sexta-feira, 21 de maio de 2010

Católicos e Rosacruzes. Estranha coincidência...

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Por Prof. Pedro M. da Cruz.
 
 
 
 
“... deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da verdade.”[1]
“Estai sempre prontos a responder em vossa defesa a todo aquele que pedir a razão de vossa fé.”[2]
“O teu ensinamento, porém, seja conforme a sã doutrina”[3]
 
 


Quem jamais ouviu esta afirmação: “Religião não se discute.”? Ora, todo discutível é incerto, problemático. As falsas religiões existentes pelo mundo afora, não apresentam contradições e incoerências dignas de sério questionamento? Partindo-se do princípio de que há uma única verdade absoluta, muitas vezes, não se torna conveniente um debate, ordenado e rigoroso, que permita o acesso à mesma?[4]
A verborragia reinante entre tantos homens, assim como, o relativismo subjetivista adjunto (absortos que estão na ignorância ou má formação), tudo isso, muitíssimas vezes, acompanhado de impaciências, tão inférteis quanto dispersivas, faz com que se pense na impossibilidade de tal nível benfazejo de discussão. No entanto, a história do catolicismo está aí para provar, não só a existência, como também a conveniência desse método cristão.
Perguntamo-nos, por fim, onde está aquele espírito, aquele brio cristão, que nos põe a aniquilar todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus? Onde, aquele entusiasmo católico, que pretende cativar todo pensamento e reduzi-lo à obediência a Cristo?[5] Paradigmática, é a figura de Santa Teresa, a virgem doutora de Lisieux:
“Quisera morrer em campo de batalha pela defesa da Igreja.(...) percorrer toda a terra, pregar Teu nome, e fincar em solo inimigo Tua Cruz gloriosa.(...) O martírio! Eis o sonho de minha juventude.(...) Porém, vejo que este sonho também é loucura, pois, não podeia limitar-me a desejar um só gênero de martírio... para satisfazer-me, eu necessitaria padecê-los todos...”[6]
Infelizmente, a grande maioria de nossos jovens estão longe deste modelo de santidade... Formados num pensamento distante do Evangelho, mais se parecem aos inimigos de Cristo. O pior, é que, na maioria das vezes, nem se dão conta desta triste situação. Urge, pois, evangelizar!
Postamos abaixo uma série de conselhos, muito parecidos aos que, geralmente, escutamos por aí. Pelo menos, é o que se tem difundido em vários grupos de jovens, de oração, ou mesmo, em “bondosas” homilias... para tristeza dos que amam a Tradição.
 
1. “Nunca permita ser envolvido em discussões quanto às crenças religiosas de outras pessoas, a não ser para ponderar sobre a solidez, a excelência, ou os possíveis benefícios de certas doutrinas, provando-lhes, dessa maneira, o Bem que existe em todas as religiões.”
2. “Jamais considere os seus pensamentos religiosos como superiores.
3. “Faça boa referência a respeito deles, se necessário mencione como eles o auxiliam, porém, não crie na mente de outros a impressão de que eles estão em pecado ou erro devido às suas crenças.”
4. “A religião que é melhor para cada qual é a que permite a compreensão de Deus e dos misteriosos desígnios de Deus.”[7]

O leitor gostaria de saber onde encontramos estes “bondosos” aconselhamentos? Foram retirados, nada mais nada menos, que do chamado “Código Rosacruz de Vida”. O que é compreensível, por vir de um grupo esotérico, ocultista, amigo da Maçonaria e enamorado da New Age. Porém, quanta coincidência com uma errônea visão ecumênica de tantos leigos e sacerdotes modernistas... dizendo-se promotores do “amor”, esquecem-se de que este consiste em que vivamos segundo os mandamentos de Cristo[8], e não escravos dum vago sentimentalismo, que aceita o erro e a heresia. No mais, é clara a Sagrada Escritura: “Aquele que detesta a reprimenda é sempre um insensato.”[9]
Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós nesta hora de crise, a fim de que, sem desânimo algum, possamos triunfar na luta contra o Demônio. Isso, apesar das afrontas daqueles mesmos que deveriam nos animar na batalha... Amém.
 
✠ ✠ ✠
 

[1] Conf. II Tim.2,25
[2] Conf. I Ped.3,15
[3] Conf. Tit.2,1
[4] AQUINO, Santo Tomás de. Suma de Teologia, I. Parte I. Cuestióm 16. Biblioteca de Autores Cristianos. Madrid, 2001.
[5] Conf. IICor. 10,5-6
[6] LISIEUX, Teresa de. Historia de un alma, manuscritos autobiográficos. Trad. Setién de Jesús María O.C.D. Colección Teresita. Segunda edição. Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1978. Pg. 253-254.
[7] LEWIS, H. Spencer. Manual Rosacruz. 17º Edição norte americana. Coordenação: Maria A. Moura, F.R.C . 6º Edição brasileira . Biblioteca Rosacruz, Volume especial. Rio de janeiro: Editora Renes. Pg. 214.
[8] Conf. II Jo.1,6
[9] Conf. Pro.12,1

terça-feira, 18 de maio de 2010

Mãe... é mãe

 

Por João S. de Oliveira Júnior

 

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Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca. (Isaías 49,15)

 

 

 

 

 

 


 

 

Joana, todos os dias, acompanha e leva no colo seu filho Pedro, que tem uma grave patologia congênita, ao hospital. Chances nulas de ele ter uma vida normal, respira só com ajuda de aparelhos e se alimenta por sondas. Dona Euália, todas as semanas vai ao presídio visitar e levar comida ao filho Joaquim, preso por homicídio e tráfico de drogas. Ela tem fé que, quando ele sair, possa arrumar um emprego. A senhora Ana Helena, viúva com cinco filhos, acorda todos os dias às 6:00 horas da manhã para pegar no pesado e garantir o leite da família. Dá duro para que possam estudar e terem um futuro melhor. Ela só volta a dormir à meia noite, quando os mais velhos já retornaram para casa.

Prezado leitor, estes são nomes e situações que foram criados por este autor, mas são casos tão verídicos e corriqueiros, que você certamente também presencia ou identifica semelhanças no seu dia-dia. Poderia imaginar mil e um poemas para representar o amor materno, no entanto parece que apenas citando fatos já o deduzimos.

Não é de estranhar que Deus mostrando seu grande amor e fidelidade aos seus diletos (1), comparou aquele com o de uma mãe. Sim, se tem um Amor Terreno que mais se aproxima do Divino, sem dúvidas, é o Materno. Poucos entenderam, quando Madre Tereza de Calcutá declarou em discurso oficial à ONU que o maior perturbador da Paz Mundial na atualidade é o aborto: _ Por que se uma mãe é capaz de matar o seu próprio filho, o que falta para eu matar você e você me matar? Não falta nada (...) (2). Ela referia que tal ato não é apenas a morte de um indefeso no ventre materno, mas também uma morte da própria mulher que por natureza tem o dom sobretudo de ser mãe (3), ou seja, a morte do potencial de Amor verdadeiro naquela ocasião. Claro que, uma vez dado a luz, ainda que indesejado ou em circunstâncias adversas, dificilmente uma mulher desejaria a morte de seu filho. Sempre recordo que 95 % das mulheres que abortam não abortariam caso tivessem apoio do pai da criança (4) ou tivessem mais ciência do que estariam fazendo. Logo, o maior assassino do mundo atual chama-se “mentalidade abortista” que quer roubar da mulher a consciência de seu dom mais precioso e divino, ser mãe.

A propósito, o próprio Deus quis ter uma mãe! Eis mais uma vez o mistério da encarnação: E o verbo se fez carne e habitou entre nós (...) (5) Como citou são Luiz de Montfort, nosso Senhor Jesus Cristo não quis apenas vir ao mundo por meio de uma Mulher, também quis ser cuidado e ter dependido dela (6). Muito além de carregar Deus Filho nove meses no ventre, Maria Santíssima acompanhou-o por toda a vida terrena, desde o nascimento passando pela vida cotidiana em mais de 30 anos até ao drama da Cruz. Tamanha humildade de nosso Senhor que resplandece a Sabedoria infinita de Deus. Maria, que regozijou como ninguém o mistério da encarnação (7), sentiu naturalmente (por ser mãe) mas, sobrenaturalmente também (pelo Filho que tem) as agonias d’Ele no momento mais difícil(8). Se caso questionássemos se alguma criatura foi tão íntima e próxima de Deus, Uno e Trino, Todo Poderoso, teríamos dúvida ainda de quem fosse? Teríamos dúvida de quem mais amou, de fato, a Deus?

Já dizia dona Ilda, minha genitora: A mãe só quer o bem, mãe é mãe.

Neste mês de maio, dedicado às mães e Àquela que foi o exemplo de mãe, suplicamos a Ela, mais uma vez, que interceda por nós e por nossa Madre Igreja a seu Filho amado.

 

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(1) Vide Isaías 49,1 e15.

(2) Vide discurso de Madre Tereza à ONU, dezembro de 1979, quando recebeu o Nobel da Paz: http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=OPINIAO&id=opi0266

(3) Carta Apostólica Mulieries Dignitatem, vide capítulo VI – Maternidade e Virgindade: http://agnusdei.50webs.com/muldig0.htm

(4) Vide estudo do Prof. Doutor Adriano Vaz: http://www.freewebs.com/somosmedicosporissonao/sadepsquicadamulher.htm

(5) Vide Isaías 7,14 e são João 1,14.

(6) Vide “Tratado de Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, cap. V, art. II, 139.

(7) Vide São Lucas 1,46-55.

(8) Vide São Lucas 2,34-35 e 51 e São João 19,25.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Palavras de Jesus à Santa Faustina sobre a Rússia socialista

Capela das Aparições (Santuário de Fátima), construída a pedido de Nossa Senhora do Rosário, que hoje festejamos

 

Neste dia de Nossa Senhora de Fátima, convém relembrar o precioso conteúdo das suas aparições na Cova da Iria. Entre os pedidos da Virgem Maria está o de rezar para que o Santo Padre consagre a Rússia ao seu Imaculado Coração, porque este país se converta. Na mensagem de Fátima, Maria profetizou a disseminação dos erros da Rússia pelo mundo todo. Este erro é o comunismo ateu e todas suas vertentes e ramificações. Demonstrando como a doutrina comunista é nefasta, colacionamos abaixo um trecho do diário de Santa Faustina Kowalska em que Jesus expõe sua angústia diante da ideologia atéia socialista. Reparemos o ano do escrito (1936), em pleno terror stalinista.

 

 

 

"16.12.[1936]. Ofereci este dia pela Rússia; ofereci todos os meus sofrimentos e as minhas orações por esse pobre país. Depois da Comunhão Jesus me disse: 'Não posso suportar por mais tempo esse país; não Me tolhas as mãos, minha filha'. Compreendi que, se não fossem as orações das almas agradáveis a Deus, toda essa nação teria sido reduzida a nada. Oh! como sofro por causa dessa nação que expulsou a Deus das suas fronteiras." (Santa M. Faustina Kowalska, Diário - A Misericórdia Divina em minha alma, 2008, p. 235, § 818).

 

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domingo, 9 de maio de 2010

A devoção do Santo Rosário - exemplos edificantes

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Nossa Senhora do Rosário - Caravaggio

 

No mês dedicado a Maria Santíssima, excertos sobre a devoção que mais a agrada.

 

 

 

Um velho soldado oprimido pelas fadigas e feridas estava no hospital dos incuráveis, em Antuérpia. Envelhecera nas campanhas, porém conservara sua alma sempre pronta a abrir-se às inspirações da piedade.

Um Sacerdote veio visitá-lo, falou-lhe da devoção do Rosário e ensinou-lhe a rezar o Terço. O militar achou tanta consolação nesta prática a ponto de se lamentar por conhecê-la tão tarde. “Se eu tivesse conhecido mais cedo esta devoção, tê-la-ia praticado todos os dias.” No ardor de seus sentimentos, esforçava-se em recuperar o tempo perdido e conforme a expressão de um cronista, rezava seu Terço com o passo acelerado de um viajante que caminha sob os ardores do sol e deseja alcançar a sombra. “Se a Santíssima Virgem” dizia ele, “quisesse conceder-me ainda três anos de vida, eu rezaria tantos Rosários quantos são os dias de minha existência.” Perguntando uma vez que número de dias compreendem 60 anos, responderam-lhe: “em 60 anos há 21.900 dias.” O militar perguntou, ainda, quantos Rosários seriam necessários rezar cada dia para completar esse número em três anos. Disseram-lhe que era preciso rezar 20 Rosários por dia. O velho soldado impôs-se este trabalho com coragem; dia e noite tinha ele seu Rosário na mão e no fim de três anos concluiu os 21.900 Rosários. Porém, a morte esperava-o ali. Sua vida não durou nem um dia, nem uma hora mais; morreu rezando a última Ave-Maria.

A Santíssima Virgem quis mostrar-nos, por este exemplo, o zelo que devemos ter oferecendo-lhe, cada dia, uma homenagem que tanto Lhe agrada.

 

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Lê-se na vida da Bem-aventurada Benedita Rancurel, santificada pela devoção do Rosário, que muitas vezes o demônio a transportava para longe e a colocava sobre um rochedo inacessível. Acontecia então que o Anjo Custódio da santa ia buscá-la. Abria-lhe uma passagem através das rochas, dos gelos e dos abrolhos cobertos de neve, trazia-a dos lugares desconhecidos em que estava perdida pela malícia de satanás e ajudava-a a transpor a torrente impetuosa que lhe embaraçava o caminho. Viva imagem do que fazem todos os dias nossos bons Anjos para nos preservarem ou livrarem da astúcias de nossos inimigos invisíveis, que procuram sem cessar fazer-nos cair no pecado e conduzir-nos à nossa perda eterna! Quando a santa camponesa era levada pelo demônio sobre o teto de certa Igreja, o que aconteceu por mais de vinte vezes, um Anjo a ajudava a descer e, abrindo a porta da Igreja, rezava com ela o Rosário. Quando as perseguições do demônio contra esta santa criatura chegavam a seu auge, os Anjos, sob a forma de passarinhos, vinham rezando e cantando, assistir a seus sacrifícios e provas. Ela os via, ora brancos, ora vermelhos, e sempre luminosos. Outras vezes, as duas cores alternavam-se na coroa que eles formavam voando sobre a sua cabeça. O branco, sem dúvida, significava a virgindade tão perfeita dessa santa donzela e o vermelho o martírio causado pelas perseguições que sofria. Mas, o que podia representar a coroa, senão essa coroa mística de Ave-Marias que Benedita oferecia 20 vezes ao dia à Rainha do Santo Rosário?

Eis como os Anjos se comprazem em proteger, fortificar e consolar os verdadeiros servos e fiéis servas da Sua amável Soberana, especialmente aqueles e aquelas que põem todos os dias em Sua fronte o místico diadema do Terço ou do Rosário e se esforçam para caminhar sobre Seus passos no caminho das virtudes.

 

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Fonte:


Livro: Trinta e uma Meditações Sobre as Excelências do Santo Rosário
Páginas: 39, 40 e 68
Subtítulos: Quanto Maria Ama o Terço (Pág. 38 - 41)
O Rosário Louvado Pelos Demônios (Pág. 66 - 69)
Pelo Padre Luiz Bronchain - Redentorista
Friburgo, Brisgau - Alemanha
1° Edição- 1912
Reedição - 1999
2.000 Exemplares.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Rosacruz, baldeação e relativismo. Cuidado!

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Por Prof. Pedro M. da Cruz.
 
“Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas.” [1]
Trocaram a verdade de Deus pela mentira, adoraram e serviram à criatura em vez do Criador.” [2]
“Que relação pode haver entre a luz e as trevas? Ou, que acordo entre o fiel e o infiel.”[3]
 
 
Tem crescido em nosso meio, e de forma acentuada, o relativismo quanto aos temas religiosos. A Verdade deixa de ser vista como algo objetivo; passa a reinar em muitas mentes o pérfido subjetivismo, que reduz todas as coisas ao “eu penso”, “eu acho”, ou mesmo, ao corriqueiro, “eu gosto”... Só uma atmosfera como esta pode tolerar o absurdo da crença em certa divindade vaga e “fumacenta” do ocultismo, submissa à concepção egoísta de cada indivíduo. Deus, para estes ego-cêntricos, é aquilo que se concebe como tal. Ele é “O Deus dos corações”, o “deus” de cada um, e não mais aquele Ser supremo revelado por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Observemos, atentamente, o quanto algumas expressões tem sido baldeadas em nossa sociedade. É tão gritante este problema, que, talvez, ao ouvirmos verdadeiras heresias por aí, acabemos por acreditar que estamos em contato com a genuína Revelação cristã. Muitas palavras utilizadas pelo catolicismo receberam, estrategicamente, nova “maquiagem”, tornando-se qual “cavalo de Tróia” nas mãos dos inimigos.
Comprar um livro, por exemplo, devido ao fato de, na capa, está indicado falar sobre “Deus”, não significa, necessariamente, que trate-se do Deus cristão, aliás, o único verdadeiro. O mesmo, diga-se de passagem, sobre o termo “Alma”; brincando, poderíamos dizer que existem tantas versões sobre a “Alma” quantas almas há.
Referindo-se a esta técnica de baldeação num certo ramo do esoterismo, escreve-nos Monsenhor Léon Meurin, S.J.:
“Os nossos leitores sabem que, para desviar da verdade os espíritos dos seus adeptos, os judeus cabalistas cuidaram de trocar o valor das palavras. Assim: Deus é Satã e Satã é Deus. O Bem é o Mal e o Mal é o Bem. A Virtude é o Vício e o Vício é a Virtude. A Verdade é a Mentira e a Mentira é a Verdade. A Luz é a Treva e a Treva é a Luz. A Revelação é o Obscurantismo e o Obscurantismo é a Revelação. A Religião é a Superstição e a Superstição é a Religião.”[4]
Certa feita, um amigo meu, elogiava determinado autor, não sabendo que o mesmo seria, supostamente, um “Espírito de Luz”; estes que, segundo o Espiritismo, já abandonaram as “vestes físicas”... vai entender tamanha lorota! Nem todo mestre é mestre verdadeiro, assim como, nem todo aquele que se afirma existente existe de fato, a não ser, na mente delirante de quem o inventou.
Bom, já que temos visto algumas curiosidades referentes à Ordem Rosacruz, cremos que será interessante estudarmos determinados termos usados pelos mesmos, a nível de exemplificação. Veremos a que sofisticação levaram certos conceitos, agora, tão distantes da realidade. Com exceção do vocábulo “Avatar”, todos os outros encontram-se também na teologia católica, porém, com quanta diferença de significação...
Possa a Santíssima Mãe de Deus vir em socorro de tantas almas perdidas em mil caminhos de ilusão. Que ela, pisando sobre a cabeça da serpente infernal, conduza-nos à presença de seu divino Filho, onde teremos paz e verdadeira felicidade. Amém.
 
Dicionário Rosacruz
 
(Conf.: LEWIS, H. Spencer. Manual Rosacruz. 17º Edição norte americana. Coordenação: Maria A. Moura, F.R.C . 6º Edição brasileira . Biblioteca Rosacruz, Volume especial. Rio de janeiro: Editora Renes. 271 Pgs.
“Alma – Erroneamente falamos da alma no homem ou da alma do homem como se cada Ser humano ou cada organismo consciente tivesse, no interior de seu corpo neste plano terreno, um algo separado e distinto que chamamos de ‘Alma’; portanto, em cem seres haveria cem Almas. Isso, no entanto, é errado. Existe apenas uma alma no Universo; a Alma de Deus. A consciência Vivente e Vital de Deus. Em cada ser vivente há um segmento inseparável dessa Alma universal e, esse, é a Alma do Homem.[5] Jamais deixa de ser parte da Alma universal, do mesmo modo que a eletricidade em uma série de lâmpadas elétricas de um circuito não é uma porção separada da eletricidade sem ligação com a corrente que flui através de todas as lâmpadas. A Alma, no homem, é Deus no homem, e torna a humanidade parte de Deus, Irmãos e Irmãs sob a Paternidade de Deus.” (LEWIS, pg. 219)
“Avatar – Na linguagem mística corrente e como usado pelos Rosacruzes, um avatar é uma pessoa cuja personalidade-alma está altamente evoluída ou espiritualmente desenvolvida devido a vários ciclos de encarnação neste plano. Não há número específico de encarnações que designe alguém como um avatar. O discernimento espiritual de um indivíduo, sua compreensão humana, domínio da vida e serviço altruísta são as características de um avatar. Um avatar não manifesta maneira peculiar no vestir, no falar ou na forma de se apresentar. Seu conhecimento da vida e de seus problemas, e sua conduta, são seus únicos sinais exteriores de realização. Evidentemente ninguém se torna avatar em uma encarnação. Trata-se de um processo de evolução. A etimologia da palavra é sânscrita. É comumente usada na filosofia hindu, embora de maneira não totalmente compatível com a interpretação mística ocidental.” (LEWIS, pg.222)
“Deus – Para os Rosacruzes existe apenas um Deus, sempiterno, onipresente, ilimitado, e sem forma definida de manifestação. É o Deus de nossos corações, expressão encontrada no decorrer de nossas práticas ritualísticas e meditativas. O Deus que concebemos, do qual nos podemos tornar conscientes, mais cedo ou mais tarde se manifestará naquela singular intimidade de nosso interior. Os Rosacruzes pertencem a muitos credos e seitas religiosas em todas as partes do mundo, porém há unidade absoluta nesta concepção de Deus, da Inteligência Suprema, da Mente Divina. Nos rituais antigos encontramos esta frase como parte da promessa Rosacruz; “O Homem é Deus e Filho de Deus, e não há outro Deus senão o Homem.” Isto, porém, tem significado místico e não deve ser tomado no sentido literal. A concepção Rosacruz de Deus é essencialmente a de uma mente universal, inteligência e poder infinitos. Essa concepção não é dogmática. Os Rosacruzes difundem o princípio de que Deus é, na verdade, uma experiência subjetiva, e desse modo uma interpretação pessoal. Consequentemente o Rosacruz diz: ‘Deus do meu Coração.’” (LEWIS, pg. 227)
Mestre - Termo usado, de várias maneiras, em nosso trabalho, porém não analisaremos aqui o uso desse vocábulo para designar o Oficial de uma loja ou Diretor de um dos Graus do trabalho. De outro modo, o termo é usado para designar aquele que alcançou determinado grau de perfeição na evolução ou um alto senso de domínio das leis e princípios. Neste sentido há Mestres visíveis e invisíveis. Dos classificados como Mestres visíveis, alguns vivem na carne, no plano terreno, e são por nós vistos com os sentidos objetivos, físicos, e outros vivem na carne, neste plano, e podem projetar seu corpo psíquico, pensamentos e impressões, sem consideração de distância, de modo que seu corpo psíquico se torne visível, sob determinadas condições, e sensíveis à nossa compreensão psíquica, ou objetiva, os seus pensamentos e impressões. Os Mestres invisíveis, por outro lado, são aqueles que passaram deste plano para o plano cósmico, e dali projetam sua personalidade para o plano psíquico, jamais atuando ou se expressando no plano terreno até que se reencarnem. Para que possamos perceber esses Mestres, e não vê-los com a visão objetiva, deveremos nos harmonizar com o plano psíquico em grau tal que, na ocasião, estejamos atuando, total e psiquicamente, no plano psíquico ( Isto é, com o nosso corpo psíquico, enquanto o corpo físico permanece adormecido, ou inativo em todo o seu funcionamento com exceção do aspecto de natureza puramente física, como quando adormecido, em estado passivo, ou num estado de meditação profunda) e, nessa ocasião, estabelecer contato com a personalidade, mente, pensamentos e mensagens das Mentes Invisíveis. Esses Mestres podem, então, ser ‘vistos’, porém não com a visão objetiva; na verdade, não se trata absolutamente de visão e, sim, de um estado Cósmico de percepção que interpretamos como visão após recobrarmos a consciência no plano objetivo, por falta de um termo melhor para descrever a sensação. image
O funcionamento total no plano psíquico, por minutos ou  horas em determinada ocasião, conforme se deseje, e o contato com a personalidade dos Mestres Invisíveis é uma condição grandemente almejada por todos os místicos, conseguida por meio de cuidadoso estudo e preparação, muitos experimentos preliminares e pureza de propósito. É desse modo que a Iluminação Cósmica ou Consciência Cósmica é alcançada.” (LEWIS ,pg. 239-240)
Personalidade da alma - A personalidade[6] é o Eu, e o Eu é uma expressão da alma no interior do corpo do Homem. A alma se esforça para manifestar sua natureza divina e qualidades Cósmicas através da consciência objetiva do Homem. Na proporção em que o Homem se torna consciente de sua essência divina, sua alma, nessa mesma proporção o Eu, ou personalidade, com ela se identifica. A personalidade, portanto, é a manifestação objetiva da reação do indivíduo ao segmento inseparável da alma universal com que o Homem está infundido. (...) A alma é a essência perfeita, no homem, pois é parte da Alma Universal que flui através de todos os homens, da mesma maneira...” (LEWIS, pg. 248- 249)
(P.S.: O negrito é nosso)

[1] Conf. Isa.5,20
[2] Conf. Rom.1,25
[3] Conf. II Cor.6,14-15
[4] PINAY, Maurice. Complot Contra a Igreja. Trad. Dr. João Afonso. Lisboa: Editorial J. Castelo Branco, 1970. Pg. 500.
[5] Segundo Cecil A. Poole, o “Eu Interior”, por exemplo, seria uma espécie de consciência subjetiva, diferente de nosso “eu” objetivo. Esse “Eu interior” relaciona-se, ou talvez, até mesmo, se identifique com a própria Alma. Seria o Eu da própria Alma. “ O Eu Interior serve como um meio para a voz divina que existe no homem. É uma fagulha da chama sempiterna que existe por todo o universo e provém, diretamente, da Fonte de todas as coisas. Vem de Deus, é Deus.(...) o universo inteiro é o corpo de Deus, sua expressão no tempo e no espaço. Assim é Deus o Eu Interior, um universo em miniatura que existe dentro do indivíduo.Conf. POOLE, Cecil A. Misticismo, A Suprema Experiência. Biblioteca Rosacruz. Volume XXXV. Rio de Janeiro: Renes, 1983. Pg. 140.
[6] Os Rosacruz distinguem Personalidade (psíquico, Imaterial e incorpóreo) de Individualidade. Personalidade revelaria tudo o que foi acumulado através de incontáveis experiências, e absorvido como parte de sua própria essência de expressão. Deste modo há inúmeros estágios de personalidade, de acordo com a evolução de cada indivíduo. A Personalidade revela a verdadeira identidade psíquica de cada membro da raça humana. Por outro lado, a individualidade refere-se à parte transitória e mortal do homem. Refere-se ao indivíduo objetivo que possui um corpo composto de unidades que não podem e não devem ser divididas ou separadas umas das outras, sem destruir a manifestação objetiva. A Individualidade é, essencialmente, terrena e material, porque sua finalidade é funcionar no plano mundano.

domingo, 2 de maio de 2010

Cerveja! Até mesmo as “Testemunhas de Jeová”, hein?!

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Cerveja Trapista, produzidas no Monastério “Onze Lieve Vrouw van Koningshoeven”. Criada pelos monges trapistas, é considerada por alguns a melhor cerveja do mundo
 
Por Paulo L. F.
 
“Bebi mal e sinto-o muito. Como quisera haver bebido bem ao pensar que bom vinho e que boa cerveja tenho em casa.” [1]
“Não há nada melhor para o homem que comer, beber e gozar o bem-estar no seu trabalho.”[2]
“Não continues a beber somente água, mas toma também um pouco de vinho...”[3]
 
 
Vejam que interessante! Estudando alguns assuntos por aí, encontrei, em certa revista das “Testemunhas de Jeová”, curiosas informações sobre o uso de bebidas alcoólicas nos tempos bíblicos. Julguei por bem transcrever aqui o texto completo, a fim de que nossos leitores possam ter maiores subsídios para se defenderem daqueles que taxam ofensivamente os admiradores da “boa vida”, se assim posso dizer.
Como poderão constatar, citam até determinado versículo, onde, o próprio Deus, ordena que se compre vinho e bebida inebriante para se alegrar em família. Seria este um conselho discreto das “Testemunhas de Jeová”, entusiasmando, a antiga e bela prática católica, de se brindar em família, à sombra da temperança e da moderação? Deus queira que sim! E olhem que nem estou bêbado ao fazer tal indagação. Em antigo livro desta confusa seita, (negadora, não só da Trindade, como também da “transfusão de sangue”, e etc.) chegam mesmo a reconhecer abertamente que, a Sagrada Escritura fala, de fato, do uso moderado destas substâncias.[4] Afirmam, inclusive, citando um determinado Instituto, que os perigos do abuso das bebidas alcoólicas teriam menos probabilidade de aparecer, caso, o primeiro contato da pessoa com estas substâncias, ocorresse dentro de famílias equilibradas ou, quiçá, de grupos religiosos; entre outras coisas...
O fato é que, como já temos demonstrado em artigos anteriores, a Igreja Católica não proíbe o uso moderado de cervejas e outras bebidas. Reprova, tão somente, os excessos indevidos. O que, aliás, deve-se fazer com relação a qualquer outra coisa. Basta conferirmos, por exemplo, o “Compêndio do Catecismo da Igreja Católica”, texto que S. S. Bento XVI diz ter aprovado “com grande alegria”.[5]
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Teria, o Santo Padre, experimentado algumas dessas deliciosas bebidas que se servem no Vaticano? Bom, não temos certeza, apesar de sabermos que ele é um grande apreciador duma boa cerveja. Como, a propósito, o são muitos outros católicos...
Diz-nos o Compêndio, e com toda clareza, que deve ser evitado “... o abuso dos alimentos, do álcool, do fumo e dos medicamentos.[6] Vejam bem, “o abuso”, não o uso. Afinal de contas, só podemos abusar daquilo que usamos; caso contrário, seria incompreensível a proibição em questão. Interessante ainda, é que a dita proibição do excesso cabe, inclusive, ao uso do cigarro, este também, permitido a um cristão, tomados os devidos cuidados[7]... entretanto, deixemos para outro momento esta reflexão específica.
Vamos, de uma vez por todas, ao texto das “Testemunhas de Jeová”. Ah! Será que os fundadores desta Seita estavam “bêbados” quando negaram a eternidade do Inferno, assim como, a imortalidade da alma? Não sei... porém, é uma boa teoria![8] O fato é que, se, até mesmo as “Testemunhas de Jeová”, demonstraram tamanha sensatez quanto ao uso de bebidas alcoólicas, fica ainda mais incompreensível a estranha postura de líderes católicos (alguns da RCC, ou mesmo da Pastoral da Sobriedade, entre outros...) que pregam a “abstinência total” como dogma cristão.
Possa, Nossa Senhora, por sua doce intercessão, inebriar-nos com o vinho do Espírito Santo! Amém.
 
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Texto das Testemunhas de Jeová


“‘Vinho e bebida inebriante’ são mencionados juntos com freqüência na Bíblia.[9] A expressão “bebida inebriante” não quer dizer que essas bebidas eram produto de destilação, visto que esse processo só foi inventado séculos mais tarde. Essas bebidas não eram feitas só de frutas como uva, tâmara, figo, maçã e romã, mas também de mel.
 O termo “bebida inebriante” também podia se referir à cerveja. A palavra hebraica traduzida por “bebida inebriante” está relacionada a uma palavra acadiana que pode se referir à cerveja de cevada comum na Mesopotâmia. Essa bebida tinha baixo teor alcoólico, mas se uma pessoa bebesse em excesso podia ficar embriagada.[10] Em antigos túmulos egípcios, foram encontradas maquetes em argila que representavam locais de produção de cerveja e pinturas de produtores de cerveja. Em babilônia, a cerveja era uma bebida do dia a dia tanto em palácios como nas casas dos pobres. Os filisteus tinham uma bebida semelhante. Os arqueólogos encontraram por toda palestina jarros equipados com coador na ponta. Esses recipientes coavam a cerveja para que quem bebesse não engolisse o bagaço da cevada com a qual se fazia a cerveja.”[11]
 
***
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Por último, reflitamos: o que terá levado milhares de católicos a manifestarem uma postura tão negativa quanto ao uso de bebidas alcoólicas? Será, somente, o excesso de muitos que cederam ao alcoolismo, ou, talvez, não haveria aí também, uma errônea visão sobre a realidade material? Confesso que inúmeros pensadores vêem aqui resquícios de um Maniqueísmo prático... Possam, nossos leitores, meditar sobe esta interessante questão; quem sabe se provando uma deliciosa cerveja; isso, claro, se maiores de dezoito anos. Saúde!!!
“Quer comamos, quer bebamos, façamos tudo para maior glória de Deus” (S. Paulo - I Cor. 10,31)

[1] Palavras de Lutero, fundador do protestantismo, em 1534. Entre muitos outros fatos curiosos da vida desde pai dos “evangélicos” e “crentes” modernos, poderíamos citar um testemunhado por Melanchthon; segundo ele, em Erfurt, por exemplo, ano de 1522, Lutero não fez senão: “Beber e gritar, como de costume.” A propósito de tais posturas Conf. I Cor. 5,11
[2] Conf. Ecl. 2,24
[3] Conf. I Tim. 5,23
[4] Testemunhas de Jeová. Sua Juventude – O Melhor Modo de Usufruí-la. 1976. Pg. 97-105.
[5] Motu Proprio para a aprovação e publicação do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica.
[6] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, N º 474.
[7] Cabe ao cristão, interrogando a ciência, descobrir o modo mais adequado de uso deste bem.
[8] Conf. Jó 12,25.
[9] Conf. Deut.14,26; Luc.1, 15
[10] Conf. Pro. 20,1
[11] Revista: A Sentinela. 1 ª de Fevereiro de 2010. Pg. 23.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Crisol Gnóstico-panteísta dos Rosacruz


 
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Por Prof. Pedro M. da Cruz.
 
“Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus.”[1]
“Haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas.”[2]
“...Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.”[3]
 
 
A Igreja Católica, apresenta uma doutrina diametralmente oposta ao pensamento ocultista Rosacruz[4]. E, não pensem os leitores deste Blog que esta seja um mera implicação de nossa parte. Os próprios líderes desta fraternidade esotérica reconhecem-no abertamente. Poderemos confirmar nas várias citações abaixo, retiradas dos escritos de Cecil A. Poole, F.R.C[5], a aberta contradição existente entre a Igreja de Cristo e este grupo secreto. Cecil A. Poole, oriundo que era do protestantismo[6] (Assim como o primeiro Imperador da AMORC[7] para as Américas do Norte e do Sul, Dr. H. Spencer Lewis), conhecia bem as bases fundamentais do cristianismo a que estava renegando.
Ao defender abertamente o Panteísmo, coloca-se em evidente oposição à Tradição cristã. Referindo-se aos pensadores católicos, não se furta a reconhecer o que se segue:
...demonstram, de forma iniludível, seu desprezo pelo panteísmo, que sempre foi considerado como heresia. Este desprezo se origina nos princípios teístas que afirmam a existência de um Deus pessoal, enquanto o panteísmo sustenta o Absoluto impessoal.” (C.A. Poole, pg. 99)
Aqui, é interessante observarmos a semelhança existente entre o nebuloso pensamento Rosacruz e a Maçonaria. Segundo ela também, Deus seria um “Ser” neutro, indefinido e impessoal, aberto a toda compreensão possível, menos a cristã; o que mina o conceito teológico do catolicismo.[8] Inclusive, para muitos, a própria matriz na qual se teria derramado e modelado a moderna Maçonaria teria sido, com toda certeza, a Ordem Rosacruz.[9]
Poole, deixa transparecer sua simpatia por Eckhart (em tantos pontos, propenso ao gnosticismo); nega o valor da Redenção; critica o teísmo católico; supervaloriza a experiência individual, a ponto de neutralizar toda e qualquer abordagem racional sobre o fato[10]... enfim, nos dá um show de relativismo, indiferentismo estratégico, e superficialidade. Muitas vezes, transita de um panteísmo vago para certo tipo de gnosticismo, sem as devidas distinções; demonstra não reconhecer (deliberadamente?) os limites destas duas cosmovisões, tão próximas quanto distantes entre si. Em sua especulação, Gnose e Panteísmo, se fundem e confundem de forma hermética e difusa, temperados com suave teor deísta[11]. Acusa, deste modo, o verniz e as peculiaridades que tomam tais conceitos na fraternidade esotérica a que pertence.[12]
As citações abaixo, foram retiradas do livro “Misticismo, A Suprema Experiência”.
Que Nossa Senhora do Bom Conselho seja nosso auxílio na luta contra o erro.
 
Capitulo Nove

Teísmo e Panteísmo no Misticismo[13]

“No mundo ocidental, de forma especial, há duas visões gerais quanto ao relacionamento de Deus com o mundo. Essas duas posições são conhecidas como teísmo e panteísmo. Hoje em dia, as duas teorias, influenciadas pela força da ciência sobre a teologia, sintonizam-se mais no que se refere a certas doutrinas. Entretanto, as duas correntes ainda apresentam distinções de grande importância. O panteísmo enfatiza a doutrina da inerência. Deus é a substância original e tudo o que existe é uma manifestação dessa substância. Já o teísmo sustenta a tese da causalidade. Deus é a causa de todas as coisas, embora não seja inerente a elas.[14]
 
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Segundo a doutrina panteísta, Deus é a soma de tudo quanto existe
 
De acordo com o panteísmo, todas as coisas vivas, os acontecimentos ou objetos inanimados participam da natureza de Deus.”
No panteísmo, Deus e o universo são idênticos e Deus é impessoal. No teísmo, Deus é reconhecido como uma personalidade.
As três religiões mais importantes do mundo ocidental, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, são, fundamentalmente, teístas. As três tiveram seu crescimento entrelaçado, pois uma nasce a partir da outra, e todas adotam o princípio monoteísmo do judaísmo, considerando Deus uma força, ou poder, que se auto-expressa individualmente. Para muitos fiéis, sobretudo entre os adeptos destas três religiões, Deus é uma pessoa, um pai celestial a quem dirigem súplicas e orações.”
“Os que aceitam o panteísmo descrevem a relação entre Deus e o universo como uma condição de simples identidade. Deus e o universo são uma só coisa. O universo é considerado criação do absoluto, e não o resultado da expressão de uma entidade individual, como ocorre no teísmo. O panteísmo assegura que o universo é uma extensão, como de fato é, da força absoluta de Deus.
Nas religiões orientais este conceito aparece claramente expresso. Em muitos trechos dos ‘Upanishads’ descobrimos que, ao falar em termos que não sejam abstrações filosóficas, eles compartilham a mesma idéia que fazemos de Deus, como sendo uma expressão encontrada em todas as coisas e não limitada a um ser individual ou uma personalidade. O conceito religioso dos Vedas sustenta, definitivamente, a idéia do panteísmo.
No pensamento ocidental, um dos maiores defensores do panteísmo foi Spinoza, que sustentou ser Deus uma manifestação e não apenas uma causa primeira. Eis a sua famosa afirmação: ‘Sustento que Deus é a causa imanente e não estranha de todas as coisas.’ Esta afirmativa liga, definitivamente, Deus à manifestação do universo.
No misticismo cristão, encontramos a valorização do teísmo. A religião cristã é teísta; logo, é de esperar-se que os místicos cristãos aceitem o credo teísta. Assim, por exemplo, Meister Eckhart, em seus escritos e sermões, faz inúmeras afirmativas que o levam a ser acusado pelas autoridades eclesiásticas, de aproximação ao panteísmo, quando o desejável seria uma adesão mais estreita à doutrina teísta da Igreja. São suas palavras: ‘Em união com Deus, descobri que Deus e eu somos um só. Sou o movimento imóvel que move todas as coisas. Deus é, também, idêntico ao espírito.’ Uma de suas mais expressivas afirmações diz: ‘ O Olho com o qual vejo a Deus é o mesmo pelo qual Deus me vê. Meu olho e o olho de Deus são um só e o mesmo ao ver, conhecer e amar.’
Estes são alguns exemplos dos conceitos religiosos de Eckhart que lhe trouxeram dificuldades junto à Igreja. Na verdade ele foi acusado de heresia (...) Eckhart negou a heresia; apesar de afirmar, repetidas vezes, que seu relacionamento com Deus era um relacionamento de identificação, nunca confessou ser panteísta. Pelo contrário, afirmou sempre estar de acordo com os princípios da Igreja e, portanto, com os princípios básicos do teísmo. (...) Nas três religiões teístas, judaísmo, cristianismo e islamismo, o culto baseia-se fundamentalmente na crença em um Deus personalizado. O culto cristão está ligado à oração direta a um Deus pessoal. Em suas orações, o cristão pede perdão, saúde e graça. É evidente que, à luz deste princípio que fortalece a crença em Deus, não seria possível aceitar o panteísmo, na medida que um teísta não poderia dirigir suas orações ao universo.
O teísmo afirma que o panteísmo não pode lidar com o problema do mal. Se tudo o que existe tem uma natureza divina, é uma expressão do bem, como explicar o mal como sendo também divino? Indo mais além, de acordo com o teísmo o homem é considerado inferior a Deus, não ultrapassando a condição de pó e cinzas, um pecador que precisa ser redimido, o que leva à necessidade do estabelecimento de uma relação pessoal. O panteísmo não cogita de uma relação dessa natureza.
Para muitos místicos, o conceito de identidade, ou seja, de unidade com Deus, tal como afirmado pelo panteísmo, é extremamente atraente. Muitos místicos cristãos, como Eckhart, inclinaram-se para a idéia de identidade com Deus, o que os levou a se desviarem do teísmo puro.”
“Para o místico, a única coisa que importa é a sua experiência. Ele afirma – e nele acreditamos – que passou por uma experiência que o pôs em contato com uma força maior que a dele. A natureza desta força, ou pelo menos uma explicação sobre sua natureza, torna-se secundária na experiência. O misticismo interessa-se, acima de tudo, pela busca do Absoluto, ou Ser Universal, que está por trás de todas as outras manifestações. O misticismo preocupa-se mais com a experiência que liga o indivíduo à fonte fundamental do que com qualquer especulação filosófica ou religiosa sobre a natureza e origem desta fonte.”
Referência Bibliográfica:
POOLE, Cecil A. Misticismo, A Suprema Experiência. Biblioteca Rosacruz. Volume XXXV. Rio de Janeiro: Renes, 1983. 150 pg.

[1] Conf. II Jo.1,9
[2] Conf. II Pdr.2,1
[3] Conf. I Jo.5,20
[4] Aqui, falamos mui especificamente sobre a auto-intitulada Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz, porém, sabemos que todo esoterismo é sempre oposto ao catolicismo em suas bases fundamentais.
[5] Antigo vice-presidente da AMORC para a Jurisdição Internacional das Américas, Comunidade Britânica de Nações, França, Alemanha, Holanda, Suíça, Suécia e África
[6] Aliás, mais uma das teorias vigentes é de que, mui provavelmente, os verdadeiros fundadores dos Rosa Cruz tenham sido protestantes.
[7] AMORC – Antiga e Mística Ordem Rosacruz.
[8] TERRA, João Evangelista Martins. Maçonaria e Igreja Católica. São Paulo: Editora Santuario,1996. Pg. 97
[9] SCHNOEBELEN, William. Maçonaria, Do Outro Lado da Luz. Trad. Lucian Benigno. 2ª Edição. Curitiba: Luz e Vida, 1997.pg. 173-190.
[10]Não agir com a razão é agir contra a natureza de Deus.” Conf.: Fé e Razão no ocidente. A proposta de Bento XVI. Pe. Elílio de Faria Matos Júnior. Revista: Filosofia. Conhecimento Prático. Número 18; escala educacional.
[11] Em outro escrito afirmam sem rodeios: “Todo escrito está longe de ser claro, pois, a linguagem oculta mais do que revela.”. Conf. Sabedoria dos Mestres. E a Inspiração dos Illuminati. Nono Grau – Discurso Confidencial. Número Sete. AMORC.
[12] Tem-se observado que é muito comum nestas sociedade secretas o fato de as mesmas tomarem muitos dos conceitos filosóficos comumente aceitos e darem aos mesmos toda uma roupagem diferente só compreensível aos iniciados ou àqueles que lêem nas entrelinhas suas divagações. No mais, todas se julgam, orgulhosamente, na posse do verdadeiro significado de tais expressões.
[13] O negrito das citações é nosso.
[14] Nota do Blog: A Igreja não nega um certo tipo de imanência por parte de Deus.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Hoje, Festa da Mãe do Bom Conselho, padroeira deste blog

 

TV Arautos - Hoje, festa de Nossa Senhora do Bom Conselho, a TV Arautos traz a você esta belíssima história cheia de milagres e conversões. O afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho encontra-se na cidade de Genazzano, na Itália. Com ele um constante milagre acontece desde o século XV: está suspenso no ar sem fixação nenhuma, afastado da parede cerca de três centímetros.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Algo sobre os escândalos de pedofilia e a perseguição ao Papa

Por João S. de Oliveira Júnior

 

imageÉ uma vergonha para todo cristão, católico ou não, os escândalos de abusos de pedofilia ou efebofilia, sejam por padres ou pastores. Contudo, vale ressaltar que proporcionalmente são poucos (embora não menos escandalosos e vergonhosos) os casos de pedofilia comprovados envolvendo o clero comparando com outros setores em nossa sociedade. Evidente que tais casos devem ser levados a sério pelas autoridades eclesiais e civis nas investigações e medidas possíveis a serem aplicadas aos culpados e proteção às vítimas. Não resta dúvida também que ocorreram falhas em algumas medidas, sejam episcopais ou de autoridades civis, desde a má formação de seminaristas a bispos que não souberam conduzir ou esclarecer corretamente os casos no período de euforia excessiva no pós Vaticano II. Felizmente, o papa Bento XVI  que sempre foi muito rigoroso nestes assuntos está fazendo a sua parte desde que assumiu o pontificado e antes mesmo como cardeal, embora a malícia de alguns meios de comunicação em tentar até culpá-lo e obstinadamente acusa-lo de acobertamento, logo ele, não é difícil de saber o porquê desta obstinação.

A pedofilia é um mal da sociedade, não é exclusivo de padres. Não que devemos nos acomodar ou deixar de pensar nas vítimas ou em sérias medidas a serem tomadas quanto a este grave problema, de maneira alguma. Mas é bom lembrar que é um percentual muito menor do que de outros profissionais como educadores e principalmente próprios familiares de vítimas. Nós católicos somos os primeiros a bater no peito e ver que é uma vergonha tais escândalos por parte de um religioso, embora, o velho ditado de que uma arvore que cai faz muito mais barulho do que a floresta inteira que cresce sempre ocorrerá, pois são casos vergonhosos mesmo.

Entretanto, como não enxergar um esforço midiático, que envolve muitos interesses escusos, a querer a todo custo atacar o papa Bento XVI sem análise objetiva de apurar todos os fatos e sem corretas informações? Sem contar no terrorismo moral a que muitos têm interesse de se valer contra a Igreja e os mais de 99% de sacerdotes católicos que não têm nada a ver com os escândalos.

Em meio à avalanche de notícias, venho indicar alguns sítios e artigos sérios que tratam objetivamente do assunto com a correta preocupação, ao mesmo tempo que, desfazem muitos equívocos e mitos das acusações a que temos visto (para visualizar os links abaixo, copie-os e cole em seu navegador):

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/tag/pedofilia

(Blog sempre atualizado neste assunto e nas notícias com o devido esclarecimento)

O QUE HÁ POR TRÁS DOS ESCÂNDALOS?'
http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=OPINIAO&id=opi0578

(Artigo que traz informações precisas e gerais sobre a pedofilia de sacerdotes)

'UMA RESPOSTA AO THE NEW YORK TIMES'
http://blog.veritatis.com.br/index.php/2010/03/29/uma-resposta-ao-the-new-york-times/

'THE NEW YORK TIMES SE DESMENTE EM SEUS ATAQUES AO PAPA'
http://www.zenit.org/article-24489?l=portuguese
(Tratam quanto ao caso Murphy nos EUA)

‘SURGE A VERDADE SOBRE A CARTA DE 1985 DO CARDEAL RATZINGER. MÍDIA DIVULGARÁ?’

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/9993-surge-a-verdade-sobre-carta-de-1985-do-cardeal-ratzinger-midia-divulgara

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=18695
(Mostram a pilantragem da mídia em querer culpar o papa de acobertamento no caso referente a carta de 1985, confiram.)

‘PERITA DENUNCIA NOVO “REGIME DO TERROR” QUE BUSCA DESTRUIR A FORÇA MORAL DA IGREJA’

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=18540

‘HOMOSSEXUALIDADE E PEDOFILIA DE CLÉRIGOS’

http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=PAPA_SANTASE&id=pss0350

‘PAPA EXPRESSA “DOR E VERGONHA” ÀS VÍTIMAS DE PEDOFILIA EM MALTA’

http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2010/04/18/papa-expressa-quotdor-e-vergonhaquot-as-vitimas-de-pedofilia-em-malta.jhtm

(Embora vinda de um site secular, esta notícia resume bem o esforço do papa frente aos escândalos, vale a pena conferir.)

“HOMOSSEXUAL PODE SER PADRE?”

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2010/03/20/homossexual-pode-ser-padre/

(Sobre uma importante medida tomada pelo papa já no primeiro ano de pontificado em 2005 e que gerou muito alarde dos hipócritas anti-clericais, inclusive “católicos” moderninhos.)

‘SERÁ QUE O PROBLEMA É SÓ NA IGREJA CATÓLICA?’

http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=NOTICIA&id=nbm0815

(Uma pequena amostra do que aparecem todos os dias nos noticiários)

Senhores, estes são apenas alguns exemplos que eu trousse, qualquer notícia ou acusação que você viu nestas semanas anteriores por parte de mídias seculares querendo acusar o papa de acobertamento ou negligência, você encontrará o esclarecimento e a verdade em alguns destes ou outros sites pró-católicos. A internet pode ser um meio de propagação de alardes e acusações baratas sem análise, mas também pode ajudar muito a irmos atrás da Verdade. Nós, católicos, não podemos deixar de aproveitar corretamente deste instrumento em mãos.

Queria destacar também: Se por um lado o papa, como sempre foi, é perseguido por anti-clericais (“católicos” progressistas, missionários do ateísmo, comunistas, maçons, militantes do sexo livre, gaystapo, alguns protestantes, secularismo em geral). Ou por qualquer irresponsável que apenas tem interesse em manter sua posição contrária em relação à Igreja Católica e não se preocupam coisa nenhuma com as vítimas ou medidas a serem tomadas, por outro, felizmente, vemos apoio ao pontífice de muitos que o amam de fato ou mesmo de quem nem esperávamos tanto.

Bom, diante de grandes desafios em um momento de séria turbulência, além das orações, cabe-nos dar apoio e força ao nosso querido papa que segue e seguirá firme na condução da Igreja em meio a tantas tempestades dentro e fora dela. Que a Virgem Santíssima interceda por ele.

Estamos contigo papa Bento XVI!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Confiança em Deus

 

São Policarpo

De São Policarpo, bispo e mártir.

 

Caminhando êste santíssimo prelado com um seu diácono, por nome Camério, agasalhou-se em certa estalagem; e já alta noite o seu anjo o acordou, avisando-o que se saísse logo, porque a casa havia de cair. Acordou êle também ao companheiro; porém êste, como estava cansado do trabalho da jornada, recusava deixar o sono, e lhe disse: Padre, creio em Deus que, enquanto vós aqui estais, não há de cair a casa; deixemo-nos estar. Respondeu o santo: Também eu creio em Deus; mas não creio nestas paredes: saiamo-nos depressa. - Apenas tinham pôsto o pé fora, quando o edifício se veio abaixo.

REFLEXÃO E DOUTRINA

Camério queria cama, e dormir mais um pouco sôbre os merecimentos do companheiro, e que o aviso do céu não fôsse tão madrugador. Era o mesmo que dizer: A minha preguiça pega de mim, e eu de vós: Vós santo, tendo mão em Deus, e Deus tenha mão na casa; tempo tem esta de cair, depois que caírem as estrêlas, e se levantar o sol; tempo tem de cair, depois que eu arrecadar o de dormir. Bem sei que o sono é imagem da morte, mas eu tomara escapar do original, sem me desabraçar da imagem; pela manhã terei os olhos mais despegados para ver a maravilha. Grande é o benefício de não caírem os telhados sôbre mim; porém não é pequena a pensão de me levantar eu dos colchões. Ora, padre, creio em Deus, que, enquanto vós aqui estais, não há de cair a casa. - Dêste modo lhe subministra confiança falsa a sua preguiça verdadeira. Bem disse Valério Máximo que o espírito humano, impelido da temeridade, não sabia avaliar nem os perigos próprios nem as ações alheias: Temeritatis impulsu hominum mentes concussae, nec sua pericula respicere, nec aliena facta justa aestimatione prosequi valent (1).

Disse o santo: Também eu creio em Deus; porém não creio nessas paredes. - Não pareça ao leitor que falta no mundo gente que crê ou creu em paredes. No sentir do Apóstolo, e de São Gregório Magno, os hipócritas são paredes; e, ainda mal, que tantos crêem nos hipócritas (2). Os judeus cercados por Tito em Jerusalém, por muito que êste os rogou se entregassem a partido, porque de outro modo todos haviam de parecer, ou dentro, à espada da fome cruel, ou fora, à fome da espada vingativa, nunca se quiseram render, e a causa desta pertinácia foi o muito que criaram nas paredes do seu Templo, persuadidos a que não havia de permitir Deus que padecessem ruína ou incêndio. Os setenta idólatras que Deus mostrou ao profeta Ezequiel, estavam todos diante de uma parede pintada com as formas de vários animais e sevandijas; e tinham nas mãos turíbulos com que incensavam esta parede, na qual criam (3). A letra do Testamento Velho não foi outra coisa que uma parede, detrás da qual estava como escondido o Messias, dando-se a conhecer sòmente aos profetas e sábios por alguns resquícios de revelação de seus ministérios, ou da interpretação das Escrituras (4). E só nesta parede crêem e ainda esperam os israelitas; esta - como diz o profeta Isaías (5), e expõe entendendo o seu sentido. Nesta - como diz o profeta Amós (6) - se encostam totalmente, e dela sai a cobra da infidelidade que os morde. Finalmente, as igrejas dos hereges, onde não há ver cruz, nem imagens sagradas, nem altares, nem missas, nem outros divinos ofícios, que são senão sòmente paredes? E nestas paredes crêem êles, nestas confiam que vão a salvamento. E nenhuma destas paredes creiamos, porque tôdas ou já caíram ou hão de cair.

Note - se quanto valeu a Camério a companhia de São Policarpo. É Deus tão pio e amigo de não puxar pela espada da sua ira que, por amor de algum servo seu, costuma perdoar não só a outros menos justos, senão ainda a muitos pecadores. A companhia de São Paulo valeu a vida duzentos e setenta e seis pessoas, que com êle navegaram, e sem êle certamente pereceriam: Donavit tibi Deus omnes qui navigant tecum (7). - A companhia de Josafá, rei de Judá, valeu a outros dois reis, que estavam com êle em campanha, para não morrerem à sêde, êles, e todos seus exércitos: Si non vultum Josaphat erubescerem, non attendissem quidem (8). - Por dez justos que houve na Pentápole vinha Deus em perdoar-lhe: Non delebo propter decem (9). - São os santos na Igreja Católica trigo bom no campo de Cristo: o misturar-se com êle a cizânia lhe aproveita para não ser logo arrancada: Sinite utraque crescere usque ad messem (10). - Do louro dizem que vale contra os raios; por isso o imperador Tibério nunca deixava de andar coroado dêle (11); muito mais valerão contra a ira do Onipotente os laureados pela vitória de si mesmos. Quando alguém se salvava de algum perigo evidente, lhe diziam por adágio: Trazeis bordão de louro. - Quem acompanha com o varão amigo de Deus, leva bordão de louro, que o livra de muitos casos infelizes. Chagar-se aos bons é ditame prudentíssimo: só êles sabem manter as leis da boa amizade: E a boa amizade - como gravemente disse Cassiodoro (12) - para os ricos serve de glória, para os pobres de renda, para os desterrados de pátria, para os fracos de esfôrço, para os enfermos de medicina, e até para os mortos de vida. - Não parece que pode haver melhor símil para intimar o quanto pode uma boa companhia que o da água misturada com vinho no cálice que se consagra. Porque desta mistura lhe vem a nobreza, e - para o dizermos assim - a ventura de se converter em sangue verdadeiro de Cristo, o que é verdade ainda quando a água se não tinha convertido já em vinho ao tempo da consagração, se seguirmos a sentença dos cardeais Alano, Barônio, Lugo e Toledo, que parece ser de muitos santos padres antigos, e é de graves teólogos modernos (13). E eis aqui a altura a que subiu a criatura da água, só porque acompanhou com a do vinho, matéria dêste cálice do Novo e Eterno Testamento. Por isso os companheiros dos santos patriarcas das sagradas religiões ordinàriamente também foram santos: como se vê em Paulo, o simples, companheiro de Santo Antão Abade; Geraldo, companheiro de São Bernardo; Mauro, companheiro de São Bento; frei Leão e frei Egídio, companheiros de São Francisco; Antão Martins, companheiro de São João de Deus; Ana de São Bartolomeu, companheira de Santa Teresa; e outros muitos exemplos. Oh! Quantos espíritos, frouxos e frios como água, se tornariam fortes e generosos como vinho, se acompanhassem com outros, que o são, no fervor e alegria com que servem a Deus!

***

Notas:

1. Dictorum Memorabilium, lib. 9, cap. 8.

2. Percutiet te Deus, paries dealbate: Deus te ferirá a ti, parede branqueada (At 23,3).

- Greg., relatus in c. Nisi bella, 23, q. I.

3. Éz 8, 10s.

4. En ipse stat post parietem nostrum, respiciens per fenestras: Ei-lo aí está pôsto por detrás da nossa parede, olhando pelas janelas (Cânt 2,9).

5. Palpavimus sicut caeci parietem, et quasi absque oculos attrectavimus: Andamos como cegos apalpando as paredes, e, como senão tivéssemos olhos, fomos pelo tacto (Is 59,10).

6. Quomodo si... innitatur manu sua super parietem, et mordeat eum coluber: Como se um homem... segurando-se com a sua mão à parede, o mordesse então uma cobra (Am 5,19).

7. Deus te há dado todos os que navegam contigo (At 27,24).

8. Se não fôsse por respeitar a pessoa de Josafá, eu sem dúvida não atenderia ( 4 Rs 3, 14)

9. Eu a não destruirei por amor dos dez (Gên 18,32).

10. Deixai crescer uma e outra coisa até à ceifa (Mt 13, 30).

11. Sueton. In ejus vita.

12. In proemio lib. De Amicitia: Amicitia est divitibus pro gloria, pauperibus pro censu, exuribus pro patria, imbecillibus pro virtude, pro medicina aegrotis, mortuis pro vita.

13. Cyprian., Hieron., Ambros., Pascas., Justin., M. Iraenaeus, quos citat et sequitur Rhoad., disp. I de Euchar., q. 2, § 3, Conink., Pasqualig., Salmer., et alii.

 

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- Dados da Obra -


Obras Completas - Padre Manuel Bernardes.
Editora das Américas.
Volume IV
Matéria contida neste volume:
NOVA FLORESTA
Nova Floresta - Tomo IV
Nihil Obstat - Padre Antônio Charbel. S.D.B
Imprimatur - São Paulo, 10 de Julho de 1959

† Paulo Rolim Loureiro - Bispo Auxiliar e Vigário Geral

Páginas: 301 a 305

Título V - Confiança em Deus