quinta-feira, 5 de maio de 2011

Contrário aos Mandamentos e à própria Lei Natural

Nota do Editor.
    Sabendo do que se passa no Supremo Tribunal Federal, que deverá decidir sobre uma questão que poderá afetar o futuro de nossos filhos e a instituição da família, em se tratando de julgar um pedido do Ministério Público, que pleiteia a condição jurídica de “entidade familiar” para os “casais” homossexuais, equiparando o “casamento” homossexual ao casamento tradicional estabelecido por Deus, decidimos enfatizar a posição dos católicos e salientar nossa argumentação por tal posição contra essa possível “anarquia” que pode vir a tona sobre nós.
     Sabemos que a prática homossexual é condenada pela Lei de Deus, sabemos que isso desvirtua o ato sexual, ordenado à proliferação da prole, que é propriamente realizado somente no casamento monogâmico e indissolúvel. Nivelar o casamento de um homem e uma mulher a qualquer tipo de “união homossexual” é sem dúvida alguma, desvirtuar a própria definição de família.
     Rezemos confiantes a Jesus e Maria, para que os nossos Ministros da corte suprema levem em conta esses princípios tão caros à grande maioria da população e valorizada por ela. E que considerem que, além de contrário aos Mandamentos e à própria Lei Natural, esse pedido do Ministério Público é inconstitucional.

10 razões pelas quais o “casamento” homossexual é prejudicial e deve ser combatido

Por TFP Student Action  (Ação Estudantil TFP)

1. O “casamento” homossexual não é casamento
Chamar algo de casamento não faz disso um casamento. O casamento sempre foi uma aliança entre um homem e uma mulher, ordenada por sua natureza à procriação e educação dos filhos, assim como à unidade e bem-estar dos cônjuges.
Os promotores do “casamento” homossexual propõem algo completamente diferente. Eles propõem a união entre dois homens ou duas mulheres. Isso nega as evidentes diferenças biológicas, fisiológicas e psicológicas entre homens e mulheres, que encontram a sua complementaridade no casamento. Nega também a finalidade primária específica do casamento: a perpetuação da raça humana e a educação dos filhos.
Duas coisas completamente diferentes não podem ser consideradas a mesma coisa.
2. O “casamento” homossexual viola a Lei Natural
Casamento não é apenas qualquer relacionamento entre seres humanos. É uma relação enraizada na natureza humana e, portanto, regida pela lei natural.
O preceito mais elementar da lei natural é que “o bem deve ser feito e buscado e o mal deve ser evitado”. Pela razão natural, o homem pode perceber o que é moralmente bom ou mau. Assim, ele pode conhecer o objetivo ou finalidade de cada um de seus atos e como é moralmente errado transformar os meios que o ajudam a realizar um ato em finalidade do ato.
Qualquer situação que institucionalize a  defraudação da finalidade do ato sexual viola a lei natural e a norma objetiva da moralidade.
Estando enraizada na natureza humana, a lei natural é universal e imutável. Ela se aplica da mesma forma a toda a raça humana. Ela manda e proíbe de forma consistente, em todos os lugares e sempre. São Paulo, na Epístola aos Romanos, ensina que a lei natural está inscrita no coração de todo homem (Rom 2,14-15).
3. O “casamento” homossexual sempre nega à criança ou um pai ou uma mãe
O melhor para a criança é crescer sob a influência de seu pai natural e sua mãe natural. Esta regra é confirmada pelas evidentes dificuldades enfrentadas por muitas crianças órfãs ou criadas por só um dos genitores, um parente, ou pais adotivos.
A lamentável situação dessas crianças será a norma para todos os “filhos” de “casais” homossexuais. Esses “filhos” serão sempre privados ou de sua mãe natural ou de seu pai natural. Serão criados, necessariamente, por uma parte que não tem nenhuma relação de sangue com eles. Vão ser sempre privados de um modelo paterno ou materno.
O chamado “casamento” homossexual ignora os interesses da criança.
4. O “casamento” homossexual  valida e promove o estilo de vida homossexual

Em nome da “família”, o “casamento” homossexual serve para validar não só as referidas uniões, mas todo o estilo de vida homossexual em todas as suas variantes, bissexuais e transgêneros.
As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem na sociedade. Como tais, elas desempenham um papel muito importante, e por vezes decisivo, que influenciam os padrões de pensamento e comportamento. Elas configuram externamente a vida da sociedade, mas também modificam profundamente a percepção de todos e a avaliação de formas de comportamento.
O reconhecimento legal do “casamento” homossexual necessariamente obscurece certos valores morais básicos, desvaloriza o casamento tradicional e enfraquece a moralidade pública.
5. O “casamento” homossexual transforma um erro moral num Direito Civil
Os ativistas homossexuais afirmam que o “casamento” homossexual é uma questão de direitos civis, semelhante à luta pela igualdade racial nos anos 1960.
Isso é falso.
Primeiro de tudo, comportamento sexual e raça são  realidades essencialmente diferentes. Um homem e uma mulher querendo casar-se podem ser diferentes em suas características: um pode ser preto, o outro branco; um rico e o outro pobre; ou um alto e o outro baixo. Nenhuma dessas diferenças são obstáculos insuperáveis para o casamento. Os dois indivíduos são ainda um homem e uma mulher e, portanto, as exigências da natureza são respeitadas.
O “casamento” homossexual se opõe à natureza. Duas pessoas do mesmo sexo, independentemente da sua raça, riqueza, estatura, erudição ou fama, nunca serão capazes de se casar por causa de uma insuperável impossibilidade biológica.
Em segundo lugar, características raciais herdadas e imutáveis não podem ser comparadas com comportamentos não-genéticos e mutáveis. Simplesmente, não há analogia entre o casamento inter-racial de um homem e uma mulher e o “casamento” entre duas pessoas do mesmo sexo.
6. O “casamento” homossexual não cria uma família, mas uma união naturalmente estéril
O casamento tradicional é geralmente tão fecundo, que aqueles que querem frustrar o seu fim tem de fazer violência à natureza para impedir o nascimento de crianças, usando a contracepção. Ele tende, naturalmente, a criar famílias.
Pelo contrário, o “casamento” homossexual é intrinsecamente estéril. Se os “cônjuges” querem ter um “filho”, eles devem contornar a natureza por meios caros e artificiais ou empregar maternidade de substituição [“mães de aluguel”]. A tendência natural de tal união não é criar famílias.
Portanto, não podemos chamar de casamento a união de pessoas do mesmo sexo e dar-lhe os benefícios do casamento verdadeiro.
7. O “casamento” homossexual desvirtua a razão pela qual o Estado beneficia o casamento

Uma das principais razões pelas quais o Estado confere inúmeros benefícios ao casamento é que, por sua própria natureza e desígnio, o casamento proporciona as condições normais de uma atmosfera estável, afetuosa, e moral, que é benéfica para a educação dos filhos, frutos do mútuo afeto dos pais. Ele ajuda a perpetuar a nação e fortalecer a sociedade, o que é um evidente interesse do Estado.
O “casamento” homossexual não fornece essas condições. Seu desígnio principal, objetivamente falando, é a gratificação pessoal de duas pessoas, cuja união é estéril por natureza. Não tem direito, portanto, à proteção que o Estado concede ao casamento verdadeiro.
8. O “casamento” homossexual impõe a sua aceitação por toda a sociedade
Ao legalizar o “casamento” homossexual, o Estado se torna o seu promotor oficial e ativo. O Estado exige que os servidores públicos celebrem a nova cerimônia civil, ordena as escolas públicas a ensinarem sua aceitação pelas crianças, e pune qualquer funcionário que manifeste sua desaprovação.
Na esfera privada, pais contrariados vão ver seus filhos expostos mais do que nunca a esta nova “moralidade”; as empresas que oferecem serviços de casamento serão obrigadas a fornecê-los a uniões de pessoas do mesmo sexo; e proprietários de imóveis terão de concordar em aceitar “casais” homossexuais como inquilinos.
Em todas as situações em que o casamento afete a sociedade, o Estado vai esperar que os cristãos e todas as pessoas de boa vontade traiam suas consciências, coonestando, por silêncio ou ação, um ataque à ordem natural e à moral cristã.
9. O “casamento” homossexual é a vanguarda da revolução sexual

Na década de 1960, a sociedade foi pressionada para aceitar todos os tipos de relações sexuais imorais entre homens e mulheres. Hoje estamos presenciando uma nova revolução sexual, na qual a sociedade está sendo convidada a aceitar a sodomia e o “casamento” homossexual.
Se o “casamento” homossexual for universalmente aceito como a etapa presente da “liberdade” sexual, que argumentos lógicos podem ser usados para parar as próximas etapas, do incesto, pedofilia, bestialidade e outras formas de comportamento antinatural? Com efeito, os elementos radicais de certas subculturas de vanguarda já estão defendendo essas aberrações.
A insistência na imposição do “casamento” homossexual ao povo norte-americano torna cada vez mais claro que o ativista homossexual Paul Varnell escreveu no “Chicago Free Press”:
“O movimento gay, quer o admitamos ou não, não é um movimento de direitos civis, nem mesmo um movimento de libertação sexual, mas uma revolução moral destinada a mudar a visão das pessoas sobre a homossexualidade.”
10. O “casamento” homossexual ofende a Deus
Esta é a razão mais importante. Sempre que se viola a ordem moral natural estabelecida por Deus, comete-se um pecado e se ofende a Deus. O “casamento” homossexual faz exatamente isso. Assim, quem professa amar a Deus deve opor-se a ele.
O casamento não é criação de nenhum Estado. Pelo contrário, ele foi estabelecido por Deus no paraíso para os nossos primeiros pais, Adão e Eva. Como lemos no Livro do Gênesis: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gen 1, 27-28).
O mesmo foi ensinado por Nosso Senhor Jesus Cristo: “No princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher” (Mc 10, 6-7).
O Gênesis também ensina como Deus puniu Sodoma e Gomorra, por causa do pecado da homossexualidade: “O Senhor fez então cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu. E destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos os habitantes das cidades e a vegetação do solo” (Gen 19, 24-25).
Uma posição de princípios, não pessoal
Ao escrever esta declaração, não temos qualquer intenção de difamar ou menosprezar ninguém. Não somos movidos pelo ódio pessoal contra nenhum indivíduo. Ao nos opormos intelectualmente a indivíduos ou organizações que promovem a agenda homossexual, nosso único objetivo é  defender o casamento tradicional, a família, e os preciosos restos da civilização cristã.
Como católicos praticantes, estamos cheios de compaixão e rezamos por aqueles que lutam contra a tentação implacável e violenta do pecado homossexual. Rezamos por aqueles que caem no pecado homossexual por causa da fraqueza humana: que Deus os ajude com Sua graça.
Estamos conscientes da enorme diferença entre essas pessoas que lutam com suas fraquezas e se esforçam por superá-las, e outros que transformam seus pecados em motivo de orgulho e tentam impor seu estilo de vida à sociedade como um todo, em flagrante oposição à moralidade cristã tradicional e à lei natural. No entanto, rezamos por eles também.
Rezamos também pelos juízes, legisladores e funcionários do governo que, de uma forma ou de outra, tomam medidas que favorecem a homossexualidade e o “casamento” homossexual. Não julgamos suas intenções, disposições interiores, ou motivações pessoais.
Rejeitamos e condenamos qualquer forma de violência. Simplesmente exercitamos a nossa liberdade de filhos de Deus (Rom 8:21) e nossos direitos constitucionais à liberdade de expressão e à manifestação pública, de forma aberta, sem desculpas ou vergonha da nossa fé católica. Nos opomos a argumentos com argumentos. Aos argumentos a favor da homossexualidade e do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, respondemos com argumentos baseados na reta razão, na lei natural e na Divina Revelação.
Em uma declaração polêmica como esta, é possível que uma ou outra formulação possa parecer excessiva ou irônica. Essa não é a nossa intenção.

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Fonte: http://www.ipco.org.br/home/noticias/10-razoes-pelas-quais-o-casamento-homossexual-e-prejudicial-e-deve-ser-combatido

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lei do Sacrifício




“Todas as pessoas se transformam, de acordo com o que amam.” (Fulton Sheen).

“Se a criatura ama o espírito, espiritualiza-se. Se ama a carne, materializa-se” (Fulton Sheen).

Por Saulo Eleazer

No pequeno recorte que apresentamos abaixo, Fulton J. Sheen nos oferece uma reflexão sobre a importância do sacrifício na vida do cristão. Neste mundo marcado pelo hedonismo é importante meditarmos sobre o valor da cruz, verdade tão esquecida. Que Nossa Senhora nos auxilie nas lutas contra o pecado.

***

“Nem todas as tendências dentro de nós são boas, de forma a poderem levar-nos a excessos. As três tendências básicas dentro de nós dizem respeito ao espírito, ao corpo e às coisas. O instinto que pede aumento de conhecimentos pode transformar-se em orgulho e a liberdade em licença. O instinto da carne e da propagação pode transformar-se em sensualidade invulgar. O instinto, ávido de posse, pode vir a ser avareza e exagero de gula. Se deixarmos à solta estes ímpetos, sem disciplina, serão como o potro por treinar ou cão que não foi habituado à casa.
Há ainda outra razão para disciplina: é que existe em nós uma dupla lei de gravidade: uma, a lei espiritual impele-nos para Deus, nosso Criador; a outra, resultado da herança do pecado, é a lei que nos empurra para baixo, para a Matéria. Todas as pessoas se transformam, de acordo com o que amam. Se a criatura ama o espírito, espiritualiza-se. Se ama a carne, materializa-se. As duas leis da gravitação podem ser comparadas a uma encosta. Se o homem sobe por meio do seu esforço e autodomínio, obedece à primeira lei. A segunda é o precipício, onde se cai fatalmente sem energias defensivas.
No egoísmo, o ego é centro de tensão, preocupação e satisfação, enquanto que aos outros se oferece a circunferência. De forma a podermos desenraizar o eu, e colocá-lo na circunferência, de forma a levar-mos uma vida consagrada toda ao sacrifício, os outros têm de ser localizados no centro. Para isto, porém, é necessário domesticar os impulsos errantes, matar em nós toda a tendência para o que é baixo, por vezes disciplinar até as mais legítimas satisfações. A vida pode então atingir um ponto em que, em vez de serem os outros o centro, é Deus que começa a sê-lo. Nesta altura, o ser humano começa a ser utilizado pelo Omnipotente como instrumento Seu. Assim como um lápis escreve seja o que for que a pessoa dita, assim a pessoa inteiramente consagrada a Deus é instrumento do poder divino. Se o lápis se voltasse contra a mão que o segura, a sua eficácia correria perigo. As obras máximas na terra são executadas por aqueles que totalmente se entregam à vontade de Deus, em sacrifício absoluto, de forma que nos seus pensamentos, palavras e acções só o poder divino se manifesta.
O desejo de erguer-se a alguma coisa de superior acaba por dar a morte a tudo que é inferior. Se as cordas de um violino pudessem ser conscientes, no momento em que o violinista as repuxa, gritariam de dor e agonia em protesto vibrante. Então o violinista teria de lhes assegurar que só submetendo-se a esta disciplina momentânea poderiam executar as mais belas melodias escondidas dentro delas. Se a um bloco de mármore fosse concedida consciência, gritaria de angústia ao ver aproximar-se o escultor com martelo e cinzel. Escondida dentro de cada bloco de mármore existe uma imagem, mas, precisamente como é impossível fazer surgir essa imagem sem retalhar, matar e sacrificar, assim é impossível ver aparecer a Divina Imagem, oculta em cada um de nós, sem ser à custa de cortes e mortificações. Tal como uma árvore dá melhor fruto depois de podada, assim a criatura produz mais e melhor se nela vier esculpir-se a cruz. O solo no outono e no inverno fica coberto de folhas podres, hastes e raízes, mas tudo isto produz o que é conhecido como húmus, ou antes matéria que vivifica a terra.Graças a esta morte, salpicando o chão, novas folhas, novas raízes, novas hastes surgem, cada vez em maior abundância. Como Francisco Thompson disse:

‘Nada começa e nada acaba
Sem seu preço de sofrimento.
Todos nós nascemos da dor alheia,
E morremos na angústia só nossa. ’

Muita gente vive abaixo do normal; se soubessem, se fossem assaz fortes para viver segundo a lei do sacrifício, começariam a exercer um autodomínio e, tornando-se senhores, capitães do próprio destino, achariam aquela paz que ultrapassa todo entendimento.

(O negrito é nosso)

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Referência Bibliográfica:

SHEEN, Fulton. A Vida Faz Pensar. Trad.: Maria Henriques Osswald.  Porto: Editora Educação Nacional, 1956. 280 pg.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pequena Introdução à Filosofia


“A última palavra da razão sobre si mesma é o reconhecimento de um vazio que só as promessas cristãs poderão preencher.” 
(Pe. Leonel Franca)


 Por Saulo Eleazer

        Filosofia (etimologicamente philos sophias) é um amor à sabedoria que se objetiva na busca da Verdade à luz do Logos; uma disciplina da razão construída com processos demonstrativos de ordem intelectual. De acordo com a história, Pitágoras de Samos (± 580 – 500 a.C.) fora o primeiro a utilizar-se desta nomenclatura. Certa feita, aclamado como “sábio”, julgou-se indigno desta denominação. Pedira, então, para ser chamado, tão somente, “amigo do saber”. Esta postura, do pré-socrático revela-nos duas características essenciais num filósofo: humildade e perseverança.

        Antes, porém, de aprofundar o sentido desta ciência, é necessário ter em mente alguns dados fundamentais. Prescindir de certas informações basilares poderia nos levar a conclusões errôneas e perigosas.
        A realidade compreende duas zonas (ou ordens) especificamente unidas e intercomunicadas: uma “Natural”, acessível às luzes da razão, e outra “Sobrenatural”, cognoscível pela Divina revelação. A esta corresponde, obviamente, um conhecimento sobrenatural, a fé[1]; enquanto que àquela corresponde um conhecimento natural: estamos aqui no terreno próprio da Filosofia.

        Ora, Deus é autor de ambas as ordens, portanto, não pode haver jamais qualquer incompatibilidade ontológica entre elas. Assim como a realidade natural se submete à sobrenatural, de igual modo, o conhecimento filosófico (e o conhecimento natural como um todo) deve subordinar-se ao conhecimento sobrenatural, mantendo, entretanto, sua devida autonomia nos limites essenciais que lhe são próprios.

        Embora a filosofia possua certa autonomia na medida em que reconhece como sua a consideração e o estudo das coisas criadas como tais (isto é, sua natureza e causa), não pode, no entanto, contradizer as afirmações dogmáticas da fé cristã. [2] Esta deve ser tomada, isto sim, como regra do procedimento correto da razão, pois, “Cristo iluminou a vida, e iluminando-a envolveu também a filosofia de claridades benfazejas.” [3] Assim, a Filosofia, este saber pelos supremos princípios, porque sustentada com elementos racionais, está submetida a uma sabedoria superior que lhe eleva e robustece.

        Como se percebe facilmente, em virtude dessa subordinação, a Filosofia longe de ser desfalcada ou prejudicada, recebe da fé (e, por conseguinte, da teologia) grandes benefícios. A fé não ensina ao filósofo filosofar, nem mesmo se intromete em seus domínios próprios para sinalizar-lhe em que ponto seu raciocínio se extraviou, mas, ao contrário, se limita, tão somente, a indicar-lhe seu erro incompatível com a verdade que ela sabe ensinar com toda certeza. É o próprio filósofo quem deve recomeçar seu caminho para encontrar o desvio ocorrido durante o percurso investigativo.

        Portanto, a Filosofia, ainda que especificamente distinta do conhecimento sobrenatural, ela, como expressão que é junto a este de uma realidade total (composta de natureza e sobre-natureza, intimamente unidos), forma com ele um saber onde ambos os setores se comunicam hierarquicamente para constituir a “Sabedoria Cristã”. Deste modo, preparando-nos racionalmente para o grande benefício da iluminação cristã, assimilando e desenvolvendo as suas riquezas investigáveis, a razão acompanha-nos sempre na vida como benfeitora e amiga.

Finalmente, no universo desta sabedoria, a verdadeira filosofia não cria a realidade; é, tão somente, seu arauto. Suas resoluções são conforme as exigências do ser, assim como, da natureza de nossa inteligência; com efeito, seus conceitos se sustentam e terminam nos aspectos distintos da realidade extra-mental.


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Bibliografia:
_ ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mertrezou, 1960.
_ DERISI, Octávio N. Filosofia Moderna y Filosofia Tomista. Buenos Aires: Sol y Luna, 1941. 242 pg.
_ FRANCA, Leonel. A Crise do Mundo Moderno. 2 Ed.. Rio de Janeiro: José Olimpo, 1942. 302 pg.
_ RATZINGER, Joseph; D`ARCAIS, Paolo Flores. Deus existe? Trad.: Sandra Martha Dolinsky. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2009.
_ MONDIN, Battista. Curso de Filosofia. Os Filósofos do Ocidente. Vol.1. 2º edição. São Paulo: Paulinas, 1981. 232 pgs.


[1] A fé consiste num ato do entendimento submetido ao império da vontade com o auxílio da graça. Não confundir com o subjetivismo sentimentalista dos tempos hodiernos.
[2] Ao lado da doutrina revelada há um patrimônio de verdades acessíveis à razão no exercício natural de suas funções. Por exemplo, sem o auxílio da fé a razão humana é capaz de elevar-se a certo conhecimento de Deus e da lei moral. Existem, portanto, uma teodicéia e uma ética como disciplinas puramente racionais.
[3] FRANCA, Leonel. A Crise do Mundo Moderno. 2 Ed.. Rio De Janeiro: José Olimpo, 1942. Pág. 178.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

São João Crisóstomo - "Caminhos para entrar na vida eterna"

São João Crisóstomo
Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (cerca 345-407), bispo de Antioquia e de Constantinopla, doutor da Igreja

Sermão sobre o diabo tentador


Quereis que vos indique os caminhos da conversão? São numerosos, variados e diferentes, mas todos conduzem ao céu. O primeiro caminho da conversão é a condenação das nossas faltas. "Aviva a tua memória, entremos em juízo; fala para te justificares!" (Is 43,26). E é por isso que o profeta dizia: "Eu disse: «confessarei os meus erros ao Senhor» e Vós perdoastes a culpa do meu pecado" (Sl 31,5). Condena pois, tu próprio, as faltas que cometeste, e isso será suficiente para que o Senhor te atenda. Com efeito, aquele que condena as suas faltas, tem a vantagem de recear tornar a cair nelas...


Há um segundo caminho, não inferior ao referido, que é o de não guardar rancor aos nossos inimigos, de dominar a nossa cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque é assim que obteremos o perdão das que nós cometemos contra o Mestre; é a segunda maneira de obter a purificação das nossas faltas. "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós" (Mt 6,14).


Queres conhecer o terceiro caminho da conversão? É a oração fervorosa e perseverante que tu farás do fundo do coração... O quarto caminho, é a esmola; ela tem uma força considerável e indizível... Em seguida, a modéstia e a humildade não são meios inferiores para destruir os pecados pela raiz. Temos como prova disso o publicano que não podia proclamar as suas boas acções, mas que as substituiu todas pela oferta da sua humildade e entregou assim o pesado fardo das suas faltas (Lc 18,9s).

Acabamos de indicar cinco caminhos de conversão... Não fiques pois inactivo, mas em cada dia utiliza todos estes caminhos. São caminhos fáceis e tu não podes usar a tua miséria como desculpa.

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 Montfort Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=oracoes&subsecao=meditacoes&artigo=caminhos_vida
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terça-feira, 29 de março de 2011

Fulton J. Sheen – Sobre o Egoísmo




“Resoluções morrem novas, como acontece aos bons.”

“Primeiro jejum, depois a festa.”

“O amor por nós próprios é o começo de um romance que dura a vida inteira.”  (Oscar Wilde)


Por Saulo Eleazer
     Graças a Deus, a Igreja Católica tem podido oferecer ao mundo excelentes autores. Um deles é Fulton Sheen.
No texto abaixo, o escritor nos apresenta interessantes reflexões que – acreditamos - muito ajudarão nossos leitores. Oportunamente teremos o prazer de disponibilizar aos amigos do blog outras reflexões do mesmo autor por nós indicado.

Maria Santíssima, rogai por nós!

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CAPITULO XIX

“A Característica da criança é a ausência de qualquer intervalo entre o desejo e a sua satisfação. Logo que uma necessidade, um ímpeto se apoderam do espírito da criança, logo ela procura satisfação imediata. Esta é uma das razões por que as crianças choram com tanta facilidade. Quando essa característica se mantem na vida do adulto – muitas vezes assim sucede – podemos realmente chamar-lhe infantilidade. Observa-se isto, sobretudo em adultos que, quando sentem a necessidade de fumar um cigarro, ficam infelizes até satisfazerem o seu desejo. Quantas pessoas haverá no mundo, capazes de negarem a si próprias a satisfação de fumar um cigarro, só como prova de autodomínio, ou porque desejam oferecer o mérito do sacrifício pelo amor de Deus e pelos pecadores do mundo? 
Todo ser humano é propenso ao egoísmo. Oscar Wilde disse uma vez: ‘O amor por nós próprios é o começo de um romance que dura a vida inteira. ’ O egoísmo pode manifestar-se na jactância, na vã vaidade em procurar o melhor lugar à mesa, em aborrecer os outros – porque um massador já foi descrito como o homem que nos priva da solidão, sem jamais servir de companhia. Nunca se viu pessoa alguma que monopolizasse a conversa, sem correr o risco de a tornar monótona. Uma rapariguita, numa festa, ao ver outra convidada mesmo na sua frente pegando numa fatia de bolo, exclamou: ‘Que gulosa tu és; pegaste na fatia maior! Era a que eu queria para mim’.
Quando os excessos começam a manifestar-se, pouca gente há capaz de tomar a resolução de contrariar os seus desejos; todavia a resolução é a única coisa mais forte ao nascer do que em qualquer outra altura. As resoluções morrem novas, como acontece aos bons. O egoísmo manifesta-se por meio do orgulho, ambição, luxúria, gulodice, inveja e preguiça. A idéia básica desta filosofia é que devemos satisfazer todas as nossas vontades a todo o momento, e, já que este mundo é a única coisa que possuímos, devemos extrair dele quantos prazeres nos for possível obter.
Devemos lembrar-nos que existe outra filosofia ao lado do egoísmo. Esta outra filosofia pode resumir-se toda no princípio: primeiro jejum, depois a festa. A filosofia do egoísmo dá a primazia à festa, e deixa para o dia seguinte as renúncias e os lamentos. A filosofia do autodomínio crê no autodomínio, isto é, crê que cada um pode e deve ser capitão e senhor do próprio destino, se tiver vontade firme. A filosofia do egoísmo significa que só os outros devem se mandados. Formas externas de escravidão, tais como maus hábitos, propensão excessiva para as bebidas, acabam por fazer prisioneiro o eu, pois não existe unidade interna para opor ao exército invasor. Logo que a tentação se apresenta, a personalidade sucumbe.
A melhor definição da filosofia da autodisciplina e do autodomínio é-nos dada por Nosso Senhor, a quando duma visita feita pelos Gregos. Os Gregos não se dedicavam à filosofia do prazer como acontece com a nossa civilização ocidental; em todo caso não podiam compreender sacrifício ou amor, capazes de sofrimento em busca de um lucro maior, todo espiritual; o seu sistema desconhecia os dois extremos. Aproximaram-se primeiramente de Filipe, talvez por este vir de uma cidade que havia sido influenciada pela civilização grega, talvez também porque o seu nome era grego. Diziam os gregos qual seu desejo de ver Nosso Senhor. Por sua vez, Filipe comunicou este desejo a André, detentor também de um nome grego. Houve então uma conferência entre os dois apóstolos com nomes gregos. Não sabemos qual o motivo por que os Gregos ousaram pretender ver Nosso Senhor. Pode ser porque Ele dissera que o templo seria casa de oração ‘para todas as nações’. Resolução tão revolucionária deve ter agitado os Gregos, que escutaram um dia estas palavras de Alexandre: ‘Deus é pai comum de todas as nações. ’ Não sabemos precisamente por que motivo queriam encontrar-se com Nosso Senhor, mas é-nos lícito supor que vinham solicitar a resposta que Ele lhes deu.
Provavelmente, disseram-lhe que anteviam para Ele cólera, crescendo cada vez mais, ira e decerto a morte à Sua espera. Pode ser que Lhe dissessem: ‘Se ficardes aqui, morrereis e a vossa vida como Mestre em breve terminará. Vinde para a nossa grande cidade de Atenas, a cidade dos homens sábios. Só uma vez matamos um dos nossos mestres, Sócrates, e nunca mais deixamos de lamentar essa morte. Se vierdes connosco é bem natural que organizareis um estado como o de Sólon ou abrireis uma escola de Peripatéticos, como fez Platão, tão grande é a vossa ciência, ou então podereis fazer reviver e criar dramas à moda de Ésquilo. Todos os conhecimentos, toda filosofia, tudo o que é intelectualidade no mundo veio a nós. Vinde connosco. Sentai-vos no Areópago e viveremos a ouvir-vos. ’
Eis decerto o teor das palavras dos Gregos, pois Nosso Senhor respondeu-lhes assim: ‘ Para o Filho do Homem chegou o momento de concluir a obra da sua glória. Acreditai-me, quando vos digo: um grão de trigo tem de se sepultar na terra e morrer, ou nunca será mais do que um grão de trigo; mas, se morrer, dará rico fruto. Aquele que ama a sua vida perdê-la-á, aquele que desprezar a própria vida neste mundo salvá-la-á, e viverá eternamente. ’ Nosso Senhor disse aos Gregos: ‘Vós não desejais que eu permaneça aqui; quereis que salve a vida. E eu digo-vos que há duas coisas que podeis fazer a uma semente. Podeis comê-la ou podeis semeá-la. Se a comerdes, dar-vos-á um prazer momentâneo. Se a semeardes, sofre, é crucificada, é enterrada na terra; mas multiplica-se e ressurge numa vida nova. Deixai que vos diga que me considero a semente. Não vim ao mundo para viver; vim para morrer. A morte para o vosso Sócrates foi um obstáculo; interrompeu os seus ensinamentos. Para mim, porém, a morte é o alvo da minha vida; é o alvo que procuro. Sou o Único que jamais viveu a vida de trás para diante. Vim para morrer como a semente; assim como vós admirais o homem que dá a vida voluntariamente para salvar um outro homem de morrer afogado, também eu vim para morrer, de maneira a poder salvar a humanidade. Eu não sou um homem como os outros; sou Deus e homem. Não sou um Mestre. É por isso que me convidas para que eu vá a Atenas ensinar. Mas eu sou essencialmente o Salvador, o Redentor. É possível que tenhais escutado o Sermão da Montanha e agora desejásseis ouvir pregar em Atenas esta sabedoria. Não sabeis que existe íntimo e absoluto parentesco entre a montanha das Bem-aventuranças e o Monte do Calvário?’
‘Que venha alguém a um mundo freudiano e diga: ‘ Bem-aventurados os limpos de coração’, e será crucificado. Que venha alguém ao mundo atômico e diga: ‘ Bem-aventurados os mansos’, e trespassar-lhe-ão mãos e pés com cravos agudos. Que venha alguém ao mundo endoidecido à busca do prazer, e diga: ‘Bem-aventurados os que sofrem perseguições’, e coroá-lo-ão de espinhos. Não vos vanglorieis que me pouparíeis a vida se eu fosse para Atenas; dentro de um ano, a minha sentença de morte estará escrita em grego sobre minha cruz. A morte não será, porém a morte. Ninguém pode tirar-me a vida. Sou eu que me despojo da vida. Enquanto viver, a minha existência é semente por plantar, valiosa em mim, mas quando, como semente for plantado no terreno do Calvário, então desenvolver-me-ei em novas vidas, em aumento sempre constante. Este aumento não virá a despeito, mas sim em virtude da minha morte, que será seguida pela Ressurreição. Esta é a minha glória. ’”


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(O negrito é nosso)
Referência Bibliográfica:

SHEEN, Fulton. A Vida Faz Pensar. Trad.: Maria Henriques Osswald.  Porto: Editora Educação Nacional, 1956. 280 pg.




quarta-feira, 23 de março de 2011

Reflexões Acerca da Noção Tomasiana de Homem





Nota Prévia:
O autor do texto abaixo aborda a temática em seus aspectos mais gerais, dando ênfase porém, a aspectos filosóficos. Certas “sub –temáticas” , digamos assim, que se vão surgindo no decorrer da exposição serão aprofundados em trabalhos posteriores. 


Por Fr. R. G. Santos

INTRODUÇÃO

O objetivo do presente texto é compreender a noção “tomasiana” do homem em seus aspectos gerais, de caráter mais otimista, sobretudo no que se refere à matéria, esclarecendo, com relação a tal assunto, alguns  conceitos fundamentais, a partir de pontos oriundos de algumas de suas obras. Ao final perceber-se á o quão positiva é a análise que faz o “aquinate” do homem, retomando e até aperfeiçoando, à luz das noções de criação e de finalidade, a reflexão aristotélica acerca da temática.

O ARISTOTELISMO NA FILOSOFIA CRISTÃ E O ROMPIMENTO COM CERTA TRADIÇÃO PLATÔNICA

Devido a uma série de fatores, é o século XIII tido como o período  áureo do “medievo” em todos os âmbitos,  sobretudo em termos de produção filosófica. Alguns, como por exemplo Realle e Antisseri (1990), chegam a dizer que o mesmo é período fundamental de toda a filosofia.
O fato é que realmente esse século foi de profunda intensidade intelectual. E a reflexão “tomasiana” representou uma “novidade” no contexto de seu surgimento por conta do ponto de partida aristotélico que dá às suas especulações, que toma vulto notório nos tempos de Tomás. A esse respeito, diz-nos Realle e Antisseri (1990, p. 532) que “do ponto de vista mais propriamente cultural, o acontecimento filosófico de maior relevo no século XIII é constituído pelo conhecimento e a lenta difusão do pensamento de Aristóteles, tanto no que diz respeito à física como a metafísica”.
O ilustre dominicano, nesse sentido, acompanha os rumos tomados por sua escola, que segundo análise de autores como Sciacca (1967), tentam valer-se do aristotelismo para, “cristianizando-o”, defender com maior ênfase a ortodoxia cristã.
Entrementes, convém nesse momento estabelecer esse nexo que “une” Tomás e Aristóteles em termos práticos. De que termos aristotélicos o “aquinate” lança mão para erigir sua noção de homem? Podemos citar aqui vários termos, sobretudo de ordem metafísica. Entre eles, nos interessa de modo especial nessa reflexão destacar, além da noção de ser,  as  de forma, essência e substância, além de um termo angular para o trabalho que ora nos propomos realizar: o “sínolo”.
É este o composto de matéria e forma que constitui, obviamente, uma só substância composta. Em Aristóteles, a forma concede o ser das substâncias compostas em sentido mais pleno do que a matéria. No homem, a alma corresponde à enteléquia, que pode ser entendida como “realização”. Nesse sentido, e comentando o estagirita, Realle e Antisseri (1990) vão salientar que enquanto essência e forma do corpo, a alma é ato e enteléquia no corpo e, em geral, todas as formas das substâncias sensíveis são ato e enteléquia.
Tal concepção unitária do homem, levando em conta a matéria de modo mais positivo, abre caminho para um rompimento com o dualismo, então vigente em certas escolas medievais que, segundo Japiassu e Marcondes (1996, p. 75), é a “(...) doutrina segundo a qual a realidade é composta de suas substâncias independentes e incompatíveis.” Nesse ínterim, e acentuando a tendência dualística platônica, à qual Aristóteles começa por estabelecer rompimento, e que predominara em muitos autores pagãos posteriores e até em pensadores cristãos, Dutra (1996, p. 10) vais salientar que no ateniense a dicotomia era estabelecida entre o “mundo do Ser: das formas, conceitos e idéias eternas (e o) mundo do Vir-A-Ser: dos particulares transitórios, das aparências”.
Como vimos acima, assumir a noção aristotélica não foi, por certo, uma “ocasionalidade” em Tomás, visto que tal “assimilação” dá largas a uma interpretação mais positiva do homem enquanto ser criado por Deus, que é essencialmente bom e, mais do que isso, é a própria bondade. Com efeito, diz Santo Tomás (1990 p. 80) que “ser em ato é, para cada coisa, o seu bem. Ora, Deus não é só ente em ato, como também se identifica com seu próprio ser (...). Logo, Deus é a própria bondade e não somente bom.”
Sendo Deus bom por excelência, sua obra só pode ser boa, mesmo que por participação. O homem, enquanto ser composto de matéria e forma (corpo e alma), é criatura de Deus. Logo, é inteiramente bom em todos os seus aspectos.
Aqui o “aquinate” rejeita claramente uma tendência platônica que vigorava, (da qual já começamos por aludir acima) ainda que de modo mitigado, em muitos pensadores cristãos de seu tempo. Tal tendência consiste em conceber o homem numa perspectiva dualista.
Com efeito, o dualismo platônico tomava a matéria em termos negativos, sendo obra de um deus mal. As almas se unem aos corpos em caráter de punição. É portanto uma visão dicotômica da relação alma e corpo. A esse respeito,  Realle e Antisseri (1996) afirmam que, de acordo com a reflexão platônica,  o corpo é visto não tanto como receptáculo da alma à qual deve vida juntamente com suas capacidades de operação, mas sim o contrário, é entendido como “tumba”, como cárcere da alma.
Vê-se assim que Aristóteles, com uma concepção mais positiva da relação matéria e forma, no entendimento das substâncias compostas, poderia ser utilizado com mais tranquilidade pelo doutor angélico em sua elaboração.

CONCEPÇÃO METAFÍSICA

A obra o Ente e a Essência, pertencente ao “corpus tomisticum”, aborda sobretudo questões de fundo metafísico. Nela percebe-se o vigor especulativo do “aquinate” e de modo especial, sua tendência à síntese e ao rigor na precisão das questões. Dentre essas, vale destacar, em nosso estudo, as referências à noção de homem.
Tomas vai dizer que a essência do homem é sua humanidade, que significa aquilo em virtude do que o homem é homem e não outra coisa. Tal entendimento é abstraído do homem concebido num sentido unitário, já que, segundo o “aquinate” (1996, p. 29), “(...) não é somente matéria nem forma que determinam, por si sós, o ser do homem, mas sim a união dos dois. A esse respeito, diz que “(...) é necessário, em virtude da qual uma coisa se denomina ente, não consista só na matéria ou só na forma, senão nas duas juntas, embora só a forma seja cousa, a seu modo, de tal se ou essência”.
Com relação à matéria (corpo) no homem, ou melhor, em sua noção universal, devemos considerá-la enquanto matéria “não signada”, visto que é entendida não numa concepção particular e concreta, mas sim enquanto integra a noção conceitual apenas.
A alma, enquanto princípio que informa o corpo e com ele compõe a noção de homem, é simples, ou seja, espiritual e portanto incorruptível. Tal idéia Tomás a define com o seguinte raciocínio (1990, p. 257): “(...) nenhuma substância intelectual é composta de matéria e forma, Logo, nenhuma substância intelectual é incorruptível”.

FIM ÚLTIMO DO HOMEM EM TOMÁS

Vimos até aqui a exposição acerca da constituição do homem na perspectiva de sua identidade, a saber, daquilo que ele é de fato. Doravante, passaremos a analisá-lo na perspectiva de sua mais profunda vocação ontológica. Iremos destacar, assim, sua razão de ser, sua finalidade, segundo a reflexão do “aquinate”.
Nesse sentido, devemos salientar que, em primeiro lugar, ele é ser criado. E criado por um ser pessoal, boníssimo em si mesmo. Esse ser é Deus. Ele criou do nada todas as coisas, concedendo-lhes o ser.
Além de criar, o Princípio Supremo sustenta e mantém amorosamente todas as coisas por sua providência. Esta, segundo o próprio “aquinate”, (1977, p. 160),  “(...) dirige as coisas conforme o modo de cada uma.” Assim sendo, cuidará de cada criatura, conforme seu modo peculiar de existir. Logo, ao homem cabe um cuidado próprio e generoso por parte de Deus, visto que ele (homem) possui racionalidade e liberdade.
Sendo racional e livre por excelência, o Ser supremo, ao criar o homem, ao conceder-lhe o ser, o fez com vistas a um fim. E aqui o “aquinate” parece demonstrar todo seu otimismo com relação à sorte do homem. Diz (1997, p. 166) que “a consumação do homem consiste na consecução do último fim, que é a beatitude perfeita”. Esta seria a felicidade, que segundo o próprio doutor angélico, reside na união plena com Deus , o que ele chama visão beatífica, ou de Deus mesmo.
Mais adiante, em sua obra compêndio de teologia, (1997, p. 166) ele se propõe a pormenorizar os detalhes desta união ao dizer que a visão divina se atinge “(...) pela imutabilidade da inteligência e da vontade. A inteligência atinge então a imobilidade, porque, chegando à visão da causa primeira, na qual todas as coisas podem ser conhecidas, cessa a sua função inquiridora. Cessa a mobilidade da vontade, porque, tendo ela atingido o fim último, no qual está contida a plenitude de toda bondade, nada mais resta a ser desejado”.
Esta é, logo, a finalidade do homem em Tomás: Atingir, por virtude divina, é bom ressaltar, a visão beatífica. Em sua existência, o homem deve agir com vistas à união com Deus. Tudo o que faz deve tender ao bem.

CONCLUSÃO

Foram estas as reflexões que, a nosso simples e limitado ver, se fizeram necessárias acerca da temática em questão. Vimos que Santo Tomás, iluminado pela luz da mensagem de Cristo na revelação, e guiado, no campo da especulação natural, pela doutrina aristotélica; chega a uma noção altamente interessante do ser humano. Fugindo do dualismo, o concebe de forma unitária e harmônica, ressaltando o valor notável da sua dimensão corpórea, material, hoje tão tristemente esquecido por muitos grupos que inclusive atuam na Igreja Católica... Por fim, à luz do conceito cristão de criação, postula para o homem um fim sobrenatural a colimar, a saber, a visão do Eterno, que começa na busca de Sua glória nesta vida, e em Seu gozo na outra.

***
REFERÊNCIAS
AQUINO, S. Tomas de. Suma Contra os Gentios – Livros I e II. Trad.  D Odilão Moura. Porto Alegre: escola Superior de Teologia S. Lourenço de Brundes, 1990.
AQUINO, S. Tomas de. Compendio de teologia. Trad. D. Odilão Moura OSB. Rio de Janeiro: Presença, 1977.
AQUINO, Santo Tomás de. O Ente e a Essência. Trad.Luis João  Baraúna. Bauru: Nova Cultural, 1996.
DUTRA, Lucas  Vieira. O Dualismo Mente-Corpo: Implicações
Para a Prática da Atividade Física
Editora: CopyMarket.com, 2000
Acesso em: 05/10/10
JAPIASSU, Hilton,   MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar editor LTDA, 1996.
REALLE, Giovani, ANTISSERI, Dário. História da Filosofia – Antiguidade e Idade Média. 3ª ed. São Paulo: Paulus, 1990.
SCIACCA. Michel Frederico. História da Filosofia – Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Ed. Mestre Jou, 1962


segunda-feira, 21 de março de 2011

São José, patrono da Pia




 Por Saulo Eleazer
 
     São José é um modelo sublime dos defensores de Nosso Senhor. Aquele que desejar tornar-se paladino do Corpo Místico deverá ter no esposo de Maria Santíssima a fonte de seus anseios, o alimento de suas pretensões. Se o fizer não falhará nesta santa empreitada.
O que escrevi?! “Esposo de Maria Santíssima”! Que graça! Que honra indizível! Quisera poder expressar em palavras louvores devidos por tal dignidade, porém, não o posso. Acredito que nem mesmo os anjos poderão  fazê-lo devidamente.
Portanto, para honrar a São José, tentando condensar numa frase esplendores incalculáveis, basta repetirmos o imponderável: “Salve, esposo de Maria!” Então, os anjos se “comoverão”, e, ele, no silêncio adorador de sua alma, explodirá em louvores por tal dádiva.
Realmente, que esposa! Rainha dos céus, Rainha da terra, e, para abafarmos todas as outras dignidades: Mãe de Jesus Cristo, o Deus encarnado! É glória demais para simples criaturas! Uma, é Mãe do próprio Deus, a outra criatura, esposo desta mesma Theotokos. Estamos perante realidades que transcendem a simples especulação humana; só Deus poderá elevar-nos à contemplação devida de tais mistérios.
Imaginem os senhores se pudéssemos observar, um segundo que fosse, a santa convivência deste casal! Os olhares, os sorrisos, as palavras... Enfim, todo e qualquer movimento, desde um simples bocejo, até um ósculo esponsal, este, puro e angélico; que magnífico seria! Suplicaríamos a Deus, entre lágrimas e gemidos, que nos deixasse ali por toda a eternidade.
Então, São José, porte ereto, viril, fitar-nos-ia com candura, a nós, discípulos de seu filho. Maria Santíssima se alegraria ao ver, a pesar de tanta miséria humana, o acanhado reconhecimento, por nossa parte, da grandeza de seu esposo. E, por fim, nos apresentaria o Divino Infante. Oh, Deus! Calemo-nos aqui.
Que poderia ser dito perante aquela criança extraordinária?Nada. Deus é para ser adorado.
Senhores, terminemos assim nossa reflexão: Calados.
Calados pela grandeza do menino.
Calados pela grandeza de sua Mãe.
Calados pela grandeza de São José, esposo de Maria Santíssima. E, nem falamos de sua paternidade...

São José, esposo de Maria, rogai por nós!



sábado, 12 de março de 2011

Introdução ao Teosofismo



“... Satanás e os outros demônios... tentam associar o homem à sua rebelião contra Deus...”[1]



Por Saulo Eleazer

     A Teosofia, no entender de Helena Petrovna Blavatsky, é a sabedoria divina, eterna, que, periodicamente, é reapresentada aos homens, adaptada à época e às condições espaciais. [2] Afirma-nos D. Estevão Tavares Bettencourt, que ela distingue-se da Teologia, pois, esta é o discurso (logos) sobre Deus (Théos), conhecido à luz da fé, enquanto que, ao contrário, a teosofia (Sophia = sabedoria), viria a ser, como dizem, o conhecimento de “deus” recebido por iluminação reservada a poucos... [3]
Vê-se ai o quanto dista do cristianismo esta doutrina perversa e estapafúrdia. Pretende reacender “a chama dos antigos, voltando-se para o mistério, a magia, a cabala e a alquimia.” [4], entre muitos outros delírios esotéricos. Pode-se afirmar, com toda certeza, que ao estudarmos as teses da teosofia deparamo-nos com um emaranhado de doutrinas ocultistas, onde gnose e panteísmo dialogam buscando a mais agradável convivência no terreno de um indiscreto satanismo. 
Encontramos em vários livros as mais desencontradas informações referentes à origem da teosofia, assim como, sobre os dados biográficos de suas fundadoras (H. Blavatsky e Annie Besant). Nosso principal objetivo, entretanto, é apresentar a doutrina delirante dessa Sociedade esotérica. Que esta introdução sirva, tão somente, para localizarmo-nos, um pouco que seja, no universo desta área de pesquisa. Em todo caso, é muito ordinária a confusão de informações em assuntos ligados à charlatanice e a bilontragem.

Que Maria Santíssima seja o auxilio nas lutas contra o erro que se propaga em nosso tempo.

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História do Teosofismo

Teosofismo[5]

 A história do teosofismo confunde-se com a das duas fundadoras: Blavatsky e Annie Besant. Helena Petrovna de Hahn, nascida na Rússia (1831), casada aos 18 anos com o general Nicéforo Blavatsky, que já passava dos 60, abandonou-o cedo para, em companhia do mago Paulos Metamon, correr a Grécia e o Egito. Descoberta nas fraudes espíritas do ‘Clube dos Milagres’ que abrira no Cairo, partiu para Nova Iorque onde, auxiliada pelo jornalista H. S. Olcott, fundou a Sociedade Teosófica (17 nov. 1857), encarregada de espalhar a doutrina dos ‘mestres espirituais do mundo’, os mahatmas. [6] Enérgica, dotada de apreciáveis faculdades de médium, Blavatsky começou a propaganda da Sociedade, que reunia, num só corpo, as principais tradições do ocultismo, das filosofias hindus, da mitologia, da magia e do espiritismo. Estabeleceu o santuário central em Adiar, na índia, preferindo morar em Londres. Dois dolorosos insucessos precipitaram a morte de Blavatsky. O primeiro foi o desmentido feito pela célebre Sociedade de Investigações Psíquicas, de Londres, após um inquérito científico acerca das problemáticas ‘maravilhas’ que Blavatsky afirmava realizarem-se em Adiar. Outro golpe recebeu a Sociedade quando se descobriu que as mensagens atribuídas aos mahatmas não eram senão fabricadas inteiramente pelo americano W. S. Judge.
A alma, porém, e a voz mais autorizada da Sociedade, foi a inglesa Annie Wood (nac. 1847), casada com o ministro anglicano Frank Besant. ‘Acostumada a viver em completa liberdade, impulsiva e briosa como Lúcifer’, disse ela em sua biografia, pouco depois abandonou sua fé cristã e seu marido. Após dez anos de pregação do mais deslavado materialismo e maltusianismo, de parceria com o ateu Bradlangh, a que acabou também abandonado, em 1882, Besant encontrou-se com Blavatsky, em Londres, e seguiu-a. Filiada à Maçonaria, Besant em 1893 partiu para Adiar, onde procurou realizar o seu programa de restaurar e elevar as antigas religiões hindus, provocando o nacionalismo desses povos. Com a morte de Olcott, feita presidente da Sociedade, começou suas viagens triunfais pela Europa. Breve, porém, vários fracassos forçaram o declínio da nova estrela. Obcecada pela idéia de revelar o indivíduo em quem devia estar reincarnado um dos ‘grandes instrutores do mundo’, Besant escolheu, em Londres, um menino que afirmava ser Pitágoras reencarnado e o confiou a Leadbeater. Tão inconfessáveis, porém, foram os processos de Leadbeater no seu mister, que o pai do iniciado retirou o filho e o Congresso Teosófico de Paris, em 1906, exigiu a exclusão do educador. Carecendo, porém, da virtuosidade oculta de Leadbeater, para o êxito da campanha messiânica que projetava, Besant obteve, dois anos depois, a sua reinclusão na seita, a despeito do voto contrário das seções alemãs chefiadas por Steiner, o mais sério rival de Besant. De acordo com Leadbeater, Besant começou, em 1908, a iniciação de outro jovem, um hindu de 13 anos, Krishnamurti, a quem, como Mizar, adotou como filhos, chamando o primeiro Alcion, e apresentou-o como Mestre e Messias. [7] Recusando-se a obedecer ao ingênuo Alcion, alguns teósofos europeus, chefiados por Steiner, provocaram um cisma na seita, acabando Besant por excluir da Sociedade toda a secção alemã (2.400 membros). A partir então de 1913 deparamos duas sociedades teosofistas: os teosofistas, presididos por Besant e os antroposofistas, às ordens de Steiner e chefiados na França pelo grande iniciador Ed. Schuré.
Prejudicada na índia e na Europa, Besant ensaiou nova estratégia para reconquistar a popularidade. Lançou-se, em 1913, na vida política da Índia lutando pela emancipação nacional. Tendo a Inglaterra, pelo ministro Montagu, reconhecido a Índia como um ‘Domínio’ autônomo, reuniu-se o Congresso Nacional: os Extremistas sob a égide de Gandhi, que reprovavam o projeto Montagu, e os Moderados, entre os quais Besant. Vendo em Gandhi o campeão da liberdade nacional, os hindus o aclamaram seu Mahatma, perdendo Besant toda a popularidade, a ponto de ser excluída da ‘Conferência da Mesa redonda’, convocada entre delegados indianos e ingleses, para uma nova constituição hindu. De ocaso em ocaso, Besant veio a sofrer o mais profundo golpe com a proclamação de Krishnamurti. Impressionado com a morte de seu irmão, que com ele tinha sido enviado a Oxford, Krishnamurti recusou-se a exercer o papel que sua mãe adotiva lhe confiou e declarou que não era de modo algum o Messias; considerava mesmo toda religião como negócio puramente individual e detestava toda a organização de sociedades religiosas. Em 1929 Krishnamurti dissolveu a ‘Ordem da Estrela do Oriente’, fundada em honra do ‘Messias’. Acabrunhada e octogenária, Besant morreu aos 20 de setembro de 1933, em Adiar. Krishnamurti continua pelo mundo a pregar sua ‘filosofia’ e a Sociedade Teosofista, que teve há pouco como vice-presidente Jinarajadasa, está acéfala. [8]
Ao que nos consta, hoje os teosofistas ultrapassam 100 mil, em todo o mundo. Possuem eles seus templos e organizam suas sociedades secretas, lojas, a cujas reuniões só os iniciados assistem.

(Pg. 98-100)

(P.S.: Tivemos a liberdade de omitir algumas notas de rodapé que julgamos desnecessárias. O negrito é nosso.)


Referencia Bibliográfica:

SALIM, Dr. Emílio. Apologia do Catolicismo. 2º Edição. São Paulo: Editora Vozes, 1944. 472 pg.





[1] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2oo5. Pag. 41.
[2] BLAVATSKY, H. P. A Doutrina Secreta. Síntese da Ciência, da Religião e da Filosofia. Vol. IV.  Trad. Raymundo Mendes Sobral.  São Paulo: Pensamento.
[3] BETTENCOURT, Estevão Tavares. Crenças, religiões, igrejas e seitas: quem são? 2º  Edição.  São Paulo: O Mensageiro de Santo Antônio, 1995. Pág.140.
[4] BLAVATSKY, H. P. A Doutrina Secreta...
[5] Não confundir Teosofia com teosofismo. A palavra teosofia, já usada no século XVI, denominava doutrinas bem diversas, concepções mais ou menos esotéricas, de inspiração religiosa e base cristã. Tais são as doutrinas de certos iluministas como Jacob Boehme, Swedenborg, Jane Lead e outros filósofos do séc. XVIII.
[6] Que são os mahatmas, de quem tanto falam os teosofistas? Segundo Blavatsky e seus sequazes, os mahatmas são uma espécie de jerarquia oculta que governa o mundo secretamente. Super-homens vivos, dotados de raras faculdades, como a de conhecer o pensamento alheio, comunicam-se com outros mestres e discípulos, onde quer que estejam, etc. Tendo atingido, em anteriores reencarnações, o supremo grau da espiritualidade, seu lugar próprio seria o céu, mas, zelosos da felicidade humana, habitam nas regiões inacessíveis do Tibete e dali transmitem as ordens divinas aos diretores da Sociedade Teosófica. Seria perder tempo pretender provar que os mahatmas, assim como os pintaram os teosofistas, só existem em sua fantasia.
[7] Indignado com os processos de Besant e Leadbeater, o pai de Krishnamurti moveu-lhes um processo, para obter a restituição do filho. Achando em regra os documentos relativos à adoção de Krishnamurti, o tribunal de Madras negou ao pai o direito de reaver o filho.
[8] As Sociedades Teosofistas Brasileiras que aguardavam, com explicável ansiedade, a visita de Krishnamurti ao Rio e S. Paulo, em abril de 1935 passaram por um desapontamento indescritível, ouvindo as idéias expendidas por esse a quem, obstinadamente, ainda querem chamar ‘Messias’.