sábado, 27 de junho de 2009

Onde não há ódio à heresia, não há santidade

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                                        Padre Faber

 

"A deslealdade suprema para com Deus é a heresia.

É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus reprova neste mundo enfermo.

No entanto, quão pouco entendemos de sua odiosidade excessiva!

É a poluição da verdade de Deus, o que é a pior de todas as impurezas.

Porém, como somos quase indiferentes a ela!

Nós a fitamos e permanecemos calmos.

Encostamos nela e não trememos.

Misturamo-nos com seus fautores e não temos medo.

Nós a vemos tocar as coisas santas e não percebemos o sacrilégio.

Inalamos seu odor e não mostramos qualquer sinal de detestação ou desgosto.

Alguns de nós afetamos ter sua amizade; e alguns até buscam atenuar as culpas dela.

Nós não amamos a Deus o bastante para termos raiva pela glória d'Ele.

Não amamos os homens o bastante para sermos caridosamente sinceros pelas almas deles.

Tendo perdido o tato, o paladar, a visão e todos os sentidos das coisas celestiais, somos capazes de armar tenda no meio dessa praga odienta, em tranqüilidade imperturbável, reconciliados com sua repulsividade, e não sem declarações em que nos gabamos de admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatias tolerantes [por seus fautores].

Por que estamos tão, tão abaixo dos santos antigos, e mesmo dos apóstolos modernos destes últimos tempos, na abundância de nossas conversões?

Porque não temos a antiga firmeza!

Falta-nos o velho espírito da Igreja, o velho gênio eclesiástico.

Nossa caridade é insincera, pois não é severa; e não é persuasiva, pois é insincera. Carecemos de devoção pela verdade como verdade, como verdade de Deus.

Nosso zelo pelas almas é débil, pois não temos zelo pela honra de Deus.

Agimos como se Deus ficasse lisonjeado com conversões, ao invés de serem almas que tremem, resgatadas por um excesso de misericórdia.

Dizemos aos homens meia-verdade, a metade que calha melhor à nossa própria pusilanimidade e aos preconceitos deles; e depois nos admiramos de tão poucos se converterem, e que, desses poucos, tantos apostatem.

Somos tão fracos a ponto de nos surpreendermos de que nossa meia-verdade não teve tanto sucesso quanto a verdade inteira de Deus.

Onde não há ódio à heresia, não há santidade.

Um homem, que poderia ser um apóstolo, torna-se uma úlcera na Igreja por falta de justa indignação."

(Pe. Frederick William FABER [1814-1863], The Precious Blood, or: The Price of Our Salvation [O Preciosíssimo Sangue, ou: o Preço de Nossa Salvação], 1860, pp. 314-316, tradução de Felipe Coelho).

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Fonte: http://odioaheresia.blogspot.com/

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Santa Mª. Madalena de Pazzi - Regras de perfeição

incorruptomariamadpazzi   Corpo incorrupto de Santa Mª. Madalena de Pazzi

 

Num (de seus) êxtases, o Salvador lhe prescreve as regras de perfeição seguintes:

I. Quero que, em tôdas as ações exteriores e interiores, contemples sempre a pureza que te fiz ver: pensa que cada uma de tuas palavras e ações poderá ser a última.

II. Zelarás, na medida de tuas fôrças e da graça que te darei, por tôdas as almas que eu te der.

III. Não darás jamais ordem ou conselho, ainda que te seja permitido, sem te lembrares de mim crucificado.

IV. Não notarás defeito de criatura alguma, sem antes te assegurares que é desta mesma criatura.

V. Sejam tuas palavras sinceras, verdadeiras, graves e despojadas de tôda adulação: sempre me citarás como exemplo das obras que as criaturas devem fazer.

VI. Lembrar-tS. Maria Madalena de Pazzie-ás, na conversa com tuas companheiras, de que tua afabilidade não deve ser em detrimento de gravidade, nem a gravidade da humildade e mansidão.

VII. Tôdas a obras tuas deverão ser feitas com mansidão e humildade, de molde a serem como um amante para atrair a mim as almas; e com tanta prudência que sejam regra para os meus membros, vale dizer, as almas religiosas e o teu próximo.

VIII. Noite e dia estarás sedenta, como um cervo, a exercer a caridade com os meus membros, estimando a debilidade e o cansaço de teu corpo como a terra da qual é formado.

IX. Empenhar-te-ás, na medida que te conhecer, em ser o alimento dos que têm fome, bebida dos que têm sêde, vestimenta dos que estão nus, jardim dos prisioneiros e alívio dos aflitos.

X. Com os que deixo sôbre o mar dêste mundo, serás cautelosa como serpente; e com os meus eleitos simples como pomba, temendo aquêles como a face de um dragão e amando êstes como o templo do Espírito Santo.

XI. Domina as paixões, pedindo-me esta graça, a mim, o mestre de tôdas as criaturas.

XII. Condescenderás com as minhas criaturas, como uso de soberana caridade, ao conversares no mundo, lembrando-te sempre destas palavras do meu Apóstolo: Quem é que doente está, sem que com êle eu esteja?

XIII. Não privarás ninguém de algo que possas dar, se to pedir: não privarás tampouco criatura alguma do que lhe foi concedido, sem antes haveres considerado que sou o perscrutador dos corações e que te julgarei com poder e majestade.

XIV. Estimarás a regra e suas constituições, com os votos, na mesma medida que quero estimes a mim, empenhando-te em imprimir em todos os corações o amor pela vocação à qual os chamei, e da religião.

XV. Desejarás ardentemente ser submissa a todos, e terás horror de ser preferida a alguém.

XVI. Não acreditarás existir alívio, repouso e consolação senão no desprêzo e na humildade.

XVII. Não cessarás de levar ao conhecimento das criaturas os teus desejos e minhas vontades, senão quando eu te chamar, e meu Cristo, teu confessor.

XVIII. Perseverarás em contínua oblação de todos os teus desejos e obras, com meus membros, dentro de mim.

XIX. Desde a hora em que deixei minha mãe puríssima, que é a vigésima- segunda, até a hora em que me receberás, permanecerás em contínua oblação de minha paixão, de ti mesma, e de minhas criaturas, a meu Pai Eterno; e isto te servirá de preparo ao recebimento sacramental do meu corpo; dia e noite visitarás o meu corpo e meu sangue trinta e três vêzes (contando que a caridade e a obediência não o impeçam).

XX. A última regra consiste em que, em tôdas as ações, tanto exteriores como interiores, que eu te permitir, sejas transformada em mim (1).

Notas:

(1) Vita 1, c. III, n. 27.

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Livro: Vida dos Santos
Autor: Padre Rohrbacher, Volume IX, páginas 246, 247 e 248.

sábado, 20 de junho de 2009

A oração cristã desfigurada pelo erro

 Paulo L. F.

 

CistercianMonkinLectioDivina A oração é indispensável. Deixa-la, ensinava-nos Santa Teresa, é como jogar-se no inferno por si mesmo, sem necessidade dos demonios.[1] Porém, quantas dificuldades o ritmo de vida hodierno impõe a esta prática importantíssima. Sentemo-nos novamente aos pés do Mestre Divino e supliquemo-lhe confiantes: “Senhor, ensina-nos a Rezar![2] De fato, é preciso orar sempre sem jamais deixar de faze-lo.[3]

Mas o que é a oração? É uma comunicação, um encontro íntimo, pessoal e profundo entre o homem e Deus; encontro este, banhado de silêncios e diálogos, olhares e afetos; mas, nunca de uma solidão vazia, ou um aniquilamento do “eu”, nem de intimismos e fechamento egoísta. O âmago da oração cristã é o diálogo, no sentido mais amplo desta palavra. Com efeito, “comunicar”, mais que falar, é dar-se; e isto ocorre, intensamente, por exemplo, na simples comunhão de espírito entre os dois corações enamorados que se encontram. Aqui, percebe-se mais claramente a existência de um “Eu” humano e de um “Tu” divino que se abraçam sem nunca perderem suas identidades próprias.

Falamos isso, porque, atualmente, dada também a facilidade nos intercâmbios de conhecimentos, muitos cristãos tem confundido a oração cristã com técnicas orientais de meditação. Não negamos algum valor terapêutico em tais métodos, porém, criticamos suas errôneas fundamentações teológico-filosóficas, contrárias à doutrina Católica, instituída pelo Salvador.[4]

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Estas técnicas orientais de meditação que almejam um chamado “vazio mental” não tem sentido na espiritualidade cristã ,que se fundamenta no encontro profundo com o “outro”, e não em intimismos egocêntricos, ou negadores do “eu”. Na verdade, quanto mais se preocupam em “desprenderem-se de si” nestas variadas formas de meditação, mais as pessoas se apegam ao desejo velado de um autocontentamento egoísta. Santa Teresa D´avila falava-nos algo em torno disso quando nos lembrava que “o próprio cuidado que se tem em não pensar em nada, despertará o intelecto para pensar em muito.[5]

Esse esforço, estranho ao cristianismo, de uma suposta imersão no chamado “abismo indeterminado da divindade”, está fundado numa visão equivocada da realidade material criada boa por Deus, mas, que por muitos é tida como uma espécie de obstáculo à vida espiritual. Contrariando esta visão pessimista do mundo, São Paulo nos advertia: “Desde a criação, as perfeições invisíveis de Deus, o seu poder sempiterno e sua divindade, se tornam visíveis à inteligência através de suas obras.” Vê-se aqui, que longe de serem um obstáculo ao encontro com a Trindade Sacrossanta, a criação é, na verdade, uma manifestação das perfeições divinas; o que nos possibilita, segundo São Roberto Belarmino, uma elevação da mente a Deus pelos degraus das coisas criadas. “O firmamento nas alturas é a expressão de sua beleza, o aspecto do céu é uma visão de sua glória. (...) Observa o arco-íris e bendiz aquele que o fez; é muito belo no seu resplendor. São as mãos do Altíssimo que o estendem de um ponto a outro.(...) o Senhor está acima de todas as suas obras. Que podemos nós fazer para glorifica-lo?”[6]

Procurar prescindir de tudo o que é terreno, sensível e conceptualmente limitado, para, supostamente, subir ou “imergir-se” na chamada esfera do divino que, enquanto tal, não é nem terrestre, nem sensível, nem conceituável, é negar a mediação salvífica do Filho de Deus, feito homem no ventre da santíssima Virgem Maria. Ora, Cristo não se fez terreno? Não possuía um corpo sensível? Não transmitiu sua Doutrina de salvação em conceitos claros e objetivos? Sim! “O Verbo divino se fez carne e habitou entre nós.”[7] Negar, pois, o valor das coisas materiais, extensas e contingentes, no que tange a nossa vida espiritual, é prescindir do caminho ordinário, querido pelo Todo-poderoso, como meio natural de nosso relacionamento com Ele. Com efeito, o Espírito do Senhor enche todo o universo.[8]

Esta tendência de alguns grupos, cada vez mais descristianizados, em pretender o Ser Absoluto sem o concurso da imagem e de conceitos lógicos, negando assim que as coisas do mundo possam ser vistas como um vestígio que reenvie para a infinitude do Criador, é uma afronta à doutrina da Encarnação. A Sagrada Escritura é clara neste aspecto: “Há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, o homem que se entregou como resgate por todos.[9] Prestemos bastante atenção, caro leitor, naquilo que nos diz o Texto Sagrado: “ ... Jesus Cristo, o homem ...” . Sim! “ ...o homem...”! O único mediador entre criador e criatura é um ser plenamente humano composto de corpo material e alma espiritual; obviamente que verdadeiro Deus, porém - não nos esqueçamos – verdadeiramente homem, se bem que agora em seu estado de glorificação.

Deste modo – reconheçamos - a meditação cristã jamais pode prescindir da idéia de “Filho humanado”, Deus que se encarnou. O contrário seria uma espécie de traição ao evangelho que nos foi apresentado. Neste aspecto, a oração cristã, longe de nos conduzir a algo próximo da idéia oriental de Nirvana[10], nos coloca em um relacionamento pessoal e consciente com o mistério trinitário, onde nossa liberdade finita interage amorosamente com a liberdade infinita de um Deus boníssimo, que se deixa encontrar num céu povoado de seres gloriosos; num céu habitado pela Virgem ...

Além do mais, não podemos deixar de ver nesta aversão à pessoalidade humana e à sua individualidade, os resquícios da antiga gnose, que negava o cosmos como um todo juntamente com o criador, que ela pretendia desmascarar como um tenebroso tirano e pérfido guardião da “prisão material”.[11] Esta terrível heresia dualista, afirmava que todas as coisas materiais seriam desprezíveis, porque criadas por um “deus mau”; divindade esta, muitas vezes, identificada com Javé, o Deus do Antigo Testamento, criador do céu e da terra, e por isso mesmo, tido como o malvado aprisionador do espírito no “cárcere material”.

Partindo de tais princípios maniqueístas[12] negava-se a encarnação do Verbo, e por fim, a paixão e a ressurreição do Redentor. Para os gnósticos seria impensável um Deus que tomasse carne humana, enquanto eles pretendiam libertar-se dela para, supostamente, fundirem-se novamente no “Tudo” primordial, chamado, muitas vezes, de “Princípio indeterminado”, uma espécie de “não-ser”.

Ali, toda diferença seria suprimida, e, com ela, todo tipo de personalidade humana, segundo eles, limitadora do Ser. Os vários “eus” perderiam sua existência, uma vez que a matéria que os aprisionava teria sido vencida, e agora, reinaria novamente um perfeito “Igualitarismo”, igual ao que, supostamente, teria existido no princípio, quando o “deus-mau” ainda não havia criado a matéria.

É óbvio que o ódio pela vida e pelo mundo sensível, erigido em doutrina - já nos recordava Gustave Thibon - foi perseguido pela Igreja como uma espécie de heresia. Mas, a par da “heresia doutrinal”, fermenta a chamada “heresia afectiva”. Assim, pensa-se de um modo, porém, vive-se de acordo com a idéia oposta daquilo que se diz crêr. Com efeito, inúmeras almas, fiéis à Igreja pelo seu pensamento, orientam os seus sentimentos e as suas ações na vida espiritual de acordo com uma espécie de Maniqueísmo prático, que só ofende ao Evangelho de Cristo.[13]

Deixando para outro momento os meandros desta questão obscura e cheia de contradições, cremos haver demonstrado sucintamente a incompatibilidade entre certas práticas orientais, centradas sobre o “eu”- aqui entendido como uma parte substancial e difusa da Divindade - e a oração cristã que nos liberta duma espiritualidade intimista e nos coloca em relação pessoal com o Deus transcendente Uno e Trino, revelado por Nosso Senhor Jesus Cristo.

No mais, torna-se desnecessário afirmar que, vivendo sob esta ótica católica, a prática da caridade transforma-se num imperativo. De fato, na perspectiva do evangelho, o amor a Deus implica, não somente numa postura de encanto e respeito perante natureza, mas também numa atitude resoluta de entrega amorosa de si mesmo a todos os Filhos de Deus espalhados pelo mundo.


[1] LIGÓRIO, S. Afonso de. A prática do amor a Jesus Cristo. Trad. Pe. Gervásio F. doa Anjos, C.SS.R.. São Paulo: Editora Santuário, 1996. Pg. 101

[2] S. Lucas 11,1

[3] S. Lucas 18,1

[4] Realmente, alguns livros que tratam destes métodos procuram inculcar que os mesmos se reduzem a um meio de recuperação do equilíbrio físico e cerebral através de um relaxamento geral; porém, cuidado, certas cosmovisões heterodoxas são apresentadas furtivamente entre umas e outras práticas. Confira, por exemplo: AUGUSTE, Pierre. El Yoga. Coleção Apréndalo por sí mismo. Trad. María Ángeles Aguilera Nieto. Madrid: Espasa-calpe,S.A, 1974. Pg.6.

[5] Documentos pontifícios, 233. Alguns aspectos da meditação cristã. Congregação para a Doutrina da fé. Petrópolis: Vozes, 1990. Pgs. 15-16.

[6] Eclesiástico 43, 1-37

[7] S. João 1, 14

[8] Sabedoria 1,7. Lembremo-nos, porém, do que escrevia Gustave Thibon: “Os que penetram até ao âmago da profunda e miserável natureza humana sabem quanto a carne é rica e que inefáveis colóquios ela mantém com a alma e com Deus, mas conhecem também a sua opacidade, o seu peso e a sua resistência em face do espírito. (...) ‘O segredo para viver alegre e contente – escreve Pascal – é não estar em guerra nem com Deus nem com a natureza.’” Conf. THIBON, Gustave. O que Deus uniu. Coleção Éfeso. Trad. Mário Pacheco. Lisboa: Aster, 1958. Pg.. 47-48.

[9] I Timóteo 2,5

[10] Nirvana: nos textos religiosos do budismo, um estado de repouso que consiste na extinção de qualquer realidade concreta, enquanto transitória e, por isso, causa de ilusão e de dor. Conf. Ibidem. Documentos pontifícios, 233. Alguns aspectos da meditação cristã. Pg. 16. Ver também: Biblioteca do Saber. Volume 3. São Paulo: Século XXI Editorial, 1983. pg. 98.

[11] RATZINGER, Joseph. A união das nações. São Paulo: Edições Loyola, 1975. Pg. 22. A Fé Cristã sempre apresentara o mundo e a humanidade presentes como efêmeros, insuficientes, perturbados e aviltados pelo pecado. Mas, por outro lado, nunca deixara subsistir sombra de dúvida quanto a ser este cosmos obra do próprio Deus e, por conseguinte, obra boa.

[12] Maniqueísmo: defende a existência de dois princípios divinos opostos, o princípio do Bem, criador do mundo espiritual, e o princípio do Mal, criador da matéria, da qual os homens devem se libertar. Usamos o termo, obviamente, como expressão de uma idéia que é anterior ao próprio movimento maniqueu, gerado pelo espírito gnóstico.

[13] Ibidem. THIBON, Gustave. O que Deus uniu ... pg. 36.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Rezemos pelos sacerdotes - 01

 

Acima, vídeo gravado em uma igreja brasileira onde adolescentes dançam funk no recinto sagrado. O vídeo não oferece mais informações, mas parece ser antes, durante ou depois de alguma celebração litúrgica, pois o padre que assiste a irreverência está paramentado. O sacerdote aparentemente nada faz para coibir o abuso.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O que a mulher deseja do seu homem

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“[...] A mulher, escreve ela, deseja do marido uma única coisa, bem simples bem modesta: ela que ser amada moral e intelectualmente, ou melhor, ela quer ser compreendida, o que, para ela, é a mesma coisa ou melhor ainda, ela quer ser adivinhada. Deseja que o homem a console quando está triste, a aconselhe quando está hesitante, testemunhe, com visível reconhecimento, a gratidão pelos sacrifícios que voluntariamente ela faz por êle, mas quer, sobretudo, que êle faça tudo isso sem que lhe seja necessário expressar que êsse é seu desejo. Um gesto, um elogio, uma palavra, uma flor, que dão à mulher a ilusão dêste reconhecimento, constituem, para ela, fonte de imensa alegria. Ao contrário, o consôlo, o conselho, o elogio, o presente que correspondem a um pedido direto perdem, para a mulher, todo o valor”(13).

(13) Lombroso, G., op. Cit., págs. 150-151

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Livro: Noivado - Obras do Padre Charbonneau, C.S.C Coleção "Namôro, Noivado e Matrimônio" (1968)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Cuidado!

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Ativistas do movimento gay travestidos de eclesiásticos

Por Prof. Pedro M. da Cruz 

Cuidado! É horrendo cair nas mãos de Deus vivo.[1]
No mundo atual, repleto de pessoas escravizadas pelo pérfido egoísmo, onde o “Eu” é a medida de todas as coisas, e em que a satisfação de desejos, muitas vezes, desordenados, é o fim de tudo que se almeja, num mundo como este, Deus é esquecido ou desprezado como aquele que se torna um incômodo em nossas vidas de soberba e auto-complacência. Até mesmo o recolhimento espiritual, por exemplo, torna-se um momento de contentamentos sentimentalistas e validação de sonhos efêmeros e anti-evangélicos. Na verdade, reconheçamos, o Criador não é mais visto como o Senhor absoluto de nossas vidas.
Eu quero!”, “Eu penso!”, “Eu prefiro!”, “Eu!”, “Eu!”, “Eu!” ... este é o mantra vicioso dos homens da atualidade, esquecidos do Evangelho e distantes do Redentor. Com isso, os filhos de nosso tempo permanecem, infelizmente, gulosos de tudo o que é intimista e egocêntrico; tão diferentes do divino Mestre que ensinava-nos resoluto: “Meu alimento é fazer a Vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.”[2]
Percebamos que discrepância! Uns vivem vergonhosamente para sí; Cristo vive para o Pai Celestial, e, como conseqüência, para o bem de todos os homens. “Sim, Ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu”.[3] Uns, inimigos da cruz do salvador, tem prazer somente nas coisas terrenas, e fazem da própria desonra, infâmia e pecados, causas de envaidecimento[4]; como se, ofender ao Pai Eterno, fosse “o máximo!”, ou “muito legal!”. Outros, para alegria da Igreja, julgando como perda todas as coisas que distanciam de Deus e tendo-as em conta de esterco[5], abraçam a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor.[6]
Aqui, observamos claramente as duas classes de pessoas de que nos fala o livro do Gênesis: “os descendentes da Mulher” e “os descendentes da serpente maligna.”[7] Os primeiros, são aqueles que se esforçam, auxiliados pela divina graça, por cumprir a vontade de Deus, ou seja, sua santificação;[8]os segundos, são aqueles que se deixam levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Verdade,[9] buscando os próprios interesses e não os de Cristo, Nosso Senhor.[10]
A Sagrada Escritura é claríssima quando afirma que os desejos desordenados da carne se opõem ao Espírito. Com efeito, eles são contrários entre si.[11]Deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne.”[12] Somente os que se perdem não conseguem reconhecer esta realidade, até por que, para os incrédulos, cuja inteligência o deus deste mundo obcecou, há uma incapacidade de perceberem a luz do evangelho, onde resplandece a glória de Cristo.[13]
Porém, não deveríamos nos assustar tanto com esta triste situação! Afinal, até certo ponto, nós mesmos a permitimos ou preparamos. Sim, temos uma parcela da culpa! Não foi Deus quem criou um mundo injusto e incoerente. Foi o homem! E o fez com o mau uso de sua liberdade que desfigurou a beleza da obra divina.
Já nos esclarecia o apóstolo São Tiago: “Donde vêm as lutas e contendas que existem entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?[14] Em outra parte também escrevera: “Ninguém quando for tentado diga: ‘É Deus quem me tenta.’ Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá a luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.”[15]
Mas, qual o remédio para toda esta triste realidade? A resposta é única, irrevogável e absoluta: Cristo! Sim! Porque em nenhum outro há salvação. Proclamava-nos, destemidamente, o príncipe dos apóstolos que debaixo dos céus nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devam ser salvos.[16] Assim, correspondendo à graça de Deus, enxertados em Cristo pelo Batismo, tornamo-nos partícipes da Vida Divina[17], e somos arrancados da corrupção que a concupiscência desregrada gerou no mundo.
Confiança, Cristãos! Confiança! O Deus de toda Graça que nos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois de havermos padecido um pouco, nos fortificará e nos tornará inabaláveis![18] Tenhamos coragem de passar firmes pelas provações desta vida, então seremos vitoriosos! “Jovens , eu vos escrevo porque sois fortes, a palavra de Deus permanece em vós e venceste o Maligno[19], escrevia-nos São João. Sim! Nós somos fortes! Nós conseguiremos! Nós somos capazes de coisas grandiosas! Tudo isso, porque somos “um em Cristo Jesus[20], e, deste modo, participamos de seu poder e de sua autoridade.
O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Assim, também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim[21], ensinava-nos o Salvador. Mortifiquemo-nos, pois, de todo apego desordenado às coisas terrenas.[22] Se outrora vivíamos mergulhados em vícios torpes, agora, porém, deixemos de lado todas as coisas incorretas, o orgulho, a ira, o rancor, a antipatia, a murmuração, a difamação, a maldade, o uso de palavrões, a prática de imoralidades e enganações. Não é verdade que nos despimos do homem velho com suas más tendências, e revestimo-nos do homem novo que se vai restaurando constantemente à imagem de Cristo[23] até que Ele seja completamente formado em nós?[24]Outrora éramos “trevas”, mas agora somos “luz” no Senhor: comportemo-nos, então, como verdadeiras luzes![25]
Sendo assim, qual o motivo de ainda andarmos com estas companhias tolas que não nos levam a nada? Por que continuarmos a escutar estas músicas idiotas e vazias? E estes palavreados e gírias! Não é verdade que nos assemelham mais aos Filhos do Demônio[26] que aos Filhos de Deus? Vivamos de acordo com a Verdade e abandonemos a hipocrisia podre de tantos homens modernos! Falta-nos atitude ... e, se a tivermos, acharemos graça diante de Deus, a exemplo da Virgem Puríssima.
Santo Agostinho é um belo exemplo de mudança de vida para os jovens da atualidade. Teve uma juventude inquieta, tomada pelas paixões desregradas e desvios de variadas espécies. Era um homem de muitos pecados! Em suas buscas pela felicidade acabou por seguir caminhos escuros e bastante tortuosos. Mas, Deus não abandona nenhum de seus filhos; e permita-me dizer, nem a ti, caro leitor ... após longos anos de orações e sacrifícios por parte de sua mãe, Santa Mônica, Agostinho converte-se a Cristo e recebe o Batismo das mãos de Santo Ambrósio. Era o ano de 387... a partir daí, sua vida foi uma verdadeira luta contra tudo o que o podia afastar de Cristo, por quem se apaixonara intensamente. “Penetrou-me no coração uma espécie de luz serena e todas as trevas de minhas dúvidas desapareceram.” (S. Agostinho, Confissões, cap. X)



[1] Hebreus 10, 31
[2] S. João 4, 34
[3] II Coríntios. 5, 15
[4] Filipenses 3, 18-19
[5] Filipenses 3, 8
[6] Hebreus 12, 14
[7] Gênesis 3, 15
[8] I Tessalonicenses 4,3
[9] I Tessalonicenses 4,5
[10] Filipenses 2, 21
[11] Reconhecemos, duas tendências no interior da nossa vida instintiva, sensível e carnal, criada boa por Deus – longe de nós qualquer dualismo herético: uma que “procura” o espírito com poderosas antenas qualitativas, outra que foge do espírito e a perturba. A primeiro, favorece uma chamada síntese humana entre a “carne” e o espírito, a segundo, serve-lhe de obstáculo. Não pregamos, no entanto, uma pureza imaculada e ilusória no homem (mesmo no primeiro caso), todo ele, desordenado pelo pecado original. Conf. THIBON, Gustave. O que Deus uniu. Coleção Éfeso. Trad. Mário P. Lisboa: Aster, 1958. Pg. 59
[12] Gálatas 5,16
[13] II Coríntios 4, 4
[14] S. Tiago 4, 1
[15] S. Tiago 1, 13-16
[16] Atos dos Apóstolos 4,12
[17] II Pedro 1, 4
[18] I Pedro 5, 10
[19] I João 2, 14
[20] S. João 17; Gálatas 3, 28
[21] S. João 15 1-8
[22] Vejam bem, falamos de “apego desordenado”. Não se pretende aqui uma visão anti-cristã da matéria. Aquele que, por exemplo, vê na carne uma coisa intrinsecamente má e refratária ao espírito, cairá pesada e miseravelmente na carne. Aquele que pretende fazer-se unicamente anjo, far-se-á pesadamente de besta, pois, considerou “a besta em si” – que seja bem entendido- como estranha, repelindo-a para tão longe que já não pode mais domesticá-la e educá-la. Conf. Ibidem. THIBON, Gustave. O que Deus ... Pg. 42.
[23] Colossenses 3,5-10
[24] Gálatas 4, 19
[25] Efésios 5, 8
[26] I João 3, 10

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Como rezar eficazmente o Rosário?

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“Abri, Senhor, os meus lábios para que louve o vosso santo nome...”

Essas são as primeiras palavras da bela oração que se reza antes do Ofício divino e do Ofício de Nossa Senhora. Ela continua:

“... purificai também o meu coração de todos os vãos, perversos ou inúteis pensamentos; iluminai-me o entendimento, inflamai-me a vontade, para que digna, atenta e devotamente recite este Ofício e mereça ser atendido perante a vossa divina majestade”.

Esta oração ensina-nos resumidamente, mas de um modo perfeito, a atitude que devemos ter também ao rezar o Rosário: digna, atenta e devotamente.

O Revmo. Frei Royo Marín, dominicano e renomado teólogo, ex-professor na Universidade de Salamanca, explicou cada um destes três termos.

a) Dignamente: Esta primeira condição exige, pelo menos, que a recitação do Rosário se faça de modo decoroso, como corresponde à majestade de Deus, a quem principalmente a nossa oração é dirigida.

O melhor procedimento é rezar de joelhos diante do Sacrário - o que nos alcança uma indulgência plenária - ou diante de uma imagem de Nossa Senhora. Mas pode-se rezá-lo também em qualquer outra postura digna (por exemplo, modestamente sentado, passeando pelo campo, etc.) Seria indecoroso rezá-lo na cama (a não ser em caso de enfermidade), ou interrompê-lo constantemente para responder a perguntas alheias à oração. [...]

b) Atentamente: A atenção é necessária para evitar a irreverência que ocorreria se houvesse uma distração voluntária. Como querer que Deus nos ouça, se começamos por não nos ouvirmos a nós mesmos?

Contudo, nem toda a distração é culposa. Não temos um controle despótico sobre a nossa imaginação, mas apenas político - como ensinam os filósofos - e não podemos evitar que ela nos escape sem a nossa permissão. As distrações involuntárias não invalidam o efeito meritório e impetratório da oração, desde que se faça o possível por contê-las e evitá-las. [...]

c) Devotamente: A devoção consiste numa vontade pronta para as coisas referentes ao serviço de Deus.”[71].

A própria Rainha do Céu disse ao Bem-aventurado Alano de la Roche: “Sabei que, embora haja muitas indulgências concedidas ao meu Rosário, eu acrescento muitas mais pelas diversas partes dele em favor daqueles que o rezam sem pecado mortal, de joelhos, devotamente, e aos que perseverarem na devoção do santo Rosário, de acordo com essas condições e se meditarem, obterei para eles, como prêmio, a plena remissão da pena e da culpa de todos os pecados no fim da vida. E não te pareça isto incrível; isto é-me fácil, pois sou a Mãe do Rei dos Céus, que me chama cheia de graça e, como cheia de graça, farei também ampla efusão dela em favor dos meus filhos queridos.”[72].

Encerremos , pois, com este conselho de São Luis Maria Grignion de Montfort: “Considero como um dos mais assinalados favores de Deus a graça de alguém perseverar até a morte na prática quotidiana do Rosário. Perseverai nela e tereis a admirável recompensa que está preparada no Céu para a vossa fidelidade.”[73].

Notas:

[71]- Royo Marín, O.P., op. cit., pp. 472-475.

[72]- S. Luís Grignion de Montfort, op. cit., pp. 86-87.

[73]- Idem, ibid., p. 145.

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Livro: Fátima - O Meu Imaculado Coração Triunfará!
Pe. João S. Clá Dias
1º Edição - Agosto 2005
Páginas: 116 e 117

Apostasia

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Por Prof. Pedro M. da Cruz 

Podemos renunciar à Igreja Católica?
Abandonar a fé Católica é, com toda certeza, um erro gravíssimo! Quantos, infelizmente, desertaram da doutrina ensinada por Cristo! Lembremo-nos, porém, que os Apóstatas[1] foram preditos desde o princípio do catolicismo. Rezemos, pois, por todos aqueles que renunciaram aos ensinamentos da Igreja de Cristo e abjuraram a fé verdadeira; e que Maria Santíssima alcance de Deus as graças necessárias à conversão de tantos seres humanos enganados pelo erro.
Não é preciso falarmos muito... deixemo-nos guiar pelas Sagradas Escrituras! Só nos recordemos que, se estes textos foram escritos antes do surgimento do Protestantismo, (cujos membros são chamado, por alguns, de “crentes” ou “evangélicos”), certamente, se referiam ao perigo de abandono da única Igreja fundada pelo Filho de Deus, que remonta ao primeiro século da era cristã: Católica Apostólica e Romana.
Afirmamos isso, porque, muitos enganadores tem utilizado estes mesmos Textos contra a própria Igreja Católica que os escreveu no período da sua fundação a dois mil anos atrás. Veremos, que as citações se referem àqueles que, infelizmente, a abandonariam no futuro, levados pela mentira e pelo mistério da iniquidade. Que Deus nos livre da vergonhosa Apostasia!
II Tessalonicenses 2,3: “Ninguém de modo algum vos engane, porque primeiro deve vir a apostasia ...”
I Timóteo 4,1: “Nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores ...”
Mateus 24, 24: “Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e praticarão grandes sinais e prodígios, para enganarem, se possível fora, os próprios eleitos.”
Hebreus 3,12: “Tomai cuidado meus irmãos, para que nenhum de vós venha a perder interiormente a fé...
II Timóteo 4,3: “Tempo virá em que os homens já não suportarão a sã doutrina. Levados pelos seus próprios caprichos, e ávidos de escutar novidades, rodear-se-ão de uma multidão de mestres.”
Mateus 7,15-16: “Guardai-vos dos falsos profetas. Vem a vós disfarçados com peles de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes; por seus frutos os conhecereis.”
Efésios 4,14: “Não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrinas, ao sabor da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores.
I Coríntios 11,19: “É conveniente que haja heresias (seitas, partidos), para que possam manifestar-se os que são realmente virtuosos entre vós.
Colossenses 2,4: “... ninguém vos engane com discursos sedutores.”
Gálatas 1,6-7: “Admiro-me de que tão depressa tenhais passado daquele que vos chamou à graça de Cristo, para um evangelho diferente. Não que haja outro evangelho, mas o que há são alguns que lançam a desordem entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo.”
Romanos 16,17: “Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, separando-se da doutrina que recebestes. Afastai-vos deles!
Gálatas 1, 8: “Ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja excomungado.”
I João 2, 24: “Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, permanecereis também vós no Filho e no Pai.”
Hebreus 13,9:Não vos deixeis desviar pela diversidade de doutrinas estranhas.”
I João 2,18-19: “Já há muitos Anticristos (...) Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se reconheça que nem todos são dos nossos.”
Gálatas 1,9: “Se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!
É preciso que escrevamos mais alguma coisa? “Para o bom entendedor meia palavra basta!” No mais, terminemos revendo um último Texto esclarecedor do Evangelho:
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor entrará, no Reino dos Céus (...) Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos demônios e fizemos muitos milagres?’ E, no entanto, eu lhes direi: ‘Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim...’” (Mat.7,21-23)



[1] Chama-se Heresia a negação teimosa e pertinaz, após o Batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou mesmo a dúvida obstinada a respeito dela. Apostasia, por sua vez, é o repúdio total da fé cristã; uma completa defecção da fé verdadeira por parte daqueles que receberam o Batismo. Finalmente, o Cisma é a recusa de sujeição ao Romano Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja que estão sujeitos a ele. (Conf. Cân. 751)

domingo, 7 de junho de 2009

Jornalistas contra a aritmética

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Olavo de Carvalho | 05 Junho 2009

 

Só o ódio cego à Igreja Católica explica que o sentido geral dado a uma notícia seja o contrário daquilo que afirmam os próprios dados numéricos nela publicados.

Não há mentira completa. Até o mais ingênuo e instintivo dos mentirosos, ao compor suas invencionices, usa retalhos da realidade, mudando apenas as proporções e relações. Quanto mais não fará uso desse procedimento o fingidor tarimbado, técnico, profissional, como aqueles que superlotam as redações de jornais, canais de TV e agências de notícias. Mais ainda - é claro - os militantes e ongueiros a serviço de causas soi disant idealistas e humanitárias que legitimam a mentira como instrumento normal e meritório de luta política.

Na maior parte dos casos, os elementos de comparação que permitiriam restituir aos fatos sua verdadeira medida são totalmente suprimidos, tornando impossível o exercício do juízo crítico e limitando a reação do leitor, na melhor das hipóteses, a uma dúvida genérica e abstrata, que, como todas as dúvidas, não destrói a mentira de todo mas deixa uma porta aberta para que ela passe como verdade.

Um exemplo característico são as notícias sobre a tortura nas prisões de Guantánamo e Abu-Ghraib. Como em geral nada se noticia na "grande mídia" sobre as crueldades físicas monstruosas praticadas diariamente contra meros prisioneiros de consciência nos cárceres da China, da Coréia do Norte, de Cuba e dos países islâmicos, a impressão que resta na mente do público é que o afogamento simulado de terroristas é um caso máximo de crime hediondo. Mesmo quando não são totalmente ignorados, os fatos principais recuam para um fundo mais ou menos inconsciente, tornando-se nebulosos e irrelevantes em comparação com as picuinhas às quais se deseja dar ares de tragédia mundial. Só o que resta a fazer, nesses casos, é usar a internet e toda outra forma de mídia alternativa para realçar aquilo que a classe jornalística, empenhada em transformar o mundo em vez de retratá-lo, preferiu amortecer.

Às vezes, porém, o profissional da mentira se trai, deixando à mostra os dados comparativos, apenas oferecidos sem ordem nem conexão, de tal modo que o público passe sobre eles sem perceber que dizem o contrário do que parecem dizer. Isso acontece sobretudo em notícias que envolvem números. Com freqüência, aí o texto já traz em si seu próprio desmentido, bastando que o leitor se lembre de fazer as contas.

Colho no Globo Online o exemplo mais lindo da semana (v. http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/05/20/relatorio-confirma-abuso-de-milhares-de-criancas-por-parte-da-igreja-catolica-da-irlanda-755949622.asp,

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1161142-5602,00-INQUERITO+DENUNCIA+ABUSO+SEXUAL+ENDEMICO+DE+MENINOS+NA+IRLANDA.html

e

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1161468-5602,00.html).

Não digo que o Globo seja o único autor da façanha. Teve a colaboração de agências internacionais, de organizações militantes e de toda a indústria mundial dos bons sentimentos. Naquelas três notas, publicadas com o destaque esperado em tais circunstâncias, somos informados de que uma comissão de alto nível, presidida por um juiz da Suprema Corte da Irlanda, investigando exaustivamente os fatos, concluiu ser a Igreja Católica daquele país a culpada de nada menos de doze mil - sim, doze mil - casos de abusos cometidos contra crianças em instituições religiosas. A denúncia saiu num relatório de 2600 páginas. Legitimando com pressa obscena a veracidade das acusações em vez de assumir a defesa da acusada, que oficialmente ele representa, o cardeal-arcebispo da Irlanda, Sean Brady, já saiu pedindo desculpas e jurando que o relatório "documenta um catálogo vergonhoso de crueldade, abandono, abusos físicos, sexuais e emocionais". Depois dessa admissão de culpa, parece nada mais haver a discutir.

Nada, exceto os números. O Globo fornece os seguintes:

1) A comissão disse ter obtido os dados entrevistando 1.090 homens e mulheres, já em idade avançada, que na infância teriam sofrido aqueles horrores.

2) Os casos ocorreram em aproximadamente 250 instituições católicas, do começo dos anos 30 até o final da década de 90.

Se o leitor tiver a prudência de fazer os cálculos, concluirá imediatamente, da primeira informação, que cada vítima denunciou, além do seu próprio caso, outros onze, cujas vítimas não foram interrogadas, nem citadas nominalmente, e dos quais ninguém mais relatou coisíssima nenhuma. Do total de doze mil crimes, temos portanto onze mil crimes sem vítimas, conhecidos só por alusões de terceiros. Mesmo supondo-se que as 1.090 testemunhas dissessem a verdade quanto à sua própria experiência, teríamos no máximo um total de exatamente 1.090 crimes comprovados, ampliados para doze mil por extrapolação imaginativa, para mero efeito publicitário. O cardeal Sean Brady poderia ter ao menos alegado isso em defesa da sua Igreja, mas, alma cristianíssima, decerto não quis incorrer em semelhante extremismo de direita.

Da segunda informação, decorre, pela aritmética elementar, que 1.090 casos ocorridos em 250 instituições correspondem a 4,36 casos por instituição. Distribuídos ao longo de sete décadas, são 0,06 casos por ano para cada instituição, isto é, um caso a cada dezesseis anos aproximadamente. Mesmo que todos esses casos fossem de pura pedofilia, nada aí se parece nem de longe com o "abuso sexual endêmico" denunciado pelo Globo. Porém a maior parte dos episódios relatados não tem nada a ver com abusos sexuais, limitando-se a castigos corporais que, mesmo na hipótese de severidade extrema, não constituem motivo de grave escândalo quando se sabe - e o próprio Globo o reconhece - que grande parte das crianças recolhidas àquelas instituições era constituída de delinqüentes. Se você comprime bandidos menores de idade num internato e a cada dezesseis anos um deles aparece surrado ou estuprado, a coisa é evidentemente deplorável, mas não há nela nada que se compare ao que aconteceu no Sudão, onde, no curso de um só ano, vinte crianças, não criminosas, mas inocentes, refugiadas de guerra, afirmaram ter sofrido abuso sexual nas mãos de funcionários da santíssima ONU, contra a qual o Globo jamais disse uma só palavra.

Só o ódio cego à Igreja Católica explica que o sentido geral dado a uma notícia seja o contrário daquilo que afirmam os próprios dados numéricos nela publicados.

Por isso, saiba o prezado leitor que só leio a "grande mídia" por obrigação profissional de analisá-la, como se analisam fezes num laboratório, e que jamais o faria se estivesse em busca de informação.

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Fonte: http://www.midiasemmascara.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7519

Domingo da Santíssima Trindade

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A igreja celebra a festa da Santíssima Trindade hoje, no primeiro domingo depois de Pentecostes.
A Festa é para que compreendamos que o fim dos mistérios de Jesus Cristo e da vinda do Espírito Santo foi conduzir-nos ao conhecimento da Santíssima Trindade, e levar-nos a honrá-la em Espírito e em verdade.
Santíssima Trindade quer dizer: Deus Uno em três pessoas realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.
E o que devemos fazer na festa da Santíssima Trindade?
Em primeiro lugar devemos adorar o mistério de Deus Uno em três pessoas;
Em segundo lugar agradecer a Santíssima Trindade todos os benefícios temporais e espirituais que recebemos;
Em terceiro, nos consagrar totalmente à Deus e nos sujeitarmos inteiramente a sua Divina providência;
Em quarto, pensar que no batismo entramos na igreja e nos tornamos membros de Jesus Cristo pela invocação e pela virtude do nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Em quinto lugar, tomar a resolução de fazer sempre com devoção o sinal da cruz que exprime este mistério, e de recitar, com fé,viva e com a intenção de glorificar a Santíssima Trindade, as palavras que a igreja repete com tanta frequência:
Glória ao Pai e ao filho e ao Espírito Santo: - GLÓRIA PÁTRI, ET FÍLIO ET SPÍRITUI SANCTO

Fonte: Livro "Catecismo Maior de São Pio X - págs. 258 - 260, capítulo XII

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Fonte:http://boletim-ultima-semana.blogspot.com/2009/06/domingo-da-santissima-trindade.html