terça-feira, 20 de outubro de 2009

Desfazendo um mito...

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Por R. G. Santos

Dizem os teólogos da libertação (e não sem grave orgulho) que sua pseudo teologia brota dos anseios do povo sofredor. Em outras palavras, dizem ser a busca por estruturas sócio-político-econômicas mais justas por parte dos contingentes de excluídos da história (e de modo especial dos latino-americanos) o motor para o surgimento de uma “teologia nova”, fundamentada numa fé “encarnada” que busca “redimir” os sofredores do mundo.

Tudo isso para postular que a TL surge do povo, de suas mais profundas aspirações. De modo especial do povo oprimido na América Latina. Defendem assim, a originalidade de sua herética elaboração teológica. Diante do exposto, podemos sem medo, afirmar: mentira, mentira, mentira!!! Os teólogos da libertação e de modo especial sua elaboração teológica não tem nada de original. Muito menos constitui a TL fenômeno originário na América Latina, como querem e pontuam seus corifeus. Afinal, erro tão perverso não poderia surgir da mente de um povo marcadamente ordeiro, que conta, no desenvolvimento de sua civilização e personalidade, com mais de cinco séculos de espetacular formação genuinamente católica, fruto de árdua e certamente meritória empreitada de missionários que deram suas vidas por Jesus, pela Igreja e pela salvação das almas.

Nosso objetivo nestas linhas já está mais do que evidenciado: fazer cair por terra a falsa noção de que a TL seria fenômeno de gênese originariamente latino-americana. Não o é, repetimos. Tem a TL sua origem, muito ao contrário do que se pensa, em círculos teológicos pervertidos pelo progressismo situados em países centrais, de “primeiro mundo”, para utilizar expressão ultrapassada (por referir-se à Guerra Fria, já extinta), porém pertinente. Por países centrais, de primeiro mundo, devemos entender aqui aqueles localizados na Europa Ocidental (de modo especial setentrionais, nórdicos, ibéricos e etc.), e países da América do Norte (marcadamente EUA e Canadá). Os teólogos progressistas de maior vulto na América Latina, próceres da TL, se formaram nesses países de centro, de primeiro mundo. Tal fato é reconhecido até pelos progressistas. Nesse sentido, pontua Comblin (1985, p. 11) que “(...) os livros, as instituições intelectuais dos países cêntricos (de primeiro mundo) exercem um efeito de prestígio enorme. Quase todos os professores de teologia da América Latina se formaram na Europa ou na América do Norte...(acréscimo entre parênteses nosso)”

Em outros termos podemos concluir que seria a TL, na prática, uma infeliz adaptação da teologia liberal que se formou na Europa e Na América do Norte. O que a Teologia Liberal européia é para os princípios morais (rompimento com as normas objetivas da moral Cristã autêntica), é a Teologia da libertação para os dogmas e para toda a Tradição bimilenar da Igreja. Tratam-se ambas de aplicação das concepções liberais que surgiram no tempo e no espaço. A diferença reside num recurso sobremaneira mais intenso da filosofia, ou “análise” marxista (também esta não é originariamente latino americana!!) na teologia da libertação para conseguir um pretexto e, com ele, inserir-se na realidade da América Latina. Ainda no sentido de elucidarmos a verdadeira origem da TL, diz Comblin (1985, p. 13-14), com muita clareza por sinal, que

“a teologia latino-americana da libertação formou-se e manifestou-se pelas suas primeiras publicações na época em que uma teologia de inspiração liberal, ou neoliberal, predominava nos países do centro no fim da década dos anos 60. Os principais teólogos da libertação formaram-se na Europa sob a influência das tendências mais liberais do tempo.”

Com o que acabamos de expor, só podemos chegar a seguinte conclusão: trata-se factualmente a TL de exportação, para a realidade latino americana, de ideologias geradas nos ambientes de reflexão teológica situados nos países desenvolvidos, de “primeiro mundo”. Nosso posicionamento vai fundamentar-se, assim, no então cardeal Ratzinger (1985, p. 145). Segundo ele,

“(...) a teologia da libertação, nas suas formas que se inspiram no marxismo, não é, de forma alguma, um produto autóctone, natural da América Latina ou de outras regiões subdesenvolvidas, onde teria nascido e crescido como que espontaneamente por obra do povo. Na realidade, pelo menos em suas origens, trata-se de criação de intelectuais, e de intelectuais nascidos ou formados no Ocidente opulento: europeus são os teólogos que a iniciaram, europeus ou educados em universidades européias são os teólogos que a fazem crescer na América do Sul. Por trás do espanhol e do português dessa pregação, pode-se perceber, na realidade, o alemão, o francês e o anglo-americano.(grifos nossos)”

Portanto, basta uma pesquisa desapaixonada, atenta e séria para descobrir-se o mitado da TL enquanto fenômeno genuinamente latino americano. Isso não corresponde à realidade. Trata-se de mais um ardil para tentar perverter um povo cheio de fé, mas infenso a erros ladinos e sorrateiros... Chega de abusar da boa vontade de nosso povo heroicamente moldado em sua formação cinco vezes secular, pelo sangue, pelo suor e pelas lágrimas de muitos e verdadeiros missionários que deram suas vidas pelo mandato de Cristo “ide por todo mundo, e a todos pregai o Evangelho”.

FONTE

COMBLIN, José. Teologia Orgânica: Teologia da libertação, Teologia Neoconsevadora e Teologia Liberal. Petrópolis, Vozes, 1985. (péssimo livro para quem quer ter sólida formação teológica)

RATZINGER, Joseph; MESSORI, V. A Fé em Crise – O cardeal Ratzinger se interroga. São Paulo: EPU, 1985.

14 comentários:

João disse...

Mais uma vez parabéns profressor R. G. Gomes!
Outro texto que poderia ser enviado a todas as arquidioceses do Brasil, aliás, da América.
Nosso povo é por princípio cheio de fé e não materialista.

Pax Domini!

Anônimo disse...

Parabéns. Realmente está muito bom. Espero que possa abrir a mente de muita gente desinformada.

Anônimo disse...

Bem pertinente... A TL enquanto fenômeno supostamente latino-americano é de fato um mitado mesmo, criado para enganar os mais simples e indefesos à sanha socialistóide que quer se impor a ferro e fogo.

Lutemos com o rosario nos dedos e os livros anti comunismo nas mãos.

Pax Tecum

Anônimo disse...

Isso é bom pra abrir a cabeça de todo mundo que ainda insiste em que cada lugar é independente do outro. Na verdade o que tem mesmo é uma única fonte comum para o erro: a heresia.

Leandro disse...

Parabéns. Mas, eu mandei uma pergunta que não foi respondida, aliás, que nem apareceu por qui. O que aconteceu?vai ela de novo.


Então é verdade que dentro da IGREJA tambem tem doutrina falsa? Ela não é infalível em questão de fé e moral? Isso parece contraditório, pois muitos bispos e , me parece, o próprio João Paulo II defendeu a Teologia da libertação.

Anônimo disse...

Disse o Leandro:

"...é verdade que dentro da IGREJA tambem tem doutrina falsa?”
É bom, caro Leandro, não confundirmos a Igreja em si, Cristo continuado no tempo, com seus membros, que são, em sua boa parte, voláteis e tendentes ao erro. A Igreja em si é, em Cristo e com Cristo, Santa. Seus membros é que, por inadvertência e infidelidade, podem conservar em si mentiras e erros. As doutrinas falsas não são, ou melhor, não surgem na Igreja em si, pois isso seria impossível por no mínimo, dois motivos:
*Primeiro, porque é Cristo quem pensa na Igreja, por ser sua cabeça. De Cristo não pode sair erros e contradições. Assim sendo, não é da Igreja que saem os erros. Estes, como já ressaltamos, só podem sair de seres imperfeitos, como os homens não confirmados em graça, por exemplo, e dos demônios, já “confirmados em desgraça”, por terem passado pelo seu período de prova, e nenê terem sido infiéis.
* Segundo, porque sendo a Verdade em Plenitude, Cristo prometeu que sua Igreja jamais sucumbiria ante o erro. Prometeu-lhe auxiliá-la sempre no Espírito Santo até o fim dos tempos.
Assim sendo, fica simples notar que a TL não faz parte da Igreja em si, por não ter como origem a Cristo. Nosso Senhor é inacessível à contradição porque ela não existe Nele.
(continua)

Anônimo disse...

Disse ainda:
“Ela não é infalível em questão de fé e moral? Isso parece contraditório, pois muitos bispos e , me parece, o próprio João Paulo II defendeu a Teologia da libertação.”

É fato que muitos bispos defendem mesmo a TL e até a propagam. Desconheço o fato de que João Paulo II tenha defendido a TL...
Por ser infalível em questões de fé e de moral é que a Igreja condena, na TL, seu recurso a análise marxista, frontalmente contraria a Doutrina pregada por Nosso Senhor. Se você ler a Instrução da S. Congregação para a Doutrina da Fé sobre Alguns Aspectos da Teologia da Liberatção (Libertatis Nuntius), verá que a Igreja salvaguarda na elaboração dos Teólogos da Libertação a licitude da resolução dos problemas sociais (Cf. I, 3). Entretanto, condena nestes teólogos o recurso a análise marxista como método para abordagem da realidade social traumática (Cf. II, 3). Até mesmo entre os erros mais escandalosos podem ser encontrados alguns restos de realidade, de verdade...
Nem um Papa ousou até o presente momento “canonizar” a TL, muito menos o marxismo. Nem os Papas, nem Os bispos são “A” Igreja, vale ressaltar. Todos dela são membros, revestidos de dignidade maior, sem dúvida, mas membros.


Forte abraço.
O autor.

Sociedade Apostolado disse...

Em tempo, João Paulo II NÃO defendeu a Teologia da Libertação. Ele nem qualquer outro Papa pode fazê-lo sem pactuar com Belial.

samfilos disse...

Engraçado é o modo como os comentários são na maioria anônimos. Jesus falou tudo às claras, deu a cara pra bater!
Paz e Bem! (em português mesmo!)

Sociedade Apostolado disse...

samfilos,

O fato dos comentários serem anônimos nada interferem em que sejam bons. Apesar de preferirmos que os comentadores se identifiquem, permitimos o anonimato porque sabemos que podem existir situações em que há motivos para não se identificar.
A comparação com Jesus não tem lógica, visto que no mesmo Evangelho o Senhor quis por vezes que suas obras ou informações a seu respeito fossem caladas ao público, (São Marcos 9,9 - "Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos.)

Anônimo disse...

Infelizmente, se os bons dão a "cara para bater" são expulsos dos seminários progressistas. Então, é melhor ser um anônimo fiel à Igreja do que um "cara limpa" comprometido e corrompido pelo erro, como ocorre com muitos.... Jesus queria que os seus fossem prudentes como as serpendes...

Pax Domini (em latim)

Sociedade Apostolado disse...

Detalhe: a tradução da expressão latina "pax domini" não é o "paz e bem" franciscano (em latim, "pax et bonum"), mas "a paz do Senhor".

Anônimo disse...

Realmente, o marxismo é doutrina intrinsecamente perversa. Contraria todos os ideais cristãos. Mas pergunto: O que leva as pessoas católicas, atualmente, a considerar com brandura tão perniciosa doutrina? E porque não era assim antigamente? Qual a raiz verdadeira para emergência de erros tão danosos como o marxismo entre os homens de Igreja?

Pax

Sociedade Apostolado disse...

As pessoas podem afagar tal doutrina ou por não conhecerem a fundo, ou por acharem que os fins justificam os meios; ou ainda, por não quererem encarar a realidade.

O erro, por mais perverso que seja, sempre procura se imiscuir em uma falsa aparência de beleza, bondade ou verdade, do contrário, não reluziria como atrativo ao homem. O Marxismo é o ponto de chegada de uma revolução de doutrinas que se iniciou há vários séculos. Para o triunfo do bem, só a verdade pode ser eficaz. A crise da verdade na contemporaneidade se revela na adesão a doutrinas que, em seu cerne, buscam tirar Deus do seu devido lugar e, depois de banido Aquele, colocar o homem lá.

As heresias e pecados sempre existiram no mundo, mas tomaram no século passado um vigor nunca antes visto devido às várias revoluções (sobretudo culturais), pelo qual a civilização passou.