quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Reflexões em torno do axioma: “Fora da Igreja não há salvação”

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Por R. G. Santos

 

Em meio a mentalidade atual, marcada pelo relativismo [1] e, assim, pela aversão às verdades objetivas, surgem falsas intelecções e concepções da realidade que querem se fazer valer por si mesmas, como verdadeiros “dogmas”. Dentre estas errôneas intelecções da realidade, que abarcam todo o vasto e complexo campo do ser e agir do homem, iremos nos deter de modo específico na esfera religiosa.

Nesta, tem-se dado largas a “idéias” (falsas, diga-se de passagem) do tipo “religião não salva ninguém”, “o que vale é o amor no coração”, “tanto faz ser católico ou ser protestante ”, “o importante é crer em Deus”, e etc. E as pessoas, se deixando dominar por esta verdadeira “cultura e indústria do relativismo”, acabam aclamando e “dogmatizando”, mesmo que imperceptivelmente, tais noções. E assim, “de requinte em requinte”, como diria doutor Plínio Correa de Oliveira [2], as verdades imutáveis de Cristo Rei vão sendo esquecidas e também ignoradas. De modo especial, uma destas verdades, devido aos já citados motivos acima descritos, vem sendo “ocultada” espetacularmente pela “hodiernidade”.  Trata-se do axioma “fora da Igreja (Católica) não há salvação.” Iremos nos deter na explicitação deste, que, por ser tão fundamental no Cristianismo, é talvez o mais combatido pela “indústria do relativismo” e dos menos compreendidos pelas pessoas.

Antes de mais nada é necessário ressaltar que Cristo fundou a Igreja,  seu “corpo Místico”(Cf. Col I, 18); e lhe deu uma dimensão visível (institucional) e invisível[3] alem de características próprias[4], pelas quais pudesse ser claramente identificada.  Conferiu seu governo nesta terra a um chefe, também visível, S. Pedro, “pedra sobre a qual Cristo edificou sua Igreja” (Cf. Mat XVI, 18) e, na dependência deste, instituiu também o “colégio apostólico”, composto pelos demais apóstolos. Assim sendo, ensina-nos o Apóstolo das Gentes que, no que se refere à salvação, Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens (Cf. I Tim II, 5). Se a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, logo, para além de Cristo e de seu Corpo Místico, não pode existir salvação.  Neste sentido, quando o Santo Evangelho nos diz que Nosso Senhor Jesus Cristo é o caminho (Cf. Jo XIV, 6), entendemos que, por ser dEle seu Corpo Místico, a Igreja Católica é a única que nos conduz a salvação. Explicitando esta doutrina, o Catecismo da Igreja Católica ensina-nos que “(...) a Igreja é o redil, do qual Cristo é a única e necessária porta” (P. 216, Par. 754).

Segundo Pascucci, para que a salvação se propagasse aos homens “(...) quis [Cristo] instituir uma sociedade, onde precisamente pudessem os homens encontrar os meios de conseguir a salvação eterna. A tal sociedade chamou-lhe Igreja...” (p. 62). Ainda segundo Pascucci, é a Igreja “(...) a sociedade dos verdadeiros Cristãos, isto é, dos batizados, que professam a fé e a doutrina de Jesus Cristo, participam dos seus sacramentos e obedecem aos pastores por Ele estabelecidos” (p. 63).  Apesar de não deixar de exorcizar uma linguagem “ligeiramente” progressista em sua obra, também Battistini aceita e explicita a verdade sobre a Igreja de Cristo; que de acordo com sua reflexão é “(...) sinal de salvação: quem pertence a Igreja de Jesus, quem é membro vivo da Igreja está salvo, pois a Igreja [Católica] é Cristo continuado no tempo...”(p. 87). Falando ainda da verdadeira Igreja, Batistini conclui que “a Igreja Católica resplandece no mundo como único sinal divino de salvação” (p. 87). Por sua vez, e para lançar mais um foco de luz sobre esta nossa reflexão acerca da Santa Igreja, Negromonte afirma que a Igreja é caminho único para a comunhão com a Divindade quando diz que “o nosso contato direto não é com Deus, nem com Cristo, mas com a Igreja; unidos a Ela, unidos a Cristo, unidos a Deus...” (p. 9).  Mayer avança um pouco mais em sua reflexão acerca da Verdadeira Igreja de Cristo quando afirma que todos têm o dever de nela entrarem. Assim, diz ele que “entre os preceitos divinos, está a obrigação de ingressar na Igreja Católica, instituída por Jesus Cristo como o meio único de salvação para todos os homens” (p. 296).

Fundamentando-se assim nas evidências extraídas da Divina revelação, a Igreja definiu esta Verdade de fé, ou dogma [5] de que, por vontade de Cristo, seu divino fundador, fora dela não há salvação. Diante deste dado real da revelação e de sua difícil aceitação e intelecção na atualidade, surgem até naturalmente, poderíamos dizer, algumas duvidas acerca do correto entendimento deste axioma: Mas como se explica em pormenores esta doutrina? Se só se salvam os que pertencem à Igreja Católica, os que dela não forem membros visíveis estão invariavelmente destinados a eterna danação? Respondendo a estas questões, e explicitando pormenorizadamente este dogma, ensina-nos o Catecismo que “toda a salvação vem de Cristo–cabeça através da Igreja que é seu corpo...” (par. 846, pg. 243). Ensina-nos ainda o Catecismo, citando o Concílio Vaticano II, que “(...) não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar” (par. 846, p. 244).   Dando continuidade ao ensinamento do dogma, diz o catecismo ainda que

aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e da sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da Graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna” (Par. 847, p. 244). [negrito nosso]

Chegamos aqui a um ponto interessante nesta reflexão. Alguém, ao fazer uma leitura superficial desta ultima citação poderia pensar: “Então, segundo a doutrina ensinada pelo catecismo, os que sem culpa ignoram a Igreja de Cristo podem se salvar sem estar de algum modo unidos a Igreja Católica.” Ledo engano. Fazer tal interpretação seria forçar inadvertidamente o texto do catecismo. Quando o catecismo põe a possibilidade de salvação eterna aos que andam involuntária e inconscientemente no erro, é porque estes, se se salvarem, será unicamente pelos méritos de Cristo, e por derivação lógica, por meio da união, misteriosa, mas real, com seu corpo Místico. 

Os que andam no erro involuntário e numa ignorância invencível acerca da verdadeira Igreja de Cristo se salvam (ou podem se salvar) por pertencerem à alma da Igreja [6]. Segundo Pascucci

“aqueles que (...) estão no erro invencível, mas observam a própria religião de boa fé e se esforçam por agradar a Deus, segundo os lumes da consciência individual, podem pertencer à alma da Igreja e salvar-se, ou porque são efetivamente batizados ou porque têm implícito o desejo do batismo no ato de caridade que os dispõe a fazer o que Deus reclame deles” (p. 76). [negrito nosso]

Assim, quem se salva é por estar invariavelmente unido a Igreja, de uma forma ou de outra. Também Devivier aceita e expõe mais detidamente esta doutrina:

Se, com efeito, a verdadeira religião, a religião de Jesus Cristo é obrigatória para todos os homens, e, se esta religião, a única, é professada e ensinada só pela Igreja católica, apostólica, romana, força é reconhecer que fora desta Igreja não há salvação, e que ninguém pode alcançar o céu sem a ela de algum modo pertencer. Não é, portanto, a Igreja que há de ser acusada por falar assim; se algum fosse digno de censura, seria o seu divino Fundador, que tornou a sua religião indispensável para todos”(negrito nosso)[7].

 

O mais recente pronunciamento do magistério da Igreja sobre o assunto, a Declaração Dominus Iesus, da Congregação Para a Doutrina da Fé é esclarecedor. Diz a Dominus Iesus que “(...) deve crer-se firmemente que a Igreja, peregrina na terra, é necessária a salvação” (n. 20, p.39). E arremata magistralmente, contra qualquer irenismo e pregação mitigadora da verdade, que

 

“(...) Seria (...) contrário à fé Católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma...” (n.21, p. 41).[negrito nosso]

 

Tendo exposto mais detalhadamente esta verdade de Fé, podemos chegar às seguintes conclusões: É difícil dizer quem, embora não pertencendo ao corpo pertença, contudo, à alma da Igreja. Só o Senhor sabe e conhece aqueles que serão salvos. De acordo ainda com tudo o que acima foi exposto, podemos afirmar como Pascucci, que “(...) ninguém vai para o inferno sem culpa própria; (...) que Deus nos quer a todos salvos e a todos liberaliza a graça santificante...”(p. 76). Acerca do merecimento da condenação eterna, Devivier afirma que

 

“Ninguém, pois, se perde senão por culpa sua, menosprezando a lei, a qual, porém, não obriga senão depois de conhecida ou promulgada, pois não obriga em consciência a quem a desconhece. E, por isso é que o Senhor só depois de haver dito aos apóstolos: “Ide por toda a terra e ensinai o Evangelho a toda a gente”, é que acrescentou: “Quem não crer será condenado”. Supõe, pois, conhecer-se a verdade, quando se incorre em condenação por causa da incredulidade”[negrito nosso][8].

 

Esta, portanto, é uma tentativa modesta de explicitação da doutrina católica acerca da necessidade da pertença a Igreja para a salvação, sem pretender aqui esgotar tema tão amplo e rico. Doutrina esta que é tão combatida e banalizada atualmente pela já citada cosmovisão relativista, e portanto errônea, da realidade. Fujamos das vãs opiniões e reflexões dos inimigos de Cristo e de sua Igreja e nos apeguemos à verdade sempre. Afinal Cristo é a verdade (Cf. Jo XIV, 6).

 

Notas:

 

[1] Esta é, infelizmente, uma forte tendência do homem, mais acentuada na “hodiernidade”. A este respeito, cabe citar aqui um providente constatação do Papa João Paulo II acerca do relativismo atual, na Encíclica Veritatis Splendor, numero 1: “(...) Abandonando-se ao relativismo e ao ceticismo (...) ele[o homem “hodierno”] vai à procura de uma ilusória liberdade fora da própria verdade.”

[2] Fundador da Sociedade de defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP)

[3] Pascucci elucida bem a distinção entre dimensão visível e invisível da Igreja. Enquanto esta se caracteriza por ser “sobrenatural no fim a colimar, que é a vida eterna, e nos meios que nos conferem a graça...”(P. 63); aquela pode ser facilmente reconhecida por ser uma instituição. Esta instituição é, por vontade divina, desigual e hierárquica.

[4] São elas, a Unidade, a Santidade, a Catolicidade e a Apostolicidade. Por estas características podemos distinguir a Verdadeira Igreja de Cristo no mundo; visto que a Verdadeira Igreja conserva em si inseparavelmente todas elas.

[5] Verdade revelada e como tal, proposta pela Igreja para a anuência religiosa dos fiéis. O dogma é uma verdade superior, porem não contrária a razão. Sobre sua importância, diz Dom Mayer: “(...) O dogma é tão fundamental à Religião Cristã, que todos devem dele ter noção clara e exata.” (P. 4).

[6] Segundo Pascucci, a alma da Igreja “(...) é aquilo que a vivifica e lhe faz produzir obras sobrenaturais, dignas da vida eterna, como a graça santificante e os dons do Espírito Santo.” (p. 75)

[7] DEVIVIER, W. Fora da Igreja não há salvação. PERMANÊNCIA Internet

Disponível em: http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/fora.htm#[1]

 

[8] Idem

 

 

Referencias:

BATTISTINI, Frei. A Igreja do Deus Vivo – Curso básico popular sobre a verdadeira Igreja. Petrópolis: Vozes (38ª edição), 2008

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Edições Loyola, 1993

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ.  Declaração Dominus Iesus. São Paulo: Paulinas, 2000

DEVIVIER, W. Fora da Igreja não há salvação. PERMANÊNCIA Internet

Disponível em: http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/fora.htm#[1]

Acessado em: 10/12/08

 

JOÃO PAULO II. Carta Encíclica “Veritatis Splendor”. São Paulo: Paulinas, 1993

 

MAYER, Dom Antonio de castro. Por um Cristianismo autêntico. São Paulo: Ed. Vera Cruz, 1971

 

NEGROMONTE, Pe. Álvaro. A doutrina Viva. Petrópolis: Vozes, 1938

 

PASCUCCI, Mons. Francisco. Doutrina Cristã. Rio de janeiro: Editora ABC, 1939

 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Entre jardins e grutas tenebrosas...

Jardins do Vaticano

(O texto que vai abaixo deveria ter sido publicado no último Natal, o que não aconteceu por diversos imprevistos. Ainda assim, julgamos conveniente publicá-lo agora, cabendo ao leitor apenas contextualizar sua mensagem espiritual)


Por Prof. Pedro M. da Cruz



Um Rei extraordinário em seu trono de marfim revestido de ouro fino (1), cercado por milhares de cavaleiros, servido em taças do mais nobre metal; protegido em seu palácio de cedro e cipreste maravilhosamente combinado com o cristal mais límpido. Cantos, festas, banquetes ... assim imaginavam, iludidos em sua ignorância e orgulho, muitos dos que esperavam o “ Rei dos Judeus” (2). Entretanto, quão impenetráveis são os juízos do Altíssimo e inexploráveis os seus caminhos. Quem pode compreender os insondáveis pensamentos de Deus ?!(3) Indo à procura do Salvador, chamado, mesmo pelos anjos de “Senhor” (4), o que encontraram os pastores? Maria, José e um menino deitado num cocho onde se servia comida aos animais (5).Que Mistério desconsertante! Uma criança pobre, envolta em faixas numa gruta escura e suja, rodeada por animais, velada pelo olhar virginal de sua boníssima mãe – mas que mãe!- e protegida pela virtude do pai – e que pai! - tão justo e casto. “ O mistério por seu próprio segredo, provoca veneração.”(6)

O filho de Deus descera dos céus e deste não sentira saudades, pois sua Mãe, com sublimes encantos, compensava aqueles esplendores celestiais (7). Em Maria Santíssima aquela virgindade, pureza e graça sobrenaturais, propagavam uma luz tão radiosa e imponderável, que somente Nosso Senhor podia abarcá-la em sua totalidade. Ela era aos seus olhos, e numa medida só a Ele perceptível, seu amor, como também seu jardim de delícias toda bela e graciosa (8).

Temos ante os olhos duas realidades tão verdadeiras quanto paradoxais: uma exterior e natural, ao alcance de todo e qualquer observador; outra, por sua vez, interior e mística, da qual são capazes somente aqueles que tem um coração dilatado pela graça. O olhar superficial pararia nas chamadas injustiças, mesquinharias, loucuras e fracassos, presentes na pobreza de Belém; porém, aos olhares profundos e místicos, descortina-se todo um oceano de infinitas torrentes da sabedoria divina, uma vez que ali se encontram grandeza, glória, esplendor e majestade; realidades espirituais secretamente veladas.

Este é um caminho do Senhor! Esconder pérolas preciosas em campos desvalorizados, a fim de que somente os puros e ousados possam encontrá-las; oculta em fatos, à primeira vista ordinários, verdadeiros tesouros jamais concebíveis em toda sua riqueza. De fato, é exatamente assim que se dá nas coisas de Deus. Entrando, pelas brechas da vida, nos mais recônditos cantos da alma humana, ascende ali um lume de verdade !!! Quiçá para aquecer-se naquele lugar mórbido e sombrio, ausente da graça... E vai, pouco a pouco, fixando aqui e acolá pequenas tochas de virtudes nos corredores escuros, secretamente interiores, inacessíveis aos outros mortais, na esperança de que aquele deserto de infelicidade ceda lugar a um vergel estupendo, povoado de maravilhas. O homem é, deste modo, sempre “desejo” diante da outra realidade mística infinitamente vasta porque divina; isso para não ocorre r que “saciado o apetite, calce aos pés o favo de mel.” (9) Desejando e saciando-se ininterruptamente o homem é sempre busca e gozo num Deus imenso, permanecendo, muitas vezes sem o perceber, numa oração constante, como bem solicitou o grande São Paulo de Tarso (10). Esta verdade não poderia passar de spercebida ao Santo Bispo de Hipona que em sua vida de mortificações e penitências escrevera “O teu próprio desejo é a tua Oração: e o contínuo desejo é uma constante oração.” (11)

Por fim, depois de havermos rapidamente percebido a confusão dos que encontraram a Sagrada família em Belém, a sublime realidade escondida por detrás da pobreza que envolveu a vinda do Messias, e cogitado, mesmo que modestamente, sobre o mistério da ação Divina, detenhamo-nos num ponto de particular luminosidade, antes de encerrarmos nossa singela meditação.

Porque quis Nosso Senhor nascer exatamente num Estábulo, numa gruta? Porque ?! Quem pode compreender os pensamentos do Senhor em toda sua altura? Nestes abismos, quanto mais se lançam os homens mais profundos eles ficam. Não poderia o Pai Celestial, haver preparado ao seu amado filho unigênito ao menos uma casinha, mesmo que fosse humilíssima? Sim ! Poderia. Mas não o fez. Somente uma gruta sombria marcada por sua feiúra poderia prefigurar tão acertadamente as almas às quais o menino Jesus havia sido enviado. A Gruta suja, fétida, desconfortável, em meio à noite, povoada de animais ... é uma imagem gritante da alma humana decaída após o Pecado Original, agravada por tantas faltas cotidianas e povoada por vícios, traumas, angústias, sofrimentos os mais variados. Ali queria encontrar abrigo o Salvador, porque de fato “não são os sãos que precisam de médico, mas sim os doentes.” (12)


A Virgem Maria distinguia-se entre os outros seres humanos como um Lírio puríssimo entre os espinhos (13); por isso, era compreensível que o Verbo Encarnado viesse primeiramente a ela em seu seio Castíssimo. Cumpria-se assim, devidamente, a Justiça. Eis aqui, caro leitor, um dos motivos sublimes de o Bem-amado haver decido antes de tudo ao dulcíssimo jardim de sua alma virginal e imaculada; aos canteiros perfumados de suas virtudes elevadíssimas. Com este ato singular, exaltava, primeiramente, a Nova Eva, já que a Antiga Eva também havia tido a primazia entre os seres humanos, porém no tocante ao castigo reparador. Além do que - reconheçamos - o Novo Adão desejava colher os Lírios das fidelidades marianas... (14). Enterrava deste modo o antigo ato adâmico que colhera o fruto da desobediência daquela que era o extremo oposto da Virgem Mãe de Deus. Eis o que queria o Divino Redentor, antes mesmo de vir às grutas fétidas e infrutíferas das almas restantes.

Este é o estado das criaturas que jazem no pecado. “Não há trevas mais densas, nem coisa mais escura e negra: a tudo excede a sua escuridão” (15). A Mãe de Deus era toda de seu Filho e Ele todo dela ! Naquela alma, qual jardim, Ele apascentava entre lírios... Enquanto isso, nas grutas escuras de nossas almas pecadoras Ele deve lutar contra os animais indômitos de nossos vícios e más inclinações. A gruta de Belém é, nesta perspectiva, a prefiguração das almas pecadoras que, apesar de suas limitações, abrem-se gradativamente ao Verbo Encarnado que nos vem pelas mãos maternais de Maria Santíssima. Há nestas moradas interiores, graças ocultas; graças que germinam quase que imperceptivelmente, mas que ali estão, serpenteando, predispondo seu hospedeiro ao lance súbito do amor divino. É bem verdade, o Senhor abusa de nossa ingenuidade, seduzindo-nos. Usa de força para conosco, dominando-nos. É realmente uma luta desigual... (Jeremias 20,7)

Parece-nos ainda ouvir uma oração silenciosa da Rainha dos céus após seu “Fiat” ao Pai Celestial. Perante ela, absorto em profunda veneração, está o Anjo Gabriel, humildemente ajoelhado, a reconhecer a grandeza daquela cujo excelso esplendor arrebata os próprios seres angelicais. Então, no silêncio de sua alma, exala estas palavras gososas: “Entre em seu jardim meu bem amado, prove-lhe os frutos deliciosos.” (16)

Finalmente, peçamos a Nosso Senhor que nos seja possível, ao menos neste Natal, à imagem de sua Mãe Castíssima, apresentarmo-nos quais jardins lacrados, com frutos e flores de virtudes; a fim de que possa dizer-se de nós o que fora escrito pelo Divino Espírito nas Sagradas Escrituras:

“És um Jardim fechado (...) uma fonte selada. (...) És a fonte de meu jardim, uma fonte de água viva, um riacho que corre do Líbano. Levanta-te, vento do norte, vem tu, vento do sul. Sopra no meu Jardim para que se espalhem os meus perfumes. (...) Entro no meu jardim (...) colho a minha mirra e o meu bálsamo, como o meu favo com o meu mel, e bebo o meu vinho com o meu leite. (...) O meu bem amado desceu aos canteiros perfumados, para apascentar em meu jardim e colher os lírios. (...) Eu desci ao jardim das nogueiras para ver a nova vegetação dos vales, e para ver se a vinha crescia e se as romãzeiras estavam em flor.(...)Ó tu que habitas nos jardins, faze-me ouvir a tua voz.” (17)

Oh, Senhor !!! Meu céu, meu tudo. Tens sono? Sim, bem sei que tens... Estás cansado; dorme em paz, dorme enquanto velo com a Virgem teu sono. Descansa de tantos crimes, tantas ofensas, que povoam o mundo; Tu que foste tão agravado, humilhado, esquecido, desprezado. Ninguém faz caso de tuas palavras, das tantas chagas que te cobrem o corpo crucificado. É com dor que reconheço: sois um Rei abandonado... Dorme meu Senhor, dorme meu menino, dorme. Ao menos neste natal, dorme! Mãe - digo-o baixinho, quase sussurrando - enquanto acaricias a fronte perfumada de teu Filho, peça por nós. Temos medo Senhora. Enquanto Ele dorme o mar está revolto. Seguramos dum lado, ferimo-nos de outro, as ondas avançam impiedosas sobre nós. Ai meu Deus!!! Oh meu amor!!! Os homens nos abandonaram também. E quantos caem...quantos! Sorrindo enquanto afogam. É gritando, entre soluços e lágrimas, que suplico: Salva-nos!!! Salva-nos enquanto dormes ...

“...Jesús dormía, como de costumbre.(...) Tal vez no se despierte hasta mi gran retiro de la eternidad; pero esto, en lugar de entristecerme, me causa un contento grándísimo...” (18)


Citações

1 - 1Reis 10,18
2 - Mateus 2,2
3 - Romanos 11,33-34
4 - Lucas 2,11
5 - Lucas 2,16
6 - GRACIAM,Baltasar.A arte da prudência.Trad. Davina Moscoso de Araujo.Coleção Auto- Estima. Rio de Janeiro, Sextante, 2006,93p
7 - QUOIST, M. Poemas para rezar. trad. Lucas Moreira Alvez.25 Edição. São Paulo , Livraria Duas Cidades, 1970 206 p.
8 - Cântico dos cânticos 7,7
9 - Provérbios 27,7
10 - 1Tessalonicenses 5,17. “ Orai sem cessar.”
11 - João Paulo II. Carta Apostólica sobre Santo Agostinho de Hipona. Documentos pontifícios. N.210.Petrópolis, Vozes, 1986.pg.37
12 - Mateus 9,12
13 - Cântico dos cânticos 2,2
14 - Cântico dos cânticos 6,2
15 - DE JESUS, Santa Teresa. Castelo interior ou Moradas. Trad. Carmelitas descalças do convento Santa Teresa. 3 Edição. Edições Paulinas, Rio de Janeiro,1984,pg.26
16 - Cântico dos Cânticos 4,16
17 - Trechos do livro Cânticos dos cânticos retirados dos capítulos IV – VIII. Santo Ambrósio de Milão, falando sobre este livro Bíblico escrevera: “Queres aplicar isso a Cristo? Nada mais agradável . Queres aplicar à tua alma? Nada mais doce.” ( Coleção Patrística. Número 5. Ambrósio de Milão. Tradução: Célia Mariana Franchi Fernandes da Silva. São Paulo, Paulus, 1996.;pg .62 )
18 - LISIEUX, Teresa de. Historia de un alma, manuscritos autobiográficos. Trad. Setién de Jesús María O.C.D. Colección Teresita. Segunda edição. Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1978;pg.217.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Deus Pai fala à Santa Catarina - A Divina Providência

Lírio, o qual mandou Jesus que reparássemos (Mt 6, 28-34), de modo a nos convencermos de que o Pai sempre cuida de nós


Desde o início do mundo até agora minha providência cuida e continuará a cuidar das necessidades e salvação dos homens. Realiza tal obra por formas diversas, conforme parecer melhor a mim, médico verdadeiro e justo, ante vossas enfermidades. Umas vezes restituo a saúde, outras vezes apenas a conservo. Para quem a acolhe, minha providência jamais faltará. Experimentá-la-ão aqueles que realmente nela confiarem, sem ficar só em palavras; como aqueles que imploram e clamam com amor, com fé, e não apenas dizendo “Senhor, Senhor” (Mt 7, 21). Não reconheço os que me imploram sem a prática das virtudes, sem a vivência da justiça. Eu te garanto: jamais faltará minha providência para quem nela espera. Somente estará ausente para os que desesperam ou confiam em si mesmos. (...)

A esperança humana é mais ou menos perfeita conforme o amor da pessoa; será igualmente nessa medida que cada um terá a experiência da minha providência. Aqueles que me servem e só em mim confiam, experimentá-la-ão mais profundamente do que as almas cuja esperança se fundamenta em interesses e compensações. (...)

Como podem achar que eu, bondade suprema, lhes deseje o mal nos pequenos acontecimentos da vida, sabendo – através dos grandes acontecimentos (a Criação e a Redenção) – que somente desejo sua santificação?

De todas as coisas cuida minha providência, desde as menores até as maiores. É a providência geral, em favor de todos aqueles que a aceitam. Aos homens, em particular, ajo conforme quero: acontecerá a vida ou a morte, a fome ou a sede, mudanças de posição social, nudez e calor,injúrias, caçoadas e traições. Permito que as pessoas digam e façam tudo isso (...) Permito o mal a fim de que o ofendido prove a sua paciência ou a adquira. (...) Os seguidores do mundo se admirarão, acharão injusto que um inocente morra na água, no fogo, devorado pelas feras ou sob os escombros de uma casa. Tais acontecimentos parecerão estranhos a quem os olha fora da fé. O fiel, que experimentou minha providência (...), não pensará assim. Ele sabe que tudo faço com providência, com a única finalidade de salvar os homens; tudo olha com respeito, não se escandaliza por alguma intervenção minha a seu respeito ou a respeito dos outros; tudo supera com paciência.

Minha ação providencial está presente em todos os seres; todos eles lhe são submissos. Pessoas há que consideram o granizo como uma crueldade, assim como as tempestades, os raios, quando os deixo cair sobre o corpo de alguém e dizem que não providenciei pela incolumidade da pessoa. Embora tais pessoas julguem o contrário, o que realizo em tais casos é livras alguém da morte eterna.

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Fonte: Santa Catarina de Sena, livro "O Diálogo", p. 304-307.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Análise e propostas de Bento XVI diante da crise econômica


Apresentadas em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz

Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 16 de dezembro de 2008 (ZENIT.org).- A obsessão dos agentes financeiros por conseguir elevadíssimos lucros no curto prazo é algo perigoso para todos, começando pelos próprios interessados, denuncia Bento XVI.

O Papa fez uma análise do papel das finanças no atual panorama econômico na mensagem escrita por ocasião do Dia Mundial da Paz (1º de janeiro de 2009), que nesta ocasião leva por tema: «Combater a pobreza, construir a paz» e que é publicada em uma crise financeira e econômica global em precedentes.

A crise

«Uma atividade financeira confinada no breve e brevíssimo prazo torna-se perigosa para todos, inclusivamente para quem consegue beneficiar dela durante as fases de euforia financeira», adverte o Santo Padre.


Bento XVI, que considera que o combate à pobreza deve levar em conta necessariamente o contexto da globalização, não condena a atividade financeira, e mais, lhe atribui um papel importante para a promoção do desenvolvimento.

«A função objetivamente mais importante do mercado financeiro, que é a de sustentar a longo prazo a possibilidade de investimentos e consequentemente de desenvolvimento, aparece hoje muito frágil: sofre as consequências negativas de um sistema de transações financeiras – a nível nacional e global – baseadas sobre uma lógica de brevíssimo prazo, que busca o incremento do valor das actividades financeiras e se concentra na gestão técnica das diversas formas de risco.

Segundo o Papa, «a recente crise demonstra como a atividade financeira seja às vezes guiada por lógicas puramente auto-referenciais e desprovidas de consideração pelo bem comum a longo prazo».

«O nivelamento dos objectivos dos operadores financeiros globais para o brevíssimo prazo reduz a capacidade de o mercado financeiro realizar a sua função de ponte entre o presente e o futuro: apoio à criação de novas oportunidades de produção e de trabalho a longo prazo».

Propostas

Neste contexto, o Papa considera que é necessário um «quadro jurídico eficaz para a economia» que permita «à comunidade internacional e especialmente aos países pobres individuarem e actuarem soluções coordenadas para enfrentar os referidos problemas».

O Santo Padre exige «estímulos para se criarem instituições eficientes e participativas, bem como apoios para lutar contra a criminalidade e promover uma cultura da legalidade».

Agora, Bento XVI alerta perante «as políticas marcadamente assistencialistas» por considerar que é inegável que «estão na origem de muitos fracassos na ajuda aos países pobres».

O Papa considera que nesta busca de soluções é importante ter em conta o justo e necessário valor do lucro, inclusive na «luta contra a fome e a pobreza absoluta».

«Deste ponto de vista, seja banida a ilusão de que uma política de pura redistribuição da riqueza existente possa resolver o problema de maneira definitiva».

Com efeito, assinala, «o valor da riqueza depende em medida determinante da capacidade de criar rendimento presente e futuro».

Por isso, assegura, «a criação de valor surge como um elo imprescindível, que se há- de ter em conta se se quer lutar contra a pobreza material de modo eficaz e duradouro».

Uma questão de valores

Na primeira jornada dos trabalhos do último Sínodo dos Bispos (Cf. Zenit, 6 de outubro de 2008), o Papa falou da crise, em particular da queda de grandes bancos.

«Sobre a areia constrói quem constrói só sobre as coisas visíveis e tangíveis, sobre o êxito, sobre a carreira, sobre o dinheiro. Aparentemente estas são as verdadeiras realidades. Mas tudo isto um dia passará», assegurou.

A mensagem de Bento XVI por ocasião do Dia Mundial da Paz foi apresentada pelo cardeal Renato R. Martino, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações, como um «aperitivo» da próxima encíclica social que deve ser publicada no início de 2009.

ZP08121612 - 16-12-2008
Permalink: http://www.zenit.org/article-20352?l=portuguese

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A TODOS UM FELIZ NATAL!

A Natividade Mística - Sandro Botticelli

DO SERMÃO DE TEÓDOTO DE ANCIRA BISPO, PARA O DIA DO NATAL DO SENHOR


Veio o Senhor de todos sob a forma de servo


Veio o Senhor de todos sob a forma de servo, revestido de pobreza, de modo a não afugentar os que buscava. Em terra incerta, escolhendo um lugar desconhecido para nascer, foi dado à luz por uma Virgem pobre, na pobreza total, para que pelo silêncio cativasse os homens que vinha salvar. Pois se tivesse nascido na glória, rodeado de muitas riquezas, diriam, sem dúvida, os infiéis, que a transformação da terra fora obra do dinheiro. Se tivesse escolhido Roma, a maior cidade, atribuiriam ao poder dos seus cidadãos a mudança do mundo.

Se fosse filho do imperador, atribuiriam ao poder tal benefício. Se fosse filho de um legislador, atribuiriam-no às leis. Mas que fez ele? Escolheu tudo o que é pobre e vil, tudo que há de mais medíocre e obscuro, para sabermos que só a divindade transformou a terra. Por isto, escolheu uma mãe pobre, uma pátria ainda mais pobre, fazendo-se pobre de bens terrenos.

Isto te é mostrado pelo presépio. Como não havia um berço para reclinar o Senhor, foi colocado numa manjedoura, e sua indigência das coisas mais necessárias tornou-se uma ótima profecia. Foi assim posto na manjedoura para anunciar que se fazia alimento até mesmo dos irracionais. Pois o Verbo, Filho de Deus, nascendo pobre e jazendo num presépio, atrai a si os ricos e os pobres, os eloqüentes e os incultos.

Vede, portanto, como a indigência se tornou profecia, e a pobreza mostrou ser acessível a todos aquele que por nós se fez pobre. Ninguém se deteve por medo das esplêndidas riquezas do Cristo, nem a imponência do poder impediu alguém de se aproximar dele; mas apareceu pobre e comum, oferecendo-se a si mesmo para salvar a todos.

No presépio, o Verbo de Deus se manifesta corporalmente, a fim de que tanto os seres racionais como os irracionais possam participar do alimento da salvação. Penso ser isto que o profeta proclamava, quando falava do mistério do presépio: O boi conhece o seu dono, e o jumento, a manjedoura de seu senhor; mas Israel é incapaz de conhecer, o meu povo não pode entender (Is 1,3). Fez-se pobre por nós aquele que é rico, tornando facilmente perceptível a todos a salvação do Verbo de Deus. Também Paulo o indica, ao escrever: Por causa de vós se fez pobre, embora fosse rico, para vos enriquecer com a sua pobreza (2Cor 8,9).

Mas quem era esse que enriquecia? E de que enriquecia? Como ele se fez pobre por nós? Quem é, dizei-me, que, sendo rico, se fez pobre por minha pobreza? Pensas que foi o homem que apareceu? Mas este nunca se tornou rico, nascido que foi pobre e de pais pobres. Quem era, pois, e de que enriquecia esse rico que por causa de nós se fez pobre? A resposta é: Deus enriquece a criatura. Foi Deus mesmo quem se fez pobre, fazendo sua a pobreza daquele que se podia ver. Pois ele é rico pela divindade, e por causa de nós se fez pobre.


(Ofício das Leituras - Edit. Schwartz, ACO t. 3,1,157-159)



segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A imoralidade do governo Lula: Ministro da Saúde gastará 40 milhões de reais em lubrificante para sexo anal

 

Abaixo a ditadura gay, a Bolsa-Boiola e o KY do Temporão

Hugo Studart

O ministro da Saúde enlouqueceu de vez. Falta verba para comprar medicamentos para hemofílicos e para bolsas de coletas de sangue. Mas Temporão mandou comprar 15 milhões de lubrificantes KY para distribuir aos gays. Vai torrar cerca de R$ 40 milhões no dia 22 de dezembro. Recentemente, o ministro mandou distribuir pênis de borracha e uma cartilha ensinando as técnicas mais prazeirosas do sexo anal. É a Bolsa-Boiola. Temporão está confundindo a defesa da liberdade de opção sexual com boa administração do dinheiro público. Sucumbiu à “Gaystapo”, as patrulhas do movimento GLS. Chegou a hora de reagirmos contra as loucuras desse ministro.

O Artigo 5 da Constituição garante uma série de direitos fundamentais e inalienáveis, como a liberdade de expressão, de opinião, de credo, de organização política, etc. Não fala da liberdade de opção sexual, mas acredito que devemos respeitá-la por interpretação complacente — ou por simples amor à democracia, aos direitos civis e o respeito ao próximo. Portanto, é dever do Estado proteger as minorias sexuais da discriminação e da violência. Assim como criar políticas próprias de saúde, em especial para o controle da AIDS.

Na quarta-feira 17 de dezembro, o Ministério da Saúde divulgou a última extravagância de seu ministro, José Gomes Temporão — o edital de licitação número 142/2008, para a aquisição de 15 milhões de sachês de gel lubricante à base de água, o conhecidos KY, geralmente usado para facilitar o sexo anal (o edital completo está em link no final deste artigo).

O pregão do KY será às 10 horas da manhã da próxima segunda-feira 22 de dezembro. Tudo muito rápido, para não dar na vista. O Erário deve gastar cerca de R$ 40 milhões, calcula o funcionário do Ministério da Saúde que me forneceu o edital.

Está sendo preparado por um assessor do círculo íntimo de Temporão um outro edital semi-secreto para a compra de 1 bilhão de camisinhas. Os armazéns do ministério estão neste momento abarrotados de preservativos para serem distribuídos à população. Mas Temporão decidiu comprar mais 1 bilhão de camisinhas já lubrificadas. A licitação vai sair do armário na próxima semana. Está programada para o dia 29 de dezembro, no apagar das luzes do ano. Deve consumir outro R$ 1 bilhão dos cofres públicos. Por que tanta pressa? Por que tanto discrição com o dinheiro público?

A fonte das informações acima esclarece que a única prioridade do ministro Temporão é a comunidade gay e o programa DST-Aids. Os hospitais — isso é público — estão derretendo por falta de verba. Falta dinheiro para toda a sorte de medicamentos essenciais. Neste exato instante, por exemplo, faltam nos hospitais públicos bolsa para coleta de sangue e os hemoderivados fatores VIII e IX da coagulação, essenciais para a sobrevivência dos hemofílicos. O dinheiro está sendo desviado para KY, camisinhas e pênis de borracha.

Recentemente, Temporão mandou comprar e distribuir pênis de borracha para usar em educação sexual e cartilhas ensinando as melhores técnicas de penetração anal entre parceiros do mesmo sexo. Ninguém entendeu direito o que a didática do prazer tem a ver com prevenção à Aids. Agora, ao aparecer com o pregão do KY e de outro bilhão de camisinhas, Temporão está instituindo o Bolsa-Boiola.

Legislando em causa própria?

Não acredito, em hipótese alguma, que Temporão esteja legislando em causa própria. Nesse caso, seria prevaricação.

Vale lembrar que Roma teve grandes imperadores bissexuais, como Júlio César e Otávio Augusto, ou mesmo homossexuais convictos, como Adriano. Também teve governantes como Heliogábalo, que usava sua condição de gay para legislar em causa própria. No poder, Heliogábalo perdeu o equilíbrio emocional, passou a se vestir de mulher até chegar ao desplante de entregar todo o poder do império a um de seus favoritos, um escravo! Heliogábalo fez tantas loucuras usando o dinheiro público para proteger seus prazeres que ele e seu amante acabaram trucidados.

Não há nenhum indício de que Temporão esteja prevaricando. Entretanto, como Heliogábalo, ele anda muito mal assessorado. Afinal, desde quando se previne Aids ajudando os gays a praticar uma penetração anal mais prazerosa? E não me venham com a falácia de suposta homofobia. Estamos aqui discutindo tão-somente a boa gestão do dinheiro dos nossos impostos.

Gestão Transviada

Recentemente, Temporão baixou uma norma mandando o SUS fazer cirurgia de mudança de sexo para os travestis. Com direito a dois anos de acompanhamento psicológico para o transexual e para sua família, que está perdendo um filho, apesar de estar ganhando uma filha.

Falta dinheiro para transplantes. Falta dinheiro para cirurgias plásticas corretivas, como para crianças queimadas. Ninguém opta por necessitar de um coração, uma córnea, ou por deformar o corpo com o fogo. Os gays, por sua vez, insistem em dizer que o homossexualismo não seria uma distorção psicológica, mas sim uma opção, uma orientação. Se fosse uma psicopatia, então o Estado teria por dever dar tratamento. Mas é uma opção. Os travestis optaram por ser assim.

Então porque o Estado precisa pagar dois anos de tratamento psicológico para os transexuais e seus pais? Se Temporão fosse um ministro sério, ofereceria acompanhamento psicológico também para os pais daquele garoto de três anos que morreu baleado pela PM do Rio — cujo policial assassino dias atrás foi absolvido pela Justiça. Eles não optaram por perder o filho, morto por um agente do Estado. Eles, sim, precisam de acompanhamento psicológico com dinheiro público.

Manifesto contra a Gaystapo

A explicação mais plausível para essas opções de Temporão é que ele seja um ministro incompetente. Um fraco. Está sucumbindo ao lobby do Movimento GLS. Houve um tempo em que os homossexuais eram agredidos nas ruas. Depois passaram a ser apenas discriminados em seus empregos. Então surgiram movimentos em defesa dos direitos dos gays, lésbicas e assemelhados.

Organizaram as paradas gays, instituíram o tal Dia do Orgulho Gay, mobilizaram simpatizantes, fizeram lobby nos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, por direitos justos e legítimos, como plano de saúde para companheiros do mesmo sexo. Ao fim, os movimentos gays deram uma enorme contribuição para a lapidação das instituições democráticas e o Estado de Direito.

Os gays mobilizados, enfim, têm sido tão importantes nesta virada de século para a afirmação dos princípios fundamentais da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, quanto o movimento sindical o foi em priscas eras.

Ocorre que de uns tempos para cá, pelo menos no Brasil, o que era um movimento está se transformando numa patrulha ideológica. As campanhas contra a discriminação se transformaram em pressão para que os adolescentes assumam suas porções femininas (ou masculinas, no caso das garotas). Está virando anomalia amar homens e mulheres —agora só se pode amar “pessoas”.

De vítimas, os gays estão se transformando em agressores. Se alguém acredita que ser gay não é o normal, que o normal é ser hetero, é logo taxado de homófobo. Tal qual Hitler com sua Gestapo, estão criando uma Patrulha do Pensamento, a Gaystapo.

Exagero? Homofobia? Ora, ora, lembro-me de um caso exemplar ocorrido meses atrás com o então-presidente da Eletrobrás, Valter Cardeal. Ele é o homem de confiança da ministra Dilma Roussef no setor elétrico. Pois foram pedir R$ 2 milhões ao presidente de Furnas, Luis Paulo Conde, para o patrocínio da Parada Gay do Rio de Janeiro. Conde, titubeante, até pensou em dar o dinheiro. Mas Cardeal vetou.

Ora, desde quando uma estatal elétrica tem a ver com opção sexual? Se está sobrando dinheiro em Furnas, que patrocine escolas e postos de saúde para os desabrigados das barragens e outras vítimas sociais de suas ações predatória. Isso é o certo. Que patrocinem ações de recuperação do meio ambiente — ou até mesmo ONGs ou seminários ambientais. Quem tem que patrocinar parada gay é a Johnson&Johnson, fabricante do KY do do Jontex, a Ambev ou a companhia marítima dona dos transatlânticos Eugenio C e Eugenio G.

Pois Valter Cardeal, num rasgo de sensatez, vetou a concessão da verba. Publiquei esse fato na imprensa. No dia seguinte, Cardeal foi alvo de passeadas, ameaças de processo e até de representação da Comissão de Direitos Humanos da OAB. A Gaystapo agiu rápido, implacável como os nazistas. Cardeal foi obrigado a pedir desculpas, voltou atrás e deu dinheiro para os gays. Foi um erro.

É provável que Temporão não esteja prevaricando, mas apenas sucumbindo à Gaystapo. É um ministro fraquinho, incompetente. Qualquer que seja a opção, é hora dos cidadãos que pagam impostos se manifestarem, de exigirem seriedade na gestão das verbas da Saúde. Instituir o Bolsa-Boiola é uma idéia que nem o imperador Heliogábalo teve o desplante de fazer.

Para ver o edital do pregão n.°142/2008, clique aqui.

Fonte: Hugo Studart

Divulgação: www.juliosevero.com

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Honra teus pais e terás vida longa

 

 

Thales Silva

“O quarto mandamento nos ordena amar, respeitar e obedecer aos pais e a quem tenha autoridade sobre nós, isto é, aos nossos superiores. Também nos proíbe a faltar à honra para com os pais, os superiores, e nos proíbe desobedecer-lhes”. (1)

Os três primeiros mandamentos da Lei de Deus falam-nos de nossos deveres para com Deus; os outros sete se referem aos deveres para conosco e para com o próximo.

O homem nasceu para viver em sociedade. A primeira sociedade em que este se encontra é a doméstica, ou familiar. Em toda sociedade bem organizada, há uma belíssima hierarquia, ou seja, há quem mande e há quem obedeça; daí as relações de superioridade e sujeição determinadas no quarto mandamento.

O quarto mandamento refere-se sobre a honra devida aos pais (Ex 20, 12), aqueles a quem, depois de Deus, devemos a vida, e os quais com amor, penas e sacrifícios nos criaram e educaram. Em todo momento deve ser lembradas e retribuídas as tribulações e as vitórias de nossos pais (Eclo 7, 29s). Devemos-lhes então, amor, respeito, obediência e assistência.

Amor: A própria natureza nos inclina a amar aos pais, isto é, a querer-lhes com afeto, a desejar-lhes o bem e a nos compadecermos deles. Nosso amor precisa se expressar em obras, devendo ser sobrenatural, isto é, inspirado em motivos sobrenaturais, por amor de Deus. O amor aos pais é sempre devido, ainda mesmo que, por graves causas, eles se tornassem indignos.

Respeito: Os pais são os representantes de Deus. Por isto devemos-lhes o máximo respeito, mostrando-o com obras, palavras e em todas as ocasiões. Se houver nos pais defeitos naturais, convém suportá-los amorosa e pacientemente e se houver defeitos morais, não lhes aprovemos, mas com prudência e delicadeza tentemos ajudá-los. Porque “maldito aquele que despreza o pai e a mãe (Dt 27, 16).”

Obediência: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso (Lc 2, 51).” Lembremos-nos pois, o exemplo da sagrada obediência de Nosso Senhor Jesus Cristo para com o Fidelíssimo São José e a Santíssima Virgem Maria. A obediência aos pais é do agrado de Deus (Cl 3, 20), e traz acompanhada uma promessa divina (Ef 6, 2). Confiante obediência devemos aos nossos pais, lembrados de que eles são obras de Deus e representam-No (Eclo 3, 1-18).

Assistência: Cabe-nos a ajuda aos nossos pais e assisti-los nas necessidades materiais e sobretudo nas espirituais, manifestando-lhes humildes conselhos e socorros espirituais, rezando por eles em vida e depois da morte.

Com a graça de Nosso Senhor, reconheçamos o valor e a grandeza de nossos progenitores, uma vez que, na sociedade egocêntrica em que vivemos, querem tirar-lhes os méritos concedidos por Deus.

Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor; porque isto é justo. O primeiro mandamento acompanhado de uma promessa é: Honra teu pai e tua mãe, para que sejas feliz e tenha longa vida sobre a terra” (Ef 6, 1ss).

Citação

(1) (Pascucci, Francisco Mons., “Doutrina Cristã”, Tradução do Pe. Armando Guerrazzi, Nova Edição,Pág. 107, Editora A.B.C, Rio de Janeiro, 1939.)

Referências Bibliográficas

JOÃO PAULO II, carta às famílias Gratissimam Sane, n.º 17, AAS 86, 1994, p. 906.

CONCÍLIO VATICANO II, const. past. Gaudium et Spes, n.º 48, AAS 58, 1966, p. 1067-1069.

CONCÍLIO VATICANO II, decr. Apostolicam Actuositatem, n.º 11, AAS 58, 1966, p. 848.