sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A Virgem Maria, a Ira, o Ódio... e Deus!


Por Prof. Pedro M. da Cruz
 
“Que comunhão tem a luz com as trevas? Que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou, que parte tem o fiel com o infiel?” (II Cor 6,14-15)
“Não aborreço eu , ó Senhor, aqueles que te ofendem?(...) Aborreço-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos.” (Sal 138, 21-22)
“Mesmo em ira, não pequeis.” (Efe 4, 26)
Uma expressão mais áspera num artigo, o movimento brusco de certo pregador, ou mesmo, as reprovações severas de alguma outra autoridade, e logo nos vemos, como que arrancados da incompreendida “atmosfera cristã”, como se esta fosse inconciliável com determinadas variações de temperamento tão comuns aos santos, inclusive a Nosso Senhor. Parece-nos que os homens de hoje perderam a austera radicalidade, a força, a ousadia do Divino Mestre! Chegaram ao extremo de confundir tolerância com permissividade e relativismo; piedade com arrepios, suspiros, sentimentalismo malsão; e, por fim, bondade com asneiras como fraqueza, ingenuidade ou parvoíce...
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Apresento minhas desculpas àquelas a quem possa magoar, assegurando-as que, se vier a fazê-lo, será de todo coração.” (São Francisco de Sales, Doutor da Perfeição)
Que diria São Luiz Maria Grignion de Montfort?! Ele que profetizou o advento dos verdadeiros apóstolos, semelhantes a nuvens trovejantes que lançarão dardos contra o mundo? Eles que - segundo o mesmo autor – serão ministros ardendo em chamas abrasadoras pela verdade; trovejarão contra todo o pecado; serão – vejam que interessante – como flechas agudas nas mãos de Maria Santíssima prontas para traspassar todos os seus inimigos.
Quem de nós já parou para meditar neste aspecto de alma da Virgem Maria? Será correto atribuir a Nossa Senhora esse ódio mortal, essa intransigência, enfim, essa intolerância tão incompreendida por tantos católicos “bonzinhos” da atualidade? Não é ela a Virgo clemens, ou mesmo, a Regina pacis que cantamos todos os dias na Ladainha? Que clemência e paz são estas que permitem a coexistência em si do ódio e do amor? É o próprio São Luiz Maria Grignion de Montfort quem nos responde estas perguntas em seu magnífico livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”. Perceberemos, com clareza, que Nossa Senhora é a grande patrona e modelo de todos aqueles que alimentam um santo ódio, assim como, antipatias e inimizades heróicas pelo demônio e por aqueles que se juntam a ele de uma forma ou de outra. Vejamos:
52 - Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que María é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio. Ele lhe deu até, desde o paraíso, tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência para descobrir a malícia dessa velha serpente, tanta força para vencer, esmagar e aniquilar esse ímpio orgulhoso, que o temor que Maria inspira ao demônio é maior que o que lhe inspiram todos os anjos e homens e, em certo sentido, o próprio Deus. Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas, mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino; segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos.
***
54 – Deus não pôs somente inimizade, mas inimizades, e não somente entre Maria e o demônio, mas também entre a posteridade da Santíssima Virgem e a posteridade do demônio. Quer dizer, Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e servos da Santíssima Vírgem e os filhos e escravos do demônio. Não há entre eles a menor sombra de amor, nem correspondência íntima existe entre uns e outros. Os filhos de Belial, os escravos de Satã, os amigos do mundo (pois é a mesma coisa) sempre perseguiram até hoje e perseguirão no futuro aqueles que pertencem à Santíssima Vírgem, como outrora Caim perseguiu seu irmão Abel, e Esaú, seu irmão Jacob, figurando os réprobos e predestinados. Mas a humilde Maria será sempre vitoriosa na luta contra esse orgulhoso, e tão grande será a vitória final que ela chegará ao ponto de esmagar-lhe a cabeça, sede de todo orgulho. Ela descobrirá sempre sua malícia de serpente, desvendará suas tramas infernais, desfará seus conselhos diabólicos, e até ao fim dos tempos garantirá seus fiéis servidores contra as garras de tão cruel inimigo.”
Referência bibliográfica:
DE MONTFORT, S. Luíz Maria Grignion. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 30a Edição. Petrópolis, Editora Vozes, 2002. Pg. 54 - 60

4 comentários:

Anônimo disse...

Nossa Senhora é o maior exemplo de ódio pelo erro e pela mentira.

Anônimo disse...

Por isso, devemos sempre rogar à mãe do Céu, com fé e esperança, como filhos e escravos: "Oh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos à Vós!"

Católico disse...

Se é Maria que deu exem´pl então vamu todo mundu atraz.

Anônimo disse...

texto muito bom.