segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vinho, remédio contra a degradação.


“Ele me introduziu em sua adega...” (Cantares 2,4)


Por Prof. Pedro M. da Cruz

     O vinho evoca majestosamente caracteres sublimes da alma cristã; e mais, forma com a Igreja um binômio indissolúvel. Basta-nos recordar, por exemplo, sua rubra imagem ligada a um tesouro da cristandade: o Sacratíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Elemento cheio de significados, o vinho foi estimado por todas as nações cultas do passado como alimento, remédio, ou mesmo, matéria de sacrifício (Conf. Lc. 10,34; Gn. 14,18). Tomá-lo como objeto de reflexão é, de fato, mergulhar em universos de luzes e possibilidades.

No homem de verdadeiro espírito católico a simples tez da bebida será, no mínimo, agradável convite para adoração; a conformação do vinho ao feitio da taça, referência singela à docilidade espiritual; e, finalmente, no odor por ele exalado, terá qualquer vestígio da cerimônia sacrifical cumulando-o de gozo e alegria.  Com efeito, quantas vezes em pequenas capelas não somos tomados pelo cheiro tão característico do vinho que se espalha como arauto de Nosso Senhor...  
     Elevar a mente pelos “degraus das coisas criadas” (São Roberto Belarmino) é prática eficaz contra todo mau cheiro naturalista e antimetafísico da modernidade. Indivíduos deformados pela cultura malsã poderão encontrar numa simples taça, movidos pela graça, “remédios” para sua degradação.
Talvez, por ser tão pródigo em significação é que o vinho tenha sido introduzido pelo Mestre como parte integrante da Santa Missa. Ele é matéria essencial no sacrifício eucarístico. Ali, no aconchego do altar, o próprio Salvador nos dá de beber o “vinho aromático” e “estreita-nos com seu braço direito” (Conf. Cant. 8,2-3).
Portanto, brindemos!
Sem receio e com alegria!
Tomar um cálice de vinho em nossas mãos é carregar por entre os dedos um mundo de altas considerações. Saboreá-lo é, simbolicamente, assimilar a verdade do Corpo Místico, pois, uma vez composto do sumo de muitos bagos, representa, não só a totalidade da vida humana, mas também, a união de todos os fiéis com Cristo.
Brindemos!
Brindemos por nossa união com o Filho de Deus!
Brindemos por nossa união com todos os seres humanos!
Brindemos por nossa união com Maria Santíssima! Vinho de nossa alegria.

Maria Santíssima, Rogai por nós!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Pensamentos de Chesterton

G. K. Chesterton



"Tornar-se católico, não significa que se deixe de pensar, mas que se aprende a pensar”

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“Somente a ortodoxia católica fez o homem feliz: é como os muros postos ao redor de um precipício onde pode brincar uma porção de crianças”

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“Uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la.”

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“A verdade integral é, geralmente, a aliada da virtude; a meia verdade é sempre aliada de algum vício”

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“O círculo é perfeito e infinito por natureza, mas ele está para sempre amarrado a suas dimensões, não podendo crescer ou diminuir, já que na sua definição o raio é constante. Mas a cruz, embora tenha no centro uma colisão e uma contradição, pode sempre estender os braços sem modificar sua forma. Pelo fato de abrigar um paradoxo em seu centro, a cruz pode crescer sem mudar. O círculo volta-se sobre si mesmo como prisioneiro. A cruz abre seus braços aos quatro ventos e serve de marco indicador aos viajantes livres.»
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“A dificuldade em explicar “Por que eu sou Católico” é que há dez mil razões para isso, todas se resumindo a uma única: o catolicismo é verdadeiro”
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“Nove dentre dez do que chamamos novas idéias são simplesmente erros antigos. A Igreja Católica tem como uma de suas principais funções prevenir que os indivíduos comentam esses velhos erros; de cometê-los repetidamente, como eles fariam se deixados livres”.

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“Não há nenhum outro caso de uma instituição inteligente e contínua que tenha pensado sobre o pensamento por dois mil anos. Sua experiência cobre naturalmente quase todas as experiências; e especialmente quase todos os erros. O resultado é um mapa no qual todas as ruas sem saída e as estradas ruins estão claramente marcadas, todos os caminhos que se mostraram sem valor pela melhor de todas as evidências: a evidência daqueles que os percorreram.”

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“A Igreja não é um movimento e sim um lugar de encontro, um lugar de encontro para todas as verdades do mundo”

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“Somente a Igreja Católica pode salvar o homem da destrutiva e humilhante escravidão de ser filho de seu tempo. Já faz muito, entretanto, que a Igreja Católica tenha provado não ser ela uma invenção de seu tempo: é a obra de seu Criador, e continua sendo capaz de viver o mesmo em sua velhice como em sua primeira juventude: e seus inimigos, no mais profundo de suas almas, perderam já a esperança de vê-la morrer algum dia”

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"Uma espécie de teósofo me disse: "O bem e o mal, a verdade e a mentira, a loucura e a sanidade, são apenas aspectos do mesmo movimento ascendente do Universo". Já nessa época me ocorreu perguntar: "Supondo que não exista diferença entre o bem e o mal, ou entre a verdade e a mentira, qual é a diferença entre ascendente e descendente?"

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“A Igreja não pode mudar com os tempos [...]. Sua missão é salvar toda a luz e toda a liberdade que podem salvar-se, opor-se ao arrastre descendente do mundo e esperar dias melhores [...]. Não necessitamos de uma Igreja que se mova com os tempos. Necessitamos de uma Igreja que mova ao mundo. Necessitamos de uma Igreja que o aparte de muitas das coisas para as quais agora se inclina [...]. Para qualquer Igreja será esta a prova histórica de se é ou não a verdadeira Igreja”.(G. K. Chesterton, The New Witness)


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“A Igreja tem o que o mundo não tem. A própria vida não atende tão bem como a Igreja à todas as necessidades do viver. A Igreja pode orgulhar-se de sua superioridade sobre todas as religiões e todas as filosofias. Aonde tem os estóicos um Menino Jesus? Aonde está Nossa Senhora dos muçulmanos, a mulher que não foi feita para nenhum homem, e que está sentada acima de todos os anjos? Qual é o São Miguel de Buda, cavaleiro e soldado, que tem preparada uma espada [...]? Que poderia fazer Santo Tomás de Aquino na mitologia do bramanismo, ele que estabeleceu a ciência e o racionalismo da Cristandade?[...] Como teria sido Francisco Trovador entre os calvinistas [...]? Como teria vivido Joana D’arc, uma mulher, esgrimindo a espada que conduzia a guerra, entre os quackers e os pacifistas[...]?”(G.K.Chesterton,O Homem Eterno).

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Fonte: http://advhaereses.blogspot.com

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Giovanni Pierluigi da Palestrina

Palestrina


“O Príncipe da Música”

     Conhecido pelo nome de sua cidade de origem, Palestrina, Giovanni Pierluigi, Compositor Italiano, nasceu em 3 de Fevereiro de 1525. Precocemente, conseguiu ser o primeiro mestre da Capella Julia (do papa Julio III) e, em seguida, diretor da Capela Sistina.
O sucessor de Julio III foi o papa Marcelo II, que governou a Igreja por apenas vinte e dois dias. Em sua memória, Palestrina compôs a mais famosa de suas obras: a Missa do papa Marcelo, a seis vozes. Depois de escutá-la, o Cardeal Borromeu (São Carlos Borromeu, 1538-1584) disse: “Esses são os cânticos que o apóstolo João ouviu na alegre Jerusalém celestial e que outro João nos traz como fruto de sua inspiração.”
Devido às grandes epidemias que se seguiram às guerras, Palestrina perdeu sua mulher, Lucrezia Gori, dois de seus três filhos e seus três irmãos. Pediu então autorização para tornar-se padre, mas ao final de um ano abandonou esse caminho para casar-se com uma viúva rica, Virginia Dormoli, ocupando-se do comércio de peles. A situação econômica confortável lhe permitiu compor e publicar suas obras mais belas.
Se os papas anteriores haviam tolerado a presença de casados em suas capelas, o mesmo não ocorreu com Paulo IV. Por essa razão, Palestrina teve de afastar-se do Vaticano, mas seguiu vinculado às capelas de São João de Latrão e de Santa Maria Maior. Foi em São João de Latrão que compôs seus imortais Impropérios.
     A fama de Palestrina fez-se universal. Ele foi convidado para servir à corte imperial de Viena, mas suas pretensões financeiras foram excessivas ao imperador Maximiliano II. Em 1571, recuperou seu cargo na Igreja de São Pedro, no Vaticano, onde permaneceu até a morte, em 2 de fevereiro de 1594. Sua polifonia marcou todas as épocas posteriores. Para muitos suas obras alcançaram a perfeição absoluta do estilo eclesiástico.

Referência bibliográfica:
Enciclopédia do Estudante. Nº 13.Música.1º Ed. São Paulo : Moderna, 2008.

sábado, 4 de junho de 2011

Um Cristianismo Mole...



“Deus odeia a paz naqueles que destinou para a guerra...”

“... estamos destinados à guerra contra tudo o que é vil e podre em nós mesmos.”

 Por Prof. Pedro M. da Cruz
Católicos moles, frouxos, tristes, cabisbaixos... Eis o que vemos se arrastando por nossas igrejas.

E o mundo grita por socorro!
Quem mais poderia socorrê-lo devidamente senão os enviados de Cristo, Nosso Senhor? No entanto, estes dormem...

Uns fogem de responsabilidades, outros se vendem por quase nada, finalmente, há os que se acham em tal estado de apatia espiritual que se o próprio Cristo, visivelmente, lhes suplicasse por ajuda, talvez, nem mesmo assim o atenderiam.

Maria Santíssima, Mãe e Mestra de nossas almas, dai a vossos filhos, por sua intercessão, força e entusiasmo nas lutas contra o mal. É triste vermos tantos jovens desanimados, cedendo à preguiça e ao egoísmo. Robustecei, pois, nosso espírito, adestrai nossas mãos para a batalha, e ficai ao nosso lado nas agruras desta vida. Amém.

***


“Porque o cristianismo ocidental aceitou Cristo sem a cruz, pôs em equação o cristianismo com a doçura.
Não deseja ver as mãos trespassadas de chagas, pregando o sacrifício; só que ver as mãos liriais, cor de neve, de um Mestre (...) O nosso cristianismo ocidental deseja um sofá, e não uma cruz; um soporífico, não um desafio; enfim, deseja um cristianismo sem lágrimas. Trata-se pois de uma religião que não acorda oposição, porque não pode sentir-se hostilidade contra uma actínea ou contra uma cobertura de penas (...) Um Cristo sem cruz é  cristianismo sem sacrifício e sem autodisciplina; é romantismo, sentimentalismo, uma mão-cheia de sensaborias com fraca resistência para o mal, absolutamente desprovidas daquela indignação moral, que pega no azorrague e expulsa compradores e vendedores dos templos. Não admira que na torrente de uma falsa amplitude de visão, o mundo ocidental tenha identificado Cristo com Buda, pois Buda também não conhecia a cruz (...) Se o nosso mundo ocidental recuperasse a autodisciplina no lar, ou seja a integridade na vida da família, na educação e na vida pessoal, prepararia a paz, que só pode ser alcançada por meio da guerra (...) A paz é fruto da guerra – guerra não contra os outros, mas contra o pecado, o egoísmo e o egotismo; o salário da guerra é a cruz (...) Deus odeia a paz naqueles que destinou para a guerra, e nós todos estamos destinados à guerra contra tudo o que é vil e podre em nós mesmos.”

“O salário da guerra é a cruz”


(O negrito é nosso)

Referência Bibliográfica:

SHEEN, Fulton. A Vida Faz Pensar. Trad.: Maria Henriques Osswald.  Porto: Editora Educação Nacional, 1956. 280 pg.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pio XII e o Holocausto - 2º Parte

A Fé resiste ao holocausto. Missa celebrada em Igreja atingida pela guerra.
2ª Parte
(...)A edição de 23 de Dezembro de 1940 da revista Time contém um interessante artigo sobre os cristãos moradores da Germânia, tanto católicos como evangélicos, que se opuseram e sofreram sob o regime nazista. Na página 38, esse artigo afirma que, pelo fim do ano de 1940, mais de 200.000 cristãos foram prisioneiros em campos de concentração, com algumas estimativas em mais de 800.000. Na página 40, o artigo informa sobre o Arcebispo de Munique, o Cardeal Michael Von Faulhaber, o qual liderou a oposição católica na Alemanha contra os nazistas. Em um sermão do advento de 1933, ele pregou em resposta ao racismo nazista: “Não nos esqueçamos que fomos salvos não pelo sangue alemão, mas pelo sangue de Cristo”. Em 1934 o Cardeal M. von Faulhaber “por pouco se salva de uma bala nazista”, e em 1938 um grupo nazista quebra as janelas de sua residência.Mesmo ele estando com mais de 70 anos e com a saúde fraca,ele ainda assim liderou a resistência católica contra Hitler.
    Não confiando no novo regime, o Vaticano assinou uma concordata com o “Terceiro Reich” em 20 de julho de 1933, numa tentativa de proteger os direitos da Igreja na Alemanha. Mas os nazistas rapidamente violaram os artigos dessa concordata. Na quaresma de 1937, o Papa Pio XI escreveu a Encíclica “Mit Brennender Sorge” com a ajuda dos bispos alemães e do cardeal Pacelli (futuro Papa Pio XII)¹. Essa encíclica foi levada ilegalmente, às escondidas,  para a Alemanha e foi lida em todas as Igrejas Alemães na mesma hora durante a celebração do domingo de Ramos.Ela não mencionou explicitamente Hitler ou o nazismo,mas firmemente condenou as doutrinas nazistas.Em 20 setembro de 1938,Pio XI disse a peregrinos alemães que nenhum cristão pode ter parte no anti-semitismo,uma vez que espiritualmente todos os cristãos são semitas. 
    A recente calúnia contra a Igreja e o Papa Pio XII pode ter tido seu início em 1963 com a peça de Rolf Hochhuth, “O Vigário”. Nessa peça, Hochhuth critica Pio XII por ter, supostamente, ficado em silêncio e apresenta seu silêncio como uma fria indiferença. Contudo, mesmo sendo ficção, as pessoas tomaram isso como um fato.
O Papa Pio XII foi um diplomata e não um orador radical. Ele sabia que primeiro precisava preservar a neutralidade do Vaticano, assim a cidade do Vaticano poderia ser um refúgio para as vítimas da Guerra. A cruz vermelha internacional também se manteve neutra. Segundo, ele sabia quão impotente era perante Hitler. Mussolini poderia rapidamente cortar o fluxo de energia elétrica para a Radio Vaticano durante seu pronunciamento (Lapide, p.256). Finalmente, os nazistas não toleravam qualquer protesto e respondiam severamente. Como exemplo, o Arcebispo Católico de Utrecht, em Julho de 1942, protestou numa carta pastoral contra a perseguição aos judeus na Holanda. Imediatamente os nazistas reuniram, quanto foi possível, judeus e católicos não arianos e os deportaram para os campos de concentração, incluindo Santa Tereza Benedita da Cruz (Edith Stein) (Lapide,p.246). Pio XII sabia que se ele falasse diretamente contra Hitler, os nazistas poderiam revidar contra os prisioneiros. Seu melhor ataque contra os Nazistas foi a serena diplomacia e a ação “por de trás dos bastidores”. A Enciclopédia multimídia Grolier 1996(V8. 01), citando Pio XII, diz: “Desejando preservar a neutralidade do Vaticano, temendo represálias e percebendo sua impotência para deter o holocausto, Pio XII, apesar de tudo, agiu de maneira singular para salvar Judeus e outros com os resgates, documentos e asilo da Igreja”.²

Como já foi dito, o Papa Pio XII não estava completamente em silêncio, especialmente nas suas mensagens de natal. Suas mensagens de Natal de 1941 e 1942 foram ambas traduzidas e publicadas no Jornal The New York Times (edição de 25 de Dezembro de 1941, pg.20; e edição de 25 de Dezembro de 1942, pg. 10). Para evitar uma retaliação, ele não se referiu explicitamente ao nazismo , mas as pessoas daquela época ainda assim o entenderam, incluindo os nazistas. De acordo com o editorial do The New York Times de 25 de Dezembro de 1941(última edição do dia, pg.24):

 “A voz de Pio XII é uma voz solitária no silêncio e nas trevas que envolvem a Europa neste Natal... ele é quase que o único governante de toda a Europa ocidental que se atreve a elevar a voz aos quatro cantos da terra... ele não deixou nenhuma dúvida que os objetivos nazistas são também irreconciliáveis com a concepção cristã de paz.”

Também o editorial do The New York Times de 25 de dezembro de 1942(última edição do dia, pg.16), declara:

“Neste natal mais do que nunca, ele é uma solitária voz clamando do silêncio de um continente... O Papa Pio XII se expressa tão apaixonadamente como qualquer líder que está do nosso lado na guerra  pela liberdade,quando ele diz que  aqueles que visam a construção de um mundo novo devem lutar pela livre escolha do estado e da opção religiosa. Eles devem recusar o estado que faz dos indivíduos um rebanho do qual dispõe o estado como se fossem coisas sem vida.”
Ambos os editorias reconhecem e elogiam as palavras de Pio XII contra Hitler e o totalitarismo.
Agora, de fato existiram traidores na Igreja, os quais eram nazistas ou ajudaram Hitler. Existiram católicos que foram anti-semitas. Existiram também católicos que, por medo ou indiferença, pecaram pelo silêncio. A Igreja está cheia de pecadores pelos quais Nosso Senhor Jesus Cristo morreu. “Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.” (Is. 53,5). Mas o papa Pio XII e vários católicos não ficaram em silêncio. Poderiam ser salvas 860.000 vidas com um silêncio indiferente?Nos nossos dias, existem pessoas que afirmam ser católicas, mas promovem e participam do aborto, do suicídio assistido e no controle artificial de natalidade. No próximo século, o mundo também irá perfidamente acusar a Igreja e o Papado de permanecer em silêncio durante o holocausto da “cultura de morte”?
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1) “A oposição ao nazismo tornou-se clara e, em 1936, uma missiva conjunta do episcopado pediu ao Papa uma Carta Encíclica. Pio XI convocou a Roma os três Cardeais alemães (Adolf Bertram, Michael von Faulhaber e Karl Joseph Schulte) e os dois Bispos mais contrários ao regime, precisamente D. Clemens von Gallen e D. Konrad von Preysing. Com a ajuda determinante do Cardeal Pacelli e dos seus colaboradores alemães da máxima confiança (Mons. Ludwig Kaas e os Padres jesuítas Robert Leiber e Augustin Bea), chegou-se deste modo à Mit brennender Sorge ("Com profunda preocupação"), a Carta Encíclica que em 1937 condenava a ideologia racista e pagã, que já se tinha afirmado no Reich alemão(...).” (Discurso do Secretário de Estado Cardeal Tarcísio Bertone na Pontifícia Universidade Gregoriana por ocasião do 50ºaniversário de morte de S. S. Papa Pio XII) 
2)Para elucidar o supracitado: A caridade e o trabalho do Papa Pio XII durante a segunda guerra mundial também impressionou o grande Rabino de Roma, Israel Zoller, que se abriu à graça de Deus, a qual o guiou para a fé católica em 1944. Zoller adotou como nome de batismo, por si próprio, o mesmo nome de batismo de Pio XII, Eugênio. Mais tarde Eugênio Zolli escreveu um livro intitulado “Porque me tornei um Católico”.³
 3)A esse respeito, ou seja, sobre a conversão do grão-rabino de Roma e a caridade do Papa Pio XII para com os judeus, pretendemos, caso julguemos oportuno, postar outro texto que estou traduzindo de autoria do citado grão-rabino.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pio XII e o Holocausto


 
 “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro, me odiou a mim...
Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior que seu Senhor.
Se eles me perseguiram também vos perseguirão; se guardaram minha palavra, também guardaram a vossa.”(Jo 15, 18.20)


Por: A Catholic Response, Inc

Tradução: Rafael R. C.


     Nos últimos anos, a mídia tem acusado a Igreja Católica de ter ajudado os nazistas ou de ter silenciado durante o holocausto. Como exemplo, a edição de 26 de janeiro de 1998 da revista Time afirma, na página 20, que a Igreja Católica lamenta “por ter colaborado com os Nazistas durante a II Guerra Mundial”. Mesmo o novo museu do holocausto em Nova Iorque, injustamente, criticou o Papa Pio XII por supostamente ter silenciado durante a II Guerra Mundial. A Igreja recentemente tem falado sobre este tópico.

O embaixador de Israel Pinchas E. Lapide, no seu livro “Três Papas e os Judeus” (New York: Hawthorn Books, Inc., 1967), com um olhar crítico examina o Papa Pio XII. De acordo com sua pesquisa, a Igreja Católica sob o pontificado de Pio XII foi essencial na salvação de 860.000 Judeus dos campos de concentração nazista (p.214).

Mas poderia Pio XII ter salvado mais vidas dirigindo-se contra o nazismo com mais força? De acordo com Lapide, os prisioneiros dos campos de concentração não desejavam Pio XII falando abertamente (247). Como um jurista dos tribunais de Nuremberg disse na WNBC em Nova Iorque (Fev. 28, 1964):

"Quaisquer palavras de Pio XII dirigidas diretamente contra um louco como Hitler causariam uma catástrofe ainda pior... e acelerariam o massacre dos judeus e sacerdotes.” (Ibid.).

Ainda assim Pio XII não estava totalmente em silêncio. Lapide cita um livro de um historiador Judeu, Jeno Levai, intitulado “A Igreja não ficou em silêncio” (p. 256). Ele admite que todos, incluindo ele próprio, poderiam ter feito mais. “Se nós condenássemos Pio XII, então a justiça exigiria a condenação de todos, sem exceção.” Ele conclui, citando o Talmude, que "todo aquele que preserva uma vida, é contabilizado para ele pelas Escrituras como se tivesse preservado um mundo inteiro". Ele afirma ainda que Pio XII merece uma floresta memorial de 860 mil árvores nas colinas da Judéia¹(pp. 268-9).

Isto deve ser notado: seis milhões de judeus e três milhões de católicos foram mortos no Holocausto.

Devemos nos lembrar que o holocausto foi também anticristão. Depois de Hitler revelar suas verdadeiras intenções, a Igreja Católica se opôs a ele. Mesmo o famoso Albert Einstein testemunhou isso. De acordo com a edição de 23 de dezembro de 1940 da revista Time, precisamente na página 38, Einstein disse:


    “Sendo um amante da liberdade,quando a revolução iniciou-se na Alemanha,eu olhei para as universidades para as defender, sabendo que elas sempre se vangloriaram de sua dedicação à causa da verdade; mas não, as universidades imediatamente foram silenciadas.Então eu olhei para os editores dos grandes jornais,  os quais inflamaram suas edições passadas pela publicação de seu amor a liberdade;mas eles,como as universidades,foram silenciados em poucas semanas....”


   “Somente a Igreja posicionou-se, do início ao fim, contra a campanha Hitleriana pela supressão da verdade. Eu nunca tivera qualquer especial interesse pela Igreja, mas agora eu sinto uma grande afeição e admiração, porque a Igreja sozinha tem tido a coragem e persistência de posicionar-se pela verdade intelectual e pela liberdade moral. Logo, eu sou forçado a confessar que o que eu outrora desprezava, agora, eu louvo sem reservas.”

    Em outra similar afirmação, Einstein referiu-se explicitamente à Igreja Católica (Lapide,p.251).Este é um extraordinário testemunho de um cientista agnóstico alemão de origem judaica.Ainda que houvesse traidores em suas fileiras, a Igreja se opôs ao movimento nazista.


Continua(...)

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 1)Uma árvore por cada vida salva, visto que a estimativa é a de que a Igreja, sob o pontificado de Pio XII, teria sido determinante na salvação de 860.000 judeus

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NIHIL OBSTAT:
Revmo. P.e John T. Folda, S.T.L.
Censor Librorum

IMPRIMATUR:
Exmo. e Revmo. Dom Fabian W. Bruskewitz, D.D., S.T.D.
Bispo de Lincoln

27 de Maio, 1998

O NIHIL OBSTAT e o IMPRIMATUR são declarações oficiais de que um livro ou panfleto é livre de erros doutrinais e morais. Contudo, isso não implica que aqueles os quais concederam o NIHIL OBSTAT e o IMPRIMATUR concordam com as opiniões, conteúdo, ou declarações expressas nos referidos documentos.

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Fonte:A Catholic Response, Inc
Link original: http://users.binary.net/polycarp/piusxii.html

domingo, 15 de maio de 2011

Os Mitos

   

 Por Prof. Pedro M. da Cruz

       Por milênios os homens recorreram aos mitos como meio para compreensão da realidade. Estas narrativas (Mythos) caracterizavam-se, de modo geral, pela utilização do “fantasioso” e “extraordinário” numa tentativa de explicação dos grandes temas da vida e do mundo.
       Fenômenos naturais que assustavam seus expectadores; o surgimento dos povos, uns mais poderosos que outros; o comportamento humano; e, inclusive, a própria origem dos deuses e do mundo; enfim... estes e outros assuntos eram todos alvos das fábulas mitológicas.
       Relatos orais num primeiro momento, os mitos se conservavam na memória dos povos que ainda claudicavam distantes da verdadeira ciência (então embrionária) assim como, dos esplendores da Revelação sobrenatural devidamente explicitada. O que torna compreensível, em certo sentido, sua situação de ignorância.
       Egípcios, persas, fenícios, hindus, germanos, romanos, e notadamente, os gregos, todos tiveram seus mitos. Vejamos, em nível de curiosidade, algumas divindades pagãs que povoavam essas “histórias” fabulosas:

EGITO
Horo
Representado por um homem com cabeça de gavião ou falcão
Amon
Sol
Rê ou ra
Nome que os antigos egípcios davam ao sol
Isis
Deusa do trigo, da medicina e do casamento
Osiris
Protegia os mortos
Anubis
Vigiava as sepulturas; era representado
por um homem com cabeça de chacal


ASSÍRIA E BABILÔNIA
Bel
Correspondia ao Baal dos fenícios
Assur
Deus soberano
Marduque
Deus supremo da religião de Zoroastro
Mitras
Representava a luz divina


PÉRSIA
Arimânio ou Arimã
Gênio do mal
Ormusd
Gênio do bem; deus supremo da babilônia
Anú
Principal divindade da mitologia assírio-babilonica


FENICIA
Astarte
deusa do céu
Moloch
divindade dos amonitas, representava-se por
 um homem com cabeça de touro


MITOS BRAMANICOS
Xiva
Deus fecundador e destruidor
Brama
Divindade suprema
Vixnu
Segunda pessoa da trindade bramânica


MITOLOGIA GERMANICA
Freia
deusa escandinava do amor
Odin
representava o principio de todas as coisas,presidia a eloqüência e a poesia
Tor
Deus da guerra

       Entre todas as mitologias, a grega é aquela que mais se destaca por sua riqueza e organização. Homero (séc.IX a.C. – “Ilíada” e “Odisséia”) e Hesíodo (séc.VIII a.C. –“Teogonia” e “Os trabalhos e os dias”) foram os grandes codificadores das narrativas gregas. Estes autores deram importante unidade aos vários relatos ramificados entre a população.
       Nesta visão pré-filosófica, o sagrado e o fantástico se abraçavam gerando formas e contextos exuberantes no mundo da imaginação. Um complexo de estórias fascinantes desfilava na mente das gentes legando ao povo certo conforto e unidade cultural.  Assim, por exemplo, também para o grego, o estado inicial da natureza em que predominava a desordem tornava-se um deus, “Caos”; no fim, tudo o mais ia se personificando em divindades as mais variadas: “Éter”, do dia e do “céu superior”; “Nyx”, da noite; “Moiras” ou “Parcas”, do destino; “Gaia”, da terra; “Ouranos”, do céu, entre outros. (Estes são exemplos dos chamados deuses primordiais –Protogonos- diferentes dos chamados deuses olímpicos –Dodekatheon- que citaremos posteriormente).
       Do ordenamento dos deuses teria surgido o mundo, e, das relações entre os deuses (Protogonos, Dodekateon, etc), geralmente conflituosas, teria surgido os vários acontecimentos posteriores. Assim, à pergunta “por que troveja?” alguém responderia “porque Júpiter está encolerizado”, do mesmo modo, outra pessoa atribuiria à fúria de “Éolo” o fato de o vento soprar mais forte.
       Essas pitorescas explicações míticas, ao que tudo indica, satisfizeram por séculos a curiosidade dos gregos antigos pela “origem das coisas”. Vemos aqui um primeiro esforço da humanidade para a compreensão da realidade, assim como, de suas causas. Sob o véu da fantasia há, na mitologia, uma busca imatura pelo conhecimento das “causas primeiras”, tão caro à filosofia.

OS DEUSES DO OLIMPO
ROMA
Zeus
rei dos deuses
Jupiter
Hera
rainha dos deuses
Juno
Poseidon
deus dos mares
Netuno
Demeter
deusa da fertilidade
Ceres
Artemis
deusa da caça e da lua
Diana
Ares
deus da guerra
Marte
Atena
deusa da sabedoria e da estratégia militar
Minerva
Apolo
deus do sol, da musica e da profecia
Apolo
Hefesto
ferreiro dos deuses, deus do ferro da metalurgia
Vulcano
Hades
deus da morte e dos infernos
Plutão
Afrodite
deusa do amor e da beleza
Venus
Hestia
deusa do lar
Vesta
Hermes
mensageiro dos deuses, protetor do comercio e dos ladrões
Mercurio
Dionisio
deus do vinho e das orgias
Baco

“Os brutos também amam”
       Deméter, a deusa da colheita tinha uma linda filha, alegre, exuberante de vida, chamada Persérfone. Para ficar longe da mãe superprotetora, Persérfone se refugiou nas proximidades de uma lagoa escura. Ali encontrou Hades, o deus supremo do inferno; e ele, que vivia na escuridão, apaixonou-se de imediato por ela.
       Desesperada com o desaparecimento da filha, Deméter esqueceu-se por completo das colheitas, e o mundo foi devastado pelo inverno e pela desolação.
       Enquanto isso, Persérfone definhava de saudades. Queria voltar para casa o quanto antes. Entretanto, Hades sabia: se a jovem se alimentasse de alguma coisa do mundo subterrâneo, ficaria retida ali para sempre.
       Gentilmente, Hades ofereceu-lhe três sementes de romã para retê-la... porém, como seu amor pela linda donzela era maior do que tudo, o rei dos infernos acabou ajudando-a a regressar para casa.
       Persérfone, radiante e feliz, encontrou sua querida mãe. Todavia a tristeza a tomou e a seqüela ficou gravada: na época do inverno, anualmente, ela volta para visitar seu amado Hades, o ser supremo do inferno. Seis meses no mundo subterrâneo e seis meses com a mãe na terra. Sim, parte do coração permanecia no Tártaro...

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Referência Bibliográfica:
_PEDRO, Antônio; LIMA, Lizânios de Souza. História do mundo ocidental. 1° edição. São Paulo: FTD, 2005. Págs. 50 – 87.
_VIDAL, Valmiro Rodrigues. Curiosidades. 5°volume. 6°ed. Rio de Janeiro: Conquista 1963.
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