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| Papa sendo louvado pelo povo |
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| "Honra a quem deveis honra." |
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| Papa sendo louvado pelo povo |
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| "Honra a quem deveis honra." |
Irmãos rezemos por essa pobre alma; ela que fora chamada às alturas do sacerdócio e tem chegado a tal estado de escândalo e vergonha cujo nome custa-nos pronunciar: APOSTASIA.![]() |
| Deturpação do Evangelho |
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| Jovens roqueiros |
CITAÇÕES POR ORDEM ALFABÉTICA
DOS TEXTOS DA BÍBLIA QUE CONSTITUEM O DOGMA CATÓLICO CONTRA OS ERROS PROTESTANTES
Absolvição
· O poder de dar a absolvição prometido e concedido aos pastores da Igreja: Mt 16, 19; 18, 18; Jo 20, 22-23.
Anjos
· Somos confiados à sua guarda: Mt 18, 10; Hb 1, 14; Ex 23, 20-21; Sl 90, 11-12;.
· Oferecem as nossas orações: Ap 8.
· Rogam por nós: Zc 1,12.
· Estamos em comunhão com eles: Hb 12, 22.
· Foram venerados pelos servos de Deus: Js 5, 14-15.
· Também foram invocados: Gn 48, 15-16; Os 12, 4; Ap 1, 4.
Batismo
· É ordenado por Jesus Cristo: Mt 28, 19.
· Necessário para a salvação: Jo 3, 5.
· Administrado pelos Apóstolos com água: At 8, 36-38; 10, 47-48.
· Além disto: Ef 5, 26; Hb 10, 22; 1Pd 3, 20-2.
· Quanto ao batismo das crianças: Lc 18,16 comparado com Jo 3, 5.
Chefes ou governadores da Igreja e a sua autoridade
· Dt 18, 8-9; Mt 18, 17-18; 28, 18-20; Lc 10, 16; Jo 14, 16-17-26; 16, 13; 20, 21; Ef 4, 11-12; Hb 13, 7-17; 1Jo 4, 6.
Cristo (Jesus)
· É o Filho unigênito de Deus, o verdadeiro Filho de Deus por natureza, o único gerado de Deus: Mt 16, 16; Jo 1, 14; 3, 16-18; Rm 8, 32; 1Jo 4, 9.
· O mesmo Deus que seu Pai e igual a Ele: Jo 5, 18-19-23; 10,30; 14, 9s; 16, 14-15; 17, 10; Fl 2, 5-6;
· Verdadeiro Deus: Jo 1, 1; 20, 28-29; At 20, 25; Rm 9, 5; Tt 2, 13; 1Jo 3, 16; 5, 20; além disto: Is 9, 6; 35, 4-5; Mt 1, 23; Lc 1, 16-17; Hb 1, 8.
· É o criador de todas as coisas: Jo 1, 3-10-11; Cl 1, 5-16-17; Hb 1, 2-10-12; 3, 4.
· O Senhor da Glória: 1Cor 2, 8.
· O Rei dos reis e Senhor dos senhores: Ap 17, 4; 19, 16.
· O primeiro e o último, o alfa e o ômega, o princípio e o fim, o Onipotente: Ap 1, 8-17; 22, 12-13.
· Morreu por todos: Jo 3, 13-17; Rm 5, 18; 2Cor 5, 14-15; 1Tm 2, 3-6; 4, 10; Hb 2, 9; 1Jo 2, 1-2; também pelos condenados: Rm 14, 15; 1Cor 8, 11; 2Pd 2,1.
Comunhão
· Sob uma só espécie é suficiente para a salvação: Jo 6, 55-57-58.
· O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo são agora inseparáveis: Rm 6, 9.
· Menção de uma espécie unicamente: Lc 24, 30-31; At 20, 7; 1Cor 10, 17.
Concílios da Igreja
· São assistidos por Cristo: Mt 18, 20; e pelo Espírito Santo: At 15, 28.
· Seus decretos devem ser cuidadosamente observados pelos fiéis: At 15, 41; 16, 4.
Confissão dos pecados
· Confessar os pecados: Nm 5, 6-7; Mt 3, 6; At 19, 18; Tg 5, 16.
· A obrigação da confissão é uma conseqüência do poder judiciário de atar e desatar, de reter os pecados, dada aos pastores da Igreja de Cristo: Mt 18, 18; Jo 20, 22-23.
Confirmação
· Foi administrada pelos apóstolos: At 8, 15-17; 19, 6; 2Cor 1, 21-22; Hb 6, 2.
Continência
· É possível: Mt 19, 11-12.
· O voto que se faz obriga: Dt 23, 21.
· A transgressão do voto é condenável: 1Tm 5, 12.
· A prática é recomendada: 1Cor 8, 8-27-37-38-40.
· Quanto aos motivos que respeitam particularmente ao clero: 1Cor 7, 32-33-35.
Escritura Sagrada
· É difícil de compreender, e muitos lhe dão, hoje em diante, este sentido para sua própria perdição: 2Pd 3, 16.
· Não deve explicar-se por uma interpretação particular: 2Pd 1, 20.
· É alterada pelos hereges: Mt 19, 11.
Espírito Santo
· Sua divindade: At 5, 3-4; 28, 25-26; 1Cor 2, 10-11; 6, 11-19-20; vide também: Mt 12, 31-32.
· A fórmula do Batismo: Mt 28, 19-20.
· Procede do Pai e do Filho: Jo 15, 26.
Eucaristia
· A presença real do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, e a transubstanciação provadas por: Mt 26, 26; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19; Jo 6, 51-52s; 1Cor 10, 16; 11, 21-24-25-27-29.
Unção dos Enfermos
· Tg 5, 14-15.
Fé
· A verdadeira fé é necessária à salvação: Mc 16, 16; At 2, 47; 4, 12; Hb 11, 6.
· A fé sem as boas obras é uma fé morta: Tg 2, 14-17-20.
· A fé só não justifica: Tg 2, 24.
· Mas a fé obrando pela caridade: Gl 5, 6.
· A fé não implica a certeza absoluta do estado de graça, e muito menos ainda da salvação eterna: Rm 11, 20-22; 1Cor 9, 27; 10, 12; Fl 2, 2; Ap 3, 11.
Igreja (a) de Jesus Cristo
· Existirá para sempre: Mt 16, 18; 28, 20; Jo 16, 16-17; Sl 47, 9; 71, 5-7; 88, 3-4-20-36-37; 131, 13-14; Is 9, 7; 54, 9-10; 59, 20-21; 60, 15-18s; 62, 6; Jr 31, 21-26; 33, 17s; Ez 37, 21-26; Dn 2, 44.
· A Igreja é o Reino de Cristo: Lc 1, 33; Dn 2, 44.
· A cidade do grande Rei: Sl 47, 2.
· Seu descanso e sua habitação para sempre: Sl 131, 13-14.
· A casa de Deus vivo: 1Tm 3,15.
· O aprisco da qual Cristo é o pastor: Jo 10, 13.
· corpo da qual Cristo é a cabeça: Cl 1, 18; Ef 5, 23.
· A esposa da qual é o esposo: Ef 5, 31-32.
· Está sempre sujeita a Ele e sempre amada e fiel para com Ele: Ef 5, 24.
· Sempre amada e querida dEle: Ef 5, 25-29.
· E unida a Ele por uma união indissolúvel: Ef 5, 31-32.
· A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade: 1Tm 3, 15.
· O pacto de Deus com Ela é uma pacto de paz: Ez 37, 26.
· Pacto confirmado por um juramento solene, imutável como aquele que fez com o Patriarca Noé: Is 54, 9.
· Como o que fez com o dia e com a noite por todas as gerações: Jr 33, 20-21.
· Deus será sua eterna luz: Is 60, 18-19.
· Todos os que se juntarem contra Ela cairão, e a nação que a não queira servir perecerá: Is 60, 12-15-17.
· A Igreja é sempre uma: Ct 6, 9; Jo 10, 16; Ef 2, 23; Mq 4, 12; Mt 5, 14.
· Estende-se por toda a parte e ensina um grande número de nações: Sl 2, 8; 21, 28; Is 49, 6; 54, 1-3; Dn 2, 35-44; Ml 1, 11s.
· A Igreja é infalível em matéria de fé, é uma conseqüência das promessas divinas que lhe têm sido feitas; vide em particular: Mt 16, 18; 28, 19-20; Jo 14, 16-17-26; 16, 13; 1Tm 3, 14-15; Is 35, 8; 54, 9-10;
Imagens
· Recomendadas por Deus: Ex 25, 18s; Nm 21, 8-9.
· Colocada dos dois lados do propiciatório no Tabernáculo: Ex 37, 7.
· E no templo de Salomão: 2Cr 3, 10-11; 3Rs 6, 23.
· E isto por um mandamento divino: 1Cr 28, 18.
· Veneração relativa às imagens de Jesus Cristo e dos Santos autorizada: Hb 11, 21; vide também: 2Rs 6, 12-16; 2Cr 5, 2s; Sl 98, 5; Fl 2, 10.
Indulgências
· Poder de as conceder Mt 16, 18-19.
· Uso deste poder: 2Cor 2, 6-8-10.
Inferno
· Eternidade das penas: Mt 3, 12; 25, 41-46; Mc 9, 43-46-48; Lc 3, 17; 2Ts 1, 7-9; Jd 6-7; Ap 14, 10-11; 20, 10; vide igualmente: Is 33, 14.
Jejum
· É recomendado na Escritura: Jl 2, 12.
· Praticado pelos servos de Deus: Esd 8, 23; 2Esd 1, 4; Dn 10, 3-7-12s.
· Leva Deus a usar de misericórdia: Jn 3, 5s.
· É de grande eficácia contra demônio: Mc 9, 28.
· Deve ser observado por todos os filhos de Jesus Cristo: Mt 9, 15; Mc 2, 10; Lc 5, 35; vide também: At 13, 3; 14, 22; 2Cor 6, 5; 11, 27.
· Jejum de Jesus de quarenta dias: Mt 4, 2.
Livre arbítrio
· Gn 7; Dt 30, 19; Eclo 15, 14.
· Resiste freqüentemente à graça de Deus: Pr 1, 24s; Is 5, 4; Ez 18, 23-31-32; 33, 11; Mt 23, 37; Lc 13, 34; At 7, 51; Hb 12, 15; 2Pd 3, 9; Ap 20, 4.
Matrimônio
· Sacramento representando a união de Jesus Cristo e da Igreja: Ef 5, 32; vide igualmente: 1Ts 4, 3-5.
· O casamento não deve ser dissolvido senão por morte: Gn 2, 21; Mt 19, 6; Mc 10, 11-12; Lc 16, 18; Rm 7, 2-3; 1Cor 7, 10-11-39.
Missa
· O sacrifício da Missa figurado antecipadamente: Gn 19, 18.
· Predito: Ml 1, 10-11.
· Instituído e celebrado pelo próprio Jesus Cristo: Lc 22, 19-20.
· Atestado: 1Cor 10, 16-18-21; Hb 13, 10.
Mulheres
· Não devem pregar nem ensinar: 1Cor 14, 34-35-37; 1Tm 2, 11-12.
Obras (boas)
· As boas obras meritórias: Gn 4, 7; Sl 17, 21-23-24; 18, 8-11; Mt 5, 11-12; 10, 42; 16, 27; 1Cor 3, 8; 2Tm 4, 8.
Orações
· Pelos defuntos: 2Mc 12, 43s.
Ordens (Sacras)
· Foram instituídas por Jesus Cristo: Lc 22, 19; Jo 20, 22-23.
· Conferidas pela imposição de mãos: At 6, 6; 13, 3; 14, 22.
· Dão graças: 1Tm 4, 14; 2Tm 1, 6.
Papa ou Bispo
· Chefe dos outros bispos; São Pedro foi elevado a esta dignidade pelo próprio Jesus Cristo: Mt 16, 18-19; Lc 22, 31-32; Jo 21, 15-17s; vide igualmente: Mt 10, 2; At 5, 29; Gl 2, 7-8.
Pecado original
· Jó 14, 4; Sl 50, 7; Rm 5, 12-15-19; 1Cor 15, 21-22; Ef 2, 3.
Purgatório
· Purgatório ou estado médio das almas, sofrendo por certo tempo em expiação de seus pecados; é provado por numerosos textos da Escritura que afirmam que Deus pagará a cada um segundo as suas obras, de tal sorte que aqueles que morrem estando culpados mesmo das menores faltas, não escapam do castigo. Quanto a isso vide também: Mt 12, 32; Ap 21, 27; assim como: Mt 5, 25-26; 1Cor 3, 13-15; 1Pd 3, 18-20; 2Mc 12, 45.
Relíquias Milagrosas
· 4Rs 13, 4-20-21; Mt 9, 21-29; At 9, 11-12.
Santos
· Os Santos deixaram este mundo, socorrem-nos por suas orações: Lc 16, 9; 1Cor 12, 2; Ap 5, 8.
· Estamos em comunhão com eles: Hb 12, 22-23.
· Têm um poder sobre as nações: Ap 2, 26-27; 5, 10.
· Sabe o que se passa entre nós: Lc 15, 10; 1Cor 13, 12; 1Jo 3, 2.
· Estão, pois, com Cristo no céu antes da ressurreição geral: 2Cor 5, 1-6-8; Fl 1, 23-24; Ap 4, 4; 6, 9; 7, 9-15s; 14, 1-3-4; 19, 1-4-6; 20, 4.
· Quanto à sua invocação convém consultar os textos citados a respeito dos anjos, ou os que, mostrando o grande poder que têm para com Deus as orações dos seus servos, nos autorizam por isto mesmo a implorar suas orações; para isso vide: Ex 31, 11-14.
Tradições Apostólicas
· 1Cor 11, 2; 2Ts 2, 5-14; 3, 6; 2Tm 1, 13; 2, 2; 3, 14; vide também: Dt 32, 7; Sl 19, 5-7.
Virgem Maria (a Bem-Aventurada)
· Sua dignidade: Lc 1, 28-42-43.
· Todas as gerações dos verdadeiros cristãos a chamarão bem-aventurada: Lc 1, 48.
· Quanto aos direitos que tem de ser venerada e invocada vide o que está dito a respeito dos anjos e santos.
***
Fonte: Bíblia Sagrada (Vulgata do Pe. Matos Soares,1960, p. 1499-1501)
N. do E.: Mantivemos a grafia da fonte original, cujo português obedece as regras do ano vigente (1937)
Os Martyres de Gorkum (sec. XVI)
Quando, no século XVI, as heresias de Luthero e Calvino conseguiram entrada na Hollanda, lá, como na Allemanha e na Suissa, foram causadoras de graves disturbios. Os Calvinistas rebellaram-se contra o governo do rei Philippe II e, chefiados pelo príncipe de Orange, tomaram à força armada algumas cidades, entra estas a cidade de Gorkum.
O governador retirou-se para o castello, em companhia de alguns catholicos, dois parochos, onze frades franciscanos e mais sacerdotes seculares. Os calvinistas tomaram posse da cidade e forçaram o castello à rendição. Esta se effectuou, sob a condição de garantir a todos livre egresso. Os Calvinistas, porém, desprezaram esta combinação e aprisionaram o commandante, todos os clérigos e dois cidadãos, dos quaes um foi enforcado immediatamente.
Os sacerdotes eram de preferência alvo do furor calvinista. Máos tratos revezavam com ameaças de morte, e finalmente foram todos mettidos num calabouço subterraneo. No dia de sexta-feira, lhes deram carne a comer. Querendo elles, porém, observar a abstinencia, tiveram de supportar toda a sorte de injurias e soffrimentos. Empurravam-nos, puxavam-lhes as orelhas, davam-lhes pontadas com a lança, ultrajavam-nos e lançavam-lhes em rosto as maiores infamias. Ergueram em sua presença uma forca, ameaçando-os com a morte, si não quizessem negar a fé no Santíssimo Sacramento. Ao Vigario Pe. Nicoláo van Poppel um dos bandidos pôz a arma na testa e berrou aos ouvidos: “Anda, Padre! Como é? Tantas vezes declarastes no pulpito, que estavas prompto a dar a vida pela fé. Pois então, dize! Estás mesmo disposto?” O Padre respondeu: “ Dou a minha vida com muito prazer, si é em testemunho da minha fé e principalmente do artigo por vós rejeitado, o da presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento”. Perguntado pelos thesouros, que suppunham estarem escondidos no Castello, Padre Nicoláo não soube dar informações a respeito. O calvinista lançou-lhe então uma corda ao pescoço, puxou-o de um lado para o outro, até que cahiu como morto.
Chegára a vez dos franciscanos. Ao frei Nicasio Pick puzeram o proprio cordão ao pescoço, arrastaram-no á porta do carcere. Lá chegado, metteram a corda por cima da porta e puxando com força, suspenderam a victima a altura consideravel, para immediatamente a deixarem cahir. Isto praticamente com um prazer infame. Afinal a corda rebentou e o pobre padre cahiu pesadamente ao chão, sem dar signal de vida. Para verificar si estava vivo ou morto, os soldados trouxeram velas, queimaram-lhe a testa, o nariz, as palpebras, as orelhas, a boca e finalmente a língua.
Como o Padre não désse mais signal de vida, deram-lhe ponta-pés e disseram com ar de desprezo: “É um frade, que importa?” Mas o Padre não estava morto, tanto que no dia seguinte os bandidos tiveram a satisfação de poder continuar as crueldades.
Durante toda a noite os Padres estiveram entregues à sanha d’aquelles demonios em figura humana. Não havia nada, que abrandasse o furor dos endiabrados hereges. Davam bofetadas nos religiosos, com tanta força e brutalidade, que lhes corria o sangue do nariz e da boca. O Padre Willehad, um veneravel ancião de noventa annos, repetia a cada bofetada que recebia, a jaculatória: ”Deus seja louvado!” Os algozes, sentindo-se fatigados de tanto bater, ajoelharam-se deante dos Padres e entre risos de escarneo, arremedavam a confissão, proferindo nesta occasião obscenidades e blasphemias horríveis e asqueirosissimas.
Em outra occasião, amarraram os religiosos dois a dois e obrigaram-nos a andarem em fila, imitando procissão e a cantar o “Te Deum” e tudo isto sob a algazarra satanica da soldadesca desenfreada. Depois puzeram dados nas mãos da victimas para assim, à guiza de jogo, tirar a sorte quem delles primeiro havia de subir à forca. O Padre Guardião exclamou: “Não se faz mistér de jogo, estou prompto, porque já passei por esta delicia”.
Os catholicos de Gorkum envidaram todos os esforços para libertar os prisioneiros. Para este fim, dirigiram uma petição ao príncipe Orange. Os calvinistas, suspeitando qualquer reacção, tiraram aos franciscanos o habito e despacharam-nos, com os outros sacerdotes, na noite de 5 a 6 de julho, para Briel, à residencia do clerophobo conde Lumm Von Marc.
A penna nega-se a fazer a descripção de tudo que aqulles religiosos tiveram de soffrer, dos verdugos e do populacho fanatico. Em Dordrecht estava à espera do navio, que devia levá-los até Briel. Antes do embarque, um bando de calvinistas arrastou os martyres a um lugar perto do rio, onde estava apparelhada uma forca. Como cães raivosos, atiraram-se sobre as pobres victimas e o ar encheu-se de insultos e vituperios como estes: “Eis, ahi vossa Egreja! Ide, rezae a vossa Missa”. Em seguida obrigaram-nos a passarem três vezes em volta da forca, sendo a ultima vez com os joelhos no chão, sob o canto da “Salve Rainha”. Enquanto os religiosos se puzeram a obedecer a esta ordem ridicula e estapafurdia, choviam-lhes bengaladas e pedradas às costas. O Padre Vigario Jeronymo de Weert, vendo estas indignidades, não mais se conteve e disse: “Que estou presenciando? Estive entre turcos e infiéis, mas coisa egual a esta nunca vi!”
Finalmente o triste cortejo chegou a Briel. Lá o esperava o conde Lumm, com dois pregadores da seita e alguns magistrados. Todos se empenharam para conseguir dos prisioneiros a renuncia à fé, em particular ao dogma da real presença de Jesus Christo no Santissimo Sacramento. Foram baldados os esforços. Os martyres unanimemente rejeitaram as propostas feitas e preferiram continuar na prisão. O carcere que os recebeu, era uma pocilga immundissima.
Uma ordem do príncipe de Orange, de pôr em liberdade os prisioneiros, não foi cumprida. O conde Lumm, embriagado de odio e vinho, mandou-os levar, alta noite, às ruínas do convento Rugen, que pouco antes tinha sido incendiado pelos calvinistas.
Restára ainda o celleiro. O Padre Guardião foi lá mesmo enforcado, depois de ter animado os irmãos à constancia.Depois d’elle, foram estrangulados todos os companheiros. O fanatismo calvinista nem respeitou os cadaveres dos martyres. Cortaram-lhes o nariz, as orelhas e levaram-nos como trophéos de victoria nos capacetes e chaphéos. Os catholicos resgataram por muito dinheiro os corpos dos santos irmãos e transportaram-nos para Bruxellas.
Clemente X beatificou-os em 1674 e Pio IX elevou-os à categoria de Santos, no anno de 1867. A memória é celebrada na Egreja no dia 9 de julho.
Eis os nomes dos gloriosos martyres de Gorkum:
Leonardo van Vecchel, Nicoláo Poppel, vigario de Gorkum; Godofredo van Duynen e João van Oosterwych (agostiniano); João de Colonia (O.P), vigario de Hoornaer; Adriano van Hilvarenbeek e Jacob Lakops (O. Praem); André Vouters, vigario de Heynoert; Frei Jeronymo van Weert; Frei Theodoro van Emden; Frei Willehad; Frei Nicasio; Frei Godofredo Mervellan; Frei Antonio de Weert; Frei Antonio de Honar; Frei Francisco Rodes; Frei Pedro de Asca.
Fonte: livro “Na Luz perpétua”, 1937, vol. II, Pe. João Baptista Lehmann, p. 29-31.