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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pe. Pianzola: “... um maço de cigarros”

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Por Prof. Pedro M. da Cruz
 
 
“O testemunho vale mais do que a renúncia.”
 

O Bem–Aventurado Padre Francisco Pianzola[1](1881-1943) foi uma mensagem de Cristo para os tempos modernos. Com efeito, é próprio de Deus, Nosso Senhor, falar e agir através de seus discípulos.
Nascido em meio à crise que castiga a Igreja na atualidade, deixou-se conduzir pelos apelos da graça divina e realizou, na medida de suas forças, a vontade do Redentor. “Esta é minha prece e minha aspiração: Jesus, amar-te e depois morrer.” Escrevera em seu diário.
Profundamente tocado pela pobreza espiritual que o cercava, geradora, como se sabe, de toda crise cultural, econômica e social de nosso meio, Padre Pianzola foi consumido de ardor contra as injustiças e pôs-se ativamente na luta em favor do Evangelho.
Afirma uma de suas biografias: “Foi para a Igreja que viveu e morreu.” Que belo exemplo para os homens de hoje! Pois, de fato, não há causa mais grandiosa que esta; lutar pela Igreja é lutar pelo próprio Cristo!
Propomos hoje aos leitores do blog um interessante fato da vida deste sacerdote. Que ele sirva tanto para a validação de nossos posicionamentos quanto para o entretenimento dos amigos que nos acessam:
 
“Dê uma boa tragada pela minha saúde”
 
Após ter sido atendido em confissão pelo Bem-Aventurado Francisco Pianzola, um camponês da cidade de Garlasco colocou nas mãos do Padre uma pequena doação de duas moedas; pretendia, deste modo, ajudá-lo em seu apostolado.
_ Pegue, Padre. Estou muito contente e quero dar-lhe este presente.
_ Não posso aceitar, meu bom homem, mas é como se eu tivesse pegado...
O camponês ficou um pouco confuso.
_ Ah! É porque é pouca coisa... mas tenho só isto.
_ Sim? Pois bem, se é assim eu pego – afirmou o Padre - mas você deve fazer aquilo que lhe digo.
_ Está bem, o senhor me deu felicidade, portanto tem o direito de pedir-me algo.
_Este dinheiro é meu, posso fazer aquilo que eu quiser?
_Mas é claro, Padre!
_ Muito bem, vai comprar um maço de cigarros e dê uma boa tragada pela minha saúde.
 
***
 

Como podemos imaginar, o Padre Francisco Pianzola seria barbaramente criticado pelos “arautos da saúde”, ou mesmo, pelos “puritanos” de nossos dias, entre outros... (Quiçá, pela “Pastoral da Sobriedade”).
Todavia, alguns poderão objetar que se tratava de um  período histórico em que “não se conheciam os malefícios do tabaco”. Bom, concordamos que certos malefícios poderiam ainda não ser conhecidos, porém, alguns benefícios sim, e, com toda certeza, o afirmamos; tanto é que o uso do cigarro fora aconselhado pelo próprio sacerdote e fundador por nós apresentado.
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Monge ortodoxo fumando
 
Terminemos com mais algumas pérolas desse sacerdote católico:
 
“A meditação é a fonte de todo apostolado”
“Nunca pensar naquilo que você fez ou naquilo que você deu, mas pense sempre naquilo que você deve fazer.”
“Com o sorriso chamem os corações, fechem o inferno, pintem de alegria a piedade e povoem os céus.”
“Eu vi o Pe. Pianzola chorar, não por problemas seus, mas porque estava falando de Maria.”
(Testemunho de uma irmã)
“Chama-me de ingrato, vil, impostor, estúpido, ó Coração de Jesus, no dia em que eu deixar de dizer-te, diante do teu tabernáculo: Oh, Amor, eu te amo ou pelo menos te quero amar.”
Maria, Mãe da sobriedade, rogai por nós!
 


Referência bibliográfica:

Coleção Campeões. N. 26. MORERO, Vittorio. Francisco Pianzola, para uma Igreja jovem. 4 Edição. São Paulo: Editora Salesiana.

[1] Fundador das Irmãs Missionárias da Imaculada Rainha da Paz, assim como, dos Padres Oblatos diocesanos da Imaculada.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cigarros: fato pitoresco e reflexão

chesterton_cigar 
                                                  G. K. Chesterton
 
 
Por Prof. Pedro M. da Cruz.


 
 
 
 
“Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas sim o que sai dele.” (Mat. 15,11)
 
 
1- Fumavam em toda parte, exceto na capela.
 
Em 1957 a Companhia de Jesus reunia-se para sua trigésima Congregação Geral (CG30). É durante esses momentos solenes que os rumos da Ordem são clarificados. A primeira CG ocorrera em 1558, poucos anos após a morte de Santo Inácio (†1556).
O Pe. Janssens acupava naqueles idos do Século XX o cargo de “Padre-geral” da Sociedade, a maior autoridade da Congregação[C1] . Basta nos recordarmos que o primeiro “Geral” da Companhia de Jesus fora o próprio fundador, Inácio de Loyola.
Bom, em dado momento daquela reunião de superiores, os mesmos tiveram de apresentar-se perante o papa Pio XII. Com efeito, deviam ouvir a mensagem do Pontífice com referência à citada Congregação. Grande foi a surpresa!
Pio XII, além de chamar a atenção dos Jesuítas no tocante à ortodoxia e a obediência, tocou num ponto de particular curiosidade para nós: haviam excessos, como, por exemplo, no uso do fumo. O papa foi o mais terminante e decisivo possível em relação a este detalhe aparentemente pequeno. Seu latim foi curto e grosso”: Auferatur hic abusus de medio vestrum (que o abuso seja varrido do vosso meio).
Era 185 o número de delegados jesuítas presentes ao lado do Padre-geral, Janssens. Os delegados da Holanda ouviram com os olhos vidrados aquela repreensão. O fumo era tão disseminado e aceito na província holandesa, que era possível fumar em toda parte, exceto na capela. “Para os holandeses, era o mesmo que o papa tivesse mandado que eles parassem de respirar 23 de cada 24 horas[C2] .”
A CG30 terminou em novembro de 1957. Uma nota ligeira foi dada na seqüência aos resultados ali obtidos e foi proporcionada pela questão do fumo levantada por Pio XII. Ora, segundo a tradição, o padre-geral deveria mesmo escrever uma carta a toda a Sociedade sobre todas as resoluções tomadas na ocasião. Os desejos do Papa (tanto na questão do fumo como nas restantes) deveriam ser respeitados.
Provinciais diversos estabeleceram normas diversas. Alguns chegaram até a transformar em condição para a entrada na Sociedade a promessa do candidato de não fumar, ou, se ele já fumasse, que deixasse de fazê-lo. O provincial holandês escreveu uma carta a seus subordinados que foi copiada e passada de mão em mão por, praticamente, toda a Companhia. Os fumantes eram divididos em diferentes classes: os inflexíveis, os incessantes, os principiantes e assim por diante. Então, eram dadas receitas para lidar com cada classe.

                Freiras
 
Os fumantes velhos e inflexíveis podiam ser deixados em paz; tinham um vício repugnante, mas estavam velhos demais para mudar; eram incorrigíveis[C3] (Sic.). Os jesuítas de meia-idade tinham que enfrentar o problema da meia-idade. Os Jovens”... e ia por aí. No fim, os homens da província holandesa continuaram a fumar enquanto seguiam seu caminho até à eternidade, como sempre o fizeram.
Menos de um ano após o final da reunião geral dos Jesuítas, Pio XII havia morrido. O Beato João XXIII, fora eleito como seu sucessor na cátedra de Pedro. Os holandeses apressaram-se em assinalar que o novo papa ainda fumava cigarros. “Ironias do Destino”. O fato é que muitos interpretaram erroneamente a bondade e o zelo de Pio XII...
Quanto ao Beato João XXIII, Alden Hatch - um seu biógrafo - presenteia-nos com interessantes fatos de sua vida[C4] . Conta que o papa João XXIII, ainda quando Núncio Apostólico, tornara-se agradável anfitrião dos franceses. Segundo o mesmo autor: “Os vinhos e charutos eram escolhidos cuidadosamente.” Afinal, Ângelo Roncalli possuía muito bom gosto. Os holandeses estavam certos quanto à sua observação; mas, não quanto a seus excessos...
 
2- O vício é terrível e condenável
 
É ordinário os autores apresentarem o fumo como parte das chamadas drogas não terapêuticas[C5] . Estas são usadas com a finalidade de se obter prazer, recreação e similares. A maconha, e a cocaína, por exemplo, são ilegais, enquanto que o álcool e o fumo, por nós tratado, são tidos como lícitos, socialmente aceitáveis.
O tabaco é, de fato, uma droga utilizada com largueza. Nos últimos anos vem crescendo a convicção de que fumar em excesso, é um grave perigo para a saúde do corpo. Informação esta que não deve ser desprezada pelo bom católico. O cristão verdadeiro leva a sério sua responsabilidade pela vida e saúde da humanidade. Aproximar-se desses bens lícitos exige prudência e sabedoria.
O vício é, com toda certeza, algo terrível. Assemelha-se a um leão buscando a quem devorar. Nem todos têm músculos, maturidade e inteligência o bastante para enfrentá-lo com grandeza de caráter na hora devida. Deve, sim, ser repelido, ainda que distante, quando finge não incomodar.
Talvez os Jesuítas reprovados por Pio XII quanto ao uso excessivo do cigarro, tenham esquecido as sábias palavras de Baltasar Gracián[C6] , um antigo escritor de sua mesma Ordem, que afirmara: “O vício é seu próprio castigo.” Com efeito, ele acaba não só com a vida, como também com a honra de quem lhe é escravo. Concluamos, portanto, com o mesmo pensador: “Tudo que é muito bom sempre foi pouco e raro: usar muito o bom é abusar.”
 
3- Cigarro, armadilha para incautos
 
Reflitamos: geralmente, o ego desordenado fala mais forte, o impulso por mostrar-se”, numa teatralidade muitas vezes cômica, impera sobre o indivíduo. A tragada, ou mesmo, certos movimentos de mão, começam por emprestar à pessoa, e isso, num universo de fantasias interior, tudo aquilo que ele não é, mas gostaria de sê-lo. É estranho, no entanto, temos de reconhecer: existe uma misteriosa relação entre o ato de fumar nos imaturos, e sua ânsia por realizar-se enquanto pessoa.
Fumar, de algum modo, faz-lhe sentir-se mais. Como que, compõe em sua mente a peça que lhe faltava para apresentar-se com o status que sabe não possuir. De fato, determinados objetos[C7] , quiçá por seu caráter social, possuem este poder de fadas. Faz-nos sentir um pouco o que não somos; e, por serem assim, perigam aprisionar-nos num mundo de sonhos, onde, mais que sermos nós mesmos, podemos tornar-nos personagens vãos e hipócritas num jogo de orgulho e sensualidade. Ora, a ilusão, em determinados momentos, pode criar uma espécie de auto-gestão, torna-se, digamos assim, autógena, e, então, ameaça destruir o que há de mais genuíno na personalidade que a incubou.
Não negamos o que há de positivo no universo simbólico criado em nós através de certos objetos. Podem sim, e devem, servir-nos como auxílios, ferramentas, um coadjutor nas buscas pessoais pela integralidade possível. Afinal, há, indiscutivelmente, uma relação natural entre os seres humanos e as coisas com seus significados. O problema está em que, pessoas imaturas podem escravizar-se por aquela agradável e transitória sensação fantasiosa que alguns bens criados nos conferem, e, assim, ao invés de uma saudável assimilação de valores, tornarem-se prisioneiros num mundo onírico e irreal.
Claro que esta situação não permaneceria num mesmo nível por toda a vida do indivíduo (isto se imaginarmos que ele viverá por muitos anos), pois, é observável e imperativo, pela natural estrutura do ser humano, que ocorra um progresso pessoal e constante, mesmo que em ritmos variados. A própria diversidade das relações vividas durante o fluxo da convivência social nos possibilita tal empresa.
Porém, a visão quimérica de si mesmo, causada aos míopes, em nosso exemplo, também pelo ato de fumar (que, desta forma, o levará à dependência, se já não o levou) retardaria sensivelmente este processo de amadurecimento da personalidade. E é claro que tal situação lastimável causará transtornos, não só para ele, como também para todos que gozam de sua companhia.
Finalmente, não deixamos de reconhecer – como já o fizemos nas entrelinhas - que o fumo seria apenas mais uma arma nas mãos do imprudente, usada, sem que ele o perceba, contra seu próprio ser. Tem que existir um emaranhado de outros, objetos, situações, atos e circunstâncias que, concomitantemente, conduzam à maior dificuldade no caminho da realização pessoal. Um rapaz, por exemplo, buscará também em shows, bares, e modas, ou mesmo, “no fundo dos copos”, sua própria felicidade. Porém, sempre se relacionando de forma indevida com essas realidades.
O fato é que, não buscar o conhecimento verdadeiro de si mesmo, mas, pelo contrário, viver numa teatralidade malsã, sempre tornará o ser humano escravo de todas as coisas. A química presente no cigarro, por exemplo, será (agora, sim!) a próxima corrente que fará o indivíduo, ainda mais, cativo daquele objeto. Afinal, “um abismo atrai outro abismo”... Porém, repitamos: antes disso, foi também a ignorância e imaturidade humanas quem o fizeram iniciar-se no caminho da autodestruição.
Deste modo, o que deveria ser apenas um degrau que elevasse a mente da criatura ao criador, serviu-lhe, neste caso, como meio de perdição. Veja, caro leitor, até onde pode chegar o ser humano, ferido como está pelo Pecado Original.
Que a Virgem Maria seja o auxilio e a proteção contra todo vício que ameaça destruir a nossa juventude.
Nossa Senhora, sacrário da ciência divina, rogai por nós!
 
✠ ✠ ✠
 
Bibliografia
 
MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. Tradução. Rio de Janeiro: Record, 1987. 464 pgs.
HATCH, Alden. João XXIII, o Papa Inesquecível. Trad.: Paulo Nasser. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi, 1963. 360 pgs.
LOWERY, Daniel L. Seguir o Cristo. Manual de Moral para o povo de Deus. Trad.: Pe. Carlos Sanson, C.SS.R. São Paulo: Editora Santuário, 1995. 168 pgs.
GRACIÁN, Baltasar. A Arte da Prudência. Trad.: Davina M. de Araújo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. 97 pgs.

[C1]Obviamente que este, o padre geral, submetia-se à CG. No mais, toda esta estrutura estava sob a autoridade suprema do Santo Padre, o Papa.
[C2]MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. Rio de Janeiro: Record, 1987. Pg. 215
[C3]MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. Rio de Janeiro: Record, 1987. Pg. 218
[C4]HATCH, Alden. João XXIII, o Papa Inesquecível. Trad.: Paulo Nasser. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi, 1963. Pg.114.
[C5]LOWERY, Daniel L. Seguir o Cristo. Manual de Moral para o povo de Deus. Trad.: Pe. Carlos Sanson, C.SS.R. São Paulo: Editora Santuário, 1995. Pg. 109-112.
[C6]GRACIÁN, Baltasar. A Arte da Prudência. Trad.: Davina M. de Araújo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. 97 pgs.
[C7] Podemos citar, além dos cigarros,: Carros, Motos, Roupas etc.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ai, ai, ai, essa Pastoral da Sobriedade...

João XXIII fumando
O futuro papa João XXIII fumando seu bom e velho cigarrinho
 
Prof. Pedro M. da Cruz.
 
“A Sobriedade no beber é a saúde da alma e do corpo.”[1]
“O vinho bebido sobriamente é como uma vida para os homens ...”[2]
“Não incites a beber aquele que ama o vinho, pois o vinho já perdeu a muitos.”[3]
 
A poucos dias atrás, tive o prazer de reencontrar um amigo de infância. Após breve momento de conversa amistosa, soube de seus trabalhos na comunidade católica em que residia. Participava há algum tempo duma certa Pastoral da Sobriedade. Até aí tudo bem. O que me chamou a atenção foi a forma pessimista e repressiva com que tratava o uso das bebidas alcoólicas e do cigarro.
Estranhando aquele posicionamento depreciativo numa pessoa que se dizia católica, lembrei-lhe da postura tradicional da Igreja perante aquelas questões. Ele, afirmando não conhecer, por parte da Igreja, aquele “modo de ver as coisas” que eu lhe apresentava, dizia-me que, pelo contrário, o que aprendera na Pastoral da Sobriedade era aquela postura intolerante, tão própria de tantos grupos protestantes. Segundo ele, até aquele momento, seria inaceitável para um cristão, em todos os casos, o uso daqueles produtos. Perguntei-lhe em que materiais de estudos a pastoral em questão se baseava para inferir tais ensinamentos; o que ele não soube me responder. Na verdade nunca haviam consultado documento algum, como mais tarde me confessou com toda sinceridade...
Ora, ora – perguntei-me – como pode chamar-se “da Sobriedade” uma pastoral que repudia o bom uso das bebidas e do cigarro. Não é a sobriedade o mesmo que moderação e temperança? E isso não significa o uso das coisas numa medida certa, sem exageros e descontrole? Bom, deixando para depois outras questões que daqui poderíamos extrair, deixe-me dizer que, na verdade, após algumas pesquisas sobre a Pastoral em questão pude perceber que a mesma anda em conformidade com os ensinamentos da Igreja, pelo menos no papel...
O problema, neste caso, não é a doutrina que os “agentes de pastoral” deveriam seguir, mas sim o fato de os mesmos nem se darem conta, tantas vezes, de que não estão transmitindo o que a Igreja lhes ordena. Não quero aqui afirmar que todos os “agentes de pastoral” sejam deste feitio, porém, me parece que, em não poucos casos, é muito comum nas Comunidades Eclesiais de Base – CEBs - além, claro, das evidentes contradições de princípios (pois, onde uns bebem demais, outros condenam até mesmo o uso moderado de bebidas) um profundo e incompreensível desprezo pelos documentos da Igreja, principalmente aqueles que provém da Santa Sé. Isso parece supor uma espécie de tendência a descentralização e ao subjetivismo, também filhos de certa incompreensão da Colegialidade Episcopal.
Tendo conseguido com alguém certos materiais que alguns agentes “da Sobriedade” deveriam ler por completo antes de catequizar as pessoas, tive uma grata surpresa. Alí, já nas primeiras páginas, o Santo Padre, o Papa João Paulo II, nos afirmava resoluto que “... o uso moderado da bebida não vai contra as proibições morais e só o abuso é condenado...”[4].
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Nosso Santo Padre apreciando uma deliciosa cerveja bávara
 
Será que os coordenadores de meu amigo em seu trabalho pastoral também não haviam estudado este texto? Ou será que, lendo não lhe deram importância? O caso é que, mesmo a pessoa que me emprestou os materiais em questão manifestou a mesma postura “tipo-protestante” – se assim posso dizer - que apresentei no início deste texto. Isso me levou a deduzir, ao lado de outras evidências, que, pelo menos aqui em nossa cidade, a “Pastoral da Sobriedade” não tem feito jus ao seu nome.
Consegui também com os mesmos, outro livro chamado: “Meu pai bebia demais, hoje sou um adulto que sofre.”[5] Ora, é obvio que se meu pai fosse alcoólatra inconsequente ele seria repreensível, necessitaria de tratamento, e também deveria abster-se de álcool, mas, daí a deduzir que ninguém mais poderia saborear uma bebida porque “meu pai era um doente-alcoólatra”, seria o mesmo que abster-se do uso de facas na preparação de alimentos só porque um qualquer utilizou-a indevidamente para o crime. Abusus non tollit usum.[6]
Não defendo aqui a idéia absurda de que as pessoas devam viajar com garrafas de conhaque por não conseguirem enfrentar uma única noite sem bebedeira, ou mesmo que o alcoolismo seja normal, não, pois todos sabemos que esta é uma doença grave que necessita de um tratamento sério e constante. Porém, ao dizermos que um objeto não seja branco, não se pretende, necessariamente, que ele seja preto; afinal, pode ser de qualquer outra cor. Do mesmo modo, ao condenarmos o alcoolismo – como bem faz a Pastoral da Sobriedade, assim como qualquer um que tenha amor à vida - não pretendemos pregar aqui o seu extremo oposto, ou seja, a abstenção total do uso de bebidas. Este é um bem lícito que muitos tem a graça de usufruir, com sabedoria e moderação, para maior glória de Deus.
Sim, filhos adultos de alcoólatras sofrem; os beberrões devem abandonar seu vício; para muitos, um único copo de cerveja já é demais... pois, que estes tenham um modo de vida que favoreça seu estado e situação. Daí a concluir que todo e qualquer ser humano não deva saborear os mesmos bens com as devidas precauções, já é extremismo barato.
Interessante que na página 44 do primeiro livro por nós já citado, numa certa carta da Pastoral da Sobriedade, podemos constatar que ela pretende ser fundamentalmente “...uma ação da Igreja, vivida em comunhão com a Igreja ...”.[7] Esperemos, pois, que este testemunho de submissão aos ensinamentos católicos possa despertar nos “agentes de pastoral” uma linguagem mais sóbria com relação ao uso lícito dos bens criados por Deus, isso sem abandonar o trabalho sério que realizam em defesa das famílias, contra o mal do alcoolismo, da droga[8], e de todos os tipos de vícios que venham destruir o homem e a sociedade.
Finalmente, recordemo-nos de um caso oportuno. Não é verdade que Nosso Senhor comia e bebia, a ponto de dizer que muitos o chamavam de comilão e beberrão? [9]Basta conferirmos nas Sagradas Escrituras! É claro que o Divino Mestre jamais se excedeu na bebida, pois era Deus e possuía toda a sabedoria e sobriedade. E mais: confiava na capacidade que os homens possuem de conviver com estes prazeres, uma vez que seu primeiro milagre fora, exatamente, a transformação da água em uma bebida alcoólica, e – vejam que jocoso – à pedido de Nossa Senhora. E não venham os puritanos nos dizer que naquele vinho não havia álcool! Basta consultar as Escrituras: logo que o chefe dos serventes provou a água tornada em vinho exclamou ao noivo: “É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.” [10] Ora, segundo o chefe dos serventes: vinho bom, continha álcool, pois embriagava. E, ainda segundo ele, o noivo guardara o vinho bom até aquele momento (no caso, aquele que fora produzido milagrosamente por Jesus). Sendo assim, conclui-se que ele percebera o teor alcoólico quando provara o vinho milagrosamente trazido por Cristo. Que maravilha! Nosso Senhor fizera surgir litros e litros de bebida alcoólica! Seis talhas de pedra! Afinal, ele mesmo levara consigo muitos outros homens à festa, falo de seus discípulos, que também deveriam ser, como bons católicos que eram, excelentes apreciadores da Deliciosa Arte de Beber, à exemplo de seu Divino Mestre. Imitemo-lhes, portanto, na temperança, e aprendamos a guardar a santa moderação e a pérola da sobriedade.

[1] Eclo.31,37
[2] Eclo.31,32
[3] Eclo. 31,30
[4] MOMM, Nilo. Pastoral da Sobriedade. Pronunciamentos da Igreja. São Paulo: Edições Loyola, 1999. Pg.12.
[5] TRACY, Guilherme; DIAS, Terezinha. Meu pai bebia demais, hoje sou um adulto que sofre. 4 Ed. São Paulo: Santuário, 2006. 48 pgs.
[6] Trad.: O abuso não invalida o uso.
[7] Idem. MOMM, Nilo. Pastoral da Sobriedade... pg..44
[8] O Catecismo da Igreja Católica recorda àqueles que se drogam ou são tentados a fazê-lo, que o uso da Droga, “excluídos os casos de prescrição estritamente terapêutica (médica) constitui culpa grave.” Conf. CIC § 2291.
[9] São Mateus 11,19
[10] São João 2,10

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Considerações sobre o uso de tabaco e bebidas alcoólicas por católicos

Ratzinger_cerveja

Autor: Rafael Vitola Brodbeck

Questionam alguns fiéis acerca da licitude moral da prática de certas atividades que envolvam risco de vida. De fato, o V Mandamento do Decálogo, ao proibir o assassinato, estabelece também deveres de salvaguarda para com a própria vida. São esses, aliás, que fundamentam a legítima defesa, inclusive armada, contra a injusta agressão, ainda que cause a morte dos malfeitores (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2263-2267; Santo Tomás de Aquino. S. Th., II-II, q. 64, a. 7; Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Encíclica Evangelium Vitae, 56; ARRIGHI, A. Não matar, Pádua, 1946).

Enquadram-se no rol das ações perigosas determinadas práticas desportivas - luta, boxe, alpinismo, rapel, automobilismo -, algumas artes circenses - doma de feras, acrobacia, trapézio -, e mesmo atividades de lazer - caminhada no mato, acampamento em local ermo, banho de mar um pouco afastado da praia ou sob "bandeira vermelha"). Também o uso de substâncias nocivas à saúde.

A pergunta pode ser assim reproduzia: é imoral lutar boxe, praticar rapel, domar leões, fazer acrobacias, escalar montanhas? Ou: peca-se contra o V Mandamento desenvolvendo-se tais atividades perigosas? Ou ainda: é pecado consumir tabaco?

Para bem responder a instigante questão, devemos preliminarmente expor algumas noções fundamentais implicadas com a ordem divina de não matar (cf. Êx 20,13).

O mandamento implica em dois tipos de cuidados, uns para com a vida do próximo, outros para com a própria vida. Este segundo grupo é o que nos interessa.

Dentre os cuidados com a vida, tanto a nossa - objeto do presente estudo - quanto a do próximo, há uma série de deveres elencados pelos moralistas: a) positivos: usar dos meios aptos para a preservação da vida, se existirem; b) negativos: evitar os meios que ordinariamente causem intencionalmente a morte própria ou de outrem (cf. BAYET, A. O suicida e a moral, Paris, 1922; ODDONE, A. O respeito à vida, in "Civiltà Cattolica", nº 97, III, 1947, pp. 289-299; DEL GRECO, Fr. Teodoro da Torre, OFMCap. Teologia Moral, São Paulo: Paulinas, 1959, pp. 228-244).

De início podemos afirmar que o ninguém é autorizado a atentar contra a próproa vida, donde a proibição do suicídio direto. Já em relação ao suicídio indireto, este é, em geral, proibido, mas pode ser permitido ocorrendo razão grave. "Mata indiretamente a si mesmo quem, conscientemente, pratica uma ação que visa a um efeito bom, compreendido o desejado, capaz, porém de também causar a morte. Neste caso, o efeito bom compensa o mau. É lícito atirar-se da janela paa fugir a um incêndio; para fugir do violador do próprio pudor; para evitar o cárcere, etc. É lícito, na guerra, fazer saltar um depósito de pólvora, uma fortaleza, uma nave etc, mesmo com perigo certo da própria vida. É lícito, por caridade ou por profissão, servir os pestilentos, os leprosos ou outros doentes infecciosos." (DEL GRECO, Fr. Teodoro da Torre, OFMCap. op. cit., p. 229)

Também é proibido a abreviação da própria vida por vários anos, salvo "por uma necessidade moral ou pelo exercício da virtude." (DEL GRECO, Fr. Teodoro da Torre, OFMCap. op. cit., p. 229) - exemplo de necessidade moral: ganho honesto que faça um ferreiro estar em contato contínuo com o fogo ou um químico com produtos tóxicos; exemplo de exercício da virtude: mortificação do próprio corpo com jejuns, penitências, disciplinas. Claro que a necessidade moral será aferida caso a caso, e a virtude deve ser exercitada com o auxílio de um diretor espiritual, para não ocorrer excessos - que podem, aliás, ser pecado de soberba, orgulho espiritual: "vejam como sou santo, como jejuo, como etc." Se não existe perigo próximo de morte, também o consumir bebidas alcoólicas e o fumar tabaco não constituem pecado, a não ser que o uso seja excessivo, quando será pecado venial (cf. GENICOT-SALSMANS, Pe. J., SJ. Institutiones Theologiae Moralis, vol. I, Bruxelas, 1951, p. 363) - havendo perigo próximo de morte, o pecado é mortal; o uso de drogas para fins recreativos, i.e., não necessários, pode ser pecado grave ou venial, havendo, no primeiro caso, perigo próximo de morte, e, no segundo, excesso sem o tal perigo próximo. Como o consumo social de álcool ou tabaco, ordinariamente, constituem, no máximo, perigo remoto de morte, não há pecado - evidentemente, se houve excesso, há pecado, e, com o perigo próximo, este é agravado (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2990). Consumir maconha ou cocaína, por outro lado, é pecado quando feito fora de uso terapêutico ou necessário, por constituir-se perigo próximo e não remoto de morte (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2991).

A mutilação é pecado grave, "desde que não se pratique com a finalidade de conservar a vida." (DEL GRECO, Fr. Teodoro da Torre, OFMCap. op. cit., p. 230)

O desejo de morrer, outrossim, é lícito, desde que haja causa justa, v.g., o gôzo de Deus, a contemplação da bem-aventurança eterna, ser libertado de uma enfermidade longa e sofrida, e quem o desejo submeta-se à vontade divina.

Também, pelo V Mandamento do Decálogo, deve o homem conservar a "própria vida e a saúde, usando de todos os meios ordinários." (DEL GRECO, Fr. Teodoro da Torre, OFMCap. op. cit., p. 231) Daí a proibição da eutanásia passiva (a eutanásia ativa é proibida pelos deveres para com a vida alheia), mas não da ortotanásia: "A interrupção de procedimentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionais aos resultados esperados pode ser legítima. É a rejeição da 'obstinação terapêutica'. Não se quer dessa maneira provocar a morte; aceita-se não poder impedi-la." (Catecismo da Igreja Católica, 2278)

Enfim, e aqui o objeto próprio de nosso articulado, proíbe-se a exposição temerária ao perigo de morte. Analisemos alguns conceitos.

Exposição temerária é colocar-se frente ao perigo sem a tomada das devidas cautelas. Desse modo, sabendo-se que uma determinada atividade representa um perigo à própria vida - não uma certeza, pelo que seria imoral, mas um perigo, o que motiva nosso debate -, é necessária a adoção de medidas assecuratórias normais. Não se requer o uso de medidas extraordinárias, bastando a adesão à regulamentação da atividade, o conhecimento prévio do perigo, a habilidade e a destreza (exigidas nas ações mais perigosas, e que tornem o risco remotíssimo quando se tem fim de lucro), e a utilização de adequado equipamento.

Expor-se ao perigo de morte, usando das cautelas acima referidas, não é pecado se o fim é bom. Assim, quem faz rapel movido pelo desejo de uma justa diversão ou para admirar a criação de Deus e estar em contato mais íntimo com a natureza; quem pratica acrobacias no circo para emocionar a platéia com a beleza de sua arte, e desde que o lucro não seja o fim exclusivo; etc, não pratica pecado, usando das medidas normais de segurança. O risco assumido não é imoral, nesses casos, havendo quem o assume pelo exercício da atividade perigosa tomado "todas as providências tendentes a evitar ou minimizar as possibilidades de dano (...)." (GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil, vol. 1, 3ª ed., São Paulo: Saraiva, 2003, p. 164)

Objetarão alguns que os fins não justificam os meios. A expressão, todavia, deve ser melhor formulada: os fins não justificam os meios maus. Porém, quando os meios são neutros, i.e., nem bons nem maus em si mesmos, os fins bons estão plenamente justificados.

Ora, os fins de contemplar a natureza, divertir-se moderadamente, descansar etc são bons, e assumir um risco de morte é um meio neutro. Pode-se, logo, desenvolver atividades perigosas à própria vida, presente o fim bom e ausente algo que transforme o meio, em si neutro, em coisa má (por exemplo, não usar equipamento adequado).

Tomando, se existirem, as devidas cautelas (o que mantém o meio neutro, sem torná-lo mau) e com um fim bom, a prática de atividades que envolvam perigo para a própria vida é moralmente lícita, não constituindo pecado contra o V Mandamento.

"A virtude da temperança manda evitar toda espécie de exceção, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos." (Cat., 2290)

O Catecismo da Igreja Católica é claro: o pecado está no abuso do fumo, não no mero uso. E, como diz o adágio dos moralistas, "o abuso não tolhe o uso". O Catecismo não condena o uso do fumo, mas somente o abuso. Ora, se o abuso é tido como pecado, logicamente é porque não considera a Igreja que o mero uso o seja. Se a Igreja quisesse ensinar que o mero uso fosse pecado, não teria dito que o abuso o é, mas diria simplesmente que o uso já configuraria pecado. Não foi esse o ensino, porém.

Por outro lado, a argumentação de que todo uso do fumo é abuso não procede, dado que está objetivando algo que é subjetivo. Em sendo abuso, ok, é pecado. Mas se existe abuso é pq também pode haver mero uso. Dizer que todo uso do cigarro é abuso é desvirtuar o próprio sentido de abuso, o que contraria toda a lógica da teologia moral clássica, notadamente a ensinada por Santo Tomás.

Do excelente e ortodoxo manual "Teologia Moral", do Fr. Teodoro da Torre Del Greco, OFMCap:

"À gula se refere a intemperança no beber até à perda do uso da razão (embiraguez), a qual, se é perfeita, isto é, se chega a impedir completamente o uso da razão, é pecado mortal 'ex genere suo', se causada sem motivo suficiente.

Por graves razões, provavelmente, pode permitir-se a embriaguez, como por exemplo, para curar uma doença ou para com mais segurança submeter-se alguém a uma operação cirúrgica. Afastar a melancolia não é motivo suficiente para embriagar-se. A embriaguez que priva só parcialmente do uso da razão (imperfeita) é somente pecado venial, mas poderia tornar-se mortal pelo dano ou escândalo produzido, pela tristeza que poderia causar aos pais etc.

Em relação ao uso dos entorpecentes (morfina, cocaína, heroína, clorofórmio etc) valem os mesmos princípios, isto é: usados em pequenas doses por motivo suficiente, por exemplo, para acalmar os nervos, dores etc, são lícitos. Sem motivo justo, porém, é pecado venial.

Mas tomá-los em doses tais que privem o homem do uso da razão, é pecado grave, salvo se há motivo suficiente proporcionado; por exemplo, uma operação cirúrgica, dar alívio a um paciente de doenças muito dolorosas etc."

A conclusão é de que:

a) o uso do álcool e de drogas, em si, não é pecado;

b) o pecado está em algumas condutas, dependendo da finalidade;

c) a embriaguez completa com justo motivo não é pecado;

d) a embriaguez completa sem justo motivo é pecado mortal;

e) a embriaguez incompleta é pecado venial;

f) a embriaguez incompleta pode tornar-se pecado mortal por outros fatores (escândalo, atos pecaminosos, em si, produzidos por força da embriaguez ainda que parcial, etc);

g) a embriaguez acidental não é pecado;

h) o consumo do álcool sem embriaguez não é pecado (para afastar a melancolia, v.g., só é pecado se houver embriaguez; pode-se, outrossim, beber por quaisquer outros motivos não-pecaminosos - comemoração, alegria, motivos de saúde, acompanhar os amigos etc - sem embriaguez; havendo outros motivos pecaminosos - ganhar "coragem" para adulterar, para fornicar, para furtar etc -, há pecado mortal mesmo sem embriaguez, mas a causa do pecado não é o uso do álcool, e sim a intenção do ato posterior);

i) o consumo de drogas em pequenas doses, com motivo suficiente, não é pecado;

j) o consumo de drogas em pequenas doses, sem motivo suficiente, é pecado venial;

k) o consumo de drogas em outras quantidades, com motivo grave e proporcionado, não é pecado;

l) o consumo de drogas em outras quantidades, sem motivo grave e proporcionado, é pecado mortal;

m) o consumo de drogas exige sempre justo motivo para ser lícito, ao contrário do uso do álcool, porque é de sua essência o entorpecimento, ao passo em que o álcool só o é acidentalmente.

O caso do fumo (tabaco) é bem diverso, de vez que ele não é entorpecente nem embriagante. Noutros termos, fumar cigarro, cachimbo ou charuto não afeta a consciência da pessoa. Por isso, o juízo a ser feito em relação a ele não deve ser o mesmo das drogas e do álcool. Não podemos simplesmente "colocar tudo no mesmo saco". Aliás, se nem mesmo o álcool e as drogas, em si, são ilícitos (pois se há um uso lícito, não podem ser ontologicamente ilícitos, sendo, pois, neutros, havendo licitude ou ilicitude conforme o caso), apesar de seu efeito narcótico, muito menos o seria o tabaco, que não é embriagante nem entorpecente.

Fonte: http://ultramontano.blogspot.com/