quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sou católico, posso ser espírita?

Kardec
Kardec


Por  Prof. Pedro M. da Cruz.





“Todo aquele que nega o Filho não tem o Pai.”
(IJo. 2,23)
 
“As marcas do Cristo podem ser vistas naqueles que perdoam de forma aprimorada. Ninguém jamais conseguiu ofender a Jesus.”
“Falemos da felicidade, pensemos nela, porém, procuremos viver ‘o Cristo em nós’, para que essa felicidade não seja utópica”.
“Deixa que tua palavra tenha o reflexo da palavra do Cristo. Deixa que os teus pensamentos irradiem os pensamentos do Mestre... e que, realmente, o Messias, em ti, seja motivo de glória.”
 
(MAIA, João N. Gotas de Paz. 5 Ed. Belo Horizonte: Editora Espírita Cristã Fonte Viva (sic.), 1993. Respectivamente, páginas 87,102 e 118)
 
Palavras profundas...
Sensatas...
Porém, que armadilha!
Tudo o que vem do Espiritismo merece cuidado; pois, são “lobos” disfarçados...
Quantos têm caído nas teias do kardecismo por se deixarem levar pela lábia traiçoeira e maliciosa dos inimigos da fé cristã.
Vejamos:
Quem é o “cristo espírita”? Com toda certeza, não é o mesmo apresentado pelo catolicismo. Sobre esta triste possibilidade, já nos falara a própria Bíblia Sagrada [C1] que dissera: “Quando se aproxima de vós alguém pregando um outro Jesus, diferente daquele que vos temos anunciado, de boa mente o aceitais.”
De fato, o “cristo espírita” não é tido como Deus (pelo menos no sentido dado comumente a este termo). Para eles, Nosso Senhor seria apenas um espírito de luz, um ser evoluído:
“O católico crê que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho Unigênito de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Deus igual ao Pai e ao Espírito Santo; o espírita nega esta verdade fundamental da fé Cristã e dogmatiza que Cristo era apenas um grande médium[C2] ...”
Por isso, quando falam das “marcas do Cristo”, do “Cristo em nós”, da “palavra do Cristo”... referem-se a esse ser estranho e fictício que não se encaixa nas categorias bíblicas e ofende a fé católica. Longe de nós, portanto, deixar que suas idéias sejam irradiadas. Os “‘pensamentos do Mestre espírita” são contrários ao cristianismo.
Talvez, numa postagem futura, poderemos apresentar outros muitos desencontros entre a Doutrina Espírita e os ensinamentos da Igreja Católica. Isso só fortaleceria a resposta implícita neste texto à pergunta inicial de nosso artigo: um católico jamais poderá filiar-se ao espiritismo sob pena de cair em erros gravíssimos, além de colocar em perigo a salvação eterna de sua própria alma.
Maria Santíssima, rogai por nós.
 
✠ ✠ ✠
 
Referência bibliográfica:
BOAVENTURA, Frei. Por que o Católico não pode ser Espírita. X Ed. Petrópolis: Vozes, 1957.16 pgs.
MAIA, João N. Gotas de Paz. 5 Ed. Belo Horizonte: Editora Espírita Cristâ Fonte Viva, 1993. 128 pgs.

[C1] IICor.11,4
[C2] BOAVENTURA, Frei. Por que o Católico não pode ser Espírita. X Edição. Petrópolis: Vozes, 1957. Pg. 8

domingo, 24 de outubro de 2010

Renovação Carismática Caótica

repouso
  
Por Prof. Pedro M. da Cruz.
 
 
 
 
“Se há quem fala em línguas, não falem senão dois ou três, e cada um por sua vez.” (I Cor. 14,27).
“Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?” (At.2,8)
“Ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus” (At.2,11)
 
 
Autores embasados afirmam categoricamente que a Igreja, desde os tempos mais remotos, sempre ensinou que o Dom das línguas consiste no ato de falar idiomas estrangeiros, [C1] pela graça do divino Espírito Santo.
Sendo assim, estão enganados aqueles que identificam este dom com a simples emissão de sons estranhos e ininteligíveis. Este erro tem se dado, por exemplo, nas seitas pentecostais e, inclusive, na chamada Renovação Carismática Católica (RCC). O que é de se estranhar...
O próprio Santo Tomás de Aquino (Séc. XIII), respeitadíssimo entre papas, filósofos e teólogos é prova cabal de nossa assertiva. Escrevera[C2] :
“... o Senhor deu-lhes o dom de línguas, para que a todos ensinassem, não de modo que falando uma só língua fossem entendidos por todos, como alguns dizem, mas sim, bem literalmente, de maneira que nas línguas dos diversos povos, falassem as de todos. Pelo qual disse o apóstolo: Dou graças a Deus porque falo as línguas de todos vós...”.
Pensadores como Santo Agostinho de Hipona (muitas vezes mal interpretado em alguns de seus escritos), Santo Irineu de Lião, São João Crisóstomo, São Gregório Magno, João Paulo II (citado tão tendenciosamente por espíritos pouco esclarecidos), Adolf Tanquerey, e o atual soberano Pontífice, Bento XVI, são outros tantos autores que validam o sobredito.
Portanto, torna-se criticável a afirmativa de alguns cristãos que defendem a “oração em línguas, (simples variação do “Falar em línguas”) num sentido totalmente estanho ao que se dá no catolicismo. Apresentar este dom como um mero balbuciar desconexo de sílabas soltas e confusas é romper com o ensino constante da Tradição; macular-se com erros funestos do pentecostalismo protestante; e, com isso, desprezar o testemunho das Sagradas Escrituras sobre a questão.
É por colocarem-se orgulhosamente num lugar que deveria ser ocupado, tão somente, pelo Magistério Eclesiástico, que, muitos leigos, e, inclusive, sacerdotes (para não citarmos bispos que mais parecem haver rompido com o papado), caem em erros gravíssimos. De fato, tem se tornado muito comuns casos gritantes de má interpretação dos textos bíblicos.
Vários coordenadores deGrupos de Oração”, seguindo por este mesmo caminho de equívocos e incoerências, chegam a ensinar verdadeiras heresias aos seus seguidores. Baseiam-se, inúmeras vezes, nas próprias cartas de São Paulo. Ora, sobre estas já nos referia o apóstolo Pedro[C3] : “Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para sua própria ruína, como o fazem também com as demais escrituras”.
É provável que alguns indivíduos ao lerem este pequeno artigo façam a seguinte observação: Não concordo com este blog, porque a RCC é um movimento da Igreja e tem feito muito bem a várias almas”. Ora, se a RCC tem feito algum bem às pessoas, louvado seja Deus! O que não podemos permitir é que erros doutrinais sejam levados no embrulho”. Por isso, os Bispos do Brasil chamaram a atenção do movimento carismático quanto a muitos aspectos discutíveis de suas práticas. No mais, só adotamos um sábio conselho bíblico que nos diz: “É melhor a correção manifesta do que a amizade fingida.” (Pro. 27,5)
Finalmente – reconheçamos - determinadas práticas da Renovação Carismática sempre causaram estranhamento nos espíritos mais esclarecidos. Recordamo-nos agora de um interessante testemunho do eminente teólogo e antigo Jesuíta, Malachi Martin. Em certo livro seu[C4] , quando nos fala de elementos bizarros e da euforia perturbadora surgida como forte rajada de vento na década de 60 (séc. XX) não deixa de citar traços da RCC. Com efeito, ele vivera numa época em que a Igreja de Cristo já se encontrava assolada pelos violentos furacõesdo período pós-conciliar. É, portanto, um nome confiável para descrever-nos o cenário fantástico e surrealista que surgiu logo após o término do Concílio Vaticano II:
“E, como se isso já não desorientasse o bastante, um tom quase maníaco, num volume que quase chega à histeria, penetra de vez em quando na vasta confusão, quando homens e mulheres, alegando o dom de línguas do Espírito Santo, começam a emitir sons sem sentido com rapidez. ‘Ik bedam dam bula’ – ou coisa parecida – ouve-se um cardeal católico romano dizer extasiado, garantindo a confusão no mais alto posto. Gloriosa confusão. Eufórica confusão.”
Que Nossa Senhora possa tocar os corações dos filhos da Igreja que se encontram enganados em tantos pontos. De que nos adiantaria jurar amor eterno à Esposa de Cristo, se desprezássemos seus ensinamentos? Amar a Igreja Católica implica fidelidade à sua Doutrina. É confiando na bondosa intercessão da Virgem Maria que esperamos o momento em que os líderes da RCC já não identificarão mais seu método de oração com o Dom das Línguas de que nos falam as Sagradas Escrituras, mas explicá-lo-ão como uma mera forma interna de oração do movimento, se assim o quiserem.
 
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Referência bibliográfica:
LIMA, Prof. Alessandro. O Dom Das Línguas. 1 Ed. Edições eletrônicas Veritatis Splendor, 2008. 44 pgs.
MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. Trad.: Luiz Carlos N. Silva. Rio de janeiro: Record, 1989. 463 pgs.

[C1]LIMA, Prof. Alessandro. O Dom Das Línguas. 1 Ed. Edições eletrônicas Veritatis Splendor,2008. Pg. 22.
[C2]Idem. Pg. 22
[C3]Conf. II Pdr. 3,16
[C4]MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. A Companhia de Jesus e a Traição à Igreja Católica. Trad.: Luiz Carlos N. Silva. Rio de janeiro: Record, 1989. Pg. 222