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quarta-feira, 3 de julho de 2013

O Altar



A palavra altar vem de ardore, porque antigamente as vítimas e holocaustos dos animais que se sacrificavam eram queimados e ardiam no altar, como consta no Levítico. Diz-se araab ariditate, que é o mesmo que secura, porque se queimavam e se sacrificavam aromas no fogo que havia nele. A edificação de altares é anterior à edificação de templos, porque antes de Moisés edificar o tabernáculo na saída do cativeiro de Egito, e antes de Salomão edificar aquele suntuosíssimo templo a mandado de Deus e de seu pai David, já se haviam edificado altares. Altares foram edificados primeiramente por Noé, na saída da arca, depois do dilúvio. Noé ofereceu a Deus sacrifícios de animais e aves limpas. Também Abraão, Isaac e Jacó edificaram altares (Gênesis). Moisés edificou antes de fazer o tabernáculo (Êxodo). Gedeão, idem (livro dos Juízes). Samuel em Ramatha. Elias no monte Carmelo e Judas Macabeu (mesmo livro). Diz Durando que destes Padres antigos tiveram origem os altares e igrejas. Esses altares tinham quatro extremidades, como os nossos.

No começo de nossa Lei, fabricavam-se alguns altares de pedra. Estes — diz São Tomás de Aquino — simbolizavam Cristo, que é pedra: Petra autem erat Christus. O altar-mor significa Deus Uno e Trino; a glória celestial, a alma santa e o coração do homem onde se coloca o Senhor. Os altares inferiores significam a cúria celestial, os coros dos santos mártires e das virgens, etc.

Na Lei da Graça, o primeiro altar foi o da Cruz, e a mesa do altar foi a mesa em que Cristo ceou com os discípulos, quando instituiu a Eucaristia.

(Extraído da apostila composta pelo Pe. Marciano Gonçalves Siqueira, baseado no livro "El por qué de todas las ceremonias de la Iglesia y sus misterios" - Belo Horizonte, 29/6/1976).


Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A santa Missa é um meio seguro para obter as misericórdias divinas


Ipse (Iesus) est propitiatio pro peccatis nostris – “Ele (Jesus) é a propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 2,2).


Summario. A santa missa é por excelência a oração propiciatória e reparadora; é ela que continuamente atrai sobre nós as divinas misericórdias e impede a divina justiça de tomas as vinganças merecidas pelos nossos pecados. Eis porque, depois da vinda de Jesus Cristo, não se veem mais aqueles castigos tão frequentes e tão formidáveis que se observam na antiga Lei. Tomai, pois, a resolução de assistir cada dia e com a devida atenção ao santo sacrifício, mesmo à custa de algum incômodo ou de algum interesse temporal.

I. Considera que a santa missa é um sacrifício propiciatório, isto é, que torna Deus propício para nos perdoar não só as penas temporais, que ficam a pagar depois do perdão da culpa, mas também a própria culpa. Quanto à pena, a missa perdoa-a diretamente, pelo menos em parte, não só aos vivos, mas também às almas dos defuntos. Pelo que São Jerônimo afirma: “Cada missa celebrada com devoção faz sair diversas almas do purgatório.”

Quanto às culpas, perdoa-as, posto que só indiretamente, e perdoa-as todas, por mais graves que sejam, conforme a declaração do Concílio de Trento: Peccata etiam ingentia dimitti. O que quer dizer que, por meio do sacrifício do altar, concede a graça, pela qual o homem é levado a arrepender-se e a purificar-se no sacramento da penitência. – Santa Mechtilodis viu um dia que a Santíssima Virgem amolecia um diamante mergulhando-o no sangue do Coração de Jesus. Com tal visão, o Senhor lhe quis dar a entender que não há coração tão duro, que não fique amolecido só com ser tingido no sangue do Cordeiro divino, que se imola sobre o altar.

Pobres de nós, se não houvesse este grande sacrifício, que é por excelência a oração expiatória e reparadora; que continuamente atrai sobre nós as divinas misericórdias e impede a justiça divina de exercer a vingança merecida pelas nossas culpas! – Eis porque, depois da cinda de Jesus Cristo, não se veem mais os castigos tão frequentes e formidáveis que se observam na antiga Lei. Pela mesma razão tem o demônio procurado tantas vezes, e procura ainda sempre, por meio dos hereges, fazer desaparecer do mundo a missa. Faz dos hereges os precursores do anticristo, que, conforme a profecia de Daniel, antes de mais nada, abolirá o santo sacrifício do altar.¹


II. Oh, quem me dera poder assistir a mais uma missa! É o que exclamava uma pobre pecadora no leito da morte, e perguntada pelo porque, respondeu: Quer-me pareces que então se havia de acalmar todas as minhas inquietações. Vendo o sacerdote que eleva aio céu o cálice com o sangue preciosíssimo, diria eu ao Pai Eterno: Senhor, é grande a minha dívida, mas eis aí a minha satisfação. O sangue inocente do Redentor, oh, quanto melhor implora para mim a vossa misericórdia, do que o sangue de Abel bradava por vingança contra Caim!

Meu irmão, há de chegar talvez o dia em que tu também, prestes a morrer, ou (pior ainda) atormentado nas chamas devoradoras do purgatório, exclamarás: Oh, quem me dera assistir a mais uma missa! Mas então não haverá mais tempo para o fazer. Aproveita, pois, o tempo que Deus te dá agora, e toma a resolução de assistir cada dia ao divino sacrifício, e de assistir com devoção, oferecendo-o pelos fins para que foi instituído.


“Senhor, Deus todo-poderoso, eis-me aqui, prostrado diante de Vós, para aplacar e honrar a vossa Majestade divina em nome de todas as criaturas. Mas como poderei fazê-lo sendo tão miserável e pecador como sou! Mas posso e quero fazê-lo, sabendo que Vos gloriais de ser chamado Pai das misericórdias, e por nosso amor deste vosso Filho unigênito que se sacrificou por nós sobre a cruz, e sobre os nossos altares renova continuamente por nós o sacrifício de si mesmo. Eis porque eu, posto que pecador, mas pecador arrependido, pobre mas rico em Jesus Cristo, me apresento diante de Vós, e com o fervor de todos os anjos e santos, com os afetos do Coração imaculado de Maria, Vos ofereço em nome de todas as criaturas as missas que são celebradas hoje, com todas as que já foram celebradas e serão celebradas até ao fim do mundo.

Tenciono renovar a presente oferta todos os instantes deste dia e de toda a minha vida, para tributar à vossa infinita Majestade uma homenagem e uma glória dignas de Vós, para aplacar a vossa indignação e satisfazer à vossa justiça pelos nossos muitos pecados, para Vos render graças proporcionadas aos vossos benefícios e implorar a vossa misericórdia para mim, para todos os pecadores, para todos os fiéis vivos e defuntos, para a Igreja universal, e principalmente para seu chefe visível, o Sumo Pontífice romano, e finalmente também para os pobres cismáticos, hereges e infiéis, afim de que eles também se convertam e se salvem.”² † Ó doce Coração de Maria, sede a minha salvação.

***

[1] Daniel 12, 11.

[2] Indulgência de três anos.

FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a undécima semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 83-85.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

XXVI de abril - Primeira Missa no Brasil e dia de Nossa Senhora do Bom Conselho


26 de abril de 1500, primeira Missa no Brasil - Pintura de Victor Meirelles (1861)
Hoje é um dia especial, já mencionado no título desta postagem. Data marco do catolicismo nesta Terra de Santa Cruz, 513 anos de fé católica, 513 anos da primeira atualização do Santo Sacrifício de Cristo na que se tornará uma das maiores nações católicas do mundo. Também, festa da Mãe de Deus sob o título de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, cidade da Milagrosa Imagem (conheça a história aqui) daquela que é a boa conselheira dos que desejam servir ao Altíssimo, que ela nos guie junto com toda a Igreja Militante. 

Em seguida, dois artigos, um de Cristine Delphino, breve resumo histórico do que foi um marco da fé católica na América, destaque para a piedade enraizada de nosso povo. Outro, uma reflexão de Santo Afonso de Ligório para a solenidade da Virgem do Bom Conselho.
Eucaristia e Maria Santíssima, duas colunas do sonho de Dom Bosco, duas colunas da fé para os católicos de ontem, de hoje e de sempre.


A primeira Missa no Brasil


No dia 22 de abril de 1500 chegaram as 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, chamou de Monte Pascoal já que era o oitavo dia da Páscoa. Ao desembarcarem foram recebidos por aproximadamente dezoito índios e trocaram presentes. A bordo de suas caravelas novamente, subiram um pouco para um lugar mais protegido e foram parar na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia (próximo ao norte de Minas).


Foi exatamente ali que foi celebrada a primeira missa em solo brasileiro, no dia 26 de abril. Segundo narra o escrivão Pero Vaz de Caminha em uma carta para o rei de Portugal, D. Manuel, depois 47 dias navegando pelo oceano Atlântico, ao chegarem na praia da Coroa Vermelha, dois carpinteiros fizeram uma cruz e a colocaram na areia. A missa foi celebrada pelo Frei Henrique com mais alguns clérigos. Foram convocados mil homens, entre oficiais e marinheiros e havia cerca de duzentos índios que acompanhavam atentamente ao que acontecia, com muito respeito e adoração. Os índios seguiam os mesmos gestos dos portugueses, se eles levantavam, eles também levantavam, se eles ajoelhavam, eles também ajoelhavam. Depois de terminada a cerimônia o sacerdote fez uma pregação narrando a vinda dos portugueses. Vaz de Caminha acreditava também que a conversão dos índios não seria difícil, já que eles foram muito respeitosos quanto a religião.




Festa de Nossa Senhora do Bom Conselho¹.


Fotogragia da Imagem Milagrosa em Genazzano (além das propriedades miraculosas, 171 milagres listados, a imagem por si mesma é extraordinária, pois ela desde o século XV permanece como que suspensa no ar, sem moldura ou fixação, afastada da parede cerca de três centímetos, apenas parcialmente tocando uma base em sua borda inferior.) 

Meum est consilium et aequitas; mea est prudentia et fortitudo – “Meu é o conselho e a equidade, minha é a prudência e a fortaleza” (Prov. 8, 14).


Summario. O pecado de Adão produziu efeitos funestíssimos não só na vontade do homem, mas também no seu espírito. Jesus Cristo reparou a ignorância fatal por mio da divina graça. Mas assim como uma mulher foi, pelo mau conselho dado a Adão, causa da nossa grande cegueira, a divina Providência quis que o remédio nos viesse também por meio de uma mulher, isto é, por Maria, constituída Mãe do Bom Conselho. Recorramos, pois, sempre à Virgem invocando-a sob um título tão belo e tão consolador.

I. O pecado de Adão produziu efeitos funestíssimos, não só na vontade do homem, como também em seu espírito; de tal forma que é pouco o que sabemos dos bens verdadeiros da vida presente, e nada, absolutamente, o que nos é conhecido acerca dos bens da vida futura. Mais; na palavra de São Paulo, com relação à vida futura a nossa incapacidade e ignorância são tão grandes, que não somos capazes de formar por nós mesmos, nem sequer um bom pensamento: Non sumus sufficientes cogitare aliquid a nobis, quasi ex nobis ². – Pelo que São Pedro, como nos refere São Clemente, comparava o mundo a uma casa cheia de fumaça, que não deixa o habitante ver, nem o que está dentro da casa, nem o que está fora.
A esta nossa ignorância fatal o nosso amoroso Redentor aplicou um remédio eficaz pela graça divina. Mas, assim como uma mulher, pelo mau conselho dado a Adão, foi causa da grande cegueira do próprio Adão, e de todos os seus descendentes, assim a divina Providência quis que o remédio nos viesse também por uma mulher, isto é, por Maria, constituída Mãe do Bom Conselho.
É por isso que o Espírito Santo, na Sagrada Escritura, compara a Santíssima Virgem à lua: Pulchra ut luna³ – “Formosa como a lua”. Porque, segundo a explicação de São Boaventura, assim como a lua está colocada entre o sol e a terra, e reflete para esta a luz que recebe daquele, a divina Providência colocou igualmente Maria entre Deus e os homens, e todo o influxo de graças que ela recebe do divino sol, Jesus Cristo, transfunde-o em nós, seus filhos.

II. Se desejamos luz em nossa trevas, em nossa dúvidas, em nossas perplexidades, se desejamos sobretudo obter a graça importantíssima, da qual depende a nossa salvação, isto é, a graça de conhecer o estado de vida a que Deus nos chama, e de cumprirmos fielmente as suas obrigações, olhemos para o astro luminoso no firmamento do céu, Maria, e invoquemo-la sob o título de Mãe do Bom Conselho. – Ensina a experiência de todos os dias, que a Santíssima Virgem se agrada de ser invocada sob este belo título; porquanto a quem a invoca assim, ela abre logo os seus tesouros e faz descer sobre ele, qual chuva benfazeja, os favores de Deus. – Entretanto procuremos imitar os exemplos de virtude de nossa boa Mãe, e obedeçamos prontamente a suas santas inspirações. Quando a ela recorremos, imaginemos que nos diz o que Rebeca disse a Jacó: Nunc ergo, fili mi, acquiesce consiliis méis4 – Agora pois, meu filho, segue os meus conselhos”.



Gloriosíssima Virgem, escolhida pelo conselho eterno para ser Mãe do Verbo Encarnado, tesoureira das divinas graças e advogada dos pecadores, eu, o mais indigno dos vosso servos, a vós recorro, para que vos digneis ser minha guia e conselho neste vale de lágrima. Alcançai-me, pelo preciosíssimo sangue de vosso divino Filho, o perdão dos meus pecados, a salvação da minha alma e os meios necessários para operá-la. Alcançai para a santa Igreja o triunfo sobre os seus inimigos e a propagação do reino de Jesus Cristo por toda a terra. Assim seja. 5

“Ó Deus, que nos destes por Mãe a Mãe do vosso amado Filho, e Vos dignastes glorificar a sua formosa imagem por uma aparição milagrosa; concedei-me que, seguindo-lhe sempre os conselhos, tenha força para viver segundo o vosso Coração, e chegar felizmente à pátria celeste. Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo.”

[1] Santo Afonso foi devotíssimo a Nossa Senhora sob o título de Mãe do Bom Conselho. O papa Pio IX recomendava esta devoção especialmente para se conhecer a vocação; e o papa Leão XIII mandou inserir nas Ladainhas de Nossa Senhora a invocação de Mãe do Bom Conselho.
[2] 2 Coríntios 3, 5.
[3] Cânticos 6, 9.
[4] Gênesis 27, 8.
[5] Indulgências de 100 dias.

FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a undécima semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 323-325.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Quantas vezes à Santa Missa?

Por São Leonardo de Porto Maurício

Narra São Gregório que uma pobre mulher encomendava a celebração de Santas Missas, todas as segundas-feiras, em ação de graças, para o seu marido, que ela julgava morto, pois ele caíra nas mãos dos bárbaros. Estava vivo, porém, e durante o tempo em que se celebravam essas Santas Missas, a cadeias se lhe soltavam dos pés e das mãos e lhe caíam as algemas, e ele ficava livre e desembaraçado, como, ao libertar-se da escravidão, pôde contar a sua mulher. Quanto mais devemos crer na eficácia deste Sacrifício para desatar os laços espirituais, isto é, os pecados veniais, que de certo modo mantém cativa a alma, impedindo-a de agir com a liberdade e o fervor que ela teria, não fossem esses entraves.

Ó bem-aventurada Santa Missa, que nos restitui a liberdade de filhos de DEUS, e satisfaz todas as penas devidas por nossos pecados!

Mas então, me direis, basta assistir ou encomendar uma única Santa Missa para pagar as maiores dívidas com DEUS, em vista de tantos pecados cometidos, pois, sendo infinito o seu valor, com ela daremos a DEUS uma satisfação infinita. – Devagar! Eu vos peço. Realmente, se bem que o valor do Santo Sacrifício seja infinito, deveis saber entretanto, que DEUS o aceita numa medida limitada e finita, mais ou menos, conforme a devoção maior ou menor de quem o celebra, manda celebrar, ou a ele assiste.

Quorum tibi fides cógnita est et nota devotio, diz a Santa Igreja no Cânon da Santa Missa, e, por esta linguagem, danos a entender o que ensinam expressamente os Doutores, e é, que a maior ou menor satisfação proporcionada pela Santa Missa, quanto à pena devida por nossos pecados, depende da disposição de quem a celebra ou a ela assiste.

Note-se aqui o erro daqueles que preferem as missas mais curtas e menos devotas, ou, o que é pior, que a elas assistem com pouca ou nenhuma devoção. É verdade que todas as Missas são iguais do ponto de vista do Sacramento, como ensina São Tomás; não o são, porém, quanto aos efeitos que delas provêm. Quanto maior a piedade atual ou habitual do celebrante, maior será o fruto de seu sacrifício. Assim, não fazer diferença entre um padre mais fervoroso e outro menos, seria o mesmo que, para pescar, lançar mão indiferentemente de uma rede de malhas pequenas ou grandes.

Diga-se o mesmo dos que assistem à Santa Missa. E ainda que eu vos exorte, o mais que posso, a assistir muitas vezes à Santa Missa, advirto-vos de procurar, sobretudo assistir a cinqüenta, mais glória dais a DEUS com aquela única Missa, e retirais mais fruto, mesmo desse que chamamos ex opere operato, do que o outro há de tirar de cinqüenta, apesar do número considerável.


“Na satisfação, olha-se mais a piedade do oferente que a quantidade da oblação”. “In satisfactione magis attenditur affectus offrentis quam quantitas oblationis”, diz São Tomás.

Pode acontecer, sem dúvida, (como afirma um sério autor) que, com uma única Missa, assistida com extraordinária devoção, se dê satisfação à Justiça de DEUS, por todos os pecados ainda do maior pecador, conforme se depreende do Santo concílio de Trento, que diz: “Graças à oferenda deste santo Sacrifício, DEUS concede o dom da verdadeira penitência, e por ela o perdão dos pecados, ainda os mais graves”.

No entanto, visto que conhecermos claramente a disposição interior com que assistimos à Santa Missa, nem a satisfação correspondente devemos ter o cuidado em assistir a muitas, o mais que pudermos, e assistir com todo o amor e devoção possíveis. Felizes de vós se depositardes uma grande confiança em DEUS, que tão admiravelmente exerce Seu Amor neste Divino Sacrifício, e se assistirdes com fé, fervor e reverência, a todas as Santas Missas que puderdes!

Afirmo-vos que podeis alimentar a doce esperança de alcançar diretamente o Paraíso, sem passar pelo Purgatório.

À Santa Missa, portanto, à Santa Missa! E que jamais se ouça de vossos lábios esta palavra escandalosa: “Uma missa a mais, uma missa a menos não tem importância”.

Livro: As Excelências da Santa Missa, 1737.

Autor: São Leonardo Maurício de Porto, OFM, págs. 22 a 24, das Vantagens da Santa Missa.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Zelo Eucarístico

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VII. Que delicadeza de pensamento, de sentimento e de trato dos Santos para com tudo o que diz respeito à Eucaristia.

Nada de pequeno aos seus olhos; nada de descurável e muito menos de desprezível!

Já vimos como a grande Teresa de Jesus estava disposta a morrer mártir, antes que ver negligenciada a mais humilde entre as cerimônias da Santa Missa.

Que fé extraordinária, meu Deus!

O Santo Cura D’Ars costumava rezar o divino ofício ajoelhado diante do Tabernáculo, sem apoio algum, de breviário na mão, com uma compostura de Anjo, um recolhimento de Querubim. Já andava o povo convencido de que o seu Santo Vigário, com os próprios olhos, contemplava a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento.

São Francisco de Sales, achando-se na igreja, não ousava sequer tanger as moscas e preferia, por vezes, que fizessem sangrar a calva cabeça, antes de faltar com o devido acatamento.

Que dizer, então, da atitude e arrebatamento com que São José Benedito de Labre permanecia sete ou oito horas, imóvel como uma estátua, diante do seu Amor Sacramentado? E não tinha sobre si apenas moscas, senão também outros seres a atormentá-lo!

O mansíssimo São Vicente de Paulo, perturbava-se e ardia de zelo ao observar genuflexões mal feitas diante do Santíssimo Sacramento, genuflexões que ele apelidava de “marionetes”.

São Conrado, Bispo de Constança, tamanho respeito sentia para com os polegares e índices com que tocava no adorável Sacramento, que algumas vezes Nosso Senhor, para premiar-lhe a fé, permitia que esses quatro dedos, durante a noite, se tornassem luminosos.

São José de Cupertino desejava dispor de outro par de índices e polegares, que pudesse tirar e colocar à vontade, a fim de servirem apenas para tocar na Carne do Salvador.

***

Livro: A Alma Eucarística
Autor: Fr: Antonino de Castellammare, O.F.M. Cap.
Páginas: 301-302
Capítulo IV - 2º Regra: A Delicadeza Eucarística.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Bispo defende Comunhão na boca e de joelhos


Athanasius Schneider, O.R.C., Bispo Auxiliar de Karaganda no Cazaquistão, nasceu em 1961, no Quirguistão (Ásia Central), para onde seus pais haviam sido deportados e onde foram obrigados a trabalhos forçados. No presente vídeo, Sua Excelência narra fatos edificantes e nos dá uma atualização da sua obra "Dominus Est" (publicado em sua versão original em italiano pela Libreria Editrice Vaticana em janeiro de 2008).
Em Portugal, foi publicada em setembro de 2008 pela Ed. Caminhos Romanos-Unipessoal Ltda., Porto (para informações ac.azeredo@hotmail.com). E no Brasil foi lançada no mês de maio 2009 pela Editora Raboni (http://www.raboni.com.br).

domingo, 24 de maio de 2009

Não é permitido danças ou apresentações artísticas na Santa Missa

 

É possível haver uma “dança litúrgica” durante a Santa Missa?

O rito romano, sobre o qual estamos tratando nesta obra, é o que se estende pela maior parte do mundo, e, ordinariamente, reflete a cultura na qual ele foi construído e se desenvolveu, como todas as outras famílias litúrgicas. Dessa forma, a Igreja, sábia que é, permite uma certa inculturação dos elementos acidentais da Santa Missa, desde que não afete a unidade básica do rito, no caso o romano. Assim, a princípio, não é compatível com o rito romano qualquer espécie de “dança litúrgica”, por não refletir a mentalidade ocidental no aspecto sagrado. No Ocidente, a dança está ligada a elementos profanos, quer indiquem erotização quer simplesmente signifiquem diversão. Entendemos a dança como um espetáculo de arte a ser apreciado, como uma forma de prazer mais ou menos sexual, como um exercício físico, ou ainda como um jeito de nos divertirmos quando estamos bailando. Nunca a dança, para nós, tem uma característica sagrada. Dessa forma, qualquer dança religiosa, e nisso se inclui a “dança litúrgica”, não encontra amparo em nossa cultura ocidental, não havendo lugar para ela na celebração da Santa Missa nem em outros atos sacros, como afirmou a Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos em sua instrução “Dança na Liturgia”, de 1975. Diverso é o caso de localidades ainda não suficientemente evangelizadas – territórios de missão –, que possam, porventura, encarar a dança como uma manifestação religiosa. Em tribos africanas, por exemplo, o ato de dançar não só é essencialmente sagrado, como nunca é encarado sob o ponto de vista puramente profano, que exclui a dimensão espiritual. Por essa razão, a Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na Instrução sobre a Inculturação e o Rito Romano, publicada em 1994, autorizou a incorporação da dança na liturgia quando for parte inerente da cultura de um povo, e não apenas uma simples performance artística ou secular. Em locais onde a dança tem um significado religioso, é permitido, pelo teor da declaração desse tão importante dicastério da Santa Sé, seu uso litúrgico. Uma observação importante: mesmo em povos onde a dança tem um significado espiritual, ela só pode ser usada na liturgia se for removida toda referência de seu emprego para as práticas pagãs ou de adoração a divindades demoníacas. No Brasil, como em todo o Ocidente, a “dança litúrgica” não é, portanto, permitida.

 

É permitido que a Santa Missa seja interrompida para alguma apresentação artística, ainda que de caráter religioso ou tendo relação com o tema do Evangelho do dia ou da festa?

 

Mesmo que, em algumas ocasiões especiais, tenha presenciado apresentações artísticas durante a Santa Missa, como uma peça de teatro encenada no Natal, isso não está correto. A Missa é um ato real em que Cristo Se oferece por nós em sacrifício ao Pai. É a Cruz tornada presente. Por isso, não há lugar para eventos que não apontem para essa realidade: uma encenação, por exemplo, passaria a idéia de tudo é mero símbolo, quando, na verdade, os símbolos da Missa indicam e refletem algo vivo, o sacrifício de Cristo. As regras litúrgicas, por essa razão, não permitem que a Santa Missa seja interrompida. Se um coral deseja se apresentar, ou um grupo de atores quer representar o Evangelho, faça-se fora da Missa, antes ou depois dela. E, para que se utilize o recinto da igreja, cuide-se que o presbitério não seja usado como palco, respeitando o santuário, e também seja o pároco ou reitor extremamente zeloso de que não se faça algazarra no recinto sagrado.

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Fonte: Manual da Santa Missa, Rafael Vitola Brodbeck, 2008, p. 119 s. Grifos nossos.