quinta-feira, 24 de maio de 2012

Política Brasileira - Parte I

Prezados leitores, lembrando que este é mais um ano eleitoral, iniciamos uma série de textos que têm por objetivo dar um panorama da política no Brasil. Diversificados autores, porém, que possamos ter um entendimento do porquê daquela “estar como está” em nossa nação. Iniciemos com uma matéria do final de 2011 mas bem contemporânea.

Um pouco sobre a atual corrupção no alto escalão federal

Por João S. O. Junior

Eis as palavras do então ex-chefe da pasta governamental do Ministério do Trabalho, a que foi recentemente denunciada em 2011 por corrupção com 03 dos seus assessores citados:’
(...) “Quero ver até onde vai esta onda de denuncismo”. (Em entrevista ao jornal da Globo, edição de 07/11/11).
Então, para o ex-ministro Carlos Lupi (PDT), foto, o problema maior não é a corrupção e sim a onda de “denuncismo”.

Sim, digo, não. Não há problema de corrupção, não... muito menos problema político, que isso... quanto mais problemas éticos e morais na administração... Isto não existe, pois, o Brasil está de vento em poupa no seu “crescimento econômico”. O país é respeitado lá fora e até sediará uma copa do mundo que já tem um campeão anunciado (e não é nenhuma seleção), é o superfaturamento das obras, ainda que atrasadas, com todo o “jeitinho brasileiro”, claro. A propósito, na gíria do futebol seria a “malandragem”. Sim, a malandragem na administração do dinheiro com impostos de arrecadação recorde ano a ano... Viva!
Para quê a lei de licitação minha gente? Descomplique as coisas... Vamos que vamos... Pra frente Brasil, salve a seleção! O TCU é um retrocesso, assim já manifestou em outros tempos o apedeuta, ex-presidente da república, afinal, o que significa TCU mesmo? Este tribunal é levado a sério?
Mas não minha gente, os vilões da historia não podem ser os “três porquinhos” ou quem os criou, mas algum lobo mau que os soprou de seus cargos, não é revista Veja?
Frente a tantas denuncias, queda de boa parte do escalão ministerial governamental, vez e outra, ouvimos nos bares e conversas afora o receoso cidadão, medonho por uma mudança repentina no seu ganha pão: “Esta corrupção ai sempre ocorreu, agora é que está sendo investigado”...

Se esta corrupção sempre existiu, a indiferença quanto a ela nunca foi tão presente. E está sendo investigado mesmo?
Alguém explicou como o Antônio Palocci (PT) aumentou sua fortuna 20 vezes em 04 anos? Alguém viu notícias de investigação sobre os casos ocorridos na Agricultura, no Turismo, no ministério dos Esportes? Alguém foi processado ou preso pelas denúncias (com exceção dos “denunciadores”)? Os então ministros nomeados pela presidenta, além de “caírem” do cargo estão tendo maiores problemas nas vias policiais e judiciais? Após a queda de um ministro, algum esclarecimento ao público sobre andamento das investigações? Sobre o dinheiro das propinas, algum paradeiro?
Cadê os “caras pintadas”? Ah, esqueci, estes últimos devem estar ocupadíssimos, ocupando alguma reitoria a fim de garantir uma “maloca” livre da PM para seus maconheiros.

Voltando...

A “queda” de um ministro significa apenas um ato para mudança de foco, estratégia certa, corte um pedaço da própria carne (se estiver desgastando) para dispensar as piranhas. É solução experimentada e atestada por quem controla politicamente o Brasil, o marqueteiro governamental.
Não importa quantos ministros caiam ou quantos escândalos e denúncias de corrupção ocorram, está tudo “dominado” contanto que as assessorias de imprensa e marketing saibam controlar a imagem do governo e mantenham as pesquisas de opinião. Até doença é oportunidade para um flash básico e propaganda eleitoral antecipada. Afinal, aqueles são os mais bem pagos para isso. E, num país do faz de conta... o trabalho dos marqueteiros se tornou o mais importante para qualquer política.


Conclusão:

O Brasil foi conhecido por muito tempo como um país exportador de bananas. A verdade é que, infelizmente, o Brasil está se tornando um país de “bananas”. O brasileiro está perdendo sua capacidade de se indignar frente à imoralidade e corrupção. Este autor que vos escreve não é analista político ou comportamental, mas os fatos nos têm sido muito perceptíveis. Em breve, relembremos o que está para virar o caso do mensalão.

Que a Virgem Aparecida proteja, ilumine e desperte os brasileiros.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

PUGNA: SANTA MISSA, TÃO SUBLIME, TÃO DESPREZADA!!!

O que é a Missa mesmo? O que os santos tem a nos dizer sobre tão sublime mistério?


Sempre lembrando que os Pugnas anteriores podem ser baixados para impressão no link próprio, inicio da página a direita, ou clicando aqui. Imprimir frente e verso e preferencialmente em folhas chamex amarelo.

Virgem Santíssima, ora pro nobis.
 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A mentira do “aquecimento global” - só uma ponta de iceberg

Por João S. de O. Junior

Vídeo do programa do Jô que recebeu o climatologista Ricardo Augusto Felício, graduado em Meteorologia e doutor em Geografia Física pela USP. Embora seja apenas uma entrevista e com certo tom de deboche, é muito boa! Desmente e contradiz a mitos como “aquecimento global”, elevação do nível do mar, buraco da camada de ozônio, efeito estufa... Enfim, desmonta a vários dogmas do Ecologismo alarmista da atualidade.



Não foi novidade o que ele contou, mas foi muito interessante a reação de espanto dos ouvintes. Como se estivessem vendo uma revelação do tipo: “fui enganado esse tempo todo?!”, alegria e confusão ao mesmo tempo.  Expressões faciais de quem só descobriram depois de adulto que Coelhinho da Páscoa não existe. Certamente, muitos foram dormir com “crise existencial”.
 
Bem, vendo a reação das pessoas ao depararem os falsos conceitos em confronto com os fatos, podemos citar paralelos, assemelha-se quando:

 - Um aluno mediano revoltado contra a Igreja após a lavagem cerebral feita por um professor que ensinou sobre a Inquisição a deturpando-a. O mesmo estudante começa a ler historiadores sérios no assunto que afirmam que, a Inquisição foi até a salvação de muitos que eram acusados de um crime impossível.

- Uma adolescente que recebeu a dita “educação sexual” exclusivamente na escola atual se deparando com especialistas em HIV. Estes dizendo que a Igreja sempre esteve certa quanto a política dos preservativos. Ou seja, que a mera distribuição do “preservativo” não acaba com a aids e sim os programas voltados para abstinência sexual.

- Um simpatizante do marxismo, estudando fora das salas de aula, descobre que o Comunismo foi o sistema totalitário que mais matou no mundo todo e em toda história. Superando e muito ao Nazismo.

 - Um protestante com pesquisa, estudo e honestidade em busca a verdade muito além do que lhe fora passado em sua igreja, percebe que milagres de fato só existem na Igreja Católica. Que esta é a Igreja apostólica desde o início do cristianismo.

- Um universitário que aprendeu de seus professores anticlericais que a Igreja foi e seria o maior atraso do ensino na civilização em épocas que aqueles docentes chamam de “idade das trevas”. Depois, o acadêmico se depara com estudiosos, como o Dr. Thomas Woods, que desmentem todas as balelas e mostra que a Igreja não só criou hospitais, orfanatos e asilos, mas também o sistema de ensino que temos hoje, assim como fundou as Universidades mais antigas que temos desde a Idade Média.

Situações assim, dentre diversas outras, deixam qualquer cidadão mediano com cara de espanto porque a mentira quando fora contada várias vezes, a exemplo do “aquecimento global”, dá a impressão que se trata de uma verdade incontestável. O “Ecologismo Aquecimentista” com sua propaganda de sustentabilidade, ao que tudo indica, é uma mentira que não vai se sustentar por muito tempo, mesmo que o estrago nas mentes já esteja feito. 

Podemos concluir: distorções de fatos (mentiras mesmo) são ensinadas nas nossas escolas e que, infelizmente, grande maioria das pessoas vai engolindo inquestionavelmente. O Ecologismo radical é só a ponta de um iceberg de um monte de bobagens que são transmitidos ou omitidos às gerações no ensino público. O falso conhecimento passa a ser o “senso comum” da população. Isso é uma consequência da subversão feita pelo marxismo cultural na sociedade, assunto muito importante e extenso que devemos tratar.
Mas as verdades estão aí para quem quiser saber com sinceridade. Cabe a nós, empenharmos neste apostolado da defesa da nossa civilização e da Igreja. Há muito trabalho a se fazer.

Genocídio Ucraniano (1932-1933), mais de 3 milhões de mortos só por fome forçada. Um dos vários genocídios promovidos por regimes Socialistas no séc. XX, mas intencionalmente omitidos pela história nas nossas salas de aula.

Virgem Santíssima, ora pro nobis.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Crise no mundo moderno - parte I - Quando o real imita o mito

Coreia do Sul luta contra importação de pílulas à base de carne humana

08 Mai 2012 - SEUL (AFP)


A Coreia do Sul intensificou a luta contra o contrabando de pílulas procedentes da China que contêm pó de carne humana, supostamente para curar doenças e melhorar o desempenho sexual, informou nesta terça-feira o governo de Seul.
Desde agosto do ano passado, a alfândega interceptou 17.451 cápsulas ou pílulas contendo pó de carne seca, retirada de fetos ou bebês natimortos. Estas cápsulas foram descobertas em pacotes enviados pelo correio ou durante apreensões nos aeroportos.
Introduzir estes comprimidos no país viola a lei que proíbe produtos que "ferem a dignidade humana e os valores", declarou à AFP Kim Soo-Yeon, um funcionário da alfândega.
A maioria deles veio de cidades do nordeste da China, como Jilin e Yanji, e eram destinados a clientes sul-coreanos, de acordo com a Alfândega. Vários estavam escondidos em pacotes contendo medicamentos "regulares".
As autoridades da Coreia do Sul aumentaram o controle dos voos provenientes de "certas regiões chinesas" e realizam uma análise muito mais rigorosa das bagagens, disse Kim Soo-Yeon.
Por enquanto, as pessoas detidas não pareciam pertencer a uma rede estabelecida. Muitos dos presos asseguraram desconhecer a composição desses "medicamentos".
Além do aspecto ético, a Alfândega alerta para o perigo de bactérias e outros organismos prejudiciais que podem estar presentes nestas pílulas.
De acordo com o jornal Chosun Ilbo, essas cápsulas são vendidas entre 40.000 e 50.000 wons cada (de 27 a 34 euros).
A venda dessas cápsulas é baseada em uma superstição, segundo a qual engolir pedaços de crianças pequenas pode curar doenças ou dar grande força física.

Saturno – Peter Paul Rubens


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Por que não a veste oficial?


Por João S. de O. Junior

Em um dia semanal, numa grande metrópole, um senhor começa a ter uma parada cardíaca na fila de um banco. Os cidadãos ao seu redor mobilizam ajuda enquanto o socorro não chega. Frente ao drama e ao alvoroço de clientes e curiosos, um garoto sai pela rua e em meio à multidão avista um médico, chama-o imediatamente para dar assistência. Felizmente, a presença imediata do doutor foi essencial para os primeiros atendimentos ao socorrido. O garoto identificou aquele não porque o conhecia, mas por causa do jaleco e da roupa branca, própria de um profissional da saúde num dia comum de trabalho.

A presença de policiais é eficiente para inibir a ação de criminosos em qualquer evento e em qualquer cidade do país, mas por quê? Bom, a farda, embora distintas em cada unidade federativa, caracteriza precisamente os policiais dos demais cidadãos. Certamente, a presença daqueles não teria a mesma eficiência se todos estivessem à paisana, ou seja, com vestes civis comuns.

Prezados amigos, esses são apenas dois exemplos dentre vários. Mas porque um sacerdote vai querer ignorar sua veste oficial?

- “Para aproximar mais das pessoas”. Quem disse que uma batina ou um clergyman afasta as pessoas de um padre? O contrário, sem aquela muitos passam por perto de um religioso como se passassem pela praça de uma igreja, mas como se esta fosse apenas subterrânea. Ou seja, perdem a graça de pedir a benção e de se lembrarem do que é sagrado.

- “Mas o padre é igual a todo mundo”. Mentira, vamos esclarecer: a pessoa civil de um padre, que tira documentos, paga impostos, tem necessidades, qualidades ou limitações humanas e etc... É como outra qualquer. Certamente tem a mesma dignidade humana que deve ter um mendigo ou o presidente da república. Mas enquanto ministro de Deus, deve agir e ser tratado com o devido respeito, como tal o é. Em certas situações sua ação será “in persona Christi Capitis” (na pessoa de Cristo Cabeça) (1). Por isso do bom e tradicional habito de beijarmos a mão do sacerdote, não pela pessoa dele em si, mas pela pessoa de Cristo ao ministrar os sacramentos. E se o padre fosse como qualquer leigo não precisaria ficar anos no seminário e nem receber o sacramento da ordem, simples assim.

- “Mas o hábito não faz o monge”. Contudo o bom monge vai necessariamente usar o hábito, quando não por convicção da necessidade ao menos por obediência. As normas eclesiásticas (2) já são motivo suficiente para um bom padre usar a vestimenta sacerdotal. Infelizmente, a desobediência quanto a esse preceito está se tornando o hábito para muitos.

- “Se o padre não quer usar, deixa ele, tem que respeitar a diversidade...”. Um funcionário público poderia chegar ao trabalho de bermuda e sandálias? Você vai ao trabalho ou aos eventos sociais da maneira que bem entender? É, percebe-se que não. Semelhantemente, um cristão não pode dizer que prefere um “círculo” ao invés da figura da cruz e sair com uma argola no pescoço dizendo que representa sua fé cristã. Assim como os cristãos não devem ter vergonha da cruz perante a sociedade, um padre não deve ter vergonha de se identificar como tal também neste mundo, ainda que a contragosto.

Para reforçar nossos argumentos, até a ciência (3) está dizendo que o uso do hábito auxilia o religioso por lembra-lo de seus deveres.

Comercial do posto Ipiranga. Mesmo com o secularismo, a sociedade quando imagina um padre, ele está de batina.

Conclusão: O uso da batina, ou pelo menos do clergyman, por parte de um sacerdote não é uma fachada, e sim um sábio e eficiente meio que a Igreja criou durante os séculos para o sacerdote se apresentar a toda sociedade. Embora as comparações feitas, diferentemente de um profissional qualquer, o padre deve estar o tempo todo à disposição do serviço, por isso deve se identificar sempre como religioso. Também, o uso da batina lembrará aos fiéis da presença do sagrado, imporá respeito e mostrará que ali há um ministro de Deus.
Este e mais outros fatos podemos citar para um religioso usar o hábito de sua ordem religiosa. Infelizmente, algumas ideias descabidas como as apresentadas, ou outras, até demoníacas as quais comentaremos depois, vem influenciando uma secularização na Igreja. Certamente, o sacerdócio é um ponto chave e embora possa parecer algo pequeno o uso da veste oficial, é algo estratégico, notório e muito didático, ao qual não podemos negligenciar e omitir.

Pe. Henrique Munaiz com sua tradicional batina. Jesuíta, capelão do Carmelo em Montes Claros-MG, sacerdote piedoso e muito querido na cidade.

Que Maria Santíssima interceda por nossos sacerdotes. Rezemos pelo clero.

(1)   Vide Código de Direito Canônico de 1983, Cânones 1.008 - 1009.
(2)   Vide Código de Direito Canônico de 1983, Cânon 669 §§ 1 e 2.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Divulgação: Boletins da Sociedade da Santíssima Virgem Maria



Prezados leitores, estamos divulgado os boletins 'Pugna' do nosso apostolado de amigos!
"E se você morresse agora?"

Lembrando mais uma vez que os exemplares do Pugna poderão ser lidos e baixados para impressão como auxílio na evangelização, conhecimento e defesa da fé. Obs: Impressão frente e verso e de preferência em chamex amarelo.
Para acessar os boletins anteriores, clique aqui ou no link próprio de nossa página a direita, início da mesma.

Virgem Santíssima, rogai por nós!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Fumaça de Satanás no Templo de Deus

                  Nossa Senhora chora pela situação da Igreja e do mundo.

Prof. Pedro M. da Cruz

Nosso blog estaria sozinho ao querer chamar a atenção dos leitores sobre o estado de provação por que passa a Igreja na atualidade? Ouçamos o que disse alguns de nossos pastores. Veremos assim, que o exposto anteriormente neste blog já foi alvo de excelentes comentários por parte de muitos autores abalizados. Este humilde trabalho vem apontar no momento as afirmações de grandes homens que souberam abordar a questão com responsabilidade e clareza.

 I – S.S. Paulo VI

 “O Papa Paulo VI em 30 de Junho de 1968, conforme o L`Osservatore Romano, foi abrigado a reconhecer a gravíssima situação em que se encontrava, já naquela época pós-conciliar, a instituição Católica:

“Na Igreja também está reinando uma situação de incerteza. Tem-se a sensação de que, de alguma abertura tenha entrado a Fumaça de Satanás no templo de Deus.”

Essa afirmação, vinda de um Sumo Pontífice, não confirma aquilo que expusemos desde o princípio de nosso trabalho? Anos depois, ele voltaria a usar de expressões fortíssimas na tentativa de descrever a tribulação que sofre o cristianismo:

“A Igreja está passando por uma hora inquieta de autocrítica que melhor se diria de autodestruição. É igual a um transtorno agudo e complexo, que ninguém teria esperado depois do Concílio. A Igreja parece se suicidar, matar a si mesma.” (07 de dezembro de 1972 – L`Osservatore Romano).

Como vemos, o próprio Papa Paulo VI reconhece que, após o Vaticano II, a Igreja entrou em um momento de confusão e perigo para a fé de muitos. Lembremo-nos de que foi ele quem encerrou esse Concílio iniciado pelo seu antecessor, o Beato João XXIII. O mesmo Pontífice chegará a afirmar em dezoito de Julho de 1975 que esperava-se, após as reuniões conciliares, um período resplandecente de sol para a história da Igreja, mas que, pelo contrário, veio um sopro de nuvens, de tempestade e de trevas. Inclusive, autores muito confiáveis chegaram a afirmar que o mesmo Concilio Vaticano II tenha sido fortemente perturbado por modernistas e liberais. Segundo eles, tal situação fez surgir, ainda nas reuniões conciliares, diversas contradições, desagregações e tumultos. Em entrevista ao filósofo francês Jean Guitton, seu amigo, o mesmo Papa Paulo VI, em oito de setembro de 1977, tornou a reconhecer o que se segue:

“Neste momento há na Igreja uma grande inquietação. E o que está em questão é a fé! O que me perturba quando considero o mundo católico, é que, dentro do catolicismo, algumas vezes, parece predominar um pensamento não católico; e pode acontecer que este pensamento não católico, dentro do catolicismo, amanhã seja uma força maior na Igreja.”

Como podemos averiguar, os temores do Papa não eram uma ilusão de sua mente. Hoje, vemos avançar, e com cada vez mais ímpeto, pensamentos anti-católicos dentro do seio da própria Igreja. Basta assistirmos algumas conferências que se fazem por aí e veremos os aplausos se levantarem com entusiasmo para todos aqueles que falam contra ensinamentos fundamentais da Tradição cristã. De fato, ‘... parece predominar um pensamento não católico...’.”

 II – S.S. Beato João Paulo II

“Após Paulo VI, o próprio Beato João Paulo II (que sucedera um curtíssimo pontificado encerrado por questões, ainda hoje, misteriosas) não deixou de chamar-nos a atenção para o momento delicado por que passa a única Igreja de Cristo. Em sete de fevereiro de 1981 ele reconheceu que era preciso admitir, com realismo e sensibilidade, dolorosa e profunda, que, já naquela época, não tão remota, uma grande maioria dos cristãos, sentia-se desnorteada, confusa, perplexa e desiludida. Haviam sido espalhadas idéias contrárias às verdades reveladas e ensinadas desde sempre pela Tradição, verdadeiras heresias contra o credo e a moral. Segundo o mesmo pontífice, ia-se solapando a liturgia; afundava-se no relativismo, assim como, na permissividade. Os homens, de fato, caiam na tentação do ateísmo, do agnosticismo, do iluminismo, de uma moral indeterminada, de um cristianismo sociológico sem dogmas definidos e sem moral objetiva. Ora, não é isso, e num maior paroxismo, o que se dá nos dias atuais? Não vemos se operando em nosso meio tudo o que já percebera nos anos oitenta o citado Papa polonês? Desde aquela época as coisas se tornaram ainda mais críticas. Porém, esta não é uma afirmação gratuita de nossa parte, muitos são os espíritos clarividentes que nos apresentam a mesma realidade. É o que continuaremos a constatar.”

III – S.S. Bento XVI

“O Papa Bento XVI, ainda quando Cardeal, foi destemido ao apontar a triste situação em que se encontra a Europa, outrora resplandecente em seu cristianismo:

“Essa Europa, cristã de nome, há mais de quatrocentos anos, é berço de um paganismo novo, que vai crescendo sem parar, no meio do coração da Igreja Católica e a ameaça de destruir por dentro. A imagem da Igreja da era moderna é essencialmente caracterizada pelo fato de ela se tornar cada vez mais, Igreja de pagãos, de um modo todo novo, no sentido de que continuam a chamar-se cristãos, mas na realidade continuam pagãos. Trata-se de um paganismo dentro da Igreja... de uma Igreja em cujo coração vive o paganismo. É uma tentação típica de nossos tempos.”

Ao lermos tantas afirmações contundentes, é provável que muitos de nós sintamos abalar nossa confiança em Deus e na Igreja Católica. Mas, isso seria uma vergonhosa falta de fé nas promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é Deus, e sua vitória é inevitável! Os inimigos de Cristo podem conspirar das formas mais perspicazes e diabólicas; seu aparente triunfo pode extasiar suas fileiras, enquanto sofrem, de espada em punho, os filhos da Igreja militante; porém - tenhamos a certeza - quando o ímpio se manifestar “... o Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o resplendor de sua vinda.”. Assim, chegará, finalmente, o novo céu e a nova terra para todos aqueles que perseveraram fielmente nas fileiras do Divino Salvador. O primeiro céu e a primeira terra terão desaparecido, “...então, Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos, e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque terá passado a primeira condição.”

O mesmo Cardeal Ratzinger em livro publicado por Messori, vêm confirmar, tempos depois, as afirmações de Paulo VI, por nós já citado:

“Os resultados que se seguiram ao Concílio parecem cruelmente opostos às expectativas de todos, inclusive às de João XXIII e, a seguir, de Paulo VI. Os cristãos são novamente minoria, mais do que jamais o foram desde o final da Antiguidade... Os Papas e os Padres conciliares esperavam uma nova unidade católica, e, pelo contrário, caminhou-se ao encontro de uma dissensão que, para usar as palavras de Paulo VI, pareceu passar da autocrítica à autodestruição. Esperava-se um novo entusiasmo, e, no entanto, muito freqüentemente chegou-se ao tédio e ao desencorajamento. Esperava-se um impulso à frente, e, no entanto, o que se viu foi um progressivo processo de decadência que veio se desenvolvendo em larga medida, sob o signo de um presumido ‘espírito do Concílio’ e que, dessa forma, acabou por desacreditá-lo.”

Por isso, completava em outra parte o mesmo Cardeal, hoje Sumo Pontífice da Igreja Católica: ‘É tempo de se reencontrar a coragem do anticonformismo, a capacidade de se opor, de denunciar muitas das tendências da cultura que nos cerca, renunciando a certa eufórica solidariedade pós-conciliar.’"

Maria Santíssima, rogai por nós!

 Referência Bibliográfica:

O texto completo encontra-se no livro: CRUZ, Prof. Pedro M. da. Perseguição à Igreja, Coluna e Sustentáculo da Verdade. Prod. SSVM. 2012.

Outras citações: Não agüentamos mais! Carta ao clero italiano. Ed. Segno, 1995. Trad. D. Manuel Pestana Filho. Anápolis, Goiás. 66 pgs. FEDELI, Orlando. Carta a um padre. São Paulo: Véritas. RATZINGER, Joseph; MESSORI, V. A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga. Trad. Pe. Fernando J. Guimarães, CSSR. Sâo Paulo, E.P.U, 1985. Pg. 16-17

domingo, 15 de abril de 2012

Antecâmara Demoníaca - Magia e Bruxaria


Por Edhuardo F. H.




“Eu não espero que vocês entendam a beleza de um caldeirão (...) o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas, e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos ...”(1)

Paulo, repleto do Espírito Santo disse para Elimas, o mago: homem cheio de toda falsidade e de toda malícia, filho do diabo, inimigo de toda justiça, não cessarás de perverter os caminhos do Senhor?(2)

 Não é na astúcia que age o filho das trevas? Não é pela pérfida audácia, usando da ingenuidade alheia, que Lúcifer expande seu reinado de ódio e terror? Meditemos um pouco...

“A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo...” (3)
Não precisamos ir muito longe para comprovar essa tese. Qual maior exemplo poderíamos utilizar senão aquele que está em intenso destaque na atualidade: Harry Potter, a burlesca montagem literária e cinematográfica de proporções jamais imaginadas por sua criadora.


Por esses dias mesmo acompanhamos pelos meios de comunicação, a abertura do estúdio onde fora gravada a série, para alegria dos “Pottermaníacos”. Enquanto isso, no planeta Terra, muitos preocupavam-se a cerca da legalização do aborto de fetos anencéfalos.

Quanta contradição, nâo é verdade?Com aparente inocência o livro inicia seus leitores em um mundo análogo ao real, porém repleto de signos que remontam à prática da magia e bruxaria. Para alguns, não haveria aqui nada de reprovável. Entretanto, perguntemo-nos: seria isso realidade?

Susan Moris, também conhecida como Chasomdai, em livro de Oberon Zell-Ravenheart, um dos pioneiros do paganismo dos EUA, feiticeiro respeitado nos campos da bruxaria, escreveu-nos o que fora afirmado por muitos autores classificados pela mesma de ignorantes e fanáticos:

“(...) desagradáveis artigos fundamentalistas (...) acusavam a serie Harry Potter de ser uma ameaça satânica, e alegava que ela fora escrita para (...) afastá-las (as crianças) das principais religiões. O objetivo seria o de ensinar as crianças de que os bruxos são bons para que elas também se tornassem bruxas.” (4)Todavia, pouco depois dessa crítica aos autores que apontavam o supra-exposto nas entranhas da série Harry Potter, a mesma autora reconhece que as histórias de fato “(...) apresentam alguns dos mitos à cerca de bruxos e feiticeiros de uma maneira positiva”. (5) E mais adiante completa, como quem não tem nada a temer: “é claro que valores reais abraçados por verdadeiros bruxos e feiticeiros estão presentes na obra Harry Potter.” (6) Bom, penso que a gravidade da situação foi devidamente apresentada pela própria Susan Moris...

Certa feita, em conversa com um amigo, estudante do curso de Filosofia, que no passado foi leitor assíduo da série Harry Potter pude ouvir de seus lábios o seguinte relato:
Quando eu era mais jovem, e lia assiduamente a série Harry Potter- aliais sei quase tudo sobre a série- sentia-me atraído por essas questões ligadas a magia e a feitiçaria. E mais, percebi que a maioria dos meus colegas, queriam pertencer à casa da Sonserina”. (7)
Para quem não sabe a maioria dos pertencentes à casa de Sonserina, tinham ligação com a arte das trevas, ou eram conhecidos como Malvados e Vilões. A principal característica dos membros dessa casa é a perseverança e a ambição: são capazes de usar quaisquer métodos para atingir seus objetivos, sendo estes bons ou ruins.
Em outra parte do livro “Grimório para o aprendiz de feiticeito”, por nós já indicado, um outro autor, Raymond Buckland, faz a seguinte afirmação, estranha e perspicaz:

Você ficara feliz em saber que não precisa esperar um convite especial entregue por uma coruja (indiscreta referência ao filme Harry Potter). É como descobrir, de repente, que existe uma filial da academia de Hogwarts que você pode levar para casa.” (8)

Observamos nessa fala a percepção clara por parte dos estudantes do esoterismo, do efeito hipnotizador que a obra de J. K. Rowling exerce sobre as mentes mais desprevenidas. E como se sabe, não foram poucos os que travaram contato com a obra, uma vez que, rendeu à autora o título de segunda personalidade feminina mais rica do mundo, segundo estimativas da Revista Forbes (9) , especializada em economia e finanças norte-americana. É comum encontrarmos casas de classe média com os sete livros da série e nenhum exemplar da Bíblia Sagrada. Estranho não? Entretanto, o que nos diz a Bíblia à cerca da magia?

Não praticareis adivinhações nem encantamentos.” (10)
Não procureis os que consultam os mortos nem os adivinhos.” (11)
Que em teu meio não se encontre alguém que faça pressagio, oráculo, adivinhações ou magia ou que pratique encantamentos...” (12)

Finalmente, cremos estar clara a nossa posição a respeito do assunto; posição esta, fundamentada em textos da Sagrada Escritura. Não custa lembrar o que afirmava certo escritor do século XVII, Baltasar Gracián (1601-1658), considerado um dos mais poderosos escritores do barroco espanhol: “O homem sensato não julga de imediato aquilo que ouve”, e também: “Não se pode dizer todas as verdades: umas porque nos afetam e outras porque afetam os demais”(13).

A primeira frase serve para os leitores deste prestigioso blog, pois é um convite para que continuem a pesquisar os malefícios que uma obra aparentemente inocente pode causar a leitores desprevenidos. A segunda, cremos, descreve a postura de filo-cripto-esotéricos que usam de meias palavras e historinhas para arrastar almas desarmadas ao lodo da bruxaria e, por fim, lançá-las na fossa da magia negra.
Maria Santíssima,rogai por nós!

Notas de rodapé:


1-ROWLING, J.K. Harry Potter and the Philosopher’s Stone. Blooms. UK, 1997.
2-Cf.: Atos 13,9-10
3-Conf. Gn. 3,1
4-ZELL-RAVENHEART,Oberon. Grimório para o aprendiz de feiticeito. Trad. Júlia Vidilli. São Paulo: Madras, 2008.pg. 52.
5-ZELL-RAVENHEART,Oberon. Grimório para o aprendiz de feiticeito...pg. 52.
6-ZELL-RAVENHEART,Oberon. Grimório...pg. 52.
7-Testemunho postado com a devida autorização.
8-Idem. Pg.15.
9-Cf. :http://www.forbes.com/maserati/billionaires2004/cx_jw_0226rowlingbill04.html
10-Cf.: Lev. 19,26
11-Cf.: Lec 1931
12-Cf.: Deut. 18,10-11.
13-GRACIÁN, Baltasar. A arte da prudência. Rio de janeiro: Sextante, 2006.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Perguntas e Respostas sobre os casos de anencefalia

Dado a relevância do tema e às várias dúvias e sofismas que vão surgindo (mesmo por parte de pessoas que se dizem católicas) por causa do julgamento do STF com relação ao aborto de crianças com anencefalia, divulgamos:
Adaptação
por Thiago Santos de Moraes
36. Tem sentido a mãe manter uma gravidez, se não há qualquer possibilidade de vida após o parto, como no caso de fetos anencefálicos? Nesse caso, não é melhor o “aborto eugênico”, que liquida logo os que não têm possibilidade de sobreviver e poupa a mãe de uma gestação inútil?

Admitir o princípio de que se deve “liquidar logo” os que não têm possibilidade de sobreviver é escancarar as portas não só ao aborto, mas à própria eutanásia.
A previsão de que a morte natural ocorrerá em breve prazo não justifica que ela possa ser antecipada por uma intervenção direta com a finalidade específica de provocá-la.
O desejo de livrar a mãe do desconforto de uma gravidez cujo resultado será um natimorto também não justificará a antecipação violenta dessa morte, pois isto não tiraria ao aborto o caráter de assassinato.
Pelo fato de ser tão básico, o direito à vida do nascituro deve ter precedência sobre outros direitos da mãe, do mesmo modo como acontece com o direito à vida de um filho nascido. Pois nunca será lícito a uma mulher matar seus filhos nascidos, seu marido ou seu patrão, mesmo que estes venham a tornar sua vida penosa.
Ademais, quando os abortistas falam de fetos com anomalias graves, o conceito deles é muito amplo.
O médico abortista Thomas Gollop, que confessou ter feito abortos em fetos anômalos, em certo trecho de uma entrevista à Folha de São Paulo (24/6/94), afirmou que em cinco casos de anomalias, entramos com pedidos para realizar abortos e fomos atendidos.
O repórter então perguntou:
- Casos de anencefalia nos fetos?
- Não, não! Um se referia a uma anomalia cardíaca, outro a uma anormalidade de coluna…
Também é expressivo o testemunho dado pelo jurista Celso Bastos, renomado constitucionalista brasileiro, em entrevista a ótima revista Catolicismo (nº 525, setembro/1994):

Participei de uma discussão em que um médico, dono de diversas clínicas, defendia o aborto. Dizia ele que, com uma aparelhagem de ultrasom, pode-se saber com 80% de certeza se o feto é mongolóide, e que nesse caso, poderia ser abortado. Perguntei se, já que admitia 20% de incerteza, por que não deixar nascer a criança e depois trucida-la ao vivo? Então haveria 100% de certeza. Ele não teve resposta e ficou irritado.


Na foto acima, a anencefala Marcela de Jesus que viveu por 20 meses recebendo o cuidado da mãe.
37. Mas o anencéfalo não nasce morto? O governo não decidiu que eles podem ser abortados?

Não, não nasce. O anencéfalo não é um “natimorto cerebral”.
Aliás, todas essas denominações estão erradas. O correto é falar em morte encefálica e o encéfalo, por sua vez, é composto pelo cérebro, o cerebelo e o tronco cerebral. Os bebês anencéfalos, embora não tenham o cérebro, ou boa parte dele, têm o tronco cerebral funcionando. Este é constituído principalmente pelo bulbo, que é um alongamento da medula espinhal, e controla importantes funções de nosso organismo, entre as quais a respiração, o ritmo dos batimentos cardíacos e certos atos reflexos (como a deglutição, o vômito, a tosse e o piscar de olhos).
O Conselho Federal de Medicina, ao regular o transplante de órgãos, em sua Resolução nº 1480 de 08/08/1997, diz sobre a morte clínica:
a parada total e irreversível das funções encefálicas equivale à morte
Portanto, aqui não se fala só de cérebro.
Vale a pena transcrever aqui um trecho de um manual de Neurologia Infantil de autoria dos professores da Faculdade de Medicina da USP Aron Diament e Saul Cypel:

A MF [má formação] consiste na ausência ou formação defeituosa dos hemisférios cerebrais pelo não fechamento do neuroporo anterior (…). Geralmente, a criança nasce fora do tempo, às vezes com poliidrâmnios [excesso de água na bolsa amniótica, fato que ocorre também em gravidezes em que a criança é normal] e seu período de vida é curto: dias ou até poucas semanas, como já vimos em alguns casos (…). Responde a estímulos auditivos, vestibulares e dolorosos. Apresenta quase todos os reflexos primitivos do RN[recém-nascidos]. Além de elevar o tronco, a partir da posição em decúbito dorsal, quando estendemos ou comprimimos os membros inferiores contra o plano da superfície em que está sendo examinada (manobra de Gamstorp).
Sobre o anencéfalo recém-nascido, assim se pronuncia Eugene F. Diamond, M.D., professor da Pediatries Loyola University Stritch School of Medicine (Management of a Pregnancy With na Anencephalic Baby):

O anencéfalo não é de fato ausente de cérebro, uma vez que a função do tronco cerebral está presente durante o curto período de sobrevida. Muito pouco se conhece sobre a função neurológica do recém-nascido anencéfalo. Um recente estudo em profundidade indica que eles estão funcionalmente mais próximos dos recém-nascidos normais do que de adultos em estado vegetativo crônico.
O estudo a que se refere o autor é feito por Shewmon, D.A., Anencephaly, Selected Medical Aspects, Hastings Center Report 18:11, 1988.

Acerca da consciência do anencéfalo, o Comitê de Bioética do Governo Italiano diz (Comitato nazionale per la bioetica. Il neonato anencefalico e la donazione di organi. 21 giugno 1996):
O encéfalo do recém-nascido parece hoje comparável cada vez mais a um cérebro adulto em miniatura, principalmente pelas funções de consciência e de contato com o ambiente, e cada vez mais comparável a um órgão em formação com potencialidades variáveis. A perda ou a falta de uma parte do cérebro durante a fase de desenvolvimento não é comparável à perda da mesma parte depois que o desenvolvimento se tenha acabado completamente.
Não se trata, obviamente, da possibilidade por parte do tronco de suprir as funções do córtex faltante, mas de admitir que a neuroplasticidade do tronco poderia ser suficiente para garantir ao anencéfalo, pelo menos, nas formas menos graves, uma certa primitiva possibilidade de consciência. Deveria, portanto, ser rejeitado o argumento de que o anencéfalo enquanto privado dos hemisférios cerebrais não está em condições por definição, de ter consciência e provar sofrimentos.
Comparemos a anencefalia com a calvície. Se podemos definir, grosso modo, anencefalia como “ausência de cérebro”, poderíamos definir calvície como “ausência de cabelo”. Mas, o homem calvo não tem realmente cabelos? Nem mesmo um fio? Em geral eles tem numa quantidade pequena. Mas, então, que número de fios faz um calvo? Cem fios? Duzentos fios? Mil fios? Qual o número que divide calvos e não-calvos?
Nota-se que a resposta é impossível. Pode-se, porém, recorrer à genética e dizer que calvo é aquele que apresenta o gene da calvície, mesmo que os cabelos não tenham começado a cair. Só que a anencefalia não é genética, ela é uma má-formação adquirida, não uma congênita. Assim, como definir anencefalia? Ausência total de cérebro ou de uma parte dele? E qual a máxima parte de cérebro que separa anencéfalos de bebês normais?
Essa pergunta não tem resposta. E se o objeto não pode ser definido, o Judiciário sequer devia cogitar a tomada de alguma decisão sobre a questão. Um objeto indeterminado não pode ser apreciado.
Todavia, os abortistas não se deram por vencidos e, por incrível que pareça, o Conselho Federal de Medicina (CFM), entrando em contradição, aprovou em 08 de setembro de 2004 uma resolução (Resolução 1752) que permite arrancar órgãos de recém-nascidos anencéfalos mesmo com o tronco cerebral ainda funcionando.
O Dr. Herbert Parxedes (laureado pela Academia Nacional de Medicina), em 10 de setembro de 2004, escreveu criticando duramente a novíssima resolução do CFM:
Em 20 de dezembro de 1991 eu mais 80 professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense enviamos ao Conselho Federal de Medicina um abaixo assinado em que protestávamos contra a pretensão daquele Conselho de propor lei que liberaria o aborto para gestações de fetos que apresentassem alguma má-formação, o que, em bom português, se chama aborto eugênico. Apesar de nunca termos recebido qualquer resposta do CFM, a idéia, ao que parece, tinha sido abandonada. Engano meu! O CFM, 13 anos depois, volta à carga, desta vez com uma Resolução em que permite, isto é, torna lícita a retirada de órgãos de crianças anencefálas, nascidas vivas, desde que com a anuência de seus pais.
Na Resolução 1752/2004, o CFM, a seu bel-prazer, mudou conceito de morte encefálica para morte cerebral, contrariando o estabelecido em lei (Lei 9434/1997 – Lei dos Transplantes). Tal resolução que autoriza homicídios é ilegal e o médico que resolver extrair órgãos vitais de um anencéfalo recém-nascido, além de se condenar ao Inferno, responderá por crime de homicídio.
Tudo isso foi uma orquestração dos abortistas para quebrar a visão do anencéfalo como um ser humano.
O citado comitê de bioética italiano tem uma opinião diferente do CFM:
O anencéfalo é uma pessoa vivente e a reduzida expectativa de vida não limita os seus direitos e a sua dignidade.
A supressão de um ser vivente não é justificável mesmo quando proposta para salvar outros seres de uma morte certa. (Na foto acima, a anencefala Júlia que viveu por poucas horas recebendo o carinho da mãe).
38. Se o anencéfalo está vivo, por que uma pessoa com morte cerebral pode ser considera “morta” e ter seus órgãos retirados para transplantes?
Uma criança “sem cérebro” tem vida, mas essa situação não pode ser comparada aos casos em que se declara “morte cerebral num adulto”.
Por que não?
Porque num caso nos temos um ser cuja vitalidade é crescente numa etapa (durante a gestação) e decrescente noutra (o anencéfalo não nasce morto, morre após nascer). O cérebro, aqui, não é um indicador de vida ou morte, já que a vitalidade crescente existia independente dele ser bem ou mal formado.
Em relação ao outro caso, o do adulto, a “morte cerebral” só é levada em conta como indicador de morte porque o cérebro vai ser o referencial da vitalidade, ou seja, vai dizer quando as funções corporais atuam em conjunto (vida) ou quando isso não mais ocorre (morte). Para um adulto isso é possível pois a comparação é com o estado anterior, onde o cérebro realmente funcionava como integrador.
No corpo com morte cerebral as partes ainda tem uma espécide de vida, a vida sensitiva ou vegetativa, mas a vida intelectiva, caracterizada pela presença da alma e indicadora do ser, não se faz presente, já que tudo fica desarticulado.
39. Isso não o mesmo que dizer que a vida deve ser considera por etapas?
Não, não é. O critério para verificar a vida varia sim segundo as diferentes etapas da existência do organismo, mas é evidente que a vida é uma só.

Trecho retirado de 'Catecismo sobre o Aborto', que é uma adaptação (ampliação e atualização) feita por Thiago Santos de Moraes pelo livro 'Aborto 50 perguntas e resposta em defesa da vida inocente', de 1996. O Catecismo sobre o aborto pode ser visualizado na integra em: http://apologeticacatolicablog.blogspot.com.br/2010/04/catecismo-sobre-o-aborto.html

sábado, 7 de abril de 2012

Cristo Perseguido - Igreja Perseguida




Prof. Pedro M. da Cruz


“Falando desse modo, muitos poderiam nos julgar levianos, exagerados, ou mesmo, inconseqüentes. Será que estaríamos sozinhos nestas averiguações? Já vimos que as Sagradas Escrituras não deixaram de chamar nossa atenção ao perigo dos inimigos que, ousadamente, chegaram ao extremo de se introduzirem disfarçadamente em nosso meio para mais eficazmente lutarem contra os planos de Deus. Com o correr dos séculos têm ficado cada vez mais patente aos filhos da Igreja esta invasão inimiga do recinto sagrado.
Muitíssimos foram os Papas, santos e os mais diversos escritores cristãos que, percebendo esta astúcia diabólica, não se esquivaram da grave missão de acordar-nos para o imenso perigo que assola a Igreja do Deus vivo. Por hora, entretanto, antes de olharmos mais diretamente nesse ponto, fixemo-nos noutra questão de extrema relevância para todos os que peregrinam neste vale de lágrimas.
Assim como no grupo dos doze apóstolos pairava, tenebrosa, a sombra de Judas Iscariotes, o traidor; de igual modo hoje, dentro dos próprios muros da Igreja, arrasta-se, venenosa, “a descendência da serpente”. Ela está sempre pronta para os mais ardilosos golpes contra “a descendência da mulher” de que nos fala profeticamente o livro do Gênesis. Todavia, se em tempos idos, a santa intransigência dos filhos da luz sabia posicionar-se com destemor e ousadia perante o erro para vencê-lo; agora, nesses dias de apostasia e indiferença, os filhos das trevas parecem triunfar sobre a verdade e humilhar a Igreja de Cristo.


Sentimo-nos, novamente, em plena noite de Quinta-feira Santa. A Igreja sangra; dormem aqueles que deveriam velar com o Redentor; e os inimigos, sorrindo aos quatro cantos do mundo, avançam com virulência. Fazendo nossas as palavras do Filho de Deus, poderíamos dizer respeitosamente a alguns de nossos superiores na hierarquia eclesiástica: “Por que dormis? Levantai-vos, orai...”. O mesmo Cristo reconhecera em S. Marcos: “Vós todos vos escandalizareis, pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas.”
É interessante observarmos como a vida de Nosso Senhor é, como que, recapitulada na vida da Igreja. Quantas vezes o Divino Salvador encontrou seus amigos a dormir, mesmo em momentos angustiosos como aquele do Getsêmani?! Quantas vezes teve de repreendê-los?! E nós, membros do Corpo Místico de Cristo, a Igreja Católica, quantas vezes nos vimos perante a letargia de nossos superiores? Diante da prostração espiritual daqueles que deveriam levantar a voz em defesa da verdade, quantas vezes bradamos e não fomos ouvidos?
Ao contrário, enquanto os maus se organizavam para ofender, maltratar e tramar a morte da Igreja, grande número de nossos pastores banqueteavam no reino dos apáticos. Seus olhos, pesados por preocupações desnecessárias e incoerentes, deixaram passar os ladrões e malfeitores que perderam muitas ovelhas. Sim, roubaram, mataram e destruíram, sem dó nem piedade, a muitas almas... Em contrapartida, reconheçamos mais uma vez, e com dor em nossas almas: dormiam os vigias de “Israel”...
Porém, após a Quinta-feira Santa, se é verdade que tudo continuou a se entenebrecer ainda mais na Sexta-feira da Paixão; e, se este dia cedeu lugar ao silêncio do Sábado Santo (silêncio de derrota para uns, mas silêncio de esperançosa alegria para outros); também é verdade, que no Domingo da ressurreição tudo se fez luz, glória e alegria indizíveis. O Senhor cumpriu sua palavra! Ele ressurgiu em toda sua majestade. Triunfou para sempre!
De igual maneira, se a Igreja sofre unida com o Cristo as dores de agonia, e seus membros completam na carne o que falta às tribulações do Mestre; também é verdade que tomará parte na alegria da ressurreição. Ali, tudo será festa, exultação e felicidade! Nesta “noite” em que se encontra a Igreja, vislumbramos Maria Santíssima aos pés da Cruz. Ao seu lado, São João, o discípulo amado. Ambos, exemplos luminosos para a alma de todo fiel católico! Revela-nos, de fato, o Santo Evangelho, que junto à Cruz de Jesus estava de pé sua Mãe! Não diz que chorasse tomada de desespero, ou mesmo, que se jogasse pelo chão aos prantos, vencida e acabada. Não!
Ela estava de pé! Não dormia. Sofria com o Redentor.
Participava em sua dor, e guardava n’alma a certeza de tudo quanto dissera seu divino Filho. Por isso, não fora visitá-lo no sepulcro como fizeram as outras Marias na madrugada da ressurreição. Com toda a certeza o esperava ressuscitado.
Nossa Senhora possuía a certeza duma vitória imponderável!
Assim também nós, imitadores de Maria, mantenhamo-nos de pé perante a Cruz do Cristo. Participemos de seus sofrimentos, completando em nossa carne o que falta às suas tribulações, por seu Corpo que é a Igreja.
Tal qual Simão de Cirene, de que nos falam as Escrituras, coloquemo-nos a carregar a cruz com Cristo sofredor. Tomemos lugar entre suas humilhações. Assim, crucificados com Ele, também participaremos de sua glorificação.
Seus inimigos avançarão com maior ousadia, ferirão seu Corpo já muito ensangüentado. Chicotearão, ofenderão ainda mais, humilharão com maior malvadeza... Nós, porém, solidários com o Senhor, peçamos a graça de permanecermos fiéis ao seu lado; afinal, tudo podemos naquele que nos fortalece.
Repitamos com Santo Inácio de Antioquia, este já bem próximo de seu glorioso martírio: “Fogo, cruz, feras, dilaceramentos, esquartejamentos, mutilações dos membros, trituração de todo o corpo, os mais perversos suplícios do demônio caiam sobre mim, contanto que eu alcance a posse de Jesus Cristo.” Estas são palavras dignas de um católico, convicto da vitória de seu Senhor! Mesmo perante a dor e a provação mais atroz, saber proclamar bem alto a certeza da sua fé, sem jamais esmorecer ou ceder aos inimigos da cruz bendita.”
Virgem de Guadalupe, ora pro nobis!



Bibliografia: CRUZ, Prof. Pedro M. da. Perseguição à Igreja, Coluna e Sustentáculo da Verdade. Prod. SSVM. 2012.