segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pio XII e o Holocausto


 
 “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro, me odiou a mim...
Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior que seu Senhor.
Se eles me perseguiram também vos perseguirão; se guardaram minha palavra, também guardaram a vossa.”(Jo 15, 18.20)


Por: A Catholic Response, Inc

Tradução: Rafael R. C.


     Nos últimos anos, a mídia tem acusado a Igreja Católica de ter ajudado os nazistas ou de ter silenciado durante o holocausto. Como exemplo, a edição de 26 de janeiro de 1998 da revista Time afirma, na página 20, que a Igreja Católica lamenta “por ter colaborado com os Nazistas durante a II Guerra Mundial”. Mesmo o novo museu do holocausto em Nova Iorque, injustamente, criticou o Papa Pio XII por supostamente ter silenciado durante a II Guerra Mundial. A Igreja recentemente tem falado sobre este tópico.

O embaixador de Israel Pinchas E. Lapide, no seu livro “Três Papas e os Judeus” (New York: Hawthorn Books, Inc., 1967), com um olhar crítico examina o Papa Pio XII. De acordo com sua pesquisa, a Igreja Católica sob o pontificado de Pio XII foi essencial na salvação de 860.000 Judeus dos campos de concentração nazista (p.214).

Mas poderia Pio XII ter salvado mais vidas dirigindo-se contra o nazismo com mais força? De acordo com Lapide, os prisioneiros dos campos de concentração não desejavam Pio XII falando abertamente (247). Como um jurista dos tribunais de Nuremberg disse na WNBC em Nova Iorque (Fev. 28, 1964):

"Quaisquer palavras de Pio XII dirigidas diretamente contra um louco como Hitler causariam uma catástrofe ainda pior... e acelerariam o massacre dos judeus e sacerdotes.” (Ibid.).

Ainda assim Pio XII não estava totalmente em silêncio. Lapide cita um livro de um historiador Judeu, Jeno Levai, intitulado “A Igreja não ficou em silêncio” (p. 256). Ele admite que todos, incluindo ele próprio, poderiam ter feito mais. “Se nós condenássemos Pio XII, então a justiça exigiria a condenação de todos, sem exceção.” Ele conclui, citando o Talmude, que "todo aquele que preserva uma vida, é contabilizado para ele pelas Escrituras como se tivesse preservado um mundo inteiro". Ele afirma ainda que Pio XII merece uma floresta memorial de 860 mil árvores nas colinas da Judéia¹(pp. 268-9).

Isto deve ser notado: seis milhões de judeus e três milhões de católicos foram mortos no Holocausto.

Devemos nos lembrar que o holocausto foi também anticristão. Depois de Hitler revelar suas verdadeiras intenções, a Igreja Católica se opôs a ele. Mesmo o famoso Albert Einstein testemunhou isso. De acordo com a edição de 23 de dezembro de 1940 da revista Time, precisamente na página 38, Einstein disse:


    “Sendo um amante da liberdade,quando a revolução iniciou-se na Alemanha,eu olhei para as universidades para as defender, sabendo que elas sempre se vangloriaram de sua dedicação à causa da verdade; mas não, as universidades imediatamente foram silenciadas.Então eu olhei para os editores dos grandes jornais,  os quais inflamaram suas edições passadas pela publicação de seu amor a liberdade;mas eles,como as universidades,foram silenciados em poucas semanas....”


   “Somente a Igreja posicionou-se, do início ao fim, contra a campanha Hitleriana pela supressão da verdade. Eu nunca tivera qualquer especial interesse pela Igreja, mas agora eu sinto uma grande afeição e admiração, porque a Igreja sozinha tem tido a coragem e persistência de posicionar-se pela verdade intelectual e pela liberdade moral. Logo, eu sou forçado a confessar que o que eu outrora desprezava, agora, eu louvo sem reservas.”

    Em outra similar afirmação, Einstein referiu-se explicitamente à Igreja Católica (Lapide,p.251).Este é um extraordinário testemunho de um cientista agnóstico alemão de origem judaica.Ainda que houvesse traidores em suas fileiras, a Igreja se opôs ao movimento nazista.


Continua(...)

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 1)Uma árvore por cada vida salva, visto que a estimativa é a de que a Igreja, sob o pontificado de Pio XII, teria sido determinante na salvação de 860.000 judeus

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NIHIL OBSTAT:
Revmo. P.e John T. Folda, S.T.L.
Censor Librorum

IMPRIMATUR:
Exmo. e Revmo. Dom Fabian W. Bruskewitz, D.D., S.T.D.
Bispo de Lincoln

27 de Maio, 1998

O NIHIL OBSTAT e o IMPRIMATUR são declarações oficiais de que um livro ou panfleto é livre de erros doutrinais e morais. Contudo, isso não implica que aqueles os quais concederam o NIHIL OBSTAT e o IMPRIMATUR concordam com as opiniões, conteúdo, ou declarações expressas nos referidos documentos.

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Fonte:A Catholic Response, Inc
Link original: http://users.binary.net/polycarp/piusxii.html

domingo, 15 de maio de 2011

Os Mitos

   

 Por Prof. Pedro M. da Cruz

       Por milênios os homens recorreram aos mitos como meio para compreensão da realidade. Estas narrativas (Mythos) caracterizavam-se, de modo geral, pela utilização do “fantasioso” e “extraordinário” numa tentativa de explicação dos grandes temas da vida e do mundo.
       Fenômenos naturais que assustavam seus expectadores; o surgimento dos povos, uns mais poderosos que outros; o comportamento humano; e, inclusive, a própria origem dos deuses e do mundo; enfim... estes e outros assuntos eram todos alvos das fábulas mitológicas.
       Relatos orais num primeiro momento, os mitos se conservavam na memória dos povos que ainda claudicavam distantes da verdadeira ciência (então embrionária) assim como, dos esplendores da Revelação sobrenatural devidamente explicitada. O que torna compreensível, em certo sentido, sua situação de ignorância.
       Egípcios, persas, fenícios, hindus, germanos, romanos, e notadamente, os gregos, todos tiveram seus mitos. Vejamos, em nível de curiosidade, algumas divindades pagãs que povoavam essas “histórias” fabulosas:

EGITO
Horo
Representado por um homem com cabeça de gavião ou falcão
Amon
Sol
Rê ou ra
Nome que os antigos egípcios davam ao sol
Isis
Deusa do trigo, da medicina e do casamento
Osiris
Protegia os mortos
Anubis
Vigiava as sepulturas; era representado
por um homem com cabeça de chacal


ASSÍRIA E BABILÔNIA
Bel
Correspondia ao Baal dos fenícios
Assur
Deus soberano
Marduque
Deus supremo da religião de Zoroastro
Mitras
Representava a luz divina


PÉRSIA
Arimânio ou Arimã
Gênio do mal
Ormusd
Gênio do bem; deus supremo da babilônia
Anú
Principal divindade da mitologia assírio-babilonica


FENICIA
Astarte
deusa do céu
Moloch
divindade dos amonitas, representava-se por
 um homem com cabeça de touro


MITOS BRAMANICOS
Xiva
Deus fecundador e destruidor
Brama
Divindade suprema
Vixnu
Segunda pessoa da trindade bramânica


MITOLOGIA GERMANICA
Freia
deusa escandinava do amor
Odin
representava o principio de todas as coisas,presidia a eloqüência e a poesia
Tor
Deus da guerra

       Entre todas as mitologias, a grega é aquela que mais se destaca por sua riqueza e organização. Homero (séc.IX a.C. – “Ilíada” e “Odisséia”) e Hesíodo (séc.VIII a.C. –“Teogonia” e “Os trabalhos e os dias”) foram os grandes codificadores das narrativas gregas. Estes autores deram importante unidade aos vários relatos ramificados entre a população.
       Nesta visão pré-filosófica, o sagrado e o fantástico se abraçavam gerando formas e contextos exuberantes no mundo da imaginação. Um complexo de estórias fascinantes desfilava na mente das gentes legando ao povo certo conforto e unidade cultural.  Assim, por exemplo, também para o grego, o estado inicial da natureza em que predominava a desordem tornava-se um deus, “Caos”; no fim, tudo o mais ia se personificando em divindades as mais variadas: “Éter”, do dia e do “céu superior”; “Nyx”, da noite; “Moiras” ou “Parcas”, do destino; “Gaia”, da terra; “Ouranos”, do céu, entre outros. (Estes são exemplos dos chamados deuses primordiais –Protogonos- diferentes dos chamados deuses olímpicos –Dodekatheon- que citaremos posteriormente).
       Do ordenamento dos deuses teria surgido o mundo, e, das relações entre os deuses (Protogonos, Dodekateon, etc), geralmente conflituosas, teria surgido os vários acontecimentos posteriores. Assim, à pergunta “por que troveja?” alguém responderia “porque Júpiter está encolerizado”, do mesmo modo, outra pessoa atribuiria à fúria de “Éolo” o fato de o vento soprar mais forte.
       Essas pitorescas explicações míticas, ao que tudo indica, satisfizeram por séculos a curiosidade dos gregos antigos pela “origem das coisas”. Vemos aqui um primeiro esforço da humanidade para a compreensão da realidade, assim como, de suas causas. Sob o véu da fantasia há, na mitologia, uma busca imatura pelo conhecimento das “causas primeiras”, tão caro à filosofia.

OS DEUSES DO OLIMPO
ROMA
Zeus
rei dos deuses
Jupiter
Hera
rainha dos deuses
Juno
Poseidon
deus dos mares
Netuno
Demeter
deusa da fertilidade
Ceres
Artemis
deusa da caça e da lua
Diana
Ares
deus da guerra
Marte
Atena
deusa da sabedoria e da estratégia militar
Minerva
Apolo
deus do sol, da musica e da profecia
Apolo
Hefesto
ferreiro dos deuses, deus do ferro da metalurgia
Vulcano
Hades
deus da morte e dos infernos
Plutão
Afrodite
deusa do amor e da beleza
Venus
Hestia
deusa do lar
Vesta
Hermes
mensageiro dos deuses, protetor do comercio e dos ladrões
Mercurio
Dionisio
deus do vinho e das orgias
Baco

“Os brutos também amam”
       Deméter, a deusa da colheita tinha uma linda filha, alegre, exuberante de vida, chamada Persérfone. Para ficar longe da mãe superprotetora, Persérfone se refugiou nas proximidades de uma lagoa escura. Ali encontrou Hades, o deus supremo do inferno; e ele, que vivia na escuridão, apaixonou-se de imediato por ela.
       Desesperada com o desaparecimento da filha, Deméter esqueceu-se por completo das colheitas, e o mundo foi devastado pelo inverno e pela desolação.
       Enquanto isso, Persérfone definhava de saudades. Queria voltar para casa o quanto antes. Entretanto, Hades sabia: se a jovem se alimentasse de alguma coisa do mundo subterrâneo, ficaria retida ali para sempre.
       Gentilmente, Hades ofereceu-lhe três sementes de romã para retê-la... porém, como seu amor pela linda donzela era maior do que tudo, o rei dos infernos acabou ajudando-a a regressar para casa.
       Persérfone, radiante e feliz, encontrou sua querida mãe. Todavia a tristeza a tomou e a seqüela ficou gravada: na época do inverno, anualmente, ela volta para visitar seu amado Hades, o ser supremo do inferno. Seis meses no mundo subterrâneo e seis meses com a mãe na terra. Sim, parte do coração permanecia no Tártaro...

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Referência Bibliográfica:
_PEDRO, Antônio; LIMA, Lizânios de Souza. História do mundo ocidental. 1° edição. São Paulo: FTD, 2005. Págs. 50 – 87.
_VIDAL, Valmiro Rodrigues. Curiosidades. 5°volume. 6°ed. Rio de Janeiro: Conquista 1963.
_SCHNEIDER, Pe Roque. A fascinante Grécia. São Paulo: Loyola, 2004. 117 pág.
_ ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mertrezou, 1960.
_Coleção os Pensadores. Volume I. Pré-socráticos. São Paulo: Mestre Jou, 1960.
_ Enciclopédia do Estudante: história da filosofia: da antiguidade aos pensadores do século XXI. Bernadete Siqueira Abrão. 1º edição. São Paulo: Moderna, 2008. 320 pg.
_ MONDIN, Battista. Curso de Filosofia. Os Filósofos do Ocidente. Vol.1. 2º edição. São Paulo: Paulinas, 1981. 232 pgs.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Contrário aos Mandamentos e à própria Lei Natural

Nota do Editor.
    Sabendo do que se passa no Supremo Tribunal Federal, que deverá decidir sobre uma questão que poderá afetar o futuro de nossos filhos e a instituição da família, em se tratando de julgar um pedido do Ministério Público, que pleiteia a condição jurídica de “entidade familiar” para os “casais” homossexuais, equiparando o “casamento” homossexual ao casamento tradicional estabelecido por Deus, decidimos enfatizar a posição dos católicos e salientar nossa argumentação por tal posição contra essa possível “anarquia” que pode vir a tona sobre nós.
     Sabemos que a prática homossexual é condenada pela Lei de Deus, sabemos que isso desvirtua o ato sexual, ordenado à proliferação da prole, que é propriamente realizado somente no casamento monogâmico e indissolúvel. Nivelar o casamento de um homem e uma mulher a qualquer tipo de “união homossexual” é sem dúvida alguma, desvirtuar a própria definição de família.
     Rezemos confiantes a Jesus e Maria, para que os nossos Ministros da corte suprema levem em conta esses princípios tão caros à grande maioria da população e valorizada por ela. E que considerem que, além de contrário aos Mandamentos e à própria Lei Natural, esse pedido do Ministério Público é inconstitucional.

10 razões pelas quais o “casamento” homossexual é prejudicial e deve ser combatido

Por TFP Student Action  (Ação Estudantil TFP)

1. O “casamento” homossexual não é casamento
Chamar algo de casamento não faz disso um casamento. O casamento sempre foi uma aliança entre um homem e uma mulher, ordenada por sua natureza à procriação e educação dos filhos, assim como à unidade e bem-estar dos cônjuges.
Os promotores do “casamento” homossexual propõem algo completamente diferente. Eles propõem a união entre dois homens ou duas mulheres. Isso nega as evidentes diferenças biológicas, fisiológicas e psicológicas entre homens e mulheres, que encontram a sua complementaridade no casamento. Nega também a finalidade primária específica do casamento: a perpetuação da raça humana e a educação dos filhos.
Duas coisas completamente diferentes não podem ser consideradas a mesma coisa.
2. O “casamento” homossexual viola a Lei Natural
Casamento não é apenas qualquer relacionamento entre seres humanos. É uma relação enraizada na natureza humana e, portanto, regida pela lei natural.
O preceito mais elementar da lei natural é que “o bem deve ser feito e buscado e o mal deve ser evitado”. Pela razão natural, o homem pode perceber o que é moralmente bom ou mau. Assim, ele pode conhecer o objetivo ou finalidade de cada um de seus atos e como é moralmente errado transformar os meios que o ajudam a realizar um ato em finalidade do ato.
Qualquer situação que institucionalize a  defraudação da finalidade do ato sexual viola a lei natural e a norma objetiva da moralidade.
Estando enraizada na natureza humana, a lei natural é universal e imutável. Ela se aplica da mesma forma a toda a raça humana. Ela manda e proíbe de forma consistente, em todos os lugares e sempre. São Paulo, na Epístola aos Romanos, ensina que a lei natural está inscrita no coração de todo homem (Rom 2,14-15).
3. O “casamento” homossexual sempre nega à criança ou um pai ou uma mãe
O melhor para a criança é crescer sob a influência de seu pai natural e sua mãe natural. Esta regra é confirmada pelas evidentes dificuldades enfrentadas por muitas crianças órfãs ou criadas por só um dos genitores, um parente, ou pais adotivos.
A lamentável situação dessas crianças será a norma para todos os “filhos” de “casais” homossexuais. Esses “filhos” serão sempre privados ou de sua mãe natural ou de seu pai natural. Serão criados, necessariamente, por uma parte que não tem nenhuma relação de sangue com eles. Vão ser sempre privados de um modelo paterno ou materno.
O chamado “casamento” homossexual ignora os interesses da criança.
4. O “casamento” homossexual  valida e promove o estilo de vida homossexual

Em nome da “família”, o “casamento” homossexual serve para validar não só as referidas uniões, mas todo o estilo de vida homossexual em todas as suas variantes, bissexuais e transgêneros.
As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem na sociedade. Como tais, elas desempenham um papel muito importante, e por vezes decisivo, que influenciam os padrões de pensamento e comportamento. Elas configuram externamente a vida da sociedade, mas também modificam profundamente a percepção de todos e a avaliação de formas de comportamento.
O reconhecimento legal do “casamento” homossexual necessariamente obscurece certos valores morais básicos, desvaloriza o casamento tradicional e enfraquece a moralidade pública.
5. O “casamento” homossexual transforma um erro moral num Direito Civil
Os ativistas homossexuais afirmam que o “casamento” homossexual é uma questão de direitos civis, semelhante à luta pela igualdade racial nos anos 1960.
Isso é falso.
Primeiro de tudo, comportamento sexual e raça são  realidades essencialmente diferentes. Um homem e uma mulher querendo casar-se podem ser diferentes em suas características: um pode ser preto, o outro branco; um rico e o outro pobre; ou um alto e o outro baixo. Nenhuma dessas diferenças são obstáculos insuperáveis para o casamento. Os dois indivíduos são ainda um homem e uma mulher e, portanto, as exigências da natureza são respeitadas.
O “casamento” homossexual se opõe à natureza. Duas pessoas do mesmo sexo, independentemente da sua raça, riqueza, estatura, erudição ou fama, nunca serão capazes de se casar por causa de uma insuperável impossibilidade biológica.
Em segundo lugar, características raciais herdadas e imutáveis não podem ser comparadas com comportamentos não-genéticos e mutáveis. Simplesmente, não há analogia entre o casamento inter-racial de um homem e uma mulher e o “casamento” entre duas pessoas do mesmo sexo.
6. O “casamento” homossexual não cria uma família, mas uma união naturalmente estéril
O casamento tradicional é geralmente tão fecundo, que aqueles que querem frustrar o seu fim tem de fazer violência à natureza para impedir o nascimento de crianças, usando a contracepção. Ele tende, naturalmente, a criar famílias.
Pelo contrário, o “casamento” homossexual é intrinsecamente estéril. Se os “cônjuges” querem ter um “filho”, eles devem contornar a natureza por meios caros e artificiais ou empregar maternidade de substituição [“mães de aluguel”]. A tendência natural de tal união não é criar famílias.
Portanto, não podemos chamar de casamento a união de pessoas do mesmo sexo e dar-lhe os benefícios do casamento verdadeiro.
7. O “casamento” homossexual desvirtua a razão pela qual o Estado beneficia o casamento

Uma das principais razões pelas quais o Estado confere inúmeros benefícios ao casamento é que, por sua própria natureza e desígnio, o casamento proporciona as condições normais de uma atmosfera estável, afetuosa, e moral, que é benéfica para a educação dos filhos, frutos do mútuo afeto dos pais. Ele ajuda a perpetuar a nação e fortalecer a sociedade, o que é um evidente interesse do Estado.
O “casamento” homossexual não fornece essas condições. Seu desígnio principal, objetivamente falando, é a gratificação pessoal de duas pessoas, cuja união é estéril por natureza. Não tem direito, portanto, à proteção que o Estado concede ao casamento verdadeiro.
8. O “casamento” homossexual impõe a sua aceitação por toda a sociedade
Ao legalizar o “casamento” homossexual, o Estado se torna o seu promotor oficial e ativo. O Estado exige que os servidores públicos celebrem a nova cerimônia civil, ordena as escolas públicas a ensinarem sua aceitação pelas crianças, e pune qualquer funcionário que manifeste sua desaprovação.
Na esfera privada, pais contrariados vão ver seus filhos expostos mais do que nunca a esta nova “moralidade”; as empresas que oferecem serviços de casamento serão obrigadas a fornecê-los a uniões de pessoas do mesmo sexo; e proprietários de imóveis terão de concordar em aceitar “casais” homossexuais como inquilinos.
Em todas as situações em que o casamento afete a sociedade, o Estado vai esperar que os cristãos e todas as pessoas de boa vontade traiam suas consciências, coonestando, por silêncio ou ação, um ataque à ordem natural e à moral cristã.
9. O “casamento” homossexual é a vanguarda da revolução sexual

Na década de 1960, a sociedade foi pressionada para aceitar todos os tipos de relações sexuais imorais entre homens e mulheres. Hoje estamos presenciando uma nova revolução sexual, na qual a sociedade está sendo convidada a aceitar a sodomia e o “casamento” homossexual.
Se o “casamento” homossexual for universalmente aceito como a etapa presente da “liberdade” sexual, que argumentos lógicos podem ser usados para parar as próximas etapas, do incesto, pedofilia, bestialidade e outras formas de comportamento antinatural? Com efeito, os elementos radicais de certas subculturas de vanguarda já estão defendendo essas aberrações.
A insistência na imposição do “casamento” homossexual ao povo norte-americano torna cada vez mais claro que o ativista homossexual Paul Varnell escreveu no “Chicago Free Press”:
“O movimento gay, quer o admitamos ou não, não é um movimento de direitos civis, nem mesmo um movimento de libertação sexual, mas uma revolução moral destinada a mudar a visão das pessoas sobre a homossexualidade.”
10. O “casamento” homossexual ofende a Deus
Esta é a razão mais importante. Sempre que se viola a ordem moral natural estabelecida por Deus, comete-se um pecado e se ofende a Deus. O “casamento” homossexual faz exatamente isso. Assim, quem professa amar a Deus deve opor-se a ele.
O casamento não é criação de nenhum Estado. Pelo contrário, ele foi estabelecido por Deus no paraíso para os nossos primeiros pais, Adão e Eva. Como lemos no Livro do Gênesis: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gen 1, 27-28).
O mesmo foi ensinado por Nosso Senhor Jesus Cristo: “No princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher” (Mc 10, 6-7).
O Gênesis também ensina como Deus puniu Sodoma e Gomorra, por causa do pecado da homossexualidade: “O Senhor fez então cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu. E destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos os habitantes das cidades e a vegetação do solo” (Gen 19, 24-25).
Uma posição de princípios, não pessoal
Ao escrever esta declaração, não temos qualquer intenção de difamar ou menosprezar ninguém. Não somos movidos pelo ódio pessoal contra nenhum indivíduo. Ao nos opormos intelectualmente a indivíduos ou organizações que promovem a agenda homossexual, nosso único objetivo é  defender o casamento tradicional, a família, e os preciosos restos da civilização cristã.
Como católicos praticantes, estamos cheios de compaixão e rezamos por aqueles que lutam contra a tentação implacável e violenta do pecado homossexual. Rezamos por aqueles que caem no pecado homossexual por causa da fraqueza humana: que Deus os ajude com Sua graça.
Estamos conscientes da enorme diferença entre essas pessoas que lutam com suas fraquezas e se esforçam por superá-las, e outros que transformam seus pecados em motivo de orgulho e tentam impor seu estilo de vida à sociedade como um todo, em flagrante oposição à moralidade cristã tradicional e à lei natural. No entanto, rezamos por eles também.
Rezamos também pelos juízes, legisladores e funcionários do governo que, de uma forma ou de outra, tomam medidas que favorecem a homossexualidade e o “casamento” homossexual. Não julgamos suas intenções, disposições interiores, ou motivações pessoais.
Rejeitamos e condenamos qualquer forma de violência. Simplesmente exercitamos a nossa liberdade de filhos de Deus (Rom 8:21) e nossos direitos constitucionais à liberdade de expressão e à manifestação pública, de forma aberta, sem desculpas ou vergonha da nossa fé católica. Nos opomos a argumentos com argumentos. Aos argumentos a favor da homossexualidade e do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, respondemos com argumentos baseados na reta razão, na lei natural e na Divina Revelação.
Em uma declaração polêmica como esta, é possível que uma ou outra formulação possa parecer excessiva ou irônica. Essa não é a nossa intenção.

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Fonte: http://www.ipco.org.br/home/noticias/10-razoes-pelas-quais-o-casamento-homossexual-e-prejudicial-e-deve-ser-combatido

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lei do Sacrifício




“Todas as pessoas se transformam, de acordo com o que amam.” (Fulton Sheen).

“Se a criatura ama o espírito, espiritualiza-se. Se ama a carne, materializa-se” (Fulton Sheen).

Por Saulo Eleazer

No pequeno recorte que apresentamos abaixo, Fulton J. Sheen nos oferece uma reflexão sobre a importância do sacrifício na vida do cristão. Neste mundo marcado pelo hedonismo é importante meditarmos sobre o valor da cruz, verdade tão esquecida. Que Nossa Senhora nos auxilie nas lutas contra o pecado.

***

“Nem todas as tendências dentro de nós são boas, de forma a poderem levar-nos a excessos. As três tendências básicas dentro de nós dizem respeito ao espírito, ao corpo e às coisas. O instinto que pede aumento de conhecimentos pode transformar-se em orgulho e a liberdade em licença. O instinto da carne e da propagação pode transformar-se em sensualidade invulgar. O instinto, ávido de posse, pode vir a ser avareza e exagero de gula. Se deixarmos à solta estes ímpetos, sem disciplina, serão como o potro por treinar ou cão que não foi habituado à casa.
Há ainda outra razão para disciplina: é que existe em nós uma dupla lei de gravidade: uma, a lei espiritual impele-nos para Deus, nosso Criador; a outra, resultado da herança do pecado, é a lei que nos empurra para baixo, para a Matéria. Todas as pessoas se transformam, de acordo com o que amam. Se a criatura ama o espírito, espiritualiza-se. Se ama a carne, materializa-se. As duas leis da gravitação podem ser comparadas a uma encosta. Se o homem sobe por meio do seu esforço e autodomínio, obedece à primeira lei. A segunda é o precipício, onde se cai fatalmente sem energias defensivas.
No egoísmo, o ego é centro de tensão, preocupação e satisfação, enquanto que aos outros se oferece a circunferência. De forma a podermos desenraizar o eu, e colocá-lo na circunferência, de forma a levar-mos uma vida consagrada toda ao sacrifício, os outros têm de ser localizados no centro. Para isto, porém, é necessário domesticar os impulsos errantes, matar em nós toda a tendência para o que é baixo, por vezes disciplinar até as mais legítimas satisfações. A vida pode então atingir um ponto em que, em vez de serem os outros o centro, é Deus que começa a sê-lo. Nesta altura, o ser humano começa a ser utilizado pelo Omnipotente como instrumento Seu. Assim como um lápis escreve seja o que for que a pessoa dita, assim a pessoa inteiramente consagrada a Deus é instrumento do poder divino. Se o lápis se voltasse contra a mão que o segura, a sua eficácia correria perigo. As obras máximas na terra são executadas por aqueles que totalmente se entregam à vontade de Deus, em sacrifício absoluto, de forma que nos seus pensamentos, palavras e acções só o poder divino se manifesta.
O desejo de erguer-se a alguma coisa de superior acaba por dar a morte a tudo que é inferior. Se as cordas de um violino pudessem ser conscientes, no momento em que o violinista as repuxa, gritariam de dor e agonia em protesto vibrante. Então o violinista teria de lhes assegurar que só submetendo-se a esta disciplina momentânea poderiam executar as mais belas melodias escondidas dentro delas. Se a um bloco de mármore fosse concedida consciência, gritaria de angústia ao ver aproximar-se o escultor com martelo e cinzel. Escondida dentro de cada bloco de mármore existe uma imagem, mas, precisamente como é impossível fazer surgir essa imagem sem retalhar, matar e sacrificar, assim é impossível ver aparecer a Divina Imagem, oculta em cada um de nós, sem ser à custa de cortes e mortificações. Tal como uma árvore dá melhor fruto depois de podada, assim a criatura produz mais e melhor se nela vier esculpir-se a cruz. O solo no outono e no inverno fica coberto de folhas podres, hastes e raízes, mas tudo isto produz o que é conhecido como húmus, ou antes matéria que vivifica a terra.Graças a esta morte, salpicando o chão, novas folhas, novas raízes, novas hastes surgem, cada vez em maior abundância. Como Francisco Thompson disse:

‘Nada começa e nada acaba
Sem seu preço de sofrimento.
Todos nós nascemos da dor alheia,
E morremos na angústia só nossa. ’

Muita gente vive abaixo do normal; se soubessem, se fossem assaz fortes para viver segundo a lei do sacrifício, começariam a exercer um autodomínio e, tornando-se senhores, capitães do próprio destino, achariam aquela paz que ultrapassa todo entendimento.

(O negrito é nosso)

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Referência Bibliográfica:

SHEEN, Fulton. A Vida Faz Pensar. Trad.: Maria Henriques Osswald.  Porto: Editora Educação Nacional, 1956. 280 pg.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pequena Introdução à Filosofia


“A última palavra da razão sobre si mesma é o reconhecimento de um vazio que só as promessas cristãs poderão preencher.” 
(Pe. Leonel Franca)


 Por Saulo Eleazer

        Filosofia (etimologicamente philos sophias) é um amor à sabedoria que se objetiva na busca da Verdade à luz do Logos; uma disciplina da razão construída com processos demonstrativos de ordem intelectual. De acordo com a história, Pitágoras de Samos (± 580 – 500 a.C.) fora o primeiro a utilizar-se desta nomenclatura. Certa feita, aclamado como “sábio”, julgou-se indigno desta denominação. Pedira, então, para ser chamado, tão somente, “amigo do saber”. Esta postura, do pré-socrático revela-nos duas características essenciais num filósofo: humildade e perseverança.

        Antes, porém, de aprofundar o sentido desta ciência, é necessário ter em mente alguns dados fundamentais. Prescindir de certas informações basilares poderia nos levar a conclusões errôneas e perigosas.
        A realidade compreende duas zonas (ou ordens) especificamente unidas e intercomunicadas: uma “Natural”, acessível às luzes da razão, e outra “Sobrenatural”, cognoscível pela Divina revelação. A esta corresponde, obviamente, um conhecimento sobrenatural, a fé[1]; enquanto que àquela corresponde um conhecimento natural: estamos aqui no terreno próprio da Filosofia.

        Ora, Deus é autor de ambas as ordens, portanto, não pode haver jamais qualquer incompatibilidade ontológica entre elas. Assim como a realidade natural se submete à sobrenatural, de igual modo, o conhecimento filosófico (e o conhecimento natural como um todo) deve subordinar-se ao conhecimento sobrenatural, mantendo, entretanto, sua devida autonomia nos limites essenciais que lhe são próprios.

        Embora a filosofia possua certa autonomia na medida em que reconhece como sua a consideração e o estudo das coisas criadas como tais (isto é, sua natureza e causa), não pode, no entanto, contradizer as afirmações dogmáticas da fé cristã. [2] Esta deve ser tomada, isto sim, como regra do procedimento correto da razão, pois, “Cristo iluminou a vida, e iluminando-a envolveu também a filosofia de claridades benfazejas.” [3] Assim, a Filosofia, este saber pelos supremos princípios, porque sustentada com elementos racionais, está submetida a uma sabedoria superior que lhe eleva e robustece.

        Como se percebe facilmente, em virtude dessa subordinação, a Filosofia longe de ser desfalcada ou prejudicada, recebe da fé (e, por conseguinte, da teologia) grandes benefícios. A fé não ensina ao filósofo filosofar, nem mesmo se intromete em seus domínios próprios para sinalizar-lhe em que ponto seu raciocínio se extraviou, mas, ao contrário, se limita, tão somente, a indicar-lhe seu erro incompatível com a verdade que ela sabe ensinar com toda certeza. É o próprio filósofo quem deve recomeçar seu caminho para encontrar o desvio ocorrido durante o percurso investigativo.

        Portanto, a Filosofia, ainda que especificamente distinta do conhecimento sobrenatural, ela, como expressão que é junto a este de uma realidade total (composta de natureza e sobre-natureza, intimamente unidos), forma com ele um saber onde ambos os setores se comunicam hierarquicamente para constituir a “Sabedoria Cristã”. Deste modo, preparando-nos racionalmente para o grande benefício da iluminação cristã, assimilando e desenvolvendo as suas riquezas investigáveis, a razão acompanha-nos sempre na vida como benfeitora e amiga.

Finalmente, no universo desta sabedoria, a verdadeira filosofia não cria a realidade; é, tão somente, seu arauto. Suas resoluções são conforme as exigências do ser, assim como, da natureza de nossa inteligência; com efeito, seus conceitos se sustentam e terminam nos aspectos distintos da realidade extra-mental.


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Bibliografia:
_ ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mertrezou, 1960.
_ DERISI, Octávio N. Filosofia Moderna y Filosofia Tomista. Buenos Aires: Sol y Luna, 1941. 242 pg.
_ FRANCA, Leonel. A Crise do Mundo Moderno. 2 Ed.. Rio de Janeiro: José Olimpo, 1942. 302 pg.
_ RATZINGER, Joseph; D`ARCAIS, Paolo Flores. Deus existe? Trad.: Sandra Martha Dolinsky. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2009.
_ MONDIN, Battista. Curso de Filosofia. Os Filósofos do Ocidente. Vol.1. 2º edição. São Paulo: Paulinas, 1981. 232 pgs.


[1] A fé consiste num ato do entendimento submetido ao império da vontade com o auxílio da graça. Não confundir com o subjetivismo sentimentalista dos tempos hodiernos.
[2] Ao lado da doutrina revelada há um patrimônio de verdades acessíveis à razão no exercício natural de suas funções. Por exemplo, sem o auxílio da fé a razão humana é capaz de elevar-se a certo conhecimento de Deus e da lei moral. Existem, portanto, uma teodicéia e uma ética como disciplinas puramente racionais.
[3] FRANCA, Leonel. A Crise do Mundo Moderno. 2 Ed.. Rio De Janeiro: José Olimpo, 1942. Pág. 178.