quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Homossexualismo segundo o Catecismo da Igreja Católica

CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE

2357 A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.

2358 Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.

2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Para saber mais sobre o assunto, clique nos links abaixo:

Bíblia e Homossexualismo
http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ESTEVAO&id=deb0042


A Psicologia Subjacente das Tendências Homossexuais
http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ENTREVISTA&id=ent0019

A Igreja e o Homossexualismo
http://www.veritatis.com.br/article/1580

Angustiado, leitor com tendência homossexual pede ajuda
http://www.veritatis.com.br/article/4979

Católico com tendência homossexual pede auxílio
http://www.veritatis.com.br/article/4918

terça-feira, 13 de maio de 2008

Confiança em Nossa Senhora

Comovente história que testemunha como é grande a ação providencial e amorosa de Nossa Senhora. Que possa tal testemunho inundar-nos de profunda confiança em Maria Santíssima - que é chamada de "Onipotência Suplicante"-,e tudo pode diante de Deus em nosso favor.




Nossa Senhora não o abandonou

Um Bispo da Escócia perdeu-se, certo dia, na floresta. Depois de andar muito tempo sobreveio-lhe a noite. Uma luzinha guiou-o a uma casa pobre, habitada por gente piedosa.
Receberam o hóspede, sem saber quem era, pois o Bispo estava envolvido em grande manto. Esse também não sabia se os habitantes desse lar eram Católicos ou protestantes.
O Senhor Bispo notou que reinava tristeza em casa. Perguntou o que havia. Disse-lhe a dona da casa que o pai, já muito idoso, estava gravemente doente, e o pior era que não queria se convencer de que morreria. Por isso não se preparava para receber a morte.
“Posso vê-lo?” Disse o Bispo.
“De boa vontade,” tornou a senhora. E introduziu o ilustre visitante no quarto do enfermo.
Depois de conversar amigavelmente durante minutos, procurou levá-lo ao pensamento da morte. Mas o bom homem pareceu recuperar todo o vigor e, elevando o corpo da cama exclamou:
“Não, não morrerei!”
“Mas, meu amigo, lembre-se de que todos devemos morrer; e sua moléstia e sua idade...”
“Eu lhe digo que não morrerei. É impossível!” E por mais que o senhor Bispo procurasse persuadi-lo, sempre recebia como resposta: “Não morrerei!”
“Mas, afinal, falou o Bispo, pode dizer-me por que razão não pretende morrer?” A essa pergunta o moribundo pareceu enternecido e, lançando um olhar a seu interlocutor, indagou em tom profundamente comovido:
“O senhor é Católico?”
“Sou,” respondeu o outro.
“Neste caso,” volveu o doente, “posso dizer-lhe por que não morrerei... Desde a minha primeira comunhão nunca deixei de pedir diariamente à Nossa Senhora a graça de não morrer sem ter um Sacerdote à minha cabeceira na hora da morte. Pensa que minha Mãe do Céu poderá deixar de me atender? É impossível!...”
“Então, meu filho,” disse o Bispo, “foi atendido. Quem está a falar-lhe é mais que um Padre. É seu Bispo. A Santíssima Virgem trouxe-me através destas florestas para assisti-lo nos últimos momentos.” E abrindo o manto, fez brilhar os olhos do moribundo a cruz pastoral. Então o bom homem, em transporte de alegria, exclamou:
“Ó Maria! Ó boa Mãe, eu vos agradeço.” E o senhor Bispo confessou-o.
“Agora, sim, creio que vou morrer!”
Minutos depois da absolvição, rodeado de toda família, morreu como um santo.

*Texto retirado da internet, autor desconhecido; na foto, quadro de Nossa Senhora da Confiança

Oração

Lembrai-vos

Lembrai-vos, ó Piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer, que algum daqueles que tenha recorrido à vossa clemência, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por vós abandonado.
Animado eu, pois, com igual confiança, a vós, Virgem das Virgens, como Mãe recorro, de vós me valho e gemendo sob o peso de meus pecados, me prosto a vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas, ó mãe do Verbo de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo.
Amém.


segunda-feira, 12 de maio de 2008

Nietzsche

Por José Lino Currás Nieto

Em síntese: Filósofo cuja influência é marcante em nossos dias, Friedrich Nietzsche é conhecido por sua crítica à moral e à religião, por sua furiosa rebeldia contra os usos estabelecidos, e por sua exaltação do homem que quer valer-se por si mesmo. Aqui oferecemos um breve resumo de sua vida e das suas principais obras e uma curta análise da sua crítica à religião.

NASCIMENTO E PRIMEIROS ESTUDOS

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasce em 15 de outubro de 1844 em Rõcken, lugarejo da Saxônia perto de Leipzig. É importante assinalar desde já a tradição eclesiástica dos seus antepassados: não somente o seu pai foi pastor luterano, mas também os seus dois avôs, vários tios e alguns dos seus bisavós.
Quando o pai de Nietzsche morreu, a mãe, a irmã mais velha, Elisabeth, e ele, criança de poucos anos, deixaram Rõcken e mudaram-se para Naumburg. Não longe dessa cidade, na localidade de Pforta, o rapaz conseguiu uma bolsa para fazer os estudos de segundo grau. Na rígida escola daquela cidade, adquiriu os fundamentos da sua formação científica, a base do seu saber humanista e o domínio do latim e do grego. Apaixonou-se pela música, aprendeu a tocar piano e aprimorou a sua grande sensibilidade musical.
Mas ali despertou também o seu espírito rebelde, contestador dos valores recebidos, atitude que não abandonaria nunca. Criticava os métodos pedagógicos porque – pensava – não contribuíam para formar personalidades individuais, mas apenas homens-massa.
Sobretudo, porém, foi nessa época que nasceu nele a repulsa pela religião. Como veremos, o único cristianismo que Nietzsche conheceu foi o luteranismo do norte da Alemanha, ou seja, um cristianismo fortemente protestante nos seus postulados dogmáticos fundamentais: interpretação individual da Sagrada Escritura, desconfiança da razão e forte apelo aos aspectos emocionais como garantia da (que seria a única atitude humana capaz de ocasionar a salvação por parte de Deus), desconfiança radical da liberdade humana e conseqüente descrédito de todos os atos humanos, etc.
Na época do Nietzsche estudante, estava em voga no seio do luteranismo alemão a corrente chamada “protestantismo liberal” que, sob a influência da crítica iluminista do século anterior, chegava na prática a negar a divindade de Cristo e a transformar a religião cristã num conjunto de “bons sentimentos”. Essa atitude religiosa levou muitos pastores a perder a fé ou, pelo menos, a perder de vista a noção de um Deus pessoal. Nos meios populares, menos cultos, vigorava ainda o pietismo tradicional que, sem atacar as verdades básicas – a divindade de Cristo, a Redenção, a Santíssima Trindade –, identificava a fé com o sentimentalismo. Seja como for, o luteranismo em qualquer das suas vertentes será firmemente rejeitado por Nietzsche desde o início e com todas as suas forças.

ESTUDOS EM LEIPZEIG E ENCONTRO COM A FILOSOFIA

Numa confissão biográfica publicada no Ecce Homo, Nietzsche declara que nunca dedicou atenção aos problemas de Deus, da imortalidade da alma, etc. Diz:
“Deus, a imortalidade da alma, a salvação, o além, são puros conceitos aos quais eu não dediquei atenção nem tempo, nem sequer na minha mais tenra juventude, talvez por não ser suficientemente infantil para fazê-lo. Não considerava o ateísmo como um resultado, e menos ainda como um fato; para mim, o ateísmo é uma coisa instintiva. Sou demasiado curioso <...>, demasiado orgulhoso para contentar-me com uma resposta simplória. Deus é uma resposta simplória <...> para nós, os pensadores”(1).
Estas palavras surpreendem se recordarmos o ambiente permeado de religiosidade que rodeou os seus anos de infância e adolescência e o desejo que manifestou inicialmente de ser pastor. Parece que o nosso autor, para dizer o mínimo, interpreta de forma torcida o seu passado. Seja como for, o texto define o seu caráter, não já ateu, mas antiteísta (Nietzsche jamais tenta demonstrar que Deus não existe; quer que não exista, obriga-se a prescindir dEle forçando muitas expressões). Em todo o caso, se a sua recusa de Deus e do cristianismo se consuma na época dos estudos universitários, pode-se duvidar de que alguma vez tenha tido uma autêntica fé em Deus.
Concluídos os estudos em Pforta, abandona a escola para ingressar na Universidade. Conduzido pelo seu amigo Deussen, futuro filósofo e orientalista, dirige-se a Bonn e, em 1864, começa os estudos de Filologia clássica e de Teologia (esta última, mais por desejo da mãe, que desejava que continuasse a tradição eclesiástica familiar, do que por inclinação pessoal). No fim do primeiro semestre, abandona a Teologia e tem por isso o primeiro grande enfrentamento com a mãe.
Em 1865, muda-se para a Universidade de Leipzig, seguindo o professor e amigo Ritschl, nomeado catedrático desse instituto. Sob a sua orientação, entrega-se ao estudo da Antigüidade clássica através da Filologia. Nesse período, teve de incorporar-se ao exército quando rebentou a guerra entre a Prússia e a Áustria (1866), mas sofreu uma queda de cavalo durante a instrução militar e teve de ficar quase imobilizado por seis meses. Só em 1868 pôde prosseguir os estudos.
A dedicação à Filologia não o satisfazia plenamente. A inclinação pela Filosofia nasceu nele como vocação própria por ocasião da descoberta de Schopenhauer, quando num sebo de Leipzig comprou a obra O mundo como vontade e como representação. Leu com tal ardor o filósofo pessimista que este chegou a ser para o jovem estudante o mestre que o conduziu pelos caminhos de um radicalismo negativista e ateu, embora mais tarde viesse a separar-se dele e a criticar duramente muitos dos seus pontos de vista. Juntamente com Schopenhauer, também a obra de Lange, História do materialismo, influiu muito nele; e, sobretudo, as obras de Kant, que o convenceu de que a constituição íntima das coisas é uma ilusão e de que o tempo da metafísica, como conhecimento de uma verdade supra-sensível ou absoluta, teria passado.


PROFESSOR EM BASILÉIA. A AMIZADE COM WAGNER

Aos vinte e quatro anos de idade, e sem ter obtido o título de Doutor, foi nomeado professor de Filologia na Universidade de Basiléia, em boa parte devido à ajuda do amigo e professor Ritschl. A Faculdade de Filosofia de Leipzig concedeu-lhe o título de Doutor com base nos trabalhos já publicados, e Nietzsche começou a dar aulas e orientar alunos, apesar de se sentir profundamente insatisfeito naquele ambiente intelectual. Desejava mudar de cátedra e não o conseguia, e viu-se obrigado a converter a Filologia em meio e instrumento para as suas reflexões filosóficas. Os seus cursos nunca chegaram a ter grande aceitação: teve no máximo uma dúzia de alunos, e por vezes apenas dois ouvintes. Em breve, acabou por enxergar claramente que a sua obra pessoal não estava na Filologia, e menos ainda no ensino.
Durante os dez anos que passou em Basiléia, as relações com os colegas não foram demasiado estreitas, em boa parte devido ao seu temperamento solitário e polêmico. Apesar disso, cultivou algumas amizades duradouras com sábios e artistas, principalmente com o teólogo Friedrich Overbeck (1837-1905), professor de História da Igreja em Basiléia, personalidade estranha e complicada, com quem conviveu na mesma casa durante cinco anos e de quem foi amigo e confidente até o fim da vida.
Também foi muito amigo de Richard Wagner (1813-1883), que tinha conhecido em Leipzig em 1868 e por quem logo se sentira atraído. Quando chegou a Basiléia, Wagner vivia retirado na sua casa de campo de Tribschen, junto do lago de Lucerna. Nietzsche ia visitá-lo quase todos os fins de semana, mantendo com o compositor longas conversas sobre filosofia e arte. Ambos coincidiam no desejo de um novo ideal artístico e, sobretudo, de uma total renovação da cultura e da concepção da vida. Nos primeiros tempos dessa amizade, Wagner era rebelde e radical, seguia o panteísmo ateu de Schopenhauer e mantinha contacto com as tendências revolucionárias da esquerda hegeliana, principalmente com Feuerbach(2).
Mas os atritos com Wagner não demoraram. Quando o compositor, já famoso em toda a Alemanha, se transferiu para Bayreuth e inaugurou os festivais musicais, Nietzsche assistiu à audição do Parsifal, mas não a pôde suportar. Wagner, recém-convertido, fazia nessa obra a apologia da fé cristã, abandonando o radicalismo pagão da sua primeira época e aproximando-se do catolicismo. O pensador nunca lhe perdoou que se tivesse “prostrado diante da cruz cristã”, trocando o conceito pagão-clássico da vida pelo ideal de uma cultura cristã-germânica. Assim Wagner, que fora para ele o ideal do super-homem da nova cultura, transformou-se, após a conversão, num “comediante nato”, o representante da decadência alemã. E com a mesma paixão com que antes o elogiava, passou a combatê-lo.


ESCRITOS INICIAIS E CRISES DE SAÚDE

Os escritos iniciais de Nietzsche procedem da sua atividade docente. O primeiro, A origem da tragédia e o espírito da música (1871), foi concebido como uma grande obra sobre a estética dos clássicos gregos, abordando uma multiplicidade de aspectos. Trata-se de um livro inacabado, mas que contém já o esboço de muitas das idéias que desenvolverá posteriormente. Alguns filólogos famosos o atacaram duramente.
Do mesmo período é Considerações intempestivas ou inatuais, publicada por partes entre 1873 e 1876. Também é uma obra incompleta acerca de temas esparsos e polêmicos. Compreende um ataque ao teólogo contemporâneo David Strauss, bem como elogios à última obra de Schopenhauer, A antiga e a nova fé, e a Wagner, então ainda amigo dedicado.
No fim do período de Basiléia, escreve Humano, demasiado humano (1878), qualificado por ele mesmo como “um livro para espíritos livres” e dedicado à memória de Voltaire. É, com efeito, uma obra tipicamente nietzscheana, escrita em fragmentos, pensamentos ou aforismos que têm alguma relação entre si e recebem um título comum. As figuras de referência não são já Schopenhauer e Wagner, mas Descartes e Voltaire. O autor tenta libertar-se de todos os dogmatismos e de todos os preconceitos, e demonstra um profundo desprezo pela metafísica.
Em 1879, é obrigado a renunciar à cátedra de Basiléia por doença. Não se tratava de uma enfermidade nova, mas do agravamento dos sintomas que já experimentava nos tempos dos seus estudos em Pforta: reumatismo e fortes dores de cabeça com crises de cegueira. Pode-se dizer que Nietzsche é um doente crônico desde 1873, porque na sua correspondência queixa-se freqüentemente de vômitos, dores de cabeça e de estômago, depressões e náuseas que o obrigam a ficar de cama. Conta ter sofrido cento e oitenta crises graves só em 1879, o que o levou à beira do desespero.


A VIDA ERRANTE PELA EUROPA. NOVOS ESCRITOS

Ao demitir-se da Universidade na qualidade de catedrático, passa a receber da cidade de Basiléia uma pensão anual que será a base do seu sustento econômico nos anos vindouros e lhe permitirá dedicar-se unicamente a refletir e escrever. Começa então uma vida errante de uma cidade para outra, à procura de um clima benéfico para a sua saúde delicada. A partir desse momento, dividirá o seu tempo entre a riviera italiana ou francesa no inverno, Veneza na primavera e as montanhas da Suíça no verão, sobretudo a região do Alto Engadin, e curtas estadias com a família, em Naumburg.
Em Gênova termina Aurora (1881), amontoado de 574 aforismos sobre temas díspares, ligados por um fundo comum: a sua revolta contra a moral e o cristianismo que sustenta essa moral.
No verão do mesmo ano, caminhando à beira de um lago suíço, experimenta o que considera a “grande revelação”: a inspiração do “Zaratustra” e a idéia do “eterno retorno”, motivos dos livros posteriores. Em 1882, publica A gaia ciência, como continuação de Aurora, também em forma de aforismos, com um fundo radical e destrutivo de todos os valores vigentes. Nesta obra iniciam-se os temas da “morte de Deus” e do eterno retorno, que desenvolverá mais em Assim falou Zaratustra.
Prosseguindo nessa vida solitária, errante e doente, em abril de 1882 conhece Lou Andreas Salomé em Roma. Lou Salomé era uma jovem judia russa, ex-amante do poeta Rilke, atéia, discípula apaixonada de Freud e autora de várias obras. A sintonia entre ambos entusiasma Nietzsche, que, sem pensar muito, a pede em casamento. Surpreendida, Lou recusa amavelmente. Seguem-se diversos encontros com ela e com o amigo comum, Paul Rée, ao longo de viagens pela Suíça e Alemanha, e um novo pedido de casamento. A jovem russa recusa de novo (acabará por casar-se com Paul Rée), e separa-se definitivamente de Nietzsche em Leipzig. Depois dessa ruptura, Nietzsche tem fortes períodos de depressão e de desejos suicidas. São desse tempo alguns breves escritos fortemente antifeministas.
A primeira grande obra deste último período é Assim falou Zaratustra, que se vale do nome e da figura do profeta persa. Consta de quatro partes, escritas ao longo dos anos 1883 e 1885 entre a Itália e a Suíça. Trata-se de uma obra enigmática, composta de uma série de discursos do “profeta” acerca de temas muito variados, justapostos em confusa desordem e invariavelmente terminados com a fórmula “assim falou Zaratustra”. Nietzsche põe na boca de Zaratustra a proclamação da “morte de Deus”, do “eterno retorno de todas as coisas” e da aparição do super-homem, com a destruição de todos os valores sociais e morais vigentes até então.
Ninguém põe em dúvida a originalidade e a força poética desta obra, ou a energia expressiva de muitos dos seus pensamentos. Mas também é inegável que estamos diante de um Zaratustra bufão e histriônico, que delata o desequilíbrio mental do autor. Nietzsche exaltou este livro como uma obra-cume da literatura universal, chamada a substituir a Bíblia; em 1884, escrevia por exemplo a um amigo:
“Com este Zaratustra, acredito ter levado à perfeição o idioma alemão. Depois de Lutero e de Goethe, era preciso dar um terceiro passo”(3).
Quanto ao fundo filosófico, a obra segue a mesma linha de pensamento dos trabalhos anteriores, embora cada vez mais radical e explícita.
Nos anos seguintes, Nietzsche procura oferecer a sua filosofia ao mundo, pois considerava o Zaratustra apenas como “o vestíbulo” das suas idéias. No inverno de 1886, conclui em Nice Para além do bem e do mal. Prelúdio de uma filosofia do porvir, uma obra sombria, hipercrítica, pensada como um segundo volume para o Humano, demasiado humano. Nela prossegue com a sua crítica da religião, da filosofia, da política e, sobretudo, da moral.
No ano seguinte, 1887, conclui A genealogia da moral. Um escrito polêmico, que compreende três breves dissertações nas quais desenvolve a teoria, iniciada na obra anterior, da “moral dos escravos” e da “moral dos senhores”.
À medida que passam os anos, a sua paixão crítica torna-se mais violenta. Escreve e lucubra sem cessar, febrilmente, antecipando já o fim da sua vida lúcida. Em 1888, escreve O caso Wagner, O ocaso dos ídolos, Nietzsche contra Wagner e, principalmente, O Anticristo, ensaio de uma crítica do cristianismo, obra panfletária, para concluir com o Ecce Homo, um relato autobiográfico e confissão ao contrário, ou seja, uma defesa e exaltação de si próprio.
Os meses do outono de 1888 são também os últimos da sua vida consciente. Vivendo em Turim, esgotado e com crises nervosas, decide redigir uma suposta obra definitiva em quatro volumes, ordenando as anotações que vinha fazendo desde 1885. Se nunca fora capaz de escrever uma obra sistemática, menos ainda agora, em pleno período de prostração física e mental. Apenas deixou uma volumosa coleção de 1066 aforismos que intitulou A vontade de poder. Ensaio de uma transmutação de todos os valores, que seria publicada depois da sua morte.
A vida consciente de Nietzsche termina em 1889, após claros sintomas de desvario mental: esquece o seu domicílio, redige curtos bilhetes assinados como “Dionisos” ou “O Crucificado”, e a sua personalidade esfacela-se. No dia 3 de janeiro de 1889, cai sem sentidos numa rua de Turim; é trasladado semi-inconsciente para Basiléia e, na clínica psiquiátrica da Universidade, diagnosticam-lhe uma “paralisia mental progressiva” (sic), causa de loucura. Passa uns tempos na casa da mãe, em Naumburg, e quando ela morre, em 1897, é levado para Weimar, para perto da irmã. Morre a 25 de agosto de 1900 sem ter recuperado a razão, e é sepultado em Rõcken, a cidade onde nasceu.


A CRÍTICA À RELIGIÃO

A violenta crítica de Nietzsche à religião procede das suas leituras e reflexões sobre a situação cultural da Europa que ele conheceu, e, fundamentalmente – embora ele mesmo não o reconheça –, das suas raízes luteranas. Muitos autores assinalam que é precisamente a fúria dos seus ataques o que revela um autêntico pânico diante do que ele sabe ser realidade, mas que se recusa a priori a admitir(4).
Em A genealogia da moral(5), sugere que a idéia de Deus teria sido originada pelo medo: o medo primitivo dos antepassados e do seu poder teria levado gradualmente à transfiguração desses antepassados em deuses. Porém, o que verdadeiramente não tolera não é um deus qualquer, mas a noção do Deus cristão:
“Um Deus onisciente e onipotente que não se empenha em que as suas intenções sejam compreendidas pelas suas criaturas – poderá por acaso ser um Deus de bondade? Um Deus que, durante milhares de anos, tem permitido que continuem à solta inumeráveis dúvidas e escrúpulos, como se não tivessem importância para a salvação da humanidade, e que, no entanto, anuncia as mais terríveis conseqüências para todo aquele que interprete mal a sua verdade – não seria um Deus cruel?”(6).
Este texto, ao qual seria fácil acrescentar muitos outros do mesmo teor, deixa à mostra a raiz religiosa protestante de Nietzsche. Prescindindo do fato de que Deus sempre dá aos homens os meios de conhecerem a verdade, a sua alusão a “terríveis conseqüências” é tudo, menos católica.
Nietzsche não conheceu o conteúdo pleno da Revelação tal como é transmitida pela Igreja Católica, e, pelos seus escritos, fica claro que o seu estudo das religiões foi muito superficial. A severidade luterana, a sua desconfiança da liberdade, o temor servil de um Deus que tanto pode salvar como condenar, sempre arbitrariamente, subjaz com força nessas afirmações indignadas. Aqui não há o menor sinal da frutuosa interligação entre a fé e a razão que João Paulo II pôs de relevo com tanta profundidade e oportunidade na Encíclica Fides et ratio (7); aqui o homem lida com um Deus que não é considerado Pai, um Deus em quem não se confia, um Deus temido, não amado. Ora, não são poucos os sofrimentos que derivam, para Nietzsche como para qualquer homem, de uma noção equivocada de Deus.


A MORTE DE DEUS

Mas a principal objeção do pensador contra Deus é que seria contrário à vida como afirmação de si própria, como vontade de poder. Essa é a razão mais profunda, a verdadeira causa: para o homem poder afirmar a sua vida em todo o seu poder e liberdade, para ser capaz de elaborar valores e de vivê-los, é, segundo Nietzsche, absolutamente necessário suprimir Deus do horizonte, de forma a garantir que não mais influa nessa vida que é absolutamente nossa.
Para que a vida seja nossa, Deus não pode agir. Por isso, trata-se não apenas de esquecê-lo, mas de aniquilá-lo, de matá-lo. Já em A gaia ciência o escritor fala dos horizontes abertos pela notícia:
“Deus está morto; os nossos corações transbordam de gratidão, de admiração, de pressentimento e de expectativa. O horizonte aparece, finalmente, mais uma vez aberto, mesmo que tenhamos de admitir que não é brilhante; os nossos navios podem, por fim, sair para o mar, enfrentando qualquer perigo; todo o risco está agora ao alcance daquele que for prudente; o mar, o nosso mar, está novamente aberto diante de nós, e talvez nunca tenha existido um mar aberto dessa natureza” (8).
A notícia de que “Deus está morto” significa para Nietzsche, sem dúvida, que a vida está desprovida de um sentido claramente determinado. Daí a sua satisfação: podemos inventar os nossos próprios valores, podemos exercer ao máximo a vontade de poder, estamos a sós com o nosso risco e a nossa liberdade; somos, finalmente, homens.
Os que acreditam em Deus desprezam a vida, são decadentes e blasfemos da terra:
“Aconselho-vos, meus irmãos, a manter-vos fiéis à terra e a não acreditar naqueles que vos falam em esperanças para além da terra. Esses homens são envenenadores, quer o saibam, quer não”(9).
A afirmação de que Deus “morreu”, de que “foi assassinado” pelos homens, traz como conseqüência o desabamento de todos os valores nos quais a Europa se tinha baseado até então, e o pensador tem consciência disso. Zaratustra-Nietzsche anuncia uma revolução como jamais houve na História, uma terrível convulsão nos espíritos que abrirá passagem a uma nova ordem no mundo, comandada pelo fim das religiões e especialmente do cristianismo, criador de escravos e daquilo que ele chama “a moral do rebanho” (satisfeita, tranqüila e saciada na sua mediocridade). A morte de Deus, embora provoque esse apocalipse total, anuncia também o advento dos homens superiores, criadores eles mesmos dos seus valores, simbolizados na figura do super-homem.
Como já dissemos, é inútil tentar encontrar uma sistematização nestes pensamentos; até certo ponto, é possível falar de um fio que os une, mas apenas fragmentariamente, inserido aqui e ali nas suas obras. Esse fio é precisamente, mais do que o ateísmo, o antiteísmo de Nietzsche, radical e indiscutido desde os anos da Universidade: crer em Deus significa permitir que Outro me guie, me diga o que devo fazer, dite as leis da minha vida, marque o rumo dos meus passos. O nosso pensador dirá que isso me anula como pessoa, que me impede de viver a minha vida, de tomar as minhas próprias decisões e de criar os meus próprios valores.
A influência da única filosofia que ele conheceu, o racionalismo que vai de Descartes a Schopenhauer, passando por Kant e Hegel, aparece aqui em todo o seu vigor e reflete o problema mais profundo que Nietzsche enfrenta: se sou eu quem cria os valores, se, para viver dignamente, sou eu que devo decidir o que é verdadeiro e o que é falso, sem recorrer a nenhuma referência exterior nem superior a mim, isto é, se não podemos falar de transcendência (conceito que lhe provocava arrepios de indignação), então Deus torna-se inimigo da minha vida, de qualquer vida, e deve ser, não apenas esquecido, mas morto. Matar Deus é afirmar a minha vida, vida que eu perderia se acreditasse nEle.
Não há um único argumento nos escritos do pensador alemão dedicado a tentar demonstrar que Deus não exista. Para ele, trata-se de um axioma, e um axioma certamente arbitrário: tornado deus para si próprio, Nietzsche-Zaratustra “revela” o dogma da inexistência de Deus com autoridade autoconferida.

REFERÊNCIAS

(1) Ecce Homo, Edições de Ouro, São Paulo, s.d., “Por que sou tão discreto”, II, 1.
(2) Ludwig Feuerbach (1804-1872), filósofo, escreveu A essência do cristianismo e Lições sobre a essência da religião. Nessas obras, afirma que as realidades fundamentais e originárias são a natureza e o homem concreto; um dos seus aforismos prediletos era: “O homem é o que come” (em alemão: Der Mensch ist <é> was er isst ). Qualquer realidade espiritual, Deus incluído, não seria senão uma pálida imagem, um reflexo apagado da natureza. Algumas idéias de Feuerbach foram copiadas e posteriormente desenvolvidas por Marx.
(3) Cit. em Frederick Copleston, Nietzsche, filósofo da cultura, Tavares Martins, Porto, 1972, pág. 186.
(4) Cfr., entre outros, Frederick Copleston, op. cit., e Rüdiger Safranski, Nietzsche, biografia de uma tragédia, Geração Editorial, São Paulo, 2001, passim.
(5) A genealogia da moral, Publicações Europa-América, Lisboa, 1978, págs. 106-108.
(6) Aurora, Publicações Europa-América, Lisboa, 1978, afor. 91.
(7) Cfr. João Paulo II, Carta Encíclica Fides et ratio, 14.09.1998.
(8) A gaia ciência, Abril, São Paulo, 1983, afor. 343.
(9) Assim falou Zaratustra, Abril, São Paulo, 1983, pág. 7.

Fonte: Para visualizar a fonte original, Clique aqui

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A Beleza dos Paramentos Litúrgicos

Quarta-Feira de Cinzas: o Papa e dois Cardeais-Diáconos com Vestes Diaconais


Fonte: http://fotoscatolicas.blogspot.com/2008/02/quarta-feira-de-cinzas-o-papa-e-dois.html

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Moda e comportamento entre adolescentes e pré-adolescentes


Uma geração candidata a objeto sexual


Extraído do "Washington Post"
Por Patricia Dalton



Minha filha de
23 anos disse: "Vocês não vão acreditar como a Victoria's Secret está estranha: toda em vermelho e preto, com um monte de manequins que parecem estrelas pornô." Alguns vendedores ficaram tão ofendidos com a vitrine que ameaçaram boicotar a loja; outros somente torceram o nariz. Tenho escutado variações sobre esse mesmo tema cada vez mais freqüentemente no meu escritório. As mães se dizem incomodadas com as roupas ousadas que suas filhas adolescentes e pré-adolescentes estão usando, dentro e fora de casa. Na verdade, conflitos sobre a vestimenta é o que os leva a ir para a terapia familiar. As próprias filhas podem ser imperiosas ou mal-humoradas, mas quase todas empregam a desculpa de que "todo mundo faz isso". E realmente uma grande quantidade de meninas está fazendo isso. Antes, as mulheres reclamavam de serem reduzidas a objetos sexuais. Hoje, suas filhas estão se candidatando a ser objetos sexuais. E apesar de os pais demonstrarem desaprovação, normalmente eles não conseguem tomar nenhuma atitude. Com isso, eles colocam inadvertidamente as mulheres em risco ao permitir que pulem a "meninice". Quando uma filha sai dessa fase diretamente para a fase mulher, ela está interpretando um papel em vez de aprender gradualmente a viver sua própria vida. Essas meninas podem parecer completas, mas não são. Muitas vezes, há uma menina perdida ali. Quem defende estilos provocativos de se vestir pegou carona na mensagem liberal dos anos 60 e a levou um pouco além. Eles vêem quem demonstra não gostar do sexualmente explícito como repressores e antiquados. Uma jovem mulher me disse: "É quase politicamente incorreto dizer que algo é inapropriado." Uma das visões mais irritantes hoje em dia é a de garotas com biquínis pequenos na piscina, ou andando por aí com calças de cintura baixa e tops, ou de salto e vestidos provocativos, às vezes completas com maquiagem e jóias. E isso não acontece só nos recitais de dança. Pode ser visto diariamente. O tempo passou, hein? As Lennon Sisters e Gidget - grupos adolescentes americanos dos anos 60 - da nossa meninice estão a anos-luz das atuais Britney Spears e Lindsay Lohan, dois atuais ícones femininos da música e do cinema. A ponte entre essas duas gerações de estrelas foi Madonna - antes de ela ter filhos e dar um jeito nas suas apresentações. Em algum momento das décadas passadas, enquanto nós, adultos, não estávamos olhando, a classe sumiu e a vulgaridade assumiu. Volte algumas décadas atrás (se você tem idade o suficiente) até o surgimento da pílula, o primeiro método confiável de controle de natalidade. O que testemunhamos hoje em dia é o desmoronamento da subseqüente revolução sexual. Foi-se o medo da gravidez indesejada. Em conjunto, veio a assimilação de que problemas sexuais eram o resultado da repressão e que relaxar as restrições e a estrutura permitiria a todos viver em uma espécie de utopia sexual. Bem, a chamada utopia está aqui e as mulheres mais velhas têm razões para ficar alarmadas com os perigos que as jovens mulheres estão trazendo para si mesmas. Essas garotas certamente são tratadas como objetos assim como em qualquer geração anterior. É um tratamento pré-liberação disfarçado de pós-liberação. "Voltem antes que seja muito tarde!", queremos alertá-la. Porque o que as espera com este comportamento não é o Príncipe Encantado. O mais provável é que se encontrem solitárias e arrependidas. Por alguma razão, no entanto, muitas mulheres adultas não conseguem seguir os instintos nos quais confiaram durante séculos para se protegerem e às filhas. Não há mais padrões comuns de vestimenta e comportamento que os pais, as escolas e a sociedade costumavam fortalecer em conjunto. Na minha faculdade, por exemplo, usávamos uniforme; a saia tinha que tocar no chão quando nos agachávamos - e os professores verificavam! Deixaram os pais sozinhos para discutir isso, da cabeça aos pés, com suas filhas adolescentes. As mães que vêm ao meu consultório muitas vezes expressam dúvida sobre seu próprio julgamento, sem saber onde colocar limite quando suas filhas se vestem de forma provocativa. Enquanto isso, as meninas admitem abertamente que apenas reproduzem o que vêem na mídia. Uma jovem me disse que adorava o seriado da televisão Sex and the City, mas sabia que ele "contribuía" para o problema. Outro seriado, Desperate Housewives, também. Quando vejo crianças vestidas como "vamps", lembro das palavras da escritora Marie Winn no seu livro de 1981, Children Without Childhood (Crianças sem Infância): "A idade da proteção acabou". Ela descreveu a pesquisa do especialista austríaco em comportamento animal Konrad Lorenz sobre o que ele chamou de características neotênicas nos jovens de várias espécies e o objetivo a que servem. Nas crianças, essas características englobam cabeças e olhos desproporcionais e proporções corporais pequenas e arredondadas. Lorenz supõe, por hipótese, que essas características funcionam como "mecanismos de liberação" internos. Elas provocam ou nutrem respostas protetoras dos adultos. Os pais - às vezes, sem perceber - colocam suas filhas em risco quando camuflam essas características ao permitir que se vistam como adultos. Esse tipo de vestimenta leva a criança a imitar comportamentos da mulher adulta que ela ainda não entende. Isso pode causar um curto-circuito no desenvolvimento normal. Pode também encorajar crianças mais velhas e adultos a se relacionar com essas jovens como seres sexuais, às vezes, com conseqüências trágicas.

*Patricia Dalton é psicóloga em Boston - Estados Unidos

Fonte: http://www.acea.org.br/verartigo.php?id=10

terça-feira, 6 de maio de 2008

A Filosofia de Kant

Kant: a verdade subjetiva

Por Peter Kreeft

Resumo:Immanuel Kant (1724-1804) parecia ser uma pessoa cordial e pacata. Poucos daqueles que o conheceram talvez imaginassem que as suas teorias teriam um impacto destruidor sobre a filosofia e a mentalidade contemporâneas.
____________________________________________________________


Na história da filosofia, houve poucos pensadores tão ilegíveis e áridos como Immanuel Kant. Contudo, poucos tiveram um impacto tão devastador sobre o pensamento humano como ele.

Conta-se que Lumppe, o seu dedicado assistente, teria lido fielmente cada uma das publicações do mestre. Mas nem mesmo ele conseguiu ler a obra mais importante publicada pelo filósofo, A crítica da razão pura; na verdade, chegou a começar a leitura, mas interrompeu-a dizendo que, se tivesse de terminá-la, haveria de ser num hospital psiquiátrico. Desde então, muitos estudantes têm-se feito eco dessa opinião.

No entanto, penso que esse professor abstrato, que escrevia em estilo abstrato sobre questões abstratas, é a fonte primária da idéia mais perigosa de todas para a fé (e, portanto, para as almas): a idéia de que a verdade é subjetiva.

Os simples cidadãos da sua Königsberg natal (atual Kaliningrado, Rússia), onde o filósofo viveu e escreveu durante a segunda metade do século XVIII, parecem ter entendido isso melhor do que muitos acadêmicos profissionais, porque lhe deram o apelido de “o destruidor” e davam o seu nome aos cachorros.

Pessoalmente, Kant era um homem amável, gentil e piedoso, tão pontual que os vizinhos ajustavam os relógios pelos seus passeios. Também o intuito básico da sua filosofia era nobre: restaurar a dignidade humana num mundo cético que idolatrava a ciência.

Essa intenção pode ser ilustrada com o seguinte episódio. Em certa ocasião, Kant assistiu à palestra de um astrônomo materialista sobre o lugar do homem no universo. Quando o cientista concluiu a palestra com as palavras: “Assim, vemos que o homem é evidentemente insignificante em termos astronômicos”, o filósofo levantou-se e disse: “Professor, o senhor esqueceu o mais importante: o homem é o astrônomo”.

No entanto, mais do que qualquer outro pensador, foi ele quem impulsionou a deriva tipicamente moderna da objetividade para a subjetividade. Isso pode parecer bom até nos darmos conta de que implicava a redefinição da própria verdade como algo subjetivo. E as conseqüências dessa idéia têm sido catastróficas.

Quando conversamos com alguém que não crê, percebemos que o obstáculo mais comum à fé hoje em dia não é nenhuma dificuldade intelectual honesta (como o problema do mal ou o dogma da Trindade), mas a convicção de que a religião não pertence ao campo dos fatos nem das verdades objetivas. Assim, qualquer tentativa de tentar convencer outra pessoa de que a fé é verdadeira – objetivamente verdadeira, verdadeira para todos – passa a ser considerada de uma arrogância intolerável.

De acordo com essa mentalidade, a religião é teórica, não prática; tem a ver com valores, não com fatos; é subjetiva e privada, não objetiva e pública. O dogma seria um “extra”, e um “extra” daninho, porque fomentaria o dogmatismo. Ou seja, a religião, no fundo, não passaria de uma ética. Além do mais, uma vez que a ética cristã é muito parecida com a ética das outras grandes religiões, pouco importaria se você é cristão ou não; o importante é ser “boa gente”. (Geralmente, as pessoas que acreditam nisso também acham quase todo o mundo “boa gente”, com exceção de Adolf Hitler e Charles Manson).

Kant é em larga medida responsável por essa maneira de pensar. Ele ajudou a enterrar a síntese medieval entre fé e razão, e descreveu a sua filosofia como “tirar do caminho as pretensões da razão para abrir espaço à fé”, como se fé e razão fossem inimigas, não aliadas. Assim, consumou o divórcio entre fé e razão iniciado por Lutero.

O filósofo pensava que a religião jamais poderia ser objeto da razão – uma evidência, um argumento ou sequer um objeto de conhecimento –; deveria ser unicamente uma questão de sentimentos, de emoções e de atitudes. Esse postulado influenciou profundamente a maior parte dos educadores religiosos atuais (entre os quais redatores de catecismos e teólogos), que deixaram de lado a rocha-mãe da fé, os fatos objetivos narrados na Sagrada Escritura e resumidos no Credo dos Apóstolos. Fregueses da filosofia kantiana, divorciaram a fé da razão e casaram-na com a psicologia pop.

“Duas coisas me deixam maravilhado”, confessou Kant certa vez: “o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim”. Aquilo que maravilha um homem preenche o seu coração e dirige o seu pensamento. Reparemos que, entre as coisas que maravilham o filósofo, não estão Deus, Cristo, a Criação, a Encarnação, a Ressurreição e o Juízo, mas apenas “o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim”.

“O céu estrelado” é o universo físico, tal como a ciência moderna o entende; e tudo o mais é relegado para o campo da subjetividade. Assim, a lei moral não estaria “fora”, mas “dentro de mim”; não seria objetiva, mas subjetiva; enfim, não seria uma Lei Natural com certos e errados objetivos, mas uma lei feita por nós mesmos à qual escolhemos vincular-nos. (Mas será que estamos realmente vinculados quando só nos vinculamos a nós mesmos?) A Moral seria, portanto, apenas uma questão de intenção subjetiva; não teria qualquer conteúdo com exceção da Regra de Ouro* (o “imperativo categórico” de Kant).

--------------------------------------------
(*) A regra de ouro é considerada classicamente o princípio central de toda a ética. Na sua formulação negativa – “não farás aos outros aquilo que não queres que te façam” –, encontra-se em diversos pensadores de quase todos os povos. Cristo deu-lhe uma formulação positiva: Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles (Mt 7, 12) (N. do T.).
--------------------------------------------

Se a lei moral veio de Deus e não do homem, o homem não seria livre no sentido de ser autônomo, o que é verdade. Mas, para Kant, o homem tem de ser autônomo, e portanto a lei moral não vem de Deus, e sim do próprio homem. Partindo da mesma premissa, a Igreja afirma que a lei moral realmente vem de Deus, e portanto que o homem não é autônomo; ele é livre para optar por obedecer-lhe ou não, mas não é livre para criar a lei.

Embora se considerasse cristão, o filósofo negou explicitamente que pudéssemos conhecer ao certo a existência (1) de Deus, (2) do livre arbítrio, e (3) da vida eterna. Disse que deveríamos viver como se essas idéias fossem verdadeiras, porque caso contrário não levaríamos a moral a sério. É essa justificação da fé por razões puramente práticas que constitui um erro terrível. Kant acredita em Deus não porque Ele exista, mas porque é útil. Se for assim, por que não acreditar no Papai Noel? Se eu fosse Deus, preferiria um ateu honesto a um deísta desonesto; e penso que Kant é um deísta desonesto, porque há apenas um único motivo honesto para acreditar seja no que for: o fato de essa coisa ser verdadeira.

Aqueles que tentam vender a fé cristã no sentido kantiano, como um “sistema de valores” em vez da verdade, têm fracassado geração após geração. Com tantos “sistemas de valores” no mercado, por que deveria alguém preferir a variante cristã a outras mais simples, com menos teologia e com uma moral mais fácil e menos inconveniente?

Com efeito, Kant fugiu da batalha ao bater em retirada do campo dos fatos. Acreditava no grande mito do século XVIII, o Iluminismo (nome irônico!). Acreditava que a ciência de Newton tinha vindo para ficar e que, para sobreviver, o cristianismo teria de encontrar um lugar na nova paisagem mental esboçada pela nova ciência. E o único lugar que lhe sobrava era a subjetividade.

Isso implica ou ignorar os acontecimentos sobrenaturais e miraculosos da história do cristianismo ou interpretá-los como mitos. A estratégia de Kant foi essencialmente a mesma que seguiria Rudolf Bultmann (1884-1976), o pai da “demitologização” e talvez o principal responsável pela perda da fá entre inúmeros universitários católicos. Muitos professores de teologia perfilham as suas teorias exegéticas, que reduzem os milagres contidos na Bíblia, relatados por testemunhas oculares, a simples “mitos”, “valores” e “interpretações piedosas”.

Com relação ao suposto conflito entre fé e razão, Bultmann disse: “A visão científica do mundo veio para ficar e fará valer os seus direitos contra qualquer teologia, por mais impositiva que seja, que venha a entrar em conflito com ela”. Ironicamente, a “visão científica do mundo” oferecida pela física de Newton e aceita como absoluta e imutável por Kant e Bultmann é hoje quase universalmente rejeitada pelos próprios cientistas!

A questão básica de Kant era: Como podemos conhecer a verdade? Na sua juventude, aceitava a resposta racionalista de que conhecemos a verdade pelo intelecto, não pelos sentidos, e de que o intelecto possuía as suas próprias “idéias inatas”. Mais tarde, leu o empirista David Hume, que, em palavras do próprio Kant, o “despertou do sono dogmático”. Como outros empiristas, Hume acreditava que o homem só pode conhecer a verdade mediante os sentidos e que não existem “idéias inatas”. Mas as premissas de Hume conduziram-no ao ceticismo, à negação de que seja possível conhecer a verdade com certeza. Kant considerou inaceitáveis tanto o “dogmatismo” racionalista como o ceticismo empirista e procurou uma terceira via.

Ora, havia uma terceira teoria disponível desde os tempos de Aristóteles: a filosofia do senso comum, que é o realismo. De acordo com o realismo, podemos conhecer a verdade por meio do intelecto e dos sentidos, desde que ambos trabalhem corretamente em conjunto, como as lâminas de uma tesoura. Em vez de voltar-se para o realismo tradicional, Kant inventou toda uma nova teoria do conhecimento, geralmente chamada idealismo. Considerava-a a sua “revolução copernicana na filosofia”. Mas o nome mais simples para ela é subjetivismo, pois o que pretende é redefinir a própria verdade como subjetiva, não objetiva.

Todos os filósofos anteriores tinham dado por assente que a verdade é objetiva. Aliás, de acordo com o senso comum, é simplesmente isso o que queremos dizer ao falar de “verdade”: conhecer o que realmente é, conformando a mente segundo a realidade objetiva. Alguns filósofos (os racionalistas) julgavam ser capazes de atingir essa meta apenas com a razão. Os primeiros empiristas (como Locke) julgavam que podiam atingi-la através dos sentidos. O empirista cético Hume, posterior, julgava que não havia maneira alguma de atingir com certeza a verdade.

Kant negou a premissa comum a essas três filosofias concorrentes, ou seja, negou que a verdade devesse ser atingida, que a verdade significasse conformidade com a realidade objetiva. A “revolução copernicana” de Kant redefine o próprio conceito de verdade como realidade que se conforma segundo as nossas idéias. “Até hoje, sustentava-se que o nosso conhecimento devia adequar-se aos objetos [...]. Haverá mais progresso se assumirmos a hipótese contrária, de que são os objetos de pensamento que devem adequar-se ao nosso conhecimento”.

Kant afirmou que todo o nosso conhecimento é subjetivo. Bem, essa afirmação é um conhecimento subjetivo? Se é, então o conhecimento desse fato também é subjetivo, et cetera, e todos estamos aprisionados num infinito salão de espelhos. A filosofia kantiana é perfeita para o inferno. É possível que os condenados creiam não estar realmente no inferno; seria apenas coisa da cabeça deles. E talvez seja isso mesmo: é possível que o inferno seja exatamente assim.

Peter Kreeft
Professor de Filosofia no Boston College. É autor de mais de uma dezena de livros de filosofia e apologética cristã.

Site do autor
www.peterkreeft.com

Tradução e fonte: http://www.quadrante.com.br/

domingo, 4 de maio de 2008

Depressão


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS PARTICIPANTES NA CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL SOBRE "A DEPRESSÃO"

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2003

Estimados irmãos
no Episcopado e no Sacerdócio!
Caros amigos!

1. Estou feliz por me encontrar convosco por ocasião da Conferência Internacional organizada pelo Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde sobre o tema "A Depressão". Agradeço ao Card. Javier Lozano Barragán as gentis palavras que me dirigiu em nome dos presentes.
Saúdo os ilustres especialistas, vindos para oferecer o fruto das suas pesquisas sobre esta patologia, com a finalidade de favorecer o seu conhecimento mais profundo para assim consentir melhores cuidados e uma assistência mais idónea tanto aos interessados como às suas famílias.
Penso, outrossim, com estima, em quantos se dedicam ao serviço dos doentes de depressão, ajudando-os a manter a confiança na vida. O pensamento, naturalmente, faz-se extensivo também às famílias que acompanham com afecto e delicadeza o seu parente querido.

2. O vosso trabalho, estimados Congressistas, mostraram os diferentes aspectos da depressão na sua complexidade: estes vão da doença profunda, mais ou menos duradoura, a um estado passageiro ligado a acontecimentos difíceis conflitos conjugais e familiares, graves problemas trabalhistas, solidão... que levam a um prejuízo ou até à ruptura das relações sociais, profissionais, familiares. A doença muitas vezes é acompanhada por uma crise existencial e espiritual, que leva a não perceber mais o sentido da vida.

O aumento dos estados depressivos tornou-se preocupante. Neles revelam-se fragilidades humanas, psicológicas e espirituais que, pelo menos em parte, foram induzidas pela sociedade. É importante tomar consciência das repercussões que têm sobre as pessoas as mensagens veiculadas pelos meios de comunicação, os quais exaltam o consumismo, a satisfação imediata dos desejos, a corrida a um bem material sempre maior. É preciso propor novos caminhos, para que cada um possa construir a própria personalidade, cultivando a vida espiritual, fundamento da existência madura. A participação entusiasmada nas Jornadas Mundiais da Juventude mostra que as novas gerações procuram Alguém que possa iluminar o seu caminho quotidiano, dando-lhes a razão para viver e ajudando-as a enfrentar as dificuldades.

3. Vós destacastes: a depressão é sempre uma provação espiritual. O papel daqueles que cuidam de pessoas deprimidas, e não têm uma tarefa terapêutica específica, consiste sobretudo em ajudá-las a recuperar a auto-estima, a confiança nas próprias capacidades, o interesse pelo futuro, o desejo de viver. Por isso, é importante estender a mão aos doentes, fazer com que eles sintam a ternura de Deus, integrá-los numa comunidade de fé e de vida na qual possam sentir-se acolhidos, compreendidos, sustentados, dignos, numa palavra, amar e ser amados. Para eles, como para qualquer outro, contemplar Cristo e deixar-se "guiar" por Ele é experiência que os abre à esperança e os estimula a escolhar a vida (cf. Dt 30, 19).

No percurso espiritual, a leitura e a meditação dos Salmos, nos quais o autor sagrado expressa em oração as suas alegrias e as suas angústias, pode ser de grande ajuda. A recitação do Rosário permite encontrar em Maria uma Mãe amorosa que ensina a viver em Cristo. A participação na Eucaristia é fonte de paz interior, tanto para a eficácia da Palavra e do Pão da vida, como pela inserção na comunidade eclesial. Sabendo muito bem quanto custa para uma pessoa com depressão o que para os outros parece simples e espontâneo, é preciso ajudá-la com paciência e delicadeza, recordando o conselho de Santa Teresa do Menino Jesus: "Os pequeninos fazem passos pequeninos".

No seu amor infinito, Deus está sempre perto daqueles que sofrem. A enfermidade pode ser uma estrada para se descobrir outros aspectos de si mesmos e novas formas de encontro com Deus. Cristo escuta o clamor daqueles cuja barca é ameaçada pela tempestade (cf. Mc 4, 35-41). Ele está presente junto deles para os ajudar na travessia e guiá-los em direcção ao porto da serenidade recuperada.

4. O fenómeno da depressão recorda à Igreja e a toda a sociedade como é importante propor às pessoas, e especialmente aos jovens, modelos e experiências que os ajudem a crescer nas dimensões humana, psicológica, moral e espiritual. Com efeito, a ausência de pontos de referência não pode senão contribuir para tornar a pessoa mais frágil, induzindo-a a considerar que todos os comportamentos se equivalham. Deste ponto de vista, o papel da família, da escola, dos movimentos jovens, das associações paroquiais é muito relevante devido à incidência que tais realidades possuem na formação da pessoa.

Portanto, é significativo o papel das instituições públicas para garantir condições dignas de vida, particularmente às pessoas abandonadas, enfermas e idosas. Igualmente necessárias são as políticas para a juventude, que visam oferecer às novas gerações motivos de esperança, preservando-as do vazio e dos seus perigosos substitutivos.

5. Queridos amigos, ao encorajar-vos a um renovado compromisso num trabalho tão importante junto dos irmãos e irmãs afectados pela depressão, confio-vos à intercessão de Maria Santíssima, Salus infirmorum. Que cada pessoa e cada família possa sentir a sua materna solicitude nos momentos de dificuldade.

A vós todos, aos vossos colaboradores e a quantos vos são queridos, concedo de coração a Bênção apostólica.

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2003/november/documents/hf_jp-ii_spe_20031114_pc-hlthwork_po.html

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Aos estudantes e profissionais do Direito



PRINCIPAIS VIRTUDES E DEVERES DO JURISTA

Autor: Dr. Paulo Oriente Franciulli

O QUE SÃO VIRTUDES E PARA QUE VIVÊ-LAS

1. DEFINIÇÃO DE VIRTUDE

Virtude é a perfeição de uma faculdade operativa. Vem do grego areté, que significa excelência, capacidade, valor; e do latim virtus, excelência, perfeição moral. Virtuoso, portanto, é quem sempre usa suas capacidades humanas – inteligência, vontade, faculdade tendencial sensível, faculdade tendencial irascível – para o bem; pratica o bem de um modo superior ao meramente “natural”, e de uma maneira alegre. Aristóteles resumia assim: virtuoso é aquele que realiza a vida boa, eupraxia, uma vida bem conseguida, porque ordenada pela reta razão.

As virtudes estão orientadas para a atividade, pois entram no plano antropológico do ser in fieri.

2. TIPOS DE VIRTUDES

A. Virtudes morais ou éticas: são as virtudes das tendências (vontade, apetite sensível, apetite irascível) que levam ao aprimoramento do caráter, das disposições afetivas, das inclinações naturais. Visam à excelência do homem no seu agir e ser. Tornam-no bom, aperfeiçoam-no.

B. Virtudes intelectuais ou dianoéticas: são as que produzem a perfeição da inteligência na captação e contemplação da verdade. Dependendo do tipo de entendimento, as virtudes intelectuais são:

- sabedoria (sophia) e ciencia (epistemé) no entendimento teórico;

- arte (techné) e prudência (phronésis) no entendimento prático.

O imperador Otávio Augusto via Virgílio, seu conselheiro e amigo pessoal, da seguinte forma: “Desde o primeiro momento, percebi em Virgílio uma autoridade que nunca encontrei em nenhum outro homem. Não era a autoridade que emana dos que estão acostumados a mandar [...]. A de Virgílio era bem diferente, e vinha de um domínio de verdades secretas, da sua capacidade de penetrar até o fundo das coisas” (Augusto, o Imperador Deus, p. 114).

3. COMPREENSÃO DO SENTIDO REAL DE VIRTUDE.

Quando se fala em virtude, aponta-se para a perfeição: a perfeição das faculdades que torna possível realizar bem os seus atos próprios. Todas as virtudes existentes radicam em alguma dessas faculdades ou tendências humanas: p.ex. prudência na inteligência, justiça na vontade, fortaleza no apetite irascível, temperança no apetite sensível.

A virtude, do ponto de vista moral, é mais do que um hábito estável, fruto da repetição de atos bons. Ela é como uma segunda natureza adquirida, graças à qual a respectiva faculdade pode realizar seus atos de acordo com a verdade, produzindo coisas boas, belas e justas. Assemelha-se a um instinto adquirido.

Aristóteles: a razão não exerce sobre as tendências um domínio despótico, mas sim político, o mesmo que se tem sobre os seres livres.

De fato, as tendências sensíveis podem entrar em conflito com a razão; daí a necessidade de “racionalizar” as tendências, para que cheguem a ser um princípio do atuar humano inteiramente conformes à reta razão.

Logo, na pessoa virtuosa não há somente um conjunto de atos bons, repetidos um dia após o outro. Há, na verdade, uma harmonia entre o homem e todas as suas tendências, entre a sua razão e a sua afetividade. Assim, para citar um exemplo, o homem justo ama os demais como a si mesmo, e quer dar-lhes o que em justiça devem receber.

E mais: “as coisas conforme a virtude são prazerosas para o que ama a virtude” (Aristóteles). Não é virtuoso quem não se compraz nas boas ações. A virtude, do ponto de vista moral, significa conaturalidade afetiva, conaturalidade do homem com todas as suas tendências, ou de todo o homem.

O atuar virtuoso acerta o que é verdadeiramente bom de modo espontâneo e seguro.

A afetividade é absolutamente decisiva, porque, na prática, guia o juízo da razão. Isso significa que quando escolhemos algo mau, a razão foi obscurecida e desviada pela afetividade. É a ignorantia electionis ou error electionis.

No homem virtuoso, os seus afetos se dirigem ao bem conforme a razão. Porque ele conseguiu que as suas tendências fossem “empapadas” pela razão. Encara o cumprimento do dever como algo bom e prazeroso, e a sua afetividade não se rebela ante as dificuldades que supõe o atuar virtuoso, antes alegra-se. Não encara o bom como o dever, mas como aquilo que lhe convém, que lhe trará felicidade.

Assim, a virtude moral é a mais alta atualização da liberdade e da razão.

PARTE II – ALGUMAS DAS PRINCIPAIS VIRTUDES DO JURISTA

1. PRUDÊNCIA

É a virtude da função imperativa da razão prática, que determina diretamente a ação. Trata-se de uma virtude intelectual ou dianoética que depende das tendências e tem por função dirigir continuamente a ação. Auriga virtutum: a condutora de todas as virtudes.

Não se confunde com a panourgia: astúcia ou refinamento para o mal, como no caso de um hábil traficante, ou no chefe de um grupo terrorista. A prudência é a destreza da razão para o bem.

À prudência corresponde determinar os meios, isto é, as ações concretas encaminhadas à consecução de um fim. Bons os meios, bom o fim. Constitui a verdade prática do atuar, a reta tendência ao fim bom.

Constitui-se de três partes: deliberação, juízo, mandato ou império para atuar. O homem prudente é o bom por excelência.

No caso do jurista, como de qualquer profissional, a prudência também implica na aquisição de habilidades e conhecimentos específicos. Ou seja, o atuar prudente do juiz, do advogado, do promotor supõe que conheçam bem o Direito e o caso concreto que têm nas mãos.

2. JUSTIÇA

Trata-se do aperfeiçoamento da vontade no que diz respeito à tendência para o bem dos outros. É a vontade determinada e constante de dar a cada um o que é seu, o que lhe corresponde, nos diferentes âmbitos da justiça (comutativa, distributiva, legal).

Regras de ouro da virtude da justiça: “Não faças aos outros o que não quererias que fizessem a ti” e “ama o teu próximo como a ti mesmo”.

Como, naturalmente, a razão e a vontade procuram apenas o próprio bem, somente a virtude da justiça pode proporcionar essa segunda natureza que permite tender ao bem dos demais com a mesma determinação com que se busca o próprio bem.

O homem justo alegra-se com o bem do próximo como se fosse o seu. O outro passa a ser um alter ipse. Logo, a justiça não é a imposição do mais forte, como no caso do Vae victis de Breno, quando os gauleses invadiram a Península Itálica, saquearam Roma e exigiram o resgate de 3600 kg de ouro; ao pesá-lo, foi colocada na balança a espada de ferro dos vencedores. Justiça é benevolência.

Honestidade: necessidade dessa virtude nos dias que correm, quando o comum parece ser a corrupção e a aproveitamento ilícito da posição. Tem a ver com o respeito a si próprio e aos outros.

3. FORTALEZA OU VALENTIA

É a virtude que aperfeiçoa os atos ou paixões da faculdade tendencial irascível, ou brio, tornando-os conforme à reta razão.

A fortaleza leva a acometer as tarefas necessárias – aggredere – e a suportar as dificuldades e esforços prolongados – resistere. Da fortaleza formam parte a audácia, bem como a paciência e a constância. O forte distingue-se pela serenidade. Interessante a coincidência entre Tolstói (“a paciência e o tempo, eis os dois paladinos que fazem a guerra por mim”, in Voina i Mir) e Balzac (“Todo poder humano é uma mistura de paciência e tempo”, in Eugenia Grandet).

Os vícios opostos à essa virtude são o medo ou covardia e a temeridade.

A fortaleza leva à prudência e vice-versa. Quem se afana por fazer o bem, sempre encontra dificuldades, necessitando pois de fortaleza; e só o prudente pratica o bem. Por outro lado, a fortaleza sem justiça e prudência leva ao fanatismo.

Há duas classes de dificuldades: as internas, oriundas da imperfeição do próprio sujeito e da rebelião freqüente dos sentimentos e instintos contra a razão; e as externas, provenientes das outras pessoas e das estruturas injustas da sociedade.

Algumas manifestações da fortaleza no jurista: enfrentar os casos difíceis, ir contra a corrente quando a justiça o exigir, resistir às pressões (ambiente, tentativas de suborno, ameaças), serenidade nos momentos difíceis de um pleito, terminar as causas (ir até o final).

4. VERACIDADE

Diz-se da virtude daquele que sempre manifesta a verdade. As palavras e ações da pessoa veraz são conformes às realidades que expressam. Essa virtude é essencial para a vida em sociedade.

A veracidade opõe-se a toda sorte de mentira – isto é, ato de enganar o outro, fazendo com que as palavras ou as ações sejam contrárias à realidade que deveriam manifestar; vem de mendacium: contra a mente –: duplicidade, simulação, hipocrisia – vem do grego hypocrita, cômico que entrava em cena com uma máscara em que se desenhava uma face sorridente, ou triste, etc.

A veracidade é parte da virtude da justiça, e podemos especificá-la como “justiça comunicativa”. Logo, está radicada na vontade – é um ato da vontade, embora a pessoa também dependa do entendimento para chegar ao que é verdadeiro. Cada um tem o direito de receber comunicações verdadeiras.

Nas relações em juízo, essa virtude adquire uma especial importância, em vista da natureza do relacionamento criado. Daí a solenidade e a proteção legal que a revestem.

Sófocles: “A verdade é sempre o argumento mais forte.”

5. LABORIOSIDADE

Virtude que leva a trabalhar muito, e a trabalhar bem; quantidade de tempo e qualidade do serviço; perfeição no processo e no produto.

O trabalho faz parte da finalidade da existência humana, pois é o meio de aperfeiçoamento da própria pessoa e do entorno em que vive. Tem a ver com a diligência, de diligere, amar. A laboriosidade leva ao gosto pelo trabalho, a trabalhar com prazer. No caso do jurista, redunda no entusiasmo pela promoção da justiça.

O vício oposto é a preguiça, que constitui um defeito antropológico, na medida em que não se faz aquilo para o qual se foi criado. Clodomir Vianna Moog, no seu Bandeirantes e Pioneiros, explora a figura nacional do “mazombo”, cujas características são: ausência de determinação, ausência de gosto por qualquer tipo de atividade orgânica, carência de iniciativa e inventividade, falta de crença na possibilidade de aperfeiçoamento moral do homem, descaso por tudo que não fosse fortuna rápida. Cumpre-nos modificar essa característica e essa imagem do brasileiro.

PARTE III – OS DEVERES DO JURISTA

1. SENTIDO DEONTOLÓGICO DO DEVER

A moral kantiana do imperativo categórico, bastante difundida e defendida quando se estuda a Ética, incide no equívoco de entender a virtude como o estrito cumprimento do dever: tudo o que se faz em sociedade há de ser encarado como dever. A vida seria compartimentada por deveres, sejam eles cívicos (p.ex., a votação), sociais (promoção da paz social), familiares (sustento dos filhos) ou profissionais (o juiz que profere uma sentença).

O problema dessa visão é, por um lado, o reducionismo negativista da realidade: tudo passa a ser dever, e o dever necessita ser feito porque é um dever. Por outro lado, as suas conseqüências são nefastas para a Ética, uma vez que se acaba por perder de vista o real sentido do dever.

Qual seria o real sentido do dever? A contraprestação de um direito, que em justiça deve ser atendido, e virtuosamente atendido. Volta-se destarte ao âmbito salutar das virtudes: justiça/benevolência, prudência/recta ratio, fortaleza/valentia para realizar o bem, etc.

O ponto-chave dessa resposta é que o jurista – juiz, advogado, promotor, procurador, professor... – tem uma série de deveres a cumprir, não por eles mesmos, mas pelos respectivos direitos do Estado, da sociedade, de cada pessoa que, por qualquer motivo, recorra ou participe de um ato/âmbito do Poder Judiciário. E esse mesmo jurista cumprirá tais deveres como forma de exercitar virtudes e de ser virtuoso.

Alguns exemplos: as partes litigantes têm o direito a que o juiz preste a sua função com imparcialidade; a sociedade tem o direito a que o MP coloque todos os meios para a boa condução dos processos criminais; o Estado tem o direito a que o professor prepare as aulas.

Enfim, o âmbito preciso em que se encontram os deveres do jurista é o das virtudes requeridas para atender os direitos do Estado, da sociedade, das pessoas. Sendo encarados como produtos ou resultados de virtudes, esses deveres incidem também em outra esfera, a do aperfeiçoamento moral do jurista.

2. QUADRO DOS DEVERES DO JURISTA

Por uma questão didática, e limitando o estudo em função do tempo disponível, podem-se classificar esses deveres em três grupos:

A. Comuns a todos os juristas: conhecer o Direito e as circunstâncias do processo; sigilo profissional; buscar a melhor solução; respeito à lei justa;

B. do Juiz: prestar a função com diligência, imparcialidade, respeito pelas partes e advogados;

C. do Advogado: lealdade ao cliente, igualdade de trato e diligência cuidadosa, exatidão, decoro profissional.

3. DEVERES COMUNS A TODOS

A. Conhecer o Direito e as circunstâncias do processo:

Faz parte da virtude da prudência o domínio da profissão.

Também é objeto de uma virtude intelectual, a ciência, o conhecimento de um ramo do saber humano que possibilita a perfeita atuação profissional.

É um dever principal do jurista praticar o estudo teórico, o estudo de atualização, a reflexão, o aprofundamento nos “quês” e nos “porquês”. Também são tempos de trabalho. Há o risco de o profissional do Direito tornar-se um “prático”, um tecnólogo, deixando então de ser jurista. O diferencial do profissional excelente é o estudo constante, se possível diário.

Em concreto, estudar o processo que se há de julgar ou defender. É claro que se trata de um dever exigente em vista do volume de trabalho e da pressão dos prazos, mas se deve apontar sempre para o seu cumprimento, empregando as diligências necessárias.

Virtudes que aparecem no cumprimento desse dever: prudência, justiça, fortaleza, veracidade e laboriosidade.

B. Sigilo profissional (arts 5 e 13 do C.I.D.F. - Código Internacional de Deontologia Forense).

Faz parte da relação de confiança que há entre o advogado e o cliente, e constitui-se num meio vital para uma boa defesa. No caso do juiz e do promotor, o dever do sigilo aparece nos casos não públicos, e naquilo que não devem revelar por força da função.

Virtudes envolvidas: prudência, justiça, fortaleza, veracidade, lealdade e discrição.

Meios concretos, especialmente no caso dos advogados: não estudar ou comentar esses assuntos em lugares públicos, por telefone, internet, etc.; cuidado com o arquivo dos documentos, as anotações, fitas gravadas, etc.; destruir os documentos confidenciais findo o processo; não citar experiências reais em aulas, artigos, etc.

C. Buscar a melhor solução (art. 10 do C.I.D.F.)

Aqui entram em jogo as virtudes da justiça, da prudência e da laboriosidade. A melhor solução para dar a cada um o que é seu, evitando meios imperfeitos. E se deve buscar a melhor solução para as partes e para o bem comum, não para o juiz ou o advogado.

D. Respeito à lei justa

A lei justa – emanada de autoridade competente e com conteúdo de acordo com a moral – está para ser obedecida e respeitada. Faz parte da justiça e da prudência.

Não importa que a lei justa seja contrária ao parecer do jurista, quando se tratar de matérias opináveis: p.ex., o advogado é contra o dispositivo do Código Civil que prevê o prazo de um mês para a cobrança do mútuo em contrato sem data estipulada; isso não quer dizer que ele possa desobedecer ou desrespeitar esse dispositivo. Outro problema: a psicose do “como burlar a lei?”

Por outro lado, a lei injusta não obriga, e em alguns casos deverá ser desatendida.

4. DEVERES DO JUIZ

A. Prestar a função com diligência.

É o primeiro que se espera de um juiz: que julgue os processos que lhe são confiados, e que os julgue bem, com prudência e justiça.

Exemplo literário: julgamento de Sancho Pança em Barataria no caso do empréstimo de dez ducados, com o mutuário de bengala jurando que havia devolvido (D. Quixote, Miguel de Cervantes).

Diligência neste caso é laboriosidade, dar conta das tarefas, pontualidade.

B. Imparcialidade.

Virtude própria de quem é justo. O juiz deve estar eqüidistante das partes, o que facilitará a sua decisão.

Esse dever está ligado à uma parte da prudência e da sabedoria (virtude intelectual) que é a racionalidade boa, ou seja, o domínio da razão sobre os afetos e as paixões. Na prática, significa não se deixar levar por simpatias, preconceitos, impressões, aspectos circunstanciais.

Também está ligado à fortaleza, pois muitas vezes suporá decisões difíceis, politicamente incorretas e impopulares.

C. Respeito pelas partes.

Justiça-benevolência e humildade: o juiz não é superior aos outros. Deve evitar atitudes ou posturas prepotentes, cínicas, imperativas, orgulhosas, esquisitas. Apreço e consideração pelas partes, zelo pelas boas formas.

O que não quer dizer servilismo, fraqueza, deixar-se dominar pelas partes. É possível ser firme e rigoroso sem faltar ao respeito.

5. DEVERES DO ADVOGADO

A. Lealdade ao cliente (art. 9 do C.I.D.F.).

Trata-se de um dever-virtude. A lealdade é a virtude que torna o advogado conforme às leis da probidade e da honra.

Elementos constitutivos: franqueza com o cliente; emprego dos cuidados exigíveis para o bom sucesso da causa; sigilo.

Aspecto previsto nos art. 9, II e 16 do C.I.D.F.: o advogado somente poderá retirar-se do processo por um motivo justificado, e num momento em que não haja prejuízo irreparável para o cliente.

Vão contra esse dever a revelação do segredo profissional, o acordo com a parte contrária à revelia do cliente e a desinformação do cliente.

A lealdade persiste inclusive depois de encerrado o processo.

B. Igualdade no desempenho dos casos (art. 9 do C.I.D.F.)

O advogado deve empregar os mesmos cuidados e diligências nos casos de um cliente milionário, e nos de um indigente; nos pagamentos à vista e nos parcelados. Está em jogo a virtude da justiça.

A tradução desse dever é a diligência habitual: evitar as dilações daninhas, não patrocinar mais casos que os passíveis de diligência ordinária, etc.

C. Exatidão (Art. 6, II do C.I.D.F.)

Dever correlato à virtude da veracidade. O advogado deve fornecer informações exatas ao tribunal. Não deve mentir nem aconselhar a mentir. Também lhe é vedado falsear dados, inventar ou destruir documentos, etc.

Casos negativos clássicos: a agressão ao cliente assassino e a ingestão do documento probatório.

D. Decoro profissional (art. 2 e 4 do C.I.D.F.)

Motivos desse dever: não danificar a reputação profissional e nem diminuir o seu prestígio. Decoro é conveniência, dignidade, conduta honrada.

Atitudes de falta de decoro: propaganda do próprio escritório que fomente o espírito litigioso, ou que seja espalhafatosa e estranha; comprar o pleito; enganar o cliente quanto aos honorários (“inflar” a causa, p.ex.); comportamentos indecorosos: ofensas à parte contrária ou ao juiz, comportar-se desrespeitosamente no tribunal; ameaçar a parte contrária, etc.

Também entra em tela de juízo a pulcritude com assuntos econômicos: art. 14 e 16 do C.I.D.F.

PARTE IV – CONCLUSÃO

A grande pergunta é: por que e para que tudo isso?

1. Porque toda pessoa busca a felicidade. A verdadeira felicidade se encontra na vida virtuosa – vida boa de Aristóteles, eupraxia, o atuar segundo a virtude –, que supõe o aperfeiçoamento pessoal e o aperfeiçoamento social, afinal a melhora individual é o melhor caminho para a melhora coletiva.

As virtudes pessoais têm o seu eixo no trabalho, onde grande parte delas é conseguida. Logo, o jurista há de ser virtuoso, aperfeiçoar-se e ser feliz precisamente através do seu trabalho.

2. O ideal ético é o melhor fim possível para a existência humana. Porque é o único que a melhora e torna feliz, e contribui positivamente para a melhora da sociedade e a consecução do bem comum.

3. Igualmente são fins, embora equivocados ou parciais: o brilho profissional, a aquisição de meios econômicos, a conquista do poder, a busca de uma vida cômoda e prazerosa. Contudo, são fins que não trazem a felicidade. Geram, sim, a sensação de vazio e fracasso.

A insatisfação existencial da carreira vivida à margem da Ética, sem o esforço pelo aprimoramento pessoal, redunda na visão do trabalho como carga, algema, ou mero instrumento para a obtenção de objetivos que logo se mostram decepcionantes.

4. A grande peculiaridade do jurista é que, ao contrário dos outros tipos de trabalho, a sua profissão consiste em fazer valer uma virtude. É um promotor da justiça, em analogia com os artistas e as musas. O seu trabalho profissional é promover o aperfeiçoamento social, aperfeiçoando-se a si mesmo ao realizar os seus afazeres.

Isto é uma grande honra, mas também uma enorme responsabilidade, o que nos leva a refletir e assumir as idéias e os ideais éticos.

Fonte: http://www.iics.org.br/direito/Site/newsletter_interno.aspx?id=20