocorrerá em breve prazo não justifica que ela possa ser antecipada por uma intervenção direta com a finalidade específica de provocá-la.
O desejo de livrar a mãe do desconforto de uma gravidez cujo resultado será um natimorto também não justificará a antecipação violenta dessa morte, pois isto não tiraria ao aborto o caráter de assassinato.
Pelo fato de ser tão básico, o direito à vida do nascituro deve ter precedência sobre outros direitos da mãe, do mesmo modo como acontece com o direito à vida de um filho nascido. Pois nunca será lícito a uma mulher matar seus filhos nascidos, seu marido ou seu patrão, mesmo que estes venham a tornar sua vida penosa.
Ademais, quando os abortistas falam de fetos com anomalias graves, o conceito deles é muito amplo.
O médico abortista Thomas Gollop, que confessou ter feito abortos em fetos anômalos, em certo trecho de uma entrevista à Folha de São Paulo (24/6/94), afirmou que em cinco casos de anomalias, entramos com pedidos para realizar abortos e fomos atendidos.
O repórter então perguntou:
- Casos de anencefalia nos fetos?
- Não, não! Um se referia a uma anomalia cardíaca, outro a uma anormalidade de coluna…
Também é expressivo o testemunho dado pelo jurista Celso Bastos, renomado constitucionalista brasileiro, em entrevista a ótima revista Catolicismo (nº 525, setembro/1994):

Participei de uma discussão em que um médico, dono de diversas clínicas, defendia o aborto. Dizia ele que, com uma aparelhagem de ultrasom, pode-se saber com 80% de certeza se o feto é mongolóide, e que nesse caso, poderia ser abortado. Perguntei se, já que admitia 20% de incerteza, por que não deixar nascer a criança e depois trucida-la ao vivo? Então haveria 100% de certeza. Ele não teve resposta e ficou irritado.


Na foto acima, a anencefala Marcela de Jesus que viveu por 20 meses recebendo o cuidado da mãe.
37. Mas o anencéfalo não nasce morto? O governo não decidiu que eles podem ser abortados?

Não, não nasce. O anencéfalo não é um “natimorto cerebral”.
Aliás, todas essas denominações estão erradas. O correto é falar em morte encefálica e o encéfalo, por sua vez, é composto pelo cérebro, o cerebelo e o tronco cerebral. Os bebês anencéfalos, embora não tenham o cérebro, ou boa parte dele, têm o tronco cerebral funcionando. Este é constituído principalmente pelo bulbo, que é um alongamento da medula espinhal, e controla importantes funções de nosso organismo, entre as quais a respiração, o ritmo dos batimentos cardíacos e certos atos reflexos (como a deglutição, o vômito, a tosse e o piscar de olhos).
O Conselho Federal de Medicina, ao regular o transplante de órgãos, em sua Resolução nº 1480 de 08/08/1997, diz sobre a morte clínica:
a parada total e irreversível das funções encefálicas equivale à morte
Portanto, aqui não se fala só de cérebro.
Vale a pena transcrever aqui um trecho de um manual de Neurologia Infantil de autoria dos professores da Faculdade de Medicina da USP Aron Diament e Saul Cypel:

A MF [má formação] consiste na ausência ou formação defeituosa dos hemisférios cerebrais pelo não fechamento do neuroporo anterior (…). Geralmente, a criança nasce fora do tempo, às vezes com poliidrâmnios [excesso de água na bolsa amniótica, fato que ocorre também em gravidezes em que a criança é normal] e seu período de vida é curto: dias ou até poucas semanas, como já vimos em alguns casos (…). Responde a estímulos auditivos, vestibulares e dolorosos. Apresenta quase todos os reflexos primitivos do RN[recém-nascidos]. Além de elevar o tronco, a partir da posição em decúbito dorsal, quando estendemos ou comprimimos os membros inferiores contra o plano da superfície em que está sendo examinada (manobra de Gamstorp).
Sobre o anencéfalo recém-nascido, assim se pronuncia Eugene F. Diamond, M.D., professor da Pediatries Loyola University Stritch School of Medicine (Management of a Pregnancy With na Anencephalic Baby):

O anencéfalo não é de fato ausente de cérebro, uma vez que a função do tronco cerebral está presente durante o curto período de sobrevida. Muito pouco se conhece sobre a função neurológica do recém-nascido anencéfalo. Um recente estudo em profundidade indica que eles estão funcionalmente mais próximos dos recém-nascidos normais do que de adultos em estado vegetativo crônico.
O estudo a que se refere o autor é feito por Shewmon, D.A., Anencephaly, Selected Medical Aspects, Hastings Center Report 18:11, 1988.

Acerca da consciência do anencéfalo, o Comitê de Bioética do Governo Italiano diz (Comitato nazionale per la bioetica. Il neonato anencefalico e la donazione di organi. 21 giugno 1996):
O encéfalo do recém-nascido parece hoje comparável cada vez mais a um cérebro adulto em miniatura, principalmente pelas funções de consciência e de contato com o ambiente, e cada vez mais comparável a um órgão em formação com potencialidades variáveis. A perda ou a falta de uma parte do cérebro durante a fase de desenvolvimento não é comparável à perda da mesma parte depois que o desenvolvimento se tenha acabado completamente.
Não se trata, obviamente, da possibilidade por parte do tronco de suprir as funções do córtex faltante, mas de admitir que a neuroplasticidade do tronco poderia ser suficiente para garantir ao anencéfalo, pelo menos, nas formas menos graves, uma certa primitiva possibilidade de consciência. Deveria, portanto, ser rejeitado o argumento de que o anencéfalo enquanto privado dos hemisférios cerebrais não está em condições por definição, de ter consciência e provar sofrimentos.
Comparemos a anencefalia com a calvície. Se podemos definir, grosso modo, anencefalia como “ausência de cérebro”, poderíamos definir calvície como “ausência de cabelo”. Mas, o homem calvo não tem realmente cabelos? Nem mesmo um fio? Em geral eles tem numa quantidade pequena. Mas, então, que número de fios faz um calvo? Cem fios? Duzentos fios? Mil fios? Qual o número que divide calvos e não-calvos?
Nota-se que a resposta é impossível. Pode-se, porém, recorrer à genética e dizer que calvo é aquele que apresenta o gene da calvície, mesmo que os cabelos não tenham começado a cair. Só que a anencefalia não é genética, ela é uma má-formação adquirida, não uma congênita. Assim, como definir anencefalia? Ausência total de cérebro ou de uma parte dele? E qual a máxima parte de cérebro que separa anencéfalos de bebês normais?
Essa pergunta não tem resposta. E se o objeto não pode ser definido, o Judiciário sequer devia cogitar a tomada de alguma decisão sobre a questão. Um objeto indeterminado não pode ser apreciado.
Todavia, os abortistas não se deram por vencidos e, por incrível que pareça, o Conselho Federal de Medicina (CFM), entrando em contradição, aprovou em 08 de setembro de 2004 uma resolução (Resolução 1752) que permite arrancar órgãos de recém-nascidos anencéfalos mesmo com o tronco cerebral ainda funcionando.
O Dr. Herbert Parxedes (laureado pela Academia Nacional de Medicina), em 10 de setembro de 2004, escreveu criticando duramente a novíssima resolução do CFM:
Em 20 de dezembro de 1991 eu mais 80 professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense enviamos ao Conselho Federal de Medicina um abaixo assinado em que protestávamos contra a pretensão daquele Conselho de propor lei que liberaria o aborto para gestações de fetos que apresentassem alguma má-formação, o que, em bom português, se chama aborto eugênico. Apesar de nunca termos recebido qualquer resposta do CFM, a idéia, ao que parece, tinha sido abandonada. Engano meu! O CFM, 13 anos depois, volta à carga, desta vez com uma Resolução em que permite, isto é, torna lícita a retirada de órgãos de crianças anencefálas, nascidas vivas, desde que com a anuência de seus pais.
Na Resolução 1752/2004, o CFM, a seu bel-prazer, mudou conceito de morte encefálica para morte cerebral, contrariando o estabelecido em lei (Lei 9434/1997 – Lei dos Transplantes). Tal resolução que autoriza homicídios é ilegal e o médico que resolver extrair órgãos vitais de um anencéfalo recém-nascido, além de se condenar ao Inferno, responderá por crime de homicídio.
Tudo isso foi uma orquestração dos abortistas para quebrar a visão do anencéfalo como um ser humano.
O citado comitê de bioética italiano tem uma opinião diferente do CFM:
O anencéfalo é uma pessoa vivente e a reduzida expectativa de vida não limita os seus direitos e a sua dignidade.
A supressão de um ser vivente não é justificável mesmo quando proposta para salvar outros seres de uma morte certa. (Na foto acima, a anencefala Júlia que viveu por poucas horas recebendo o carinho da mãe).
38. Se o anencéfalo está vivo, por que uma pessoa com morte cerebral pode ser considera “morta” e ter seus órgãos retirados para transplantes?
Uma criança “sem cérebro” tem vida, mas essa situação não pode ser comparada aos casos em que se declara “morte cerebral num adulto”.
Por que não?
Porque num caso nos temos um ser cuja vitalidade é crescente numa etapa (durante a gestação) e decrescente noutra (o anencéfalo não nasce morto, morre após nascer). O cérebro, aqui, não é um indicador de vida ou morte, já que a vitalidade crescente existia independente dele ser bem ou mal formado.
Em relação ao outro caso, o do adulto, a “morte cerebral” só é levada em conta como indicador de morte porque o cérebro vai ser o referencial da vitalidade, ou seja, vai dizer quando as funções corporais atuam em conjunto (vida) ou quando isso não mais ocorre (morte). Para um adulto isso é possível pois a comparação é com o estado anterior, onde o cérebro realmente funcionava como integrador.
No corpo com morte cerebral as partes ainda tem uma espécide de vida, a vida sensitiva ou vegetativa, mas a vida intelectiva, caracterizada pela presença da alma e indicadora do ser, não se faz presente, já que tudo fica desarticulado.
39. Isso não o mesmo que dizer que a vida deve ser considera por etapas?
Não, não é. O critério para verificar a vida varia sim segundo as diferentes etapas da existência do organismo, mas é evidente que a vida é uma só.

Trecho retirado de 'Catecismo sobre o Aborto', que é uma adaptação (ampliação e atualização) feita por Thiago Santos de Moraes pelo livro 'Aborto 50 perguntas e resposta em defesa da vida inocente', de 1996. O Catecismo sobre o aborto pode ser visualizado na integra em: http://apologeticacatolicablog.blogspot.com.br/2010/04/catecismo-sobre-o-aborto.html

sábado, 7 de abril de 2012

Cristo Perseguido - Igreja Perseguida




Prof. Pedro M. da Cruz


“Falando desse modo, muitos poderiam nos julgar levianos, exagerados, ou mesmo, inconseqüentes. Será que estaríamos sozinhos nestas averiguações? Já vimos que as Sagradas Escrituras não deixaram de chamar nossa atenção ao perigo dos inimigos que, ousadamente, chegaram ao extremo de se introduzirem disfarçadamente em nosso meio para mais eficazmente lutarem contra os planos de Deus. Com o correr dos séculos têm ficado cada vez mais patente aos filhos da Igreja esta invasão inimiga do recinto sagrado.
Muitíssimos foram os Papas, santos e os mais diversos escritores cristãos que, percebendo esta astúcia diabólica, não se esquivaram da grave missão de acordar-nos para o imenso perigo que assola a Igreja do Deus vivo. Por hora, entretanto, antes de olharmos mais diretamente nesse ponto, fixemo-nos noutra questão de extrema relevância para todos os que peregrinam neste vale de lágrimas.
Assim como no grupo dos doze apóstolos pairava, tenebrosa, a sombra de Judas Iscariotes, o traidor; de igual modo hoje, dentro dos próprios muros da Igreja, arrasta-se, venenosa, “a descendência da serpente”. Ela está sempre pronta para os mais ardilosos golpes contra “a descendência da mulher” de que nos fala profeticamente o livro do Gênesis. Todavia, se em tempos idos, a santa intransigência dos filhos da luz sabia posicionar-se com destemor e ousadia perante o erro para vencê-lo; agora, nesses dias de apostasia e indiferença, os filhos das trevas parecem triunfar sobre a verdade e humilhar a Igreja de Cristo.


Sentimo-nos, novamente, em plena noite de Quinta-feira Santa. A Igreja sangra; dormem aqueles que deveriam velar com o Redentor; e os inimigos, sorrindo aos quatro cantos do mundo, avançam com virulência. Fazendo nossas as palavras do Filho de Deus, poderíamos dizer respeitosamente a alguns de nossos superiores na hierarquia eclesiástica: “Por que dormis? Levantai-vos, orai...”. O mesmo Cristo reconhecera em S. Marcos: “Vós todos vos escandalizareis, pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas.”
É interessante observarmos como a vida de Nosso Senhor é, como que, recapitulada na vida da Igreja. Quantas vezes o Divino Salvador encontrou seus amigos a dormir, mesmo em momentos angustiosos como aquele do Getsêmani?! Quantas vezes teve de repreendê-los?! E nós, membros do Corpo Místico de Cristo, a Igreja Católica, quantas vezes nos vimos perante a letargia de nossos superiores? Diante da prostração espiritual daqueles que deveriam levantar a voz em defesa da verdade, quantas vezes bradamos e não fomos ouvidos?
Ao contrário, enquanto os maus se organizavam para ofender, maltratar e tramar a morte da Igreja, grande número de nossos pastores banqueteavam no reino dos apáticos. Seus olhos, pesados por preocupações desnecessárias e incoerentes, deixaram passar os ladrões e malfeitores que perderam muitas ovelhas. Sim, roubaram, mataram e destruíram, sem dó nem piedade, a muitas almas... Em contrapartida, reconheçamos mais uma vez, e com dor em nossas almas: dormiam os vigias de “Israel”...
Porém, após a Quinta-feira Santa, se é verdade que tudo continuou a se entenebrecer ainda mais na Sexta-feira da Paixão; e, se este dia cedeu lugar ao silêncio do Sábado Santo (silêncio de derrota para uns, mas silêncio de esperançosa alegria para outros); também é verdade, que no Domingo da ressurreição tudo se fez luz, glória e alegria indizíveis. O Senhor cumpriu sua palavra! Ele ressurgiu em toda sua majestade. Triunfou para sempre!
De igual maneira, se a Igreja sofre unida com o Cristo as dores de agonia, e seus membros completam na carne o que falta às tribulações do Mestre; também é verdade que tomará parte na alegria da ressurreição. Ali, tudo será festa, exultação e felicidade! Nesta “noite” em que se encontra a Igreja, vislumbramos Maria Santíssima aos pés da Cruz. Ao seu lado, São João, o discípulo amado. Ambos, exemplos luminosos para a alma de todo fiel católico! Revela-nos, de fato, o Santo Evangelho, que junto à Cruz de Jesus estava de pé sua Mãe! Não diz que chorasse tomada de desespero, ou mesmo, que se jogasse pelo chão aos prantos, vencida e acabada. Não!
Ela estava de pé! Não dormia. Sofria com o Redentor.
Participava em sua dor, e guardava n’alma a certeza de tudo quanto dissera seu divino Filho. Por isso, não fora visitá-lo no sepulcro como fizeram as outras Marias na madrugada da ressurreição. Com toda a certeza o esperava ressuscitado.
Nossa Senhora possuía a certeza duma vitória imponderável!
Assim também nós, imitadores de Maria, mantenhamo-nos de pé perante a Cruz do Cristo. Participemos de seus sofrimentos, completando em nossa carne o que falta às suas tribulações, por seu Corpo que é a Igreja.
Tal qual Simão de Cirene, de que nos falam as Escrituras, coloquemo-nos a carregar a cruz com Cristo sofredor. Tomemos lugar entre suas humilhações. Assim, crucificados com Ele, também participaremos de sua glorificação.
Seus inimigos avançarão com maior ousadia, ferirão seu Corpo já muito ensangüentado. Chicotearão, ofenderão ainda mais, humilharão com maior malvadeza... Nós, porém, solidários com o Senhor, peçamos a graça de permanecermos fiéis ao seu lado; afinal, tudo podemos naquele que nos fortalece.
Repitamos com Santo Inácio de Antioquia, este já bem próximo de seu glorioso martírio: “Fogo, cruz, feras, dilaceramentos, esquartejamentos, mutilações dos membros, trituração de todo o corpo, os mais perversos suplícios do demônio caiam sobre mim, contanto que eu alcance a posse de Jesus Cristo.” Estas são palavras dignas de um católico, convicto da vitória de seu Senhor! Mesmo perante a dor e a provação mais atroz, saber proclamar bem alto a certeza da sua fé, sem jamais esmorecer ou ceder aos inimigos da cruz bendita.”
Virgem de Guadalupe, ora pro nobis!



Bibliografia: CRUZ, Prof. Pedro M. da. Perseguição à Igreja, Coluna e Sustentáculo da Verdade. Prod. SSVM. 2012.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Meditação para a Sexta-Feira da Paixão

Chagas dos Pés

Publicamos novamente, no link abaixo, uma devota meditação dos sofrimentos físicos sofridos por nosso Santíssimo Redentor no decurso de sua dolorosa Paixão, de autoria de Pierre Barbet, médico cirurgião piedoso que estudou meticulosamente as dores físicas de Cristo. Recomendados vivamente que todos façam o exercício desta santa leitura, em ambiente de silêncio e retiro, invocando as luzes do Espírito Santo e se valendo da imagem de Nosso Senhor crucificado. Esta meditação poderá substituir a Via Sacra da Sexta-Feira da Paixão. Os sacerdotes poderão fazer dela a homilia da Ação Litúrgica da Paixão do Senhor. Que a Virgem das Dores suplique a Deus por nós.

A Paixão Corporal de Jesus

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Campanha: “Cartas ao STF pela Vida dos bebês anencéfalos”

Por Pe. Lodi da Cruz
No próximo dia 11 de abril de 2012, o Supremo Tribunal Federal julgará a ADPF (Ação de descumprimento de preceito fundamental) nº 54 e decidirá se o abortamento provocado ou não ser realizado nos casos dos bebês anencéfalos.
O momento atual que enfrentamos é bastante delicado. É preciso que todas as pessoas de bem que são contrárias ao aborto se unam para demonstrar sua opinião aos Excelentíssimos Julgadores.
O aborto não pode ser visto como solução para a gestante é preciso que ela seja acolhida e acompanhada para amar seu filho independente de sua condição, seja ele doente ou não, com a garantia dos cabíveis cuidados paliativos, de modo a aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida.
É no mínimo um contrassenso que, num Estado Democrático de Direito, recursos públicos sejam utilizados para matar seres humanos que se encontram numa situação de fragilidade. Isso afronta a dignidade da pessoa humana, princípio basilar da Constituição Federal.
Podemos fazer algo concreto!
Basta que você imprima a carta abaixo, preencha o espaço em branco com seu nome e envie-a para o endereço do Supremo Tribunal Federal através do correio (Clique aqui para baixar a Carta).
Destinatário: Supremo Tribunal Federal
Praça dos Três Poderes – Brasília – DF – CEP 70175-900

Ou, se preferir, pode enviar uma carta para cada gabinete dos 11 Ministros do STF que irão julgar esta ação (Clique aqui para obter a relação dos Ministros).
Não pense que a sua iniciativa não irá resolver o problema, pois o mal só triunfa quando as pessoas de bem nada fazem.
Para conhecer a história de Júlia, link: http://www.providaanapolis.org.br/juliaane.htm
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
Caixa Postal 456 75024-970 - Anápolis GO
http://www.providaanapolis.org.br

"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

sexta-feira, 30 de março de 2012

Revolução Sexual – rumo à promoção da Pedofilia

Por João S. Oliveira Jr.
Para os céticos e amorais que repelem como “delírios da conspiração” as denúncias de todos os males que a (mal) dita Revolução Sexual vem provocando na sociedade das ultimas décadas e os consideram como mera “adaptação aos novos tempos". E também, acham que os conservadores e sentinelas dos bons costumes devem parar com suas ladainhas e largarem de seus “pré-conceitos” já que “não acontece nada demais”, cabe atenção na notícia:
O Superior Tribunal de Justiça, revendo a jurisprudência, decidiu que nem sempre o ato sexual com menores de 14 anos poderá ser considerado estupro. A decisão livrou um homem da acusação de ter estuprado três meninas de 12 anos de idade e deve direcionar outras sentenças. Diante da informação de que as menores se prostituíam, antes de se relacionarem com o acusado, os ministros da 3ª Seção do STJ concluíram que a presunção de violência no crime de estupro pode ser afastada diante de algumas circunstâncias. Na época do ocorrido, a legislação estabelecia que se presumia a violência sempre que a garota envolvida na relação sexual fosse menor de 14 anos. Desde 2009, prevê-se que a idade de "consentimento" para atos sexuais continua a ser 14 anos, mas o crime para quem se envolve com alguém abaixo dessa idade passou a ser o de "estupro de vulnerável". Segundo dados da Justiça paulista, as supostas vítimas do estupro "já se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data
Pergunto aos céticos e amorais, ou mesmo, aos libertários do pansexualismo, sexólogos, defensores da pornografia e turma GLBT: há 10 anos atrás esta notícia seria possível no Brasil? Não é de se estranhar se daqui a poucos anos rotularem as opiniões que forem contrárias a mais esta "histórica decisão" do STJ como “Pedofilofobia”.
Virgem Santíssima, rogai por nós

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia de São José, Patrono.


São José e o seu Filho
São José, esposo de Maria Santíssima; defensor do Verbo Encarnado! Que modelo! Que ideal! Nos tempos de hoje onde tantos se põem contra o Divino Redentor, a figura deste Justo apresenta-se arquetípica: protetor destemido do Filho de Deus.Não temeu arriscar a própria vida! Manteve ao seu lado, constantemente, a Mãe do Salvador.
Pensemos com que ternura terá levado ao colo Aquele que o criou. Que cena! A criatura osculando o Criador. E esse, recostando a cabeça no ombro do humilde carpinteiro, demonstra o valor que deposita nos Homens. É como se dissesse a cada um de nós: “Veja. Quero necessitar de ti. Ajudai-me!”.
Perguntemo-nos, se um dia fora revelado a São José o que estava reservado ao seu filho adotivo no Calvário. Talvez, quando Lhe ensinava a domar os pregos na carpintaria quisesse ir acostumando-o àquela imagem assustadora que Ele veria na Cruz: suas mãos rasgadas, impiedosamente, pelos algozes. E, ao mesmo tempo, Nosso Senhor, ao meditar sobre o silêncio da madeira ao ser perfurada, talvez reforçasse em seu peito augustíssimo a convicção de portar-se como ovelha que não reluta ao ser levada ao matadouro.E assim, aqueles dois, nos mais altos píncaros da meditação: à frente, o Cristo. Depois, levado pela força de seu filho, o pai escolhido. Desse modo, de altura em altura, sumindo à capacidade de nossa especulação. Mas, de todo modo, encantando-nos pela sublimidade daquela inexprimível convivência. É a lei da reciprocidade; própria daqueles que amam...
Ah, Senhor! Dá-nos também essa graça: de algum modo, mesmo que misterioso e secreto, ter, recostado em nosso ombro, Aquele que nos criou...


Alcança-nos, São José, ao menos o mínimo daquilo que lhe fora concedido: estar na intimidade mais intima do Verbo Encarnado, e partilhar de Sua Vida Divina em perfeita fidelidade. Mas, ainda que nossos muitos pecados nos impeçam de obter os frutos de tão imensa graça, ficai ao nosso lado, e levantai-nos ao colo a fim de sermos curados pela ternura do Redentor.
Ali, tão distantes do impiedoso julgamento humano.
Sim, ter José é ter Maria, e ter Maria é ter Jesus, o Senhor. Que mais poderíamos querer?

Maria Santíssima, esposa de São José, rogai por nós.




sexta-feira, 16 de março de 2012

Convocação pela CPI da Verdade sobre o Aborto

PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO PÚBLICA


DATA: 21.03.2012;
HORÁRIO DO INÍCIO: 12:30 horas;
CONCENTRAÇÃO: a partir das 11:00 h, nas escadarias da CATEDRAL DA SÉ – SÃO PAULO;
LOCAL da MANIFESTAÇÃO: em frente ao FORUM JOÃO MENDES, na Praça João Mendes, Centro, São Paulo;
CAMISETAS: haverá distribuição de camisetas para os primeiros 500 participantes;
LEVAR : APITOS, FAIXAS E CARTAZES: ABORTO NUNCA MAIS – CPI DO ABORTO, JÁ – ABORTO NÃO – os grupos podem imprimir suas próprias camisetas;

PARA QUEM NÃO PUDER COMPARECER, PODERÁ MANIFESTAR POR OUTRAS FORMAS: TWITTAÇO: dia 21.03.2012 – a partir das 13h – #abortonuncamais – @SenadoresBrasil – @CamaraDeputados – @AssembleiaSP;
FACEBOOK E OUTRAS FORMAS DE SE MANIFESTAR
Por EMAILS : dia 21.03.2012, a partir das 10:00 – enviar emails para a Câmara Federa e Senado;
Por TELEFONE: telefonar a partir das 13:00 – Câmara – 0800.619.619 / Senado – (61) 3303-1211 ou 
aqualquer momento para o Alô Senado: 0800612211; se identificar e deixar o seu recado contra a liberação do aborto.
 
Não tenhais medo!
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo Emérito de Guarulhos
http://www.domluizbergonzini.com.br/

Virgem Santíssima, rogai por nós!

Em apoio ao Pe. Paulo Ricardo



Padre Paulo Ricardo


Por João S. Oliveira Jr.

Prezados amigos do blog

Muitos devem estar sabendo da perseguição ao Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior nos últimos dias. Fora redigido contra a pessoa do sacerdote uma carta difamatória assinada por alguns membros do clero progressistas de Cuiabá e endereçada ao Bispo local e a CNBB, aqui. Além do conteúdo infundado e esdrúxulo, há na carta o pedido audacioso de calar definitivamente a pessoa do sacerdote. O motivo aparente seria uma pregação no evento “Vinde e Vede” em sua 26º edição ocorrida em fevereiro. Na palestra, ele fala da importância da Consagração à Virgem Santíssima e da oração pela santificação dos Sacerdotes, aqui

Todos os que conhecem Pe. Paulo Ricardo e seu apostolado nas mídias sociais sabem que se trata nada mais que de uma perseguição por causa do seu trabalho em defesa da Verdade; por  denunciar o marxismo cultural que infesta nossa sociedade, além de muitos outros temas. É notável que o presbítero desmascara com maestria a Teologia da Libertação, movimento já condenado pela Igreja mas que, infelizmente, ainda exerce influências de seu veneno nos seminários e dioceses do Brasil afora.

O que os ditos caluniadores não imaginavam é que a carta vinda ao público, por blogs e sites, gerasse indignação dos jovens fiéis católicos, resultando numa grande manifestação, jamais vista, de apoio ao querido sacerdote e repúdio a toda truculência do clero progressista.

De concreto como consequência, ressaltamos a Nota de pesar do Arcebispo de Cuiabá, Dom Milton Santos, sobre os ocorridos, aqui, e o comunicado oficial do padre Paulo Ricardo em seu site. Além é claro, das centenas de comentários nos blogs, católicos ou não, em apoio ao padre. Aqui, aqui, aqui...

Algumas observações quanto ao ocorrido:

- Não se trata apenas de uma perseguição pontual ao Pe. Paulo Ricardo, representa um caso de muitos, que é o de religiosos progressistas cinicamente investindo contra a Igreja que quer ser fiel ao Papa. Felizmente, esta perseguição veio a público, pois, muitos sacerdotes que buscaram ter mais fidelidade à fé já sofreram e foram jogados para escanteio (às escondidas) pelo patrulhamento ideológico feito pela ala esquerdista do clero nos seminários e dioceses.

- Algumas pessoas acham que a reação do padre Paulo está sendo tímida, reconciliadora. Discordamos, evidente que o padre está sendo prudente e deve ser perante o bispo em comunicados oficiais. Quem assistir a palestra "Bons e maus sacerdotes", de quatro meses antes desta polêmica, perceberá que não é a primeira vez que tentaram calar o padre que sabiamente consegue contra-argumentar. Seu pedido para se retirar temporariamente é muito mais no sentido de tratar do assunto de forma privada.

- O apostolado do Pe. Paulo Ricardo continua mais forte do que nunca, perceptivelmente fortalecido para ser ainda mais ouvido pelos fiéis.

- De fato, o clero progressista deu um tiro pela culatra, pois, conseguiu reunir e despertar a santa ira de milhares de católicos no Brasil, de diferentes níveis (quanto a Tradição), movimentos ou segmentos mas com o mesmo desejo de fidelidade a Igreja de Bento XVI. Percebeu-se que os lobos em peles de cordeiros podem sim perder o posto maquiavélico que conquistaram frente à crise eclesial. Que existem religiosos e leigos bem formados e informados.


- Solicitamos que não deixem de assinar a petição online a favor de Pe. Paulo Ricardo que em pouco mais de 24 horas colheu mais de 10.000 assinaturas. Mas principalmente, disso tudo, que não desistam de conhecer, amar e defender a verdadeira Igreja Católica Apostólica Romana, sua doutrina e toda a sua riqueza espiritual. Mesmo durante as crises, Deus suscita profetas e santos para direcioná-la.

Que a Virgem Santíssima interceda por nossos sacerdotes. Oremos por eles.


segunda-feira, 5 de março de 2012

O tempo da Quaresma

ducio-temptation
Duccio di Buoninsegna, The Temptation of Christ (1308-10)

1. Significação dêste Tempo. Durante êstes quarenta dias os Cristãos se unem intimamente aos sofrimentos e à morte do Divino Salvador, a fim de ressuscitarem com Êle para uma vida nova, nas grandes solenidades pascais.
Nos primeiros tempos do Cristianismo esta idéia fundamental achava sua aplicação no Batismo dos catecúmenos e na reconciliação dos penitentes. Por tôda a liturgia da Quaresma, a Igreja instruía os pagãos que se preparavam para o Batismo. No Sábado Santo mergulhava-os nas fontes batismais, de onde saíam para uma vida nova, como o Cristo, do túmulo. Por sua vez os fiéis, gravemente culpados, deviam fazer penitência pública e cobrir- se de cinzas (Quarta-feira de Cinzas), para acharem uma vida nova em Jesus Cristo. Convém reparar nestes dois elementos, para compreender a liturgia da Quaresma e a escolha de muitos textos sagrados.
2. Nossa participação neste Tempo. No ofício das Matinas do I. Domingo, lemos o sermão que o Papa S. Leão Magno, no século V. dirigiu ao povo, explicando a liturgia da Quaresma: “Sem dúvida, diz êle, os Cristãos nunca deveriam perder de vista êstes grandes Mistérios... porém, esta virtude é de poucos. É preciso, contudo, que os Cristãos sacudam a poeira do mundo. A sabedoria divina estabeleceu êste tempo propício de quarenta dias, a fim de que as nossas almas se pudessem purificar, e por meio de boas obras e jejuns, expiassem as faltas de outros tempos. Inúteis seriam, porém, os nossos jejuns, se neste tempo os nossos corações se não desapegassem do pecado”.
Lendo estas palavras, parece-nos assistir à abertura de um retiro. Com efeito, a Quaresma é o grande retiro anual de toda a família cristã, sob a direção maternal e segundo o método da Santa Igreja. Êste retiro terminará pela confissão e comunhão geral de todos os seus filhos, associados assim, realmente, à Ressurreição do Divino Mestre, e ressurgindo por sua vez a uma vida nova.
As práticas exteriores que devem desenvolver em nós o espírito do Cristo e unir-nos a seus sofrimentos são o jejum, a oração e a esmola.
O Jejum é imposto pela santa Igreja e todos os fiéis, depois de 21 anos completos até atingirem os 60 anos [1]. Seria um engano pernicioso não reconhecer a utilidade desta mortificação corporal. Seria menosprezar o exemplo do próprio Cristo e pecar gravemente contra a autoridade de sua Igreja. O prefácio da Quaresma nos descreve os efeitos salutares do jejum, e aquêles que por motivos justos são dêle dispensados não estarão do jejum espiritual, isto é, de se privarem de festas, teatros, leituras puramente recreativas, etc.
A oração. Assim como a palavra jejum abrange tôdas as mortificações corporais, da mesma maneira compreende a palavra oração todos os exercícios de piedade feitos neste tempo, com um recolhimento particular, com sejam: a assistência à santa Missa, a Comunhão freqüente, a leitura de bons livros, a meditação especialmente da Paixão de Jesus Cristo, a Via Sacra e a assistência às pregações quaresmais.
A esmola compreende as obras de misericórdia para com o próximo. Já no Antigo Testamento está dito: “Mais vale a oração acompanhada do jejum e da esmola do que amontoar tesouros” (Tob. 12,8).
Praticando essas obras preparavam-se antigamente os catecúmenos para o Batismo que iam receber no Sábado de Aleluia, enquanto os penitentes públicos se submeteram a elas com espírito de dôr e arrependimento de coração.
Saibamos também nós que aquêle que não faz penitência perecerá por tôda a eternidade (Luc. 13,3).
Renovemos em nós a graça do Batismo e façamos dignos frutos de penitência. Os textos das Missas, a cada passo nos exortam a isto.
Convém, entretanto, evitar que a nossa piedade seja exercida por compaixão sentimental ou tristeza exagerada. Sim, é um combate, uma morte terrível que vamos contemplar, mas é também, e sobretudo, uma vitória, um triunfo. Em verdade assistiremos a uma luta gigantesca do homem novo; ouviremos os seus gemidos, seguiremos os seus passos sangrentos, contaremos todos os seus ossos; mas isso é apenas um episódio de sua vida; o desenlace é um grito de vitória, um canto de triunfo.
3. Particularidades deste Tempo. A côr dos paramentos é a violácea.
Omite-se completamente o Aleluia, e o Glória só se canta nas festas dos Santos. Os altares são despojados dos seus enfeites e o órgão se cala, menos no IV. Domingo. No fim das Missas do Tempo, o Sacerdote diz: Benedicamus Domino, em vez de Ite, Missa est, para exortar os fiéis à perseverança na Oração.
Cada dia dêste Tempo tem a sua “estação”, com indulgências especiais a uma liturgia própria, cujos Cânticos e Leituras nos incitam à penitência, à conversão, enquanto as Orações imploram para nós o perdão e a graça.
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Fonte: Missal Quotidiano, D. Beda Keckeisen, O.S.B., 21ª edição, 1961, p. 149-151.

[1] Atualmente, com a vigência do novo Código de Direito Canônico, a idade de início da obrigação do jejum é de 18 anos (cf. Código de Direito Canônico, cânon 1252).