sábado, 1 de janeiro de 2011

Jesus Cristo - Mons. Negromonte

  image

 

 

Não cabe neste livro a história da vida pública de nosso Senhor. Embora tenha sido de três anos apenas, é bastante longa, movimentada e complexa. As poucas noções aprendidas na História Sagrada devem ser completadas com a leitura constante dos Santos Evangelhos e o estudo de uma boa vida de Jesus (1). Mas não podemos deixar de dar aqui, ao menos, uma visão de conjunto. Muitas vezes perguntamos: Como seria Jesus Cristo? A esta pergunta pretendemos responder.

A fisionomia exterior

Só podemos imaginar que Jesus tenha sido homem de extraordinária beleza. Não de uma beleza suave e doce, como nossa Senhora, mas de uma beleza máscula, forte e viril como devem ser os homens em todo o seu esplendor. O salmista tinha profetizado: “Superas em formosura a todos os homens” (Sl 44, 3). A impressão extraordinária que ele causava a todos que o viam havia de ser, em grande parte, devida à sua fisionomia.

Naquele semblante magnífico destacava-se o olhar. Ele mesmo disse que a luz do corpo está no olhar (cfr. Mt 6, 22). A gente imagina que ele teria olhos tranquilos, luminosos e profundos, olhando para os homens com uma expressão e uma força, que os Evangelhos nos deixam entrever. Foi assim que bastou um olhar de Jesus a são Pedro para o que o Apóstolo compreendesse todo o mal da sua negação e saísse a chorá-la amargamente (cfr. Lc 22, 61).

Um homem forte

Jesus não era nem podia ser um homem franzino e doentio. A sua figura denotava um homem de grande vigor físico, como é fácil de ver pelos Evangelhos.

Era um trabalhador infatigável. Levante-se, ainda alta madrugada (Mc 1, 35) e desde a aurora já chama os Apóstolos para o trabalho (Lc 6, 13).

Os seus dias são cheios até alta noite, às vezes sem ter nem tempo de comer (Mc 3, 20). Mesmo enquanto descansa um pouco, trabalha, como no episódio da Samaritana (cfr. Jo 4, 6 e ss). E ainda de noite, ia atender aos que o procuravam (cfr. Jo 3, 2).

Não tinha sequer onde reclinar a cabeça (cfr. Mt 8, 20), vivendo, portanto, em longas e constantes caminhadas através dos caminhos poeirentos ou montanhosos da Judéia e da Galiléia.

Só um homem forte e robusto seria capaz de viver assim.

Um dominador

O Evangelho nos mostra Jesus admiravelmente calmo e imperturbável.

Quando a tempestade se levanta e a barca parece naufragar, os Apóstolos se desorientam, mas Jesus continua calmo e senhor da situação (cfr. Mt 8, 26).

Em face dos inimigos, que lhe propõem questões terríveis para perdê-lo, conserva a mesma serenidade inquebrantável (Mt 22, 18-22).

O próprio demônio não o perturba, nem nas tentações do deserto (Mt 4, 4, 7 e 10) nem nas outras oportunidades em que fazia o espanto dos homens (cfr. Mt 8, 28).

Dominava a todos. Quando pregava, todos reconheciam a sua autoridade, até mesmo os adversários. Os inimigos, por fim, não tinham mais coragem de lhe dirigir perguntas, porque ele os esmagava com suas respostas admiráveis. Os próprios discípulos viam nele uma tão elevada autoridade, reconheciam nele uma tão grande superioridade que, às vezes, não ousavam ao menos interrogá-lo (cfr. Mc 9, 31). Ele vivia no meio do povo, amigo de todos, compadecido de todos, acessível a todos; mas era tal o seu poder de domínio que ninguém lhe ousava tocar (Mt 9, 20) e, embora atraídos por ele, se sentiam também tomados de um respeito, que chegava a ser verdadeiro medo (cfr. Mc 10, 32).

Homem de coragem

Já vimos como se porta Jesus diante da tempestade: os outros tremem apavorados, ele está tranquilo. Os demônios fazem o povo fugir: Jesus os enfrenta e vence.

Os seus inimigos não descansam. Não podendo diminuir o seu prestígio diante do povo, os fariseus mandam agentes para o prender (Jo 7, 32): Jesus os enfrenta, e eles nada fazem. Tomam pedras para o matarem (Jo 10, 31), Jesus nem pestaneja diante deles. Atiram-se indignados contra ele (Lc 4, 30), e ele, em vez de fugir, passa corajosamente pelo meio deles. Aconselham-no a fugir, porque Herodes quer matá-lo (Lc 13, 31). Ele responde chamando ao rei de “raposo” e dizendo que continuará a sua missão até o fim.

Eram sem dúvida por causa dessas coisas que o povo tanto o admirava, porque o povo gosta dos homens dominadores e de coragem.

A bondade de Jesus

Era extremamente bom.

Compadecia-se dos que sofriam, a ponto de multiplicar o pão para saciar os famintos no deserto (Mt 15, 32) e ressuscitar o morto para consolar a pobre mãe chorosa (Lc 7, 14). São inúmeras as curas que fez, para aliviar os padecimentos humanos.

O povo humilde lhe despertava vivos sentimentos de piedade (cfr. Mt 9, 36; Mc 8, 2). Chama os que sofrem e estão sendo oprimidos, prometendo aliviá-los (Mt 11, 28). Atrai os pequeninos, e repreende os Apóstolos porque os afastam (Mc 10, 14). Trata os pecadores com especial carinho, dizendo mesmo que eles precisam de mais cuidados, porque são doentes (Mt 9, 12). Tem os seus amigos particulares, aos quais quer tanto bem a ponto de chorar quando eles morrem (Jo 11, 35).

Mas a bondade de Jesus não é uma bondade mole e complacente com o mal. Diante da hipocrisia, ele desencadeia as suas repressões severíssimas (Mt 23, 14 ss) Ao ver o desrespeito pelo templo, toma o chicote e expulsa decididamente os profanadores (Mc 11, 15). Quando Pedro se opõe à sua missão, ele o repele, chamando-o de Satanás (Mt 4, 10).

Um decidido

Esta energia do Mestre bem nos mostra a sua decisão. Desde menino que ele foi assim. Quando nossa Senhora o encontrou no templo entre os doutores da lei, e perguntou por que ele tinha feito aquilo, a resposta foi esta: “Não sabeis que é necessário que me ocupe das coisas de meu Pai?” (Lc 2, 49).

Mais tarde, quando chamar os seus discípulos, a primeira coisa que exigirá deles é esta decisão pronta e heróica às vezes. “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos” (Mt 8, 22). E chama com uma tal decisão que eles deixam tudo, para segui-lo (Mt 1, 16; Mc 1, 20).

Tem apenas 12 Apóstolos, mas se esses não quiserem crer nas suas palavras, podem ir-se embora: “E vós também não me quereis abandonar?” (Jo 6, 68).

Quando Jesus decidiu uma coisa, ninguém se lhe oponha, porque já está decidido. Ele sabe o que quer, e sabe admiravelmente querer. É por isto que ele podia ensinar a seus discípulos: “Seja o teu sim, sim, e o teu não, não” (Mt 5, 37).

Com semelhante modo de agir, ele ama os que sabem ser decididos e lhes promete enorme recompensa (Mt 19, 28), mas se entristece ao ver homens indecisos (Mc 10, 23).

O grande prestígio

Vinha de tudo isto o imenso prestígio de Cristo no meio do povo, dos discípulos e dos próprios inimigos.

A sua vida era realmente misteriosa e incompreensível. Cheio de misericórdia com os pecadores, mas terrível na sua cólera contra os fariseus e os hipócritas. Obediente à autoridade, chamara de raposo ao próprio rei. Atrai as criancinhas, conversa com os homens simples e as mulherzinhas do povo, mas infunde nos que o cercam um tal respeito que chega a ser verdadeiro temor (Mc 9, 5; 4, 40; 9, 31).

A todos dava a impressão de ser um homem diferente dos outros homens. A sua superioridade era reconhecida até dos inimigos (Mc 12, 14).

Causava maravilha o seu modo de viver. Ele multiplicara o pão para alimentar o povo, mas deixava os Apóstolos padecer fome. Cura doentes e ressuscita mortos, mas se cansa a ponto de dormir ao relento e repousar ao longo dos caminhos. Quando quis dinheiro para pagar o imposto, fê-lo tirar da boca de um peixe; mas vivia das esmolas que lhe davam. Em face da sua vida de pobre, os seus milagres são um verdadeiro mistério; mas em vista dos seus milagres, a sua vida é realmente incompreensível.

No capitulo seguinte, provaremos que este homem é também verdadeiro Deus; mas, mesmo diante do povo que não sabia que ele era Deus, o seu prestígio era tão grande que fazia as máguas e a inveja dos seus adversários. 

 

Para viver a Doutrina

 

A humanidade vive voltada para Jesus Cristo. Ele é o “sinal de contradição” (Lc 2, 34), a quem os homens amam ou odeiam. Mas nós devemos amá-lo, admirá-lo, segui-lo.

Para isto, precisamos de conhecer a Jesus. A sua vida está nos Evangelhos. Ler e estudar os Evangelhos é uma obrigação. É uma necessidade. Só assim, a figura de Jesus terá aos nossos olhos as suas verdadeiras proporções. Quanto melhor o conhecermos, tanto mais o amaremos.

Uma literatura mal intencionada costuma apresentar nosso Senhor como “o doce e meigo Rabi da Galiléia”, uma figura suave e afeminada. Repilamos esta literatura. O verdadeiro Jesus era de uma bondade infinita, porém másculo, corajoso, decidido, amigo dos pecadores, mas inimigo irreconciliável do mal.

Para Jesus devem ser os nossos entusiasmos, o nosso ardor, a nossa admiração. Ele é o nosso herói, o nosso ideal, o nosso Senhor.

 

***

 

  N. do E.: alguns acentos foram acrescentados ao texto original para melhor adaptá-lo à ortografia atual.

 

 

Livro: A Doutrina Viva - para o curso secundário
Autor: P. A. Negromonte
Editora "Vozes" - Petrópolis - Est. do Rio
Páginas: 72 - 79
NIHIL OBSTAT. Petrópoli, die Juanuarii MCMXXXIX. Fr. Fridericus Vier, O.F.M. Censor.
IMPRIMATUR. Por comissão especial do Exmo. e Revmo. Sr. Bispo de Niterói, D. José Pereira Alves. Petrópolis, 10-03-1939. Frei Heliodoro Müller, O.F.M.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Eliot - Medievo, Cultura e Civilização

image

T. S. Eliot

 

 

"(...) O ápice da civilização foi alcançado na Idade Média, quando a sociedade, a religião e as artes expressavam um conjunto comum de critérios e valores. Isso não quer dizer que as condições de vida eram melhores então - um item cuja importância deveria ser minimizada - mas que a síntese cultural da Idade Média simboliza um ideal de comunidade européia. Toda a história posterior representa uma degenerescência desse ideal. O cristianismo se decompõe em nações, a Igreja em heresias e seitas, o conhecimento em especializações, e o fim do processo é que o escritor está pesarosamente observando em seu próprio tempo “a desintegração da cristandade, a deterioração de uma crença comum e de uma cultura comum”." (FRYE apud ASCHER)

 

***

image

"À nossa herança cristã devemos muitas coisas além da fé  religiosa. Por meio dela seguimos a evolução de nossas artes, por meio dela temos nossa concepção da Lei romana que tanto fez para moldar o Mundo ocidental, por meio dela temos nossos conceitos de moralidade pública e privada. E por meio dela temos nossos padrões comuns de literatura, nas literaturas da Grécia e de Roma. O mundo ocidental tem sua unidade nessa herança, no Cristianismo e nas antigas civilizações da Grécia, de Roma e de Israel, a partir das quais, devido a dois mil anos de Cristianismo, determinamos a nossa descendência. Não desejo elaborar esse ponto. O que eu quero dizer é que esta unidade nos elementos comuns da cultura, em muitas centúrias, é o verdadeiro vínculo entre nós. Nenhuma organização política e econômica, por mais boa vontade que ela exija, pode suprir o que essa unidade cultural dá. Se dissiparmos ou jogarmos fora nosso patrimônio comum de cultura, então toda a organização e planejamento das mentes mais engenhosas não nos ajudará, ou nos colocará mais juntos."

 

Dados da obra: 

 

Livro: Notas para uma Definição de Cultura                  Autor: T. S. Eliot
Páginas: 13 e 152
O conservadorismo de Eliot - Páginas 9-16
Apêndice: A Unidade da Cultura Européia - Páginas 137-153
Direitos em língua portuguesa reservados à Editora PERSPECTIVA S.A
1° edição (de 1988) - 2° reimpressão - 2008

Pe. Pianzola: “... um maço de cigarros”

image  
 
 
Por Prof. Pedro M. da Cruz
 
 
“O testemunho vale mais do que a renúncia.”
 

O Bem–Aventurado Padre Francisco Pianzola[1](1881-1943) foi uma mensagem de Cristo para os tempos modernos. Com efeito, é próprio de Deus, Nosso Senhor, falar e agir através de seus discípulos.
Nascido em meio à crise que castiga a Igreja na atualidade, deixou-se conduzir pelos apelos da graça divina e realizou, na medida de suas forças, a vontade do Redentor. “Esta é minha prece e minha aspiração: Jesus, amar-te e depois morrer.” Escrevera em seu diário.
Profundamente tocado pela pobreza espiritual que o cercava, geradora, como se sabe, de toda crise cultural, econômica e social de nosso meio, Padre Pianzola foi consumido de ardor contra as injustiças e pôs-se ativamente na luta em favor do Evangelho.
Afirma uma de suas biografias: “Foi para a Igreja que viveu e morreu.” Que belo exemplo para os homens de hoje! Pois, de fato, não há causa mais grandiosa que esta; lutar pela Igreja é lutar pelo próprio Cristo!
Propomos hoje aos leitores do blog um interessante fato da vida deste sacerdote. Que ele sirva tanto para a validação de nossos posicionamentos quanto para o entretenimento dos amigos que nos acessam:
 
“Dê uma boa tragada pela minha saúde”
 
Após ter sido atendido em confissão pelo Bem-Aventurado Francisco Pianzola, um camponês da cidade de Garlasco colocou nas mãos do Padre uma pequena doação de duas moedas; pretendia, deste modo, ajudá-lo em seu apostolado.
_ Pegue, Padre. Estou muito contente e quero dar-lhe este presente.
_ Não posso aceitar, meu bom homem, mas é como se eu tivesse pegado...
O camponês ficou um pouco confuso.
_ Ah! É porque é pouca coisa... mas tenho só isto.
_ Sim? Pois bem, se é assim eu pego – afirmou o Padre - mas você deve fazer aquilo que lhe digo.
_ Está bem, o senhor me deu felicidade, portanto tem o direito de pedir-me algo.
_Este dinheiro é meu, posso fazer aquilo que eu quiser?
_Mas é claro, Padre!
_ Muito bem, vai comprar um maço de cigarros e dê uma boa tragada pela minha saúde.
 
***
 

Como podemos imaginar, o Padre Francisco Pianzola seria barbaramente criticado pelos “arautos da saúde”, ou mesmo, pelos “puritanos” de nossos dias, entre outros... (Quiçá, pela “Pastoral da Sobriedade”).
Todavia, alguns poderão objetar que se tratava de um  período histórico em que “não se conheciam os malefícios do tabaco”. Bom, concordamos que certos malefícios poderiam ainda não ser conhecidos, porém, alguns benefícios sim, e, com toda certeza, o afirmamos; tanto é que o uso do cigarro fora aconselhado pelo próprio sacerdote e fundador por nós apresentado.
image 
Monge ortodoxo fumando
 
Terminemos com mais algumas pérolas desse sacerdote católico:
 
“A meditação é a fonte de todo apostolado”
“Nunca pensar naquilo que você fez ou naquilo que você deu, mas pense sempre naquilo que você deve fazer.”
“Com o sorriso chamem os corações, fechem o inferno, pintem de alegria a piedade e povoem os céus.”
“Eu vi o Pe. Pianzola chorar, não por problemas seus, mas porque estava falando de Maria.”
(Testemunho de uma irmã)
“Chama-me de ingrato, vil, impostor, estúpido, ó Coração de Jesus, no dia em que eu deixar de dizer-te, diante do teu tabernáculo: Oh, Amor, eu te amo ou pelo menos te quero amar.”
Maria, Mãe da sobriedade, rogai por nós!
 


Referência bibliográfica:

Coleção Campeões. N. 26. MORERO, Vittorio. Francisco Pianzola, para uma Igreja jovem. 4 Edição. São Paulo: Editora Salesiana.

[1] Fundador das Irmãs Missionárias da Imaculada Rainha da Paz, assim como, dos Padres Oblatos diocesanos da Imaculada.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Maria, José e o Menino

16865lg

Por  Prof. Pedro M. da Cruz.


“Eles foram, sem demora, para lá e encontraram Maria, José e o menino deitado numa Manjedoura.” (Luc. 2,16)


Era noite quando a Luz nasceu em Belém. Não tão densa como, talvez, se encontre a escuridão de nossas almas... José e Maria, prostrados na mais profunda reverência, achavam-se absortos na contemplação do grande mistério que estava para realizar-se.
“De repente, um improviso esplendor ilumina a mísera choupana, mais do que se fosse iluminada por uma centena de sóis; enche-a uma melodia toda celestial; a tenebrosa caverna é transformada em um Paraíso ao aparecimento do Sol da Justiça. Nasceu o Salvador do mundo!” (RAVINA, Tarcísio M. São José. Recife: Paulinas, 1954. P. 56).
Ali, sem dor, no gozo dum êxtase celestial, Maria, sempre image Vírgem, dera a luz ao Divino infante. Os anjos exultaram de alegria, e, determinado momento, toda a criação fizera um grande silêncio. Um toque sobrenatural, um frêmito, tomara a alma de todo ser humano. Uma espécie de doce arrepio os fizera exclamar: “Mas, o que é isso? Algo muito especial aconteceu...” De fato, a criação não poderia ficar indiferente à magnificência daquele acontecimento singular.
Avisados por celeste mensageiro, pastores acorreram “sem demora”, mesmo que de noite, à gruta de Belém. Haviam deixado seus rebanhos para trás... Hoje, tantos séculos após esses fatos gloriosos, tememos que os homens estejam, por demais, apegados aos seus “rebanhos”, afogados na escuridão de suas “noites”, aquecendo com ilusões o “frio” de suas vidas... Não escutam mais as vozes dos celestes mensageiros... E, com isso, não conseguem desfrutar as graças do Natal.
Cristo continua nascendo, apesar de nosso desprezo. image Indiferentes ao seu gesto de amor definharemos, dia após dia, no abismo das frustrações. Longe de “Maria, José e o Menino” não há verdadeira noite de Natal.
Aos amigos deste blog um Feliz Natal! E que a Santíssima Virgem Maria e São José, seu castíssimo esposo, possam alcançar de Deus toda sorte de bênçãos para o ano que se aproxima. Amém.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Beato Anchieta e o Teatro brasileiro

  image

 

Por Helmer Ézion de Souza

 

 

O Beato José de Anchieta nasceu na Ilha de Tenerife, uma das Ilhas Canárias pertencente à Espanha, em 19 de março de 1534. Estudou na Universidade de Coimbra (Portugal) em meio à efervescência cultural do século XVI (período da pseudo reforma-protestante e do surgimento do iluminismo). Embarcou rumo ao Brasil em 1553 com apenas 19 anos como missionário jesuíta. Ao desembarcar, passou a dedicar parte do seu tempo a estudar tupi e latim a fim de catequizar os índios e instruir os colonos. Com efeito, possuía grande facilidade com línguas; chegou, inclusive, a confeccionar uma gramática tupi. Dessa forma Anchieta ficava como que intermediador entre os nativos, os demais missionários e a corte, sendo assim quase que um diplomata, o que lhe valia grande estima por parte de todos (algo difícil de se conseguir devido à hostilidade reinante na época entre algumas partes).

Os jesuítas fundaram muitos colégios, o que serviu de base para a evangelização do novo mundo. José de Anchieta trabalhou lecionando nesses institutos, mesmo quando mero seminarista. De fato, sua ordenação só ocorreria em 1566.

image

Anchieta valia-se dos seus conhecimentos lingüísticos para  catequização dos nativos. Escreveu diversos poemas, sermões, cartas, e autos (foi muito influenciado por Gil Vicente e o teatro medieval). Os teatros produzidos por Anchieta tinham o objetivo principal de evangelizar, porém os mesmos eram sempre inseridos em festas e/ou acontecimentos, como, por exemplo, a chegada de oficiais da Ordem.

O teatro era escrito e representado em várias línguas, além de ser às vezes inseridos elementos das culturas indígenas para que todos que assistissem entendessem a mensagem. Diz-se que o teatro Anchietano tinha estilo otimista, com constante temática do bem contra o mal (benéfica influência medieval) e presença de várias línguas e adaptações de divindades indígenas. A primeira produção teatral de Anchieta se deu por encomenda de seu superior, o Padre Manoel de Nóbrega para os festejos natalinos, foi o “Auto da Pregação Universal” (1561) que seria apresentado repetidas vezes em toda costa brasileira, sofrendo alterações em cada apresentação. Além deste auto, Anchieta escreveu diversas peças: “Auto de São Sebastião” (1584)/ “Diálogo de P. Pero Dias Mártir”(1585)“Auto de São Lourenço” (1587)/”Dia da Assunção”(1590)/”Recebimento do P. Marcos da Costa”(1596)/”Auto de Santa Ursula”(1595)/”O Auto de São Maurício”(1595)/”Na Visitação de Santa Isabel”(1597)... E vários outros.

Mesmo estando em Leito de Morte ainda escrevia seus autos para atender pedidos da população. Anchieta veio a falecer em 09 de junho de 1597, deixando seu legado e sua forte influência para a formação cultural brasileira.

 

Referências bibliográficas: 

 

- João Paulo II. Carta de João Paulo II aos artistas. N. 167. S. Paulo: Paulinas, 32 pgs.

- QUEVEDO, Luiz González. Manoel da Nóbrega. O enamorado do Brasil. Coleção Heroes, N. 51. São Paulo: Editora Salesiana, 1988. 52 pgs.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Direito e dever de exprimir a opinião

  image
 
Por  Prof. Pedro M. da Cruz.
 

“... resisti-lhe francamente, porque era censurável.”(São Paulo – Gal. 2,11)
“...é por meio de nós que o próprio Deus vos exorta.” (2 Cor 5, 20)”
“Tornei-me eu, logo, vosso inimigo, porque vos disse a verdade?” (Gl IV,19)
“Devemos nos apoiar, antes, na autoridade da Igreja do que na de Agostinho, de Jerônimo ou de qualquer outro doutor.”[1]
(S. Tomás de Aquino)
“Não há, portanto, maior caridade para com o próximo que lhe mostrar a verdadeira Igreja.”
(S. Pedro Julião Eymard)
"A Fé corre perigo não somente devido aos assaltos dos que atacam, como pelo silêncio dos que têm o dever de falar" - Cardeal Albino Luciani (Papa João Paulo I)
 
 


Muitas vezes criticados por exprimirmos nossa opinião em matérias referentes à Igreja que amamos, julgamos por bem apresentar aos leitores deste blog o que dizem os Pastores sobre a conveniência ou não dessa iniciativa.
Os papas e bispos, ao mesmo tempo em que se sabem imunes ao erro em determinadas circunstâncias, não se esquecem, todavia, de que certas verdades podem ser maculadas pela ignorância, imprudência, ou mesmo, pela malícia de alguns. [2] Quantos leigos, padres (bispos, inclusive) não foram agentes do erro na história do cristianismo?![3] Ao mesmo tempo, quantos não foram os simples fiéis que souberam assumir sua responsabilidade cristã e, “cum Petro et sub Petro”, levantar a voz contra a heresia [4]. Um número incontável de cristãos não negou o próprio sangue como testemunha de seu amor... Que santa inveja nos toma o coração!
Consultemos, pois, o Código de Direito Canônico:
“Cân. 212 - § 1. Os fiéis, conscientes da própria responsabilidade, estão obrigados a aceitar com obediência cristã o que os sagrados Pastores (Papas e bispos a eles subordinados), como representantes de Cristo, declaram como mestres da fé ou determinam como guias da Igreja. (O grau de assenso requerido é diverso, de acordo com a natureza do ensinamento, tal como declarou o Concílio Vaticano II – LG 25).
§ 2. Os fiéis têm o direito de manifestar aos Pastores da Igreja as próprias necessidades, principalmente espirituais, e os próprios anseios.
§ 3. De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverencia para com os Pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, dêem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis.”
(Nota: O negrito é nosso. O que está em parênteses foi retirado do próprio documento.)
Confirmados pelas palavras de nossos Pastores, não só redobramos o fervor de nosso trabalho, como, também, convocamos todos os irmãos, afim de que possamos, pelas preces, sacrifícios e ações públicas (junto e submetidos à hierarquia), alcançar maior fruto em nosso apostolado.
Quem ama a Igreja luta por sua glória; ou, o amor não se mostra pelos atos. Está para nascer o filho que, dizendo-se justo, não sofra pela honra de sua mãe; ora, isto seria um absurdo! Amar a Igreja Católica é sentir com ela à imagem de Maria aos pés da Cruz.
 
Mãe Imaculada, rogai por nós!
 

[1] S. Tomás – Summa Theologica, II-II, q. 10, a.12.
[2] Todavia, não podemos cair em generalizações indevidas: “É certo que o Concílio Vaticano I definiu que o Magistério do Romano Pontífice é infalível em determinadas condições... Seria absurdo, no entanto, daí concluir que o Papa erra sempre que não faz uso de sua prerrogativa de infalibilidade. Pelo contrario, devemos supor que ele acerte, porquanto normalmente age com prudência e não emite sua opinião antes de muito ponderar. Sem falar nas graças especiais com que o assiste o Espírito Santo. (D. Mayer – Carta Pastoral sobre a preservação da fé e dos bons costumes, V)
[3] “Na verdade a Igreja sofreu cruelmente da parte dos tiranos, que pelo martírio lhe arrebataram tantos fiéis; depois sofreu ainda mais cruelmente da parte dos hereges, que com o veneno do erro infeccionaram muitos dos seus súditos; mas o seu maior sofrimento, a sua maior perseguição é a que lhe advém dos seus filhos, desses eclesiásticos indignos, que por seus escândalos dilaceram as entranhas maternais!” - (Santo Afonso de Ligório, “SELVA”)
[4] O Papa Bento XVI, quando ainda Cardeal disse: “É possível e até necessário criticar os ensinamentos do Papa se não estiver suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja Universal”. (O Novo Povo de Deus, S. Paulo, Paulinas, Pag. 174).

sábado, 4 de dezembro de 2010

A Igreja e a Verdade

image
Concílio Vaticano I
 
 
Breve escrito contra alguns desvios modernos, mostrando que a Igreja enquanto instituição infalível não pode cair em erro. Demonstra que ao longo dos séculos vários foram os membros da hierarquia que defenderam pessoalmente doutrinas heréticas, sem no entanto poderem macular a infalibilidade da Esposa do Cordeiro.
 
 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Idade Média e o atual declínio na arte da leitura - M. Adler

image

Monge copista

 

 

Na baixa Idade Média, por exemplo, existiram homens que liam melhor do que os melhores leitores de hoje. Por outro lado, é verdade que poucos homens sabiam ler, que havia poucos livros, e que êsses homens dependiam da leitura como fonte de aprendizado, mais do que nós. O fato, entretanto, é que dominavam os livros de valor, como nós não dominamos nada, hoje em dia. É provável que não respeitemos livro algum, como êles respeitavam a Bíblia, o Alcorão ou o Talmude: um texto de Aristóteles, um diálogo de Platão, ou as Institutas de Justiniano. De qualquer modo, desenvolveram a arte de ler a um ponto que não foi por ela atingido, nem antes, nem depois.

Devemos acabar com nossos tolos preconceitos sôbre a Idade Média, e considerar os homens que escreveram exegeses das Escrituras, explicações de Justiniano, e comentários de Aristóteles, como os mais perfeitos modelos da arte de ler. Essas explicações e comentários não eram nem condensações, nem resumos. Eram leituras analíticas e interpretativas de um texto de valor. Na verdade, poderia confessar que muito do que sei sôbre leituras, aprendi examinando os comentários medievais. As regras que vou aconselhar são simplesmente uma fórmula do método que segui, ao observar o professor medieval lendo um livro com seus alunos.

Comparada com o esplendor dos séculos XII e XIII, a era atual se parece muito mais com a idade das trevas dos séculos VI e VII. Então, as bibliotecas tinham sido queimadas ou fechadas. Havia poucos livros de valor e menos leitores ainda. Enquanto que hoje há mais livros e bibliotecas do que nunca, na História da humanidade. De um certo modo, também, há mais homens capazes de ler. Mas, na verdadeira acepção do têrmo, isto não é exato. Tratando-se de ler, para compreender, as bibliotecas poderiam ser fechadas e as tipografias destruídas.

 

***

 

Livro: A Arte de Ler - Como adquirir uma educação liberal
Autor: Mortimer J. Adler
Tradução de Inês Fortes de Oliveira
Rio de Janeiro
Livraria AGIR Editora - 1954
Páginas: 82 e 83 - "A falência das escolas"

Renovação Carismática: Falaram os Bispos!

image
  
 
Por  Prof. Pedro M. da Cruz.
 
 
“Não se interrompa a Oração Eucarística (...) com aplausos, vivas, procissões, hinos de louvor eucarístico e outras manifestações...” (pg. 22)
“... evite-se alimentar um clima de exaltação da emoção e do sentimento.” (pg. 25)
“Os carismas (...) não devem ser temerariamente pedidos nem se ter a presunção de possuí-los.” (pg. 27)
 
 
Os senhores Bispos do Brasil escreveram anos atrás um documento à “Renovação Carismática Católica” (RCC) pretendendo evitar, por parte deste movimento, deturpações e atitudes parciais que dificultam a comunhão da Igreja. [1]
O objetivo era claro: “corrigir o que for necessário” [2], pois, as várias associações de fiéis na Igreja precisam manter a responsabilidade de professar a fé Católica no seu conteúdo integral, como bem afirmara o saudoso Papa João Paulo II (cf. Christifideles Laici).
Ao utilizar métodos próprios - afirmam os Bispos - a RCC deve manter-se dentro da doutrina da fé e da grande comunhão do Corpo Místico; enfim, não pode destoar daquilo que é essencial à Tradição. Ora, esta postura do episcopado brasileiro faz-nos recordar aquela exortação de São Pio X a membros da Igreja que sem um sólido conhecimento de filosofia e teologia, mas embebidos das teorias envenenadas dos inimigos da Igreja, vangloriavam-se, desprezando e transgredindo toda moderação necessária. (Pascendi, S. Pio X).
Cremos ser este um dos motivos por que a CNBB tenha determinado à Renovação Carismática que submetesse seus livros de estudos e de formação doutrinal à aprovação eclesiástica[3], para que se evitassem os flagrantes desvios já observados por muitos estudiosos e membros da hierarquia eclesiástica.
Em seu parágrafo 35 o documento por nós apresentado foi obrigado a ressaltar os perigos de falsas interpretações de textos bíblicos por parte de líderes da RCC. Com efeito, não estaria havendo uma “reta leitura” da Palavra de Deus. Pode-se perceber que, ainda hoje, tem-se caído, ordinariamente, tanto no fundamentalismo[4] quanto no intimismo[5]. Ora, isso conduz o leitor desprevenido a fazer o texto bíblico afirmar aquilo que, na verdade, não era a intenção dos autores sagrados. [6]
 
Questões Particulares da Renovação Carismática
 
Ao abordarem no documento determinadas “Questões Particulares” da RCC, os senhores Bispos foram taxativos em sua explanação: “Alguns temas necessitamimage de maior aprofundamento teológico”. Citam, em seguida, não só a expressão ambígua “Batismo no Espírito Santo”, como também, o chamado dom de “orar e falar em línguas”; terminam, enfim, por se referirem ao estranho “Repouso no  Espírito”, assim como, aos tão mal compreendidos “poder do mal” e “exorcismo”, entre outras coisas.
Porém, ao terminarem suas explanações, não se furtam a afirmar categoricamente:
“Como é difícil discernir, na prática, entre inspiração do Espírito Santo e os apelos do animador do grupo reunido, não se incentive a chamada oração em línguas e nunca se fale em línguas sem que haja intérprete. (...) Em assembléias, grupos de oração, retiros e outras reuniões evite-se a prática do assim chamado ‘Repouso no Espírito’.[7]
Recorda, também, a CNBB, que o exorcismo deve ser praticado de acordo com as normas estabelecidas pelo Código de Direito Canônico (Cân. 1172) “Por isso seja afastada a prática, onde houver, do exorcismo exercido por conta própria.” [8]
Finalmente, essas são palavras conclusivas dos senhores Bispos em sua exortação: “As orientações aqui oferecidas são expressão da solicitude pastoral com que o episcopado brasileiro acompanha a RCC (...) mas também mostrando sua preocupação com os desvios ocorridos, que são prejudiciais para a RCC e para toda a Igreja.”.
“A experiência religioso-cristã não se realiza em mera experiência subjetiva, mas no encontro com a Palavra de Deus confiada ao Magistério e à Tradição da Igreja...” (pg. 24)
“Diante das pessoas que teriam carismas especiais, o juízo sobre sua autenticidade e seu ordenado exercício compete aos pastores da Igreja.” (pg. 27)
 
Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós!
 
Referência Bibliográfica:
Documentos da CNBB, N. 53. Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica. (34º Reunião Ordinária do Conselho Permanente/ 94. Brasília, DF, 22 a 25 de novembro de 1994.). 32 pgs.

[1] Documentos da CNBB, N. 53. Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica. (34º Reunião Ordinária do Conselho Permanente/ 94. Brasília, DF, 22 a 25 de novembro de 1994.). Pg. 8.
[2] Ibidem, pg. 17.
[3] Ibidem, pg. 19.
[4] Não respeitar, por exemplo, o contexto histórico dos textos nem, muito menos, as contribuições das ciências bíblicas, entre outras coisas.
[5] Por exemplo, o fato de muitíssimos “carismáticos” interpretarem as Sagradas Escrituras de modo subjetivo e até “mágico”.
[6] Ibidem, pg. 20.
[7] Ibidem, pg. 29-30.
[8] Ibidem, pg. 30.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Catolicismo Versus Espiritismo - segunda parte

Kardec II
 
 
Por Prof. Pedro M. da Cruz
 
“Estai sempre prontos a responder a todos aqueles que pedirem a razão de vossa fé.”
(IPd.3,15)
 
 
O Espiritismo nega radicalmente os fundamentos da Doutrina Cristã. É urgentíssimo que tomemos consciência desta verdade.
Como havíamos prometido, apresentamos abaixo uma lista de antagonismos entre o pensamento espírita e os ensinamentos do catolicismo.
Essas informações foram retiradas dum pequeno livro do Frei Boaventura, O.F.M. Esperamos que sirva positivamente aos amigos e colaboradores deste auspicioso blog.
 
***
 
O católico crê que os livros da Sagrada Escritura foram inspirados por Deus e que, por isso, não podem ter erros em questões de fé e mora; o espírita declara que a Bíblia está cheia de erros e contradições e que nunca foi inspirada por Deus.”
O católico crê que o Papa, sucessor de S. Pedro, é infalível sempre que, com sua suprema autoridade, decide solenemente questões de fé ou moral; o espírita proclama que os papas só espalharam o erro e a incredulidade”.
O católico crê que Jesus instituiu uma Igreja com o fim de continuar através dos séculos Sua obra de santificação dos homens; o espírita declara que até a vinda de Allan Kardec (foto)  a obra de Cristo estava perdida e inutilizada”.
O católico crê que Jesus nos ensinou todas as verdades religiosas necessárias e suficientes para a nossa eterna salvação; o espírita proclama que o Espiritismo é a Terceira Revelação, destinada a retificar e mesmo substituir o Evangelho de Cristo”.
O católico crê que em Deus há uma só natureza e Três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; o espírita nega este augusto e fundamental mistério da Santíssima Trindade.”
O católico crê que Maria Santíssima é Mãe de Deus (isto é, de Cristo que é Deus) e por isso imaculada, sempre virgem e assunta ao céu em corpo e alma; o espírita nega e ridiculariza todos os privilégios da excelsa Mãe de Jesus”.
O católico crê que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho Unigênito de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Deus igual ao Pai e ao Espírito Santo; o espírita nega esta verdade fundamental da fé Cristã e dogmatiza que Cristo era apenas um grande médium, nada mais”.
O católico crê que Cristo veio para salvar e remir a humanidade por sua vida, paixão e morte na cruz; o espírita dogmatiza que Jesus não é nosso Redentor, mas que apenas veio para ensinar algumas verdades e isso mesmo ainda de um modo obscuro e incerto e que cada um precisa de redimir-se a si mesmo.”
O católico crê que o filho de Adão nasce sem os dons da graça com que Deus adornara generosamente a natureza humana, isto é, que nascemos todos com o pecado original; o espírita dogmatiza que Deus assim seria injusto e por isso nega o pecado original.”
O católico crê que é pelo Batismo que o homem deve iniciar sua santificação; o espírita nega que Jesus mandou se batizassem todos os homens para a remissão dos pecados e infusão da vida sobrenatural”.
O católico crê que Jesus está verdadeiramente presente no Pão Eucarístico, para ser o alimento da nossa vida sobrenatural; o espírita ridiculariza a Eucaristia como pura ‘pantomina e palhaçada do Catolicismo’”.
imagesO católico crê que o homem vive uma só vez sobre a terra e que desta única existência depende a vida eterna; o espírita dogmatiza que a gente nasce, vive, morre, renasce e ainda progride continuamente”.
O católico crê que depois da morte o homem deve comparecer perante Deus e prestar contas de sua vida; o espírita dogmatiza que este juízo particular é pura fantasia e imaginação.”
O católico crê na existência de um estado e lugar, chamado Purgatório, onde se purificam as almas dos justos que morreram com pecados leves não arrependidos ou com castigos temporais não satisfeitos; o espírita decreta que este Purgatório não existe, mas foi inventado pela Igreja para ganhar dinheiro.”
Finalmente, o espírita nega não somente a eternidade do inferno e a ressurreição da carne, como também a própria “Parusia (Segunda vinda de Cristo, Nosso Senhor), além de promover a chamada “evocação dos mortos”, prática vivamente condenada pela Sagrada Escritura.
Ó Maria, virgem imaculada, rogai por nós.
 
Bibliografia:
BOAVENTURA, Frei. Por que o Católico não pode ser Espírita. X Edição. Petrópolis: Vozes, 1957. Pg. 8